Caminhos Entrelaçados
23 Capítulo 23
Notas iniciais
Pov’s Autora.
Os olhos azuis ainda mostravam o total espanto ao presenciar a cena de Sesshoumaru ferido, não podia crer que aquilo estava acontecendo, não com ele! Takeo sentiu a dor de Kagome naquele momento, porém ele não podia dar atenção a isso agora, cuidaria de tudo depois, afinal naquele momento, somente os dois poderiam dar fim em Ritsu e em Kurama, ainda não podiam descansar. Não podiam baixar a guarda! Kurama olhava para um sorridente Ritsu, orgulhoso por enfim ter derrotado aquele que tinha lhe humilhado da pior maneira possível e depois olhou para Kagome que estava estática no mesmo lugar. Ela estava de costas para ele agora, mas podia ver a tensão nos ombros dela, o maxilar trincado e a energia estranha que a cercava. Não podia ser o que ele estava pensando, poderia? Ele seria muito tolo se não houvesse enxergado aquilo! Seria Sesshoumaru a pessoa por quem Kagome estava apaixonada?! E foi quando ele viu, a pequena gota que pingou do rosto de Kagome... Os olhos negros mostraram toda fúria que sentiu ao constatar aquilo. Rancor, raiva, traição, era o que ele sentia nesse momento.
— Vadia! — Kurama gritou furioso quando constatou o que estava em sua cara o tempo todo! Como ela pôde?! Como ele ousou?! Ele estava muito irado, se sentindo muito traído e mais ainda se sentindo perdido... Ele passou a correr na direção de Kagome, e no mesmo momento ela passou a correr na direção de Ritsu e Sesshoumaru. A lança que ainda estava em sua mão, ele usou para acertá-la nas costas, para impedi-la de seguir até Sesshoumaru. Ele não podia permitir que ela chegasse até eles, não podia vê-la correndo para outro... O corte pegou a extensão das costas de Kagome, no mesmo local em que Worochi havia a cortado — Não acredito que você o quis e eu não!
Porém mesmo com a ferida em suas costas e a ardência a incomodando, ela não parou e continuou a correr na direção de Ritsu que estava se preparando para cortar a cabeça de Sesshoumaru, o mesmo estava desacordado no chão; no mesmo momento em que atacou Kagome, Kurama não conseguiu continuar a correr atrás dela, tudo porque Takeo havia atravessado a mão em seu abdômen pelas costas. Ele tinha abaixado a guarda pelos sentimentos que haviam o dominado e havia se esquecido de Takeo. “Eu não serei destruído!”, ele pensou... Não dessa forma, diante da mulher que amava. Ele olhou por cima do ombro e avistou os cabelos azuis completamente em pé, os olhos cor de chocolate completamente vermelhos e os caninos saltados sobre os lábios.
— Eu disse que se tentasse feri-la, eu te mataria — a voz de Takeo completamente mudada, a voz dele estava feroz, sanguinária, mortal. — Porque nunca me escutam?! — ele perguntou retoricamente retirando o braço totalmente sujo de sangue, do corpo de Kurama. Kurama caiu ajoelhado, ambas as mãos no buraco. Um pouco de sangue escorreu de seus lábios, e ele sabia, aquilo era só o começo de sua dor, sua ruína, sua morte.
— Antes de você terminar... — ele disse com uma voz fraca, falha. Ele olhou para o youkai desmaiado e para Kagome que tinha bloqueado o ataque de Ritsu — Ele a ama? — Kurama olhou para o youkai totalmente diferente do que lutava com ele minutos atrás. O olhar dele era o mais frio que já virá.
Takeo entendeu ao o que ele se referia, e no fundo ficou triste por ele... Afinal Kurama realmente amava Kagome e queria o bem dela. O amor dele era estranho, Takeo pensou — Sim, ele a ama — Takeo disse olhando na direção de Sesshoumaru que estava desacordado e depois olhou para Kagome que lutava com tudo de si contra Ritsu — A maneira dele é claro, mas ele a ama muito — Takeo o olhou e Kurama olhava na direção de Kagome, chorando. Takeo não sabia o que fazer, muito menos o que falar, mas sabia que naquele momento Kurama estava abrindo mão de seu amor, a entregando para outro.
— Uma última coisa — os olhos negros se voltaram para Takeo, e ele percebeu que as lágrimas dele não eram de dor física e sim sentimental; e de tristeza. A voz dele ficando cada vez mais fraca e uma poça de sangue já se formava ao seu redor — Promete para mim que vai cuidar dela, e se ele a magoar, matá-lo? — os olhos pedindo que ele confirmasse, ele precisava daquilo. Saber que Kagome estava em boas mãos, e que ela sempre estaria em segurança... Segurança essa que ele próprio não pôde lhe proporcionar.
— Prometo — ele disse para dar paz à pobre alma daquele youkai, ele realmente se importava com Kagome e queria o bem dela... Naquele momento, Takeo percebeu que na cabeça dele, aquilo era o certo, matar para proteger o outro e entendeu que com certeza ele teve um passado difícil, principalmente o que envolvia Akane. Ele se compadeceu de sua dor e ficou triste por ele — Agora lhe darei seu descanso, que Kami perdoe seus pecados e que você consiga encontrar o tão desejado descanso, com aquela que você procura... Sua amada Akane — O choro de Kurama ficou mais forte, mais doloroso, mais tudo. Todos os sentimentos dele passaram por ali, e o que ficou foi à certeza de que sua Akane estava em ótimas mãos. E que um dia poderiam se reencontrar, em outra situação, em outro momento, porque Kurama tinha certeza de que seus caminhos eram entrelaçados e se cruzariam para sempre, assim como haviam jurado naquela tarde de primavera.
