Caminhos Entrelaçados
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Pov’s Sesshoumaru.
Eu voltei para a cabana, onde estavam Rin e a humana. Eu podia sentir o cheiro daquele tal de Ritsu na cabana, estava fraco, mas nada que eu não pudesse sentir. Eu adentrei a mesma em alerta, mas eu podia sentir somente duas presenças dentro dela. Quando cheguei ao quarto, percebi que a humana estava com o cheiro dele, estava impregnado em toda a roupa dela. Kagome foi muito evasiva quando me respondeu sobre o porque de estar com o cheiro dele, e eu não insisti, deixei pra lá, não me interessa se essa humana está ou não com problemas. E como ela me assegurou que Rin estava em segurança, não havia motivos para eu me preocupar.
Kagome ajeitou as coisas dela e seguiu em direção a saída da cabana, se despedindo de mim; não me dei ao trabalho de respondê-la. Eu dei uma olhada em Rin, ela estava dormindo tranquilamente e sua febre também havia baixado. Segui na mesma direção em que a humana foi e parei na entrada da cabana, a vendo partir. Ela caminhava firmemente e em nenhum momento olhou para trás, mesmo parecendo que ela quisesse o fazer. Kagome está muito diferente de quando eu a conheci, sua expressão corporal está mais determinada, muito diferente daquela que tremia em minha presença.
Quando percebo ela já sumiu de meu campo de visão e me toco de que estava parado a vendo partir. O que anda acontecendo com este Sesshoumaru? Ela é somente uma humana que não me interessa em nada! Voltei para o quarto onde Rin estava adormecida, sua respiração estava serena e calma. Ela parece feliz em seu sono... Será que Rin sente falta de uma companhia que dê atenção total a ela? De alguém que brinque com ela? De alguém que demonstre que ela é importante o tempo todo? As vezes me pego pensando se é certo manter Rin comigo, mas por amá-la como a uma filha, eu não quero me afastar do crescimento dela. Mesmo sem saber me expor, e mesmo sem saber como demonstrá-la que a amo...
Rin merece viver feliz e segura, ser como toda e qualquer criança que gosta de brincar e fazer colares e auréolas de flores. Por isso eu preciso manter esse tal de Yokoyama longe dela, e de minhas terras. Agora é oficial, eu irei destruí-lo, para poder dar paz a minha criança e as minhas terras. Eu vou atrás da Kagome, porque se ela está indo para algum lugar, com certeza é atrás dele.
— Jaken — eu o chamei, ele estava do lado de fora para dar privacidade a Rin e a Kagome e não demorou muito para ele aparecer onde eu estava — Estou de saída, cuide de Rin — e saí de lá, em busca de Yokoyama.
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Eu não acredito nisso! Como eu, o grande lorde Sesshoumaru, perde um simples rastro de uma humana?! Kagome está brincando comigo. Eu entendo que ela agora sabe esconder o rastro, mas não era pra ser tão perfeita nisso! Já faz quase três dias que eu estou a procurando, porque simplesmente depois que ela saiu da cabana seguiu até certo ponto sem esconder o cheiro, após isso ela se camuflou de uma maneira que nem eu consigo rastreá-la! Pensei em deixar pra lá toda essa busca, mas não vou dar o braço a torcer, eu irei encontrá-la!
Nesse momento eu estou próximo de uma montanha, mas tenho certeza de que ela não está por aqui. Eu estou no chão e acho que por cima será melhor para vê-la, sinceramente estou pensando em parar de procurá-la, e procurar Yokoyama por mim mesmo... Mas eu não sei nada sobre ele, a não ser o que Kagome me contou e os meus soldados também. Olhei mais uma vez a montanha e enfim subi. Eu estava a sobrevoando quando eu decidi que já era hora de ir embora pra onde Rin estava, quando eu senti o cheiro de Inu-yasha.
Eu não acredito! Com tantas pessoas para aparecer, tinha que ser justo ele?! Engraçado que até o bastardo do meu meio-irmão eu encontro, mas nem sinal de Kagome... Porém se ele está por aqui – junto com aqueles humanos – é porque tem algo ocorrendo. Eu passei a me dirigir na direção dele, ainda estava muito longe, mas nada que eu não pudesse alcançar. Entretanto, no momento em que eu passei a segui-lo, ele estranhamente passou a correr mais rápido. Isso só pode ser uma pista, Yokoyama talvez? Mas logo eu senti aquele aroma...
