Notas iniciais
Essa fanfic é meio que a história que deu origem ao meu futuramente-existente livro, ainda não escrito(obviamente). Qualquer semelhança com este, quando eu escrever, não é mera coincidência.
Boa leitura!
Fichas nas notas finais.

Ben Clarke

O apartamento era sujo e mal-cheiroso, mas bem melhor do que escolher entre um alojamento rígido no Acampamento Júpiter e um chalé desorganizado no Acampamento Meio-Sangue. Eu prefiro viver aqui, com minha organização metódica, tendo como única companhia o meu cachorro.

Tecnicamente, eu não devia morar sozinho. Ainda não tenho dezoito anos. Mas logo terei, daqui a dois anos. E ninguém adivinharia enquanto eu usasse o anel de metal que Pepper me deu ano passado. Com aquele anel, eu posso ter a aparência que quiser, a altura que quiser, e no momento que quiser. Sem contar com os milhares de vezes que ela salvou minha vida, era o melhor presente que já me deu.

Mas é claro que viver sozinho tem suas desvantagens. Duvido que meu pai saiba onde estou, e duvido muito que se importe. O meu velho não é do tipo que liga no meu aniversário. Pessoalmente, é melhor assim. Não é como se ele fosse me dar um CD do Radiohead de presente.

Outra desvantagem é que, caso um ciclope ou um cão de três cabeças decida entrar pela minha porta no meio da noite eu não tenho escolha senão revidar sozinho. Graças aos deuses tenho a capacidade para me virar. Pepper foi uma ótima professora, além disso.

Enquanto eu sentava na bancada de mármore da minha cozinha comendo algo muito saudável – cereal com iogurte, a espada pousava ao meu lado. Ela resplandecia em sua inércia, como se estivesse pronta para responder a um comando meu a qualquer instante. A ideia era relaxante. Sorri por um instante, me lembrando da primeira vez que usei a espada.

Lembrei-me de Calisto. Desejei que ela estivesse perto de mim naquele momento, mas não. Ela estava tão longe quanto longe significava. Buscava uma relíquia, reconhecidamente amaldiçoada, em busca da redenção de sua própria maldição. Era uma das Relíquias dos Deuses, objetos amaldiçoados ou abençoados pelos deuses, espalhados pelo mundo e escondidos, pois são perigosos se caíssem em mãos erradas.

Ouvi um som vindo da porta. Era uma batida, que me fez acordar de meus sonhos. Hesitei em ir atender ou não. Pensei em como era assustador: um garoto de dezesseis anos, loiro e pálido, um pouco magricelo, com a boca cheia de cereal e usando uma blusa do Mario. Então pensei no anel e me transformei em um alto de vinte e seis anos com uma espada na mão.

Aproximei-me da porta e olhei pelo olho mágico. O garoto parecia ter dez anos, usava a roupa dos escoteiros e carregava cinco caixas de biscoito amanteigado. Eu não baixei a guarda e gritei, através da porta do apartamento:

— Não tem ninguém em casa.

— Mas eu estou vendendo biscoitos.

— Eu não quero biscoitos.

— Mas eles são amanteigados! – eu fiquei em silêncio e voltei. – Também tenho de menta com chocolate. E de pimenta.

Com a última parte, meu corpo paralisou-se imediatamente. Vire-me com lentidão, incerto em meus movimentos. Pimenta. Pepper. Talvez fosse apenas uma coincidência, mas eu não podia correr o risco. Aquela criança tinha biscoitos de Pepper.

Abri a porta em um único movimento, rápido e brusco. Ainda deixei-a apenas entreaberta, desconfiado. O garoto, ruivo e com sardas, usando um óculos grosso sobre seus olhos azuis, sorriu para mim. Deixou os biscoitos mais a mostra e eu pude ver o desenho de uma pimenta na caixa. Soltei todo o ar que estava prendendo. Não, ele não tinha biscoitos da minha Pepper.

— Não, obrigado. – fiz menção de fechar a porta, entretanto...

O garoto segurou-a com surpreendentes braços fortes. Sua voz mudou, assim como sua expressão, quando ele disse:

— Agora, sem brincadeiras. — Eu me desesperei, pensando que fosse um monstro à minha porta.

