Camouflage
1 Prólogo
Notas iniciais
Não sei o que é pior, morar em Lewistown ou está em uma sala com cinco pessoas na sua frente para uma entrevista de emprego e viver uma vida que sua mãe sempre planejou. Todos os pais, vulgo mães, sonham com a carreira brilhantes para seus filhos, sonham que eles vão ser médicos, advogados, engenheiros, juiz e entre outros cargos de muita importância para a sociedade. Mais o que falar para a sua mãe que você não faz a mínima ideia do que fazer da vida, não sabe em qual tipo de profissão se encaixar, parece que quanto mais pressão colocam em você, mais você não sabe o que fazer.
Terminei meu High School a alguns anos e minha mãe já me obrigou a procurar emprego, enquanto ela procura a melhor universidade para eu cursar a tão sonhada medicina, sendo que quando vejo um sangue eu desmaio, como poderei cuidar de uma doente? Mais enfim, minha querida amada Michelle, minha querida mãe, arranjou um emprego de meio período na Hoss's Steak and Sea House, para eu trabalhar na área de recepcionista. Não gosto muito em ficar em pé, mais faço isso por ela.
Depois de quatro horas e meia sentada numa sala de ar-condicionado e vejo a última pessoa a minha frente saindo da pequena sala, minhas mãos e pés começam a soar de uma forma descontrolada, meus batimentos cardíacos acelerados demais e sem conta aquele frio na barriga. Me ajeitei um pouco na cadeira e ouvi uma pessoa chamar pelo meu nome, respirei fundo e levantei indo em direção a mesa, dou um meio sorriso entre os lábios para a pessoa que tinha me chamado e entrei na sala.
—Irei chamar a gerente do restaurante, só um momento.- e a pessoa desaparece a porta ao meu lado.
—Bom dia, senhorita...- ela dá uma pausa e olha meu currículo -Emma Moore Green, vi que seu currículo é bem elaborado, vou fazer algumas perguntas sobre você, tudo bem?
—Tudo bem, estou preparada. -me indireto na cadeira, e repasso tudo na minha mente as falas pré-prontas pela minha mãe antes de vir para a entrevista.
—Vejo em seu currículo, que você tirou notas boas, se voluntariou para ser recepcionista na biblioteca, na pequena loja de seu pai e nas férias ajudou a sua mãe na loja de cupcakes, a questão é, nesses três "empregos" você teve vários tipos casos de situações com cliente, o que você tirou aproveito disso?
—Bom, trabalhar com pessoas é sempre complicado, pois você nunca sabe o tipo de reação do cliente, por exemplo, na biblioteca que eu me voluntariei tinha alguns clientes esquecidos e sempre fazia nós ligarmos para eles e ainda reclamava, pois não queria pagar a taxa do livro e tudo que devemos fazer é manter a calma e explicar ao cliente que é regra da empresa e ela não pode ser violada.
—Muito bem...Vou-lhe dá uma situação bem básica do restaurante, você está atendendo um casal e chega uma pessoa extremamente abusada pois tinha uma reserva e chegou atrasado, como você sabe se o cliente reservar uma mesa e chegar 45 minutos atrasados, nós tiramos a reserva e liberamos para a pessoa da fila, nesse caso o que você faria?
—Primeiro eu pediria para essa pessoa se acalma e pediria um pouco de paciência pois estaria já atendendo um casal, iria com esse casal até a sua mesa e voltaria para resolver o assunto com o cliente atrasado, se ele continuasse explicaria que é regra da restaurante, se ele continuasse a insistir chamaria o gerente.
—Uma última pergunta, Senhoria Green. Quem é você e qual é sua expectativa de vida?
Arregalo meus olhos e dou um meio sorrio para a mulher a minha frente, cuja me conhece deste pequena e é melhor amiga da minha mãe. Ela faz o mesmo e esperar pacientemente pela minha resposta, uma pergunta bem simples que faz tantas pessoas ficarem completamente sem palavras e argumentos, respiro bem fundo e olho para a janela que está atrás da senhora e fico me perguntando "Quem sou eu e qual a minha expectativa de vida? '' Repito isso várias e várias vezes para mim mesma e por um segundo esqueço da senhora Mills a minha frente, esperando pela minha resposta.
—Senhorita Green? Senhorita Green? Emma...
Escuto uma pessoa me chamar longe e volto a minha atenção para a Senhora Mills e dou um sorriso tímido e vejo sua preocupação estampada no rosto.
—Infelizmente seu tempo de entrevista acabou, Emma. Sinto muito mesmo, não posso alongar sua entrevista é norma da empresa.
—Não, tudo bem...- dou uma pausa me levantando e apertando a mão dela.
—Você é uma excelente pessoa, mais infelizmente não podemos contratar pessoas que não sabem o que quer da vida, você é jovem e tem muito pela frente, tudo bem?
Tudo que eu fiz foi balançar a cabeça, sorri para a mesma e sai da sala, bem por um lado que não queria aquele emprego, por outro lado minha mãe ficará desapontada. Mais isso é o de menos, pois eu tenho dezenove anos e não sei quem sou e qual é a minha expectativa de vida, quais são meus planos, meus interesses, meus ideais e minha carreira profissional, eu só sou apenas uma pessoa para preencher o número de habitantes da minha chata e patética cidade...
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