Caminhos Tortos
6 Capítulo 6 - Passeios Desagradáveis.
Depois que eles começaram a namorar, a Natasha fez questão tornar o que já não era bom em insuportável, é claro com a ajuda do meu querido pai que me mandava ir aos passeios do “casal de pombinhos” para garantir que nada de mais estava rolando. Fala sério! Cara, o meu pai podia me pedir para fazer qualquer coisa, até pentear um macaco eu petearia de boa, mas isso?! Isso é intolerável, que saco! Eu sempre ia, até porque não queria desapontar o meu pai, mas sempre levava as minhas amigas comigo, o que me fazia sentir-me melhor. Nas primeiras vezes foi tranquilo, apesar da ideia passar rasgando na minha garganta, eu conseguia segurar a minha onda bem, mas teve um dia em que foi a gota d’água. Este dia “maravilhoso e mágico” aconteceu quando tínhamos 14 anos. Estávamos na sala de estar esperando pelo Leo.
— Ai que saco, eu já não aguento mais isso... Até quando vou ter que te levar aos meus encontros de “chaveirinho”? Ou melhor, levar vocês quatro. Disse ela com cara de tédio.
— Nossa! Você diz como se eu estivesse adorando ter que ir nesses seus encontros idiotas, não é mesmo? Respondi sarcasticamente revirando os olhos.
— Ela acha que é a melhor coisa do mundo estar com ela nestes passeios entediantes. Disse a Bianca rindo.
— Só que não. Completou a Thayane.
Ela veio como uma fera para cima de mim e disse:
— Olhem aqui...
Nisso ouvimos o som da campainha e ela se esqueceu de mim e disse:
— Leo!
E eu fiz cara de tédio.
— Relaxa amiga. Sussurrou a Thayane.
— Eu estou bem, amiga. Já superei isso. Respondi olhando para o outro lado, pois estava mentindo.
— Superou o que Nanica? Perguntou ele entrando na sala.
— Fala sério. Murmurei olhando para o outro lado.
— Nada garoto! Nada... Respondi secamente.
— Vamos! Disse a Natasha toda empolgada.
— Eh! Falei sarcasticamente com cara de tédio.
E as minhas amigas riram.
O nosso passeio foi no parque aquático da cidade, ele era perfeito e tinha tudo de bom... Tudo, menos aqueles dois. Eu já cheguei tirando a entrada de praia e indo até um chuveirão para me molhar e enfim entrar num daqueles tobogãs. As minhas amigas nem ligaram muito para o tobogã e nem nada, só queriam tomar sol, a minha “querida irmãzinha” também... Que legal! Já o Leo, foi também para a fila do tobogã. Não entendo porque elas não queriam ir, parecia ser muito divertido escorregar naquilo até porque era enorme e dava um pouco de medo, o que me atraiu. Ele ficou atrás de mim na fila, mas eu fiz de tudo para não dar uma oportunidade a ele de conversar comigo. Chegou a minha vez e eu fui até o topo e fiquei um tempo criando coragem para escorregar, até porque era meio assustador um escorrego tão grande e cheio de curvas. Ele parou atrás de mim e disse:
— Será que você pode se decidir logo hoje? Até porque eu não tenho o dia todo e a fila já está grande.
— Se as pessoas estão na fila é porque querem esperar. E eu decido quando eu quiser. Respondi.
— Se quiser desista, eu sei que você está cheia de medinho, porque você é uma garotinha indefesa... Tadinha de você. Disse ele debochando de mim.
— Eu não vou desistir, desista você. Ah! Você só está dizendo isso porque você é que quer desistir... Vai lá, medroso. Bebezinho! Vou chamar a sua mamãe para trocar as suas fraudas. Respondi caçoando dele.
— Será que vocês podem escorregar logo? A fila já está fazendo voltas. Disse a moça que estava liberando as pessoas para entrarem.
— Como assim?! Vocês?! Exclamei.
— Vocês terão que escorregar juntos para economizar o tempo, ou pelo menos tentar recuperar o que vocês perderam discutindo a relação. Caçoou ela.
