Caminhos Tortos

16 Capítulo 16 - Revanche!


Notas iniciais
Oii amores!! Espero que gostem como eu gostei desse capítulo, até porque eu me diverti muito escrevendo-o. Beijos e boa leitura :*

Depois que saí da sala do diretor, pude ver que havia muita gente ainda ali esperando para saber o que ia acontecer e eu estava com aquela camisa que me engolia e uma calça jeans meio larga também, me senti muito brega, mais tive que aguentar, pelo menos até a hora da saída, que não ia demorar a chegar. Ainda bem! Passei por todo mundo e fui até a sala. Assim que cheguei lá, minhas amigas me receberam dizendo:

— Caraca... Então é verdade.

— Taram! Falei sarcasticamente como quem está fazendo surpresa.

— Que vaca! Murmurou a Luana.

— Eu que o diga. Falei olhando para o outro lado.

— Pelo menos arrumaram isso aí para você. Disse a Bianca me olhando também não aprovando o meu “look”.

— Eu não vejo a hora de ir para casa. Aquela vaca me paga! Murmurei.

— O que você vai fazer? Perguntou a Thayane.

— Eu não sei ainda, mas ela vai pagar caro por ter me feito passar por isso hoje. Falei pensando em um bom plano para acabar com a reputação daquela ridícula.

Assim que o Leo me viu, veio correndo até mim, parecendo estar preocupado comigo e disse:

— Você está bem?

— Estou... Eu acho. Respondi não entendendo nada.

— Hum... O que foi que aconteceu? A galera da escola está tudo dizendo um monte de coisas nada a ver e eu não estou entendendo nada.

— A minha irmãzinha que decidiu fazer gracinha. Respondi rindo.

— Hum... E o que foi que ela fez? Perguntou ele.

— Jogou minhas roupas na piscina da escola. Respondi respirando fundo ao me lembrar da minha camisa da banda “Pink Floyd” boiando na piscina, tentando me conter.

— Que droga! Será que ela não sabe mesmo como trolar as pessoas como gente grande? Coisa mais infantil! Disse ele decepcionado pelo fato da brincadeira dela ser tão infantil.

— Nossa, eu achei que você fosse ficar preocupado comigo e você está preocupado com o grau de trolagem, é isso?! Perguntei não acreditando que ele poderia ser tão idiota.

— Ah, mas você está bem. Só essa roupa aí que está parecendo as da minha avó. Disse ele rindo muito de mim.

— Ridículo! Sai daqui garoto! Bradei o empurrando.

E ele saiu de perto de mim ainda rindo. Idiota! Depois disso o dia seguiu normalmente, parecia que todo mundo havia esquecido aquela idiotice. Enfim, consegui sair daquela escola e ir para casa planejar a minha vingança. Confesso que passei horas e horas pensando e pensando até que, pareceu que uma lâmpada se acendeu na minha cabeça e eu tive uma ideia perfeita. Mas para que esse meu plano desse certo, eu teria que ser muito esperta, não podia deixar que nada, nem ninguém estragassem isso. Eu estava tão surpresa com a minha genialidade que estava feliz da vida, só imaginando a realização do meu plano. O meu celular tocou e eu o peguei e atendi.

— Oi amiga, eu sei que não é nada legal eu te ligar para isso, mas você tem o direito de ver isso, então vai lá ao site Youtube, no canal da escola e veja você mesma o que fizeram com você. Disse a Luana.

— Hã? Espere aí, vou ligar o computador. Respondi o ligando rapidamente, louca para saber o que estava rolando.

Assim que abri o canal, o primeiro vídeo que apareceu foi o que me gravaram de toalha correndo pela escola desesperada e depois falando com a Natasha. Depois escreveram:

“A santinha resolveu dar umas voltinhas na escola seminua.”

Eu fiquei chocada ao ver aquilo e desci para ver os comentários, quando li fiquei mais boquiaberta ainda.

“Eu sabia que essa garota não prestava, tem que ser muito vadia.”

“Bem feito, ridícula, eu nunca fui com a cara dessa garota.”

“O mico perfeito.”

Eu fiquei fervendo de ódio, fiquei com tanto ódio que os meus olhos se encheram de lágrimas, mas eu me segurei para não chorar. Coisa mais idiota cara, já estava virando bullying. Mas eu ia reverter àquela situação, ou pelo menos fazê-los se esquecerem de mim e focarem nada autora de minha vergonha.

— Nina, você já viu? Perguntou a Luana ainda no celular.

