Caminhos Entrelaçados
26 Capítulo 26
7 meses depois.
Às vezes eu fico me perguntando por que nascemos? Porque vivemos em um mundo onde tudo pode vir a piorar, mas mesmo assim nascemos naquele local, naquela época, com aquele costume... Acho que a maior resposta para isso é o amor. Nascemos simplesmente porque o amor de duas pessoas nos concebeu, pelo menos essa é a ideia inicial, duas pessoas que se amam dão vida a um novo ser, como resposta ao amor deles... Talvez seja isso que defina o nascimento, certo?
Ver um pequeno ser nascer, é algo único. Simples, mas ao mesmo tempo, complexo. Ali podemos ver a alegria de um pai, e o amor incondicional de uma mãe... Quando isso acontece à mulher parece brilhar, como se todo o sofrimento que ela tenha passado para colocar no mundo o pequeno ser, não fosse nada... Porque ao olhar naquela pequena carinha amassada, tudo parece fazer sentido. Olhar naqueles pequenos olhinhos curiosos, fosse a certeza de que aquele é o momento mais importante da vida... A realização de uma mulher a se tornar mãe!
Foi isso que eu vi ao entregar o pequeno Aki (outono/brilhante) a Kikyou. Ela parecia brilhar, mesmo em meio às lágrimas, o suor e a dor que ela ainda demonstrava sentir em sua feição, nada superava o olhar dela ao pequeno Aki, o amor que ela demonstrava a ele, nada poderia se igualar. Inu-yasha havia invadido quando escutou o choro do bebê e foi novamente que eu o vi chorar. Eles pareciam tão felizes, tão repletos de amor, que Kaede e eu nos retiramos da cabana para não macular o momento deles. O nascimento de Aki havia ocorrido no dia anterior, e mesmo que eu estivesse cansada, eu me sentia realizada. Finalmente ajudei uma vida a nascer, e não havia sentimento que se igualasse a isso!
O dia estava lindo, como se celebrasse o nascimento de Aki, e o desse as boas vindas! Observei mais a frente Rin e Shippou brincando com as crianças do vilarejo, eles pareciam ser mais aceitos agora por eles. Rin havia ficado no vilarejo comigo desde que voltamos de minha era há sete meses, lembro-me de Sesshoumaru avisando que por enquanto ele iria se afastar para resolver as coisas pelas terras dele, e Rin alegou que só voltaria para o castelo comigo, porque se sentia muito sozinha. De certa forma ela deveria se sentir mesmo, a única humana dentre aqueles youkais.
Por este motivo ela está conosco no vilarejo. Porém nos duas estamos muito preocupadas, pelo simples fato de Sesshoumaru não dar sinal de vida durante um mês, e ainda mais que da última vez nem fora ele quem veio e sim Jaken... Olhando pela minha situação, ele pode somente ter se cansado de mim, mas abandonar Rin, parece ser algo inconcebível... Durante esses sete meses ele vinha nos visitar uma vez por semana. No primeiro mês ele veio todas as semanas, no segundo ele começou a deixar de vir em uma dessas semanas, foi quando Jaken veio com Arurun pela primeira vez, trazendo com eles presentes para nós duas, como se o “furo” que Sesshoumaru dava conosco pudesse ser preenchido com presentes...
Depois esses furos passaram a ficar mais frequentes com o passar dos meses, mas eu e Rin sabíamos que ele mandando Jaken era a forma de dizer que tudo estava bem... Entretanto, já havia mais de um mês que nem Sesshoumaru, muito menos Jaken com Arurun apareciam. Rin queria ir atrás deles, mas eu me recusava a isso... Vai que essa era a forma de dizer que não queria mais saber de mim e só estava esperando eu me afastar para buscar Rin... Eu nunca saberia dizer, afinal o que tínhamos era sério para ele? Era amor também...?
Volto a olhar para as crianças, afastando os pensamentos de Sesshoumaru... Seja como fosse, não seria a primeira vez que eu sofreria por amor... Amor... Além da grande demonstração de amor que eu vivi ontem, tem também o amor dos meus amigos... Sango e Miroku se casaram alguns meses atrás, estavam felizes e radiantes, vivendo sua nova rotina de casados. Sango estava radiante, e ficava mais ainda quando recebia a visita de Kohaku, que aconteciam com menos frequência. A cabana deles era próxima a de vovó Kaede, que agora tinha mais uma pessoa para abrigar, aquela cabana era algo que nos ligava, sem mais.
Rin me percebeu a observando e sorriu, dando um aceno em seguida. Parece que ela sabe quando a olhamos! Sorri e acenei de volta, colocando os cabelos – agora na altura dos ombros – atrás da orelha. Shippou também acenou, mas acabou sendo acertado na cabeça por uma bola, sorri com a cena. Logo eles voltaram a brincar e eu não sabia o que fazer, ficar deprimida por causa do que vinha acontecendo não era uma boa pedida... Fechei os olhos e no fundo o que eu queria era somente alguém para me escutar. Alguém que pudesse me auxiliar, e explicar tudo isso...
— Me chamou? — a voz pacifica me trouxe de volta para a realidade, me fazendo abrir os olhos, levemente assustada. Os cabelos azuis estavam um pouco maiores, mas nada que retirasse seu charme, os olhos chocolate me fitavam divertidos, e o sorriso que ele me mostrava me fazia me sentir tranquila. Takeo estava agachado a minha frente, como se eu fosse à caça e ele o caçador.
— Me assustou Takeo — eu disse dando um sorriso a ele, mas depois fiquei séria — Não, eu não te chamei... — eu disse o olhando levemente confusa.
