Caminhos Entrelaçados
15 Capítulo 15
Notas iniciais
Eu passei alguns dias com Sesshoumaru na cabana, o ajudei a cuidar daqueles ferimentos horríveis – que segundo ele foram causados por Yokoyama — e agora eu possivelmente já poderia ir embora, eu estava com saudades de Shippou e de brincar com ele. Porém uma chuva começou de repente atrapalhando meus planos de partir, me obrigando a ficar naquela cabana. Um vento muito forte passava pelas frestas da cabana de madeira e eu sentia muito frio, não conseguia me aquecer de forma nenhuma!
Eu estava sentindo que iria adoecer e que eu precisava urgentemente me aquecer, entretanto eu não sabia como. Fui surpreendida quando Sesshoumaru me chamou para perto dele, daquela forma fria. Eu me senti um pouco envergonhada e relutei um pouco em me aproximar, afinal eu nunca havia ficado tão perto dele, porém eu fui. Sentei-me ao seu lado e passei a me aquecer da maneira que eu podia. Não percebi que havia adormecido e fiquei muito surpresa quando eu acordei e percebi que havia dormido com ele. Eu pensei um pouco sobre isso, e acabei aproveitando a maneira como estávamos, afinal quando eu poderia ficar assim com ele?! Nunca... Eu me levantei e fui cuidar dele como sempre, porém eu deixei minha mente fantasiar mil coisas durante isso e eu não sei o que deu em minha cabeça para eu beijá-lo!
Eu sei que fugi dele como uma covarde, mas eu estava muito envergonhada e com medo de ser rejeitada, eu não aguento mais isso, por isso me afastei para treinar, para não mais sentir... Porém depois quando eu me desculpei e ele me beijou novamente eu decidi que iria agir como se nada tivesse acontecido, porque nada disso parecia importar para ele. Somos ambos adultos e o que fizermos só diz respeito a nós. E também, Sesshoumaru sempre mexeu comigo, e tê-lo beijado foi diferente do que eu pensei que seria.
Não foi frio e indiferente, foi algo mais... quente. No fim daquele dia eu decidi ir embora novamente, afinal Sesshoumaru já conseguiria se virar muito bem sozinho estava praticamente curado, não precisava mais de meus “cuidados”. Percebi que a chuva se aproximava novamente e se eu fosse rápida poderia chegar ao vilarejo antes dela começar a cair, entretanto quando eu fui procurar Sesshoumaru para comunicá-lo, o mesmo havia sumido.
Eu fiquei muito irritada, como ele saiu e eu não percebi?! Todavia eu não vou sair por aí o caçando, mas também espero que ele não demore pra voltar, eu quero ir para casa... Eu não podia ir embora sem avisá-lo, afinal ele poderia pensar que algo teria acontecido e ficar preocupado... Sonho meu? Pode ser... Já era quase fim de tarde e quando começou a chover, que Sesshoumaru retornou de onde quer que ele houvesse ido. Ele apareceu na minha frente com os cabelos levemente molhados e grudando um pouco no peito dele, coisa que eu acho que ele nem percebeu e que o deixava mais atraente aos meus olhos.
Afastei esses pensamentos e acabei brigando com ele por ter saído e demorado a voltar, entreguei a roupa dele também, eu havia lavado com meu shampoo porque não tinha material de limpeza. Eu havia visto ele incomodado com ela, e se não fosse isso, eu já havia lavado. Como eu tinha mais outra opção a não ser ficar, eu levei minhas coisas de volta para o quarto e depois terminei de fechar as cicatrizes dele, deixando o peito dele como se nunca houvesse existido uma ferida horrorosa. Exceto pela ferida da espada, que deixou uma cicatriz de uns cinco centímetros.
A chuva passou a ficar mais forte lá fora e esse meu kimono não aquecia nada – nenhum dos dois que eu havia trazido, afinal eles eram pro verão -, e bem quando eu esqueci meu saco de dormir, não tenho com o que me aquecer. Para melhorar já estava anoitecendo o que deixaria o tempo mais frio, suspirei desistindo de tentar achar uma solução... Dormir apoiada na parede na cozinha – que era onde eu vinha dormindo nos últimos dias – não era uma opção. Fui surpreendida quando Sesshoumaru pegou em meu pulso e me encaminhou para o quarto, antes de eu me sentar na cama peguei uma manta fina que havia em minha mochila – que também não aquecia nada -, enquanto ele somente colocava a yukata por seus ombros. Eu afrouxei um pouco meu kimono azul claro para dormir melhor, enquanto eu fazia isso podia perceber Sesshoumaru trançar os cabelos. Eu acho que ele fica lindo assim, mas o prefiro de cabelos soltos.
