Caminhos Traçados
14 Namorados
Notas iniciais
Saí do dormitório com Laura e Sofia, e Laura falava no celular, provavelmente com Matheus, enquanto eu e a Sofia ríamos do jeito que ela falava, era fofo, mas engraçado.
Sofia usava um biquíni preto e rendado, sem alças e o conjunto de baixo era igualmente preto e rendado e possuía umas cordinhas e por cima usava um short branco e uma regata cinza.
Laura usava um biquíni amarelo estampado com flores pretas que eu havia emprestado a ela, o conjunto de baixo era apenas amarelo e não possuía as estampas e por cima ela usava o mesmo vestidinho rosado que estava usando antes.
Já eu, usava um biquíni laranja escuro, quadriculado em verde e com o conjunto de baixo apenas laranja escuro e por cima eu usava um short preto e uma regata azul.
— Tá amor, já estamos indo, mas antes só vamos passar na sala da peitu... é , quer dizer, diretora para pedir autorização para a piscina Ok... Tá, tá bom, beijo... ata, eu não vou esquecer, tá, não vai escorregar em nenhuma banana, olha por onde anda.. – falou Laura e em seguida desligou, eu e Sofia olhamos para ela e começamos a rir.
— Escorregar em uma banana? – falou Sofia rindo.
— É, uma vez ele escorregou e eu tive que ajudar ele a levantar... Não deu certo, eu acabei caindo também. – ela falou e começou a rir também.
— Gente vocês 4 são os casais comédia dessa escola. – falei e encarei-as.
— Só falta você se acertar com o Bruno né Fê... – falou Laura e piscou para mim.
— Ei! Eu não tenho nada com o Jason. – Sofia falou e encarou Laura.
— Por enquanto... – eu e Laura cantarolamos juntas fazendo Sofia corar.
Adentramos a sala da diretora-decote e ela trajava um vestido cinza curto e sem estampas, com aparência de ser velho e um pouco rasgado na ponta, usava também um salto brilhoso. Nos dirigimos até a mesa dela e começamos a conversar com ela.
— Uau diretora! Você tem que me passar o nome desse seu perfume! É muito cheiroso! – falou Laura e sorriu.
— Nossa você acha mesmo? – falou a diretora sorrindo.
— E esse vestido! Está TU-DO! – falei entrando na da Laura e observando o vestido rasgar mais.
— Ah meninas, esse vestido é lindo mesmo, era da vizinha da minha bisavó que deu para bisavó que deu ele para minha avó, que deu para minha mãe, que deu para um mendigo que eu vi passando na rua e peguei de volta – ela falou sorrindo e eu fingi um falso sorriso e escutei umas risadinhas das meninas.
— Ah meu deus! Eu sempre quis comprar esse salto que você está usando diretora! – falou Sofia.
— Ah, nem me fale, esse é um dos meus melhores saltos! É mesmo muito lindo! – falou a diretora olhando risonha para o salto.
— E esses brincos! Combinaram com a sua pele hein... – falei sorrindo.
— Sabe minha querida diretora... Eu e as meninas estávamos querendo ir para a piscina dar uma nadadinha depois de um dia escolar trabalhoso nessa escola exemplar e ficar renovadas para amanhã em mais um dia escolar produtivo, onde nós vamos nos concentrar nos estudos e dar o nosso melhor. – falou Laura e Sofia não conseguiu conter uma risada, mas que por pouco a diretora não desconfiou.
— Podem ir meninas! Vocês são o exemplo da escola! Podem ir! – falou a diretora.
— Muito Obrigado diretora. – falei e eu e as meninas nos direcionamos para a saída, caminhamos até o final do corredor sem trocar nenhuma palavra e quando demos um passo para fora caímos em uma gargalhada conjunta.
— Ah meu deus! – falou Sofia rindo.
— Tá gente, agora chega porque somos o exemplo da escola. – falou Laura e Sofia riu.
— Nós somos mesmo ué – falei e as meninas riram
— Eu posso jurar que há duas horas eu nem imaginava que estaria fazendo isso. – falei.
— Essa é a graça de todo dia! Você nunca sabe oque vai acontecer depois. – falou Laura.
— É, nunca sabe mesmo. – falei me lembrando de tudo que acontecera hoje.
— Vamos minhas feiosas. – falou Laura.
— Laura tu não fala assim com a gente que nós não somos tuas nega! – Sofia falou e deu um empurrão em Laura.
— Vamos meninas lindas que ofuscam meu olhar de tanta beleza – falou Laura e abraçou-me e Sofia pelo ombro e começou a caminhar.
Andamos até a área da piscina e quando fomos nos aproximando escutamos os meninos discutindo.
— É biscoito! – Jason falava.