Era sangue... E de Kagome.
Estranhamente, eu passei a seguir na direção do cheiro com mais velocidade, eu queria chegar onde ela estava logo e descobrir porque ela estava ferida, e mais ainda, quem a feriu! Eu ainda estava longe, mas agora eu já podia sentir os cheiros com mais intensidade. Kagome estava lutando com alguns youkais, eu senti também o cheiro de Ritsu e outros que eu não conhecia. Inu-yasha havia parado, sinal de que provavelmente ele já estava onde ela estava. Eu não queria ser visto, eu quero estudar o local pra saber se eu poderia agir ou não. Por isso escondi meu cheiro e presença antes que Inu-yasha me percebesse.
Eu já podia avistar um castelo no meio da floresta, o cheiro do sangue da Kagome estava cada vez mais forte e os sons de luta cada vez mais audível. Um clarão se fez presente e eu vi a Onda Explosiva destruindo o que restou do castelo. Eu parei em uma árvore, longe da vista deles. De onde me encontrava podia ver a todos, Kagome estava coberta de sangue – não só dela – e cheia de feridas. Ritsu estava entrando em uma carruagem quando a mesma partiu, parecia ter mais alguém lá dentro. Vou segui-los.
O monge e a exterminadora os seguiram também. Eu fui os seguindo pelo chão para não me perceberem. Um enxame de youkais apareceu para atrasar os humanos e também um ataque direto de miasma os atingiu, o monge usou o bastão para protegê-los. A carruagem continuou e eu fui atrás deles, mesmo correndo o mais rápido que eu podia eles estavam se distanciando, que tipo de carruagem era aquela? Nunca vi nada igual! Quando acho que vou perdê-la de vez ela começa a descer, já muito longe de onde estávamos inicialmente.
Eu diminui a velocidade e comecei a prestar atenção em qualquer som possível. Mais a frente eu pude avistar a carruagem, Ritsu havia descido da mesma e parecia pegar água no rio... Lugar engraçado para se parar. Eu vou aproveitar que ele está distraído e vou atacá-lo. Saquei Bakusaiga e ataquei, Ritsu pareceu assustado com meu ataque, mas conseguiu se esquivar do mesmo. Eu me aproximei da carruagem em que eles fugiram, porém a mesma estava vazia... Estranho.
Ritsu aproveitou que eu olhava para a carruagem e me acertou um soco no rosto, me lançando longe. Finalmente eu teria uma luta decente! — Ora, o que temos aqui... — Ritsu disse enquanto eu me levantava — Aquele lorde que eu não sabia o nome... — eu nada disse, somente me posicionei novamente para voltar a lutar — E continua sem responder quando os outros falam... — ele pareceu desapontado e eu me mantive frio — Você é bom, me seguiu até aqui e eu não o percebi!
— Você fala demais — eu disse me incomodando com as palavras dele, esse cara fala muito!
— Ora, o cachorro fala! — ele disse fazendo graça. Embainhei Bakusaiga, e olhei sério para ele — Desistiu? — ele perguntou em deboche. Eu rapidamente avancei sobre ele acertando os garras venenosas em seus abdômen, ele pareceu surpreso por eu acertá-lo, parece que me subestimou. Ritsu ficou com os olhos amarelos e eu me esquivei de um soco que ele tentou me acertar, mas estranhamente eu fui atingido. O que esse cara era afinal? Seus olhos voltaram a ser azul.
Usei o chicote de veneno nele, mas ele tentou se proteger usando o braço. Grande erro, o chicote enrolou no pulso dele e começou a queimá-lo. — Maldito! — ele murmurou e fez uma grande lança aparecer, parece que ele sabe magia. Ele conseguiu me atingir com a mesma, pois quando estava pra desfazer o chicote ele puxou o mesmo queimando toda a mão dele. Ritsu tentou me acertar novamente porém eu saquei Bakusaiga e me defendi.