— Parece que não aprendeu como funciona a ligação Kagome, — ele disse se sentando ao meu lado, apoiando na mesma árvore que eu — você não precisa me chamar exatamente com palavras ditas — ele desceu a mão pelo meu cotovelo em direção a minha mão, a levantando para mim, a pulseira estava ali... Mas como? — Você disse que queria alguém para te escutar, alguém para te auxiliar, te explicar algo... — ele olhou em meus olhos, estava buscando algo, eu sabia — Eu senti que você precisava de mim, e você sabe Kagome, que pode me chamar sempre que quiser!
— Eu sei disso, — eu disse segurando na mão dele — porém eu não sabia que não precisava de palavras... — e dei de ombros em seguida.
— O que está te afligindo...? — ele perguntou olhando para as crianças, que brincavam mais à frente. Eu o olhei de forma debochada, ele sabia, porque perguntava? A pulseira ainda estava ali, então ele tinha acesso aos meus pensamentos, a deixei ali justamente para isso... — Eu quero que você me coloque em palavras Kagome, coloque para fora...
— Não vou dizer em voz alta Takeo... — eu disse olhando para minhas pernas, eu usava roupas de minha era, uma saia azul e uma camiseta preta com um casaquinho meia estação rosa — Já é humilhante demais ter esses pensamentos... — eu fechei os olhos — Só de pensar que talvez, eu tenha errado novamente em me permitir sentir algo por alguém, me deixa muito brava comigo mesma...
— Kagome, é só se permitir sentir... — Takeo disse brincando com meus dedos — Você sabe muito bem, que se não houvesse se permitido sentir, você não teria vivido essa experiência... — ele me olhou nos olhos, ele estava carinhoso, como sempre fica quando quer que eu entenda algo que eu não vejo — Não teria amado da forma como amou, e eu duvido que ele não sinta o mesmo...
— Não diga isso... — eu disse puxando minha mão do meio das suas e cruzando os braços, irritada — Eu nunca soube exatamente o que ele sente ou sentia por mim, Sesshoumaru nunca me disse — eu o olhei — Sempre fui eu que tentava acertar o que ele estava pensando, ou como agia, nunca me deu certeza de nada... Somente eu que criei esperanças com base em respostas não concretas...
— Que ele nunca negou! — Takeo rebateu no mesmo instante — Não seja infantil achando que o mundo gira ao seu redor Kagome, — E aquele era o Takeo sério que tentava colocar algum juízo em minha cabeça. — lembre-se que ele tem seus afazeres, e ele pode ter priorizado as coisas para ter mais tempo para vocês — os olhos chocolate estavam bravos — Às vezes ele somente está deixando tudo acertado para a ida de vocês!
Eu o olhei muito magoada, porém não desfiz a pulseira. Se o fizesse ele perceberia que eu havia realmente ficado magoada com ele — Não o defenda quando você também não sabe o que aconteceu Takeo! — eu não desviei o olhar e pude perceber como ele ficou surpreso — Sete meses não são sete dias! Ele tomou a decisão dele e eu não me opus, não cobrei, simplesmente compreendi — Eu suavizei o olhar, a ultima coisa que eu queria era brigar com ele — Porém ele sumiu, sem nenhuma explicação... Só acho que não sou obrigada a esperar por algo...
— Você ainda tem muito o que aprender Kagome — Takeo disse balançando a cabeça para os lados — Suas prioridades são diferentes das dele, existe algo muito maior do que vocês dois para ele... — eu o olhei magoada, ele queria me dizer o que? Que Sesshoumaru não se importava conosco? Que ele não se importava com o nós...? — Não dizendo que você e Rin não sejam prioridade para ele, contudo, Sesshoumaru tem muito mais com o que se preocupar no momento...
“Ele sabe que vocês estão em segurança aqui, que ninguém irá se aproximar de vocês para atingi-lo e mais ainda, você sabe se cuidar muito bem caso isso ocorra — ele deu um sorriso de canto, amável — Você não entende como é o ponto de vista de um youkai, mas eu entendo Kagome... Posso não ser frio igual a ele, mas tenho minhas prioridades, mesmo que você e o mestre Fujimoto sejam as maiores, eu preciso pensar no que pode afetá-los. Os colocando em segundo plano, quando sempre são a prioridade por trás da segunda ação...”
Eu o olhei confusa, sem entender muito bem o que suas palavras quiseram dizer — Somos a prioridade, mesmo quando você coloca outras coisas na frente? — eu cocei a cabeça, em claro sinal de confusão.
Takeo soltou uma gargalhada — Vou explicar melhor — ele se arrumou na postura — Se algo ameaçar você e mestre Fujimoto, ela passa a ser minha prioridade – que é a de defendê-los, deixa-los seguros. — ele me olhou de forma marota — E se isso estiver acontecendo com ele? Você não sabe, eu não sei, ninguém sabe... Somente ele sabe o que se passa... — ele olhou para as crianças que perceberam a presença dele e acenaram, vindo em nossa direção — Dê mais um tempo, aposto que tudo tem uma explicação, um motivo forte para tudo isso.
Eu acabei sorrindo, somente Takeo para tentar tirar isso de minha cabeça. Fiz a pulseira desaparecer e só aí me permitir pensar o que faltava, porém isso era algo que estava me atormentando um mês inteiro, não seriam simples palavras a me fazer mudar de ideia, mesmo que ele tenha me acalmado, nada muda o que estou sentindo agora...
— TAKEO! — as crianças gritaram pulando sobre ele, o abraçando — Veio brincar conosco? — Rin perguntou quando se afastou do youkai que estava ao meu lado, ele me olhava de forma avaliativa e eu sabia que ele com toda certeza sabia o que se passava em minha cabeça agora.
— Eu vim fazer uma visita a Kagome, mas podemos brincar um pouco — ele disse se levantando, Rin e Shippou seguraram em suas mãos, mas antes de ir ele se virou para mim — Eu sei o que você está pensando, e você é uma garota teimosa! — ele estava bravo, mas sendo sincera pouco importava no momento.
