– Solte-me! Ou eu digo que você está me maltratando.
– Vá em frente. — Hinata andava com o menino, que tentava soltar o braço com toda a força possível, mas estava tudo tão dolorido que eu ele nem conseguia fazer força por muito tempo.
– Eu odeio pessoas como você, fingem compaixão e carinho. — Hinata suspirou. Aquilo doeu um pouco, mas nada que atrapalhasse.
– Vou mandar a enfermeira fazer seus curativos.

Assim, ela seguiu em frente com o pirralho teimoso, agressivo. Chegando à enfermaria, Hinata apressou-se para cuidar dos machucados do seu aluno, mas ao abrir a porta do local teve uma surpresa desagradável.

– Onde está a enfermeira? — Perguntou a professora. O menino nada respondeu, ainda estava com a cara emburrada e quando podia lançava olhares de fúria para a professora.– Ah, que se dane, eu mesma farei isso. Sente-se ali, — Ela apontou para a maca– não tente fugir ou correrei atrás de você, o mico seria maior para você do que para mim, não? — O garoto continuou em pé, com os braços cruzados e cogitando em realmente sair. Ela não iria correr atrás dele, ou iria?– Lave os machucados na água corrente, vou procurar as coisas para os curativos.

Hinata vasculhou os armários do lugar e encontrou com facilidade o que queria: algodão, mercúrio, esparadrapos e uma pinça. Yuuta fez o que ela mandou, estava tudo ardendo, mas ele o fez para que pudesse se livrar da professora logo. Com muita habilidade, Hinata pegou um chumaço com a pinça embebedou no mercúrio e passou nos ferimentos do aluno, ele reclamava que doía, mas ela o ignorava.

– Minha irmã sempre foi muito levada e quando voltava para casa estava sempre com feridas e arranhões, como não tínhamos uma mãe para cuidar de nós, eu fazia essa papel por ela. — Hinata retirou as gazes do plástico e colocou sobre as escoriações.– Então eu sei cuidar de machucados como ninguém! — Terminou colocando um curativo adesivo no rosto do menino.– Pronto, está livre. — Ela sorriu.

– Tsc, você sorri demais, isso é irritante. — O aluno falou depois de um tempo calado. Saiu dali sem ao menos dizer obrigado, mas tudo bem, Hinata sabia que ele era teimoso.

°•° °•° °•°

Hinata voltou ao pátio onde havia largado suas coisas e voltou a fazer o que estava fazendo antes. Dirigiu-se até a recepção e entregou o diário de classe à Shizune, porém, Hinata pediu para falar com a diretora.

– Tsunade-sama?
– Ora, Hinata, entre e diga-me o que lhe trás aqui. — A Hyuuga acomodou-se na cadeira em frente à mesa e começou.
– Um de meus alunos estava brigando no pátio ainda agora, ele se feriu bastante, porém o levei até a enfermaria para cuidar dos machucados. A enfermeira não estava então acabei fazendo por mim mesma, se isso for um erro peço desculpas, mas meu coração falou mais alto. Não gosto de ver crianças nesse estado.
– Tudo bem Hinata, cumpriu seu papel de professora. Agora me diga, quem, foi o aluno?
– O Yuuta.
– Ah, já era de se esperar, ele é assim desde que entrou nesse colégio quatro anos atrás. Sua personalidade é algo difícil de lidar e é muito agressivo. Já contrataram psicóliga e tudo mais, mas nada resolveu.
– Poxa, ele é tão novo. Os pais dele devem estar bem desesperados.
– É-É... — Tsunade hesitou em continuar e desviou o assunto, gesto que não passou despercebido por Hinata.

Após mais alguns minutos de conversa, Hinata resolvera ir para casa, não daria mais aulas no dia. Queria descansar e preparar as coisas para o amanhã. Fez seu trajeto de sempre, com exceção do mercado, a dispensa estava vazia e aquilo era ruim para ela, que gostava de cozinhar e inovar sempre.
Saiu do mercado com muitas sacolas, mas já estava acostumada a carregar peso. Agora sim voltaria para casa! Chegou ao pequeno prédio, cumprimentou o porteiro e subiu para seu apartamento. Lá ela guardou as compras, tomou um banho e descansou brevemente, ainda tinha muito trabalho pela frente.


°•° °•° °•°

Um novo dia chegou! Hinata fez suas coisas de sempre e foi para o trabalho. Chegando aos portões do colégio, viu um carro preto parando e uma criança furiosa saindo de lá.

– Velho panaca! — A criança gritou, deu o dedo do meio para a pessoa que estava dentro do carro e bateu a porta com força.
– Ora, Yuuta já começou o dia bem.