— Não precisa me aquecer novamente Sesshoumaru — eu disse levemente envergonhada, puxando a manta pra cima de mim. Porque fala sério, Sesshoumaru pode ser frio, ignorante e arrogante, mas a beleza dele tem um efeito direto em mim, percebi nesses dias em que ficamos “mais íntimos”. Ele arqueou uma sobrancelha e eu sorri sem graça — Mas eu agradeço mesmo assim, sei que pra você essas coisas são inúteis e desnecessárias... — eu olhava para o outro lado, não para ele.
— Hm — foi tudo o que ele disse. Ter ele assim tão perto de mim, estava começando a mexer com a minha imaginação – novamente -, ainda mais depois dos beijos que trocamos. Eu não sei se consigo resistir a ele novamente, e sinceramente não sei se quero... — O que te preocupas humana? — ele perguntou indiferente. Eu prendi meu cabelo em um coque antes de respondê-lo.
— Nada — eu disse me levantando e seguindo até a cozinha. Eu estava meio que fugindo dele por causa da minha mente fértil, eu descasquei o que sobrou das frutas e voltei para a cama. Eu o ofereci e ele somente pegou um pedaço de maçã, após isso ele fechou os olhos e se apoiou na parede, eu continuei comendo e algumas vezes ficava o observando, desviando o olhar com medo de ser pega em seguida. Acontece que minha mente estava fantasiando novamente, como seria beijá-lo novamente? Eu sentiria a mesma sensação? E ser amada por ele? Eu acabei me mexendo um pouco incomodada com o rumo dos meus pensamentos, porém não conseguia refreá-los...
Eu fechei os olhos e me deixei levar – pelo menos dessa vez. Senti Sesshoumaru se mover ao meu lado e eu entrei em alerta, abrindo os olhos surpresa. Porém eu acabei corando ao me lembrar dos meus pensamentos de segundos atrás, Sesshoumaru segurou meu rosto com as duas mãos e ficou me observando de forma intensa. Ele parecia gostar da forma que eu o olhava também, mas no fundo eu só estava querendo que meus pensamentos virassem realidade, só dessa vez... Mesmo que eu estivesse pedindo demais... Senti seu polegar direito acariciar levemente meus lábios e eu fechei os olhos, dando um leve sorriso de canto. Eu só podia estar sonhando, dormi e não percebi...
Senti Sesshoumaru se aproximar de mim lentamente, e selar nossos lábios. E eu o correspondi no mesmo instante. O beijo começou de forma lenta, desajeitada e incerta, porém eu não me importava com isso só estava querendo curtir o momento. Em algum momento passamos a nos beijar com mais vontade, desejo e intensidade. De alguma forma eu queria aproveitar o momento e não estou me importando com o depois, entretanto eu já sou bem grandinha para assumir o que eu faço. Sesshoumaru me puxou para seu colo, me fazendo sentar-me de frente para ele, eu o abracei pelo pescoço e o puxei mais para mim, enfiando minha mão direita no meio de seus cabelos. Ele me imitou enfiando a mão entre meus cabelos desfazendo o coque que eu havia feito.
A minha mão esquerda eu enfiei pela sua yukata e passei a acariciar suas costas, senti a pele dele se arrepiando conforme meus dedos traçavam um caminho, ele colocou uma das mãos em minhas costas e deu um leve arranhão por sobre a roupa. Sesshoumaru finalizou o beijo e desceu em direção ao meu pescoço, começando a distribuir beijos por ali. O quarto estava escuro e era iluminado somente pelo lampião que eu havia esquecido acesso na cozinha e por um relâmpago e outro que cortavam o céu. A chuva e o frio? Nesse momento não me afetavam em nada! Sesshoumaru abaixou um pouco meu kimono do lado esquerdo e passou a dar beijos em meus ombros, eu tirei a yukata que ele usava a jogando ao lado da cama. Ele desceu a mão que estava entre meus cabelos e passou a me acariciar nas coxas, dando leve aranhões por ali, eu queria acariciá-lo nos cabelos, mas aquela trança estava me atrapalhando, por isso a desfiz.