Takeo se afastou com Rin e Shippou, mas não tão longe, ainda estava de manhã... Porém já estava próximo do horário do almoço. Levantei-me e segui até a cabana de Miroku e Sango, havia combinado de almoçar com eles hoje. Dirigi-me até a cabana deles simples, mas aconchegante. Miroku estava chegando com algumas coisas que havia pegado na horta.
— Bom dia Miroku — eu disse chamando a atenção dele, que me dirigiu um sorriso, devolvendo o cumprimento — Sango está acordada?
— Está sim, na verdade, ela estava terminando o almoço — ele disse entrando na casa, deixando o caminho aberto para eu entrar — Sango, a Kagome está aí.
— Olá Kagome, — Sango disse me dando um abraço quando me viu, a barriga levemente saliente atrapalhava um pouco — veio para o almoço? — ela se voltou para as panelas que exalavam um cheiro gostoso.
— Vim mais para te ver, ando sem fome ultimamente — eu disse me apoiando a pia da casa. Sango se voltou para mim, avaliativa, mas nada disse — Como vai esse bebê? — eu acariciei a barriga dela.
— Anda tão agitado por esses dias — ela disse acariciando a barriga de aproximadamente três meses — Mas não sei explicar, eu já amo tanto esse pequenino ser.
— Sango, vou ali ao vilarejo pegar algumas coisas que estão faltando e já volto — Miroku disse dando um selinho rápido nela e se retirando em seguida.
— E então, como anda a vida de casada? — eu perguntei sorrindo marota.
— Por enquanto vai tudo bem — ela disse mexendo na panela — Miroku é sempre atencioso, e nunca parece estar convencido de minha resposta — Sango sorriu de seu próprio comentário — Mas no fundo eu gosto dessa preocupação dele, me faz me sentir amada — ela se virou para mim, mas disfarcei o que o comentário dela causou em mim.
— Eu entendo — eu disse dando de ombros, precisava mudar de assunto — Já foi ver o Aki?
— Ainda não, Kikyou deve estar cansada — ela disse se apoiando ao meu lado — Afinal ela ficou até o inicio da madrugada em trabalho de parto, ela deve querer descansar um pouco — Sango deu de ombros, colocando uma mecha do cabelo dela atrás da orelha — Mas acho que amanhã irei vê-lo... Como ele é? — ela me olhou, curiosa.
— Ah, a coisa mais fofa que já vi na vida! — eu disse dando um sorriso para ela — Nasceu com aquelas orelhinhas de hanyou, e os cabelos brancos do Inu-yasha — ela assentiu dando um sorriso, acho que imaginando como ele era — Já os olhos são chocolates como os de Kikyou, mas ele é muito fofinho!
— Awn, você falando assim, me faz imaginar como será meu bebê! — ela disse acariciando a barriga de forma maternal — Será que se parecerá mais comigo ou com Miroku? — ela perguntou, pensativa.
— Aposto que com você, Sango — eu disse dando um sorriso, que ela prontamente retribuiu — A panela Sango! — eu disse quando ela começou a espumar. Ela rapidamente salvou o seu conteúdo e eu achei engraçado isso.
— Nossa, quase deixei queimar! — ela disse levemente irritada, mas acabou sorrindo no final, ela se virou para mim, levemente curiosa... Lá vem — Kagome... Você nunca mais comentou de Sesshoumaru, ele não veio mais? — e ela tinha que tocar na ferida...
— Ele apareceu aqui tem um mês, você sabe — eu disse cruzando os braços e olhando para baixo — Ele deve aparecer em breve — eu disse dando um sorriso um pouco triste, dando o assunto como encerrado — Bem, vou ver as crianças, e Takeo.
— Takeo? — ela perguntou um pouco surpresa.
— Sim, ele veio me visitar — eu disse seguindo na direção da porta — Até depois Sango — e segui na direção em que estavam Rin, Shippou e Takeo. Entretanto quando os avistei esse último não se encontrava mais com eles — Onde está Takeo? — eu perguntei quando me sentei com eles.
— Disse que tinha pen... — Shippou pareceu buscar a palavra na mente, depois de uns segundos pareceu recorda-se — Pendências a resolver, e foi embora, mas disse que em alguns dias ele voltaria.
Eu dei de ombros, Takeo sabia que era bem vindo sempre que quisesse, por isso nem preciso me preocupar com seu retorno. Passei a brincar com as crianças naquele inicio de tarde.
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Pov’s Autora.
Após a conversa que teve com Kagome, Takeo percebeu que talvez sua mestra estivesse se perdendo em seus sentimentos como uma vez fora com Inu-yasha, contudo, desta vez ele sentiu que nem mesmo ele poderia ajuda-la, e só havia uma pessoa que poderia consertar tudo aquilo, o próprio Sesshoumaru. Kagome estava cada vez mais arrependida de ter cedido àquela oportunidade de amar novamente, a julgando como um erro...
Ele precisava agir, não poderia perder Kagome por uma cosia que nem ele consegue atravessar, o poço. Se Kagome fizesse a viagem de ida, ele sabia, Takeo sentiu, que Kagome não retornaria nunca mais para aquele local e isso não poderia acontecer, não quando estava tão perto de perder seu primeiro mestre. Uma tristeza o inundou, porém ele precisava dar um jeito nisso... Kagome novamente era prioridade no momento.
Ele brincou pouco mais que dez minutos com as crianças, quando achou que já era hora de ir, afinal Kagome poderia partir a qualquer momento naquele dia. Afinal ele sabia que ela estava planejando partir no dia de hoje... O caminho até o Oeste não lhe era estranho, próximo dali havia um templo de um amigo de Fujimoto, o que fazia Takeo passar por ali de tempos em tempos. Porém ele nunca se aproximou do castelo como fazia agora. Quando chegou próximo dos portões, fora impedido de continuar, como pensara.