— O quê?! Não, eu não escorrego com ela! Disse ele.
— E nem eu com ele. Exclamei.
— Então nenhum dos dois escorrega. Deem vaga para quem realmente quer se divertir. Disse ela apontando para a fila.
— Eu vou escorregar. Respondi me sentando no topo do escorrego.
— Eu também vou. Disse ele sentando atrás de mim.
— Ah não! Exclamei me segurando nas bordas.
— Vai logo! Exclamou ele me empurrando.
E fomos escorregando numa velocidade absurda, juntos. Eu gritava de medo e adrenalina e ele também estava gritando. Assim que nós chegamos à piscina eu afundei e ele afundou atrás de mim. Depois que eu subi e fiquei olhando para os lados não o vi. Achei estranho, mas nadei para longe das saídas dos tobogãs para que não levasse uma pancada forte. Fiquei mergulhando perto de onde as meninas estavam e do nada senti alguém segurar o meu pé, me assustei e fiquei chutando e tentando me soltar. Assim que me levantei, vi que ele estava rindo e ainda segurando o meu pé.
— Largue o meu pé, seu idiota! Exclamei indo para perto dele.
— E se eu não largar, o que vai fazer? Perguntou ele com um sorriso travesso.
— Eu vou te machucar. Exclamei já irritada.
— Quero só ver. Disse ele me provocando.
— Não faça isso... Pedi.
— Isso o quê? Perguntou ele.
— Me provocar... Isso não é legal, não faça! Agora me solte. Pedi falando cada vez mais alto.
— E se eu não quiser? Disse ele chegando mais perto de mim.
Aí eu comecei a enchê-lo de tapas e socos nos braços. Ele ficou rindo e tentando me segurar dizendo:
— Ei! Ei! Para, está fazendo cócegas e ardendo.
— É para arder mesmo, seu idiota! Solte-me. Falei ainda batendo.
— Só se parar de me bater. Sugeriu ele.
E então, parei.
Ele me soltou e eu nadei para a borda e fiquei olhando para trás e ele estava lá me olhando. Idiota!
— Que agarramento todo era aquele com o meu namorado? Perguntou a Natasha, com coisa que fui eu quem começou.
— Pergunte a ele, irmãzinha. Respondi saindo de perto dela.
Ela deu um salto de onde estava e me seguiu puxando o meu cabelo e dizendo:
— Eu quero saber de você!
— Por quê? Não confia nele? Sabe, se fosse eu não confiaria. Respondi tirando a mão dela do meu cabelo.
— Nele eu confio já em você... Disse ela.
— Eu o quê? Tadinha de você, tão iludida. Olha depois não me diga que eu não te avisei. — Falei e sussurrei — Ele não presta.
— Leo! Bradou ela fazendo todos pararem o que estavam fazendo e olharem para ela.
O Leo estava saindo da piscina e foi correndo até onde estávamos.
— O que foi Natasha? Perguntou ele.
— Quero ir para casa. Disse ela fazendo cara de manhosa.
— Mas já? Exclamei não acreditando no que estava ouvindo.
— Por que amor? Perguntou ele não entendendo nada.
— Porque eu cansei desse lugar brega e ridículo. Disse ela indo pegar sua bolsinha e celular.
— Ninguém merece... Murmurei de braços cruzados.
— Caraca, eu não quero ir embora não. Disse o Leo coçando a nuca.
— Eu também não, mas a “princesinha” quer né. Respondi indo até as minhas amigas chama-las para irmos embora.
— Mas já? Exclamaram as três juntas.
— Pois é. Que saco! Odeio isso. Falei soltando fogo pelas ventas.
— Amiga, você tem que dizer ao seu pai que não está dando e você não quer mais sair com eles... Se ele quer ter certeza de que eles dois não fazem nada demais é simples, diga a ele para contratar um segurança para vigiá-los, é bem mais simples e, seu pai tem grana para isso. Sugeriu a Luana.
— Gostei do conselho. É isso mesmo que vou fazer. Respondi empolgada.