Já estava ficando cansado dessa situação, por isso aproveitei um momento de distração de Ritsu, atacando em seguida. Ele conseguiu se esquivar, mas o ataque acabou acertando seu braço, criando arranhões muito profundos. Ritsu caí e grita de dor, seu braço quase foi arrancado. É agora que eu acabo com ele de vez! Eu dei dois passos na direção de Ritsu quando sinto uma espada ser atravessada em meu abdômen. — Não vai fazer o que você quer — escutei a voz atrás de mim murmurar. Meu corpo instantaneamente começou a mudar e eu sabia que estava deixando meu lado “humano” se esvair.
Um rosnado saiu de meus lábios e eu quebrei a lâmina da espada que me acertou. Quando fui me virar para acertar quem havia me ferido, ele já estava a minha frente atacando novamente. Dessa vez ele lançou uma bola de energia negra muito forte, seu miasma era imenso! Ele a lançou sobre mim, eu tentei me esquivar, porém ela era muito veloz! Ela me atingiu no peito e eu senti como se pequenas lâminas me cortassem aos poucos, usei meu veneno para detê-la, caso contrário eu seria retalhado! Eu tinha que me transformar em minha forma original, porque se eu não o fizesse eu iria morrer! Deixei meu lado irracional tomar controle e tudo ficou negro, não tinha mais controle sobre nada.
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Quando voltei a mim, eu não estava mais onde Yokoyama estava, na verdade eu estava muito longe de lá. Eu havia voltado para próximo de onde eu havia deixado Rin, e pelo clarear, já era manhã do outro dia. Meu corpo estava muito debilitado e eu sabia que tinha que descansar... E se caso eu for atacado agora... Prefiro não pensar sobre isso. Me levanto com muita dificuldade, aquele ordinário quase acabou comigo, mas isso não vai ficar barato! Caminhei a passos lentos até a cabana, a cada passo meu corpo parecia protestar, mas eu precisava me abrigar em algum lugar.
Quando eu estava prestes a entrar Jaken saiu da cabana acompanhado de Rin, ótimo, eu não queria que eles me vissem assim... — Senhor Sesshoumaru, o que aconteceu com o senhor? — Jaken perguntou se aproximando de mim, quando eu o parei.
— Pare aí — eu disse, sem dar chance dele ou Rin falar algo eu continuei — Jaken, eu quero que você pegue Rin e a leve para o castelo, não venham atrás de mim e não mande ninguém até aqui — eu disse sério — Não quero perguntas, quero que saiam daqui agora.
E adentrei a cabana, os deixando do lado de fora. Pude sentir o cheiro das lágrimas de Rin, não queria ser rude com ela, mas não poderei protegê-la caso formos atacados. Escutei os passos pesados de Arurun e eu sabia que eles haviam seguido as minhas ordens... Isso não era pra ter acontecido, Yokoyama é realmente alguém muito poderosos e estamos todos subestimando suas habilidades. Eu principalmente.
Eu o grande lorde das terras do Oeste estou envergonhado de ter sido fraco perante o inimigo. Eu sou Sesshoumaru Taisho, e não sou inconsequente, mas dessa vez eu fui e agora estou aqui, deitado na cama improvisada que montei para poder me curar... Isso vai demorar algum tempo, e será tempo o bastante para eu pensar em minha inconsequência. Meus olhos estão pesando e acho que dormir não será má ideia.
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Sinto um aroma familiar próximo de mim, um aroma que eu não deveria sentir. Abri os olhos de uma vez e a cabana está escura, anoiteceu e eu não percebi. Meus olhos já estão se acostumando com o ambiente, por isso consigo avistar aquela mochila vermelha jogada próxima a porta do quarto, ótimo, Rin e Jaken me desobedeceram e foram atrás da humana. E o cheiro que me despertou foi o dela.
— Eu sei que você está aí — eu disse olhando para o teto. Já não bastava a humilhação que eu havia passado, agora tenho que aturar isso?! Eu podia escutar a respiração suave de Kagome no cômodo ao lado, e sei que ela estava me escutando. Ela estava amassando alguma coisa, que tinha um cheiro muito forte, logo eu escuto ela suspirar e seus passos se aproximando lentamente. — Vá embora.