— Não pode passar daqui estranho! — um dos youkais lhe disse, porém Takeo tinha pressa, muita pressa. Precisava falar com Sesshoumaru o mais rápido possível e talvez ele agisse para impedir Kagome... E sendo sincero, Takeo contava com isso... Ele precisava disso! E ele acreditava, com todas as suas forças.
— Preciso falar urgentemente com o Lorde Sesshoumaru — Takeo disse com pressa, encarando seriamente o guarda. Ele tinha vontade de invadir o local, mas seria muita infantilidade da parte dele.
— Infelizmente isso não será possível — o segundo guarda disse o olhando com raiva — Volte outro momento, ou melhor, nunca!
— Eu realmente vou precisar insistir, ou então terei que chamar a atenção dele de alguma forma, vocês quem sabem — O olhar assassino de Takeo mostrava que ele sentia a urgência da situação, ele sentia a inquietação de Kagome, mesmo que ela se escondesse — Por isso sejam bonzinho e o informe...
— Não farei isso — disse o segundo guarda irritado por estar recebendo ordens daquele youkai, ele pegou sua lança e avançou contra Takeo, o atacando — Vá embora, agora! — ele tentou acertar Takeo com o a lança, porém o mesmo desviou e o poder espiritual dele entrou em contato com o guarda e queimou levemente seu braço. Ele segurou no braço dele e começou a purifica-lo, o braço começou a necrosar.
— Posso continuar se você quiser — Takeo disse irritado e olhou para o outro guarda, ele estava levemente assustado. Ele era inexperiente na guarda do portão, e não esperava que um arruaceiro aparecesse logo no seu primeiro dia — O chame agora ou farei a mesma coisa com você. — o guarda não contestou, simplesmente saiu dali na direção de seu senhor. — Diga a ele que eu sou o Takeo — ele gritou para o youkai que já estava um pouco longe. Quando o guarda saiu, Takeo passou curar o braço do youkai — Me perdoe por agir assim, mas é realmente urgente...
O jovem youkai corria até seu senhor, estava com medo do que aquele youkai poderia fazer e se tinha alguém que poderia impedi-lo seria aquele que ele desejava falar. Seguiu em direção ao escritório de Sesshoumaru, morrendo de medo da reação de seu senhor, mas o que ele poderia fazer? Era novo naquilo, não sabia o que fazer porque ninguém quis lhe explicar. Bateu timidamente na porta, não passou nem cinco segundo ela fora aberta por um Sesshoumaru irritado.
— Mandei não incomodarem — ele disse friamente, causando um calafrio no pobre guarda. Ele engoliu com um pouco de dificuldade antes de começar a falar.
— Perdão senhor, mas há um youkai causando problemas no portão desejando falar com o senhor — Sesshoumaru arqueou a sobrancelha, não crendo que havia sido incomodado por algo banal, era somente espantá-lo! — Disse que seu nome é Takeo... — mal terminou de falar e Sesshoumaru o deixava sozinho, seguindo na direção dos portões, ele passou a segui-lo confuso pela velocidade que Sesshoumaru seguia para lá. Seu senhor o conhecia?
Quando chegaram lá, avistaram Takeo terminando de curar o braço do youkai que o olhava muito irado, contudo não recusava sua ajuda, ele percebeu a presença de Sesshoumaru — Desculpe lhe incomodar, e mais ainda ferir seu soldado... — ele deu um leve sorriso ao Daí-youkai a sua frente — Mas eu precisava tratar de algo muito sério, e eles não queriam chama-lo — ele deu de ombros.
— Deixe-o — Sesshoumaru disse se virando, um pedido mudo que Takeo o seguisse. Takeo o fez, o Sol estava alto no céu ainda, sabia que ainda teria um tempo, afinal Kagome não partiria na presença de todos, ela esperaria os outros dormirem. Entretanto, ele sentiu novamente a necessidade de Kagome de alguém para confortá-la. Ela o chamava de novo?
— Garota teimosa! — Takeo acabou soltando a exasperação sem querer, o que fez Sesshoumaru parar e olhá-lo, numa pergunta muda sobre quem seria a garota teimosa. — Podemos conversar em um local... mais reservado? — ele disse olhando ao redor, os olhares curiosos. — E longe de todos? — Sesshoumaru assentiu e seguiu na direção da floresta, chegando a uma clareira muito bonita, mas Takeo não podia se atentar nisso.
— O que quer? — Sesshoumaru disse se sentando em uma grande pedra. A perna apoiando seu braço, enquanto a outra ficava sobre a pedra. Ele não olhava para Takeo, mas estava curioso sobre o que o levou até ali, e ele tinha suas suspeitas.
— Saiba que eu nunca me meteria nisso se não fosse necessário — Takeo disse se apoiando em uma árvore, há uma distancia segura. Ele realmente não sabia no que pensar sobre essa situação... Teria ele mesmo desistido de Kagome? — Extremamente necessário.
— O que te trouxe aqui foi Kagome — Sesshoumaru afirmou, não perguntou e Takeo assentiu. Os olhos ambares não ficavam frios quando falavam dela, e Takeo percebeu isso... Viu ali o carinho implícito pelo nome, mas não sabia o que pensar... O que fazer... Sentia-se impotente. — Ela te mandou? — ele negou e Sesshoumaru se mostrou levemente surpreso, não por sua expressão e sim por seu youki — O que foi então?
— Kagome está começando a se arrepender de ter se envolvido com você — Takeo disse sem rodeios, afinal, o que adiantaria enrolar? Kagome tinha pressa, ele sentia isso e compartilhava do mesmo sentimento — Hoje ela me chamou inconscientemente para auxiliá-la, ela está com raiva, ressentida, chateada... Perdida. — os olhos chocolates encaram os ambares sérios — Kagome tem certeza de que você está esperando ela se afastar do vilarejo para buscar Rin, e ela planeja o fazê-lo...
