Caminhos Tortos
11 Capítulo 11 - Garoto idiota!
Notas iniciais
Os dias foram passando e tudo indicava que realmente não rolava mais nada entre eles dois, nos fins de semana que eu ia passar na casa do meu pai, a Natasha sempre estava grudada no celular trocando mensagens com outro garoto, que eu desconfiava ser o que vi com ela de agarramento naquele dia, mas sei lá né. Apesar de morar ao lado da casa dele e sempre me esbarrar com ele por onde passava na escola, eu não falava com ele, até porque eu ainda estava chateada com ele pelo o que ele me disse, mas eu não parava de pensar nele do mesmo jeito, que saco! Um dia a professora de literatura pediu que a nossa turma fosse até a biblioteca escolher um livro e fazer um resumo dele todo e podia ser qualquer livro que nós quiséssemos, que maravilhoso! Eu fui muito empolgada e feliz junto com as minhas amigas, que erámos viciadas em livros, apesar de termos gostos literários diferentes.
Fomos cada uma para um corredor diferente da biblioteca, que era enorme e tinha uma variedade incrível de livros, o que me admirava naquela escola. Eu estava andando e escolhendo o melhor para uma leitura incessante. Quando estiquei o meu braço para pegar o livro, havia alguém do outro lado puxando o mesmo livro. Quando vi quem era, fiquei muito surpresa e espantada que até exclamei:
— Leo?! O que faz aqui?
— Ah... Eu?! Disse ele todo sem jeito.
— É... Você! Falei insistindo no assunto.
— Eu vim pegar este livro, porque me falaram que ele é muito bom... Disse ele olhando para outro lado.
— Até hoje você não consegue mentir para mim, Leo. Você o garoto mais preguiçoso que conheço para essas coisas, como do nada vai despertar um desejo por leitura em você?! Ainda mais romance. Poupe-me! Falei querendo explicações.
— Tá, eu queria falar com você... Você me desculpa por aquele dia que eu te insultei? Perguntou ele ainda segurando o livro.
— Só se você soltar este livro, que é o que eu quero fazer o meu resumo. Respondi brincando e rindo um pouco.
Ele riu e disse:
— Está bem, foi mal — E o soltou — Eu não tenho saco mesmo de ler livros, coisa mais sem graça. “Oh Romeu!” “Oh Julieta!” Fala sério — Exclamou ele fazendo gestos e me fazendo ter um ataque de risos.
— Para! Pedi não conseguindo parar de rir.
— Tá bom... Já parei — Disse ele rindo de mim — Falando sério agora, onde tem livros maneiros? Gibis talvez?
— Você quer mesmo a minha companhia?! Perguntei notando que ele não estava nem aí para os livros.
— Tanto faz... Quer dizer, desculpa. É... Tá... Ajude-me aí, vai?! Pediu ele fazendo cara de cachorro que caiu da mudança.
— Está bem — Respondi fazendo cara de tédio — Vem que eu vou te levar lá.
E fomos até o corredor que só tinha livros de ficção científica e gibis de todos os tipos de heróis possíveis. O Leo ficou todo empolgado e não sabia por onde começar parecia um garotinho de 10 anos, sendo que ele já tinha 16, mas acho que os garotos amadurecem mais tarde, só acho.
— Caraca! Tem Lanterna Verde, Capitão América... Homem de Ferro! É esse. Disse ele pegando o gibi como se fosse uma das coisas mais preciosas que ele já pegou na vida.
Eu fiquei de braços cruzados e revirando os olhos, mostrando estar com tédio daquilo.
— Já que acabou e encontrou o seu “precioso”, eu vou lá assinar o meu nome na lista. Falei indo até a bibliotecária.
— Me espere, eu vou com você. Disse ele correndo atrás de mim.
— Fala sério! Murmurei.
— O que disse? Perguntou ele.
— Nada não. Respondi com um sorriso sínico.
— Hum. Sei. Disse ele me olhando com um olhar desconfiado.
— Para. Pedi.
— O que eu estou fazendo agora? Perguntou ele.
— Duvidando de mim. Que saco! Falei indo na frente e pisando duro.
— Eu em garota. O que deu em você? Perguntou ele assustado comigo.
— Nada Leo, não deu nada, nada além de uma grande vontade de ficar longe de você — Falei, confesso que nem eu entendi por que, eu parei e pedi — Por favor, você pode respeitar isso?
— Tá bom... Disse ele parando no meio do caminho.
— Obrigada. Agradeci indo embora o mais rápido possível de perto dele.
Cheguei ao balcão onde a bibliotecária fez a minha ficha e me entregou o livro dizendo:
— Tenha uma ótima leitura, este livro é sensacional.
— Obrigada. Respondi sorrindo.
— Sério? Ele parece ser um saco. Disse o Leo atrás de mim.
— Eu não acredito. Murmurei.
— Como ousa dizer isso menino? Perguntou a professora.
— Ah professora, eu só estou dizendo a verdade — Disse ele pegando o livro da minha mão e lendo a resenha em seguida — Esta é a história de um casal de apaixonados que viveram um amor impossível e blá, blá, blá...
— Eu... Vou... Te... Machucar garoto! Falei aumentando gradativamente a voz e partindo com tudo para cima dele, o enchendo de tapas e socos.
Ele tentou me segurar por um tempo, até que conseguiu e disse:
— Tá maluca?!
— O quê? Me solta garoto! Eu odeio você! Exclamei tentando me soltar.
— Eu não acredito que depois de anos vocês continuam com essa criancice. Exclamou a professora, pois ela foi nossa professora de português na 4ª série e conhecia o nosso histórico de brigas.
— Mas foi ele quem começou! Exclamei.
— Mentira, foi ela! Exclamou ele.
— Se vocês não se soltarem agora, vamos relembrar os “bons tempos” fazendo uma visitinha ao diretor. Disse ela nos ameaçando.
Nós nos soltamos, eu peguei o meu livro das mãos dele e sai da biblioteca pisando duro de raiva.
Por mais que eu quisesse, ou melhor, que nós dois quiséssemos tentar ficar bem, sem brigas, não dava, porque a gente sempre acabava brigando de um jeito e isso me deixava muito mal, porque eu não queria que fosse assim.
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