— Olha, eu sei que você está mal e provavelmente está odiando a minha presença aqui — ela disse parando em pé ao meu lado, não a olhei, mas a enxergava com a minha visão periférica — e achando extremamente humilhante a sua situação, mas eu não vim aqui para te fazer ficar pior, eu quero ajudar... — eu a interrompi.
— Eu não preciso da ajuda de um ser imundo como você — eu disse querendo magoá-la para assim ela me deixar ali, mas não pareceu surtir efeito algum, ainda mais com a resposta que me deu.
— Pode me odiar, eu não ligo — ela disse dando de ombros, o que me fez olhá-la — Não estou aqui por você, apesar de querer ajudar-lhe, estou aqui por Rin — ela disse me olhando friamente.
— Ainda assim eu quero que você vá embora — eu disse grosso.
— E você vai fazer o que? Me expulsar? — ela perguntou prepotente e eu quis esganá-la! — Fala sério, você não consegue nem se mexer, está imundo de sangue e suas roupas estão tão sujas e rasgadas que eu duvido que dê pra você sair por aí usando isso — ela apontou para minhas vestes — De manhã eu vou atrás de roupas para você e não adianta reclamar, você não pode me impedir.
Kagome está brincando com meu orgulho agindo dessa forma prepotente e teimosa! Onde já se viu um humano falando assim comigo, qualquer um que ousa falar assim não sobrevive pra contar história! Ela se afastou novamente e eu estava irritado. Dessa vez ela ganhou, afinal nem me mexer eu posso, e ainda tem a questão dos meus ferimentos, precisam ser limpos... Essa humana ainda vai me matar de raiva!
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Abri os olhos com a claridade os incomodando, eu adormeci e nem havia percebido. Fechei os olhos novamente e tentei escutar qualquer som diferente, mas nada. Será que eu sonhei com aquela humana? Impossível! Abri os olhos novamente e olhei ao redor, a mochila e o arco com a aljava estavam ali, então não foi sonho. Dei um suspiro irritado, mas depois me peguei pensando em algo, onde estava Kagome?
Eu tentei me sentar, mas o movimento foi em vão, meus músculos não me obedeciam, nem meus braços eu podia mexer... Que ótimo! Olhei para o que eu conseguia ver das minhas vestes e elas estavam imundas, rasgadas e impróprias para uso. Realmente precisava de vestes novas... Escutei alguém se aproximando correndo e entrei em alerta, mas relaxei quando senti o cheiro de Kagome.
Ela adentrou a cabana e trazia alguma coisa com ela, logo escutei ela cantarolar alguma coisa e algum tempo depois ela apareceu em meu campo de visão carregando alguns panos num tom de azul escuro e comendo uma maçã. Ela me olhou e me dirigiu um sorriso.
— Eu fui a cidade — ela começou a tagarelar e eu fiquei a olhando, como se pedisse pra ela ir embora logo — Comprei um kimono pra você e algumas ataduras, as que eu tinha não eram suficientes — ela colocou as coisas em cima de uma mesa que havia no recinto e se virou novamente para a cozinha.
— Eu já disse que não preciso da sua ajuda — eu disse irritado, mal acordei e ela já vem com essa história de trocar de roupa? Eu não consigo me mexer e eu não vou ser trocado por ela, nunca! Eu estava envergonhado, mas nunca iria demonstrar isso!
— Ok, Ok — ela disse dando de ombros e me deixando sozinho novamente. Mas meu sossego não durou muito, logo ela adentrava o quarto com um pano, uma bacia com água e outras coisas que eu não sei o que são. Ela se ajoelhou ao meu lado e colocou tudo no chão — Eu vou precisar limpar seus ferimentos, eles estão horríveis... — eu nada disse, mas não queria que ela fizesse algo.
— Não... — mas ela me interrompeu.
— Ora, cale a boca! — ela disse irritada — eu só vou limpá-los, e outra só vou tirar a parte de cima do seu Kimono, mais nada — ela me olhou com a testa franzida e com um olhar irritado — E outra, não é como se você nunca tivesse ficado nu na frente de alguém antes — ela disse irritada, mas depois corou com o comentário.
Ela não disse mais nada e nem eu, o momento ficou constrangedor.