“Kagome acredita que você a abandonou, e só não foi buscar Rin para não vê-la e dar-lhe falsas esperanças. E ela sente por Rin, afinal ela também sente sua falta e Kagome se sente culpada por isso. Ela estava decidindo partir hoje, todavia depois da conversa que tivemos ela decidiu partir hoje à noite... — Takeo o olhou irritado, não poderia ficar sem mestre, ele morreria, ou se corromperia... E isso para um familiar era inadmissível. Era a ruína! — Ela não me disse isso diretamente, como familiar, tive que buscar nela... Mesmo agora ela ainda me chama, ela se sente perdida. Não sabe o que fazer...”.
“Entretanto eu já não posso fazer mais nada por ela, ela não me escuta e não acredita em mim — ele deu um sorriso de canto, contrariado. Continuando com seu monologo — Acredita que estou o defendendo, por entendê-lo e saber como você enxerga as coisas. Que quero enganá-la... Como se eu pudesse! — Takeo suspirou e olhou para um Sesshoumaru pensativo — Sabe o que ela me disse? — Sesshoumaru não respondeu, só o olhou — Que somente criou expectativas num relacionamento com respostas não concretas. Sinceramente, eu não tenho nada a ver com isso, mas Kagome é tudo que me resta para me manter puro e vivo; manter-me no propósito e se eu perdê-la... — Takeo suspirou, chateado — Eu... Eu somente não posso perdê-la também Sesshoumaru. Eu não tive coragem de contar a Kagome que mestre Fujimoto morrerá em breve... Muito em breve.”
— Se você realmente desistiu dela, pelo menos a diga, com todas as letras, não a deixe nesse sofrimento que ela está. — Takeo o olhou triste — Eu sei o que ela passou da primeira vez e como foi difícil fazê-la aceitar o que tinha passado e seguir em frente, mas dessa vez... Ela só saíra ainda mais quebrada e totalmente descrente no amor. E Kagome é uma pessoa maravilhosa que merece sofrer dessa forma... — Takeo novamente sentiu que Kagome o chamava e fechou os olhos, perdido — Você não tem ideia do que é sentir que a pessoa precisa de você, e simplesmente não poder fazer nada...?
Takeo deu as costas, seguindo na direção do Templo, já havia deixado Fujimoto tempo demais — Eu não desisti dela — a voz dele se fez presente, fazendo Takeo parar e olhá-lo por cima do ombro. Sesshoumaru estava pensativo e Takeo entendia afinal youkais pensam diferente quando se trata de relacionamento.
— Somente a diga — e saiu dali, deixando Sesshoumaru sozinho com seus pensamentos.
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Pov’s Kagome.
Era inicio de noite, e eu ainda me encontrava com as crianças, e com Kirara que havia se juntado a nós para brincar também. As crianças brincavam, corriam, sorriam... Uma das cenas que eu mais gostava de observar... Contudo, sendo sincera, eu estou me despedindo delas, sabia que me odiaram por causa de minha decisão, e nunca me perdoariam, mas um dia eu não seria nada mais do que uma lembrança ruim. Uma coisa passada...
Rin cresceria com seu pai do coração, se tornaria uma ótima moça e um dia iria atrás de Takeo para se tornar sacerdotisa se assim quisesse, Shippou se tornaria um ótimo youkai raposa tão forte e admirável como seu pai fora e meus amigos todos já estavam com a vida encaminhada, formando suas famílias e seguindo com suas coisas, buscando aquilo que seria o melhor para eles. E eu estava aqui, me martirizando por um sentimento que eu julgava puro e sincero de ambas as partes, mas que está se mostrando ser somente meu... Porque todas às vezes eu quem perguntei se estávamos namorando, se ele estava com ciúmes... Se ele sentia. Sempre eu...
— Kagome? — escutei a voz de Shippou, ele estava a minha frente e me observava curioso, assim como Rin — Você está bem? — ele se sentou ao meu lado e Rin no meu colo, Kirara estava sentada a minha frente, em sua forma pequena.
— Você parece chateada... — Rin disse me olhando nos olhos, ela parecia buscar algo — É por causa do Senhor Sesshoumaru? — ela perguntou inocente, mas eu tinha que mentir.
Sorri e neguei com a cabeça — É só cansaço, — eu dei de ombros e apertei as bochechas dela, a fazendo sorrir — trazer um bebê ao mundo não é fácil... — e sorri. Fiz Rin levantar e me levantei, sendo imitada por Shippou — Vamos ver o pequeno Aki?
— Vamos! — ambos gritaram juntos e passaram a seguir na direção da cabana. Kirara correu na direção da casa de Sango. Quando abrimos a porta, Kaede preparava a comida, Kikyou estava deitada ainda descansando e Inu-yasha estava com Aki nos braços, o olhando todo bobo. O sorriso dele era contagiante.
— Nunca pensei que veria Inu-yasha bobo assim — Shippou disse baixo, mas ele escutou. Diferente de todas as outras vezes ele não brigou com Shippou, muito menos gritou com ele, somente sorriu. Um sorriso sincero e orgulhoso.
— Venham vocês dois, ele está acordado agora — ele disse chamando as crianças para perto do bebê. A curiosidade delas era tão palpável e reconfortante. Inu-yasha o afastou um pouco de seu peito, e mostrando o rostinho do bebê para as crianças.
— Uaah! — eles exclamaram alegres — Como é fofo! — Rin continuou. Eles se sentaram ao lado de Inu-yasha e ficaram observando o bebê, fazendo as perguntas rotineiras de crianças curiosas.