Takeo tocou a testa de Kurama, o mesmo olhou uma última vez para Ritsu e Kagome; e ele desejou do fundo do coração dele que ela fosse feliz, um leve sorriso brotou de seus lábios sujos de sangue e fechou os olhos. Com muita pena, Takeo terminou seu trabalho, purificando o youkai que um dia fora conhecido como Kurama Yokoyama. O corpo dele fora desintegrado pela purificação, porém Takeo guardou uma mecha do cabelo dele, para enterrar no terreno do templo. Ele sabia, ele entendeu o propósito de Yokoyama, afinal mesmo ele fazendo maldade, tudo o que ele fez foi por amor, pensando em proteger sua amada, mesmo por métodos errados e chegando a feri-la no processo, ele somente queria Kagome bem e em segurança... E acima de tudo, sendo muito amada por ele.
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Kagome chegou o momento certo, com Bakusaiga ela conseguiu bloquear o ataque da lança. Os olhos azuis encararam os amarelos, possessos, irados! Como ele ousa tentar matar seu youkai? Como ele ousa feri-lo desta forma?! — O que faz aqui Kagome?! — Ritsu perguntou um pouco surpreso por vê-la ali, afinal ela lutava contra Kurama e a ultima vez que olhara naquela direção, ela estava no chão! A mesma nada disse, somente o empurrou com toda a força que possuía, seu poder espiritual totalmente descontrolado, mas ela sabia que Sesshoumaru não seria ferido, ela havia o envolvido em uma barreira. Ritsu foi lançado contra a parede do castelo com força, Kagome estava com Bakusaiga em mãos, mas ela sabia que não era a mesmo coisa que Joyeuse. Joyeuse era sua espada e a obedecia, Bakusaiga não passava de uma espada comum e pesada.
— O que deu em você? — Ritsu perguntou quando se levantou, com a lança em mãos — Está ficando maluca, mulher?! — ele perguntou levemente irritado, porém Kagome não se importou, ela tinha pressa, precisava cuidar de Sesshoumaru e pra isso tinha que eliminá-lo. Ritsu estava muito confuso, e afinal, onde estava Kurama?! Ele não queria lutar contra ela, Kagome era a mulher que seu mestre queria, como poderia fazer mal a ela?! Ele estava se sentindo cansado e o braço não tinha parado de sangrar, o que estava o dificultando mais ainda! Kagome sabia que com Bakusaiga não teria chances, por isso a fincou no chão e correu o mais rápido que pôde para cima de Ritsu.
O mesmo usou a lança como defesa, e acabou sendo desarmado. Kagome partiu para o mano a mano, desferindo socos e chutes, que eram defendidos e desviados com muito empenho por parte de Ritsu, em vista que ele não tinha mais o braço direito. Kagome conseguiu derrubá-lo e com a energia envolta em suas mãos tocou no peito de Ritsu causando uma queimadura grave. Ritsu deu um chute no abdômen de Kagome para afastá-la, a mesma caiu sentada. Ela precisava de uma arma urgentemente, que fosse então Bakusaiga! Ela pegou a espada que estava próxima a ela, e mostrou a ele a lança que estava um pouco mais adiante.
Mesmo que quisesse ganhar, ela não era desonesta. Lutaria com tudo de si, mas de forma justa. Ritsu pegou a lança, confuso. Onde estava Kurama que não veio ajudá-lo a levar Kagome! A mesma empunhou a espada do youkai e avançou contra Ritsu, a espada era mais pesada e ela estava estranhando a mesma, porém era a única coisa que ela tinha nesse momento. Eles se atacaram e a espada entrou em contato com a lança, ambos se bloqueando. Estava sendo difícil para Ritsu, com um único braço a força que ele fazia era muito maior que a de Kagome. Ele aproveitou que ela pisou em falso e a empurrou para trás, a derrubando sentada e aproveitou isso para olhar em volta em busca de Kurama, precisava dele para pôr o resto do plano em pratica. Foi quando ele o viu e seus olhos se arregalaram. Kurama estava ajoelhado, com muito sangue a sua volta e Takeo de frente para ele, Ritsu viu o exato momento em que Takeo o purificou.
Os olhos dele deixaram de ser amarelos e voltaram a ser azuis, pelo choque que havia recebido, uma raiva passou a se apossar de seu ser e as lágrimas passaram a se acumular no canto de seus olhos. Como aquele youkai ousou matar seu mestre?! Novamente a pessoa com quem ele se importava estava morrendo e ele não podia protegê-lo! Ritsu fez menção de correr até Takeo, mas Kagome o atacou, o surpreendendo. Com a espada de Sesshoumaru, ela atravessou o tórax dele. Como estava distraído com Takeo não percebeu Kagome em sua frente. Os olhos azuis se arregalaram e fitaram os olhos de Kagome, eles estavam raivosos. Mais lágrimas saíram dos olhos de Ritsu, ele estava sendo derrotado mesmo depois de todo seu esforço! — Não deveria baixar a guarda diante do inimigo, Ritsu — Kagome disse quando puxou a espada do peito dele, o fazendo cair de costas.
Takeo percebeu que Ritsu também havia sido neutralizado, se aproximou, ele estava se sentindo muito mal, ele sabia que nenhum dos dois eram verdadeiramente mal, somente tinham conceitos diferentes por causa das vivencias do passado. Kagome percebeu Takeo se aproximando e deixou o resto com ele, estava muito preocupada com Sesshoumaru. Ritsu estava sentindo seu pulmão protestar em busca de ar, e sentia o sangue entrar nele... Morrer afogado pelo próprio sangue? Forma trágica de se morrer. Ele olhou para Takeo e sabia que não havia mais motivo para ter raiva dele, mas antes ele tinha uma pergunta a fazer — Ele sofreu? — os olhos vermelhos se voltaram para Ritsu, ele entendeu a sua pergunta. Suspirou, aquele dia não estava sendo fácil.
— Ele sofreu mais por não tê-la — ele disse olhando nos olhos azuis, Takeo piscou algumas vezes fazendo os olhos voltarem à cor natural, seus cabelos caíram, voltando à forma bagunçada de sempre e a expressão mais gentil. — Porém me fez prometer que cuidaria dela — Takeo disse olhando na direção de Kagome que chorava agarrada a Sesshoumaru.
