Caminhos Tortos
10 Capítulo 10 - Ele está solteiro!
Notas iniciais
No dia seguinte, fui para a escola e tudo estava normal... Pelo menos até a hora em que eu cheguei ao corredor da minha sala e vi a Natasha e o Leo discutindo feio. Tudo bem que eles viviam discutindo desde quando começaram a namorar, mas desta vez foi meio assustador. Eu nunca o vi gritar com ela, mas ela eu já estava cansada de ver agir assim tanto com ele, quanto com qualquer pessoa que a contrariasse. Eu me escondi atrás de uma parede que tinha na curva e fiquei só assistindo tudo de longe.
— O que você queria que eu fizesse? Que eu matasse a minha aula, última aula antes da apresentação no teatro municipal para ir para a sua festa de boas vindas?! Poupe-me Leo. Festa mais desnecessária. Disse ela cruzando os braços e revirando os olhos.
— Então você não sentiu a minha falta? Eu fiquei três meses fora e é assim que você me recebe? Dizendo que o meu retorno é desnecessário?! Exclamou ele indignado.
— Não Leo, eu não falei isso. Eu só falei que não tem necessidade de fazer “festinhas” só porque você voltou de viagem, só isso. Berrou ela.
— Pelo menos quem realmente gosta de mim comemorou o meu retorno, enquanto você não me ligou desde o mês retrasado para dizer ao menos “bom dia cachorro” ou qualquer coisa que fosse. Você pensa que eu não me importei com isso? Ou melhor, nas vezes em que eu te liguei e você ignorou, ou até mesmo desligou o telefone na minha cara, você acha que eu não liguei? — Exclamou ele bufando de raiva — Saiba que eu me importei.
— Fala mais baixo, por favor... Pediu ela olhando para os lados.
— O que Natasha? Eu não entendi? Você quer que eu fale mais baixo? É isso? Berrou o Leo mostrando não estar nem aí para o que as pessoas pensavam dele, inclusive para a opinião dela.
— Você é um idiota! Bradou ela.
— É mesmo? Legal. Disso eu já sei. E sabe do que mais eu já sei? Que tudo o que rolou entre nós está acabado. Disse ele indo embora e a deixando lá com cara de choro.
— Não... Leo! Espere aí. Não seja tão radical... Eu... Eu gosto de você! Não me deixe aqui falando sozinha, vai. Pediu ela com as lágrimas rolando em seu rosto.
Falsa! Ela não gostava nada dele, mentirosa. Ou ela pensa que eu não lembro que a vi de agarramento com outro garoto o prometendo que ia terminar com o Leo?! Poupe-me.
— Não estou nem aí! E sabe no fundo você também não está. Exclamou ele vindo até a curva onde eu estava.
Eu tentei correr e fingir que não estava vendo tudo, mas ele me viu e disse:
— Nina?! O que faz aqui?
— Droga — Murmurei — Hã?! Ah... Eu... Eu estava...
— Assistindo a toda a conversa? Você pode falar, eu sei disso. Não precisa mentir. Disse ele notando que eu estava ali há um bom tempo.
Eu estava meio nervosa, até porque não é nada legal você ser pega vigiando a vida dos outros e então tentei responder:
— Me desculpe, é que... Eu estava indo para a sala, aí vi que vocês estavam lá e eu não quis interromper vocês.
— Hum... E foi bom o show? Perguntou ele sendo sarcástico.
— Foi aplausível, pena que me esqueci da pipoca. Respondi sendo irônica, eu acho.
Ele riu e disse:
— A gente se ver por aí.
— Tá. Respondi aliviada por ele não querer dar uma bronca em mim ou sei lá.
Fui até a sala meio que não acreditando naquele acontecimento, porque eles já estão juntos há muito tempo e, sei lá. Sentei no meu lugar e a Thayane virou-se para mim e disse:
— E aí, o que está rolando?
— Hã? Respondi não entendendo o que ela queria dizer com isso.
— Por que você está com cara de que viu uma assombração ou algo do tipo? Perguntou ela.
— Ah... É quase isso, foi uma coisa muito improvável que aconteceu, ou melhor, inacreditável. O Leo e a Natasha estavam brigando aqui e eu acho que eles terminaram. Sussurrei olhando para os lados, não querendo que ninguém além dela ouvisse.
— Jura?! Caraca! Respondeu ela boquiaberta.
— Shiiiu!
— Foi mal. Gente, que babado. Estou sem palavras. Mas por quê? Perguntou ela.
E aí eu contei toda a história. Depois disso o professor entrou na sala já dizendo “bom dia” e indo até o quadro enchê-lo de deveres, que saco. Algumas pessoas foram chegando atrasadas, mas o Leo mesmo nem deu sinal de existência desde a última vez que o vi, o que me deixou meio preocupada pensando onde ele poderia estar e o que estaria fazendo.
— Então Marina, nos responda. Disse o professor.
— Hã? Responder o quê? Perguntei não entendendo nada, até porque só o meu corpo que estava na sala, já o pensamento, estava mais que distante.
Todos ficaram rindo de mim e o professor disse:
— Bem que eu desconfiei que você estivesse voando mesmo, mas mantenha os pés no chão, mocinha, porque as suas notas dependem disso.
— Está bem, me desculpe professor. Respondi me sentindo constrangida.
— Tudo bem. Respondeu ele sorrindo para mim.
Ele se virou para o quadro e disse:
— Continuando a aula...