Aproximei-me de Kikyou que os observavam com um sorriso singelo nos lábios — Você está bem? — eu perguntei me sentando próxima a ela — Está cansada ainda?
— Eu estou bem Kagome — ela disse me dirigindo um sorriso pequeno — Eu ainda estou um pouco cansada, mas acho que em dois dias estarei normal — ela olhou para as crianças que olhavam Aki, quase dormindo.
— Ele é lindo — eu disse olhando para a criança no colo do pai babão.
— Obrigada — ela disse o olhando também. Pela primeira vez, eu senti que eu e Kikyou poderíamos nos tornar ótimas amigas, mas agora isso é um pouco tarde...
Eu continuei observando as crianças, logo fomos nos banhar, quando voltamos elas jantaram e logo se deitavam para dormir, haviam brincado tanto que estavam esgotados! Kikyou pegou o pequeno Aki para amamenta-lo e Inu-yasha ficava ali, os protegendo, como se fosse um anjo protetor, com medo de que qualquer mal os ocorresse. Uma cena bonita de se ver... Cobri os dois e lhe beijei na testa, dormiam tão serenamente. Peguei minha mochila e fui à direção da porta.
— Vai pra sua Era Kagome? — Inu-yasha perguntou quando me viu quase saindo. Sim, eu vou, mas não quero que ninguém saiba. Eu pensei enquanto me virava levemente.
— Só irei me banhar, mas levarei minhas armas por precaução — eu disse dirigindo um sorriso para ele que assentiu, voltando sua atenção para Kikyou e Aki. Suspirei, pelo menos ele havia acreditado. Passei a me dirigir na direção que pegávamos para a terma, afinal se Inu-yasha saísse ele sentiria meu cheiro naquela direção. Eles ficariam preocupados? Sim, mas depois ele seguiria meu rastro e veria que eu teria ido embora... Era melhor assim.
Seria o caminho maior para o poço? Sim, mas pelo menos até eles perceberem minha partida, eu já estaria em casa. Enquanto andava os pensamentos voltavam mesmo que eu não quisesse lembra-los... Eu já estava ficando de saco cheio disso, durante os primeiros meses os sentimentos vinham como forma de preocupação, mas depois desse um mês, eu não consigo mais ver dessa forma, somente como abandono mesmo...
E o pior de tudo isso, são as lembranças... Memórias que ficavam se repetindo em minha mente como uma fita, sendo rebobinada quando “acabava” e repetindo tudo novamente... Nossos momentos, conversas, nós dois fazendo amor, nossos pequenos gestos, olhares, caricias... Tudo isso fazia eu me sentir muito pior. Fazia-me perceber que talvez tudo tenha sido coisa de minha cabeça, e que quando eu achei que tudo daria certo, caiu por terra... Um sorriso acabou escapando, eu estava cega, deveria ter percebido... Mesmo quando ele vinha, ficava pouco tempo e a maior parte desse tempo ficava com Rin. Porque eu sempre estava ocupada com alguma coisa no momento em que ele chegava, fosse cuidando dos aldeões, ou fazendo outra coisa.
Olho pela clareira do poço, depois de um tempo andando cheguei até ali. Joyeuse em minha mão, a mochila, a aljava e o arco preso em minhas costas. Eu poderia somente ficar um tempo em minha Era e quando achasse que ele já havia pegado Rin, eu poderia voltar... Viver com Shippou em um vilarejo distante daqui e longe das terras dele... É, é um bom pensamento. Talvez o faça. Uma lembrança vem a minha mente sem permissão, da semana em que meu avô morreu e eu retornei para essa Era, a primeira pessoa que eu vi foi ele. Uma lágrima teimosa escapa, e eu a limpo.
Volto a caminhar na direção do poço, o mato roçava em minhas pernas descobertas, fazia um pouco de cócegas. O tempo não estava frio, nem chuvoso, estava com uma linda lua no céu e com as estrelas pontilhando a escuridão, como uma pintura do céu. Uma cena muito bonita. Novamente uma lágrima escorre do meu rosto, e isso me irrita mais. Eu não deveria estar chorando! Sento na beirada do poço, com as pernas para dentro; Joyeuse está em minha mão, mas ainda do lado de fora do poço. Outra lágrima escapa e eu me sinto muito pior, porque eu não queria nada disso. E eu não queria partir...
Eu temia me apaixonar novamente, e sofrer tudo de novo... E a primeira coisa que eu deixo acontecer é isso. Fecho os olhos, está na hora de deixar isso para trás... Não se envolver, não sentir... Esse será o lema daqui em diante, nesse momento deixo para trás aquilo que eu achei ser o certo. Tomei impulso para dentro do poço ainda de olhos fechados, foi quando eu fui surpreendida, senti minha mochila ser puxada com certa brutalidade para cima, me levando novamente para a beirada do poço. Senti Joyeuse e todas as outras coisas serem arrancadas de mim muito rápido, enquanto uma mão pousava em minha cintura, eu acabei ficando sem ação, sentada novamente na beirada do poço sem nenhuma de minhas coisas, surpresa demais para qualquer outra coisa ou reação. Quando fui tentar olhar quem havia feito aquilo, senti a mão que estava em minha cintura se mover e braços me envolvendo. Segurava-me tão forte, que eu iria ficar marcada. Aquele cheiro me era inconfundível... Estava marcado em mim, impregnado em minha mente e em minha alma. Como uma lembrança...
Novamente, acabei deixando as lágrimas escaparem... Não era para Sesshoumaru aparecer aqui, neste local... Não hoje, não agora... Eu sentia o aperto em volta do meu corpo, seus braços envolvendo os meus na altura do peito, a cabeça dele apoiada na minha, seu nariz entre meus cabelos curtos e tudo o que eu mais queria era ter conseguido ir... Nesse momento eu não queria vê-lo, senti-lo. Eu levei minhas mãos até os braços dele e o puxei, para que me soltasse. Todavia, o aperto dele em torno de mim não diminuiu, e ele não se afastou — Solta! — eu disse irritada.