— A cara dele, — ele disse forçando sua voz a sair, era assim então que era morrer? Algo doloroso e lento...? — pedir algo assim... — e ele cuspiu sangue, escorrendo por ambas as bochechas.
— Eu vou acabar com seu sofrimento, Ritsu — Takeo disse se agachando ao lado dele, o olhando com pena... Ele aparentava ser uma boa pessoa, só era incompreendido.
— Posso te pedir um último favor? — ele perguntou o olhando com os olhos marejados, porém derramou mais algumas lágrimas, Takeo assentiu. Ritsu fez um ultimo esforço e deixou os olhos amarelos de novo, aproximando a mão esquerda da testa de Takeo de forma débil, quase sem força e tocou na testa dele — Me enterre nesse local... Ou o que sobrar de mim — e quando baixou a mão, suas lágrimas ficaram mais fortes, mas dessa vez de alegria...
Ele sabia que estava morrendo, mas ele também sabia que finalmente poderia voltar para aquela que ele mais amou, sua mãe. Takeo se aproximou de Ritsu e ele olhou para cima e a imagem da mãe dele sorrindo, com os braços abertos o chamando, se fez presente. Ele fechou os olhos e um sorriso iluminou seus lábios ensanguentados, Takeo o purificou, mas manteve seu corpo para enterrar no local onde ele havia mostrado. Cumpriria sua promessa, afinal, era somente dessa forma que sua alma alcançaria o descanso.
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Pov’s Kagome.
Eu tinha que ir ajudar Sesshoumaru, mas não podia fazê-lo enquanto Ritsu ainda estivesse de pé... E estava sendo uma tarefa difícil lutar contra ele com meus pensamentos voltados para o youkai caído logo atrás de mim. Porém em algum momento ele se distraiu e eu consegui atingi-lo de forma letal, quando eu vi Takeo se aproximando, disse a ele para cuidar de tudo... Ainda estávamos ligados e os pensamentos também, mas nesse momento, ambos estávamos nos bloqueando.
Eu me aproximei de Sesshoumaru, ele estava respirando muito fracamente e meus olhos se encheram de lágrimas... Ele não poderia estar morrendo, poderia?! Eu me abaixei ao lado dele, me curvando sobre seu corpo, meu abdômen protestou porque ainda estava levemente dolorido no local, mas não me importei. Sesshoumaru era a prioridade no momento! Eu levei minhas mãos até o abdômen dele, mas o ferimento era muito profundo e eu não era muito acostumada a curar pessoas dessa forma... O ferimento não parecia querer fechar!
Porém meu poder conseguia curar os outros ferimentos menos grave, mas só isso não era o suficiente! Eu sentia meu coração ficar apertado no peito e a dor me dominando, ele não podia morrer! Eu me sentei no chão e da melhor maneira que eu pude puxei Sesshoumaru para mim, o apoiando em meu peito e o abraçando, chorando de forma audível e desesperada... Eu estava verdadeiramente com medo! Senti Takeo se aproximando e o olhei, acho que minha cara não era a das melhores, em vista a cara que ele fazia.
— Takeo... — eu disse com uma voz estranha, parecia que o nó em minha garganta não a deixava sair. Ele se ajoelhou a minha frente e me dirigiu um sorriso.
— Eu posso resolver isso, Kagome — ele disse me tranquilizando — Ele é um youkai, só não se curou sozinho porque tem veneno no sangue dele, mas não se preocupe! Um youkai com poderes curativos como eu, consegue salvá-lo — e me olhou da forma que sempre me olhava quando queria me deixar calma, de forma terna.
— Eu acredito em você — eu disse diminuindo o choro, mas não conseguia parar. Takeo deixou a energia curativa dele o envolver e me deu uma piscada de olho, tocando no abdômen de Sesshoumaru em seguida, eu estava sentindo a energia dele me envolver também e curando o ferimento de minhas costas, assim como os outros pequenos ferimentos. A ligação estava o ajudando, em vista que estávamos ambos cansados por termos usado muito de nossa energia espiritual.
A ferida de minhas costas se fechou primeiro, e a de Sesshoumaru estava somente começando a fechar. Mas a respiração dele começava a ficar mais forte, mais perceptível. Eu decidi deixar Takeo fazer o restante, lentamente deitei Sesshoumaru no chão e fui me afastar, mas me assustei quando senti meu pulso ser segurado fortemente. Ele já estava consciente então...
— Kagome, preciso que se concentre comigo, porque tá ficando difícil a situação aqui — Takeo disse começando a ficar muito cansado, eu estava sentindo, sabia que se ele parasse dessa forma, poderia demorar mais a ele se curar. Eu me sentei novamente e segurei na mão de Sesshoumaru, me concentrando na ligação com Takeo. Comecei a entoar um mantra que mestre Fujimoto havia me ensinado para deixar o familiar mais forte, e senti o poder de Takeo aumentar.
— Takeo, meu familiar, meu servo, meu parceiro, lhe concedo agora meu poder e meu corpo para que você possa fazer aquilo que lhe foi ordenado, lhe concedo também o meu pensamento, o deixando assim no poder de tudo, para poder curar, enfrentar e até mesmo matar aquele que você tem em mente — eu estava totalmente concentrada em meu mantra pessoal para Takeo e o mesmo estava totalmente em transe, fazendo aquilo que lhe foi ordenado, de forma rápida. Mas aquilo nos esgotava, sabíamos disso, mas Sesshoumaru precisava de nossos cuidados.
Eu sentia o leve afago em minha mão, mas não podia dar atenção a ele, tinha que me concentrar. Em minha mente, Takeo avisou que estava bom, não precisava mais de meu mantra, porque ele tinha terminado. Eu deixei de me concentrar e abri os olhos, Sesshoumaru estava totalmente curado, exceto pela cicatriz que havia ficado do primeiro encontro dele com Kurama e Ritsu. Os olhos âmbares estavam abertos e ele olhava para o céu, parecia pensativo com alguma coisa.