O tempo passou e assim que tocou o sinal do intervalo, eu não quis nem saber de comer nem nada, eu queria ver como o Leo estava. Eu saí da sala sem falar nada com as minhas amigas e fui atrás do Leo, ou melhor, ver onde ele estava. Eu fui a vários lugares, mas não o encontrei em lugar algum, o último lugar onde pensei em ir era onde ele estava na arquibancada da quadra. Ele estava sentado com os pés no mesmo banco onde estava sentado, ouvindo música de olhos fechados. Quando fui chegando mais próxima dele, percebi que estava muito alto e era rock, dos clássicos. Eu fui até ele, sentei ao seu lado, tirei um fone do ouvido dele, coloquei no meu e vi que era a música Don’t Cry da banda Guns N’ Roses. Eu comecei a cantar baixinho, ele olhou para mim e começou a cantar junto. Eu comecei a rir dele, porque tá, o meu inglês era horrível, mas o dele superava o meu, era muito pior.
— O que foi? Perguntou ele.
— Você tentando cantar inglês, parece estar cantando árabe. Respondi ainda rindo.
— Ha! Ha! Ha! Muito engraçado... Com coisa que você sabe cantar em inglês. Disse ele tirando o fone do meu ouvido.
— Melhor que você, com certeza. Respondi parando de rir.
— Hum. Por que veio atrás de mim? Sentiu falta é? Perguntou ele caçoando de mim.
— É claro que não — Menti — Eu só estava passando ali na porta, ouvi o som da sua música, que está absurdamente alta e resolvi vir ouvir, porque ela é muito boa, porém você vai ficar surdo se continuar a ouvir músicas desse jeito.
— Agora resolveu dar uma de minha mãe e pegar no meu pé?! É isso? Perguntou ele se levantando e saindo de perto de mim.
— Não Leo... Eu não falei com essa intenção... — Tentei me explicar — Me desculpe.
Ele parou, ainda de costas para mim e disse:
— Tá, que seja.
— O quê?! Eu te peço desculpas e você diz “que seja”? Depois dessa eu nunca mais deveria olhar na sua cara. Eu vou embora daqui, porque eu acho que isso que você tem é doença e tem risco de ser contagioso. Falei irritadíssima me levantando e indo embora pisando duro.
— É você tem razão, sabe por quê? Porque eu peguei “essa doença” de você! Exclamou ele.
Eu parei não acreditando que ele teve a coragem de dizer isso para mim, garoto mais idiota e desprezível.
— Seu idiota! Eu te odeio! Bradei andando ainda mais rápido.
— É mesmo? Conte-me alguma novidade. Disse ele com ar de deboche.
Eu revirei os olhos e sai dali sem olhar para trás. Assim que cheguei ao refeitório, vi que minhas amigas estavam sentadas juntas no mesmo lugar de costume, peguei a minha bandeja e fui até elas ainda bufando de raiva e me sentei sem dizer uma palavra. Elas me estranharam logo de cara e a Bianca já foi dizendo:
— O que houve Nina?
— É, onde foi que você se meteu? Perguntou a Luana.
— Ah... Eu fui fazer uma idiotice por aí, mas já é normal eu fazer isso, então... Respondi remexendo a comida sem, ao menos, coloca-la na boca.
— O Leo tem a ver com essa sua idiotice? Perguntou a Luana.
— Hã?! É... — Respondi sem saber o que dizer — Vamos mudar de assunto?
— Não, você vai responder isso antes para a gente. Disse a Thayane me tirando a esperança de qualquer escapatória.
— Esperem então, porque eu vou comer. Respondi enchendo a minha boca de comida em seguida.
— Engraçado, você nem parecia estar com fome. Disse a Bianca.
— Legal, agora vocês vão ficar me interrogando, é isso? Perguntei indignada.
— Não Nina a gente só quer saber por que você sumiu? Aonde foi? E por que está com esse bico deste tamanho? Perguntou a Thayane me olhando muito preocupada.
— Tá — Eu me abaixei, pedi que elas chegassem mais perto e falei — Está bem, eu fui atrás do Leo e a gente brigou.
— De novo?! Normal. Disse a Luana com cara de tédio.
— O quê? Eu nunca andei atrás dele. Respondi.
— Mas vocês dois vivem brigando. Completou a Bianca.
Eu fiquei pensando um pouco e comecei a tagarelar:
— É... Nisso vocês têm razão. Que saco! Ele sempre consegue arrumar um jeito de me fazer brigar com ele. Ontem mesmo ele...
E parei de falar, percebendo que ia acabar contando sobre o beijo.
— Ele?! Perguntaram elas três juntas.
— Por que eu sempre tenho que falar além do que devo? Perguntei-me, me sentindo estúpida.
— Vamos Nina, conta logo. Disse a Luana.
— Tá. Ontem, na festa a gente brigou e depois da briga... Nós... Damos uns amasses. Respondi morrendo de vergonha.
— Nina! Exclamaram as três juntas.
— Tá, eu já sei o que vocês vão falar, mas gente a culpa não foi minha, nem dele. Foi o momento, coisa de momento sabe... Eu não sei explicar, só sei que foi sem querer. Respondi muito constrangida.
— Tá, mas mesmo assim Nina, você sabe que ele namora a sua irmã, você poderia muito bem ter impedido ele. Disse a Bianca.
— Você diz isso porque não foi com você. Queria ver se você estivesse no meu lugar... Eu vou contar detalhadamente tudo o que aconteceu quem sabe assim vocês vão me entender... E comecei a contar tudo.
O semblante delas foi mudando de preocupação e indignação, foi para compreensão.
— Tudo bem, se foi assim. Mas não é bom você ficar andando atrás dele, pelo menos não por enquanto. Disse a Thayane.
— É, deixe o tempo passar um pouco, só para ter certeza de que eles realmente terminaram e que ele está livre para você. Disse a Luana.
— Obrigada meninas, eu sabia que podia contar com vocês. Abraço em grupo. Pedi as chamando com as mãos.
E nos abraçamos todas juntas.
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