Notas iniciais
Yo baby's como vão? Espero que todos muito bem ♥ Eu gostaria de agradecer a Yuki por favoritar a fic *-* Boa leitura *u*

Eu sentia minha mente e corpo muito cansados... Eu estava exausta tanto física quanto emocionalmente, mas eu precisava reagir a tudo isso, afinal a morte é algo comum em nossas vidas. A sensação que eu tinha era que eu havia exterminado muitos youkais, mas no fundo eu sabia o que era aquilo... Abri os olhos lentamente, mas os fechei novamente. A claridade da janela estava bem em meus olhos, tentei novamente e avistei uma parede... Mas onde eu estou? Senti um corpo se aconchegando mais a mim e olhei para o pequeno ser ao meu lado que dormia tranquilamente e estava agarrada a mim.

Passei a mão por sua testa, constatando que Rin não tinha mais febre, retirei também os fios castanhos de seu rosto. Por ela estar levemente suada, acho que ela passou calor durante a noite, mas não sei se pode ter sido febre novamente... Aos poucos as lembranças foram voltando em minha mente e a última que eu tinha era de estar sentada no rio com Sesshoumaru ao meu lado, mas não me lembro de como voltei à cabana... Será que eu dormi? Só pode ter sido isso. Eu estava cansada emocionalmente e meu físico não estava muito diferente, afinal mesmo em casa, eu quase não dormi por esses dias. Tirei a pequena manta de cima de mim, Rin ainda estava em um sono profundo e eu não tinha a intenção de acordá-la ainda. Quando eu me virei para me levantar, percebi Sesshoumaru no canto do quarto... Será que ele ficou ali a noite toda? Se ficou provavelmente foi velando o sono de Rin...

Resolvi ignorá-lo, assim como ele fazia comigo. Levantei-me e segui para a minha mochila, meu chaveiro estava ao lado dela, sinal de que provavelmente Sesshoumaru não sabia onde colocá-lo. O guardei novamente num bolso interno da mochila desta vez, e peguei minhas coisas para escovar meus dentes, tomaria banho com Rin. Senti que estava sendo observada, porém resolvi deixar para lá, Sesshoumaru não ia gostar de saber que eu o percebi. Penteei os cabelos ainda de costas para ele, iria fingir que ainda estava distraída e não o percebi, afinal iria mudar o que? Saí da cabana e fui fazer minha higiene. Quando voltei Rin já havia acordado e estava comendo as frutas que Sesshoumaru havia trazido para ela ontem, e eu somente comi um simples pacote de salgadinho que eu havia trazido de casa.

— Kagome — Rin chamou minha atenção me retirando de devaneios que nem havia percebido entrar — Você está melhor agora? — ela ficou levemente corada e eu lhe dirigi um sorriso.

— Não foi nada demais Rin — eu disse a tranquilizando, mas agradeci internamente alguém estar preocupado comigo... Pelo menos alguém. — E eu estou sim muito melhor agora — eu dei uma piscada de olho para ela, mas ficando séria em seguida — Mas e você?

— Eu estou melhor sim — ela disse olhando para minha mochila — Aquela coisa que você me deu realmente ajudou! — eu somente assenti para ela dando um sorriso em seguida.

Uma movimentação chamou minha atenção, Sesshoumaru acabava de entrar no cômodo, eu nem tinha reparado que ele havia se retirado. Ele estava impassível e se aproximou de Rin, chamando a atenção da pequena para ele que lhe sorriu abertamente. Eu estava me sentindo uma intrusa e muito indesejada naquele momento, estava claro como água para mim que Sesshoumaru tinha um carinho paternal para Rin e não suportava que pessoas de fora presenciassem esses momentos. Nem mesmo aqueles que ele julgava inofensivo... Assim como eu. Eu quis sair dali, inventar qualquer coisa ou sair silenciosamente, mas eu sentia que precisava fazê-lo. Porém, não sabia se ao fazê-lo Rin ficaria preocupada novamente, achando que eu ainda estava mal. Resolvi fingir que não estava ali, eles não me notariam.

