Notas iniciais
Avareza: (ê) sf Apego demasiado ao dinheiro.

Gaara nunca vira Ino tão radiante como naquele dia. Ela pulava e ria como uma criança pelas calçadas da cidade. E ele...bem, ele simplesmente segurava as sacolas dela.

–Ino. – ele chamou em sua habitual frieza.

–Ai, Gaara, olha que cachorrinho lindo o daquela mulher! Compra um pra mim, Gaa-kun? – Ino pediu, manhosa, segurando no braço de Gaara.

Ela a olhou cético.

–Detesto bichos.

–Que novidade. – ela resmungou, mal-humorada.

–Chega de comprar por hoje.

Não era um pedido nem uma pergunta. Era uma ordem. Ninguém normalmente iria contra ume ordem de Sabaku no Gaara. É, eu dissenormalmente. E esse ninguém tem pequenas exceções. E essa exceção mede 1,63 m e atende pelo nome de Ino.

–Não. Eu ainda não comprei lingerie nova. – Ino disse, sorrindo maliciosa.

–Problema seu.

–Gaara! – ela estocou de repente. Ele parou também, observando-a.

Vendo que Ino não desistiria com facilidade, ele agarrou uma dos braços dela e a puxou até o outro lado da rua, onde o carro dele estava estacionado.

–Está me machucando! – ela reclamou, quando Gaara a jogou dentro do carro, com as sacolas em cima dela. – Eu vou reclamar meus direitos de ir e vir na Delegacia da Mulher, está me ouvindo?

–Não vai mais gastar o meu dinheiro. – Gaara disse, entrando do lado do motorista e travando todas as portas do carro.

Ino cruzou os braços.

–Eu não gostei só o seu dinheiro. – a loira revirou os olhos.

–Você comprou só um sorvete de casquinha com o seu dinheiro. – Gaara deu a partida no carro. – Você é gastona, Ino.

–E você é um avarento! – Ino mostrou a língua pra Gaara, que revirou os olhos com a infantilidade da namorada.

–Avareza pelo menos não estoura cartão de crédito. – Gaara murmurou.

–O que disse?

–Nada.

–

–

Alguns dias depois, Gaara estava sentado no escritório de casa trabalhando, quando Ino abriu a porta com um estrondo. Ele viu que ela era acompanhada por dois homens que seguravam várias tábuas do que parecia ser um móvel desmontado.

Gaara se preparou para o que viria a seguir, apoiando os cotovelos na mesa e massageando as têmporas.

–O que é isso, Ino?

–Comprei uma escrivaninha nova pra você. – ela disse, sorrindo e, apontando para um canto do escritório, disse aos carregadores – Podem colocar ali.

Gaara bufou e levantou-se, indo em direção à ela. O ruivo pegou no braço de Ino com força e a levou para fora do escritório.

–Com que dinheiro você comprou aquilo? – ele apontou para o lugar onde os carregadores montavam a escrivaninha.

–Com o seu. – ela respondeu, como se isso fosse óbvio.

–Não preciso de uma escrivaninha.

–A sua é velha e horrível, Gaara. Aliás, peguei seu cartão emprestado para comprar algumas blusinhas que eu estava precisando.

Gaara olhou incrédulo para Ino. Se ele bem a conhecia, não eram "algumas blusinhas" que ela havia comprado e sim muitas roupas absolutamente desnecessárias e caras. Ele foi até o quarto e viu várias sacolas jogadas em cima da cama.

–Ino!

–Ai, Gaa-kun... – ela resmungou, manhosa, passando os braços pela cintura dele, o abraçando por trás.

Gaara se esquivou dela e a olhou furioso, que só cruzou os braços e o seguiu emburrada. O ruivo foi até o escritório, onde os homens ainda montavam a escrivaninha.

–Podem levar isso daqui.

Os homens olharam confusos para Gaara e depois para Ino.

–É...façam o que ele disse. – ela concordou a contra-gosto, ainda com os braços cruzados.

Gaara observou os homens desmontarem o que já haviam feito e retirar-se da sala. Um deles disse à Ino antes de sair:

–Nós vamos cobrar a montagem. Vamos mandar a fatura pelo correio.

–Tudo bem.

A loira ainda estava emburrada, encostada no batente da porta.

–Ótimo! Ainda vou ter que pagar pelas suas frescuras. – ele deu um tapa na mesa, fazendo alguns papéis voarem.

O rosto de Gaara ficara vermelho de cólera, embora sua expressão não tivesse mudado em nada. Ino percebeu que era hora de entrar em ação. Ela fez uma expressão manhosa e foi andando devagar até onde ele estava.

–Gaara...

–Ino, sai daqui. Não quero conversa.

–E quem disse que eu quero conversar? — ela sorriu, passando os dois braços pela nuca dele e beijando seu pescoço provocativamente.

Gaara arqueou as sobrancelhas, mas se aproximou da boca dela, dando uma mordiscada de leve, para depois murmurar em seu ouvido:

–Acho que eu posso dar uma pausa no trabalho.

