Can You Keep A Secret? - HIATUS
11 Hello, strange nuisance!
Notas iniciais
Eu estava vivendo um pesadelo!
O pior de todos...
Eu queria ser como um avestruz e poder enfiar a minha cabeça na areia.
Bem, era o que eu estava fazendo agora... quer dizer... mais ou menos!
—Tem certeza de que ela está bem? Nunca vi a minha bebê assim! –Minha mãe tinha uma voz preocupada e quase me sentia culpada.
Eu disse quase!
Mas aí eu lembrava que ela havia causado tudo isso, então a culpa passava.
—É claro que ela está bem, quer dizer, isso acontece quando ela fica muito surpresa, a pressão cai ou algo assim, logo ela vai se recuperar.
—Tudo bem, se você diz eu fico mais tranquila! –A preocupação havia sumido totalmente da voz dela, era impressionante o fato de um cara bonito conseguir acalmar a minha mãe com tanta facilidade.
Tudo bem, a coisa toda poderia estar meio confusa agora, mas na verdade era bem simples.
1º Minha mãe havia aparecido no meu apartamento do nada!
2º Eu havia atendido a porta usando apenas a camisa do Oliver!
3º Oliver havia aparecido de cueca na sala de estar!
4º Minha mãe conseguiu perceber no mesmo momento que ele era o meu chefe
5º Eu simulei um desmaio!
Sim, eu simplesmente caí igual uma jaca muito madura no chão e bati o meu ombro com tanta força que tive que me segurar para não soltar um gemido de dor.
O que? Eu estava desesperada!
Eu estava com os olhos fechados a quase 15 minutos e nesse meio tempo, Oliver já havia vestido uma calça (pra decepção da minha mãe, eu tinha certeza) e me tirado do chão. Ele havia me colocado sobre o sofá com delicadeza, mas disfarçadamente tinha me dado um beliscão na bunda, o que numa linguagem bem clara queria dizer “Eu sei que você está acordada e isso vai ter volta”.
A parte boa?
É que a minha mãe estava tão preocupada comigo que ainda não havia começado a fazer as perguntas constrangedoras.
—Então, você e minha bebê estão namorando ou estão apenas fazendo sexo selvagem um com o outro?
E ela havia começado!
—Namorando, definitivamente namorando! E a propósito, me desculpe, mas não me apresentei direito senhora Smoak, eu sou Oliver Queen! –Aquele devia estar sendo o dia de sorte da minha mãe, mesmo de olhos fechados eu conseguia saber que ela estava sorrindo como uma criança em dia de páscoa agora.
—É um prazer conhece-lo Oliver, mas pode me chamar de Donna, agora somos praticamente família!
Senhor, por favor, me leve rápido, é tudo o que eu peço nesse momento!
—Eu acho que sei um jeito de acordar ela, nada que uma água não resolva, não acha? –Eu podia sentir o sorriso na voz de Oliver e precisei me segurar para não jogar uma almofada na cara dele.
Cretino...
Mas eu continuei imóvel, é claro que continuei, por que ele só podia estar blefando né?
Consegui ouvir o barulho da água da pia na cozinha e gelei no mesmo instante.
Não, ele não ia fazer isso!
Eu já estava começando a suar frio quando escutei os passos de Oliver voltando pra sala.
—Você tem certeza disso querido?
—É claro, ela vai acordar rapidinho!
Nesse momento decidi que abrir os olhos talvez fosse melhor do que tomar um banho de água fria, então lentamente comecei a me espreguiçar, me esforçando ao máximo para parecer alguém que realmente estava acordando de um desmaio.
—Mãe? –Minha voz estava grogue e eu piscava incessantemente, enquanto eu tentava a todo custo não olhar na direção do Oliver, porque eu sabia que se olhasse pra ele acabaria me entregando e minha mãe perceberia tudo.
—BEBÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ!!!!!!!! –Ela correu e me puxou para um abraço apertado e somente então é que ergui os olhos e vi um Oliver me encarando com um sorriso cínico no rosto, enquanto segurava uma bacia cheia de água na mão.
—Você acordou amor, que bom que não vou ter que precisar usar a água! –Torci o nariz na direção dele e esperei sinceramente que o meu olhar fulminante fosse o suficiente pra que ele entendesse o recado.
“Eu vou mata-lo!”
É isso que eu estava querendo dizer!
Minha mãe como sempre já estava me abraçando a tempo demais e quando eu vi, já estava me sentindo sufocada.
