Caminhos Entrelaçados
19 Capítulo 19
Notas iniciais
Pov’s Sesshoumaru.
Algumas horas depois.
Kagome ainda estava desacordada. O dia já havia amanhecido há algum tempo e este Sesshoumaru sabia que em breve Rin e o youkai raposa iriam acordar e ver como Kagome estava certamente iriam se preocupar, afinal eles a amam. Eu ainda estava sentado no mesmo lugar, perto do lago, eu não queria ir embora sem saber se Kagome estaria bem, em segurança. Ninguém havia se aproximado desde que me sentei aqui, nem mesmo o bastardo do meu meio irmão. Ao longe eu podia escutar os pássaros cantando alegres, mas eu não estava nem um pouco feliz. Escutei passos se aproximando ao meu lado, pareciam ser passos incertos e receosos, mas não me dei ao trabalho de abrir os olhos, sabia de quem se tratava.
— Nós já terminamos de limpar os ferimentos dela e agora ela está dormindo — a humana disse chamando minha atenção, se sentado próximo de mim, porém a uma distancia segura — Não precisa se preocupar com ela... — eu abri um dos olhos e ela me dirigia um sorriso encorajador.
— Hm — eu disse abrindo ambos os olhos, olhando para as mãos dela que estavam um pouco vermelhas e cheirava parecido com aquela pasta que Kagome passou neste Sesshoumaru — Acha que a humana acordará bem? — eu acabei perguntando, afinal eu estava curioso sobre o estado dela. Mas no fundo eu não queria perguntar, isso iria atrair atenção desnecessária.
— Eu não sei... — ela disse sincera dando um suspiro — Kagome já passou por isso outras vezes, mas nada com essa proporção... — ela baixou o olhar, preocupada — Ela não reagiu enquanto mexíamos nela, nem mesmo mudou a expressão... — ela parou de falar, o que me fez encará-la descaradamente.
— Explique — eu exigi.
— Mesmo ferida, das outras vezes, ela reclamava e resmungava — Sango disse explicando — Porém desta vez, nenhum som. Kaede está bem preocupada quanto isso — ela parou de falar e me olhou.
Eu estava um pouco preocupado em relação à Kagome, se Kagome não reagisse será que ela não voltaria mais? Algo se inquietou em mim, porém não podia deixar esse sentimento me dominar, eu preciso achar uma solução para isso. Eu preciso estar racional para achar uma solução, isso.
— Você gosta dela, não é mesmo? — a voz da humana me retirou de meus pensamentos, me fazendo olhá-la de forma irritada. Se eu gosto dela ou não isso somente diz respeito a esse Sesshoumaru — Vou levar seu silêncio como um sim... — ela disse me dirigindo um sorriso — Bom, vamos esperar. Kagome acabou de voltar e ela precisa de repouso, vamos ver como serão os próximos dias... — ela deixou a frase na metade.
Ouvi passos apressados em nossa direção e eu sabia que se tratava de Rin e do youkai raposa — Sango! — o youkai gritou, eu olhei para ambos correndo até onde estávamos suas expressões eram de aflitos... Então eles já descobriram sobre Kagome — Sango, o que aconteceu com a Kagome?! — ele perguntou quando parou a nossa frente.
Rin se sentou próxima de mim, esperando que ela respondesse a pergunta do menino. Sango suspirou e se dirigiu a Shippou — Kagome foi pega numa emboscada — ouvi ambos arfarem e vi suas expressões mudarem para uma chorosa — Ela lutou bravamente, porém ela é somente uma humana e eram muitos contra ela... Mesmo assim conseguimos salvá-la e agora ela está se recuperando — e sorriu para ambas as crianças.
A frase que ela disse ficou martelando em minha cabeça “ela é somente uma humana”. Realmente Kagome é somente uma humana, e sua recuperação é diferente da minha, será que desta vez serei eu a tomar conta dela?! Claro que não, nem sei como fazê-lo. Porém este Sesshoumaru quer que ela se recupere, eu quero Kagome bem, para mim.
— Mas ela já acordou? — Rin perguntou ao meu lado.
— Ainda não querida, ela está dormindo desde quando chegamos — Sango respondeu para ela — Mas sei que logo ela irá acordar vocês verão — e sorriu novamente, porém no fundo eu senti que ela disse essas palavras como se implorasse a Kami que fossem verdadeiras.
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Três dias depois.
