Caminhos Tortos

7 Capítulo 7 - A festa de 15 anos.


Um ano se passou e chegou o dia do meu aniversário de 15 anos. Eu não queria festa nem nada, até porque eu nunca gostei disso, mas minha mãe me convenceu a fazer porque ela não teve a oportunidade de ter e era um sonho dela, bem comum essa história, não é mesmo.

Estávamos no salão de beleza onde eu teria que passar o dia inteiro para me arrumar porque como minha mãe dizia “Este é o meu dia e eu tenho que ser a mais linda de todos naquela festa”. Ai, ai...

— Marina, você está ficando linda. Disse o cabelereiro que estava fazendo o meu penteado.

— É mesmo? Perguntei tentando mostrar um pouco de interesse naquilo, coisa que eu não tinha... Nem um pouco.

— E quem será o seu príncipe? Perguntou a manicure.

— Um garoto lá da minha escola, ele é o meu amigo. Respondi me referindo ao Luan.

— Ah! Respondeu ela.

— Na verdade eu queria que fosse o Leo não é, mas ela não quis. Disse minha mãe, totalmente sem noção.

— Mãe?! Será que você esqueceu que ele namora a minha irmã?! Fora de cogitação. Respondi.

— Mas você também queria que fosse ele, não minta para mim. Disse a minha colocando palavras na minha boca.

— Se você está dizendo... Respondi.

Depois de algumas horas estávamos prontas. Eu estava com um vestido longo verde piscina com cristais, com um handband prata e um salto prata. Ficamos um tempo esperando o meu pai André que estava terminando de se arrumar. Eu estava um pouco nervosa porque era um dia único, até porque todo mundo diz que “quinze anos a gente só faz uma vez na vida e esse dia se torna inesquecível”. Depois de alguns minutos meu pai chegou e então fomos até o carro. Assim como eu, todos estavam tensos para a festa, só a Amanda que estava tranquila brincando com a boneca que iria receber mesmo, até porque ela era a dama da minha festa.

Chegamos ao salão e eu fui até o camarim, porque o salão que meus pais alugaram tem toda essa coisa de esconder a aniversariante até que todos os convidados cheguem. Eu estava muito curiosa para saber quem realmente iria estar na minha festa. Assim que ligou a música eu percebi que já estavam chegando os convidados. Os fotógrafos foram até o camarim e me encheram de fotos e mais fotos, o que foi cansativo e entediante, até porque eu não sou muito chegada a essas coisas. Tive que fingir estar adorando aquilo e tirei fotos de todas as poses possíveis, até que me salvaram daquilo dizendo:

— Marina, está hora da sua entrada, os seus convidados chegaram.

— Tá bom, vamos. Respondi me levantando com empolgação e felicidade por me livrar daqueles flashes, mas o que eu não sabia era que eu iria passar toda a festa sendo seguida pelos fotógrafos.

Eu passei pelo tapete vermelho sendo o centro das atenções naquela noite, todos me aplaudiram e eu me senti miss Brasil. Todas as pessoas que eu mais amava e admirava estava lá, até as que eu não era lá muito chegada também, mas isso não vem ao caso. O importante é que eu me diverti bastante com meus amigos e primos, entre flashes e flashes curtimos bastante na pista de dança, apesar de não saber dançar, eu me mexi lá só por diversão mesmo. A festa foi rolando e eu ainda não tinha visto o Leo em lugar nenhum, achei estranho, mas fingi não ter notado. Tirei foto com todos os convidados e então chegou a hora do cerimonial, o que foi meio confuso porque eu tenho dois pais, então eu não sabia quem ia fazer o quê. Mas os dois fizeram cada um uma coisa, o que deu certo. O André trocou o meu salto por um par de Scarpin prata e o Marcos colocou um colar de pérolas em meu pescoço e disse:

— Este colar é de tradição da minha, ou melhor, nossa família. Todas as mulheres ao completarem 15 anos ficam com este colar e, como minha mãe só teve a mim ela deixou comigo para que eu desse a minha filha primogênita.

