Caminhos Pecaminosos
2 Vaidade
Notas iniciais
Ino ia praticamente todo dia ao supermercado. Não que ela precisasse ir todo dia lá, mas ela gostava do ambiente. Nem sempre ela comprava alguma coisa, mas observava as pessoas e reunia material para o livro que estava escrevendo.
Ino gostava também de cheirar os xampus da seção de higiene pessoal, pois dizia que a inspirava e ás vezes comprava alguma novidade em cosméticos.
Em uma tarde em que ela se sentia particularmente "bloqueada" com relação ao seu livro, Ino foi ao supermercado para espairecer a cabeça.
Chegando lá, ela decidiu que iria, como sempre, na seção de higiene pessoal. A garota pegou um pote de creme pra pele que lhe pareceu interessante por ter uma embalagem bonita. Quando Ino ia abrir o pote para cheirar, este escorregou da sua mão e rolou para baixo da prateleira.
Ino olhou para os lados para ver se não vinha ninguém e, constatando que o corredor estava vazio, se abaixou para pegar o creme. Mas não tinha nada embaixo da prateleira.
–Bela calcinha.
Ino se assustou e levantou-se rápido, puxando a calça pra cima. À sua frente estava o homem mais lindo que Ino havia visto. Um cara alto, cabelos ruivos espetados com gel e olhos verde-água.
–Acho que isso é seu. – ele disse, com a voz fria, estendendo a mão com o pote de creme para Ino – Rolou até o outro corredor.
Ino teve que manter o controle para não deixar o queixo cair, mas corou ao receber o pote da mão dele. Além de lindo ele tinha aquela voz fria e sexy. Ele parecia um personagem que tinha saltado das páginas de um livro de Jane Austen e estava na frente dela, falando com ela.
Ino se perguntou como seria o nome daquele deus grego que deveria ter caído do Olimpo, mas teve vergonha de perguntar.
–O-obrigada.
Ele não respondeu, somente se virou e saiu andando, sem dizer mais nada.
–Ei! Qual o seu nome? – Ino tomou coragem para perguntar, quando ele já se afastava.
Mas mesmo assim o "Sr. Gostoso", como Ino resolvera batizá-lo, não respondeu, apenas a ignorou.
–É uma pena que eu nunca mais vá vê-lo. – Ino suspirou.
–
–
Alguns dias depois, Ino terminou de tomar banho em seu apartamento e percebeu que seu hidratante de morango preferido havia acabado.
Ela simplesmente não podia sair para o barzinho com suas amigas sem passar seu hidratante favorito.
Ino vestiu um vestido soltinho florido e passou uma maquiagem básica, afinal, ela não poderia sair sem pelo menos um batom. Ela saiu para o supermercado, que era a um quarteirão do seu prédio.
Lá, ela foi direto à seção de cosméticos. E qual não foi sua surpresa ao deparar-se com uma figura ruiva de costas para onde Ino estava.
A loira foi chegando em silêncio e percebeu que ele segurava um pote de gel para cabelo na mão e que lia o rótulo compenetrado, sem prestar atenção na garota que se aproximava.
–Olha se não é o "Senhor-Eu-Sou-Frio" de novo.
O "" se virou com as sobrancelhas arqueadas.
–A "Senhorita Calcinha Rosa" voltou"! – ele ironizou.
–Você devia me dizer o seu nome. – Ino comentou, despreocupadamente, procurando seu creme na prateleira.
–Você parece ser bem vaidosa. – o "Sr. Gostoso" ignorou o comentário dela. – Sempre está na seção de cosméticos.
–Olha quem fala. – Ino revirou os olhos, apontando para o gel na sua mão.
O "Sr. Gostoso" bufou, colocando o pote de gel em uma cestinha vermelha que ele segurava.
–Vaidade é um pecado que eu cometo com freqüência, mas não me importo de ir pro inferno – Ino deu de ombros.
–Não acredito em inferno ou em céu. Cada um vive do jeito que quer e nada é pecado se você não acha que é.
–É uma visão sábia, mas eu não concordo.
Ino selecionou um creme na prateleira e saiu, sem falar mais nada. O ruivo meneou a cabeça e, virando as costas, também saiu andando.
–
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Tempos depois, Ino nunca mais vira o "Sr. Gostoso" no supermercado, mas ele virara um personagem do seu livro e fora totalmente aprovado por seu editor.
Ino resolveu sair a noite com algumas amigas para comemorar a aprovação do seu novo livro. Ela colocou seu melhor vestido um pouco acima do joelho e uma sandália de tirinhas e salto fino.
No elevador do prédio, a loira sentiu a sandália direita desabotoar e se abaixou para ajeitá-la. Foi quando ela sentiu o elevador parar.
–Você?
Ino reconheceu a voz fria e ergueu a cabeça. O "Sr. Gostoso" tinha entrado no elevador e observava Ino agachada no chão com um olhar superior. A garota, corada, se levantou, alisando o vestido. Então, será que ele morava no mesmo prédio que ela?
–Hoje sua calcinha é vermelha.
Ino enrubesceu mais ainda e se virou, sem coragem de falar nada, mas começou a ajeitar a presilha do cabelo no espelho do elevador.
–Achei que você acreditasse em pecado.
Ino lançou um olhar indagador pelo espelho, ciente de que ele a olhava pelo mesmo.
–Continua cometendo o da vaidade. – ele completou.
A loira deu de ombros quando o elevador parou e a luz acima da porta indicava que estavam no térreo.
Os dois saíram e atravessaram o saguão juntos até a porta da rua do prédio.
Assim que saiu, Ino viu um conversível vermelho parado em frente à porta, com suas amigas dentro: Sakura, Hinata e Tenten.
–Ei, Ino, demorou! – Sakura exclamou, sorrindo.
–É, vamos logo! – Tenten disse, com a mão apoiada no volante.
–Olá, Ino-chan. – cumprimentou Hinata timidamente.
Ino fez menção de ir em direção ao carro, mas sentiu uma mão forte segurando seu braço.
A moça sentiu outra mão segurando sua cintura e puxou para um beijo rápido que ela retribuiu. E não é que o "Sr. Gostoso" beija bem mesmo?
Sem mais explicações, o ruivo virou as costas, deixando Ino pasma e as garotas no carro completamente confusas.
–A propósito. – ele gritou, já de costas – Meu nome é Gaara.
FIM
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