— Eu já disse que o nome é bolacha!– Matheus falava.
— Não é nenhum dos dois! Parem de discutir! – falava Bruno tentando separar eles dois.
Olhei para as meninas e ambas damos um sorriso.
Aproximamo-nos dos meninos e quando chegamos meu olhar vagou pela enorme piscina e depois parou exatamente em Bruno.
Sabe aquele momento em que você sente que seu queixo caiu... Bom, eu posso não ter deixando meu queixo cair, mas foi isso que aconteceu no meu interior.
Digamos que o Bruno sem camisa é como a visão do paraíso.
— Fê... Acorda. – falou Sofia estalando os dedos na frente do meu rosto.
— Psiu Nega! Não atrapalha a minha visão! – cochichei baixinho para Sofia e escutei ela dar uma dar uma risada enquanto Laura falava algo com os três meninos.
— Ok girls, vamos para a piscina! – falou Laura se aproximando de nós duas.
Adentrei um dos banheiros da área da piscina e tirei minha roupa, ficando apenas de biquíni. Saí do banheiro e senti minhas bochechas esquentarem. Todos olhavam para mim.
Bruno sorria levemente, Jason e Matheus me encaravam e apenas Sofia que já estava com eles sorria abertamente.
— Fiu fiu gatinha! – falou Laura aparecendo do meu lado.
— É verdade Bruno, tem que ficar de olho porque para os outros meterem o olho nessa aqui... Olha tem até o selo da Friboi, Fernanda é carne confiável! – falou Sofia e os meninos começaram a rir, olhei para Bruno e o mesmo estava ruborizado.
Por deuses. Que vergonha.
— Okay gente! Chega de papo e vamos ver quem sabe nadar de verdade! – falou Sofia batendo palmas para Jason e expulsando ele cadeira em que ele estava sentado.
Laura empurrou Matheus na piscina e ficou rindo até ele puxar a perna dela e ela cair nos braços dele dentro da piscina. Sofia entrou na piscina e ficou olhando Laura bater em Matheus e depois Matheus pedir desculpas da Laura e roubar um selinho dela, até que Jason entrou na piscina e falou algo no ouvido dela que a fez corar.
— Você ficou linda nesse biquíni. – falou Bruno para mim e eu corei.
— Obrigado – falei.
— Não que você não seja bonita com algo que não seja biquíni... Quer dizer, você sempre é bonita, não que eu olhe a roupa que você está usando, quer dizer.. Eu nem ligo para isso, bom na verdade eu ligo sim... – Bruno falava nervosamente e eu dei uma risada e o interrompi.
— Eu entendi Bruno. – falei e sorri.
— Ufa... – ele falou e suspirou.
Olhei para ele e sorri, o par de olhos negros nos quais eu ainda tinha medo de me perder, me encaravam serenamente com um sorriso bobo no rosto. Aproximei-me dele e ele de mim e quando nossas respirações mesclavam, fomos interrompidos com um grito.
— Gente tem um quarto bem ali! – gritou Jason recebendo um olhar feio do Matheus e um tapa da Sofia e da Laura.
— Ah seu estraga prazeres! – falou Sofia dando outra tapa no braço do Jason.
— Eles estavam quase se beijando! – falou Laura
— Vacilou cara! – falou Matheus fazendo um gesto negativo com a cabeça.
— Af povo, só acho que eles precisam de privacidade e não tem fazer isso aqui com oito pares de olhos observando eles! – falou Jason recebendo um olhar mortal da Laura e se escondendo atrás da Sofia.
— Quer passear e sair do meio desses estranhos?– perguntou Bruno baixinho para mim e eu assenti e sorri, coloquei rapidamente meu short e minha camisa enquanto Bruno colocava uma camisa.
Saímos da área da piscina e deixamos o resto do pessoal discutindo.
— Eles estavam mesmo discutindo por nós dois? – falou Bruno e eu dei uma risada.
— É, eles estavam. – falei.
Caminhamos até o pátio da frente e sentamos em um dos bancos que estava em frente a uma moita bem verdinha, o mais afastado dos corredores que tinha no pátio.
— Hey, eu tenho que te perguntar uma coisa... – Bruno começou — Você estava falando sério sobre eu ser seu hoje à tarde? – Bruno perguntou e eu ruborizei.
— Sim... – falei sem graça e ele desviou o olhar de mim e olhou para frente.
Ficamos alguns segundos em silêncio, em minha opinião um silêncio mortal, e ele se pronunciou.
— Sabe... Desde o primeiro dia que você abriu aquela porta e eu te devolvi aquela almofada eu não consegui parar de pensar em você, eu acho que eu sentia algum tipo de atração por você, mas eu só percebi que talvez eu estivesse apaixonado quando eu vi ele abraçando você aquele dia... –
Flashback- on
— Solta ela! – Ouvi uma voz e logo reconheci, era Bruno.