Já havia se passado três dias desde o incidente e Kagome não abriu os olhos, não resmungou e muito menos mudou de posição; este Sesshoumaru estava dentro da cabana a observando, tão imóvel. Os amigos de Inu-yasha haviam saído no momento que eu adentrei a cabana, para me dar privacidade o que eu apreciei, não quero ninguém me vendo preocupado. Já não bastavam os olhares inquisitivos de Inu-yasha como se dissesse “O que você ainda faz aqui?”. Kagome estava com os fios negros espalhados por ali, sua respiração estava muito fraca e sua pele mais pálida do que antes. Os arranhões já haviam melhorado graças a aquela pasta, agora os ferimentos mais graves estavam demorando a cicatrizar, o que estava preocupando a senhora sacerdotisa. Principalmente um em sua coxa direita que estava necrosando.
Eu sentei-me ao lado dela e segurei em sua mão, ela estava com os dedos frios. Dirigi sua mão até minha boca, dando um leve beijo. Kagome não mexeu a mão ao meu toque, na verdade ela nem parecia estar viva... Eu estava um pouco aflito, não sei lidar com isso. Mal descobri que me importava com ela e agora ela nem acordada está. Eu acariciei levemente seu rosto, retirando alguns fios que lhe caiam sobre a face e depois lhe dei um leve selinho. Eu me afastei de seu rosto assumindo novamente a postura ereta, sua mão ainda estava na minha. Com a outra mão eu retirei o pano que a cobria, Kagome usava somente a parte de cima das vestes de sacerdotisa. Eu queria ver o machucado na coxa dela, eu não queria saber pelos outros, precisava ver.
O ferimento da flecha estava com um pequeno circulo negro, o sangue dali era preto também e não parecia surtir efeito nem mesmo com aquela pasta. Eu precisava fazer algo! Alguém tinha que ajudá-la... Eu a cobri novamente e acariciei seu rosto novamente. Humanos são tão frágeis e qualquer coisa os machuca gravemente... Não queria pensar nisso, mas será que Kagome realmente ficaria bem?
Escutei passos se aproximando o que me retirou de meus devaneios, mas não soltei a mão de Kagome e olhei na direção da porta. Por ela passaram à senhora sacerdotisa e a humana amiga de Kagome, ambas pareciam mais preocupadas do que antes e isso estava me deixando mais aflito ainda. Eu não sei lidar com esse tipo de situação e nem com meus sentimentos...
— Ela fez algum movimento Sesshoumaru? — a senhora perguntou quando me olhou, eu neguei com a cabeça — Eu pensei que com sua proximidade ela fosse se mexer — ela disse dando um suspiro cansado — Precisamos fazer algo, se ela não acordar para se alimentar, seu corpo não resistirá. — ela baixou o olhar antes de continuar — E se a ferida da coxa continuar necrosando assim, Kagome irá perder a perna...
As palavras dela me deixaram irritado. Kagome poderia morrer?! Perder a perna?! Eu a olhei irritado, porém algo passou por minha mente — Aquele youkai, Takeo, ele não pode ajudá-la? — eu perguntei, era a última esperança que eu tinha. Não vou deixá-la morrer! Além de quê Takeo era o único que tem a permissão de ajudá-la, Kagome tem muito apreço por ele e esse Sesshoumaru não sabe mais o que pensar, essa situação é muito desgastante!
— Ele poderá ajudá-la, mas ele pode demorar a chegar aqui... — Kaede disse abaixando a cabeça, pensativa.
— Kaede, você deve saber onde é o templo, vamos em Kirara... — porém a senhora interrompeu a humana.
— Eu não sei onde fica — ela disse chateada.
— Não é possível que vocês não saibam algum lugar próximo! — eu disse irritado, como eles podem brincar com a vida da humana assim? Ela está correndo sérios riscos somente deitada aqui! Algo pode estar acontecendo com ela, e não percebemos!
— Eu sei um lugar próximo — Sango disse atraindo minha atenção, me retirando dos pensamentos pessimistas que eu havia entrado. — Eu levei Kagome lá, mas foram horas de viagem... — ela parecia triste com isso, Sango parecia ter a mesma pressa que eu.
— Vamos — eu disse colocando a mão de Kagome delicadamente onde estava antes e lhe afaguei o rosto antes de me levantar — Você vai me levar até lá.
— Sesshoumaru — Kaede me chamou o que me fez olhá-la por cima do ombro — Youkais não são permitidos lá, ao tentar se aproximar eles o atacarão — ela disse me olhando séria.
— Essa é a intenção — eu disse me dirigindo a porta da cabana. Sango não me seguia a principio, o que me fez parar e olhá-la por cima do ombro. Eu estava agitado, a vontade que eu tinha era de correr dali e arrastar Takeo pela gola do kimono — Está esperando ela morrer? — eu perguntei grosso.
