Camp Blood 2

2 Descubro que sou odiado por todos.


PARTE I

O TRAIDOR

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Tudo começou há cinco anos atrás, quando eles lutavam para chegar vivos no acampamento.

As cinco crianças corriam desesperadas, enquanto a manticora perseguia-os.

– Corram! — Gritou Klaus.

Eles estavam na estrada, próximos a colina, mas a cada vez que a fera disparava seus espinhos, o pinheiro que protegia o acampamento parecia mais longe.

Lucy caiu de joelhos chorando. Klaus correu para socorre-la, e a pegou no colo com dificuldade.

– Adam, distraia a manticora até eu conseguir chegar lá dentro com Lucy!

O garoto assentiu e retirou de seu cinto duas adagas, deixando-as preparadas para atacar a criatura.

Amber e Klaus com Lucy no colo começaram a correr. Mas Agnes não.

Uma tempestade forte caia, dificultando a visão da fera, que disparava espinhos para todos os lados.

A criatura havia pousado. Procurava pelo seu oponente atordoada.

O menino loiro de 11 anos correu determinado para cima da manticora, e fincou suas lâminas nas costas dela. E então recuou.

– Não fuja de mim! — Rugiu a manticora.

Agnes, uma garota de cabelos castanhos encaracolados, parou ao lado de Adam.

– Deixe ela comigo. — A menina retirou uma das adagas da mão do garoto e segurou-a com a boca enquanto revirava sua mochila encharcada pela chuva.

Agnes achou finalmente o que procurava: uma corda. E então saiu correndo em direção a manticora com a corda enrolada numa mão e a adaga em outra.

– Ei, sua besta! — Gritou ela.

A tempestade parecia piorar. As geladas gotas de chuva despencavam nas costas de Adam, deixando-o cada vez mais com dificuldade em se manter em pé.

A filha de Ares saltou para cima da cabeça da manticora quando ela avançou. Num movimento rápido, Agnes prendeu a corda em volta do pescoço da criatura e puxou, fazendo-a gritar.

– Ahhhh!

– Calada! — A garota puxou novamente a corda, trazendo o pescoço da manticora para trás.

Adam olhou para trás. Klaus, junto com Amber, já haviam ultrapassado os limites do pinheiro, deixando Lucy em segurança.

Agora só faltava ele e Agnes.

– Vem, Ag! — Berrou ele.

– Adam, vá para dentro. — A manticora saiu do chão, batendo as asas com dificuldade.

– Desça dai! — Adam fazia esforço para olhar para cima. — Não vou entrar sem você!

A manticora voou para longe, conduzida por Agnes. E então elas subiram, sumindo entre as nuvens negras.

Adam começou a chorar e correu para a colina.

Durante muitos anos, Klaus o culpou por ter deixado sua irmã lutar sozinha contra a manticora.

Agnes nunca mais voltou.

Essa é a minha história.

A nossa história.



– Levante-se. — Bradou Klaus, com a espada em punho.

Eu estava caído no chão da arena de combates. Estive viajando em meus pensamentos. Havia mais de uma semana que eu sonhava com Agnes.

– Perdão. — Respondi, levantando-me.

– Tanto faz. — Klaus guardou a espada na bainha e me deu as costas.

– Espera aí. — Chamei, correndo para o lado dele. — Posso te fazer uma pergunta?

– Não.

Revirei os olhos, mas perguntei mesmo assim.

– Você acha que Agnes possa estar viva?

Klaus me fitou. Seus olhos pareciam arder em chamas. Ele fechou a mão em torno da minha gola e me ergueu para cima, deixando-me fora do chão por alguns centímetros.

Continuei calmo e retribui o olhar.

– Depois de todo esse tempo você ainda tem coragem de citar o nome dela? — Berrou ele.

Todas as pessoas a nossa volta pararam de lutar para ficar nos olhando.

O filho de Ares me soltou. Antes que ele me desse as costas novamente, murmurou:

– É tudo culpa sua.

E saiu da arena de combates empurrando todos que estavam em seu caminho.



Na hora do jantar, não ousei passar perto da mesa do chalé de Ares.

Quíron havia me dito que Klaus tinha passado a tarde toda estressado, então preferi deixá-lo em paz.

Sentei-me na mesa do chalé de Atena, junto com Finn, Amber, Greg e Taylor.

Olhei para trás, no fundo do pavilhão, e meus olhos se encontraram com os de Lisa, a irmã mais nova de Lucy. Miguel parecia não notar, mas Lisa me olhava furiosa. Seus olhos mudaram de castanho para vermelho e então parei de olhar.

– Está tudo bem, Adam? — Perguntou-me Amber.

De todos campistas de 12 anos, Amber com certeza era a mais esperta. Mesmo nós sendo filhos de Atena, ela conseguia ser mais inteligente que eu em certos momentos.

– Sim. — Respondi. Levantei-me com a bandeja em mãos. Ela ainda tinha bastante comida, mas eu não sentia fome.

Me dirigi até a fogueira e joguei a comida lá.

– Para Atena. — E então me lembrei do último verão. Graças a Zeus, Dioniso voltou para o acampamento e Ares havia ido embora. De uma certa forma, eles tinha nos ajudado. — E Zeus, obrigado. — Joguei a comida lá dentro e caminhei para fora do pavilhão, em direção aos chalés.



Ao entrar no chalé, apenas tirei minha camisa do acampamento e me deitei. Rapidamente adormeci, e tive um novo sonho.

Não era como todos os outros que havia tido a semana toda, era diferente.

Agnes não estava partindo. Não havia Klaus, muito menos Lucy ou Amber. Não havia sinal da manticora.

Era apenas Agnes e eu. Ela conversava comigo. Eu podia ouvi-lá. Eu podia vê-lá.

Agnes estava viva e me chamava.