Eu não via a hora de chegar à casa do meu pai e dar um basta naqueles passeios patéticos com a Natasha e o Leo. Assim que chegamos, fui até o escritório da casa, pois já sabia que ele estaria lá mesmo. Abri a porta, vi que havia alguém sentado na poltrona dele, pensei que era ele e falei:
— Pai, eu preciso conversar com o senhor.
A pessoa girou a poltrona, vi que era a Lívia e ela disse:
— O Marcos não está.
— Ah... Desculpe-me Lívia. Respondi muito sem graça.
— O que você queria com ele? Perguntou ela.
— Nada de mais, só queria conversar mesmo. Respondi.
— Tem certeza do que está dizendo, mocinha? Perguntou ela desconfiando de mim.
— Absoluta. Respondi abrindo a porta para sair.
— Ei, venha aqui Marina, eu preciso conversar com você. Disse ela.
Eu fiquei um pouco assustada, pois nunca tinha conversado com ela, até porque durante esses dois anos eu só ia até a casa do meu pai quando tinha certeza de que ele estava lá, mas por algum motivo ele saiu naquele fim de semana, o que eu achei estranho. Fui até ela e ela começou a dizer:
— Como vai a sua mãe?
— Ela está bem. Respondi meio desconfiada.
— Hum... Eu ainda não acredito que ela teve a coragem de enganar o Marcos dizendo que você é filha dele. Você não tem nada a ver com ele. Disse ela me olhando de cima a baixo.
— E eu não acredito que você me chamou aqui para isso. Respondi revirando os olhos e saindo dali.
— Ei, a nossa conversa ainda não terminou garota. Disse ela se levantando.
— É mesmo? Respondi batendo a porta na cara dela.
É ali descobri a quem a Natasha puxou. Ninguém merece, uma já era insuportável, agora duas é o cúmulo. Peguei o meu celular, liguei para casa e minha mãe atendeu dizendo:
— Oi filha.
— Oi mãe, tem como você vir me buscar? Pedi.
— O que houve? Você nunca vem tão cedo. Disse ela percebendo que havia algo errado.
— É que o passeio não foi muito bom e chegamos cedo, quer dizer... Foi bom, mas sempre tem alguém que estraga tudo. Respondi me sentando no sofá.
— Está bem, vou só dar almoço para a Amanda e já vou, me espere. Disse ela.
— Está bem, não demore mãe, por favor. Pedi.
— Tá bom, tchau filha. Disse ela desligando.
— Tchau mãe. Respondi desligando.
Meu pai chegou dizendo:
— Nina o que faz aqui? E o passeio filha?
— Oi pai... Eu fui ao passeio, mas alguém não gostou de lá, acho que tinha muitos mosquitos a mordendo lá. Respondi ironizando o motivo da “princesinha” não querer ficar no parque aquático.
— O quê? Mosquitos? Lá não tem isso, nem pode ter. Respondeu ele preocupado.
— Eu sei, eu estava zoando pai. E eu tenho que te contar uma coisa... Falei um pouco receosa do que ele poderia responder.
— Diga. Respondeu-me ele.
Eu respirei fundo e falei:
— É sobre esses passeios com a minha irmã e o Leo... Eu não quero mais sair com eles.
— Por que filha, o que aconteceu? Vocês sempre saíram tão bem, não é mesmo? Perguntou ele dizendo o que queria ouvir, porque ele sabia que não era nada assim.
— Aconteceu que eu cansei. Cansei de ter que ficar segurando vela dela, ficar andando com ela como se eu fosse irmã mais velha dela, de fingir que somos amigas, o que na verdade a gente não conseguiu fingir nesses dois anos, cansei. Não dá mais para mim. Respondi desabafando.
— Mas filha... Olha tudo bem que vocês duas não se dão bem, na verdade não é tudo bem, mas já que vocês não pretendem se entender tão cedo... Pelo menos tente fingir que tudo vai bem. Disse ele insistindo em algo que não rola, não deu e nem vai dar certo.
— Não pai, eu já fiz o que pude. Respondi.
— Está bem. Disse ele não gostando nem um pouco da minha decisão, mas teve que aceitar.
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