Sesshoumaru me puxou mais de encontro ao seu corpo e eu pude sentir sua ereção, fiquei envergonhada no mesmo instante, mas eu não queria parar. Senti meu obi começar a ser desamarrado e meu kimono ficar mais solto. Sesshoumaru voltou a me beijar e eu somente o acariciava nas costas e no cabelo afinal eu não tinha ideia de como me portar, ele tinha uma pele tão macia, nem parece que até alguns dias estava cheio de feridas. Sesshoumaru retirou o meu kimono com a mão direita, enquanto que com a esquerda passou a acariciar minhas costas. Ele foi na direção do meu ombro direito, começando a traçar um caminho descendo na diagonal até a base de minhas costas no lado esquerdo, eu sabia que ele estava seguindo o caminho de minha cicatriz e eu não queria que ele o fizesse, pelo menos não agora. Ele parou de me beijar e me olhou nos olhos, aquele âmbar estava intenso demais!
— Não quero falar sobre ela — eu disse o olhando nos olhos, ele pareceu contrariado e me deu uma leve mordida em meu queixo, eu sabia que ele estava curioso sobre isso, mas eu não me sentia a vontade ainda... — Talvez em algum outro momento... — e dei de ombros. Sesshoumaru me surpreendeu quando me deitou, eu não esperava por isso. Ele se encaixou entre as minhas pernas e voltou a me dar beijos no pescoço, e desceu em direção ao meu sutiã. Eu teria que tirá-lo em vista que ele não sabia como fazê-lo e eu não queria que ele o rasgasse, eu abri meu sutiã e muito envergonhada o retirei, essa é a primeira vez que eu fico nua com alguém me olhando com desejo... Eu por impulso desviei o olhar para outra direção.
Eu não quis olhá-lo. Senti sua respiração se aproximar de meu ombro e depois ir descendo até meu seio, eu entrei em expectativa e não sabia ao certo como reagir, nem o que fazer, somente fiquei esperando. Senti ele envolver o bico de meu seio esquerdo com os lábios e logo depois senti sua língua estimulando o mesmo, eu fechei os olhos devido as sensações que me atingiam. Sesshoumaru passou a estimular meu outro seio com a mão, e assim ele ficou fazendo com a mão e com a boca.
Sentia seus dedos apertando levemente meu bico, ora o puxando levemente, assim como sua língua, que ora lambia ora ele sugava. Eu sentia meu corpo começar a reagir aos estímulos dele e uma sensação gostosa passava a me atingir aos poucos. Seu cabelo passava em algumas partes de meu corpo me causando cócegas e eu estava gostando da sensação. Minhas mãos estavam ambas na cama, mas em algum momento eu coloquei uma delas no meio dos cabelos dele. Senti a mão de Sesshoumaru descer por minha barriga, traçando um caminho indefinido por ela e arrepiando levemente minha pele.
Ele se encaminhava para minha intimidade e eu me senti corar mais ainda, Sesshoumaru me beijou novamente e fez uma leve caricia por cima do tecido, sua respiração e seu youki deram uma leve mudada, mas ele não se afastou. Senti ele puxar minha calcinha só um pouco para baixo e logo Sesshoumaru introduzia um dedo em mim. Me incomodou no mesmo instante, mas eu não disse nada. Deixei o momento me dominar e tentava não prestar atenção na dor, no fundo eu só queria perder a virgindade com alguém que eu sabia que não contaria a ninguém e que muito menos sairia aos quatro cantos dizendo o que havíamos feito. Sesshoumaru passou a movimentar o dedo e ao mesmo tempo manipulava meu clitóris, eu acabei gemendo durante o beijo. Eu sentia meu corpo esquentar, parecia que ia entrar em combustão!
Sesshoumaru colocou um segundo e depois um terceiro dedo e ficou assim, me estimulando, os colocando e depois retirando, fazendo movimentos circulares com o dedão em meu clitóris e não parava de me beijar um instante se quer. Eu parei de beijá-lo e ele desceu a cabeça em direção ao meu pescoço distribuindo beijos por ali, eu segurava seus cabelos os puxando levemente. Eu comecei a sentir uma sensação muito forte que eu não podia controlar, meu corpo começou a ter espasmos e a sensação que eu tinha era que eu havia me desfeito em inúmeros pedaços.