— Senhor Sesshoumaru, eu já estou melhor — ela disse lhe dirigindo um sorriso sincero, eu só queria sair dali e deixá-los a sós — Mas... — ela continuou olhando em volta — Onde estão o Senhor Jaken e o Arurun?

Sesshoumaru a olhou, dando um leve suspiro antes de responder — Eles forma para o Oeste ver como vão às coisas por lá — ele disse evasivo demais... Talvez ele quisesse saber como anda a “dominação” de Yokoyama e se isso chegaria a atingi-lo.

— Está acontecendo algo grave? — ela perguntou curiosa.

Sesshoumaru não iria respondê-la e eu sabia que ela ficaria chateada, por isso resolvi intervir, mudando o foco de seus pensamentos — Rin — ela olhou para mim, um pouco curiosa — Vamos tomar banho?

— Vamos! — ela exclamou alegre se levantando em seguida. Rin correu para fora da cabana e ficou me chamando. Eu fui até minha mochila e a peguei junto com a minha espada, afinal ainda poderia aparecer algum youkai, Sesshoumaru não disse nada sobre nossa saída, na verdade ele parecia muito pensativo.

No fundo acho que ele nem notou nossa saída...

Fui com Rin até o rio que eu estava ontem e logo já estávamos dentro da água. Como toda criança, Rin antes de entrar jogou todas as peças de roupa pelo caminho que eu as recolhi pacientemente as colocando num canto, depois retirando minha roupa e entrando em seguida. Rin pulava e espalhava muita água. Crianças são sempre tão alegres!

— Rin, parece se divertir — eu disse chamando a atenção dela.

— É que eu sempre tomo banho sozinha... — ela disse me olhando um pouco chateada — E eu sempre quis tomar com o Senhor Sesshoumaru...

Eu acabei corando involuntariamente ao imaginar como seria Sesshoumaru nu... Crianças são tão inocentes... Eu dei um sorriso a ela — É que é muito complicado isso de acontecer... — ela me olhou curiosa se aproximando — Quando você for maior você entenderá... — eu lhe dirigi um sorriso — Mas você tem a mim sempre que quiser!

Continuamos com o banho, até quando eu fui usar o shampoo e o condicionador. Rin começou a brincar com as bolhas que saiam de vez em quando, curiosa sobre elas. Logo a ensinei como lavar os cabelos e ela se divertia, a melhor coisa do mundo são as crianças, tão puras e tão inocentes... Isso me fez lembrar-me de meu menino, como será que ele está? Terminei o banho com Rin e estava a vestindo enquanto eu estava enrolada numa toalha... Quando terminava de me arrumar senti alguém se aproximando muito rápido.

— Rin, vá indo na frente sim? — eu disse entregando tudo para ela e a virando para sair dali enquanto ainda havia tempo. Ela entendeu que algo estava errado e por isso foi sem contestar as ordens. Fiquei a olhando até sumir de meu campo de visão, senti alguém parando atrás de mim, mas ainda a uma distância segura, quando me virei fui capaz de identificar de quem se tratava: Ritsu.

Ele estava usando seu habitual traje de guerra e me olhava divertido, dando um sorriso de canto. Eu não sabia por que ele estava aqui, sendo que eu estava muito longe dos outros. Provavelmente a busca dele deveria se focar em Inu-yasha e nos outros... O que será que ele quer comigo? Será que acha que eu sou tão fraca a ponto de ser raptada? Assim como Naraku achava e tentava fazer? Ele estalou os dedos me fazendo olhá-lo nos olhos.

— Não deveria ficar tão distraída na frente do inimigo Ka-go-me — ele disse soletrando meu nome lentamente, dando um sorriso em seguida — Mas, vamos ao o que interessa — muito rápido ele se aproximou de mim e me prensou na árvore que estava atrás de mim, retirando Joyeuse que estava em minha mão a jogando para longe. Minha espada voltou a sua forma original.

— Sério isso? — eu perguntei o olhando debochada. Eu não precisava dela para atacar — Não preciso de armas para te acertar — eu disse acumulando um pouco de energia na mão e quando ia tocá-lo ele me virou de costas para ele, prendendo minhas mãos.