— Takeo, — eu chamei a atenção dele que me olhou curioso. Estendi a minha mão direita com a palma voltada para ele, Sesshoumaru olhou para meu gesto curioso e eu sorri. Takeo entendeu e fez o mesmo que eu, tocando minha mão com a esquerda dele; entrelacei nossos dedos e sorri, feliz por finalmente ter acabado. As pulseiras apareceram em nossos pulsos — Oh familiar que me cedeu seu domínio, concedo-lhe agora o fim de nossa ligação. Você lutou ao meu lado, foi minha espada e foi meu escudo, assim como eu fui os seus. Nossas mentes agora se desprendem, nossas almas e nossos corpos voltarão a ser como antes, não houve ressentimentos e nem incertezas em nossos ataques — Takeo sorriu para mim e fez o movimento de mão que tínhamos que fazer para terminar a ligação — Sendo assim, tivemos êxito em nosso propósito — e a ligação foi desfeita.
— Ufa — Takeo disse se jogando sentado no chão, Sesshoumaru e eu olhamos para ele, confusos — Não aguentava mais seus pensamentos confusos e sanguinários — ele disse passando a mão na testa, como se tivesse tirando algo dali — Tinha esquecido o quão bipolar você se torna...
Eu o olhei irritada, mas ao mesmo tempo achando graça — Olha quem fala senhor Takeo — Sesshoumaru se sentou fazendo uma expressão de dor, talvez estivesse incomodo ainda, sabia bem dessa sensação — Seus pensamentos também não ficam muito fáceis de se organizar, ainda mais quando seu lado irracional está no comando — eu cruzei os braços e fiz bico — Da primeira vez a ligação foi mais fácil.
— Vocês já tinha se ligado antes? — Sesshoumaru se pronunciou pela primeira vez. Ele ainda segurava em minha mão e me olhava curioso, eu lhe dirigi um sorriso e assenti. Pelo menos agora estava tudo bem, claro, ele estava todo sujo de sangue, até no cabelo tinha, mas agora estava tudo bem, porque finalmente tudo havia acabado!
— Uma vez só — Takeo respondeu — Mas como foi à primeira vez, nossos pensamentos não se uniram direito, não confiávamos plenamente um no outro e acabou dando uma ligação imparcial — ele deu de ombros — era um treinamento do mestre Fujimoto, tivemos que exterminar um youkai aí e lutamos como nunca antes.
— Nossas mentes entraram em conflito e o lado youkai de Takeo me dominou por um tempo — eu disse o explicando — Meu treinamento era ser tão fria quanto ele e ainda lutar contra o lado youkai dele, foi divertido no final — eu dei de ombros também.
Sesshoumaru me olhou nos olhos e depois me analisou, parando o olhar em meu cabelo o que fez com que eu passasse a mão nele, depois olhou ao redor e viu que estava tudo terminado e que sua Bakusaiga estava toda suja de sangue, ele acabou franzindo o cenho, confuso — Er... — eu disse chamando a atenção dele — Eu meio que sujei a Bakusaiga — eu disse quando percebi para onde ele olhava — Não estava com Joyeuse e tive que lutar contra Ritsu com ela... Desculpe-me — eu disse um pouco envergonhada. Ele negou com a cabeça e se levantou. Eu estava com as roupas rasgadas em vários locais, fora o rasgo em minha regata... Com certeza ela viraria pano de chão.
— Kagome! — Takeo disse rapidamente levantando também e me retirando de meus devaneios, ele havia ficado eufórico de repente, como se houvesse se lembrado de algo muito importante — O outro ataque mulher! — como um raio a imagem de Kurama mandando os youkais para o vilarejo passou por minha mente, rapidamente me levantei e procurei por Joyeuse — Está junto de Kito — Takeo disse me mostrando o local.
Corri até minha espada e a peguei, assim como Takeo fez com Kito. Peguei também minha mochila que estava jogada por ali, junto com meu arco e a aljava — O que aconteceu? — Sesshoumaru voltou com Bakusaiga e Tenseiga presa em sua cintura, ele estava sem a parte de cima do kimono deixando o peito a mostra e uma das pernas da calça estava totalmente suja de sangue, porém ele estava bem agora.
— Kurama mandou atacarem o vilarejo! — eu disse apressada prendendo as coisas em mim — o alvo eram Rin e Shippou! — eu disse com urgência, os olhos âmbares me olharam assustados e eu vi a raiva passar por ali — Inu-yasha e os outros foram na frente para ajudar, mas vamos logo!
Passamos a correr na direção do vilarejo, não sabia como estavam as coisas por ali, mas eu esperava do fundo do meu coração que não tivesse acontecido nada demais! Takeo corria uma pouco mais a frente, Kito que havia se materializado, estava presa em sua cintura — Takeo, porque você não purificou totalmente o corpo de Ritsu, como fez com o de Kurama? — eu estava curiosa quanto aquilo e eu não deixaria para depois.
— Ele me fez um último pedido antes de morrer, não pude negar — ele disse baixando o olhar e eu sabia o quão profundo foram os pensamentos dele sobre os dois, mas como pessoas que ajudam outras, devíamos atender os seus desejos, mesmo que fossem estranhos... Sesshoumaru ia correndo ao meu lado, ele nada disse e parecia estar pensando em algo, por isso, como sempre, o deixei em seus pensamentos.
A volta foi muito mais rápida do que a ida, em vista que enquanto íamos, não sabíamos exatamente onde estavam Kurama e Ritsu. Takeo, agora ao meu lado, parecia estar tenso, talvez esperando encontrar algo que não queria... Mas aquilo estava estranho, quando se tinha algum youkai atacando a energia ficava densa, mas por ali estava tudo bem. O entardecer lindo que me era proporcionado estava deixando claro que tudo não passou de uma mentira... Será que era mesmo mentira?! Meus pensamentos foram confirmados quando eu avistei Inu-yasha e os outros sentados na beira do lago, nos aguardando. Eu diminui a velocidade e os youkais fizeram o mesmo, eu estava mais tranquila agora.
