Caminhos Entrelaçados
16 Capítulo 16
Notas iniciais
Estávamos nos encaminhando na direção de uma energia muito poderosa, e eu sabia que ela provinha da espada. A energia estava bem perto de onde estávamos, pois como eu demorei muito para me “esconder” a espada conseguiu me rastrear e chegou próximo demais, estava aproximadamente um pouco mais de um quilometro do vilarejo da vovó Kaede. Takeo conseguiu me tirar do rastro da espada a tempo, mas ela sabia que eu estava por perto, muito perto e provavelmente estava dominando seu novo usuário para me caçar... Quem sabe não seja o próprio Yokoyama?
Eu evitei o caminho pelo vilarejo por medo da espada me seguir até lá, entretanto eu sabia que se meus amigos estivessem por perto eles se dirigiriam até onde Worochi estava, e dentre todos eles, Kikyou seria a que correria mais perigo, Worochi iria querê-la também, por isso preciso chegar lá antes deles, afinal apesar de tudo Kikyou merece ter a vida dela. E eu não desejaria aquilo nem pro meu pior inimigo! Por este motivo eu precisava me apressar e evitar que mais alguém se ferisse, por causa de Worochi.
Sesshoumaru seguia comigo em total silêncio, provavelmente perdido num mundo só dele, mundo esse que eu não ousaria tentar invadir. Ele corria um pouco a minha frente compenetrado em seu caminho e em nenhum momento olhou para trás, confesso que isso me frustrou, mas eu poderia esperar o que dele? Flores e corações? Não! Sesshoumaru havia colocado sua estola novamente, a prendendo em seu braço direito como de costume, Tenseiga e Bakusaiga ambas presas em sua cintura. Imponente como só ele sabe ser.
Parei de ficar devaneando sobre o youkai a minha frente e voltei a pensar no inimigo, a espada pode estar sendo empunhada por Yokoyama, como também por algum dos soldados dele, afinal o poder demoníaco da espada pode ser menor que o poder dele e se isso for verdade estamos encrencados, afinal Worochi é a espada com o maior poder demoníaco já produzido nessa Era, Toukijin era fichinha perto dela! Eu seguia Sesshoumaru, ele deve estar sentindo algum cheiro porque ele mudou de direção... Saímos do meio das árvores e começamos a avistar um vilarejo abandonado, eu sabia da existência dele, ele foi abandonado por causa dos deslizamentos de pedras grandes provenientes das montanhas, isso há muito tempo.
O vilarejo aparentava estar vazio, todavia eu sabia que não era verdade. Eu sentia que havia alguém por ali e sabia que no fundo estava me aguardando. Eu tomei à dianteira e passei a andar por entre as ruas desertas, sentia Sesshoumaru me seguindo a passos lentos, todavia eu sabia que ele estava muito alerta a tudo a sua volta. As casas estavam em condições precárias e muitas já não tinham teto, algumas nem paredes.
Ainda havia muitas ruas para se passar, entretanto senti meus ombros serem virados bruscamente em uma direção, para a rua a minha esquerda. No final do caminho havia uma casa parcialmente destruída que indicava o final daquela rua, entretanto ao longe eu podia ver alguém sentado em sua varanda, olhando fixamente para a espada que era levantada aos céus. Senti um frio percorrendo minha espinha de forma lenta e torturante. Sesshoumaru colocou a mão por minhas costas me guiando até a metade da rua, longe ainda do desconhecido.
A espada sem muitos atributos de lâmina preta e cabo vermelho, era mostrada como algo belo por ele, algo que desse fascinação, quem a visse pensaria que era somente uma espada qualquer de samurai, mas mal sabem eles que é isso que Worochi quer que pensem, pois ao empunhá-la ela domina qualquer um, sem nenhum esforço. Seu “dono” estava sentado de forma preguiçosa, usava um kimono similar ao de Sesshoumaru na cor branca com detalhes em vermelho, vermelho esse proveniente do sangue de alguém. Sua pele era bronzeada e ele não era bonito, na verdade mesmo ele tendo aparência humana, parecia um demônio.