— Não vim lutar — ele disse me prensando mais contra a árvore, ele me deu um cheiro no pescoço e eu senti meus pelos se arrepiarem, eu tinha que agir! Comecei a me concentrar para irradiar minha energia pelo meu corpo — Você tem um cheiro bom... Mas vamos manter o foco. — ele se afastou de meu corpo, mas ainda me prendia a árvore — Eu só vim lhe trazer um recado...

— Recado? — eu perguntei em deboche — Tipo temos muitos assuntos em comum, não é mesmo? — eu revirei os olhos e consegui irradiar a energia pelo meu corpo o fazendo me soltar, peguei Joyeuse e a empunhei.

— Não precisamos partir para isso — ele disse dando um sorriso, mas se mantinha afastado de mim — Só darei o recado e vou embora — ele me deu uma piscada de olho — Só dessa vez! Direi com as palavras que foram ordenadas pelo meu mestre: — Ritsu ficou sério — Ritsu, siga até Kagome e a deixe sobre aviso, caso ela não faça o que eu quero muitos dos dela irão sofrer, seja sua raça ou com seus amigos... Eu a desejo e a terei, por bem ou por mal...

Eu estava muito confusa, como Yokoyama tinha conhecimento sobre mim? Porque ele me queria? Eu estou verdadeiramente confusa. Eu nunca havia visto o tal Yokoyama, e quando achei que o encontraria ele não estava lá, então como ele sabia quem eu era? E mais ainda, porque ele está fazendo isso? Ele quer usar os humanos como iscas para que eu vá até ele? Mas agora minha vontade de encontrá-lo só aumentou, quem ele pensa que é?!

— Já vim fazer o que me ordenaram — ele disse saindo da mesma forma que veio, me deixando ali ainda confusa. Eu estava com um problema maior do que eu imaginava, afinal como alguém iria me querer sem nunca ter me visto antes? Será que ele ficou interessado por algo que Ritsu disse? Eu não obteria a resposta dessa pergunta.

Resolvi voltar para a cabana, Rin poderia estar preocupada comigo. Eu andava devagar ainda pensando nas palavras de Ritsu, não entendi muito o que ele estava querendo comigo, quer dizer... Porque razão Yokoyama me queria se nem mais a Joia existia?! Eu não via utilidade para mim no momento... Quando eu entrei na cabana eu notei que faltava algo, afinal nela estava somente Rin... Ela poderia ter sido atacada! A pequena estava sentando num canto, claramente assustada.

— Rin, já voltei — eu disse me sentando ao lado dela e a abraçando. Ficamos assim até que ela se acalmou — Pequena quando Sesshoumaru voltar eu terei que partir — ela somente assentiu, mas pediu que eu ficasse com ela até ela dormir. Ela ainda estava doente afinal, apesar de que agora ela iria melhorar, eu tinha certeza.

Assim o final do dia chegou e nada de Sesshoumaru voltar, muito menos Jaken ou Arurun... Será que havia acontecido algo nas terras do Oeste? Eu e Rin comemos coisas de minha Era, foi engraçado ver Rin enquanto comia, no momento Rin estava dormindo em meu colo, ela estava sentada entre as minhas pernas, se encaixando a mim como se fosse um bebê de colo enquanto dormia. Eu estava acariciando os cabelos dela, velando seu sono, até que eu senti um Youki conhecido se aproximar e sabia que Sesshoumaru estava voltando. Levantei-me com Rin em meus braços e a deitei na cama, ela murmurou alguma coisa que eu não entendi e sorriu. Penso no quanto essa criança já não sofreu. Passei a arrumar minhas coisas, e logo estava o aguardando.