— Kagome!! — os gritos infantis preenchem meus ouvidos e as duas crianças correm em minha direção. Eu me ajoelhei e os abracei, eu estava tão feliz que nada tinha acontecido com eles! Pelo visto tudo não passou de um alarme falso. Os dois estavam muito felizes em me ver, e não só a mim como os outros dois. Rin se aproximou de Sesshoumaru envergonhada e o perguntou se ele estava bem, ele somente respondeu que sim e afagou a cabeça dela. Eu fiquei os olhando, e vi a preocupação de Rin pela forma em que estavam as vestes de Sesshoumaru, mas ela não perguntou nada, somente o abraçou.
— Tão fofos — Takeo murmurou ao meu lado com Shippou no colo. Ele estava olhando a forma como Sesshoumaru agia com Rin e no fundo era mesmo fofa. Eu sorri para Takeo e assenti. Shippou gostava muito de Takeo e era da mesma forma com Takeo, ele havia se apegado aos meus pequenos — Sabes que ela tem energia espiritual também, certo? — ele me olhou sério, sua expressão não era mais aliviada. Shippou olhou para o rosto do Takeo, curioso. Afinal, quem não ficaria com essas mudanças de Takeo?
— Porque ficou sério, senhor Takeo? — ele perguntou o olhando sem entender, e eu achei engraçado. Shippou estava acostumado com o lado doce de Takeo... E eu acostumada com todas as faces dele, por isso não estranhava. O que eu posso dizer, ele era mais tímido que tudo!
— Takeo é um mestre muito rigoroso, Shippou... — eu disse chamando a atenção dele para mim, Takeo estava envergonhado com a pergunta de Shippou — Isso é o lado avaliativo dele, estudando se vale à pena ou não Rin treinar os poderes dela — eu expliquei para o pequeno que assentiu entendendo, Takeo também assentiu para ele ainda envergonhado para falar algo — Porém, eu acho que ela ainda é muito nova para se preocupar com isso, Takeo — ele me olhou compreensível e depois assentindo, concordando — a deixe tomar a decisão por ela mesma, aposto que se ela quiser treinar, já terá um ótimo professor em mente — ele sorriu orgulhoso e colocou Shippou no chão, que seguiu para onde os outros estavam.
— Preciso terminar meu dever como um sacerdote Kagome, minha missão ainda não terminou — ele disse me olhando de forma triste e eu entendi, ele se referia a Ritsu, eu assenti e ele se despediu dos outros de longe mesmo, isso incluía Sesshoumaru e as crianças, me deixando por último. Ele se aproximou com um sorriso tranquilo, o sorriso que me deixava à vontade — Nos separamos de novo, mas sempre que puder vá me visitar, ou me convide... — ele disse olhando para cima, dando de ombros, me olhando nos olhos novamente — A pulseira será sua o tempo em que viver, por isso, me chame para lembrarmos os velhos tempos — e sorriu, me dando um abraço.
— Odeio despedidas Takeo! — eu disse o abraçando bem apertado, mas sabia que não era uma despedida definitiva, afinal sempre que eu quisesse poderia vê-lo. Ele me abraçou da mesma forma, era assim que éramos... Irmãos. — Mas eu não vou te deixar em paz, de tempos em tempos irei lhe visitar. Já que agora você virou inteiramente meu familiar também — e sorri para ele, um sorriso que só Takeo sabia tirar de mim, um sorriso de gratidão eterna por tudo que havia feito por mim. Ele corou e assentiu, parece que o que era temporário, virou “para sempre” — e sempre que quiser, venha ver as crianças, aposto que em breve teremos mais uma — eu olhei para Kikyou e depois olhei para Sango — ou outras... — e dei de ombros.
— Ou seus — ele disse me olhando sugestivo e eu corei. Takeo estava começando a andar demais com Miroku, sendo que eles quase nem conversam! — Já vou, mestre Fujimoto deve estar ansioso por noticias... Tchau, Kagome — ele disse passando a seguir por onde viemos, me dando um tchau com a mão, antes de passar a correr. Takeo era sem dúvida uma pessoa querida, uma das pessoas que eu nunca perderia contato... Eu me aproximei de Sesshoumaru e Rin, ambos estavam me olhando. Rin um pouco curiosa, pelo estado de minhas roupas, eu acho.
— Os outros querem saber o que aconteceu, os percebo ansiosos daqui — eu disse os olhando e passando a andar na direção deles, Rin segurou em minha mão direita e Sesshoumaru foi andando ao meu lado esquerdo. Quem nos visse de longe pensaria que éramos uma família e no fundo eu acreditava que éramos — Ah, vamos há um lugar amanhã — eu disse para eles, Rin sorriu e assentiu; e Sesshoumaru me olhou de forma inquisitiva — Não, não é pra minha era... Ainda — eu disse dando um sorriso — Mas eu quero que vocês conheçam uma pessoinha! — eles nada disseram, deixaram a curiosidade de lado, tudo porque já estávamos diante dos outros.
— Bom, se vocês chegaram — Miroku disse atraindo nossa atenção quando nos sentamos, Shippou se sentou do meu lado direito e Rin entre eu e Sesshoumaru — Tudo terminou, certo?
— Sim — eu disse os olhando — E parece que aqui não passou de um alarme falso — eu disse dando um suspiro aliviado. Tudo o que eu menos queria era que algo tivesse acontecido a eles. O vilarejo era um lugar muito importante para mim.
— Você disse que youkais estavam vindo para o vilarejo — Inu-yasha disse me olhando de forma inquisitiva, ele parecia confuso. Kikyou ao lado dele estava nos olhando, nos analisando, ela finalmente parecia estar mais a vontade dentre todos nós — Mas quando chegamos aqui não tinha nem um youkai aqui.
