Can I Have This Dance?

16 She Brings On What We Want To Forget


Notas iniciais
Fiz vocês esperarem 13 dias, mas quem sabe não vale a pena?

–Olá, Stella. Se não se importa, gostaria de ficar sozinha. Preciso descansar e sua presença não é bem-vinda. — disse virando-lhe as costas, Henry não ousava me soltar. Sabia que eu não estava bem.

–Ora, querida irmã, o que houve com a boa e velha hospitalidade? Não sentiu minha falta depois de todo esse tempo? Ou você, Henry?

– Henry, você poderia, por favor, me levar até o banheiro? – pedi, ignorando-a completamente.

–Claro Be... — peço com o olhar que ele não me chame assim. Não na frente dela. — Rebekah.

–Obrigada. — apenas movo os lábios sem emitir som algum. Em seguida tento, sem sucesso, sorrir para meu irmão. Ele acaricia meu rosto e sorri de maneira compreensiva.

–Tudo vai ficar bem, Bekah. Eu prometo. – ele sussurra em meu ouvido e eu deito a cabeça em seu peito enquanto caminhamos pelo corredor.

No banheiro, me afasto de Henry e me apoio na pia.

–Você poderia pegar uma roupa confortável para que eu me troque, por favor? — peço, e sabendo que Stella está ouvindo, sussurro no ouvido de meu irmão a próxima frase. — Tire-a daqui. Agora. — ele nota a súplica silenciosa em meu olhar e assente, deixando-me ali sozinha.

Com extrema dificuldade, vou até o chuveiro e abro a torneira. Tiro toda a roupa e entro no box, sentindo minha força voltar aos poucos, conforme a água quente vai me relaxando. Em minha mente, permaneço repetindo o mantra: Tudo vai ficar bem, ele me ama. Tudo vai ficar bem, ele me ama... Ouço vozes exaltadas e volto à realidade. Meus irmãos estão em uma discussão acalorada. Isso não é bom. A porta do banheiro é aberta repentinamente e logo em seguida ouço a voz de meu irmão:

–Bekah, trouxe um pijama. Quando terminar seu banho, apenas vista-o e vá para a cama descansar. Não precisa se preocupar comigo nem com Stella. Vou resolver a situação sem sequer te incomodar.

–Obrigada Henry. — Ele fecha a porta e eu ouço seus passos cada vez mais distantes.

Fico mais algum tempo no banho. Ponho a cabeça debaixo da água e reflito um pouco mais. Meu corpo começa a ficar mole. Fecho a torneira e pego a toalha. Seco meu corpo e visto meu pijama. Arrasto meu corpo de volta para o quarto. Puxo o edredom que está sobre a cama e deito sob ele. Cubro-me até o pescoço e sinto as lágrimas começarem a escorrer. Nenhum dos Mikaelson está na casa, já que o ambiente está silencioso até mesmo para minha audição de vampira. Isso é um alívio. Por estar sozinha, sinto o peso de tudo o que aconteceu sobre mim, deprimindo-me. Algumas lágrimas escorrem por meu rosto, mas não as seco. Permito-me chorar até cair na inconsciência.


POV Henry

Enquanto Rebekah está no banho, eu volto para o quarto e, aproveitando que Stella está em frente à janela de olhos fechados, agarro seu pescoço com as mãos, apertando-o para que ela não consiga emitir som algum, e o torço em seguida, fazendo minha irmã mais nova cair em meus braços. Já falei com Bekah e expliquei que vou resolver a situação com Stella, então ela não vai ficar preocupada caso algum de nós não esteja aqui. Além disso, ela precisa descansar. O dia foi bem cheio e agitado. Não que isso signifique que tenha sido bom.

Pego a vampira desmaiada no colo e corro com ela para fora da casa antes que Rebekah apareça. É a hora do por do sol. O crepúsculo desponta no horizonte. Sigo para a floresta que fica ao redor da casa que tenho chamado de lar e jogo no chão o corpo que se encontra em meus braços. Ela ainda vai demorar um pouco para acordar.

Caminho até a árvore mais próxima e fico recostado nela. Stella se mexe infinitesimalmente e eu volto até ela, prendendo seu corpo com o meu para que não fuja. Alguns minutos se passam, muito menos tempo do que eu esperava, e ela abre os olhos em fenda.

–Mas o que...?