A sua forma começou a modificar-se, tremeluzindo como se fosse um holograma. Os biscoitos caíram no chão. Quando se formou novamente uma pessoa, era outro garoto, mais alto que eu. Sorri, reconhecendo-o imediatamente.

— Tony. – eu ri, nervoso. Abracei-o e convidei-o para entrar. – Onde esteve esse tempo todo?

— Cuidando da minha mãe.

— Como está a Sra. Estevez?

— Melhor a cada dia. Mas ainda em estado crítico. Não acordou ainda.

Tony entrou no apartamento, e analisou-o com olhos críticos. Não era a casa dos sonhos, mas era o suficiente. Era espaçoso e longo, com um quarto e um banheiro nos fundos, que dava para um terreno baldio de Nova Orleans. Eu não me metia nem em Nova York, nem em San Francisco. Uma televisão estava ligada, e em frente estava um sofá cinzento. Do lado da porta ficava a cozinha, sem paredes, mas com um balcão de mármore, uma geladeira antiga e praticamente vazia, além de um fogão de quatro bocas.

— Tem alguma notícia de Calisto? – Tony me perguntou, me encarando com os olhos verdes, a voz normalmente descontraída baixa como um sussurro.

— Era o que eu ia te perguntar agora. – eu indiquei para ele o banco ao meu lado. Sentei-me novamente em frente ao meu cereal e continuei a comer.

— Não, eu não.

— Pegue um iogurte se quiser. – apontei para a geladeira. – Acho que ainda tem um, de maçã com banana.

Ele abriu a porta da geladeira. Pude ver o anel que Pepper lhe deu em seu dedo, mas o dele era negro como ônix, ou como o metal do rio Estige. Antonio Estevez tinha dezessete anos, 1.86, cabelos negros e encaracolados, olhos verdes claros e risonhos. Magricelo e ágil, era o melhor lanceiro que eu já conheci. Pior apenas que Pepper, talvez.

— Não, não tem.

— Ops. Desculpe por isso. – peguei uma colherada de cereal. Mastiguei preguiçosamente. Tony sentou-se à minha frente. Ele pôs os dois cotovelos sobre a mesa e pôs o rosto sobre as mãos. – O que foi?

— Pare me mastigar. Não coma nada. Eu não quero que engasgue.

— Por que eu engasgaria?

— Você tem algum lugar para fazer uma fogueira por aqui? – Tony mudou de assunto, enquanto eu terminava de engolir.

— Há um terreno baldio aqui atrás. Mas qual é a grande notícia?

— Pepper. – os olhos do hilário Tony eram surpreendentemente sérios quando ele falou. – Ela está em apuros.

— O que houve com ela?

— Ela foi visitar os avós. Nunca mais voltou.

— O que houve nas Ilhas dos Djinn?

— Eu acho que a pegaram. Alguém deve ter contado a eles sobre o Fardo.

Levantei-me de qualquer jeito e fiz com que o banquinho caísse. Ainda havia um pouco de cereal na tigela, mas eu não me importei. Chamei-o com um aceno de cabeça e andei, resoluto, até o canto oposto do apartamento. Era uma janela, grande o suficiente para que eu passasse.

Abri-a com força excessiva, fazendo com que a janela quase quebrasse. Olhei para Tony com surpresa, e ele também arregalou os olhos.

— Não está se dando muito bem com sua Bênção, está?

— Não. Quer dizer que eu terei que lutar.

Pulei pela janela, e caí em cima da escada de incêndio. Era de ferro antigo, enferrujado, e por isso sujei minha camisa. Corri pelas escadas o máximo que pude, e por sorte Tony não teve dificuldades em me acompanhar. Devia estar tão aflito quanto eu.

O terreno baldio costumava ser uma escola, mas agora havia caído em desuso. Havia muros ao seu redor, e uma cerca elétrica que o antigo dono pusera para evitar que viciados fossem ali traficar drogas. Não foi difícil para nós pular pelo muro e cairmos no terreno. O lado de muro que dava para a minha escada de incêndio não podia ter cerca elétrica por motivos de segurança.

