Notas iniciais
Inveja: sf Vontade de possuir algo, de ser como outrem, e não conseguir, sentindo por isso depressão; cobiça de obter coisas.

Ino estava sentada em seu escritório, digitando o editorial que precisava aprontar para a impressão. Um raio de Sol incômodo estava batendo no seu rosto e a moça resolveu fechar a cortina da sala.

Ino se levantou e puxou as cortinas vermelhas, deixando a sala na penumbra, somente com uma leve luz avermelhada. Ela escutou três batidas na porta, só podia ser uma pessoa:

–Entre, Tsuki.

A porta foi aberta e uma moça baixinha de cabelos chanel pretos e olhos azuis entrou, em passos lentos.

–Gostei da decoração, Ino-san, mas você tem mais com o que se preocupar.

–O que foi? – Ino perguntou, se sentando à sua cadeira atrás da escrivaninha.

–Ele quer falar com a senhorita. – Tsuki disse, dando ênfase de desprezo a palavra "ele".

Ino bufou, pois isso já dava a ela a idéia de quem era.

–Manda entrar.

Tsuki saiu resmungando e fechou a porta. Logo depois ela foi aberta com um estrondo por um homem alto, corpo atlético, pele branco-mórbido, olhos verde-água e cabelos vermelhos.

–Gaara. – ela murmurou, em desprezo.

O homem se sentou na cadeira a frente da escrivaninha e cruzou as mãos em cima da mesa. Conservava no rosto uma expressão presunçosa, como se essa fosse uma cena comum.

–Bela decoração. Ino, eu vim ver se...

–...eu posso te promover à Seção Criminal? Quantas vezes eu tenho que te dizer que não, Gaara?

–Droga, Ino! – ele bateu a mão na mesa – Eu não posso continuar na Seção Social! Você sabe que eu odeio cobrir festa de bacana.

–Gaara, não-tem-vaga-na-Seção-Criminal! Que droga! – a loira se levantou e pegou alguns papéis que caíram quando Gaara batera na mesa.

–Você é a pior editora de jornal que eu já vi, Ino! E tem vaga na Seção Criminal, sim!

–Ho-ho! Vai querer me ensinar o meu trabalho agora? – Ino perguntou, indignada.

–Você poderia passar o Ichigo pra Seção de Esportes – ele continuou, como se não tivesse sido interrompido.

–Gaara, cai na real! Você morre de inveja da minha posição de editora. Sempre foi assim! Desde a faculdade!

Gaara mostrou o dedo do meio pra Ino e, chegando na porta, se virou:

–Era mentira.

–O que?

–Essa decoração vermelha é horrível. Parece quarto de motel.

Ino pegou um peso de papel e atirou em direção a Gaara, mas ele já tinha fechado a porta.

–Idiota!!!

–

–

–Ai, eu simplesmente não agüento mais ele! Todo dia ele vem na minha sala pedir pra mudar de Seção e pra me encher o saco. – Ino massageou as têmporas, com os cotovelos apoiados na mesa.

–Você precisa relaxar, Ino-chan. Seu trabalho está te deixando estressada. – Hinata disse amavelmente, passando a mão na cabeça da loira.

–Eu se fosse você batia no Gaara. Ele é um chato! Não sei como você ainda não matou ele. – Tenten opinou, bebendo um gole de vinho.

Sakura deu uma risada cínica, fazendo as três olharem pra ela.

–Eu sei bem porque a Ino não matou o Gaara ainda. Porca, você já pensou em, sei lá, sair com o Gaara?

–Ficou louca, Sakura? – Ino arregalou os olhos.

–Eu acho que a inveja dele ia embora rapidinho. E o seu stress também. – Sakura continuou, lançando um olhar malicioso à Ino.

–Você acha que... – Tenten começou.

–Que o Gaara gosta da Ino? Óbvio. E eu tenho uma leve impressão que a Ino também gosta do Gaara. – Sakura sacudiu a cabeça em concordância, sendo acompanhada por Hinata.