—Mamãe, eu preciso respirar, sabe?
—Ah, meu Deus! É claro, desculpe querida!
Ela me soltou rapidamente, mas não saiu do meu lado e tudo o que eu pude fazer foi colocar uma almofada em cima das minhas pernas já que...bem, eu estava completamente nua embaixo da camisa do Oliver.
—Por que você veio sem avisar? –Nesse momento minha mãe me olhou de maneira intimidante e eu percebi que havia falado bobagem. –Quer dizer, ter todo esse trabalho mãezinha, se você tivesse dito que vinha eu teria feito compras e arrumado o apartamento, além disso, teria ido até o aeroporto pra te buscar!
—É claro bebê, eu entendo! E você com certeza não aproveitaria esse aviso pra esconder o seu namorado e qualquer evidência da existência dele, não é mesmo?
Oliver riu baixinho, mas logo começou a tossir para disfarçar e eu o fuzilei com os olhos antes d voltar para encarar a minha mãe.
—Eu jamais pensaria em fazer algo assim, mãezinha! Eu só não acabei te dizendo nada sobre o Oliver porque...bom, porque... porque é tudo muito recente e eu não queria falar nada até ter certeza!
Nesse momento foi o meu namorado que decidiu me fuzilar com os olhos e eu fiz uma carinha que eu pensei ser fofa pra que ele não ficasse bravo, porque é lógico que eu não pensava daquela forma, mas eu precisava dizer alguma coisa pra minha mãe, né?
—Entendo bebê, mas eu não sei por que você ainda tenta! –Franzi o cenho naquele momento e me levantei logo em seguida.
—Tento o que? –Ela revirou os olhos e então se levantou também.
—Mentir pra mim, nós duas sabemos que você nunca conseguiu! –Depois disso ela começou a rir baixinho e Oliver também, mas eu me lembrei do segredo que escondia da minha mãe, da verdade oculta sobre o motivo de eu ter vindo morar em Starling.
Nesse momento, fiquei feliz que ela não soubesse daquilo e mais feliz ainda por ela achar que eu não sabia mentir, assim ela nunca teria descobrir nada sobre isso e nunca se machucaria quando descobrisse a droga de filha que eu era.
—Eu vou me trocar agora, por que vocês dois não ficam conversando? Aposto que estão loucos pra se conhecerem melhor!
Nem dei tempo de nenhum dos dois falar nada, apenas comecei a andar em direção ao quarto e quando já estava prestes a fechar a porta, pude ouvir a voz da minha mãe.
—Não se preocupe, é bom que ela troque de roupa mesmo porque assim pode devolver a sua camisa, não que você precise dela, é claro!
Senhor Jesus, mamãe iria trucidar o Oliver...
...
A verdade é que eu estava me escondendo, havia demorado o máximo possível no banho, aproveitando para lavar o meu cabelo e hidrata-lo como não fazia a muito tempo, além disso demorei bastante hidratando o meu corpo e escolhendo uma roupa.
Acho que já devia ter se passado mais de uma hora, mas a verdade é que eu não queria sair!
Porém o lado de fora estava silencioso demais e eu comecei a temer que talvez Oliver tivesse fugido sem camisa mesmo ou desmaiado, também era uma opção.
Respirei fundo e me preparei para encontrar (ou não) o meu namorado parecendo a pessoa mais constrangida do mundo, mas assim que eu saí do quarto meu queixo caiu.
QUE PORRA?????
—Eu posso saber o que diabos você tá fazendo? –Corri até Oliver e puxei da sua mão o meu álbum de fotos da infância, isso havia ficado em Vegas então porque diabos minha mãe havia trazido aquilo?
Aliás, onde a doida havia ido parar?
—Eu só estava vendo as suas fotos e preciso dizer que você é o bebê mais fofo que eu já vi e a sua foto vestida de árvore na peça do jardim de infância é a minha favorita! –Nesse momento, segurei o álbum com mais força, como se o fato de eu estar o apertando forte fosse o suficiente pra fazer com que ele esquecesse tudo o que havia visto.
Mas estava tudo bem, quer dizer, ele só havia comentado sobre as fotos de infância, eu era praticamente careca naquela época então ele não poderia reparar que...
—E não se preocupe, eu nunca vou falar pra ninguém sobre o fato de você não ser loira de verdade e sobre a sua fase totalmente gótica no ensino médio!
Merda!