— Eu... Eu vi. A Natasha vai me pagar e vai ser amanhã, mas para isso eu vou precisar de sua ajuda. Falei tentando mostrar que eu não havia me abalado com nada.

— Tá mas... Eu não quero ser suspensa e a Natasha está suspensa, como você vai fazer isso? Perguntou ela.

— Amanhã eu não irei para a escola, mas depois de amanhã ela e as suas amiguinhas estarão liberadas da suspensão e eu colocarei o plano em ação. Falei.

— Tá, mas me explica aqui, como será esse plano? Perguntou ela.

E então eu contei tudo nos mínimos detalhes e falei seria muito importante que ela, Bianca e a Thayane me ajudassem nessa, porque eu sei que sozinha eu não iria conseguir fazer isso, mas com a ajuda delas tudo daria certo e ela disse que me ajudaria. Depois nós conversamos mais um pouco e eu desliguei, ligando em seguida para a Thay e para a Bianca para que elas também me apoiassem nessa e elas toparam. Perfeito!

— Nina! Visita para você. Exclamou minha mãe.

— Saco! Quem será agora? Murmurei saindo do quarto e descendo as escadas.

Quando vi quem era, dei a meia volta e subi as escadas.

— Ah, qual é Nina, eu preciso falar com você. Disse o Leo.

— Acontece que eu não quero falar com você! Exclamei no topo da escada, encostada a parede.

— Para de palhaçada, é sério! Se não descer, eu vou aí. Ameaçou ele.

— Tenta! Respondi o desafiando.

Ele subiu as escadas e eu corri para o meu quarto, batendo a porta na cara dele. Ele ficou batendo na porta e dizendo:

— Qual é Nina, abre aí.

— Eu falei que não quero falar com você, será que você não entendeu? Respondi o questionando.

— Mas eu quero falar com você. Disse ele.

— Vai ficar querendo. Vai embora. Falei trancando a porta e indo até minha cama e me jogando de costas.

— Você vai ver só. Disse ele me ameaçando.

— Ai que medo! Respondi sendo irônica.

Eu fiquei esperando ele me responder, mas ele não falou mais nada, então, concluí que ele havia ido embora. Já não era tempo, né... Eu acho. Quando eu menos esperei, lá estava ele na sacada do meu quarto entrando e vindo até mim.

— Fala sério. Murmurei.

— Eu vim falar sério com você. Disse ele.

— Como se você soubesse falar sério com alguém. Falei me sentando na cama e cruzando os braços.

— Eu não estou a fim de discutir agora não, é sério poxa. Eu estou falando sério, estou muito preocupado com você. Confessou ele parecendo ser sincero.

— Como se isso fosse verdade. Respondi olhando para o lado.

— Já chega, Nina! Me leve a sério caramba! Eu vim aqui porque eu sei o que fizeram e estão fazendo com você na internet, poxa! Eu sei que isso não é nada bom, eu vim aqui só para tentar te consolar e é assim que você me recebe? Poxa, eu só estou tentando ser um pouco maduro com você, tenta me levar a sério, pelo menos dessa vez! Exclamou ele parecendo estar nervoso.

Eu respirei fundo, me levantei da cama e fui até ele dizendo:

— Me desculpe, mas eu... Eu estou nervosa com essa história toda e não é fácil lidar com isso. Você também não é assim, eu achei que você tivesse vindo aqui só para caçoar de mim.

— É claro que não, Nina. Eu já falei que eu quero mudar, pelo menos tentar te consolar uma vez na vida. Disse ele me olhando.

— Tá... E como você vai fazer isso? Perguntei o encarando.

— Eu não sei... Deixe-me tentar. Disse ele se aproximando cada vez mais de mim.

Eu fiquei parada esperando que ele viesse e fizesse o que achava que deveria ser feito. Ele pegou com uma mão em meu rosto e se aproximou lentamente para me beijar, eu peguei no braço dele e fechei os meus olhos esperando que os lábios dele tocassem aos meus. Mas antes que ele me beijasse, eu falei:

— Então é assim que você quer me consolar?!

— É... Acho que só assim eu consigo de fazer se esquecer de tudo. Respondeu ele me beijando em seguida.

O beijo começou lento e suave e foi acelerando aos poucos. Ele foi me conduzindo para trás, me fez ficar contra a parede e nós ficamos ali, ele pôs as mãos em minha cintura me levando para cima, eu cruzei minhas pernas na cintura dele e nós continuamos a nos beijar. Ele ficou girando comigo em seus braços e nos conduziu até a cama, me deitando sobre ela. Eu não estava nem ligando mais para nada... Ou melhor, quase nada. Porque eu não sabia se aquele era realmente o momento. Então eu parei o beijo e ele ficou me olhando com cara de assustado e nós dois ficamos suspirando.