Ela piscou algumas vezes e negou com a cabeça. Começou a andar na direção da porta, e eu voltei a seguir para fora. Ela parecia um pouco insegura e não sabia ao certo o que falar, porém eu não me importava. Salvar Kagome era a minha prioridade! Ela fez menção de chamar a gata youkai quando eu a impedi.
— Você vai comigo, é muito mais rápido — eu disse a olhando, ela engoliu em seco e se aproximou de mim um pouco envergonhada, eu não me importei com isso — Qual a direção? — eu perguntei.
— Siga exatamente 50 km nesta direção — ela apontou para o nordeste — quando chegar lá você deve seguir 20 km ao norte e mais cinco ao noroeste — ela me olhou — foi lá que eu me separei de Kagome.
Eu não disse mais nada, somente a envolvi pela cintura a trazendo para mais perto do meu corpo, para Sango não cair e passei a seguir pelo caminho que ela me indicou o mais rápido que eu podia. Logo já estávamos no local em que ela havia dito a última coordenada.
— Foi aqui — ela disse olhando ao redor — Exatamente aqui que eu me separei de Kagome da primeira vez. — eu a soltei, e ela se afastou a uma distancia segura — Sesshoumaru... — ela pareceu insegura, e eu somente a olhava indiferente — Eu sei que está muito preocupado com Kagome, mas ela vai se sair bem — ela parecia querer me reconfortar ou se reconfortar — Vocês terão muitos dias juntos... — e ela deu um leve sorriso, parecia querer acreditar nisso também.
— Hm — foi tudo o que eu disse. Não quero ficar falando sobre mim com ninguém, muito menos com alguém que eu quase falei sobre. Se eu for falar de meus sentimentos a alguém, que seja a dona dele, ou nem ela. Passei a pensar em uma maneira de me aproximar do templo, mas eu sentia uma forte barreira o envolvendo e eu sabia que não poderia me aproximar... Porém nada os impedia de se aproximarem de onde estávamos. — Humana, se afaste — eu disse sacando Bakusaiga.
Eu mirei nas árvores que havia a nossa esquerda e ataquei. Uma grande parte das árvores foi derrubada, mas duvidava que só aquilo fosse o suficiente para atrair a atenção deles. Por isso mirei nas árvores mais próximas a barreira, afinal eles precisavam perceber o ataque. — Sesshoumaru, isso é mesmo necessário? — Sango me perguntou quando eu me preparava para atacar uma terceira vez.
— Precisamos atraí-los — eu disse atacando em um terceiro local. Quando me preparava para atacar em um quarto, uma voz se fez presente.
— Pode parar aí youkai insolente — um senhor de feições velhas se aproximou de mim com um estranho bastão, ele usava vestes de monge num tom dourado com preto. Ele olhava ao redor muito irritado — O que tem na cabeça de youkais como você? — ele pareceu me analisar — Destruindo as terras do templo, não pode ser perdoado.
Não conseguimos falar nada, o senhor já nos atacava muito rapidamente. Mais essa agora, ele tentou me acertar uma primeira vez e eu consegui desviar, mas na segunda o bastão passou de raspão do meu braço, o que doeu. Entendi, nada de encostar no bastão. Quando ele veio me atacar novamente, fomos interrompidos.
— Senhor Fujimoto, não o extermine — era Takeo quem falava, ele havia se aproximado do senhor e o olhava calmamente — Ele é amigo de Kagome.
O senhor me olhou de cima a baixo e arqueou uma sobrancelha — Se são amigos de Kagome, porque ela não veio com vocês? — ele perguntou descrente.
— Senhor Fujimoto, Senhor Takeo — a humana se aproximou os cumprimentando, Takeo pareceu levemente envergonhado na presença dela, mas disfarçou em seguida — O senhor perguntou por que ela não veio, pois bem, Kagome está desacordada — ela disse dando uma pequena pausa para eles assimilarem a noticia — Ela não acorda já tem três dias e tem também Joyeuse, que foi quebrada em uma batalha...
— Quando quebrou, — o senhor falou chamando a atenção dos dois — ela se transformou em uma lança? — Sango assentiu, e eu me lembrava vagamente de ver Kagome com uma espécie de lança na mão — Então Joyeuse cumpriu perfeitamente seu papel em proteger sua dona...
— Ela pode ser consertada? — eu perguntei, pois me lembrava da dor de Kagome.
— Pode — o senhor disse sério, Takeo somente o observava falar — Preciso que traga ela ao templo, lá eu poderei providenciar tudo — ele se virou e passou a caminhar — Se era só isso, já podem ir...
— Espere — eu disse o fazendo parar.