— Kurama disse que estava mandando youkais para o vilarejo para atacar as crianças e destruí-lo no processo — eu disse o olhando, pensando nas palavras de Kurama enquanto isso, eu tinha certeza de que ele havia mandado youkais pela forma que ele agiu — ele havia dito com todas as letras que iria destrui-lo, e que se eu voltasse, veria seus destroços.
— Ficou claro para nós quando chegamos aqui — Sango disse atraindo minha atenção para ela, todos ainda estavam sujos e com as roupas levemente rasgadas. Eles não se moveram então — que tudo não passou de um plano para nos tirar de lá — ela disse dando de ombros e acariciando Kirara que estava pequena.
— O que aconteceu depois que saímos? — Miroku perguntou olhando para a calça e o peito de Sesshoumaru — Até onde me recordo da última vez que olhei para Sesshoumaru a calça dele não estava assim — e apontou para ela. Miroku sendo curioso como sempre.
— Foi uma luta complicada, Miroku — eu disse olhando para Sesshoumaru que estava desconfortável em estar ali, estava evidente isso. Eu olhei para ele, porém ele não olhava para mim, ele estava olhando para Miroku. Incomodado — E acabamos vencendo no final, nós três — eu disse para Miroku, eu não ia contar o que havia acontecido a Sesshoumaru, aquilo era passado. Sesshoumaru já tinha passado por muita coisa por causa de Yokoyama — O que importa é que ambos estão mortos agora, e a paz vai finalmente poder voltar por aqui... Ou o mais próximo da paz que esse local já viu — eu disse dando um sorriso, mas eu estava cansada, usar minha energia daquela forma, me esgotava. Além da força que eu havia feito, eu estava me sentindo muito cansada.
— Vão descansar, vocês todos estão cansados — Kikyou disse nos olhando, ela parecia realmente preocupada. Pela primeira vez eu percebi um sentimento em Kikyou em relação a nós — Sei que todos tiveram um dia difícil hoje, mas finalmente está tudo acabado. Tudo irá voltar ao o que era antes... — ela olhou para mim e parecia triste, muito triste — Eles me contaram quem era Yokoyama, sinto muito pela perda de um amigo...
Eu olhei para ela e por um segundo me perdi em meus pensamentos... Ele era meu amigo e eu confiava nele, até havia pensado em algum momento antes de me envolver com Sesshoumaru em dá-lo uma chance... Entretanto eu descobri a verdade e tudo o que eu conseguia sentir era raiva de mim mesma. Porém agora tudo acabou e eu não posso me apegar ao sentimento de amizade que eu tinha para com ele... Pelo menos, não mais. — Foi ele quem procurou tudo isso, eu o considerava sim um amigo, porém... — eu disse a olhando, eu estava séria, eu sabia disso — No momento em que eu descobri quem era Yokoyama, foi como se Kurama, o Kurama que eu conheci, tivesse sido morto naquele momento, na minha frente... — eu disse dando o assunto por encerrado me levantando — Vamos descansar, foi um dia longo... Estou esgotada.
— Tudo bem, mas antes... — Sango chamou minha atenção, ela me analisava e parecia estar pensando se falava ou não. — O que houve com seu cabelo?! — eu a olhei, meu olhar não deveria estar um dos melhores, eu sei que cabelo cresce de novo, mas eu amava tê-los longos... Vai demorar até chegar à cintura novamente.
Eu passei a mão nos mesmos, agora até a metade do pescoço. Muito curto... — Kurama cortou, por causa do ciúme obsessivo dele — eu disse somente, ainda estava chateada por ele. Um suspiro pesado saiu de meus lábios, parece que não iria me acostumar com isso. Eu olhei para Sesshoumaru, o mesmo estava olhando para o caminho em que viemos, talvez pensando em ir embora. O mesmo deu dois passos em direção à estrada e eu o imitei juntamente com Rin, até que Miroku se pronunciou.
— Por um acaso vai dormir fora de novo, Kagome? — Miroku perguntou sugestivo, eu parei no mesmo instante e senti meu rosto esquentar; como ele pode perguntar algo assim?! O youki de Sesshoumaru mudou, deixando claro que ele também não havia gostado da insinuação.
— O que disse Miroku? — Sango perguntou o olhando irritada, com o osso voador ela bateu na cabeça dele, como sempre fazia quando ele dava em cima de uma mulher, antes deles terem um relacionamento — Isso lá é coisa que se pergunte?! — ela estava realmente brava e eu segurei o sorriso — E se ela for, eles são um casal afinal...
— Calma Sango, só estou brincando... — ele disse se defendendo dela, Sango havia realmente ficado brava, eu não me contive mais e sorri — Eu gosto de irritar eles, só isso! — ele disse com ambas as mãos em frente ao corpo como se pedisse rendição. Sango estava brava, parece que alguém ia ficar de castigo.
— Porém isso continua a não lhe dizer respeito Miroku — eu disse um pouco brava. Mas a cena de Sango brava com Miroku não tinha preço. Eles ainda eram eles mesmos! Logo todos se levantaram e seguiram para a cabana, Shippou foi com eles, e eu disse que iria logo em seguida.
— Você já vai? — eu perguntei para Sesshoumaru que assentiu para mim, ele analisava meu rosto, acho que procurando alguma objeção. Porém ele não a encontrou, afinal eu sabia que um relacionamento com ele seria complicado — Vai voltar amanhã para irmos ao local onde quero leva-los? — eu perguntei olhando nos olhos dele.
— Eu quero ir também Senhor Sesshoumaru — Rin disse parando ao meu lado. Eu sabia que ela ia querer que eu a levasse. Sesshoumaru olhou para mim e depois para Rin, mas não respondeu nada, aquilo me chateou um pouco, mas ele ainda era ele afinal. Ele sempre seria assim, distante.