Começamos a juntar pedaços de papel e galhos secos para fazer uma fogueira. A noite se ajuntava ao nosso redor, e o efeito da fogueira seria ainda maior durante o escuro.

A lua era nova, mas as estrelas iluminavam bastante o céu. Era a noite perfeita para uma fogueira. Tony ergueu-se, iluminado apenas pela luz do fogo, parecendo taciturno com sua camisa laranja do Acampamento Meio-Sangue, o casaco marrom e o jeans azul-escuro. Eu também me levantei e me postei ao seu lado, pronto para o próximo passo.

Ele tirou uma pequena conta prateada de algum bolso de seu casaco.

— Ela me deu isso antes de ir embora. Acho que pressentiu que algo estava prestes a acontecer. – seus olhos estavam úmidos, e os meus também. Se Pepper estivesse morta, nós estávamos completamente perdidos.

Tony beijou a conta, e entregou-a a mim. Eu também a beijei, e a joguei na fogueira. O fogo crepitou ainda mais alto e pareceu erguer-se para o céu, e logo ele tomava a forma de algo antigo, adormecido. Era uma deusa se erguendo ali. Primeiramente eu vi o rosto de Héstia. Ela olhou para mim com um olhar amigável, e sorriu. Então desapareceu e a fogueira voltou ao normal.

— E agora? – eu perguntei. Jamais tinha feito aquilo antes, apenas Tony.

— Agora esperamos.

A espera era interminável. Interminável e entediante. Meu cereal devia estar apodrecendo em meu apartamento. A espada estava em minha mão, e eu sabia que em algum lugar do casaco de Tony também estava o pedacinho de metal que, quando ele encostava, alongava-se até se tornar uma temível lança negra.

Algo como o que Pepper fazia com seu chicote.

Eu sentia sua falta. Ela sempre sabia o que fazer, era a líder do grupo. Baixinha, invocada e segura de si. Essa era Pepper. Certa fez eu a descrevi para Calisto, minha ex-namorada enciumada, como a junção dos melhores heróis — Chuck Norris, James Bond, Jack Reacher, Super-Homem, Hulk – em uma única pessoa. E em versão feminina, é claro.

A primeira vista, Pepper não era muito bonita. Os olhos eram negros demais, os cabelos rebeldes demais. O nariz é empinado demais, os lábios parecem estar sempre machucados devido a sua cor avermelhada e ela sempre diz algo inesperado. Mas sempre verdadeiro. É baixinha e não exatamente magra, mas sim corpulenta e curvilínea.

Na segunda vez que você olha, entretanto, ela se transforma na idealização de uma deusa. As roupas escuras facilitam seus movimentos ágeis e precisos. Ela luta como ninguém, sabe usar várias armas. Mas não peça que ela mire bem, pois ela não mira. Odeia esse defeito em si mesma, mas só a deixa mais charmosa.

Quando olhei para Tony, sentado ao meu lado, nós dois apoiados em um pedaço de construção que um dia devia ter sido uma parede, notei seu olhar sonhador e desatencioso que lançava para a fogueira. Também devia estar pensando nela.

Não saberia dizer ao certo quanto tempo se passou, mas em algum ponto da noite, a fogueira voltou a agitar-se. Ela aumentou seu tamanho e um vento soprou, forte e selvagem. Levantou fagulhas que parecem multiplicar-se até estarem em um grande número, o suficiente para formar uma imagem.

Nós nos levantamos ao mesmo tempo, desajeitados e afoitos. Vislumbrei diante de seus olhos a imagem de Pepper, formada em meio ao fogo. Seus olhos pareceram ainda mais selvagens do que nunca, e repentinamente percebi a semelhança entre eles e o fogo. Os cabelos caíam em uma longa e perfeita mistura de ondas e cachos por suas costas, caindo até pouco abaixo da cintura delgada. Ela era baixinha, mas mais imponente do que nós dois juntos. Ela podia até estar completamente vermelha, laranja e amarela naquela forma, mas eu sabia que os cabelos eram tão negros quanto aquele céu, e os olhos tão brilhantes quanto as estrelas.