— Sabia que viria até mim Ka-go-me — o estranho disse sem desviar o olhar da espada, falando meu nome de forma espaçada — Worochi me disse que viria, cedo ou tarde, e parece que ela estava certa, não é mesmo? — ele me olhou pela primeira vez, e seus olhos estavam vermelhos... — Me chamo Masato, mas isso não faz diferença. Worochi clama por seu sangue, querida.
Senti o mesmo frio percorrer a minha espinha novamente — Como conseguiu a espada? — eu perguntei sem demonstrar o medo que eu sentia dela.
— Meu mestre havia a roubado, mas disse a Ritsu que não era para usá-la... Que seu poder fugia do normal e poderia chegar a ser incontrolável — ele disse voltando a olhar pra espada, sem nem se importar em baixar a guarde perante a mim e a um youkai como Sesshoumaru — Grande bobagem, essa espada é magnífica! Os poderes dela são inimagináveis, principalmente quando ela é alimentada com o principal alimento dela... — ele me olhou novamente, seu olhar era desdenhoso — E você sabe qual é, certo? — ele fez a pergunta como uma retórica voltando a falar — Mas ela nunca havia provado nada como você Kagome, pura de corpo e alma, por isso ela me fez vir atrás de você... Confesso ser um desperdício matar alguém tão linda quanto você.
— Você não sabe o que diz, nem tem mais controle sobre seu corpo — eu disse colocando a mão em Joyeuse instintivamente, como forma de proteção — Yokoyama deve estar furioso por você tê-lo roubado, não?
— Meu senhor não sabe apreciar uma boa espada quando vê uma — ele disse se levantando — Worochi é uma benção! Senhor Yokoyama irá me perdoar quando eu provar a ele! — ele me deu um sorriso estranho — Sobre não ter controle sobre meu corpo não é tempo todo, e isso eu encaro como um bônus!
— Chega você já falou demais — Sesshoumaru disse chamando nossa atenção para ele. Eu havia me esquecido dele por um momento. Sua expressão estava alterada, ele estava irritado com algo.
— Worochi não o quer aqui — Masato disse olhando ferozmente para Sesshoumaru — Ela só quer Kagome aqui, para terminar de retalhá-la como daquela vez! — ele olhou para mim novamente, seus olhos pareciam brilhar em êxtase — Se lembra de como vocês se divertiram aquele dia? — meus olhos se arregalaram minimamente, não tinha como ele saber... Tinha? — Worochi me mostrou como você chorou e gritou naquela noite, como você sangrou e implorou por sua vida...
— CHEGA! — eu gritei me lembrando daquele dia novamente, saquei Joyeuse num descontrole emocional muito louco e ataquei. Novamente o dragão entalhado em minha espada criou vida e saiu destruindo tudo pela frente, acertando Masato que foi pego de surpresa, o arrastando sobre os destroços da casa — Não quero nunca mais me lembrar daquele dia — eu coloquei a mão que estava sem a espada na cabeça. Como se isso fosse capaz de impedir aquelas imagens.
— Humana Inu-yasha vem nessa direção — Sesshoumaru disse quando colocou a mão em meu ombro, atraindo minha atenção para ele — Porém ele ainda vai demorar a chegar — ele me olhou nos olhos antes de se pronunciar novamente — Não precisa se preocupar, este Sesshoumaru não deixará nada lhe ocorrer.
Eu não disse nada, não preciso que ele me proteja e me virei na direção em que Masato estava, assim como me lembrava ele estaria sem nenhum arranhão. — Precisamos fazê-lo soltar a espada Sesshoumaru, enquanto empunhá-la não tocaremos nele — eu disse num sussurro para só ele me ouvir. Ele assentiu para mim e correu na direção de Masato, tentando o acertar com o chicote venenoso.
Sem sucesso, Masato brandiu a espada e uma estranha corrente de ar cortou o chicote de Sesshoumaru. Eu rapidamente peguei meu arco e me concentrei atirando uma flecha na direção dele, mas também não surtiu efeito algum. Ela acertou uma das casas.