— Tem mais senhor — Sango continuou em vista que eu não falei mais nada — Kagome não acorda não se mexe, nem faz nenhum som — eles trocaram olhares e fizeram um continue com a mão — ela também não está se recuperando, por isso viemos atrás do Senhor Takeo para ajudá-la...
— Eu irei com eles averiguar o que se passa com Kagome — Takeo disse para seu mestre — Eu também trarei Joyeuse para que seja consertada — Fujimoto somente assentiu e voltou a caminhar na direção do templo — Vamos? — Takeo perguntou quando seu mestre sumiu de vista. A volta foi muito mais rápida do que a ida, em vista que Takeo a fez em linha reta.
Sango ainda estava sendo carregada por mim e Takeo ia nos acompanhando. O caminho foi feito em silencio até Takeo quebrar o mesmo — Isso não é bom... — ele disse alto o bastante para que nós escutássemos.
— O que não é bom? — Sango perguntou curiosa, nos dois olhávamos para ele. Takeo ficou levemente envergonhado, mas mesmo assim respondeu a nós dois. Afinal eu também estava curioso.
— Eu não estou sentindo minha ligação de familiar e mestre para com a Kagome — ele disse pensativo.
— Que significa? — Eu perguntei curioso, afinal Takeo parecia preocupado.
— Que ela foi corrompida, ou... — ele deixou a frase morrer na metade. Aquela pequena menção fez meu coração se agitar, Kagome não poderia estar morrendo, não é mesmo?
Takeo aumentou a velocidade e eu o copiei. Logo estávamos próximos do vilarejo, mas eu sentia que algo estava diferente. Muito longe da cabana eu avistei Inu-yasha, ele estava levemente atordoado sentado no meio da floresta. Sango pediu para nos aproximarmos e Takeo no mesmo instante se aproximou dele, e eu o imitei. Coloquei a humana no chão, com o movimento chamamos a atenção de Inu-yasha e a humana dele se aproximava a passos rápidos.
— O que aconteceu? — Sango perguntou, em vista que Inu-yasha não gostava de Takeo e ele não o responderia. Ela tocou nele e ele não parecia estar tendo reflexo, em vista que não a repeliu.
— Estávamos na cabana quando Kagome começou a liberar muita energia espiritual — Inu-yasha disse ainda atordoado, tentando recuperar o fôlego — Shippou e Kirara fugiram rápido quando perceberam o perigo, pensei que o poder dela não fosse me afetar, mas estava enganado — ele mostrou a manga queimada de seu kimono de rato de fogo — Miroku ficou para tentar conter o poder dela junto de Kaede e Kikyou...
Miroku se aproximava com Shippou e Rin, sinal de que Kaede estava sozinha com a humana. Eu queria somente vê-la... Mas tinha risco ao me aproximar. Takeo estava irritando a esse Sesshoumaru somente parado ali, querendo conversar com os humanos... Ele respondeu a Inu-yasha o que levantou minha curiosidade.
— Kikyou está aqui Inu-yasha — Takeo disse confuso, a olhando dessa vez — Porque não ajudou Kagome? Por acaso ainda guarda rancor dela? — Takeo perguntou o que a deixou desconcertada. Kagome me contou que ele sabia do passado dela e que ele havia a ajudado a se desprender do sentimento pelo meu meio irmão bastardo.
— Eu não posso contra o poder dela... Não nesse momento... — Kikyou disse envergonhada, e eu só queria ir logo para aquela cabana — Eu estou grávida... — ela disse olhando para Inu-yasha. O mesmo arregalou os olhos e logo em seguida desmaiou.
— Inu-yasha desmaiou Miroku — o youkai raposa disse quando se aproximou. Rin deu um leve sorriso e eu estava cada vez mais irritado — O que aconteceu Sango? — ele se dirigiu à humana, e a mãe do filho de Inu-yasha estava tentando acudi-lo... Quantas coisas desnecessárias em um único ambiente.
— Youkai, vamos Kagome precisa de ajuda — eu disse irritado de esperar. Ele assentiu e se virou para os humanos de novo. Ah, mas eu vou arrastá-lo de verdade.
— Vocês estão proibidos de se aproximar da cabana enquanto eu não contê-la — ele disse fazendo sinal para eu segui-lo. Quando nos afastamos dos humanos ele se dirigiu a mim — Você também teria que ficar de fora, mas eu sei que Kagome iria o querer por perto... — ele não disse mais nada. Pareceu pensativo.
Ao longe eu já podia sentir o poder de Kagome, ele estava me afetando levemente, mesmo eu ainda estando longe da cabana. Eu não sei se conseguirei me aproximar o bastante, como pretendia. — Vou fazer uma barreira em volta de você, o poder dela está totalmente sem controle — Takeo fez uns movimentos de mão ao redor de mim e uma pequena luz azul brilhou, se apagando em seguida.