Ele entrou na cabana em alerta, não empunhava nenhuma arma, mas eu sentia pelo seu Youki a leve agitação que ele estava, quando seus olhos me focaram ele me encarou friamente. Sesshoumaru deu alguns passos e parou em minha frente. Eu sentia a vontade que ele tinha de me atacar, mas estava se controlando — Pode dizer por que está com o cheiro daquele youkai que nos atacou? — ele se abaixou um pouco e cheirou em meu pescoço, a sensação de arrepio com Sesshoumaru foi muito diferente a de Ritsu, o que está acontecendo comigo?! — Está misturado com o seu cheiro e o de Rin, mas eu ainda consigo sentir.

Eu o olhei indiferente, mas eu teria que explicar, só por Rin, afinal ela iria contar que algo havia acontecido. E também ele poderia pensar que eu estava aliada ao inimigo ou até outra coisa... — Ele apareceu enquanto você estava fora, veio me dar um recado — eu disse evasiva, afinal ele não precisa saber de nada. É um assunto inteiramente meu. Ele me olhou com uma sobrancelha arqueada, eu sabia que ele queria que eu contasse o tal recado, mas ele não poderia me ajudar... Na verdade ninguém poderia. — Mas não se preocupe, ele não viu a Rin... Nem sabe da existência dela.

Ele somente ficou me encarando, seus olhos cor de âmbar pareciam querer ler cada pedaço de minha alma, mas ele nada disse e muito menos se afastou. Acho que ele começou a pensar em alguma coisa muito séria, porque pra ele não ter se afastado... Essa aproximação estava começando a mexer com meus sentidos, principalmente por causa do cheiro dele, que cheiro inebriante! E perto assim, eu podia reparar na beleza dele, afinal em que outro momento eu poderia reparar naquele nariz fino, boca levemente carnuda, rosto expressivo, aquelas marcas de nascença... Mas o que eu sempre reparei, sem nem fazer esforço algum – ou precisar tê-lo tão perto assim – foram os olhos...

Cor de âmbar, que lembram muito a ouro derretido... Olhar marcante e frio. Suas expressões sempre sérias, mas que mudam levemente na presença de Rin. Será que é essa é a forma dele de dizer que a ama? Pisquei algumas vezes, saindo daqueles devaneios de certo desnecessários... Eu interessada em Sesshoumaru? Só pode ser uma piada de muito mal gosto de minha mente!

Eu ajeitei a mochila em minhas costas e esperei só mais alguns instantes, mas ele não se pronunciou. Então eu o fiz — Bom, já estou de saída — eu disse o retirando do devaneio que ele entrou, ele piscou e eu me afastei, me dirigindo em direção à saída do cômodo — eu já me despedi de Rin e espero que não se importe de eu voltar novamente para vê-la.

— Não me importo — ele respondeu se virando para mim, seu olhar parecia muito avaliativo e eu não entendi, mas também não dei bola — Eu tenho uma pergunta a lhe fazer — ele disse chamando minha atenção, me fazendo parar, porém continuei de costas para ele — O que você sabe desse tal Yokoyama?

— Não sei muita coisa. O que eu sei é que o desejo dele é dominar todos os humanos... — eu olhei para ele — Quer que todos da minha raça se ajoelhem perante ele, quer também dominar todos os youkais do Japão Feudal e... — eu me detive antes que contasse para ele o que Ritsu me disse — Não me lembro de mais nada... — eu o olhei no mínimo curiosa — Porque das perguntas?

— Hm... — foi à única coisa que ele murmurou. Entendi que ele não queria falar nada para mim e tive que respeitar a vontade dele. Eu dei de ombros mentalmente. Sesshoumaru já tem falado demais comigo, o que eu achava no mínimo estranho, afinal ele odeia minha raça, não? É melhor eu me afastar, afinal coração é sempre algo tão idiota... Não podemos domá-lo e a ultima coisa que eu quero é ficar apaixonada por um Daí-youkai.

— Espero ter sanado sua curiosidade — eu disse antes de me dirigir para fora da cabana. Caminhei um pouco e pude escutar Sesshoumaru andando até parar, passos demais. Se ele já estava no quarto com Rin, porque deu tantos passos? No entanto, eu parei de prestar atenção nele, afinal o que eu ganharia com isso? A lua já estava alta no céu e meu ponto de parada agora era quando eu encontrasse Inu-yasha e os outros.