—Sai da minha casa! –Eu escondi o meu rosto rapidamente enquanto ele ria alto e se levantava pra me abraçar. –Não tem graça, você é terrível! –Mas a verdade é que eu já estava rindo também.
Deixei que ele me abraçasse por um longo tempo e somente me afastei rapidamente quando percebi que ele havia feito menção de beijar.
—Você tá maluco? Esqueceu que a minha mãe tá aqui? –Minha voz não passava de um sussurro e eu me perguntava onde diabos ela havia ido parar, porque era difícil de acreditar que ela simplesmente havia largado o meu namorado dando sopa por aí.
—Sua mãe saiu, ela foi ao mercado da esquina comprar sorvete e pelo o que eu entendi, conseguir o número do atendente também! –Afundei a cabeça no peito dele e fingi chorar.
—Mas que merda, eu gostava de ir naquele mercado, é tão pertinho aqui de casa, agora vou ter que andar quatro quadras pra poder fazer compras. –Ele me acariciava lentamente enquanto ria baixinho.
—E por que você não pode ir lá? Ele não sabe que ela é sua mãe! –Revirei os olhos na direção de Oliver e então o puxei para se sentar comigo no sofá.
—A essa altura? É lógico que ele sabe, minha mãe fica mostrando fotos minhas pras pessoas o tempo todo!
Oliver deu de ombros e então depositou um selinho rápido na minha boca, eu realmente queria evoluir as coisas, mas imaginar a cena da minha mãe voltando pra casa e me pegando no maior amasso com o meu namorado, anulava qualquer possibilidade de ação minha.
—Eu achei ela simplesmente incrível! –Ri alto ao ouvir aquilo e então me deitei no sofá e coloquei as pernas no colo dele.
—Você diz isso agora, espera até ela te perguntar quantas vezes nós já fizemos sexo, quando você vai me levar pra uma ilha paradisíaca pra fazermos sexo sob as estrelas ou coisas desse tipo, aí sim eu quero ver o que você vai achar dela.
—Na verdade ela já me perguntou isso tudo e perguntou também se eu consegui com que você finalmente tivesse um orgasmo, eu disse que sim e ela falou que agora eu sou a pessoa favorita dela!
Senti o meu rosto ficando vermelho no mesmo momento e me perguntei o porquê de um raio não cair na minha cabeça na hora em que eu mais precisava.
—Como diabos ela sabia sobre a minha falta de...de... sobre o meu probleminha? –Eu estava me sentindo gelada por dentro e com um ódio mortal porque enquanto eu estava quase tendo um acesso de raiva, o idiota à minha frente parecia estar achando tudo muito divertido.
—Acho que você não é uma mentirosa tão boa quanto pensa, estou começando a ficar preocupado quanto à segurança dos meus segredos. –Chutei ele com toda a força que eu tinha, mas o palhaço conseguiu segurar a minha perna a tempo. –Amor, você precisa ficar calma, não é nada demais!
Abri um sorriso ao ouvi-lo me chamando daquele jeito, mas logo tratei de disfarçar e me afastei um pouco dele.
—Tudo bem, você precisa ir embora agora! –Ele colocou a mão sobre o peito como se estivesse se sentindo ofendido e eu revirei os olhos.
—Nós fazemos sexo e então você me manda embora? Estou me sentindo usado! –Bati nele de leve e então pulei para o colo dele.
—Você tem uma casa pra ir, aposto que sua família está com saudades de você, além do mais, eu preciso acomodar a minha mãe enquanto tento não ter um ataque do coração e isso vai ser impossível se você estiver aqui pelo simples motivo de que ela vai grudar em você igual a um carrapato.
—EU OUVI ISSO MOCINHA! –Me virei pra trás em um pulo e só não caí de cara no chão graças a Oliver que estava me segurando. Minha mãe tinha uma sobrancelha arqueada, mas seu sorriso estava satisfeito demais para alguém que havia saído apenas para comprar sorvete e eu sabia que ela havia conseguido o número do cara. –Mas talvez seja verdade, então...
Respirei fundo e então saí do colo dele.
—Você ouviu ela, então vá rápido e salve a sua vida!
—Tudo bem, eu vou! Mas só porque eu preciso ver a minha mãe antes que ela pense que eu fui sequestrado! –Ele riu baixinho e então se aproximou e me deu um selinho antes de pegar a sua camisa que eu havia deixado em cima do sofá depois de sair do quarto. –Tchau Donna, foi um prazer enorme conhece-la, espero te ver mais vezes!