Chegamos à porta da cabana. Takeo adentrou a mesma e eu demorei alguns segundos tomando coragem, será que eu estava preparado para ver como Kagome estava? Quando adentrei tudo estava levemente lilás, os cabelos de Kagome estavam levitando e ela não havia se mexido. A senhora estava sentada ao lado dela com um terço fazendo uma barreira que de nada adiantou. — Senhora Kaede, peço que se retire, por favor — Takeo disse e assim ela fez. Parecia estar cansada.
Quando ela saiu à energia de Kagome parecia ter ficado mais forte e estava me afetando, mesmo dentro da barreira. Takeo retira o pano que a cobre e a deixa somente com aquelas vestes curtas, tento não focar nisso agora, mas isso me incomoda. Somente eu posso ver Kagome nesses trajes, ou sem eles. Ele olha o ferimento na coxa dela e quando ele o toca o poder de Kagome se descontrola mais.
— O poder de Kagome está descontrolado assim porque ela foi envenenada — Takeo disse enquanto a analisa — Esse veneno mata sacerdotisas aos poucos e vai matando partes múltiplas do corpo, mas por dentro. Do lado de fora somente por onde ele entrou, que foi aqui — ele apontou para a coxa necrosada, logo ele sobe as mãos e as passa no peito de Kagome — os poderes dela perceberam o veneno e está tentando purificá-la porque chegou ao coração.
— Então ela está morrendo? — eu perguntei um pouco assustado. Eu poderia perder a humana?! Eu não conseguia acreditar nisso. As palavras de Takeo me fizeram prestar atenção nele.
— Está — ele disse me olhando rapidamente, ele também estava nervoso — Mas ainda dá tempo de salvá-la — Takeo passou a se concentrar e começou a ajudar Kagome. Quando o poder deles entrou em ressonância Kagome começou a se agitar, eu me aproximei dela a segurando, para que não abrisse os ferimentos que não haviam cicatrizado. — Minha ligação com ela está voltando fracamente e eu vou conseguir falar com ela na mente dela — ele me olhou novamente — Eu preciso que ela acorde, pelo menos mentalmente, mas somente meus chamados não estão a despertado.
Eu entendi ao o que ele se referia, por isso ele me trouxe. Eu me sentei ao lado dela, me abaixei até o ouvido dela e disse baixinho — Kagome — e no mesmo instante o poder dela se acalmou um pouco, Takeo murmurou um de novo e assim eu o fiz — Kagome, esse Sesshoumaru está aqui...
— Sesshoumaru — ela sussurrou baixinho.
— Consegui — Takeo disse se concentrando — Sua tapada, como você faz isso?! — ele disse muito bravo, e eu ainda estava sem reação. O pensamento de perder Kagome ainda estava passando em minha mente. Novamente perder alguém que me é importante mexia com esse Sesshoumaru.
— Desculpe — ela disse ainda de olhos fechados — Porque não vejo nada? — ela somente movia os lábios, mas sua expressão ainda estava à mesma.
— Você está morrendo Kagome... — Takeo disse baixo, mas ela escutou porque arfou — Você foi envenenada com um veneno para sacerdotisas... — ele parou a mão em cima do coração dela — Preciso que me dê acesso, por isso pedi a Sesshoumaru para trazê-la...
— Cedido — ela disse e depois se calou novamente, como se não houvesse falado nada.
— O que aconteceu? — eu perguntei sem entender o porquê dela ter se calado.
— Estou a curando por dentro, nesse momento eu sei tudo o que se passa na cabeça de Kagome e no coração também... A propósito, não precisa ter ciúmes de mim, eu a vejo como uma irmã menor... — ele deu um leve sorriso para mim e eu me senti envergonhado com essa fala dele, mas não liguei — Parece que minha maninha está apaixonada por você Lorde... — ele disse me olhando divertido, voltando a focar na função anterior. Eu estava estático, os olhando. Kagome apaixonada por esse Sesshoumaru? Essa humana ainda vai me enlouquecer!
Em um momento parece me odiar e agora descubro que ela me ama? — Humana insolente — eu disse me sentindo feliz. Takeo balançou a cabeça para os lados, como se me achasse um tolo.
— Pronto... — ele disse depois de longos minutos em silêncio, o poder de Kagome voltou ao normal e eu senti o poder de Takeo me deixar — Consegui purificar o veneno e agora eu vou curar as feridas dela — Takeo passou a deixar a energia azul a envolver e logo as feridas passavam a fechar. — Agora ela vai descansar, deve acordar daqui uma hora mais ou menos... Ou dormir direto, como é preguiçosa. — e sorriu.