Ela pareceu focalizar-nos apenas após um segundo, e abriu os lábios carnudos e vermelhos em um grande sorriso familiar. Ela era bela, mais bela que a própria Afrodite. Mas... Havia algo de errado naquele sorriso. Era algo saudoso. Como se fosse a última vez que eles fossem vê-la.

— Pepper... – sussurrei, mas nem eu nem Tony ousamos mover-se. Era como se, caso nos mexêssemos, ela desaparecia em pleno ar.

— Ben. Tony. – ela riu, mas logo a risada tornou-se uma tosse descontrolada, algo seco. Estava doente. Apenas após aquela crise, vi como estava machucada. Usava um vestido largo e escuro, provavelmente sujo.

— Onde você está? – ele aproximou-se, tão irritado quanto eu. – Quem fez isso com você? Diga-me um nome.

— Eu estou bem. Mais ou menos. Estou em casa. O senhor da ilha, o Djinn, ele me trancou em uma torre.

— Por quê? Por que ele faria isso? – Tony perguntou.

— Eu carrego o Fardo. Eles sabem disso. E há... Há algo no mar aqui. Eles vão me oferecer ao monstro para continuarem a viver em paz. – ela tossiu mais uma vez. Pelo olhar feroz que nos deu, eu sabia o que viria a seguir. – Precisam vir me buscar. Isso já esperou tempo demais. Temos que matar o monstro e então juntar todos os Campeões. Eu tenho que escolher os Campeões.

— Nós iremos até você. Quando te entregarão ao monstro? – perguntei, sentindo a fúria dentro de mim aumentar.

— Não sei ao certo. Não sei nem que dia é hoje. Aqui na torre a janela está fechada para que eu não pule. Sabem que eu sobreviveria à queda.

— Certo. A ilha dos Djinns. Como chegaremos aí? – o vento soprou novamente, e a imagem apagou-se por um instante. Por um instante, o desespero invadiu nos invadiu, e demos um passo para frente. Ela disse uma única palavra em sua língua, e as chamas voltaram mais fortes do que nunca.

— Precisam encontrar uma pessoa. Ela saberá como chegar aqui. No caminho, acendam uma fogueira todas as noites, às oito e meia. É o horário que recebo o jantar, portanto saberei que estão acesos. Eu virei até vocês. – ela falou algo mais, mas o vento soprava e impediu que entendessem o que dizia. — ...torre...labirinto...monstro...cuidado.

— Pepper. Pepper. – chamei-a, aproximando-me das chamas. Parei a cinco centímetros dela.

— Depois que me acharem, procuraremos Calisto. Eu prometo.

— Certo. Procuraremos. Agora, me diga. O nome.

— O nome. – ela disse. Pronunciou-o três vezes, lenta e repetidamente. Recitou um endereço como se já tivesse dito-o para si mesma várias vezes antes.

O vento soprou uma última vez e a fogueira apagou-se, então.

Notas finais
Comentários, pleeeease!
Por favor, mandem a ficha por MP.
FICHA:
Nome:
Idade:
Semideus ( )
Abençoado ( ) Se sim, de quem:
Outros * ( ):
* Ninfas, deuses menores (existentes, por favor!), humanos, namorados de deuses (sim, eu também aceito isso).
Pais (aceito tudo quanto é casal, menos deus e deusa):
Aparência (descrição e, se possível, imagem ou fan cast. Aceito até desenhos, se você for bom.):
Pets:
Apelidos:
Títulos:
Acampamento (ou casa):
Personalidade:
Principais qualidades:
Defeitos:
Fraquezas:
Curiosidades:
País e local de origem (aceito desde uma das ilhas mitológica ilha dos Djinns, das Amazonas, de Calipso (vai que!), ou de qualquer outra que conhecer na mitologia greco-romana, ou até mesmo de outras culturas a lugares reais tipo Russia, Australia e Brasil):
História:
Habilidades:
Armas:
Roupas:
Línguas que fala:
Deuses ou deusas favoritos:
Deuses os deusas que detesta:
Inimigo:
Romance:
Algum desejo a fazer para a Toda-Poderosa escritora, Eu?:
Inimizades:
Passado amoroso:
Algo a acrescentar (vamos lá, pense em alguma coisa):