–Escutem bem, vocês! – Ino disse, apontando um dedo para as três – Isso é ridículo! Eu nunca vou sair com o Gaara!

–Nunca é uma palavra muito feia, Ino-chan. Nunca diga nunca.

(N/A: Acho que eu andei assistindo muito "Tomates Verdes e Fritos" O.o Medoo!).

–

–

O expediente já tinha terminado, mas Ino ainda continuava trabalhando em alguns textos que precisavam ser revisados para serem impressos na madrugada. Novamente, ela havia puxado a cortina e o escritório estava com uma leve luz avermelhada.

–Ino-san, eu já vou indo. – Tsuki disse, colocando a cabeça para dentro do escritório.

–Tudo bem, Tsuki, daqui a pouco eu vou também.

–O nosso andar já está vazio, Ino-san. – Tsuki avisou.

–Eu sei. Boa-noite, Tsuki.

A garota fechou a porta, deixando Ino sozinha com seus papéis. Algum tempo depois, ela escutou uma batida na porta.

–Entra.

Ino não imaginou quem poderia ser, Tsuki havia dito que o andar estava vazio.

–O que está fazendo aqui? – ela ouviu uma voz ríspida dizer e levantou a cabeça.

–Ah, claro, só podia ser você! – Ino revirou os olhos para Gaara – Eu sou editora desse jornal, portanto estou revisando material para...

–Cala a boca, você fala demais. – ele desdenhou, sentando-se no sofá vermelho encostado na parede.

–E você o que faz aqui?

–Eu estava esperando meu namorado vir me buscar para irmos a um bar gay. – Gaara respondeu, dando de ombros.

Ino arregalou os olhos.

–Você é gay? Eu nunca...

–Eu estava sendo irônico.

–Oh! OK, claro. – ela pareceu desconcertada.

Houve um breve momento de silêncio.

–Aliás, o que veio fazer na minha sala?

–Não posso ver minha amada chefe? – ele ironizou.

Ino deu um muxoxo e desligou o computador, pegando sua bolsa pendurada na cadeira.

–Eu vou embora, Gaara, você não pode simplesmente acampar no meu sofá.

Gaara se levantou e fez sinal para Ino ir à sua frente, mas quando a loira tentou abrir a porta, percebeu que estava trancada.

Ela ouviu Gaara dar uma risadinha debochada.

–Gaara! Porque nos trancou aqui? – ela gritou, se virando pra ele.

–Quer parar de fazer escândalo? Ninguém vai te ouvir, estamos sozinhos aqui.

Ino se arrepiou a menção da palavra sozinhos e ela se recriminou mentalmente por isso. Afinal, era Gaara que estava a sua frente. Ela detestava ele, certo? Certo?

Ele foi se aproximando devagar de Ino que ia andando pra trás e apontando um dedo pra ele.

–Não se atreva! Onde você escondeu a chave? Anda, me...

Gaara colocou a mão na boca de Ino, o que a fez olhá-lo indignada.

–Agora você não é mais a chefe e eu não sou o empregado. – o ruivo sorriu de canto – Somos apenas um homem e uma mulher adultos e solteiros trancados em uma sala. Sozinhos.

O rapaz prendeu Ino na parede, que deixou a bolsa cair com estrépito. Ele tirou a mão da boca dela, que murmurou:

–Gaara, não...

Mas ele não a ouviu mais, só venceu a distância que os separava e a tomou para um beijo envolvente.

Ino não mais pensou e se deixou levar pela emoção, coisa que ela raramente fazia, passando os braços pelo pescoço de Gaara. Ele interrompeu o beijo rapidamente, com um sorriso malicioso e passou um braço pelas pernas de Ino e o outro pelas costas da garota, levantando-a do chão.

Ele levou-a para o sofá vermelho, onde não batia luz devido à posição da janela. Gaara colocou-a no sofá e, inclinando-se por cima da loira, sussurrou em seu ouvido:

–Acho que hoje nós podemos acampar no seu sofá.

FIM