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3 dias depois.

Eu estava cansada de procurá-los assim, sem nenhuma pista. Estou me sentindo como se procurasse uma agulha no palheiro, eu nunca iria encontrar! E ainda pra me ajudar está se aproximando da noite de Lua Nova e Inu-yasha irá se esconder. Preciso encontrá-lo antes disso, ainda tenho três dias até lá. No momento estava me encaminhando para um vilarejo, lá eles poderiam me dizer se meus amigos passaram por lá. O Vilarejo era simples, mas ainda assim mais sofisticado do que o Vilarejo da vovó Kaede. Ia caminhando na direção da entrada e algumas pessoas me olhavam com esperança e não entendi por que, outras me cumprimentavam e faziam uma leve reverência com as mãos juntas murmurando orações.

Acontece que no momento eu estou usando minhas roupas de sacerdotisa, eu tenho quatro como estas, mas só as uso quando estou sem kimonos limpos. Eu as ganhei de Takeo durante o treinamento, elas eram semelhantes à de Kikyou e da Kaede, só que a cor das calças ao invés de vermelha eram verdes! Imagina eu andando igual a ela? Seria humilhação demais para mim, já não bastava ser a reencarnação dela. Segundo Takeo, o verde é a minha cor. A cor que define meu ser interior e por isso essa seria a minha cor de sacerdotisa.

Quando dei por mim já estava na entrada do vilarejo, alguns aldeões me olhavam de soslaio e eu estava envergonhada. Uma senhora se aproximou de mim, ela era bem velhinha e andava um pouco encurvada, seu cabelo é todo branco e seu olhar é amável. As pessoas ao nosso redor me olhavam como se eu fosse à salvação de algo e eu não entendi muito bem, eu estava me sentindo incomodada.

— Olá sacerdotisa — ela disse quando parou a minha frente — A senhorita está perdida? — as pessoas a nossa volta me olhavam curiosos, como se ansiassem a resposta dessa pergunta.

— Não, eu estou em busca de meus amigos — eu disse lhe dirigindo um sorriso amigável — Por um acaso a senhora não viu um hanyou com vestes vermelhas, acompanhado por alguns humanos? — eu perguntei esperançosa.

— Não minha menina — ela disse me olhando com pesar — Escutei rumores de um grupo assim nos vilarejos vizinhos, mas não passaram por aqui — ela me olhou, mas seu olhar parecia diferente do começo, como se me pedisse ajuda. Algumas pessoas que haviam parado seus afazeres voltaram a fazê-los rapidamente e eu não entendi o porquê.

— Bom, a senhora teria algum lugar onde eu pudesse tomar água? — eu perguntei, eu sentia que havia alguma coisa errada e essa senhora queria conversar comigo. A sensação só piorou quando todos começaram a trabalhar. Ao longe eu escutava passos, muitos passos e estavam se aproximando de onde eu estava.

— Se importa de ir à casa de uma simples camponesa? — ela perguntou um pouco envergonhada. Um grupo de soldados entrou em nosso campo de visão e os moradores pareciam temê-los. Eu estava um pouco assustada com aquelas reações afinal eles pareciam o exercito do Senhor Feudal do local.

— Não me importo — eu respondi para ela, mas não sorri como antes, eu estava em alerta agora. Um dos soldados pareceu me perceber ali e se aproximou sozinho. Ele parecia ser o general, ou o que estava no comando daquele “esquadrão”.

— O que faz aqui sacerdotisa? — ele perguntou de forma ríspida.

— Estou somente de passagem — eu disse séria e um pouco fria — Não ficarei muito mais do que algumas horas — eu o olhei com uma sobrancelha arqueada — Ao acaso é proibido?

Ele me analisou de cima a baixo e deu um sorriso malicioso — Não é proibido — ele disse em seguida — Mas se retire ao fim da tarde, não há lugar para visitantes passarem a noite. — após essas palavras ele se retirou, seguindo com seu esquadrão.