— Vocês não vão tocar em mim — Masato disse brandindo a espada novamente, fazendo uma lâmina de ar vir em minha direção. Eu pulei para a minha esquerda, desviando, a lâmina passou, porém a pressão do vento fez um pequeno corte em minha bochecha. Sesshoumaru avançou contra ele novamente, dessa vez empunhando Bakusaiga num mano a mano para ver se conseguia desarmá-lo, porém não conseguiu. Isso me preocupou, afinal Sesshoumaru que era forte não conseguiu, imagina eu! Aproveitei essa chance e fui para atacá-lo também, entretanto ele conseguiu desviar do ataque de Sesshoumaru e de quebra, do meu também.
— Vocês não têm sintonia em seus ataques, nunca conseguirão me acertar — Masato disse com ironia — Mas eu e Worochi temos toda a sintonia do universo. — eu revirei os olhos, porém ele tinha razão nessa questão, Sesshoumaru e eu não tínhamos sintonia. Ele nada disse, somente atacou com Bakusaiga destruindo o que havia sobrado da casa. Masato focou seus ataques em Sesshoumaru, era agora que eu tinha que agir. Eu precisava destruir o mal que era Worochi!
Eu precisava lutar com tudo de mim. Liberei meu poder de sacerdotisa, deixando o mesmo percorrer todo meu corpo. Eu me senti meu corpo sendo purificado e me lembrei da noite anterior, mas logo afastando esses pensamentos. Peguei meu arco e me concentrei novamente, meu poder mais forte, mirei perto de Masato e atirei. Novamente ele conseguiu se esquivar de minha flecha, eu não iria acertá-lo enquanto estivesse com Worochi em mãos.
Ele conseguiu se livrar de Sesshoumaru e correu em minha direção muito rápido, eu me esquivei para a direita quando ele se aproximou o fazendo passar por mim, porém quando o fiz ele segurou em meu cabelo, me fazendo cair de costas no chão e me impedindo de me afastar. Com o puxão repentino em minha cabeça, a fita arrebentou dando mais acesso pra ele segurar em meu cabelo. Ele me puxou pelos cabelos me arremessando em direção a uma das paredes das casas, quando eu pensei que iria acertar a parede em cheio, senti meu corpo ser segurado.
— Já a pegou? — Masato perguntou a Sesshoumaru que me colocava no chão e me entregava Joyeuse. — Já te disse Worochi não te quer aqui, somente quer a sacerdotisa — Masato disse irritado. Pergunto-me se é ele ou o demônio da espada falando. Ele veio rapidamente para cima de Sesshoumaru e de mim. Sesshoumaru conseguiu bloquear o ataque dele com a espada, mas eu não contava que Masato fosse pegar impulso e me dar um chute no peito.
Caí de bunda no chão e tenho certeza de que onde ele me acertou vai ficar roxo. Levantei rapidamente e empunhei Joyeuse, atacando com o Lâmina Estelar Purificadora, tomando o maior cuidado para não acertar Sesshoumaru. Masato desviou, porém algumas lâminas os acertaram. Finalmente algo o acertou!
— Vai precisar mais do que isso para me... — como ele me olhava, não percebeu Sesshoumaru se aproximando por trás. Ele enfiou suas garras em seu braço esquerdo, o ferindo seriamente — Cretino! — Masato gritou brandindo Worochi na direção de Sesshoumaru, rapidamente atirei uma flecha na direção da lâmina da mesma, porém eu não acertei. Claro que Worochi não queria ser atingida.
— Sesshoumaru, você tem que usar a Bakusaiga — eu disse enquanto corria para cima de Masato tomando cuidado para não entrar em contato direto com a lâmina. Se ela me tocasse a maldição seria liberada e a dor voltaria pior do que antes.
— Não me diga o que fazer humana — ele disse irritado, e eu dei de ombros. Bloqueei o ataque de Masato, mas novamente aquela estranha pressão fez um corte em mim, dessa vez em meu ombro. Eu estava ficando cada vez mais irritada!
— Sente isso Kagome? — Masato perguntou forçando a espada sobre a minha, tentando tocar Worochi em mim — Worochi te deseja tanto que ela exala felicidade.