— Pai... É lindo. — Falei o abraçando — Muito obrigada.

— Que isso filha você merece. Disse ele sorrindo para mim.

Olhei para o meu pai André e vi que ele estava com um pouco de ciúmes, então o abracei e falei:

— Muito obrigada pai, eu amei o seu presente, é lindo. — Sussurrei em seu ouvido dizendo — Você é o melhor pai do mundo, eu te amo.

E então ele me deu um abraço mais apertado e disse:

— Eu também te amo filha.

Todos nos aplaudiram e então a Amanda entrou com um pequeno buquê de rosas vermelhas. Ela estava tão linda e fofa indo até mim que eu não contive a minha emoção e chorei. Assim que ela chegou, eu a abracei forte e falei:

— Você está linda.

E ela me respondeu:

— Tá, me dá a minha moneca. — O que ela queria dizer é que queria a boneca. Crianças...

Depois de um tempo o príncipe ia entrar, o Luan estava lindo demais com aquele buquê de rosas enormes e lindas vermelhas, tipo que, sei lá, ele estava muito diferente de terno. Assim que ele chegou perto de mim, ele se ajoelhou, deu um beijo em minha mão e entregou-me o buquê, me dando um abraço bem apertado em seguida. Eu fiquei meio balançada com aquele abraço, até porque foi meio diferente, sei lá... Acho que viajei um pouco. Depois fomos até a pista de dança e dançamos uma música que já havíamos ensaiado, ela era lenta e linda.

— Você está linda, ou melhor, isso você já é. Você está incrível. Sussurrou ele.

— Ah, para... Você está irreconhecível. Superou as expectativas. Respondi sorrindo para ele.

— E o que quer dizer com isso? Perguntou-me ele me girando.

— Que você está lindo, mais do que imaginei que estaria. Respondi dançando de acordo com a coreografia.

Ele me pegou no colo e me girou, todos ficaram aplaudindo e vibrando, pois é sempre emocionante mesmo, toda vez em que ele fez isso comigo eu senti um frio na barriga, mas foi por medo de ele me deixar cair, mas ele não deixou e nossa dança foi perfeita do início ao fim.

Assim que terminamos de dançar ele me abraçou forte e disse:

— Conseguimos!

— É... Conseguimos! Obrigada. Respondi.

Fui para perto das minhas amigas e elas ficaram comentando:

— Amiga... O que foi aquilo? O Luan está muito afim de você. Disse a Luana.

— Que nada menina, está louca? Nós dois somos amigos. Respondi.

— Isso é só para você não é?! Que ele te olha com outros olhos, estava mais que na cara que ele está na sua, desde quando ele te entregou o buquê. Disse a Bianca.

— Vocês estão viajando... Sério, já chega desse assunto. Respondi querendo não acreditar nelas, apesar de também ter percebido.

— Amiga, tem alguém no portão que quer muito falar com você. Disse a Thayane cheia de mistério.

— Quem? Perguntei.

— Isso você vai ter que ir lá para ver. Respondeu ela cheia de mistério.

— Hum. Tá. Respondi indo correndo até lá.

Assim que cheguei ao portão vi que era o Leo e fiquei muito sem graça, porque eu não imaginava que era ele.

— E aí. Disse ele.

— Oi. — Respondi meio tímida — O que faz aqui fora? A festa é lá dentro.

— É que eu estava meio cansado e sem clima de festas. Disse ele meio inquieto, parecia estar tão sem jeito quanto eu.

— E por que veio até aqui então? Perguntei.

— Porque eu tinha que te entregar isso. Disse ele me dando embrulho pequeno.

Confesso que fiquei surpresa, eu não esperava nem que ele viria ainda menos que ele me daria um presente.

— Ah... Obrigada. Respondi sorrindo ainda sem graça.