Kagome molhou o pano e começou a passar pelo meu rosto, mas não me olhava diretamente nos olhos. Quando pareceu terminar de limpar ali – se demorando estranhamente um pouco mais em cima da lua em minha testa – ela desamarrou o que restou da parte de cima de meu kimono e o retirou, o que sobrou da armadura pareceu dar mais trabalho a ela. Quando ela o levantou para o que eu pudesse vê-lo, eu me perguntei como ainda estava em meu corpo, talvez preso por causa do sangue. Ela o jogou em algum canto qualquer e pegou o pano novamente.
Kagome começou a passar o pano por meus braços, ela o molhava muitas vezes, acho que por causa do sangue seco. Eu não conseguia olhar para o que ela fazia, somente ficava olhando suas expressões, ora preocupada, ora horrorizada, ora neutra. Eu estava achando divertido isso agora. Depois ela passou o pano no meu peito e depois seguiu para o abdômen, quando ela o fez eu comecei a sentir um pouco de incomodo, sinal de que minha ferida estava muito feia. Kagome tentava passar o mais leve possível, porém estava muito dolorido a região, o que me causava um desconforto enorme. Depois de um tempo ela parou e deixou o pano dentro da bacia, agora suja de vermelho.
— Eu preciso que você se concentre e não tente repelir o meu poder, afinal o seu poder é diferente do de Kurama — ela disse e eu me perguntei porque ela está citando o nome dele para este Sesshoumaru. Ela começou a me tocar no peito, suas mãos causavam pequenos choques em contato com o meu corpo e eu sentia um incomodo novamente no local onde ela tocava. Ela foi descendo sua mão até parar no cós da calça de meu kimono, ela estava usando seus poderes de sacerdotisa para me curar. Eu segui todo o caminho que suas mãos faziam, e o que elas faziam. Kagome também estava concentrada e não parecia perceber meu olhar sobre si.
Pela primeira vez, eu soube como é ter alguém cuidando de você... E eu admito que é uma sensação gostosa de se sentir, mas eu nunca admitirei isso em voz alta!
— Pronto — ela disse me olhando e me dirigindo um sorriso — Agora suas feridas não estão mais expostas, mas também elas ainda não estão curadas, caso você ainda faça movimentos bruscos, elas abrirão novamente — ela se virou e pegou uma espécie de pasta e algumas ataduras — Eu vou fazer o curativo e prometo não lhe incomodar o resto dia — e me deu uma piscada.
Para onde ela iria? Por um momento eu quis saber exatamente o que ela quis dizer com não me incomodar durante o dia. Kagome pegou a tal pasta e passou por todo o meu peito e abdômen, quando me olhou incerta — Eu preciso que você sente...
Eu quis xingá-la por me pedir algo que eu não conseguia fazer, virei o rosto pra direção da parede para ela não perceber meu embaraço e murmurei emburrado — Não consigo me mexer.
— Entendo — ela disse ficando em pé e pegando em minhas duas mãos usando uma força incomum para me fazer sentar — Pronto — e sorriu como se tivesse feito a coisa mais simples do mundo. Kagome parou em minhas costas e eu estava em alerta, afinal eu ainda sou um youkai e as costas é o ponto fraco de qualquer um. Kagome pegou meu cabelo e os trançou rapidamente, o jogando por cima de meu ombro direito, novamente senti o pano úmido em uma parte das minhas costas e sabia que era onde a espada havia sido atravessada. Ela me curou novamente e logo já passava a pasta ali também, depois veio com as ataduras passando por todo o meu tronco.
Ela se levantou e pegou uma yukata bem leve e colocou sobre meus ombros — Quando você conseguir se trocar sozinho, você veste o kimono — ela passou as mangas sobre meus braços e deu um nó simples, ele ficou torto o que me incomodou — Por enquanto, usará essa daqui para não ficar exposto ao frio.
— O laço — eu disse olhando dentro daqueles olhos azuis que me olhavam curiosos — Está torto, arrume — eu disse e ela mesmo confusa fez um laço perfeito. Ela me ajudou a ficar sentado de um jeito que não me incomodasse e eu já podia sentir a pasta fazer efeito porque meu tronco ficou dormente, ela me dirigiu mais um sorriso e me pergunto como pode sorrir tanto — Eu espero que essa condição não seja dita a ninguém... — eu disse para ela, precisava me assegurar que ela não contaria a ninguém.