Senti um youki conhecido se aproximando de onde estávamos e eu sabia que Inu-yasha estava próximo e eu sabia também que ele sentia meu cheiro e o de Sesshoumaru. Masato olhou na direção em que eles se aproximavam e eu aproveitei essa distração para acertar um soco no rosto dele, ele afrouxou a mão, mas não chegou a soltar a espada. Sesshoumaru também acertou um soco nele, mas não pegou em cheio por que ele conseguiu desviar no último instante. Afastamo-nos dele, Sesshoumaru ao meu lado empunhando Bakusaiga e eu Joyeuse para defesa.
Neste instante Inu-yasha e os outros apareceram em nosso campo de visão. Quando Inu-yasha parou e Kikyou desceu de suas costas Masato a olhou, analisando, e eu sabia o que ele fazia. — Inu-yasha, proteja Kikyou! — quando eu disse isso Masato já corria na direção deles e Inu-yasha pareceu sem ação, confuso. Eu comecei a correr atrás de Masato a uma velocidade maior permitida por um humano, precisava detê-lo. Inu-yasha sacou a Tessaiga e bloqueou o ataque dele, porém foi arremessado longe por não saber da pressão que cerca Worochi.
Consegui chegar à frente de Kikyou e com Joyeuse bloqueei o segundo ataque dele a ela, com toda a força que eu tinha. A pressão novamente me cortou dessa vez em meu abdômen. Eu estava usando minha perna como apoio e o empurrei levemente, usando meu poder espiritual para tentar fazer Worochi recuar — Kikyou, se afaste — eu disse ainda bloqueando Masato.
— Ora Kagome, Worochi aceita as duas sem problema — Masato disse dando um sorriso sacana, me empurrando de volta, tentando me desarmar — Não precisa ficar com ciúmes!
— Vamos Kikyou — eu disse tendo dificuldades em segurá-lo, mas a mesma nem se movia, parecia hipnotizada. Sesshoumaru se aproximou e ia atacá-lo por trás, entretanto Masato percebeu e pulou desviando do ataque dele, e Bakusaiga se chocou com Joyeuse, se eu não estivesse com Joyeuse em posição de defesa ele teria me acertado em cheio. Virei-me e peguei Kikyou pelo braço a levando para longe — Aquela lâmina se alimenta do sangue de sacerdotisa, por isso fique longe — eu disse quando parei frente a ela, já longe o suficiente da espada.
— Ela é perigosa para você também — ela disse me olhando confusa.
— Não se preocupe, eu sei lidar com ela — eu disse dando as costas a ela e voltando para a luta. Dessa vez Inu-yasha já estava lá e atacava com a Ferida do Vento, Sesshoumaru também atacou com a Bakusaiga, mas nada surtia efeito. Olhei para Sango e me aproximei dela e de Miroku que estavam de fora. Ainda bem que eles não tentaram entrar na luta.
— Kagome, o que está acontecendo aqui? — ela perguntou quando me viu me dirigindo até ela, ela estava assustada — Que inimigo é esse?
— Ele é muito poderoso! — apontou Miroku.
— O inimigo não é o youkai e sim a espada — eu disse os explicando superficialmente, Shippou estava sentado na cabeça de Kirara e eu acariciei seus fios ruivos — Preciso de Kirara Sango e, por favor, não se envolva na luta... — quando ela fez menção de contestar eu continuei — Só preciso que você atire o osso voador quando eu lhe der o sinal, preciso pegá-lo de surpresa.
Sango assentiu e todos desceram de Kirara, eu montei nela e logo estávamos no alto. Masato não havia percebido que eu tinha subido em vista que ele estava tendo problemas com Inu-yasha e Sesshoumaru, porém ele não era atingido. Eu sabia que para acertá-lo ele deve ser pego de surpresa e era isso que eu ia tentar. Ele conseguiu se livrar de ambos novamente, e se afastou, para lançar aquela mesma lâmina que tinha usado contra mim antes, ambos se afastaram para não serem pegos. Masato ficou abaixo de mim eu fiz o sinal de positivo para Sango. Ela atirou o Osso Voador na direção dele, que por instinto pulou para desviar do mesmo, pegando uma altura suficiente para fugir do boomerang.