— Me desculpe, mas eu não posso. Não agora. Falei ainda deitada olhando para ele, em cima de mim.

Ele saiu de cima de mim e disse:

— Não... Tudo bem, eu é que fiz besteira... Desculpe-me.

— Não... Tudo bem. Respondi me levantando e me ajeitando.

— Eu só quero que você saiba que eu não sou disso... É que eu... Eu sei lá, me empolguei. Disse ele sentando de costas para mim.

Eu o abracei, mesmo ele estando de costas para mim e falei:

— Leo, não se preocupe com isso. Tudo bem, isso é normal... Eu acho.

Ele respirou fundo e disse:

— Acho que está na minha hora de ir.

— Você tem certeza? Perguntei querendo que ele ficasse.

— Tenho. Vou te deixar em paz. Disse ele se levantando, me dando um beijo na testa e indo até a sacada.

Eu fiquei ali só olhando ele ir embora. Assim que ele desceu, eu me deitei na cama e suspirei com as mãos na boca dizendo:

— Uau!

Eu fiquei tão surpresa com aquilo tudo que acabei me esquecendo dos meus problemas, mas não por muito tempo. As horas foram se passando até que chegou a hora de dormir.

No dia seguinte, eu não fui para a escola como eu havia combinado com as minhas amigas e elas foram até a minha casa, nós conversamos para acertarmos bem como iríamos agir e também não deixamos de nos divertirmos entre si, assistindo filmes, videoclipes dançando como loucas e comendo várias guloseimas como costumamos fazer sempre que nos reunimos. Depois de tudo, eu criei coragem e comecei a dizer:

— Meninas, eu tenho que contar algo para vocês, mas vocês terão que me prometer que não irão contar isso para ninguém... Nunca!

— Prometemos. Disseram as três juntas.

— O que você esconde de tão secreto amiga? Perguntou a Bianca.

Eu me aproximei mais de elas e comecei a sussurrar, dizendo:

— Ontem eu e o Leo estávamos aqui no meu quarto, sozinhos e quase que a gente...

As três ficaram espantadas e a Thay disse:

— Eu não acredito! Sério que vocês...

— Não! Mas... Quase. Respondi me sentindo meio constrangida.

— Quem diria em... Caçoou a Luana.

— Ah gente, isso é normal. Vão me dizer que quando vocês ficam sozinhas num quarto com o namorado de vocês, nunca rolou nada, ao menos um quase?! Disse a Bianca.

— Você diz isso com tanta naturalidade que parece não ser mais virgem. Disse a Luana.

— E se eu te disser que não sou mais?! Disse a Bianca com uma das sobrancelhas erguida.

— O quê?! Exclamamos nós três juntas.

— Hã? Gente, eu não vejo problema algum nisso. Hello?! Já estamos no século XXI, tudo bem que isso não justifica o meu ato, mas e daí? Eu fiz por livre e espontânea vontade com quem eu amo e é isso o que importa. Disse ela, nisso eu até que concordei com ela.

Daí aquele debate rendeu, mas pelo menos não gerou discórdia, nem morte... Ainda bem. Depois disso, minha mãe foi ao meu quarto nos chamar para o jantar e nós fomos. Jantamos, elas dormiram na minha casa e no dia seguinte fomos para a escola.

Eu estava mais que ansiosa para que esse dia tão esperado chegasse logo. Assim que cheguei à escola, é claro, muita gente ainda ficou me olhando de rabo de olho e comentando sobre mim, mas como eu sabia que seria por pouco tempo, nem dei muita confiança. Assim que cheguei à sala, vi que estava meio vazia, pois todo mundo sempre chegava e quando via que o professor ainda não estava na sala, saía para dar umas voltas pelo pátio da escola... Coisas de estudantes. Eu procurei a bolsa da Natasha disfarçando, pois os nerds da turma estavam na sala e todo nerd é língua solta, se eles me vissem, eu estaria perdida e muito ferrada. Assim que achei, fiz um sinal para a Luana que disse:

— Galera, vocês estão sabendo da exposição de jogos e livros que está tendo na biblioteca hoje? É muito show!

— Como eu não fiquei sabendo disso? Perguntou o chato do Otávio, que era o garoto mais nerd de todos que eu já conheci... Ah, e chato também.

— É que eu conversei com a bibliotecária ontem e ela disse que essa exposição seria exclusiva e teria sorteios para os alunos mais inteligentes da escola. Insistiu ela.