E ele me abraçou de um jeito engraçado, como se estivesse meio nervoso, assim como eu. Eu fechei os olhos e o abracei também. Eu fiquei sorrindo como boba, porque foi tudo tão inesperado e diferente de sempre que, eu não queria que aquilo mudasse não naquele momento, então fiquei calada sentindo o coração dele bater e batia tão forte que eu me assustei um pouco.

— Nina, está na hora do par... Leo?! Disse minha mãe chegando e interrompendo aquele momento.

Nós nos soltamos e eu fiquei muito constrangida, e acho que ele também, porque ele estava parecendo um tomate de tão vermelho.

— Vamos, entre com a gente Leo?! Pelo menos para cantar parabéns. Disse a minha mãe mostrando notar que ele não estava na festa.

— Ah... Eu não vou entrar não. É que a Natasha está aí e eu não avisei que viria, aí ia ficar chato, não é mesmo? Então... Eu vou indo. Disse ele colocando as mãos nos bolsos.

— Não antes de tirar pelo menos uma foto com a Nina. Disse a minha mãe querendo me constranger ainda mais.

— Mãe?! Exclamei.

— Esperem aqui, vou chamar o fotógrafo. Disse ela entrando.

— Não ligue para ela. Falei.

— Não... Tudo bem... Você está diferente hoje. Disse ele.

— Hã? Perguntei não entendendo.

— É, está mais bonitinha. Disse ele me caçoando.

— Ah... Vai se catar. Respondi dando um empurrão nele.

— Eu não podia ir embora sem mexer com você. Disse ele sorrindo para mim.

— Por quê? O que tem de tão divertido nisso? Perguntei.

— Que você se irrita e me dar confiança. Eu gosto muito disso. Confessou ele.

— Idiota... Murmurei revirando os olhos.

Minha mãe chegou com o fotógrafo e disse:

— Vai ali para a fachada que tem parede de vidro com água, a foto vai ficar linda.

— Tá. Respondi indo com ele.

Ele me abraçou, eu olhei para ele meio sem jeito e o fotógrafo disse:

— Olhem para mim.

Nós olhamos sorrindo e ele tirou a foto.

— Bom, acho que agora sim eu vou indo. Disse ele me soltando e colocando as mãos novamente no bolso.

— Tá. Tchau. Falei.

Ele me abraçou de novo, me deu um beijo tímido no rosto e sussurrou:

— Tchau Nanica.

Eu dei uma tapa no ombro dele e ele foi embora rindo para mim. Eu sorri para ele e minha mãe disse:

— Vamos?

— Vamos. Respondi segurando o vestido e entrando no salão.

Cantaram parabéns e fizeram aquela brincadeira idiota do “com quem será?”, o bolo foi distribuído e todos foram embora. Ao ver que o salão estava completamente vazio, ou melhor, só estávamos eu meus pais, a Amanda e o pessoal da equipe que trabalhava com o Buffet do salão. Então eu fui ver os meus presentes e peguei, logicamente, o do Leo primeiro pensando: “O que será que tem aqui dentro?” Assim que abri vi que era um cordão prata com cristais, muito lindo. Ao ver isso eu fiquei boquiaberta.

— Filha, vamos colocar as coisas no carro. Disse a minha mãe, vindo até mim carregando uma caixa.

— Tá, espere aí mãe. Pedi ainda olhando para o cordão não acreditando que foi ele que me deu.

— Que lindo o cordão filha — Disse minha mãe colocando a caixa no chão — Quem foi que te deu?

— Se eu te contar você não vai acreditar — Respondi rindo — Foi o Leo.

— Não brinca. É sério isso, filha? Que ótimo gosto para presentes o dele em. Disse ela sorrindo.

— É... Respondi meio lerda e perdida em meus pensamentos.

— Está bem, vamos parar com os flertes e colocar estes presentes numa caixa, ou melhor, em umas caixas. Disse minha mãe rindo e olhando impressionada para a quantidade de presentes que eu havia ganhando.