Eu aproveitei isso e pulei de Kirara indo de encontro a ele. Quando ele percebeu que eu me aproximava já era tarde demais, eu consegui acertá-lo com um chute que pegou no peito dele, o derrubando de costas no chão e eu caindo por cima dele. Com o impacto ele enfim soltou a espada e eu rapidamente a joguei para longe com Joyeuse, me afastando dele me seguida. Sesshoumaru aproveitou que ele estava desnorteado no chão e atacou com a Bakusaiga, o retalhando por completo. No fim, ele era só um youkai comum...
Finalmente havia terminado! Inu-yasha e Sesshoumaru se aproximaram de mim, assim como os outros. Sesshoumaru parou ao meu lado, somente a espada nos separava — O que aconteceu aqui Kagome? — Inu-yasha perguntou e olhou de soslaio para Sesshoumaru.
— Nada demais, somente que eu recebi uma missão e vim cumpri-la — eu disse dando de ombros.
— Justo com Sesshoumaru? — ele perguntou incomodado. Acho que foi porque eu não o procurei para pedir ajuda, mas sinceramente, eu não queria que ninguém soubesse do que havia acontecido comigo... Já basta eu ter que contar a Sesshoumaru...
— A humana apareceu aqui — ele disse dando o assunto por encerrado.
— O que tem essa espada? — Miroku perguntou a analisando e fazendo menção de pegá-la quando eu o parei. Eu sabia que era Worochi tentando seduzi-lo para ser empunhada — O que foi?
— Não a toque, ela domina aqueles que a manejam. Se afastem dela, por favor, por medida de segurança — eu disse explicando a eles, todos se afastaram mais ou menos dez passos, menos Sesshoumaru — Seu nome é Worochi e ela é uma espada demoníaca, mais forte do que um dia Toukijin já foi — eu disse explicando a eles.
— Mas porque você me disse que ela se alimentava do sangue de sacerdotisa? — Kikyou perguntou quando agarrou o braço de Inu-yasha. Não era para ela ter perguntado aquilo, eu quis me socar por ter falado a ela.
— Eu estava com Mestre Fujimoto quando ele estava tentando capturá-la — eu disse por cima — Worochi acabou atacando uma sacerdotisa, porém falhou... — dei o assunto por encerrado.
— E porque Sesshoumaru não se afastou? — Inu-yasha perguntou irritado. Eu sabia que ele estava se sentindo inferior comparado ao meio-irmão.
— Essa espada não me afeta — ele disse indiferente, sem nem olhar para Inu-yasha. Eu dei um suspiro, só queria acabar com aquilo logo.
— Mas o que vamos fazer com ela? — Shippou perguntou quando pulou em meu ombro bom. Eu acariciei a bochecha dele e dei um sorriso.
— Pode deixar comigo — eu disse piscando pra ele, fiz a mesma pulseira de energia aparecer em meu braço e entoei o meu canto para chamar Takeo. Shippou desceu de meu ombro e subiu na cabeça de Kirara de novo, se afastando — Oh familiar que me cedeu parte de seu domínio, o convoco agora perante minha presença — e fiz o movimento necessário.
— O que está fazendo Kagome? — Inu-yasha perguntou confuso, assim como todos os outros demonstravam estar. Sesshoumaru que estava ao lado da espada me olhou de soslaio, mas não disse nada. Eu estava mais longe dos meus amigos, para a espada não influenciá-los. Não demorou nada e eu já sentia aquela energia que me transmitia paz se aproximar.
Takeo apareceu com sua expressão indiferente como sempre, os cabelos azuis escuro estavam levemente bagunçados, mas nada que tirasse a beleza dele. Porém ele parecia envergonhado. Ele sempre ficava assim na presença de estranhos, principalmente de mulheres.