Cara, quando a Luana queria, ela conseguia ser convincente. Todos... Digo, todos os nerds de nossa sala saíram correndo da sala, então eu aproveitei para ir até a bolsa da Natasha. A Thayane ficou na porta vendo se o professor estava vindo e a Bianca ficou tentando segurar o professor na sala dos professores. Eu só tinha que trocar o remédio dela de cólica, com um de má digestão e tudo daria certo. E então eu fiz tudo certo e bem rápido. Coloquei a bolsa dela no lugar e corri para a minha mesa. Peguei o meu celular e mandei uma mensagem para a Bianca para que ela pudesse liberar o professor, os nerds chegaram à sala bufando de raiva por terem sido enganados pela Luana e o restante do pessoal chegou correndo na sala após o professor ter entrado. Eu só troquei o remédio porque sabia que ela só levava o remédio para a escola quando realmente precisava. E outra, ela só saía da sala e ficava um bom tempo fora nesses dias. Ela e suas amigas foram últimas a entrarem na sala e foram para os seus lugares. Eu fiquei me segurando para não rir e peguei o meu material tentando disfarçar. Eu estava mais que ansiosa para que ela tomasse logo aquela droga de remédio, mas parecia que ela sabia e nunca tomava o que estava me revoltando. O remédio que coloquei dentro da bolsa dela é daqueles, tiro e queda, ou seja, a reação dele era instantânea. Assim que a pessoa ingere, é aconselhável que já esteja no banheiro, diz a bula. Ela enrolou e enrolou até que pegou sua garrafinha rosa, abriu sua bolsa pegando um comprimido e o ingeriu, bebendo a água em seguida. Eu contei no relógio e em questão de segundos ela fez uma cara nada boa, pondo uma das mãos na barriga e levantando desesperada querendo correr.

— Onde está indo mocinha? Perguntou o professor.

Assim que ela parou para tentar responder a professora, começou a ter uma crise de flatulência, o que fez todos os que estavam na sala começarem a rir, inclusive as amigas dela. Ela ficou mudando de cor de tão constrangida que ficou e a professora disse tapando as narinas:

— Não importa mais. Vá logo ao banheiro!

E ela saiu correndo, morrendo de ódio. Eu não me contive e ri para valer. O gostinho da vingança foi muito delicioso e eu não conseguia parar de apreciá-lo. Minhas amigas e eu ficamos rindo entre si e sussurrando uma com a outra:

— Conseguimos.

— Gente, já chega! Vamos logo focar na aula, que essa matéria é de prova. Disse o professor.

E todos nós ficamos nos segurando ao máximo para não rir. Depois de um tempo o sinal tocou e todos nós alunos fomos correndo até a porta do banheiro para saber se ela já havia saído de lá... Mas pelo que vi quando cheguei lá, acho que não. Não foi nada mais que justo, pois a princesinha estava em seu precioso trono, acho que fui até boazinha com ela. A fofoca se espalhou pela escola e todo mundo ficou na porta do banheiro feminino esperando a “saída triunfal” dela. Muitos estavam com seus celulares, trocando mensagens e esperando ela sair para tirar fotos. Ou seja, nada é tão bom que não possa melhorar.

— Eu posso saber o que está acontecendo aqui? Disse o inspetor esperando que fosse uma briga ou algo do tipo.

Todos começaram a falar juntos e ele pediu que uma garota que estava perto dele explicasse e ela falou tudo. Pena que ele pediu que todos se afastassem e, provavelmente foi até a sala do diretor para tentar resolver o problema da Natasha. Ah, eles não podiam esperar um pouquinho? Estava divertido.

— Amiga, acho melhor a gente dar um fora, antes que eles nos peguem aqui, com certeza ela desconfia que você tenha a ver com isso. Disse a Thayane tendo toda a razão.

— Está bem, vamos. Falei saindo do meio do pessoal e indo para a sala como se não tivesse nada a ver com isso.

O tempo foi passando, fomos liberados e assim que cheguei a casa, corri para o computador, louca para acessar ao canal da escola e ver o que foi falado sobre hoje. Assim que abri, lá estava o vídeo da Natasha correndo para o banheiro em seu ataque de flatulência, mas espere... Como sabiam que ela estava passando mal? Enfim, eu assisti a todos os vídeos que fizeram e postaram, não só no canal, como em todas as redes sociais que todos os alunos daquela escola tinham acesso. Eu ri até não aguentar mais dela, foi hilário, amei a sensação.

Notas finais
E aí, o que acharam? Gostaram? Que tal comentar? Beijos e até o próximo capítulo :* *---*