Sesshoumaru retirou os dedos de dentro de mim e se afastou o suficiente para estar por cima de mim novamente. Ele me deu um leve selinho, e foi descendo os beijos por meu corpo, suas mãos iam passeando por meu corpo enquanto ele ia descendo em direção a minha calcinha, senti os dedos dele traçando um caminho na borda da calcinha e logo ele a retirava, ele se levantou e retirou a calça dele deixando livre a ereção dele, me senti corar mais, se é que era possível! Sesshoumaru pareceu achar graça de minhas reações, mas não disse nada. Eu estava me sentindo muito envergonhada e muito exposta, mas eu queria muito continuar aquilo, porque afinal Sesshoumaru contaria para quem?
Ele se posicionou entre as minhas pernas e as abriu um pouco mais, se encaixando entre elas. Senti sua ereção passando por minha intimidade e eu fechei os olhos em expectativa. Sesshoumaru posicionou uma de suas mãos ao lado de minha cabeça, e com a outra levou sua ereção até minha intimidade, começando a me penetrar lentamente, ele parecia ter dificuldade e eu me sentia muito incomodada, quando ele entrou por completo, eu senti um estranho beliscão e sabia que não era mais virgem... Ele parou um pouco e baixou a cabeça até meu pescoço, sua respiração estava acelerada, ele deu uma leve lambida na extensão de meu pescoço e ele desceu uma das mãos até minha cintura apertando com certa força. Eu cravei minhas unhas em suas costas, meio que sem querer, afinal eu estava sentindo muita dor e queria que ele saísse, e assim ele fez. Eu afrouxei um pouco o aperto em suas costas e ele deu um leve sorriso de canto, eu somente sorri sem graça. Não sei o que ele está pensando.
Porém voltou novamente, e a dor não parecia que ia cessar. Sesshoumaru se apoiou novamente nos braços e me olhou, eu estava com os olhos levemente cerrados e minha respiração estava irregular, minhas mãos continuaram em suas costas só que dessa vez eu não usava as unhas para apertá-lo e sim os dedos. Os olhos de Sesshoumaru estavam de uma forma que eu nunca pensei que fosse ver, eles estavam muito intensos e cheio de desejo! Sesshoumaru gemeu baixinho e só isso causou algo dentro de mim. Ele voltou a se mexer lentamente, saindo e entrando, entretanto ele não tirava os olhos de minhas reações. Depois de algumas estocadas eu já não sentia mais dor, porém eu estava sentindo um incomodo ainda. Sesshoumaru aumentou a velocidade das estocadas, e eu o abraçava pelas costas ainda e com uma das mãos puxava os cabelos dele levemente.
Sesshoumaru me beijou, de forma intensa e luxuriosa. Ele me puxou para seu colo, me fazendo cavalgar. Ele passou a mão pelas minhas costas e depois passando suas garras levemente por elas. Eu o abracei pelos ombros enfiando meu rosto em seu pescoço, ele segurou minha cintura fortemente e me ajudava a subir e a descer. Eu não conseguia pensar muito bem, meu pensamento estava nublado, eu só conseguia pensar em Sesshoumaru e no momento. Eu dei uma leve mordida no ombro dele e ele passou novamente as garras por minhas costas.
Fui surpreendida quando ele mudou nossas posições me deitando sobre a cama novamente. Ele se apoiou novamente nos braços e começou a estocar de forma mais rápida e funda. Minha respiração estava descompassada e Sesshoumaru estava de olhos fechados, nossos corpos levemente suados e eu não sei mais o que pensar. Eu mordi novamente o ombro de Sesshoumaru, ele me abraçou me apertando mais ao seu corpo. Ele deu um leve rosnado e eu sabia que ele havia gozado. Sesshoumaru desabou sobre mim com sua cabeça na curva de meu pescoço. Sua respiração estava descompassada e batia contra meu pescoço me causando cócegas, a minha não estava muito diferente. Os fios prateados me cobriam por inteira e grudavam em algumas partes de meu corpo. Eu sabia que não iria ter prazer dessa vez... Mas eu estava muito feliz! Eu continuava com os olhos fechados e acariciava levemente os fios prateados de Sesshoumaru, ele me deu um leve aperto na cintura antes de se retirar de mim. Porém continuou deitado sobre mim, sem se mover.