Eu me senti aliviado com isso, mas eu daria espaço pra todos, sabia que eu poderia conversar com ela a sós... Na verdade, eu não sei se Kagome me quer aqui... E esse Sesshoumaru também precisa pôr os pensamentos em ordem, desde quando cheguei aqui na aldeia estou preocupado com Kagome. Eu a olhei e sua cor começava a voltar, quando Takeo se afastou ela mudou de posição, ele a cobriu novamente. Nós a deixamos dormir, seguindo na direção da saída.
— Ah, sabe onde está o que restou de Joyeuse? — ele me perguntou, parando próximo a porta. Eu me dirigi até o canto da cabana em que eu havia a deixado. Estava enrolada em um pano, eu o peguei e entreguei a Takeo — Vou levar e trazer o mais rápido possível... — eu assenti — Estou indo, diga aos outros que eu dei tchau. — e se foi.
Não demorou um minuto Sango adentrava a cabana — Vim assim que Takeo saiu... Ela acordou? — eu neguei.
— Mas está fora de perigo — eu disse saindo da cabana, dando liberdade aos outros. Eu sabia que os intimidava. Segui até o mesmo lugar que havia ficado desde quando cheguei aqui, me sentei na beira do lago, apoiado na única árvore que havia por ali e fiquei olhando o entardecer. Os outros logo vieram para ver Kagome. Rin estava com eles lá dentro. Ninguém se aproximava de mim, e somente Rin se sentava comigo aqui, por isso passei a apreciar esse local.
Eu já usava minhas roupas habituais, o kimono que Kagome me deu está guardado em meu castelo. Eu por todos esses dias me privei de pensar em nós, sinceramente eu ainda tinha duvidas se dava vazão ao o que eu estou sentindo, se realmente existia um nós... Envolver-me com uma humana pode vir a ser perigoso para ela, mas o que fazer quando eu a quero para mim? Quando eu paro pra pensar no meu relacionamento com Kagome, me pergunto quando ela ganhou um espaço tão significativo em mim.
Ela foi se aproximando aos poucos e quando dei por mim, eu queria desvendá-la, implicar com ela, causar emoções diferentes e ouvir sua voz. Apreciar seu rosto durante um sorriso, ou somente ficar a olhando mexer nos cabelos de forma inconsciente. Às vezes em que brigava comigo e depois parecia se sentir culpada... Realmente ela já havia se aproximado e eu nem havia percebido, de forma sutil Kagome ganhou minha atenção, meus pensamentos, e até mesmo em determinado momento...
Meu coração...
Abri os olhos, a lua já estava alta no céu. Cheia e iluminava a tudo, a cabana estava apagada, sinal de que todos dormiam. Não vou incomodá-los, afinal o que iria fazer lá mesmo? O tempo em que fiquei aqui os humanos do vilarejo e Inu-yasha deixavam claro não apreciar minha presença. Kagome já estava bem e eu poderia partir, porém Rin estava descansando lá dentro e eu não poderia deixá-la. Que dilema esse que eu fui me meter. Deveria ter me atentado ao tempo a minha volta, poderia ter partido antes de Rin adormecer...
Apoiei minha cabeça na árvore novamente fechando os olhos. Assim que amanhecesse eu partiria, Kagome não precisa ver a este Sesshoumaru e é capaz dela nem acreditar que eu estive aqui mesmo. Passou algum tempo comigo desta forma, até que senti alguém me acariciar no rosto. Assustado abri os olhos rapidamente e segurei a mão da pessoa. Olhos azuis me encaravam divertidos e Kagome dava um leve sorriso, ela estava abaixada na minha frente usava um kimono verde com detalhes de flores. Como eu não a percebi tão perto?
— Desculpe se o assustei Sesshoumaru — ela disse segurando em minha mão de forma doce e a acariciando levemente. Eu a olhava sem entender o porquê dela estar do lado de fora da cabana, ela tinha que estar descansando — Não sabia que estava dormindo... — ela continuou quando eu não disse nada.
— O que faz aqui? — eu perguntei a olhando de forma curiosa. Kagome me olhou e balançou a cabeça em negativa, ela se levantou e puxou a minha mão que ainda segurava.
— Queria te ver — ela disse somente. Eu me levantei e ela me abraçou quando eu fiquei totalmente ereto — Obrigada por ter me ajudado naquele dia, se não fosse você eu estaria nas mãos de Yokoyama agora... — ela disse me acariciando levemente nas costas — Obrigada também por permanecer aqui, me fez me sentir importante — eu revirei os olhos e corei um pouco, mas ela não viu. O que eu achei ótimo — Porque ficou? — ela não me olhou quando perguntou. Ela estava olhando para o lado.