Isso está muito estranho, muito estranho — Senhorita — a senhora chamou minha atenção — Venha comigo — ela se virou e começou a seguir em direção a casa dela. Eu a segui, ainda muito intrigada com o que havia acabado de acontecer. Entramos num beco e andamos por mais algumas ruas, logo as casas lindas e bem arrumadas eram substituídas por velhas e decadentes.

O mais estranho é que a entrada e o caminho de “rota” do vilarejo é tão lindo e arrumado, porém as casas dos moradores são literalmente escondidas dos olhos dos visitantes. Ela parou em frente a uma casa simples e abriu à porta me dando passagem, eu entrei e ela fechou a porta. A senhora acendeu um lampião e a pequena casa me foi visível, ela era tão simples por isso ela ficou com vergonha de sua casa, mas independente da aparência não se deve ter vergonha de sua casa, afinal é ali onde se vive.

— Desculpe minha casa não ser sofisticada como as que viu anteriormente — ela disse se sentando e me apontando o lugar a sua frente — ou não ser tão bonita quanto as da entrada do vilarejo — ela deu um suspiro, eu me sentei a sua frente — A propósito sacerdotisa, eu me chamo Mika.

— Muito prazer senhora Mika, eu me chamo Kagome — eu disse dando um sorriso — Eu não me importo com beleza, não se preocupe. A senhora já foi gentil ao bastante em me receber em sua casa — eu dei um sorriso hospitaleiro — Mas eu tenho uma pergunta...

Ela me olhou — Pode perguntar menina — ela disse se levantando e seguindo a uma bacia tampada em cima da pia, e encheu um copo de bambu com água para mim.

— O vilarejo sempre foi assim? — eu perguntei enquanto ela me estendeu o copo — Obrigada — eu murmurei enquanto bebia um pouco do liquido.

— Não menina — ela disse se sentando novamente — O vilarejo antes era muito simples, mas era cheio de harmonia — ela me falava como se tivesse entrado em uma nostalgia gostosa — Todos vivíamos em paz e plantávamos nosso próprio alimento, até que ele chegou — o olhar dela mudou para um doloroso — O Senhor Feudal apareceu, dizendo que iria engrandecer o vilarejo e as vilas ao redor, todos ficamos empolgados, afinal seriamos enfim reconhecidos.

“Aconteceu. Ele passou a tomar conta do lugar e fazer algumas melhorias, a entrada do vilarejo havia ficado linda e as pessoas que moravam lá se deram bem. Ele passou a abrir pequenas lojas e algumas coisas para os viajantes e achávamos que ele faria melhorias no vilarejo todo — ela me lançou um olhar triste — Ledo engano. Ele passou a aumentar o preço das coisas e proibir os viajantes de passarem a noite, começou a destruir as plantações, e quem os soldados achassem plantando algo era punido!”

“As rondas passaram a ficar mais fortes e nós passamos a ficar amuados — ela me olhou e seu olhar era vazio — Tudo isso aconteceu em dois meses, após isso ele passou a vender coisas muito caras e nós trabalhávamos por alimento, quando viajantes passavam nos os vendíamos coisas a preços altos e como não havia muita coisas ao redor eles compravam — ela deixou uma lagrima escapar e eu já estava horrorizada com aquela história — Eu sou uma ex-sacerdotisa, minha sobrinha que assumiu o meu lugar no vilarejo”.

Ela parou sua narração — Ele a levou? — eu perguntei quando ela não continuou, ela somente assentiu com a cabeça — Faz tempo?

— Há quase um ano — ela respondeu triste — ele já no comando há esse tempo e logo depois ele começou a levar moças da vila para o castelo dele — ela deu um suspiro pesado — Mas elas não voltam, principalmente sacerdotisas...

Então ele quer sacerdotisas, será que ele está a serviço do Yokoyama? Eu preciso averiguar isso — Onde fica o castelo?

Ela me olhou horrorizada — Não menina! — ela disse ficando em pé a minha frente — Você não pode ir até lá!

— Não se preocupe — eu disse me levantando também — Eu posso ajudar vocês aqui. — eu dei um sorriso — Devolver a vida de vocês... Pelo menos voltarão a viver como antes.