Eu estava tão alheia a tudo que não reparei que ainda continuava a chover, e eu estava com frio nas partes que Sesshoumaru não me cobria. Senti minha pele se arrepiar, o que acabou chamando a atenção dele para mim, Sesshoumaru se apoiou sobre os cotovelos e me olhou inquisitivo — É que eu estou com um pouco de frio... — murmurei muito sem graça. Ele nada disse, somente se deitou ao meu lado, sem se importar com sua nudez. Eu ainda estava muito envergonhada, por isso coloquei rapidamente minha calcinha e meu sutiã, depois somente coloquei o kimono sem o obi pra poder dormir melhor. Entretanto eu não sabia se ele ainda iria querer “dormir” comigo, por isso fui até a cozinha e bebi um pouco de água.
Meu corpo estava um pouco dolorido em uma parte especifica, mas nada que eu não pudesse dar conta. Abri a porta da cabana e dei uma olhada no tempo lá fora. A chuva ainda caia forte, eu poderia ir embora se eu quisesse, porém eu iria me molhar toda, além de molhar as coisas da mochila. Também tinha o fato de não ter lua, o que deixava a floresta ainda mais escura... Melhor não me arriscar. Fechei novamente a porta e suspirei antes de retornar ao quarto, eu sabia que provavelmente eu seria ignorada... Eu parei na porta do quarto, Sesshoumaru havia vestido a calça novamente e estava sentado apoiado a parede, estava de olhos fechados, como estava antes, mas eu sabia que ele me sentia parada aqui. Quando fui me encaminhar para a cama novamente para tentar dormir, senti uma pontada muito forte nas costas, mais especificamente em minha cicatriz. Não pode ser!
Eu senti como um leve incomodo no início que aos poucos foi aumentando a intensidade, caí ajoelhada no chão sem fazer barulho algum, Sesshoumaru parecia não me notar e assim eu queria que continuasse. Eu me distraí por um tempo especifico e ela me sentiu antes que eu a sentisse! Quando fui tentar sair dali e voltar para a cozinha, minha dor se intensificou mais, e continuava aumentar cada vez mais de forma gradativa. Curvei-me para frente sentindo como se o corte fosse aberto novamente, aos poucos, começando no ombro e descendo na diagonal, como se fosse uma tortura, lenta e dolorosa.
Só pode significar uma coisa Worochi estava muito perto de mim, e isso iria afetar meus poderes e a minha percepção! Dessa vez não iria conseguir me salvar, sabia que ela estava buscando por mim e se eu estou sentindo essa dor, é porque ela está se aproximando. Eu me distraí com Sesshoumaru e demorei tempo demais para percebê-la. A dor chegou a ficar insuportável e eu não consegui mais conter as lágrimas, sentia as mesmas escorrendo de meus olhos fechados com força, minha respiração estava muito irregular e eu não conseguia me mexer. Como mestre Fujimoto permitiu que justo ela fosse roubada?!
Meu desespero ficou maior, quando comecei a sentir meu kimono úmido e eu sabia que só podia ser sangue. O corte estava sendo aberto novamente, era assim que ela agia afinal ferida não conseguiria me salvar.
— Humana? — escutei Sesshoumaru “me chamar” em dúvida, mas eu não conseguia controlar a minha dor para respondê-lo. Uma energia poderosíssima também se aproximava junto com Worochi, eu sentia que corria muito perigo. Uma energia negativa, que eu sentia estar em busca de vingança. Sesshoumaru me levantou do chão de uma vez, mas pareceu fazer doer e sangrar mais, como se algo me cortasse por inteiro por dentro e sem me controlar acabei gritando de dor. Ele me colocou novamente no chão – de bruços -, não sei como estava a expressão dele, mas por seu youki eu sentia o mesmo agitado — O que está acontecendo Kagome? — escutei ele perguntar confuso e abaixado a minha frente.
Eu tinha que chamar Takeo, urgentemente! Só ele poderia me ajudar. Ainda de olhos fechados fiz uma pulseira de energia do próprio Takeo que havia me cedido para casos emergenciais — Oh familiar que me cedeu parte de seu domínio, o convoco agora perante minha presença — eu disse com muita dificuldade e fiz o movimento que Takeo havia me ensinado. Não demorou cinco minutos, a porta da cabana foi aberta e escutei o barulho de algo se chocar contra o chão ou a parede, não sei ao certo.
— Quem é você? — escutei Sesshoumaru perguntar friamente. Então era Takeo que estava no chão. Claro que ele atacaria quem ousasse invadir a cabana.