— Foi rápida — ele disse quando parou na minha frente, porém seus olhos chocolate eram avaliativos. Takeo deu passos até parar bem próximo de mim e sussurrou bem baixinho, mas eu sabia que Sesshoumaru podia escutar pela proximidade em que estávamos somente ele podia, os outros estavam muito longe e até mesmo Inu-yasha não conseguiria ouvir — Me diz que não deixou a lâmina tocá-la de novo — eu neguei com a cabeça, o respondendo — então como foram feitos esses ferimentos? — ele perguntou quando se afastou um pouco de mim.
— Pressão do vento — eu disse explicando a ele. Takeo fez sua energia me curar, como das outras vezes, eu sentia uma energia gostosa e bem quentinha percorrendo minhas feridas. A minha pele ficou como se nunca houvesse existido uma ferida ali.
— Porque chamou o senhor Takeo Kagome? — Sango perguntou quando ele terminou de me curar.
— Takeo é capaz de conter essa espada — eu disse enquanto me abaixava para pegar a espada, eu só não podia tocar a lâmina — Mas dessa vez, ele vai destruí-la, certo Takeo? — eu perguntei o olhando friamente. E como se fosse uma ameaça. Mas no fundo eu somente tinha medo dela vir atrás de mim novamente...
Ele suspirou antes de me responder — É claro Kagome — ele disse indiferente. Novamente ele parou a minha frente, mas não pegou a espada — Preciso da sua ajuda — ele disse e eu liberei minha energia, sentindo meus cabelos esvoaçarem e ela percorrer por todo meu corpo. A espada em minha mão – que estava com a ponta apoiada no chão — começou a liberar mais energia negativa, quando a energia de Takeo a envolveu também. Sua mão sobre a minha. A energia lilás e a azul bebê a envolviam e eliminava toda a energia ruim presente na espada. Muita energia estava sendo utilizada, nossas vestes balançavam levemente devido a energia, nossos olhos brilhavam em prateado. Uma barreira impedia que nosso poder vazasse e ferisse alguém, mais precisamente os youkais.
Aos poucos fomos diminuindo a intensidade e logo não havia nada mais do que uma espada velha em minhas mãos. Takeo retirou sua mão de cima da minha e já havíamos voltado ao normal. — Leva embora, dessa vez se alguém roubar, não fará diferença — eu disse dando um sorriso pra ele.
— Comigo lá, ninguém rouba — ele disse sendo convencido. Eu revirei os olhos e o soquei levemente no ombro, entregando a espada a ele.
— Você foi incrível Kagome — Shippou disse pulando em meu colo. Ele olhou sem graça para Takeo — Você também senhor Takeo...
— Kagome, — Takeo disse sério chamando minha atenção — Vou levar essa coisa fofa para treinar comigo! — e afagou a cabeça de Shippou que ficou sem graça.
— Meu filhote, não seu! — eu disse abraçando Shippou mais apertado. Takeo afagou minha cabeça e sorriu — Até qualquer dia maninho...
— Até — ele disse indo embora tão rápido quando veio dessa vez levando uma inofensiva Worochi.
— Kagome — Miroku me chamou; virei-me para ele, assim como Sesshoumaru fez — Você já ficou com o Takeo? — ele perguntou na lata.
Senti meu rosto esquentando e o Youki de Sesshoumaru ao meu lado mudando levemente, será que ele está sentindo algo? — Claro que não seu monge pervertido! — eu disse irritada e envergonhada.
— Hm, vamos voltar ao vilarejo da velhota — Inu-yasha disse chamando nossa atenção e cortando o assunto. Todos começaram se arrumar para voltar, Inu-yasha já estava com Kikyou nas costas, e em Kirara já estavam Miroku, Sango e Shippou. Eles pareciam somente me esperar, mas eu ainda tinha que conversar com Sesshoumaru, sabia que era somente por esse motivo que ele ainda estava lá.
— Podem ir indo na frente, até o final da noite eu apareço por lá — eu disse para Inu-yasha, que me olhou com a sobrancelha arqueada — Eu vou ver a Rin, ela quer falar comigo alguma coisa importante — eu disse a primeira coisa que me veio a mente. Inu-yasha nada disse e saiu dali, assim como os outros. Sabia que Shippou queria ir e Sango a impediu, claro que ela sabia que eu estava mentindo...