— Não há necessidade menina — ela disse incerta, eu percebia que ela estava lutando contra a própria vontade — Ele é muito poderoso!

Quando eu fui me pronunciar novamente escutei passos se aproximando. Eu olhei para a Mika e lhe lancei um olhar de advertência, ela entendeu se sentando novamente, assim como eu. Começamos a conversar sobre qualquer coisa quando batidas foram ouvidas na porta. Mika se levantou e caminhou em direção a mesma, quando a abriu o mesmo guarda que me abordou anteriormente apareceu em nosso campo de visão.

— Fui informado que a sacerdotisa se encontra aqui — ele disse olhando para Mika e depois para mim, dando um sorriso de canto — Eu vim buscá-la.

Eu me levantei e peguei minhas coisas, me dirigindo em direção a porta — Muito obrigada pela ajuda senhora Mika — eu lhe dirigi um sorriso — Creio que agora eu deva seguir com os senhores, passar bem.

Eu saí da cabana e passei a seguir com os soldados. Não deixei Mika se pronunciar, eu queria que eles achassem que eu não sabia de nada da história do local. Caminhava seguramente, sem me deixar abalar com eles.

— Senhor — eu disse me dirigindo ao comandante — Pode me dizer o que o Senhor das terras quer com uma sacerdotisa?

Ele me olhou dando um sorriso debochado — O que uma sacerdotisa faz? — ele perguntou de forma debochada e eu quis socá-lo — Claro que para abençoar as terras e purificar o castelo.

Eu não disse mais nada e somente os segui. O castelo era bem no meio da floresta de difícil acesso, o que eu estranhei. Pelo jeito ele não quer ser encontrado tão facilmente e isso é suspeito, porque só me faz lembrar-me de Naraku e que ele sempre se escondia em castelos assim. Os portões estavam vigiados, mas o que me deixava curiosa eram que todos ali eram humanos, nada de youkai, nem de energia maligna... Pelo menos não do lado de fora.

Adentramos o local e eles me levaram para a sala principal. Lá estava o Senhor Feudal e ele estava muito a vontade, bebia sakê e era servido por mulheres com roupas muito curtas, mas em seus olhares era possível perceber o quanto elas odiavam aquilo. Os guardas me deixaram lá e ele pediu para as garotas se retirarem, eu me sentei em uma única almofada que havia no local.

Eu o observava atentamente, sua aparência era de humano, mas eu sabia que ele era um youkai, talvez por isso tivesse conseguido se instalar tão rapidamente. Seus cabelos iam até a cintura num tom de preto azulado – iguais aos meus – seus olhos num tom de violeta e usava um kimono com uma abertura grande na coxa, me lembrava de Jakotsu, do exército dos sete.

— Olá sacerdotisa — ele disse de forma amorosa, me dirigindo um sorriso — Eu sinto incomodá-la assim, mas eu preciso de seus serviços... — ele me lançou um olhar sério agora — Meu castelo tem sido constantemente atacado por um youkai, mas alguns dias atrás conseguimos capturá-lo, entretanto não conseguimos matá-lo.

— E você quer que eu o extermine para você, é isso? — eu perguntei séria, como se não soubesse de nada.

— Sim, como sabe eu e meus homens somos humanos e não temos poder para exterminar um youkai do porte dele — ele disse estalando os dedos em seguida. Escutei alguém sendo arrastado e alguém caminhado, parece que eu descobrirei quem é que está no comando aqui... Ou não.

Mas meus olhos se arregalaram quando as pessoas entraram no cômodo, por dois motivos: a pessoa que era arrastada era Kurama – que estava muito ferido – e quem o arrastava era Ritsu!

Notas finais
Espero que tenha ficado ao agrado ♥ Sei que isso não tem nada a ver com vocês, mas eu queria compartilhar *-* Eu estou tão agitada por esses dias, no dia três agora eu farei 8 anos de namoro :3 - Esqueçam que eu escrevi isso, só queria compartilhar *-* O próximo saí no dia 14/03 Até o próximo.