Eu a afastei de meu peito e segurei em seu queixo a obrigando a me olhar nos olhos — Porque eu queria saber se você ficaria bem — eu disse a olhando sério. Ela me dirigiu um sorriso e balançou a cabeça em afirmativa — O que você queria dizer a este Sesshoumaru aquele dia? — eu perguntei, em vista que ela tocou no nome de Yokoyama.
— Vamos para outro lugar, não quero que mais ninguém saiba — ela disse segurando em minha mão e me guiando na direção da floresta. Ela parecia estar bem, entretanto eu sabia que isso não era verdade. O corpo de Kagome tremia levemente, eu sentia pela mão que eu segurava, suas pernas também fraquejava às vezes e ela tropeçava mais que o normal, talvez ela estivesse se esforçando e querendo mostrar que tudo estava bem, humana tola. Peguei-a no colo, o que a assustou levemente, segui para uma das muitas árvores que tinha por ali e me sentei com Kagome entre minhas pernas, já estávamos longe o suficiente — Obrigada, meu corpo ainda não se recuperou. — ela parecia envergonhada ao admitir isso.
— Hm.
Ela se sentou de lado e eu estava de frente para ela, com uma das pernas apoiada no grosso galho e com a outra suspensa — O que eu queria falar com você realmente é sobre Yokoyama... — ela começou a falar, mas não olhava para mim. Ela juntou todo seu cabelo e o jogou por cima do ombro esquerdo, mexendo nas pontas de forma frenética — Lembra-se daquela vez em que eu estava na cabana com vocês e você sentiu o cheiro de Ritsu? — ela perguntou e pareceu envergonhada, o porquê eu não entendi.
— Sim — eu disse a olhando sério, o assunto estava começando a ficar sério. Eu me lembrava de na época o assunto não me interessou, mas agora era diferente.
— Naquele dia ele veio até onde eu estava para me dar um recado — ela olhou para mim rapidamente, mas logo desviou o olhar — Ritsu me disse que o mestre dele me queria, e que se eu não fosse com ele muitos dos meus, se referindo aos humanos, iriam sofrer — ela deu um leve suspiro — Ele disse que me teria por bem ou por mal... — Kagome deu um sorriso irônico — Percebemos que ele não estava brincando, não é mesmo? O último ataque está aí para comprovar as palavras dele...
Eu a olhava muito sério. Ela poderia ter me falado isso naquele dia, talvez esse ataque pudesse ter sido evitado. Mas, de onde ele a conhece? — Onde Yokoyama te viu? — eu perguntei confuso. Afinal ninguém sabe como é a aparência dele, a não ser o próprio Ritsu.
— Me fiz essa mesma pergunta — ela disse me olhando séria — Eu não me lembro de já ter me encontrado com ele, ou o visto — Kagome pareceu ficar pensativa, como se buscasse alguma lembrança — Eu fiquei muito surpresa quando Ritsu me disse isso e pra ser sincera eu não acreditei... Antes eu tivesse o feito — ela deu um sorriso sem humor algum, Kagome ficou em silêncio alguns instantes antes de se pronunciar novamente — Naquele dia eu não te falei nada porque você não iria se importar e sinceramente eu não queria que ninguém soubesse — e deu de ombros.
— Naquele dia — eu comecei depois que ficamos ambos em silêncio — eu fui para minhas terras para saber como estavam as coisas, porém quando cheguei lá estávamos sendo atacados pelos youkais do Yokoyama — eu dei de ombros — Eles foram embora e depois disso não atacaram mais as terras do Oeste.
Kagome me olhou com uma sobrancelha arqueada, mas nada disse. Ela novamente pegou uma mecha do cabelo dela e murmurou baixinho — Como você me achou lá? — eu sabia que ela estava se referindo na emboscada. Ela apoiou ambas as mãos sobre as coxas e segurou em seu kimono.
— Shippou esqueceu algo que Rin quis devolver — eu disse observando o quanto Kagome parecia estar ansiosa pela resposta. Suas bochechas estavam um pouco vermelhas e ela balançava as pernas levemente — Quando cheguei ao vilarejo ele contou que vocês haviam saído em busca de youkais que estavam próximos — dei de ombros — Quando cheguei lá Sango disse que eu poderia ser o único a passar — ela me olhou curiosa — Parece que tem cabelo seu em minha estola.