Eu esperei eles se afastarem o suficiente para não me ouvir, e só aí eu me virei para o ser imponente a minha frente, que me olhava de cima e com os braços cruzados, dei um suspiro e segui na direção de minha mochila.
— Você quer mesmo saber o que aconteceu? — eu perguntei quando me sentei apoiada a árvore onde havia deixado a minha mochila e colocando a mesma sobre o colo. Sesshoumaru caminhou em minha direção e se apoiou na mesma árvore em que eu estava, esperando que eu continuasse... Mas é claro que ele não assumiria sua curiosidade sobre isso. — Tem que saber que é algo muito difícil para mim, e doloroso também.
“Foi logo quando eu comecei meu treinamento, na verdade quatro meses depois do início do mesmo. Takeo havia me deixado meditando na beira do lago e tinha ido ver alguma coisa num lugar qualquer que não me lembro agora — dei uma pequena pausa pegando numa mecha de meu cabelo — Enquanto eu meditava me sentia sendo observada, porém ao olhar em volta não avistei ninguém. Voltei a me concentrar e não percebia o avançar da hora, só percebi que havia anoitecido quando grilos começaram a cantar ao longe”.
“Abri os olhos procurando por Takeo, eu ainda não sabia voltar sozinha para o templo, mas ele não estava ali. Foi quando ele apareceu — eu disse brincando com a mecha de meu cabelo, não queria olhar para Sesshoumaru, mas eu sabia que ele prestava atenção — um homem usando um kimono tradicional, cabelos vermelhos sangue e com uma espada em sua mão. Senti-me ameaçada assim que o vi, mas ainda não sabia chamar Takeo, na verdade ele ainda não confiava em mim para ceder seu domínio a mim... — dei um sorriso fraco — O homem se apresentou como Toshiro, o bruxo”.
Sesshoumaru se sentou ao meu lado, sem dizer nada e a uma distância segura. “— Ele já não era mais um bruxo, havia se transformado em um youkai que buscava sangue. O mesmo me disse que a espada havia o guiado até ali, e que ela queria meu sangue. Eu como mera principiante, tentei lutar contra ele usando minha energia concentrada nas mãos, mas não conseguia acertá-lo. Achei o bastão de madeira que Takeo usava para me disciplinar e o usei como arma, claro que ele não era nada comparado à espada.”
“Porém em algum momento ele conseguiu jogar um feitiço em mim, que me imobilizou no mesmo instante, nem falar eu conseguia. Meu maior desejo no momento era que Takeo chegasse logo. — eu dei um sorriso fraco — Mas no fundo eu sabia que Takeo só apareceria quando eu fosse ferida gravemente, por causa da pulseira que ele tinha colocado em mim para proteção. Ele se aproximou de meu corpo inerte, somente meus olhos eu podia mexer. O bruxo não me tocou com a espada, ele primeiro passou uma adaga em minha bochecha e fez o sangue escorrer na lâmina da espada, quando meu sangue entrou em contato com a lâmina ele me olhou com tanto desejo que eu fiquei com mais medo ainda e comecei a chorar”.
Eu sorri fracamente “— Não fique pensando que ele me desejou de forma sexual, ele me desejou como quando você vai comer algo muito saboroso e não vê à hora disso acontecer. E pouco tempo depois ele confirmou minha teoria dizendo que comer a carne de uma sacerdotisa pura de corpo e alma o deixaria invencível, assim como sua Worochi. Disse também que Worochi queria que eu sofresse muito, pois ela gosta de se alimentar da dor daquelas sacerdotisas que serviriam de alimento a ela, a deixava extasiada. O homem me derrubou no chão com força, me fazendo bater o rosto contra a superfície de terra e eu nem pude me proteger, em vista que ainda estava imobilizada”.
