Can I Have This Dance?
4 May I Save You?
Notas iniciais
-Olá, Rebekah. Sentiu minha falta? – Henry sorria, sentado no meu sofá, de maneira forçada pra mim. – Peguei umas bolsas, espero que não se importe.
-O que você quer? Não tenho dinheiro aqui. Se quiser bolsas de sangue, consiga as suas! – Henry era um de meus irmãos. Éramos cinco: eu, Henry, Stella, Annie e Pietro. Infelizmente Stella, a caçula, morrera antes que mamãe nos transformasse. Antes tivesse sido Henry. Ainda não me perdoo por tê-la deixado ir sozinha a outra cidade. Ela e as amigas morreram em um acidente. Eu deveria ter morrido com ela. Mas preferi ficar em casa naquele dia.
-Só vim visitar minha amada irmã. E pelo que tenho visto, seu novo brinquedo. – Seu sorriso era cruel.
-Fique longe do Stefan! E ele não é um brinquedo! – rosnei mostrando-lhe as presas.
-E desde quando humanos deixaram de ser um brinquedo pra você, maninha? – Eu queria rasgar-lhe a garganta naquele instante. Dilacerá-lo por completo. Queimá-lo vivo, pra nunca mais ter de olhar nesses seus olhos negros e impiedosos.
-Nunca foram. Alimentava-me deles e só. Nada mais que isso. E você, pode sair da minha casa, por favor?
-Não sei do que você está falando. – Olhou-me com ironia.
-Grrrr... Eu estou avisando, Henry: toque um dedo seu em Stefan, ou mande alguém fazê-lo e você está MORTO! Se preza essa sua vida medíocre, saia da cidade e não se atreva a voltar nunca mais, entendeu?
-Não é assim que funciona, Bekah. – Argh. Odiava quando ele me chamava de Bekah. Quem me chamava assim era a Stella. E ele usava isso para me incomodar. – Eu vim porque quis. Quando quis. Vou embora SE eu quiser. QUANDO eu quiser.
As palavras dele foram a minha deixa. Em um movimento rápido e certeiro, quebrei seu pescoço. O corpo de meu irmão amoleceu sob o meu, sua cabeça pendendo no encosto do sofá.
Levantei seu corpo dali sem o menor esforço e levei-o para fora, jogando-o como um trapo na sarjeta. Saí pela cidade sem rumo. Corria rapidamente e imersa em pensamentos. Quando parei, encontrava-me em outra cidade. E repentinamente, ocorreu-me uma ideia. Descartei-a rapidamente, mas antes fez com que eu pensasse em uma solução mais óbvia.
Voltei para Mystic Falls. No caminho, mandei um sms para Stefan.
*Qual o seu endereço? Preciso falar com você urgentemente!*
Com o endereço dele em mente, fui encontrá-lo.
Bati na porta. Esperei. Ouvia seus passos.
-Eu abro! – ele gritou pra alguém que eu não sabia quem era.
-Olá, Rebekah. O que a trás aqui? – seu sorriso demonstrava o prazer que ele sentia por me ter ali.
-Você está sozinho? – perguntei, já sabendo a resposta.
-Não, por quê? – olhou-me confuso.
-Eu preciso conversar algo sério com você. Podemos ir até o seu quarto? – ele considerou por um momento.
-Entre, eu lhe mostro o caminho. – fui seguindo-o pela casa, quando abruptamente aparece um garoto, da idade de Stefan, e pergunta:
-E aí, Tef, quem era? – sua pergunta fica no ar quando ele para e me vê. – WOW! Quem é a bela donzela? – pergunta olhando para Stefan.
-Rebekah, Peter. Peter, Rebekah. – apresentou-nos de maneira rápida e com desdém, que percebi ser dirigido apenas a Peter. Ao virar pra mim, sorriu, estendeu a mão e perguntou: — Vamos?
-Vamos. – sorri pondo minha mão na sua. – Tchau, Peter. – me despedi do garoto que se encontrava atônito na sala.
Subimos as escadas e entramos na última porta do corredor.
-Bem vinda ao meu quarto. Sinta-se a vontade. – disse, apontando para o cômodo.
-Obrigada, mas preciso dizer logo. Há perigos os quais você desconhece e dos quais eu gostaria de te proteger. Não posso te dar muitas respostas, mas você precisa acreditar em mim.
-Rebekah, devagar. Sei que nos conhecemos há alguns dias, e estranhamente eu sinto que posso confiar em você, mas não dá exatamente pra fazê-lo sem algumas respostas. – seu olhar era confuso.
-Se eu te der as respostas, coisas ruins podem acontecer. O que eu quero que você faça é simples e não vai mudar muita coisa. É só você acrescentar um pouco de uma planta chamada verbena a sua rotina.
-O que é verbena? Pra que ela serve? Que perigos são esses que eu corro?
-Eu já disse Stefan. Não posso te contar muito. Agora é importante que use essa confiança que você diz sentir comigo. Estou tentando, de verdade, salvar a sua vida.
-Onde eu consigo essa tal verbena? – ops... nisso eu ainda não tinha pensado. Mas que eu me lembre, tinha um pouco guardado em algum lugar da ‘nova casa’.
-Eu tenho. Posso te entregar amanhã. Só preciso que não abra a porta para mais ninguém hoje. Me promete? – Stefan lançou-me um olhar um tanto perturbado, mas no fim, assentiu.
-Agora preciso ir.
-Eu a levo até a porta.
Descemos as escadas de mãos dadas e Stefan resolve pegar algo no segundo andar. Assim que ele desapareceu de vista, fui correndo discretamente até Peter e o hipnotizei. Assim ficaria mais tranquila.
-Você não vai abrir a porta para ninguém, caso alguém bata.
-Eu não vou abrir a porta pra ninguém, caso alguém bata. – ele repetiu, a comprovação de a hipnose havia surtido efeito.
Voltei ao lugar onde Stefan havia me deixado, como se nunca tivesse saído dali.
Ao aparecer novamente no topo da escada, ele mantinha um de seus braços atrás do corpo e um sorriso deslumbrante no rosto.
Quando chegou perto de mim, ainda com o braço às costas, abriu a porta e fez sinal para que eu passasse primeiro.
-Tenho um presente pra você. – no fim da frase, revelou o que tinha em sua mão: um lindo urso de pelúcia de cor caramelo e com olhos castanhos.
-Ah, Ste, não precisava! – ao olhar em seus olhos, notei um traço de perplexidade e surpresa. – O quê?
-Você me chamou de Ste. Só minha irmãzinha me chamava assim. Mas ela mora com a minha mãe no Canadá. – sorriu perdido em lembranças.
-Minha irmãzinha me chamava de Bekah. Mas ela morreu em um acidente e eu não permiti que ninguém mais me chamasse assim.
-Eu sinto muito, Rebekah.
-Eu também. – olhei para ele com os olhos marejados.
-Bom, mas já passou. Não foi culpa sua. E já é tarde. Se não vai me deixar acompanhá-la, então vá logo para não demorar a chegar a casa. E me mande um sms.
-Justo. Boa noite, Ste. – sorri docemente.
-Boa noite, Rebekah. – disse aproximando seu rosto do meu.
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