A Hyuuga continuou na sua rotina de sempre, encontrou a Uzumaki como todos os outros dias e juntas conversavam sobre coisas fúteis, coisas importantes, e alternavam entre qualquer outro assunto. Parando para pensar melhor, Hinata sentiu que conhecia aquele sobrenome de algum lugar, da época de escola talvez? Uzumaki... Uzumaki... Uzu...

– Naruto?! — Ela falou como se tivesse encontrado a formula para a vida eterna. Eureka!
– Onde? — Karin virou para todos os lados procurando. Não encontrou nada.
– Você é parente do Naruto?
– Ah, sim, sou sim. Ele é meu primo! De onde o conhece? — Hinata corou.
– É uma longa história. — Ela bateu seus indicadores, não fazia isso há anos. Karin olhou para a colega de um modo malicioso.
– Humm, o que tem aí mocinha?
– Eer, ele foi minha... eer... paixão do ensino médio. Mas já passou! — Ela balançava as mãos na frente da ruiva.
– Sei. — Karin prolongou a palavra, estava se divertindo ao ver a colega envergonhada. Antes que Hinata pudesse continuar, ouviram um estrondo vindo de alguma mesa.
– Seu idiota! Eu já disse para não encher meu saco. — Aquela voz fina e falhada não era novidade para Hinata.
– Ah, de novo? Desculpe Karin, vou resolver isso e já volto.
– Tudo bem Hinata.

Hinata seguiu em direção à confusão e lá estava o magricelo, porém raivoso Yuuta. Um menino menor que ele estava com medo da reação dele, iria levar um soco no rosto, mas a professora conseguiu evitar essa violência.

– Não vê que ele é menor que você? — Falou a Hyuuga.
– Tsc, você de novo?
– Isso é covardia, você está ouvindo? — Hinata lançava um olhar gélido e cortante para o aluno.
– Não me interessa, ele estava me perturbando!
– E iria bater nele por isso? — Hinata suspirou fundo.– Vai para sua sala antes que você escute mais do que deveria.
– VOCÊ É MINHA MÃE POR ACASO?
– Não, mas estou fazendo meu papel de educadora. Anda, volte para sua sala! — O garoto pegou um copo de suco da mesa e jogou na professora, ela arregalou os olhos, aquilo era inaceitável. Ele correu dali. Hinata voltou-se para o menino que foi ameaça e tentou acalmá-lo.

Depois daquele show todo, a Hyuuga voltou para a mesa em que estava e Karin ficou impressionada. O que tinha acontecido ali? A Uzumaki ofereceu um pano para que ela tentasse limpar a blusa, mas não iria adiantar, Hinata agradeceu a oferta e disse que estva tudo bem, ela poderia lavar aquilo quando chegasse em casa.

A morena foi para a sala que lecionaria e lá estava Yuuta com um bico do tamanho do mundo, pelo menos ele obedeceu a ordem dela de ir para lá. Ela nada disse, apenas sentou na cadeira, repousou seu material sobre a mesa e de lá retirou um bloco grande de papel. Começou a escrever algo e destacou a folha, foi na direção do aluno e entregou a ele.

– Faça e me entregue em dois dias. — Ela falou e voltou para seu lugar, os outros alunos já chegavam e faziam bagunça. Era mais uma aula.

Hinata reforçou que em uma semana seria a prova dela e avisou que exigiriam muito da capacidade de escrita dos alunos, não queria que eles simplesmente fizessem uma cópia do livro como a maioria dos professores de história fazia. Os alunos reclamaram, como sempre, mas a Hyuuga já estava se adaptando ao jeito dos alunos mimados e estava arquitetando algo legal para eles se divertirem com as aulas.

Dois dias depois, Hinata recebeu do aluno o que pediu para ele fazer, escrever um texto sobre o que ele mais desejava, já que ela não havia perguntado no primeiro dia de aula. Surpreendeu-se com a resposta e ficou bem triste com aquilo.

" Eu não tenho mãe e meu pai é muito ausente, fico sozinho no colégio o dia inteiro e ninguém, absolutamente ninguém se preocupa comigo. Já tentaram de tudo para me "ajudar", mas são todos um bando de inúteis que fingem compaixão e só tentam tirar dinheiro do meu pai. Eu queria um pouco de amor ou atenção, queria uma família normal, mas hoje em dia parece que é impossível conseguir isso. Ah, eu quero ser engenheiro também. Satisfeita?"

Aquilo era de cortar o coração, sabia muito bem o que era viver com pouco amor, mas ela conseguiu superar aquilo e hoje é muito feliz. Hinata bateu a mão na mesa e disse:

– Tive uma ideia!

Notas finais
Tadinho do Yuuta, mas ao menos ele falou algo para a professora não? Já é um passo ;) Comentários?