— Ou você vai fazer oque! – gritou Harry me soltando e encarando Bruno.
— Vou te ensinar a não quebrar o coração das pessoas! – respondeu Bruno.
Flashback- off
— Eu fiquei com medo de que você não me perdoasse, eu achei que você nunca mais fosse falar comigo, eu iria falar com você de tarde, mas eu vi você saindo pelo muro com ele – ele falava nervoso. – Eu me aproximei do muro que vocês tinha pulado eu olhei para vocês e você tinha caído em cima dele e vocês estavam rindo e eu pensei “Eu perdi ela”, e isso foi como... –
— Um aperto no peito. – completei a frase dele e o encarei.
— Exatamente – ele murmurou.
E mais uma vez o silêncio incessante reinou entre eu e Bruno, eu sentia que talvez no fundo, bem no fundo ele tivesse algo para me falar, mas era como se esse algo não pudesse passar pela garganta dele, como se ficasse preso na mente dele, e eu entendia isso muito bem, porque era exatamente assim que eu me sentia.
Ele me encarou sereno e eu sorri devagar.
— Eu realmente achei que tinha te perdido sem talvez nem ter ganhado você – ele falou. – Sabe Fê... Se aquela almofada não tivesse me acertado naquele dia... Como será que nós estaríamos agora? – ele perguntou.
— Estaríamos aqui... Do mesmo jeito – sussurrei.
— Será... – ele duvidou. — Não sei se acredito —
— Caminhos Traçados... – murmurei bem baixinho e Bruno sorriu lentamente e voltou a olhar para frente.
Era como se ter ele bem ali fosse o suficiente... Mesmo sem falar nada, mesmo apenas olhando um para o outro e sorrindo, só isso bastava, bastava para nós dois.
Se ele soubesse o quanto eu chorei hoje, o quanto eu chorei por ele, o quanto EU tive medo de perder ele.
Um vento bateu em meu rosto e levou algumas mechas do meu cabelo para trás, olhei para Bruno, a expressão serena olhando para frente se fazia pensativa.
— Não quero que você fique com medo de me perder novamente... – falei e olhei-o.
Ele hesitou em falar algo, mas como se a boca fosse mais rápida que a mente ele falou:
— Então seja minha! – disse e quando percebeu oque havia dito corou imediatamente. – É... Bom, eu... Desculpa, é que....- antes que ele pudesse terminar de falar eu o interrompi.
— Eu sou – falei e ele arregalou os olhos e me olhou inexpressivo.
Por deuses o que eu falei... Eu falei mesmo.. Eu falei que... Sim eu falei! Eu falei que era dele... Quer saber... Sim! Eu falei! E não me sinto arrependida.
— Então isso quer dizer que... – ele começou, mas era como se as palavras fugissem da boca, ou talvez ele não achasse a palavra correta, então eu apenas sorri e encarei ele.
— Sim Bruno, isso quer dizer que estamos juntos, eu e você, nós dois! – falei e ele abriu um sorriso, os dentes brancos alinhados que ele possuía reluziam a luz da lua, deveria ser umas 19:30, o tempo tinha passado rápido, mas isso não importava mais, porque agora o tempo passava devagar, era como se o tempo passasse bem ali, entre ele e eu e aquele momento.
Ele me puxou para um abraço e estalou os lábios na minha bochecha.
— Eu te amo – ele sussurrou no meu ouvido, e isso foi como uma injeção paralisante, minhas pernas bambearam e eu agradeci aos céus por estar sentada, porque se eu estivesse em pé com certeza eu teria passado vergonha, minha respiração foi ficando descompassada e as batidas do meu coração aceleravam a cada instante, as três palavras que ele disse ficaram se repetindo na minha cabeça como um ecoo.
Ele me amava, sim ele me amava, ele tinha dito isso. “Eu te amo” “Eu te amo” “Eu te amo” ele disse!
— Eu... Eu... Também. – falei olhando para ele apertando o abraço. – Eu também te amo. – completei.
— A meus deuses! Isso é fofura demais para mim! Chamem uma ambulância por favor! Alguém help me aqui! – gritou uma voz bem conhecida por trás da moita que ficava atrás do banco, era Laura.
Laura se jogou da moita no chão e começou a se abanar.
— Xiuu!! – gritou Jason.
— Ah meu deus! Um rato! – gritou Sofia e saiu pulando de trás da moita.
— Ótimo Sofia e Laura! Entregaram todos nós! – falou Matheus saindo da moita.