Kagome ficou muito envergonhada — Desculpe, não queria estragá-la — ela me olhou incerta, parecia ter medo de algo. Receio era isso o que definia Kagome nesse momento — Quando eu acordei — ela começou a falar baixo — Eu percebi todos dormindo e eu procurei por... — ela suspirou de forma pesada — Joyeuse... Sabe onde ela está? Eu queria me despedir de minha espada — sua expressão era triste.
— Takeo a levou — eu disse calmamente. Kagome me olhou com a testa franzida e demonstrava estar confusa — É capaz consertá-la, o próprio velho, mestre de Takeo disse — o sorriso que eu vi depois, foi o mais lindo que Kagome já demonstrou.
Com certeza, eu me recordaria deste sorriso. Mas ela não precisa saber disso — Sério?! — ela perguntou se alegrando de repente — Minha querida companheira ainda vai estar comigo? — eu assenti e ela sorriu mais ainda, era evidente sua alegria — Não vejo à hora dela estar comigo de novo!
Kagome ficou sentada ainda em silêncio, mas eu percebia por suas feições que ela estava cansada — Deveria estar lá dentro descansando Kagome — eu disse atraindo a atenção dela para mim — Você está cansada, é evidente — ela negou com a cabeça e se aproximou mais de mim.
Ela colocou a mão sobre meu peito e me olhou nos olhos. Aqueles olhos azuis sempre me prendiam — Eu estou onde quero estar — e me dirigiu um sorriso — Eu sei que Takeo te contou aquele linguarudo — e revirou os olhos. Eu não disse nada, somente fiquei a olhando, ela deu um suspiro desanimado — Você é tão comunicativo sabe — e balançou a cabeça para os lados.
Ela espera que eu diga que também me interesso por ela? Que de certa forma também estou apaixonado por ela? Eu não sei se conseguiria fazer algo assim. Dizer não é algo fácil para mim. Por isso sem saber como me portar, optei pelo silêncio. Kagome revirou os olhos e subiu a mão que estava em meu peito para minha bochecha, e logo sua outra mão fazia o mesmo. Eu a olhava de certa forma curioso, esperando descobrir qual seria seu próximo passo. Kagome se aproximou mais de meu rosto, e antes de selar nossos lábios ela deu um mínimo sorriso, fechando os olhos em seguida. Foi somente um selar de lábios, mas algo se aqueceu dentro de mim. Ali, naquele momento ela estava me demonstrando que o que Takeo disse era verdade. Eu me aproximei mais de Kagome e segurei em seu rosto de forma carinhosa, aprofundando o beijo.
Se eu não sabia como dizer o que eu estava sentindo, eu iria demonstrar a ela, e somente a ela. Da melhor forma que eu posso, da única forma que eu sei e da única forma que me interessa. Eu passei a beijá-la da forma mais carinhosa que eu podia, da forma que eu achava que deveria ser. A floresta estava silenciosa, como se desse privacidade a nós dois, a única testemunha de nosso momento era a lua. A lua que sempre esteve comigo em tantos momentos. Kagome desceu ambas as mãos para meu peito e eu acariciava sua bochecha de forma lenta. Eu queria que ela sentisse que eu a queria, que eu também estou apaixonado por ela, mesmo sem conseguir dizer, acredito que palavras não são necessárias nesses momentos. Encerramos o beijo e Kagome continuou de olhos fechados, parecia apreciar alguma coisa.
— Obrigada por não fazer eu me arrepender por ter me apaixonado novamente — ela disse quando abriu os olhos e deu um leve sorriso, ali eu tive a confirmação que de a minha maneira Kagome percebeu que eu a retribuía. Ela ainda sorria levemente e me olhava curiosa, mas eu percebi em seu semblante o cansaço. Kagome estava se esforçando para ficar acordada.
— Está cansada — eu disse a olhando, ela tentou negar, mas seu corpo a traiu e ela bocejou — Vamos — eu fiz menção de descer, quando ela colocou as duas mãos em meu peito.
— Não, eu quero ficar aqui — ela disse me olhando de forma pidona — Lá está muito cheio e eu não consigo dormir muito bem — Kagome deu uma piscada mais longa, logo ela adormeceria. Eu a sentei de costas para mim, a apoiando em meu peito. Kagome apoiou a cabeça em meu ombro direito e segurou em minha mão, enlaçando nossos dedos — Obrigada por estar comigo.
Eu nada disse, somente apoiei o meu queixo no topo de sua cabeça e com a mão esquerda enlacei sua cintura para mantê-la próxima de meu corpo. A noite já estava em estado avançado, mas nada iria tirar o meu apreço por aquele momento. Kagome tranquila dormindo em meus braços e ciente de meu amor por ela.

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