–

–

Gaara entrou no quarto do casal, tirando a camisa para tomar um banho depois de um dia estressante de trabalho e viu várias sacolas jogadas em cima da cama.

Claro. Ino fora de novo comprar roupas sem real utilidade pra ela.

O ruivo pegou o celular do bolso e, olhando na nota fiscal da loja, discou um número. Depois de conversar por algum tempo, ele desligou o celular, recolocando-o no bolso.

Gaara colocou a camiseta apressado e pegou todas as sacolas de cima da cama, indo para o shopping com elas. Uma mulher morena bonita se encontrava atrás do balcão da loja da qual Gaara ligara a pouco.

–Eu vim devolver essas compras.

–Não serviu nada? – a moça perguntou, educadamente, porém olhando-o de cima a baixo com um olhar malicioso.

–Minha namorada não gostou de nada... – ele disse, dando ênfase a palavra "namorada" para que a atendente parasse de dar em cima dele — ...mas eu quero levar um vestido longo preto. O mais bonito que você tiver.

–

–

Quando Gaara entrou em casa, Ino estava sentada no sofá batendo o pé com uma cara nada satisfeita e os braços cruzados.

–Ah, aí está você! Onde você foi?

Gaara a ignorou e subiu as escadas em silêncio, tirando a camisa.

–Gaara, volte já aqui! Onde estão as minhas roupas? – Ino gritou, subindo as escadas atrás dele.

–Devolvi tudo na loja. – ele respondeu, sem nem ao menos se virar.

–O QUÊ?

–E cortei seu cartão de crédito. – Gaara completou.

–Que tipo de namorado é você? – Ino perguntou, passando na frente dele e estocando com os braços cruzados.

–O tipo que não gosta de gastar dinheiro.

–

–

Ino não era do tipo rancorosa, que ficava brava por muito tempo, por isso algumas tempo depois da "briga", Ino se encontrava sentada no colo de Gaara, passando a mão pelos cabelos dele.

–Ino, vai tomar banho que a gente vai sair.

Novamente, era uma ordem.

–Pra onde? – ela perguntou, levantando a cabeça do peito dele para olhá-lo.

–Não importa. Aliás, a roupa que você vai vestir está no banco do carro.

Os olhos de Ino brilharam a menção da palavra "roupa".

–Comprou roupa nova pra mim? Ai, que lindo, Gaara!

Ino abraçou Gaara de novo e começou a dar beijos por todo o rosto dele.

–Ok, chega, Ino. Vai tomar banho.

Ino sorriu e saiu do colo dele, pulando como uma criança para qual o Natal chegara mais cedo.

Gaara deu um sorriso de canto e foi se vestir para esperá-la na sala.

–

–

O ruivo estava sentado no sofá esperando-a quando viu Ino passar pela sala em direção à garagem enrolada na toalha e logo depois voltar com um embrulho, feliz.

–Adorei o vestido, Gaa-kun. – ela cantarolou, enquanto subia as escadas.

Meia hora depois, Ino desceu usando um vestido logo abaixo do joelho preto de alcinha, os cabelos presos em um elegante coque com vários fios soltos e uma sandália de salto fino no pé.

Gaara se levantou e ofereceu o braço à ela. Ele vestia uma calça social preta e uma camisa branca.

–Pra onde estamos indo?

–Não vou dizer, mas acho que você vai adorar.

–

–

Gaara estacionou o carro no calçadão da praia.

–Gaara, porque paramos aqui? – Ino franziu a testa, virando-se pra ele.

–Porque chegamos.

–Você me fez colocar um vestido social e sapatos de salto para vir à praia? – ela perguntou, indignada com a idéia de sujar os seus Manolos de areia.

–Realmente é melhor você deixar os sapatos no carro.

Gaara saiu e contornou o carro até o lado do passageiro, abrindo a porta para Ino, que soltara os cabelos que agora estavam ondulados e já estava descalça. Ele também tirara os sapatos.

Os dois andaram em silêncio de mãos dadas, pela beira do mar. Ocasionalmente uma onda gelada molhava os pés descalços de ambos. Logo chegaram em algumas pedras onde as ondas quebravam em uma explosão de espuma.

Gaara subiu em uma pedra achatada e puxou Ino pela mão para que ela se sentasse junto dele.

–Realmente você me fez colocar um vestido social para vir à praia? – Ino repetiu, incrédula.

–Queria que você estivesse elegante hoje. – ele piscou devagar pra ela.

–Pra...?

Gaara tirou uma caixinha preta de veludo do bolso da calça. Ino boquiabriu-se ao receber a caixinha da mão dele,

–Isso é...

–Um pedido de casamento? É. Já estava na...

Gaara foi interrompido por Ino que rira alto e pulara em cima dele, derrubando-o na rocha. Ino beijou o ruivo, que retribuiu, passando as mãos pelas costas dela.

Gaara desgrudou-se momentaneamente dos lábios frios dela e disse, sorrindo de canto:

–Agora você entendeu porque eu economizei dinheiro?

FIM