— E a propósito Sofia, aquilo não era uma rato, era só meu pé, mas tu é inteligente demais para olhar direito e ver que era meu... AI CARAMBA! NUM ME BATE QUE EU NÃO SOU O JASON NÃO, JÁ TENHO A LAURA PARA ME BATER MERDA! — gritou Matheus assim que Sofia acertou um soco na cabeça dele.
— A culpa não é minha se tu é o PÉ GRANDE! – falou Sofia.
— Num fala do meu namorado não! — gritou Laura se levantando.
— Laura tu num tava passando mal? – perguntou Jason.
— É, mas eu tava passando mal por causa da fofurrisse da Fernanda e do Bruno e a fofurisse foi interrompida! – gritou Laura e todos imediatamente se deram conta que estavam discutindo na minha frente e na Bruno e olharam para mim e ele.
— Err... Oi gente! – falou Sofia acenando.
— Que coincidência! A gente tava conversando ali na moita... – falou Matheus coçando a nuca.
— É sabe... Conversas nas moitas estão na moda. – falou Laura.
— Sabe, uma conversa civilizada e um joguinho de... É... Xadrez... e depois um papo entre amigos – falou Matheus.
— A gente estava falando sobre... Err... Batatas... – falou Jason.
— Ah é... Que tipo de batatas? – perguntou Bruno arqueando uma sobrancelha.
— Ruffles! – falou Sofia!
— É, tipo elas tem muito ar e só quatro batatas... – falou Jason.
— A gente com certeza não estava espionando vocês... – falou Laura fazendo Sofia, Matheus e Jason baterem as mãos na testa e fazerem uma expressão negativa com a cabeça.
— Ah quer saber, a gente tava espionando sim! E qual é o problema dos seus três melhores amigos do peito e da alma e o Matheus saberem que você e o Bruno estão namorando. – falou Sofia.
— Eiii ! – protestou o Matheus.
— Xiu Amor! – falou Laura.
— Até tu Lala! – praguejou Matheus com um bico fazendo com que Laura depositasse um beijinho na bochecha dele.
— Tudo bem então né – falei – Eu e o Bruno estamos sim juntos! – falei e Bruno deu um sorriso de canto.
— Uhull – gritaram Laura e Sofia juntas começando a fazer uma dancinha esquisita murmurando algo e ambas vieram me dar um tipo de abraço de urso triplo.
— Parabéns cara. – falaram Jason e Matheus dando um tapa no braço do Bruno cada um.
— Como a reação dos meninos e das meninas é diferente – falei para Bruno.
— Verdade – ele falou e se levantou.
As meninas se separaram de mim e ambas sorriram.
— Agora vão, vocês dois, vão fazer alguma coisa, só os dois. – falou Laura empurrando eu e Bruno para o corredor.
Eu e Bruno adentramos o corredor e Laura foi se afastando aos poucos.
— Nossos amigos são estranhos – Bruno comentou.
— Muito – falei.
— Então... Você quer assistir um filme? – Bruno sugeriu.
— Sim. – falei e ele passou um dos braços por cima do meu ombro e me conduziu até o dormitório dele.
Adentramos o dormitório dele e eu olhei ele pegar uns filmes e me joguei na cama dele.
— Folgada você né – ele falou se sentando na cama e fazendo um carinho no meu cabelo. Sorri e me sentei na cama, ele me deu um selinho rápido e escolheu um filme qualquer.
Ele se sentou na cama e eu me sentei do lado dele, puxei o lençol que estava na cama dele e me embrulhei, aspirei o cheiro que residia no lençol, o cheiro do Bruno, uma fragrância leve e ao mesmo tempo viciante, Bruno olhou para mim e sorriu. Ao passar do tempo eu ia me aproximando de Bruno e ele de mim, até que quando eu me dei conta, já estava aconchegada ao peito dele enquanto ele fazia um carinho na minha cabeça, eu estava naquela de fecha e não fecha os olhos, estava quase dormindo, mas queria ficar acordada até o filme acabar.
Não sei se foi por talvez já ser tarde da noite ou se foi pelo carinho que Bruno fazia na minha cabeça, mas eu acabei adormecendo e quando acordei devia ser umas 3:00 horas da manhã, o quarto estava com o abajur ligado e as luzes desligadas, eu estava deitada na cama do Bruno e os braços dele estavam em volta da minha cintura e eu estava de costas para ele, sorri e olhei o, ele ainda estava descoberto então eu tirei o braço dele da minha cintura e estiquei o lençol fazendo o cobrir tanto eu quanto ele e voltei a me deitar como eu estava, de costas para ele e quando eu já estava adormecendo novamente escutei ele sussurrar:
— Boa noite. – disse e passou seus braços novamente pela minha cintura.
Sorri devagar e falei:
— Boa noite. – e com isso fui adormecendo novamente.
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