Canção da Sereia

63 Extra 02 - Derrubando Obstáculos


Notas iniciais
Parte dois na mão. Boa leitura!

Lancey

Assumir o controle não é fácil. Mas estou ficando craque nisso. É difícil ficar perto dela, mas é pior ficar longe. Eu sou doente, só pode. Me coloco nessas situações extremas. Eu quero agarrá-la, devorá-la, mas preciso me comportar, esperar que ela esteja pronta. É tão difícil estar perto de Nora e ser apenas "o amigo". Nunca foi fácil, na verdade, mas agora...

Depois do meu segundo banho, o último frio, eu me deito no sofá. Eu sei que ela ainda não está pronta. Ela quer, mas não é o momento. E eu não posso apressar as coisas. Nora tem seu tempo. Vê-la tentando seguir depois de Andrew me fez compreender várias coisas. E agora, depois da ilha, ela tem mais uma boa carga emocional pra lidar. Eu preciso ser paciente. Ela, finalmente, admitiu que sente algo por mim. Claro que gostar não é realmente algo, mas é alguma coisa. Certo?

Droga! Ela poderia ter sido mais clara, acabou que não disse nada demais. Mas, talvez, ela não possa dizer o que eu preciso ouvir, meramente porque não sente isso.

Vejo as horas passarem, Sardinha desfilar pelo apartamento e o sono demorar cada vez mais a chegar. No entanto, ele chega e me derruba completamente.

***

Quando acordo, o sol está com tudo no céu. São três da tarde e o apartamento está um silencio. Não ouço nada.

Me levanto, estalando tudo que é possível. Dormir no sofá é uma droga.

Vou pra porta do quarto, Nora já se foi. Não que isso seja novidade, eu tinha certeza que ela ia fugir. Mas, eu torci para que ficasse e conversasse comigo. Eu iria entender.

Sem muito o que fazer, me obrigo a limpar o apartamento. Não sei como Nora aguentou ficar aqui. Isso tá um chiqueiro.

Começo recolhendo as embalagens e depois limpando a caixa de areia de Sardinha.

No meio da próxima semana eu estarei voltando ao estagio e retomando meus estudos. Nora não falou nada de voltar, mas espero que ela o faça, ou vai se fechar em uma bolha de novo.

Varrer o chão é um saco, tenho que ficar olhando pra baixo e caçando sujeira. Haja paciência.

No fim da tarde, já com a casa limpa, pelo menos na minha opinião, passo pra cozinha. Eu gosto de cozinhar, só tenho preguiça. Mas já que eu coloquei a mão na massa hoje, começo a separar ingredientes para panqueca. Posso levar para Nora depois como oferta de paz.

***

Depois de feito, minha cozinha parece o único cômodo da casa que não foi limpo. E limpar novamente é que não vou.

Tomo um banho frio antes de subir, quero estar no controle quando vê-la. Estar de cabeça fria. As duas.

Camiseta azul, bermuda jeans, cabelo preso, prato feito. Perfeito.

Olho o relógio, nove da noite.

Subo com o prato e bato na porta de Nora. Eu tenho a chave desde que ela se mudou, mas nunca usei, e não começarei agora. Isso pode assustá-la ainda mais. Bato duas vezes. Escuto Sardinha miar e arranhar a porta do outro lado. Mas nada de Nora. Bato mais algumas vezes e nada. E de novo. Nada.

Ela não vai me atender. E duvido que tenha saído, ela anda meio amedrontada demais pra isso ainda.

Me retiro da frente da sua porta e volto ao meu apartamento. Deixo o prato na mesa e vou pra sacada. Fico sentado ali, apenas pensando.

Que merda estou fazendo? Eu consegui me manter afastado todo esse tempo dela, e agora, justo agora, estou sendo sentimental. Não acredito que até cozinhei pra ela. Eu devo estar ficando louco. Ela não gosta de mim, como poderia gosta de um cara como eu, quando alguém como Willian lhe demonstrou interesse. Convenhamos que um Dr. riquinho metido a viajar é muito melhor que um estudante pé rapado. Ela só não ficou com ele por essa fobia ao mar que desenvolveu. E agora que eu me declarei, provavelmente estraguei tudo.

Dez da noite, nada dela.

Dez e meia. Nada. Ela não virá.

Decido que ficar parado pensando não é comigo. Decido dar uma volta. Vou até a praia e caminho, enquanto observo o mar e suas ondas que vem e vão. Me lembra a ilha e Helena.

Não contei a Nora sobre o envolvimento dela na morte de Andrew e menos ainda que eu estava lá. Eu acho que deveria me sentir culpado sobre isso, mas desde que Helena deixou minha mente, essas coisas não me incomodam mais. Acho que a morte pode ser misericordiosa, no fim das contas. Tenho certeza que ela mexeu com minha cabeça. Que pessoa em sã conscienciosa seria cúmplice de assassinato e estaria com a consciência em paz? Até mesmo porque enquanto eu estive com ela, eu me senti culpado. Realmente mau por tudo que eu a ajudei a fazer e agora... nada.

Quando dou por mim, estou no fim da praia. Subo as rochas e vou pra uma parte isolada, onde eu fiquei a semana toda com Nora, a espera da transformação. Eu gosto desse lugar. É calmo. Difícil alguém vir para esses lados, especialmente a noite. A única luz é a da lua.

– Lancey...