Porque ele tinha que aparecer? Porque tinha que estragar tudo? Ele não me soltou, mas me puxou do poço, colocando-me em pé a sua frente ainda de costas para ele, ambos de costas para o poço. Eu não queria que isso acontecesse, não era para ele vir aqui... Não mesmo! Eu dei dois passos para frente, mas ele ainda me prendia, que saco! — Já pedi para me soltar — eu não queria olhar para ele, eu cederia. Sabia que tentaria entende-lo, buscar algo nele... E isso só me frustrava mais! Por me importar verdadeiramente!
— Ia embora? — ele perguntou ainda perto, ele sabia que se me soltasse eu tentaria ir embora. Eu deixei uma corrente de poder espiritual me circundar, o obrigando a me soltar. Afastei-me dele como queria inicialmente, mais de quinze passos de distância. Virei-me para ele, os âmbares estavam irritados. Eu não queria fazer isso com ele, contudo ele não me deu escolha.
— Vou embora — eu dei ênfase ao vou. Não é algo que eu não pretenda fazer, eu simplesmente quero me afastar disso, ele pôde e eu não posso? — Não sei por que veio até aqui, Rin se encontra no vilarejo — eu segui na direção de Joyeuse que era a coisa mais longe que ele tinha jogado e a mais próxima de onde eu estava — Pode ir pegá-la e voltar para o que quer que você esteja fazendo — eu apoiei a espada no chão, o olhando séria.
Sesshoumaru me encarava irritado, como se não soubesse como lidar com aquilo, e sendo sincera, eu cansei de tentar adivinhar o que se passa por aquela cabeça. Sempre sou eu perguntando, sugerindo, instigando, porque por ele nenhuma palavra seria dita. Talvez esse relacionamento só tenha sido mesmo em minha cabeça... Eu queria seguir na direção da minha mochila, mas me sentia encurralada por Sesshoumaru. Era como se ele quisesse me manter no mesmo lugar, me sentia a presa e ele o caçador.
— O que ainda faz aqui, Sesshoumaru? — eu perguntei irritada, a ponta da espada apoiada no chão. Ele deu dois passos para a direita, pelo ângulo nossa distância parecia ser menor... — Não me diga que veio por minha causa, porque não é... Você não tem nada a tratar comigo, pode ir... — eu o olhei, não mostraria como estava chateada com ele, porque mudaria o que mesmo?
Porém quando eu levantei o olhar para ele, Sesshoumaru estava a minha frente me surpreendendo com o movimento repentino, eu levantei Joyeuse para me defender por instinto, mas ele a jogou longe com uma das mãos, eu tentei desviar para a direita, entretanto ele me surpreendeu pulando sobre mim, me prendendo ao chão.
— Tá maluco?! — eu perguntei quando ele se colocou sobre mim, meus braços eram presos pelas suas mãos, e suas pernas prendiam as minhas entre elas. Eu estava totalmente presa! O olhei com muita raiva, que tipo de brincadeira é essa?! — Sesshoumaru, saí de cima de mim!
— A primeira chance que você tiver você vai embora — ele disse me olhando sério. Os ambares pareciam duas pedras, ele me olhava muito irritado. Eu bufei de raiva e olhei para o outro lado não querendo mais focar naqueles olhos que me seduziam... O cheiro dele estava mexendo comigo também, tê-lo assim tão perto estava piorando tudo... E parecia que não era só para mim, seu youki mudava levemente. — Porque ia embora Kagome?
— Acho que não tenho que responder isso — eu disse dando de ombros, ou simplesmente tentando. Ele apertou mais o meu braço, como se desse um aviso de que começava a perder a paciência. E eu somente queria que ele se afastasse, e me deixasse sozinha.
— Esse Sesshoumaru acha que você tem — Sesshoumaru disse me obrigando a olhá-lo, os ambares ainda estavam sólidos. Seu rosto sério, seu olhar fixo em meu rosto, seu cabelo caindo sobre nós... Sesshoumaru estava mais encantador ainda aos meus olhos, mas eu não podia me deixar levar. Eu estava irritada na verdade, não queria conversar com ele, queria ir embora e esquecê-lo, aí a peste aparece bem na hora que estou indo embora, e só quem possivelmente poderia saber de minha partida era... Eu o olhei no mesmo instante, eu entendi tudo!
— Takeo foi até você... — eu não perguntei, e sim afirmei. A única pessoa que poderia saber de minha partida era Takeo — Filho da puta! — exclamei com raiva, tentei forçar meu corpo novamente, mas ele me prendeu mais ao chão. Eu com certeza ficaria marcada novamente, e não seria por causa do sexo. — Ele não tinha esse direito, não tinha!
— Você iria deixar a esse Sesshoumaru, Takeo somente foi tentar te ajudar de outra forma, já que não acreditou nele... — Nunca tinha escutado tanto da voz dele em uma frase, mas isso não muda o fato de Takeo ter se metido onde não deveria. Eu o olhei muito séria, isso não mudava o fato dele ter sumido durante um mês inteiro também.
— Você sumiu, que direito acha que tem de falar alguma coisa? — eu perguntei olhando bem no fundo daqueles olhos. Ele me olhava da mesma forma, intensamente — Não deu noticias, não se deu nem ao trabalho de mandar Jaken e falar “O sua idiota, ele não quer mais saber de você” — eu disse magoada, com raiva, com tudo — Rin estava começando a ficar muito chateada, ela achava que você tinha a abandonado e eu poderia dizer o que a ela? Eu me sentia cada vez mais culpada quando ela dizia sentir sua falta. Sentia-me pior do que ela, sentia por mim e por ela! — eu acabei gritando com ele, enquanto sentia meus olhos marejarem novamente, eu não choraria novamente!