Minha mãe riu baixinho e então puxou Oliver para um abraço. –Com certeza vamos nos ver, você não vai se livrar de mim assim tão fácil!!!
Depois disso ele foi embora e eu fiquei ali encarando a minha mãe, me preparando mentalmente pro que eu sabia que estava por vir.
—Muito bem, pode ir falando tudo! Eu até trouxe sorvete porque sei que essa conversa vai ser looonga!!!!
É, eu acho que meio que estava bem encrencada agora!
...
—VOCÊ TÁ BRINCANDO COMIGO? ELA VIU O GOSTOSÃO QUEEN DE CUECA NA SALA DE ESTAR?
—Você não quer gritar mais? Acho que o pessoal da última mesa ali ainda não te ouviu! –Dei um tapa na cabeça do linguarudo logo em seguida e ele finalmente pareceu perceber que estávamos em um local público.
—Foi mal amiga, eu me empolguei! –Neguei com a cabeça e em seguida entramos na fila para comprar nossa café da manhã. –Mas me conta, como estão as coisas agora? Sua mãe tá mais calma?
Bufei baixinho e então dei de ombros, minha mãe continuava sendo doida, mas agora estava mais calma após ter planejado quantos filhos eu teria com o Oliver e com que idade ela iria ter com eles a primeira conversa sobre orientação sexual, porque nas palavras dela “isso é muito importante e meus netos vão precisar de alguém experiente pra explicar isso pra eles da melhor maneira possível”.
—Ela tá bem, tá tudo tranquilo! –Curtis não pareceu acreditar muito, mas ficou quieto e eu achei melhor assim. –De qualquer forma, assim que comprarmos isso aqui vamos ter que voltar pra casa e aí você vai conhece-la!
Meu amigo abriu um sorriso animado e eu voltei a olhar pras pessoas a nossa frente, me perguntando quanto tempo podia demorar pra pedir um simples café e uns pãezinhos.
—Dias de domingo são tão chatos, mas hoje parece que vai ser um dia muito divertido!
“É claro, se a sua ideia de diversão for me sacrificar aos lobos!”
—Não seja tão dramática Fel, é só um jantar, tenho certeza que vai ser divertido! –Nem sequer me preocupei por ter pensado alto, simplesmente olhei na direção dele e suspirei. –Tudo bem, vamos fazer assim, vai se sentar ali naquela mesa e relaxar e enquanto isso eu peço o nosso café, ok?
Fiz o que Curtis disse e fui me sentar rapidamente, mas nem tive tempo de relaxar a minha mente porque no momento em que coloquei a bunda na cadeira, o meu celular apitou.
“Não se preocupe com hoje a noite, vai ser incrível! Já falei com o Diggle e ele vai buscar você e a sua mãe as sete, ok?”
Respirei fundo antes de digitar rapidamente.
“Tudo bem e fica tranquila, eu não tô preocupada, tenho certeza que vai ser ótimo!”
Acho que as pessoas estavam certas ao dizer que algumas coisas eram mais fáceis serem ditas por mensagens, a verdade é que dessa forma fica mais difícil dizer se a pessoa está mentindo ou não e nesse momento eu estava.
É claro que eu não estava animada, quer dizer, depois de tudo o que havia acontecido ontem com a chegada da minha mãe, a família de Oliver simplesmente havia decidido fazer um jantar para alguns amigos e conhecidos da família e meu namorado achou que seria incrível se minha mãe e eu fôssemos também.
Resultado?
Agora eu teria que estar no meio de um monte de gente rica que estaria me analisando o tempo todo, eu, minha língua frouxa e minha mãe com um parafuso a menos.
O que eu iria fazer? Não queria decepcionar os pais do Oliver, queria que eles gostassem de mim e sabendo sobre eles as coisas que eu sabia, era claro que não seria fácil.
Uma coisa era eles gostarem da Felicity funcionária da empresa deles, outra bem diferente era gostarem de mim como namorada do filho deles.
“Por que isso precisa ser tão difícil? Quer dizer, se eu me jogar do segundo andar é provável que eu quebre só uma perna ou um braço e aí não vou precisar ir!”
—Os anos passam e você ainda tem esse jeitinho de ficar falando tudo o que vem a sua mente, é realmente fofo!
Não!
Não podia ser...
Mais que merda!
—Cooper!
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