— Kagome me invocou — ele disse somente, de forma indiferente. Escutei Takeo se levantando, porém eu acabei gritando novamente de dor. Estava cada vez mais próxima, sabia que ela me encontraria, afinal ainda havia meu sangue com ela — Kagome, o que houve? Quem te feriu? — ele perguntou mais perto agora e um pouco assustado, deu um leve olhar irritado na direção de Sesshoumaru achando que foi ele.
— Worochi... — eu disse com muita dificuldade — Eu a sinto próxima... — Senti a energia espiritual de Takeo me envolver, e envolver a cabana. Sabia que ele me isolava dela. Logo ele tocava em mim, sua mão estava fria e eu sentia a água fria pingando em mim. Takeo retirou meu kimono do caminho e logo minhas costas ficaram livre para ele me “selar” novamente, Takeo colocou a mão sobre a ferida fazendo várias orações. A dor pareceu ficar pior, era a maldição lutando contra ele e eu comecei a me contorcer no chão, aquilo era insuportável demais.
— Por favor, segure ela, com força — escutei Takeo dizer para Sesshoumaru e logo senti o mesmo me segurando na nuca e nas pernas me forçando contra o chão. Suas garras estavam me ferindo, mas aquilo não parecia nada comparada a dor que eu sentia nas costas. Takeo continuou a falar e eu sentia a mesma corrente passar por todo meu corpo, como da primeira vez. A corrente de energia me prendia impossibilitando meus movimentos, Sesshoumaru não me soltou, mesmo com as correntes me prendendo. Aos poucos a dor foi cessando, e logo ela havia desaparecido. Eu ainda chorava muito, não acredito que esse tormento havia retornado! — Pode soltá-la — Takeo disse a Sesshoumaru que logo me soltou. Eu ajeitei meu kimono antes de me sentar, Sesshoumaru estava a minha frente e sua expressão era impassível, mas em seu olhar eu pude ver preocupação e confusão.
Olhei para Takeo dessa vez, magoada — Como e quando foi roubada? — eu perguntei direta, sem rodeios. Sesshoumaru se sentou ao meu lado e Takeo somente se apoiou na parede.
— Há dois dias — ele disse me olhando um pouco culpado — Eu havia saído numa pequena missão e deixei mestre Fujimoto só, quando voltei ele estava desacordado e ela havia sido levada — ele me olhou sério — Disse que foi esse tal de Yokoyama... — Takeo não continuou porque eu me levantei rapidamente, muito irada o pegando pela gola do kimono.
— Como você ousou deixá-la inteira Takeo? — eu perguntei sentindo meus olhos marejarem novamente, eu estava muito magoada, pensei que tivessem dado um fim nela — Depois de tudo o que eu passei, você deixou Worochi inteira?! — eu queria socá-lo, mas sabia que não adiantaria nada.
— Desculpe, não pensei que fossem roubá-la de mim — ele disse se soltando e segurando em minhas mãos, me abraçando em seguida. Eu sabia que ele também estava chateado — Sei que foi difícil passar por aquilo, mas você precisa recuperá-la... — ele disse meio mandão. Revirei os olhos — Selarei a maldição novamente para você poder chegar perto dela, mas o selo só durará três dias. — eu me virei de costas para ele e fiquei de frente para Sesshoumaru que me olhava inquisitivo — Assim que recuperá-la, me chame e dessa vez vamos dar um fim nela — senti novamente a energia de Takeo agindo. — Agora eu preciso retornar — e saiu da mesma forma que chegou.
Eu dei um suspiro, sabia que ele queria saber. Suspirei novamente como se buscasse coragem e olhei para Sesshoumaru, ele estava me olhando sério e indecifrável — Sei que deve querer saber o que acabou de acontecer aqui — eu disse o olhando diretamente nos olhos, ele se levantou e deu dois passos parando a minha frente — Mas não me sinto a vontade em falar nisso... É algo que me traz muita dor...
— Mas parece querer falar com aquele youkai — ele disse me olhando irritado. Eu estaria me sentindo muito se pensasse que isso era ciúmes? Claro que estaria, Sesshoumaru não é do tipo de se importar com quem não ama. E ele já deixou claro que não se importa comigo.
— Takeo estava lá quando aconteceu e foi ele que me ajudou, como pôde perceber. Mestre Fujimoto é somente um humano, que não tem poderes para enfrentar aquele tipo de poder — eu disse triste e sentindo um leve arrepio. Lembrar-me disso ainda era doloroso, ainda mais depois do que acabou de acontecer — Só o que você precisa saber nesse momento é que o que foi roubado é uma espada muito poderosa chamada Worochi, e que nesse momento ela me quer — eu desviei o olhar — Amanhã cedo eu sairei em busca dela, afinal se eu não for até ela, ela virá até mim — e dei de ombros.
