Camp Blood 2
3 Meu encontro com o perdido.
No dia seguinte acordei cedo. Amber e meus meio-irmãos dormiam.
Coloquei minha camisa laranja e me dirigi até a porta, abrindo-a calmamente.
O sol ainda estava nascendo. O acampamento estava quieto.
Olhei para os lados, procurando por Lucy. Todas as manhas ela sempre me esperava perto do chalé 6 para me dizer sobre seus sonhos estranhos.
E então me dei conta de que ela nunca mais me esperaria em frente ao chalé.
Caminhei até a floresta, atento as dríades curiosas.
Eu não sabia o por que, mas queria me afastar de tudo.
A cada momento que eu entrava mais a fundo, sentia mais frio.
Cheguei até o Punho de Zeus e me sentei próximo as rochas.
Fechei meu olhos e me encontrei mentalmente com Agnes.
Estava tudo escuro. Ela parecia assustada e caminhava para perto, estendendo a mão para que eu a trouxesse para perto.
Então percebi que Agnes era a garota que eu estive sonhando o verão passado. A mesma garota que ficava cercada de monstros e conversava com Ares.
– Agnes? — Chamei, abrindo os olhos.
Aqui. Ouvi sua voz me chamar. Mais perto.
Levantei-me e me afastei do Punho de Zeus. A voz parecia vir de trás das árvores.
E então pude vê-la. Estava escondido atrás de uma árvore. Sua pele pálida e expressão assustada.
– Qual o problema? — Perguntei.
Agnes apontou para algo atrás de mim.
Virei-me rapidamente e ouvi som de passos.
– Adam, é você? — Uma voz familiar me chamou.
Me aproximei e vi que era Ariana, irmã de Jason, uma das filhas de Hécate. Sua pele era mais pálida do que a de Lilith foi. Os olhos tinham um tom de dourado e os cabelos eram loiros.
– Hã, oi. — Falei.
– O que você está fazendo? — Perguntou ela com desconfiança.
– Nada de mais. — Respondi, olhando para trás. Agnes não estava mais lá. — E você?
– Eu estava caminhando perto dos campos de morango e uma dríade me disse que tinha alguém andando por aqui. — Respondeu Ariana. — Algumas delas tem medo de garotos, você sabia?
– Não, obrigado por avisar.
Olhei para trás mais uma vez. Imaginei que fosse apenas minha imaginação. Que Agnes nunca tivesse aparecido lá. Então ignorei e caminhei para fora da floresta com Ariana.
– Você costuma sair por aí toda manhã? — Perguntei.
– Não, eu geralmente saio de madrugada escondida. Gosto de caminhar durante a noite, e de manhã volto para meu chalé e durmo.
– É por isso que raramente te vejo.
Ariana riu.
– Você estava conversando com alguém? — Perguntou-me ela. — Pensei ter ouvido você dizer algumas coisas.
– Não, não. — Respondi imediatamente. — Estava apenas falando sozinho.
Ao chegarmos próximo ao chalé, notei que os campistas já estavam acordados, caminhando pelas redondezas.
– Preciso falar com Quíron. — Avisei. — Nos vemos mais tarde.
– Tudo bem, irei dormir. — Falou Ariana.
Dei as costas a ela e caminhei até a casa grande.
Quíron estava sentado em sua cadeira de rodas com um xale escuro e longo cobrindo as pernas falsas.
– Oh, Adam. — Disse ele. — Estava justamente querendo conversar com você.
Entramos na casa grande e Quíron me olhou preocupado.
– Qual o problema? — Perguntei.
– Soube que você consultou o oráculo há um tempo atrás. — Falou.
– Como?
– Simplesmente sei. — Replicou. — Diga-me a profecia.
– O traidor e seus amigos se unirão. — Falei. — O morto e o perdido se erguerão.
– Prossiga.
– Com astucia vocês buscarão — Respirei fundo. — ..aquilo que causará destruição ou salvação.
– Hum.. — Quíron franziu a testa, fazendo uma cara de pensativo.
– Desculpe-me, Quíron. — Disse. — Eu ia te falar a profecia, mas queria poder entendê-la antes e..
– Não me deve desculpas, criança de Atena. — Respondeu ele. — Mas deve saber que não pode fazer tudo sozinho.
– Você tem ideia de quem fale sobre essa profecia? — Perguntei. — O morto, traidor e perdido.
– Já houve uma profecia que citasse um morto, perdido e traidor há um tempo atrás. — Respondeu ele. — Os três eram as pessoas que nunca esperamos que pudessem ser.
– Quíron. — Chamei. — Eu acho que sei quem é o perdido.
– Diga.
– Agnes. — Falei. — Ela está viva.
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