— Tchau minha pequena — eu disse me abaixando e dando um beijo na testa dela — Sei que nos veremos logo — e sorri, assim como ela fez — Porque eu quero leva-la a um lugar que só eu posso leva-la — e afaguei a cabeça dela quando ela me abraçou.
— Tudo bem — ela disse quando se afastou sorrindo. Rin seguiu até um lugar um pouco mais distante de nós, talvez nos dando um pouco de privacidade. Ele a olhou se sentando, e depois olhou para mim.
— Amanhã pretendo ir à tribo dos lobos — eu disse enquanto me levantava e para que ele estivesse ciente, caso ele não quisesse ir — Caso você não queira ir, tudo bem, mas eu gostaria que Rin fosse para conhecer o filho de Kouga — eu o expliquei, ficaria na questão dele ir ou não. Sesshoumaru nada disse, somente se aproximou.
Não havia pessoas por ali, mas sabia que alguém nos observava. E não era Rin. Aposto que ele também sente isso, em vista que ele passava os olhos pelo local em busca de algo, mas não encontrou nada, assim como eu; Sesshoumaru me olhou nos olhos, segurou na minha mão e não desviava o olhar de meus olhos, eu sabia que ele queria ser carinhoso, mas também sabia que ele não tinha ideia de como o ser. E no fundo eu agradecia por ele pelo menos tentar... Senti o dedo dele acariciando minha mão timidamente e eu sorri para ele. Ele nada disse, somente me deu um selinho rápido e se afastou, me dando as costas em seguida.
Rin nos olhava com os olhos brilhando e um lindo sorriso, talvez porque houvesse presenciado um momento de carinho entre eu e Sesshoumaru. — Rin, vamos — ele disse já lá na frente, mas não se virou. Rin correu atrás dele e me deu um tchau, e passou a segui-lo como sempre. Quando me virei e olhei na direção da cabana, pude ver os olhinhos pela porta da cabana, então eram eles que nos observavam. Voltei para a cabana e encontrei meus amigos sentados fingindo estar fazendo qualquer coisa. Como se estivessem ali desde o começo. Sango e Miroku seguravam um de meus livros, mas ele estava de cabeça para baixo e Shippou estava fingindo estar dormindo, revirei os olhos.
— Eu os vi, seus palhaços! — eu disse um pouco irritada, como eles são xeretas! — Não fiquem me espionando! — eu disse pegando minhas coisas pra tomar um banho e descansar, porque aquele dia já havia me reservado emoções demais! Sango me seguiu, pedindo por desculpas e dizendo que ver Sesshoumaru demonstrar carinho era algo impagável. Eu dei um sorriso e concordei, porque realmente vê-lo dessa forma era algo único.

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Acordei com alguém me balançando. Eu não tinha ideia de que horas eram, nem quanto tempo eu havia dormido, mas o balançar em meu corpo não parava. Eu abri meus olhos sentindo meu corpo levemente dolorido, a luta de ontem havia acabado comigo. Avistei uma cabeleira cor chocolate a minha frente.
— Vamos, acorde! — Rin disse me sacudindo, alegre. Ela usava um kimono vermelho com um obi amarelo, ela estava muito bonita! — Bom dia Kagome! — ela disse quando viu que eu tinha aberto os olhos. Eu estava um pouco confusa ainda, mas me lembrei da visita que faríamos a Kouga.
— Bom dia Rin — eu disse me espreguiçando e logo me sentando — Faz tempo que você chegou? — eu perguntei olhando ao redor, vendo que só eu me encontrava por ali. Será que era muito tarde?
— Não, cheguei agora, mas Shippou disse que você estava dormindo, por isso vim lhe apressar — ela disse tudo de uma vez, eufórica. Parece que Rin não sai muito, mas será que ela ia gostar de ir para lá? Eu sabia do receio que ela sentia pelos lobos, mas sei que ela vai gostar de Takehiko.
— Calma pequena, — eu disse dando um sorriso, ela ficava linda assim, alegre — Vou me arrumar primeiro, não quer que eu saia feia assim né? — eu disse piscando o olho e me levantando em seguida, aproveitando que estávamos nós duas, aproveitei para me trocar. Coloquei um kimono azul Royal e arrumei meus cabelos agora curtos, os deixando o mais apresentável possível. Escovei os dentes e comi alguma coisa que tinha por ali, Rin me observando o tempo todo. Pelo o olhar dela eu sabia que ela estava ansiosa — Vamos pequena, Shippou deve estar esperando.
— Trouxemos Arurun dessa vez, m... — ela tapou a boca e me olhou corada — Kagome.
— Pode me chamar de mãe se quiser, Rin — eu disse saindo da cabana e lhe dirigindo um sorriso — Shippou me chama as vezes. — ela sorriu para mim e assentiu. Shippou estava sentado ao lado de Sesshoumaru no lago, acho que tentando ganhar a confiança dele, eu sei que um dia eles serão ótimos amigos. Mas eu não achava que ele estava aqui, pensei que só houvesse deixado Rin — Vamos? — eu perguntei atraindo a atenção deles.
— Aonde vamos Kagome? — Shippou perguntou montando em Arurun, assim como Rin. Eu também subi nele, levava minhas coisas porque de lá eu iria para outro lugar e somente Sango sabia, havia contado a ela durante o banho — Você não me disse... — Arurun passou a voar e Sesshoumaru também. Então ele ia mesmo, eu me senti feliz, porque eu queria que ele fosse.
— Vamos para o leste — eu disse para ele, Rin me olhou um pouco desconfortável. Ela sabia que a tribo de lobos era ao leste — Rin, eles não vão lhe fazer mal, não se preocupe — eu disse a reconfortando. Ela sorriu e assentiu. Eu sabia a forma como ela havia morrido da primeira vez, quando conheceu Sesshoumaru... Ela me contou um tempo atrás. Não demorou muito tempo e logo estávamos na entrada da tribo, eu já havia descido de Arurun, mas as crianças ainda não. Os youkais lobos pareceram hostis, mas acho que eles reconheceram meu cheiro. Sesshoumaru parecia querer mostrar que mandava ali... Será que algum dia eles poderiam vir a ser bem? Balancei a cabeça em negativa.