Sesshoumaru estava com raiva, mas seria muito prepotente de minha parte achar que era por minha causa “— Ele enfiou a espada em minhas costas, fazendo um corte muito profundo e que pegou minhas costas inteira na diagonal e só naquele momento minha voz saiu. A dor foi tanta que eu gritei como nunca antes em minha vida, eu ainda não sabia que a espada era demoníaca e o que ela faria comigo. Quando ele ia me acertar novamente, eu vi Takeo com toda sua fúria aparecer, seu lado youkai estava como matador e não pacifico como sempre, ele sentiu que eu fui ferida e abandonou o que estava fazendo para me proteger, entretanto foi um pouco tarde... Worochi estava perto de mim e já tinha pegado um pouco do meu sangue, fazendo assim sua maldição sobre mim... Eu gritava e implorava por clemência, que me tirasse à vida de uma vez a viver aquele tormento. Eu chorava muito e a dor que eu sentia foi muito parecida com a que eu senti na cabana — eu parei pra pensar um pouco — Na verdade na cabana não foi nada comparado há aquele dia...”.
Sesshoumaru pegou em minha mão e a afagou levemente, eu estava chorando e nem havia percebido, sequei minhas lágrimas com a mão livre e voltei a falar, em nenhum momento ele soltou minha mão. “— Mestre Fujimoto apareceu por lá e mandou Takeo levar a espada para a sala selada. E assim ele o fez, voltando em seguida para me buscar. Quando eu cheguei ao templo estava muito mal e Takeo usou todo o poder dele para me curar, entretanto a ferida nunca se curaria por completo, como explicou meu mestre quando foi ver a espada, ele disse que Worochi era uma espada demoníaca muito poderosa que nem deveria estar neste mundo, e por esse motivo eu ficaria marcada para sempre... Mesmo se ela viesse a ser destruída”.
— Nem Takeo pôde me ajudar com essa cicatriz e eu me odeio por ter sido tão fraca — eu dei um sorriso triste — Eu nem por minha própria vida sabia lutar, tão patética eu era. Após aquele dia eu passei a dar tudo de mim nos treinamentos — sorri novamente, dessa vez irônica — Claro que depois do um mês que eu fiquei sem conseguir andar por causa das costas... — eu suspirei e olhei para Sesshoumaru que estava olhando para frente, ainda afagando levemente minha mão — Foi isso o que aconteceu, então, por favor, não conte a ninguém...
Mas sorri após falar isso, afinal para quem ele contaria? Sesshoumaru me olhou contrariado — Como se este Sesshoumaru fosse falar a alguém — ele disse indiferente e eu agradeci por isso, não quero ter que lidar com a pena de ninguém. E claro que ele também não iria contar a ninguém que havíamos transado... Senti meu rosto esquentar ao me lembrar disso e olhei para o outro lado. Como eu pude me deixar envolver desta maneira? Imagina se eu me apaixonar por Sesshoumaru?! Senti minha mão ser solta e depois meu rosto sendo virado, me obrigando a olhar naqueles âmbares curiosos — O que pensas humana?
— Nada — eu disse olhando para baixo, sem conseguir mover a cabeça. O senti levantar meu queixo me fazendo olhar nos olhos dele novamente. Aquele olhar frio que parecia conseguir ler toda a minha alma, me analisando e buscando algo que nem eu sei o que poderia vir a ser. Deixando-me hipnotizada. Eu estava em expectativa e quando ele selou nossos lábios eu não sabia mais o que esperar dele... Afinal porque me beija novamente? Porque parece querer confundir minha mente e meu coração? Porque parece que eu já me deixei envolver o suficientemente para deixá-lo entrar em meu coração? Sesshoumaru se afastou e me olhou nos olhos novamente.
Eu estava um pouco assustada, porque veja bem, como eu poderia estar amando Sesshoumaru? Eu sempre o achei lindo e ele sempre me atraiu... Mas eu nunca pensei que pudesse me apaixonar por ele! Parece que meu coração gosta de sofrer. Perceber aquilo, naquele momento foi um baque para mim, afinal Sesshoumaru não é a pessoa mais sociável do universo. Ele se levantou me retirando de meus devaneios — Irei buscar Rin — ele disse sem me olhar — ela queria que aquele youkai raposa fosse brincar com ela, o leve amanhã, naquela cabana — e começou a andar na direção Oeste.
Eu abracei meus joelhos e apoiei a testa neles. Como eu fui deixar isso acontecer?!
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