Meu nome é July, tenho 16 anos, sou ruiva e amo escrever. Falam que sou inteligente, mas eu não acredito muito nisso, já fiz muitas burrices para ser considerada inteligente.

Aos 13 anos, por exemplo, conheci meu primeiro bad boy, seu nome é Leonardo, ou só Léo, ele era amigo da minha até então melhor amiga, Yasmin, hoje não nos falamos mais, não brigamos, o tempo só separou a gente. O que é triste, porém inevitável.

Esse Léo era bem o meu oposto, e era exatamente o que eu queria ser aos 16. Fomos para uma matinê, onde ambos beijamos várias outras pessoas. Para quem tem 13 anos, uma matinê é o local ideal para "dar a louca" e não ficar bêbada, pois lá não tem bebidas alcoólicas. E confesso que nunca me senti tão livre até então. Lá eu era realmente o que queria ser aos 16, uma adolescente que vai para festas e fica com muitos garotos. Foi minha primeira experiência do gênero. Mais tarde, começaram a me chamar de "mina do Léo" e eu, como boa aprendiz de feminista idiota comecei a brigar com os amigos dele, que falaram "só queria zoar o Léo por que pegou uma mina feia.".

E não preciso dizer que depois dessa série de brigas e ofensas, eu me afastei desse Léo. Não fiquei feliz, mas também não liguei muito também.

Aos 14, conheci um outro Leonardo, mas esse se chamava de Lelo. Meu 2º bad boy. Mas o Lelo, era pior, poucos meses mais velho do que eu, ele já bebia e fumava, e eu, nada. Nos conhecemos num grupo de amigos que hoje eu também perdi o contato, mas desta vez foi por que eu quis.

Fomos pro cinema, antes de começar o filme ficamos conversando muito, ele começou a fazer massagem na minhas costas enquanto estávamos todos sentados numa mesa conversando, esperando a hora do filme. Quando fomos para o cinema, no caminho ele segurou a minha mão. Estávamos na fila da pipoca, fiz meu pedido e fui embora, ele estava para fazer o dele quando segurou meu braço.

— Guarda um lugar pra mim do seu lado? — Eu só sorri e acenei que sim. Fui para a sala de cinema com um sorriso no rosto.

Me sentia tão idiota por esperar alguma coisa. Quer dizer, o Lelo é lindo! Olhos escuros, pele morena e cabelo curto e escuro. Tem um certo charme para se vestir, um olhar sedutor e usa um pequeno alargador, discreto, o que lhe dá um toque a mais. E o que ele quereria comigo? Uma garota normal, feia e ruiva? Se pelo menos meus olhos fossem verdes, mas não! São pretos.

Eu o vi se aproximar de longe, mas disfarcei. Fingi que não vi. Ele se sentou ao meu lado segurando apenas um refrigerante. Perguntou se eu queria que ele segurasse minha pipoca, e eu disse que não, que tá tudo bem. O filme rodando, e nossas mãos se aproximando, cada vez mais. Eu segurava meu sorriso, fingia prestar atenção, mas na verdade eu via a mão dele segurando a minha. Encostei minha cabeça em seu ombro e assim ficamos por mais um tempo. Então acho que ele cansou de ir devagar, e me beijou. Passamos todo o filme entre beijos e cenas. Foi realmente como se eu estivesse num filme, aquilo mais parecia o sonho de uma garota cor-de-rosa.

O resto da noite de baseou nisso. Beijos, nós de mãos dadas, e curtas conversar. Me sentia no início de conhecer o que é uma paixão. Quando nos despedimos, eu lhe dei um beijo e saí correndo para não perder o metrô, e claro, o sorriso estampado nos lábios que carregavam as lembranças de sua boca macia e quente.

Mas, eu e o Lelo duramos um mês e meio.E hoje vejo que não poderia esperar que durasse um pouco mais. Na segunda vez que saímos, descobri que ele fumava cigarro, e não era um aqui e outro ali, eram breves seus intervalos entre um cigarro ou outro. Eu fiquei assustada, e acho que ele percebeu. porque depois, abraçado comigo e olhando em meus olhos perguntou:

— Você tem algum problema com o fato de eu fumar?

Queria dizer que sim, que onde já se viu? Faz mal à saúde! Pessoas morrem por causa do cigarro! Mas eu só disse:

— Não. Não incomoda, a vida é sua, e quem sou eu para dar palpites?

Ele sorriu. Não sei se dei a resposta certa, mas dei a que eu achava ser mais correta. Embora ele tivesse todo esse jeitinho especial dele, de ser meigo e bad boy, na verdade ele nunca foi meigo, só dizia a coisa certa na hora certa. O suficiente para encantar uma tola ruiva como eu.

Mas um dia máscaras caem.