Sesshoumaru me olhou e por um momento eu pensei ter visto algum sentimento diferente em sua expressão, mas fora tão rápido que não consegui identificar — Não abandonei nenhuma das duas, em nenhum momento — ele disse se afastando de mim, acho que ele percebeu que eu não iria mais fugir, ou sei lá o que... — Houve imprevistos, tive que mandar Jaken numa missão e eu não poderia mandar mais ninguém até vocês — ele me olhou, parecia não saber o que fazer e eu ainda estava com raiva demais para fazer algo.
— Não ligo mais Sesshoumaru — eu disse me sentando, limpando a grama do cabelo em seguida, eu evitava olhá-lo — Se Takeo não houvesse ido até você quanto tempo mais iria ficar nisso? — eu perguntei, mas depois sorri debochada. — Claro, como se você fosse dizer alguma coisa sobre.
— Essa semana eu viria — ele me fez olhá-lo, estava muito sério. Sua expressão parecia à mesma quando lutava com algum inimigo forte, mas dessa vez era diferente — Como eu havia prometido... — ele me olhou irritado novamente — Que ideia é essa de ir embora? — ela parecia estar perdendo o controle e eu não estava nem aí, eu queria que ele sentisse pelo menos um pouco do que eu senti... Egoísta de minha parte, mas quem não era? — Por acaso não acredita em minhas palavras?!
— Não acredito em alguém que acha que presentes podem substituir a presença — eu olhei para minhas pernas descobertas. Eu estava com marcas de grama por elas por causa da força que Sesshoumaru me prendeu— Takeo deve ter te contado também no que eu acho que se baseava o nosso relacionamento.
— Baseava? — ele deu ênfase à palavra; logo ele me surpreendeu novamente. Estava sobre meu corpo de novo, me prendendo ao chão mais forte do que antes. Se eu não estava roxa agora ficaria! Os olhos ficando levemente avermelhado, as marcas em seu rosto mudando aos poucos — Você acha que pode me deixar? — ele estava muito bravo e eu estava um pouco surpresa, nem sabia o que fazer ou pensar. Sesshoumaru estava realmente zangado — Acha que pode me fazer ama-la e simplesmente deixar tudo para lá?! — as palavras dele naquela voz mudando me deixaram sem palavras, não por ele estar deixando seu lado youkai falar mais alto, mas pelo simples fato de ter sido pega de surpresa.
— Você nunca me disse que me amava — eu disse ainda meio perdida, surpresa. Eu não sabia o que sentir, somente que eu não conseguia refrear aquele sentimento que brotava em meu coração, deixando de lado toda a mágoa que eu estava sentindo.
— Você sabia disso Kagome — Sesshoumaru estava irritado, mas parecia estar se acalmando aos poucos. Seu rosto já estava normal, mas seus olhos ainda estavam avermelhados. Ele aproximou seu rosto do meu, roçando nossos narizes levemente afrouxando um pouco o aperto em meus braços e pernas — Sempre soube...
— Eu sempre deduzi você quer dizer... — eu o olhei nos olhos, os ambares que eu tanto amava observar. Ele desceu o rosto em direção ao meu pescoço, ficou alguns segundos parado ali e logo o senti dando um beijo naquele local, me causando um leve arrepio... Eu sabia o que ele estava fazendo, será que eu já poderia deixar? — Eu ainda estou brigando com você Sesshoumaru — eu disse passando a mão pelas costas dele quando ele me soltou. Eu senti aquele corpo, mesmo debaixo da yukata, me chamando, me atraindo como se fosse um imã.
— E eu estou ouvindo... — ele disse passando a mão por minha coxa desnuda, em seguida passando suas garras levemente por ali. Um arrepio me percorreu novamente, e eu estava começando a querer outra coisa. Sesshoumaru me surpreendeu mudando nossas posições, me fazendo ficar sentada sobre ele. Suas mãos agarravam fortemente minhas coxas e eu me apoiava em seu peito. Mesmo assim, eu conseguia sentir a ereção dele começando a endurecer abaixo de mim.
— Alguém pode aparecer... — eu disse começando a me deixar levar, e deixando para lá todo esse rolo, afinal ele estava aqui agora, e ainda disse que me ama. Ele disse que tinha problemas, por isso não veio... Como foi a primeira vez, posso lhe ceder o benefício da dúvida.
— Está certa — ele disse se sentando e roçando nossos lábios pela primeira vez, desde que ele apareceu. Eu me levantei de seu colo e logo ele estava de pé. Peguei minhas coisas e passei a segui-lo, aquela direção dava na cabana... Aquela cabana... Ela já era praticamente nossa. Eu o segui por entre as árvores tomando cuidado para não tropeçar no caminho, ele me esperou alcançá-lo — Vou levar vocês comigo... — ele disse quando eu passei a andar ao lado dele.
— Tudo bem — eu disse ainda um pouco irritada, só de pensar que eu estava prestes a deixar tudo para trás por causa dessa inconstância dele! — Só não suma de novo, da próxima vou embora sem nem Takeo ficar sabendo — eu disse olhando para Joyeuse em minha mão. Sesshoumaru me olhou, atraindo minha atenção para ele, o mesmo parecia querer contar algo, mas não o fez. E eu não insisti.
— Hm.
Estava bom de mais para ser verdade... Eu não sei o que pensar de tudo isso, mas só pelo fato de Sesshoumaru ter vindo até mim quando ficou sabendo que eu partiria, me faz ver que sou realmente importante para ele, porque eu poderia simplesmente partir e ele não fazer nada... Acho que posso ser menos dura com ele...
E tentar entender que vemos as coisas de forma diferente.
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