— Irei com você humana — ele disse me dando as costas, como se desse o assunto por encerrado e seguindo de volta para a cama. Eu não queria que ele fosse, mas no fundo eu sabia que seria melhor tê-lo comigo, afinal Worochi pode acabar me afetando novamente.
— Não irá nada! — eu disse convicta, porém eu não poderia dar o braço a torcer sem antes me impor. Sesshoumaru poderia achar que manda em mim — Isso não tem nada a ver com você.
— Irei e ponto — ele disse de olhos fechados, apoiado a parede como anteriormente. Eu sabia que ele estava me ignorando. Eu bufei irritada e voltei para a cozinha, apagando o lampião e voltando para a cama. Me deitei ao lado de Sesshoumaru, ficando de costas para ele e um pouco distante de seu corpo, na verdade eu não sabia como me portar... — Você e aquele youkai tiveram algo? — escutei a pergunta sendo feita bem baixinha, quase como se fosse um segredo. Claro que me pegou de surpresa.
— Takeo é somente um amigo, acho que percebeu hoje — eu disse para ele, sem me virar para olhá-lo — Ele me ajudou a treinar e me deu muitos conselhos sobre tudo, eu o vejo mais como um irmão mais velho, assim como ele me vê como uma irmã menor — e dei de ombros — Acho que é assim a nossa relação. Agora vou dormir, tive um dia cansativo hoje...
Eu me ajeitei melhor na cama e me encolhi ao máximo para o canto, não queria incomodar Sesshoumaru, ele estava na outra ponta ainda sentado. Fui deixando minha mente divagar e começava a adormecer aos poucos, senti Sesshoumaru se mexendo e logo ele se deitou, me abraçando de forma lenta, ele me puxou fazendo minhas costas encostar-se ao peito dele e segurava em minha cintura. Acabei adormecendo rapidamente, me sentindo aquecida e protegida.
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“Eu sei que você está por perto, e quando eu pegá-la, continuarei o que comecei!”
Acordei num sobressalto. Meu coração estava acelerado e eu estava assustada. Sabia que aquilo não era um sonho e sim um aviso, como eu pensei, se eu não fosse até ela, ela viria até mim... Olhei ao redor procurando pela outra pessoa que estava na cabana porém eu estava sozinha, Sesshoumaru deve ter saído para algum lugar. Suspirei para me acalmar um pouco, levantei-me e troquei meu kimono, afinal ele ainda estava sujo de sangue. Vesti minha roupa de sacerdotisa, eu tinha uma busca para fazer. Penteei meus cabelos e logo os prendi com uma fita verde, eu preciso ser forte nesse momento!
Arrumei minha mochila, colocando de volta as coisas e quando eu estava a fechando, eu escutei a porta sendo aberta e depois fechada. Sesshoumaru havia voltado de onde quer que tenha ido. Peguei a mochila e a coloquei sobre um ombro, no outro coloquei a aljava e o arco e na cintura prendi Joyeuse. Quando me virei na direção da porta, Sesshoumaru estava parado na mesma e ele me observava, seu olhar frio e indecifrável como sempre e foi como se a noite de ontem não houvesse existido, nem aquele momento entre nós.
Ele não disse nada e nem eu. Ele estava vestindo o kimono azul escuro que eu tinha comprado para ele e como eu imaginei havia combinado perfeitamente com ele. Desviei o olhar porque ele com certeza já havia percebido que eu o avaliava. Segui na direção dele, me encaminhando para a porta quando ele me estendeu duas maçãs. Ele havia saído para pegar comida para mim? Eu as aceitei e comi apenas uma, guardando a outra na mochila.
— Vamos — eu disse me dirigindo para fora da cabana, sabia que não tinha outra opção a não ser aceitar logo que ele iria comigo. Para me proteger? Imagina, Sesshoumaru só queria a vingança pessoal dele sobre Yokoyama.
Me dirigi na direção em que eu havia sentido aquela energia poderosíssima correndo o mais rápido que eu podia, apesar de eu saber que Sesshoumaru corria devagar. Eu sentia uma pulsação estranha mais a frente e sabia que de certa forma Worochi me chamava para terminar o que começou, afinal eu fui a primeira a fugir dela.
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