Ela se levantou e abriu a janela do cômodo — Não se preocupe — ela disse quando se voltou para mim — Ninguém precisa saber disso — e saiu dali, me deixando sozinho com meus pensamentos e com a leve brisa que adentrava o cômodo. Seus passos se dirigiram para fora da cabana e logo eu parei de escutá-la.
Eu não a queria aqui, mas parando pra pensar um pouco, foi até bom Rin ter pedido para Kagome vir até aqui, porém isso é uma coisa que eu nunca irei admitir em voz alta. Não percebi quanto tempo se passou, afinal fiquei a tarde inteira de olhos fechados pensando em tudo o que aconteceu. Quando dei por mim, a lua já estava alta lá fora e nada da Kagome voltar. Eu sabia que ela não tinha ido embora, suas coisas estavam jogadas por ali. Então, onde ela foi?
O barulho de passos se fez presente, e o cheiro dela já era perceptível. Ela estava voltando seja lá de onde fosse, ela cantarolava alguma melodia qualquer e seu cheiro era de banho recém tomado. Quando ela pegou aquelas coisas dela para tomar banho? Será que ela havia levado com ela e eu não percebi? Logo ela adentrava em meu campo de visão, carregando algumas maçãs, pêssegos e peras. Ela remexeu na mochila dela e retirou uma faca de lá, passando a cortar as maçãs e as peras.
— Você come frutas, Sesshoumaru? — ela perguntou chamando minha atenção. Eu estava com um pouco de fome, não me lembro a última vez que me alimentei. Somente assenti a cabeça e ela voltou a sua função de antes. Ela havia mudado de roupas, seu kimono era levemente rosa, quase branco com um obi rosa — Eu fui ver a Rin... — ela disse chamando minha atenção — Ela veio até o vilarejo da vovô Kaede me ver... Queria saber como você estava.
Ela levantou o olhar e me olhou diretamente nos olhos — E ela está bem? — eu perguntei querendo saber de minha criança. Ela somente assentiu, se levantando e se sentando ao meu lado. Ela pegou um pedaço de maçã e colocou em minha boca, eu a olhei com a sobrancelha arqueada, mas aceitei. As outras eu mesmo peguei, porque o movimento dos meus braços já haviam voltado. Ela continuou sentada ao meu lado mesmo após as frutas terem terminado. Seus cabelos também estavam trançados e jogados da mesma forma que os meus.
— Eu vou trocar as ataduras — ela disse depois de um tempo em silêncio, se levantando e seguindo para o cômodo ao lado. Ela não voltou logo como eu esperei, e o cheiro da pasta se fez presente, ela estava trocando as ataduras dela. Depois de um tempo ela voltou com as coisas para trocar as minhas ataduras.
Ela não sabe quem me feriu, mas eu sei quem a feriu. Porém para tocar sobre esse assunto com ela, eu terei que contar sobre mim e isso é muito vergonhoso para um Daí-youkai, entretanto ela está me ajudando e dessa vez eu irei falar. — Quem me feriu foi Yokoyama — eu disse quando ela estava desamarrando a minha yukata, seus olhos azuis me encararam assustados e eu a olhei indiferente, ela estava tão próxima de mim — Eu estava seguindo Inu-yasha, e chegamos até aquele castelo — ela pareceu desconfortável, por isso terminou de desamarrar a peça de roupa e se focou em retirá-la, se sentando atrás de mim em seguida.
“Eu vi você, toda ferida — eu queria que ela soubesse que eu a vi, o porque eu não sei — mas ninguém percebeu ou viu a este Sesshoumaru e quando eles fugiram eu os segui. Eles quase conseguiram escapar de mim, mas eu os embosquei — era ruim falar daquilo, mas ela tinha que saber contra quem estava lutando — porém quando estava quase acabando com Ritsu, Yokoyama me acertou por trás com a espada perfurando até atravessá-la em meu corpo — eu dei um suspiro — depois me atacou com um golpe parecido com o seu, eu ia ser retalhado... E o pior é que este Sesshoumaru não conseguiu ver a face dele”.