— Kagome, eles parecem não gostar de nós — Rin disse me olhando assustada. Ela estava com medo, isso era obvio. Eu neguei com a cabeça e tentei reconforta-la com o olhar, olhei para Sesshoumaru, ele não se abalava com os olhares raivosos dos youkais lobos e eu o admirei por isso, porque se alguém me olhasse dessa forma, eu teria fraquejado. A pose imponente dele, parecia de um ser inabalável. Logo o youkai de cabelos negros e olhos azuis aparecia na minha frente, sorridente. Dessa vez ele me reconheceu, eu pensei sorrindo.
— Kagome! — ele disse se aproximando, eu havia acabado de descer as crianças do youkai de Sesshoumaru. Kouga me deu um abraço apertado e quando se afastou, olhou para as crianças e seu olhar parou em Sesshoumaru. Ele pareceu confuso, isso ficou claro para mim — Ora, o que faz aqui Lorde Sesshoumaru? — Kouga perguntou, sem hostilidade, somente sendo simpático.
— Hm. — foi tudo o que ele disse. E olhou para mim, como se dissesse, resolva. Revirei os olhos e olhei para Kouga, que também me olhava.
— Ele é meu companheiro Kouga — eu disse fazendo com que o youkai arregalasse os olhos, tipo, muito. Eu dei um sorriso, porque todos faziam essa expressão?! — Porque da surpresa? — eu perguntei curiosa, apesar de que eu mesma me surpreenderia se me dissessem isso há dois anos e ainda chamaria a pessoa de louca — Você mesmo me disse que meu amor estaria nesse lugar — e revirei os olhos, mas dei um sorriso.
— Porém eu nunca pensaria em Sesshoumaru — ele disse olhando para Sesshoumaru que olhava para Rin e Shippou, claramente nos ignorando. Parece que ele odeia ser o assunto — Venham, vamos entrar, Ayame vai amar a visita de vocês — nós quatro o seguimos, e logo estávamos na caverna dele. Ayame estava com o pequeno Takehiko brincando por ali, a criança era bem elétrica, assim como os pais — Ayame — Kouga chamou a atenção dela.
— Olá Kagome! — ela disse se aproximando com o pequeno youkai no colo, os olhos dele mais chamativos do que antes, o azul e verde mais vivido que eu já vira, o tom rosado da pele dele também deixava mais lindo ainda — Takehiko está um pouco agitado, mas que bebê de seis meses não é?! — ela perguntou dando um sorriso.
Passamos uma tarde agradável, claro com Sesshoumaru sentado mais afastado de nós e escutando a todas as perguntas pertinentes de Kouga, eu respondi a todas, menos como começamos a nos envolver, isso ninguém precisava saber além de nós. Rin e Shippou brincaram bastante com o pequeno Takehiko e ele parecia bem à vontade com as crianças, eu também brincava um pouco com ele, levantando comentários de como eu era habilidosa com crianças... Coisa que me deixava envergonhada. Contei a Kouga o que havia acontecido desde a última vez que nos vimos, contei sobre tudo, menos do meu relacionamento e contei sobre Kurama.
— Deve ter sido difícil para você — Ayame comentou ninando Takehiko, ele havia demonstrado cansaço e ela disse que por aquele horário ele costumava dormir. Rin e Shippou estavam brincando mais próximos de Sesshoumaru que os observava. — Você confiava nele...
— Já passou, eu já superei isso — eu disse dando um sorriso forçado, eu não me importava mais, mas eu havia sido muito trouxa, o que me irritava e me deixava mal era que eu havia sido muito idiota... Confiando na pessoa errada. — Mas agora precisamos ir... — eu disse me levantando. Sesshoumaru me imitou, ele parecia ansioso em ir embora — Depois passo aqui com mais calma, eu preciso ir a outro lugar.
— Ok, — Kouga disse dando um sorriso — Sabe que é bem vinda em minha tribo, Ayame e Takehiko gostam muito de você — ele disse me dando um abraço. Despedi-me de Ayame e do bebê; as crianças fizeram o mesmo.
— Aonde vamos Kagome? — Rin perguntou quando montamos em Arurun, eu somente sorri e nada disse, seguindo na direção que eu precisava ir.
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Paramos na frente do poço come-ossos, e os olhares curiosos que eu recebia eram o melhor, de todos eles. Eu me virei para Sesshoumaru, ele era o único que eu não poderia levar sem o consentimento, afinal as crianças queriam muito ir a minha Era — Você tem algo de importante pra fazer por aqui, por esses dias? — ele me olhou de forma inquisitiva e eu entendi que ele queria que eu explicasse, revirei os olhos — Vou para minha Era e queria levar vocês, mas se você estiver ocupado, levo só as crianças, sem problema algum — eu disse dando de ombros, mas que queria muito que ele fosse. Eu não pretendia voltar no dia seguinte, mas também não pretendia ficar mais de uma semana, Shippou teria a avaliação dele na outra semana.
Sesshoumaru cruzou os braços e pareceu pensar em algo, como se buscasse em sua mente algo que o impedisse de ir... — Não estou ocupado — ele disse me olhando de forma carinhosa — ou o mais próximo disso -, mas com sua expressão impassível de sempre. Sempre achei isso engraçado — E acredito que não tenha nada por esses dias.
Eu deixei um sorriso alegre escapar. Finalmente eu mostraria a minha Era a eles, e mais ainda apresentaria a minha mãe! — Então vamos! — eu disse eufórica. As crianças gritaram um “eba!” e se aproximaram de mim, assim como Sesshoumaru. Eu peguei Shippou no colo e Sesshoumaru pegou a Rin. Eu nos envolvi em uma barreira e segurando na mão de Sesshoumaru, pulei no poço, ficando feliz por constatar que todos havíamos conseguido viajar entre as Eras.
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