–Quieta. Você vai permanecer exatamente onde está e me contar o que é que você está fazendo aqui. E se ousar voltar até aquela casa e perturbar o descanso de Rebekah, não hesitarei em quebrar novamente seu pescoço. Nem em arrancar seu coração.

–Wow... O que aconteceu entre você e Melissa que te mudou tanto? — estremeci ao ouvir aquele nome — Porque até onde me lembro, meus irmãos se odiavam... — disse com descaso. Como se irmãos que se odeiam fosse algo normal.

–Fique longe de Melissa. E ainda que ele tenha feito o que fez, de Stefan também. Quanto a mim e Rebekah, não se meta. Você não tem nada a ver com isso. Agora, a respeito do que a fez vir até aqui, o que traz nossa irmã ‘morta’ a pequena Mystic Falls?

–Você é idiota ou só finge? Acha mesmo que vou te entregar o motivo assim, a troco de nada? E você não é ninguém pra me proibir de fazer o que eu quero. — dito isso, ela me empurra e sua força é tamanha que faz com que meu corpo atravesse a clareira voando como se não pensasse mais que uma caneta. Paro apenas quando bato em uma árvore.

Enquanto evito me mexer para que os ossos quebrados e os cortes se curem, ela sorri vitoriosa, vira as costas e vai embora. Apesar da dor, levanto-me. Preciso chegar até Rebekah e também ligar para Melissa, que não deve fazer ideia do porquê de seu irmão ter nos expulsado de lá. Eles têm de ficar em casa, ainda mais com Stella à solta e com sede de sangue. Chegando a casa, procuro o celular de minha irmã, que está dormindo profundamente, antes mesmo de checar se Stella está por aqui. Caminho de volta até a sala de estar com o telefone em mãos e ligo.

*Ligação ON*

–Rebekah? — ouvir sua voz, ainda que sussurrada, é algo que me deixa tão feliz que quase me esqueço o motivo da ligação.

–O-oi, Mel, sou eu, o Henry. — gaguejo.

–Henry! — consigo notar a alegria em sua voz ao falar comigo. — Ste disse que eu não deveria falar com nenhum dos Mikaelson, mas podia ser algo importante e...

–É. Realmente é algo importante. Imagino que seu irmão esteja em casa já que você está sussurrando. — ouço o som de uma porta batendo ao fundo. Droga!

–Na verdade, acho que ele acabou de sair. — diz em um tom de voz mais alto.

–Mel, o que eu vou dizer agora é muito importante. Feche todas as portas e janelas da casa. Tranque tudo, se puder e não abra a porta para ninguém, entendeu?

–Entendi o que fazer. Só não entendi o porquê.

–Depois explico. Preciso encontrar seu irmão. Ligo mais tarde.

*Ligação off*

Ponho o telefone de Rebekah no bolso, já que o meu se partiu em vários pedaços quando caí sobre a árvore, e saio pelas ruas procurando por Stefan. Procuro por todos os lugares onde costumava segui-lo quando estava com minha irmã. Estou quase me convencendo de que ele está em segurança, até que passo ao redor de uma espécie de bosque e travo, ouvindo ao longe um gemido de dor. Num piscar de olhos chego até o local de origem do som. A cena com a qual me deparo me deixa horrorizado: Stella tem um corpo lívido aos seus pés e sua boca está no pescoço de um garoto. Prestando menos atenção em minha irmã monstruosa e mais no garoto que ela está matando, constato algo que eu realmente não desejava encontrar...

–Largue ele AGORA!

Ela, por reflexo, larga o corpo no chão e se prepara para me atacar. Quando vê que sou eu, sorri larga e ironicamente.

–Veio salvar o humano? Mas ele não magoou sua querida irmã? Só estou lhe fazendo um favor.

–Stefan só magoou Rebekah porque você apareceu e ela teve de explicar para o namorado o motivo da irmã morta estar seguindo a mim e à irmã dele. Você apareceu no momento exato para acabar com tudo, não? Esse era seu objetivo desde o início. Quando eu seguia Rebekah pra fazê-la sofrer, todas aquelas mortes inexplicadas foram culpa sua, não é? – o sorriso de Stella se tornava cada vez maior e mais assustador. Minha raiva por ela só aumentava. Até que chegou um ponto em que eu simplesmente não aguentei mais e avancei sobre ela. No momento em que pretendia acertá-la, ela se vai, deixando em seu lugar apenas um espaço vazio.