Eu sentia a mão de Kagome pousada em minhas costas e ela parecia pensar. Voltou aos seus movimentos de retirar a minha roupa e depois o de desenrolar as ataduras — Eu fui emboscada — ela começou a falar quando terminou de retirar as ataduras, quebrando o silêncio que havia se instalado entre nós. Logo senti o pano úmido retirando a pasta do ferimento das costas — Fui atraída para o castelo do suposto Senhor Feudal daquelas terras, mas quando cheguei lá descobri que era mais uma base de Yokoyama — ela se levantou e sentou-se a minha frente, em nenhum momento olhou para meu rosto — eu tive que lutar e saí bem machucada dessa luta, entretanto mais um vilarejo foi liberado dos domínios dele.
Ela passava o pano retirando toda aquela pasta de ervas do meu corpo, as feridas estavam começando a cicatrizar, o que eu estava achando ótimo. Se ela não estivesse aqui, eu demoraria tempo demais a me curar. Kagome terminou de limpar o ferimento — Acho melhor deixar sem a pasta de erva durante a noite, pra ferida “respirar” — ela se levantou levando as coisas para a cozinha — Você prefere colocar a roupa de volta, ou dormir assim? — ela perguntou quando retornou.
— Prefiro ficar assim — eu estava com calor e fiquei aqui dentro o dia todo, não estava muito agradável aqui. Ela se dirigiu até a janela e a fechou, eu consegui me deitar sozinho dessa vez. Ela voltou para a cozinha, e eu não percebi mais nada, afinal meu corpo estava muito cansado.
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2 dia depois.
Já havia se passado dois dias inteiros desde que Kagome apareceu na cabana, minhas feridas já estavam bem melhores e logo eu não precisaria mais da pasta, sinal de que Kagome iria embora. Eu passei a apreciar a presença dela, mesmo querendo sempre estar falando ela respeita meu espaço pessoal. Ela saiu no meio da tarde carregando aquelas coisas que ela leva para tomar banho, e quando fiquei só; me arrisquei a dar alguns passos sozinho, sinal de que meu corpo já está bem melhor. Continuei com minha calça velha e vesti a yukata de banho que Kagome havia comprado para mim e caminhei para fora da cabana.
O dia estava bonito, mas eu sentia que uma tempestade se aproximava. Me sentei apoiado em uma árvore tomando cuidado para não abrir nenhuma ferida. Eu podia sentir que no máximo em dois dias meu corpo já estaria 100% por isso eu poderia ir antes do esperado buscar Rin e Jaken. Ontem, Kagome comentou comigo que quer trazer o youkai raposa para brincar com Rin, não vejo objeção nenhuma quanto a isso. Escutei os passos de Kagome se aproximando, ela me viu parado ali fora e veio até mim.
— Que bom que já está conseguindo andar — ela me dirigiu um sorriso e equilibrou as coisas em um braço só. Eu me levantei e ela me olhou confusa — Aonde vai?
— Tomar banho — eu disse desfazendo a trança de meu cabelo.
— Espera — ela disse deixando as coisas que carregava comigo e correndo para dentro da cabana, ela voltou com a calça do kimono e uma coisa branca — Acho que você vai querer trocar a calça agora, e isso daqui é uma toalha pra você se secar — ela me entregou as coisas e pegou as que tinha deixado antes — Ah, leva esse daqui também — ela me estendeu um frasco com um cheiro doce — é pra passar nos cabelos, pode usar tudo — e deu de ombros.
— Como se usa isso? — eu perguntei curioso, nunca havia visto aquilo antes.
— Aperte o conteúdo em sua mão e passa nos cabelos, irá fazer bolhas — e deu de ombros, voltando a caminhar para a cabana.
Eu voltei a seguir na direção do rio com as coisas que ela me deu. Deixei a calça limpa em cima de uma pedra e a toalha em cima dela, tirei a roupa que estava usando e joguei aquela calça velha fora. Adentrei a água e ela estava fria, que sensação gostosa! Tomei meu banho como de costume e me lembrei do que Kagome me deu, peguei o frasco e apertei o conteúdo em minha mão, um cheiro de morango me atingiu e uma gosma de cor vermelha saiu de lá. Passei nos cabelos como Kagome me disse e logo bolhas começaram a se formar, e o cheiro de morango se espalhar pela área.