Me viro no mesmo instante que escuto meu nome. Nora está em cima de uma pedra. Ela desce devagar, pra não cair, e vem em minha direção. A luz da lua ilumina pouco, mas consigo ver que usa um biquíni e uma canga amarrada na cintura.

Nora se aproxima e fica parada a minha frente.

– Você me achou. — Digo.

– Meu pai veio me trazer e eu te vi vindo pra cá... Você não foi.

Hein?

– Não fui onde?

– Jantar.

– Não entendendo.

Ela solta a canga e forra ao meu lado, então senta.

– Você viu o bilhete que deixei?

– Bilhete? — Passo em minha mente o dia de hoje e tento lembrar de algum bilhete. Nada.

Me sento a seu lado, na areia.

– Ao lado da cama, Lancey. Eu te deixei um bilhete.

Oh... ao lado da cama que eu não dormi, no quarto que eu mal entrei. Ok...

– O que ele dizia?

Ela encosta o ombro no meu e vira seu rosto pra mim.

– Que... estava indo a praia com meu pai... e depois ia pra casa ver minha mãe. E que iriamos jantar e você deveria vir. Não nessas palavras, algo do tipo.

Ficamos em silêncio.

– Sinto muito por antes... — Ela volta a falar.

Será que é agora que eu levo o pé na bunda? Tecnicamente não será um pé na bunda, já que não temos nada realmente.

– Eu só... tenho medo de apressar tudo e acabarmos nos odiando no fim. — Ela não me olha mais, encara o mar. — O único relacionamento sério que eu tive acabou muito mal, como você sabe. Andrew foi o único a quem eu disse... bem, você sabe.

– Acha que eu te machucaria?

Talvez essa seja uma péssima pergunta. Ela leva as mãos ao rosto.

– Não... — As palavras saem abafadas. — Eu tenho certeza que você nunca faria isso. Mas não tenho certeza sobre mim. Tenho medo de... te magoar e te perder no final.

– Eu não entendo – Digo — Não sei o que você quer de mim. Não sei o que dizer ou como agir quando tô com você, parece que tudo pode ser perdido. Estamos sempre pisando em ovos. — Ela toca meu braço, mas não diz nada. — Só... deixa claro o que você sente e quer, pra que eu saiba como agir. Eu não estou indo a lugar nenhum, Nora, mas preciso conhecer meus limites. Você precisa esclarecer o que há, ou não, aqui.

Ela segura minha mão. Fica de joelhos na minha frente e leva a mão ao seu peito, como eu fiz no chuveiro com ela. Sinto as batidas rápidas e fortes.

– Ele só bate assim... por você. Por um longo tempo.

O que isso quer dizer?

Ela se aproxima. Toca meus lábios com os dela, pede passagem com a língua. Duvido por um momento, então ela se afasta e me encara, mas então repete e dessa vez eu cedo ao beijo. Nada como no chuveiro. Aqueles eram rajadas de fogo, que incendiavam a tudo que tocavam. Esse é apenas... doce. Eu diria que é mais que um beijo, é uma mensagem.

Ela se afasta um pouco e encosta a testa na minha.

– Pensei que estava fugindo hoje... — Conto a ela.

– Eu não tenho certeza se estava. Meu pai apareceu. O encontrei na porta quando estava saindo do seu apartamento... foi bem constrangedor.

– Ele ficou zangado?

– Não. E falou pra mãe que estamos namorando.

Começo a rir.

– Você negou? — Por algum motivo, fico ansioso pela resposta.

– Eu deveria?

– Não tenho certeza do que responder.

Ela beija minha bochecha, depois a outra.

– Eu disse... que... sim.

– E nós estamos? — Pergunto, com o coração quase saindo pela boca.

– Espero que sim.

É o suficiente. Enrosco meus dedos em seus cabelos e puxo sua boca pra minha.

Seus braços enrolam meu pescoço e desço minhas mãos para sua cintura a puxando para meu colo. Ela é gostosa e está seminua em cima do meu pau. Haja autocontrole.

Estou prestes a tirá-la de cima de mim, quando ela escorrega pra cima da canga. Leva as mãos até atrás do pescoço e então solta o biquíni.

– Não vou mudar de ideia. — Ela me diz. — Eu quero você.

Não é preciso falar duas vezes. Fico de joelhos ao lado dela em questão de segundos e a empurro sobre a canga. Tiro minha camiseta e largo de lado, me colocando de joelhos entre suas penas e me inclinando sobre ela, tomando o seio carnudo nos lábios. Primeiro apenas lambendo e chupando em volta. Então passo pro outro, repetindo o processo. Subo aos beijos por seu pescoço, me prendendo ali. Lambendo, chupando, marcando.

Se é minha, então precisa ser devidamente marcada. Não, mentira. Que coisa mais grotesca. Começo a rir sem querer.

– O que é? — Ela me olha imediatamente.

– Não podemos transar aqui. Alguém pode aparecer. — Lhe digo por falta de desculpa melhor. A verdade é que pouco me importo com o lugar nesse momento.

Continuo beijando seu pescoço, desço para o ombro.

– Não há... ninguém... aqui. — Volto para seu seio e encontro o mamilo com minha língua. Ela arfa abaixo de mim, levando seu corpo de encontro ao meu. Mordisco de leve primeiro, depois com mais força.

Dessa vez eu não vou parar.

Notas finais
Daqui a pouco a parte 3 u.u Bj bjs