Certificando-me de que estava sozinho com os dois corpos, fui até Stefan e verifiquei sua pulsação. Estava fraca e seu coração falhava, então rapidamente abri um corte em meu pulso com os dentes e levei o sangue que vertia dali até sua boca. Dei-lhe uma boa quantidade e depois fui tentar fazer alguma coisa pelo outro garoto. Sem chances, ele já estava morto. Conseguia ouvir o coração de Stefan bater cada vez mais ritmado, tentando mantê-lo vivo, com o sangue pulsando. Aproximei-me de novo de seu corpo e notei que a mordida de Stella já estava se fechando. Senti sua frequência cardíaca aumentar e me permiti relaxar. O que eu faço agora? Sumo daqui e deixo ele pensar o que quiser? Espero ele acordar e converso com ele? Sei que Rebekah deu verbena a ele. Já estava aqui nessa época. Ela quis fazer isso justamente por minha causa. Não que ele ainda precise de proteção contra mim, já que ninguém contava com o fato de que eu me apaixonaria pela irmã dele. Mas isso deveria impedir Stella de beber seu sangue. Enquanto eu pensava, Stefan acabou acordando, descartando a hipótese de que eu sumisse.

–O que você está fazendo aqui?

–Salvando sua vida, moleque.

–Como se você fosse capaz de salvar a vida de alguém. – provocou – Onde estamos e o que aconteceu?

–Você não toma verbena? – questionei, ignorando suas perguntas.

–Tomava. O estoque que sua irmã me deu era pouco e acabou alguns dias antes de você e Melissa aparecerem. Não que isso seja da sua conta.

–É claro! Por isso Stella conseguiu beber seu sangue. Não tem verbena no seu sistema. Se me permite dizer, minha irmã escolheu um idiota como namorado. Caso tivesse pedido um pouco mais a ela, Stella não teria como lhe atacar.

–Então aquela era Stella, a irmã que morreu, mas não morreu?

–Sim, aquela era minha irmã caçula. E pelo visto, você não é o único que não a conhece. Não sei quem é aquela garota monstruosa.

–Quanto a Rebekah, não somos mais namorados. Não posso estar com alguém que não me contou a verdade.

–Ela mesma disse que tentou, no dia em que Stella matou aquele garoto. — ele pareceu refletir por alguns segundos. — Não julgue minha irmã sem antes dar a ela uma chance de lhe contar a história toda. Em mil anos, ela foi incapaz de matar humano algum. Sempre sofreu pela perda de Stella e seguiu em frente mesmo com todo tormento que causei a ela. Esse do qual me arrependo profundamente. Você e Melissa nos transformaram em vampiros melhores. Desde que me vi apaixonado por sua irmã, procurei superar todo sofrimento do passado, aderi os hábitos de Rebekah, fazendo deles meus hábitos. Mel trouxe a alegria que faltava pra minha existência. E eu sou muito apaixonado por ela. Um dia já fui esse monstro que você pensa que sou. Mas hoje tudo o que quero é o bem-estar e a felicidade de nossas irmãs. Mesmo que pra isso eu precise partir. Apenas gostaria que desse a ela essa chance de explicar. Que fosse procurá-la e deixasse seu orgulho um pouco de lado. No fundo, tudo que nós, irmãos mais velhos, queremos, é que elas sejam felizes. Da maneira que for.

Stefan me ouvia atentamente, ainda que estivesse encarando o chão. Assentia algumas vezes quase que imperceptivelmente para me incentivar a continuar falando. Enquanto eu o deixava absorver toda aquela informação, olhei ao redor e parei meu olhar sobre o corpo do garoto que Stella matara. Cheguei mais perto dele e me concentrei nas marcas em seu pescoço. Estavam começando a cicatrizar lentamente. Isso só poderia significar uma coisa.

–Droga! — acho que o grito saiu mais alto do que eu pretendia, já que Stefan estremeceu de susto.

–O que foi agora? Lembrou que tem um cadáver aqui conosco e não sabe que história vai contar à polícia? – apesar da ironia em sua voz, decidi dar-lhe uma resposta no mínimo sincera.

–Antes fosse. Ele não está morto. Ainda. – E isso me preocupa, já que não posso matá-lo.

–Como assim? – indaga confuso. E lá vai a resposta que eu não gostaria de dar:

–Ele está em transição.

Notas finais
Reviews? Recomendações? Alguém aí ainda odeia o Henry?