Isso é algo muito gostoso, mergulhei e tirei aquele troço do cabelo. Logo já estava me secando com a tal toalha e me vestia novamente. Voltei para a cabana, o tempo estava começando a fechar e um vento frio começava a soprar. Adentrei a cabana e Kagome estava comendo, devolvi as coisas dela para ela e me dirigi para a cama. Não muito tempo depois as primeiras gotas de chuva passaram a cair, e depois uma verdadeira tempestade se fez presente. A casa estava totalmente fechada, mas o vento passava pelas frestas da madeira, Kagome havia acendido o lampião e deixado numa luz fraca.
Ela estava ao lado da porta do quarto e tremia de frio, a escutei murmurar algo sobre esquecer o saco de dormir justo agora... O que é, eu não sei. Eu não sentia frio, afinal a minha temperatura corporal é diferente da dos humanos, mas ela parecia sentir muito frio, estava batendo os dentes! Eu não havia pensado nisso antes, mas onde ela estava dormindo?! — Kagome — eu disse chamando sua atenção, ela levantou o olhar para mim e pareceu envergonhada — Pode se sentar aqui ao meu lado...
Ela pareceu pensar em minha proposta, mas no fim se levantou e caminhou em minha direção trazendo o lampião consigo, ela se sentou ao meu lado na cama, mas não encostou em mim. Eu estava com o Kimono aberto sobre mim como um cobertor por insistência de Kagome — Eu preciso passar a pasta de ervas Sesshoumaru — ela disse ainda batendo os dentes — Em mim e em você...
— Tudo bem — eu disse dando de ombros. Ela se levantou novamente e seguiu para a cozinha, ela levou o lampião com ela, só que dessa vez aumentou a intensidade da luz, e a deixou de uma forma que sua silhueta era projetada na parede. Eu olhei curioso para a sombra e pude ver Kagome tirar o Kimono dela, logo ela fazendo todo o processo que faz em mim, nela mesma. Era uma coisa diferente de se ver, projetada pela sombra, o corpo dela, os movimentos dela... Kagome se vestiu novamente e voltou para o quarto com as coisas para fazer o meu curativo. Ela ainda tremia de frio.
Kagome se sentou de frente para mim – o corte das costas não precisava mais da pasta – e começou a passar a pasta, seus dedos estavam muito gelados e causavam arrepios em minha pele. Ela passou as bandagens e levou as coisas de volta para a cozinha, enquanto eu me vestia novamente. Quando ela retornou se sentou novamente ao meu lado, ela estava envergonhada — Cubra as pernas, ajudará a se aquecer humana — eu disse levantando o kimono para cobri-la. A mesma se cobriu e se sentou mais próxima a mim, eu a sentia tremendo ao meu lado e ela tentava inutilmente se aquecer. Contrariado passei meu braço por seus ombros e a aproximei mais de meu corpo, ela se encostou em mim e não reclamou.
Kagome apoiou a cabeça em meu ombro e ali a deixou descansar, meu braço se encaixou atrás do dela de forma que minha mão ficou em sua cintura. Kagome parecia mais cansada do que de costume e logo sua respiração não era mais audível, estava regular. Kagome havia adormecido, também já havia anoitecido a algum tempo. Eu também estava com sono e eu quero dormir, por isso deitei Kagome de frente para mim e me deitei de lado de frente para ela.
Ela se aproximou mais de mim e deitou a cabeça por cima de meu braço, encaixando o topo de sua cabeça abaixo de meu queixo e enfiou uma de suas pernas entre as minhas, eu coloquei a mão direita em sua cintura e a trouxe para mais perto, me aconchegando a ela. Não havia nenhum problema nisso, só estamos indo dormir num dia frio... Mesmo ela sendo uma humana, eu aprecio a presença dela. E assim aconchegado ao corpo de Kagome e ao cheiro dela acabei adormecendo, sem nem me importar com a tempestade que ainda caia lá fora.
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