Caminho Incerto
6 4 - A Verdade da Mentira
Quando finalmente a Luísa adormeceu desci, na sala, todos continuavam à espera de novidades: a minha avó, a minha tia e os meus primos. Estávamos todos à espera do avô e do tio António, até que de repente o telemóvel da Madalena começa a vibrar (como se estivesse a receber mensagens...), eu continuava com o telemóvel dela comigo, era como se de alguma forma ela nunca estivesse longe, talvez seja parvo mas fazia-me sentir bem. Estava com pouca paciência mas acabei por ir ver quem era: e claro só podiam ser a Magui e o Guga no Whatsapp. Resolvi escrever qualquer coisa só para que eles parassem de enviar mensagens.
"- Não posso falar agora...falamos amanhã."- e ambos responderam quase ao mesmo tempo...
"- Castigo!!!!".
Não consegui deixar de dar um sorriso quase que involuntário, eles realmente a conheciam bem...se pelo menos nos pudessem ajudar neste momento, porém não podiam por isso não lhes disse mais nada e apenas tirei o som. Eles continuaram a falar durante um tempo e eu continuei a ler apesar de não lhes responder ,pelo menos durante aquele tempo consegui distrair-me um pouco de tudo o que se passava ao meu redor.
"- A Mada desta vez aprontou mesmo..."
"- Não deve ter sido muito grave senão já me tinha ligado.- disse a Magui..."
"- Quantas vezes ela te ligou desde que se mudou para lá..."
"- Guga...ela não liga por que não pode..."
"- E porque será que não pode? Ainda me pergunto como é que o Tio Manel e a Tia Nina permitiram que ela fosse...não percebo."
"- Porque o avô da Mada é um...nem vou dizer o que estou a pensar..."
"- Será que o castigo foi muito grande? Ela está lá há um mês...o que é que ela pode ter aprontado para ficar de castigo...quer dizer nem estamos os três juntos..."
—" Se tivesse acontecido alguma coisa de muito grave ela ligava-me...eu tenho a certeza..."
"- Tens mesmo a certeza Magui...acho que desta vez foi castigo sério. No mínimo ficou sem telemóvel."
"- Vou tentar ligar-lhe..." — o telemóvel vibrou mas simplesmente deixei que ele tocasse. Para quê atender?
"- Guga ela não atende mesmo...acho que tens razão..."
"- Vês, ficou sem telemóvel. A Mada, mesmo sem nós consegue aprontar..."
"- Guga...não fales da Mada assim...ela é só um pouco..."
"- Rebelde...Teimosa...Refilona...Dona da Razão..."
"- Guga!!!"
Estes dois conheciam a minha irmã muito bem, acho que melhor que eu, se bem que o Guga cresceu connosco por isso era quase parte da família. Eram tão doidos como ela, a sério o que estes três faziam na escola lá em Lisboa era inimaginável, eu sinceramente não sei como é que os professores os aguentavam aquilo devia ser um circo. Já para não falar do Ricardo, o Ex da minha irmã, que de vez em quando também entrava e o Trio virava um Quarteto. A Madalena acha que não sei, mas ouvi-a ao telefone com a Magui no dia em que ele acabou com ela por mensagem no Whatsapp...que raio de Homem é que acaba com alguém por mensagem? Na altura apeteceu-me partir-lhe os dentes todos, sorte dele já estávamos em Coimbra. Eles continuaram a escrever...sempre animados e a provocar-se um ao outro:
"- O que foi não disse mentira nenhuma."
"- Disseste pois. A Mada é tudo menos rebelde...ok, concordo que seja um pouco teimosa, mas tem a quem sair...o tio é super teimoso."
"- Tudo bem eu mudo a palavra: ela é dona do seu nariz, e não me desdigas até porque eu conheço a Mada à mais tempo que tu..."
"- Podes até conhecê-la desde que nasceram, mas não podes dizer que ela é Rebelde...e nem te atrevas a dizer mais nada..."
"- Ok, desculpa. Ei! Porque é que estamos a falar aqui, posso ligar-te?"
"- Sim, acho que ela não vai mesmo responder..."
E assim se acabou a conversa, de certa forma fiquei chateado, estava a divertir-me com a conversa daqueles dois, e o facto de me ter distraído durante uns míseros 10 ou 20 minutos fugindo de uma realidade que me adormentava foi bem acolhido pelo meu coração aflito...mas o terminar daquela conversa trouxe-me de volta à realidade...à dura e cruel realidade.
— Que tanto olhas para esse telemóvel? Ela não te vai ligar...lembras-te ficaste com o dela.
— Eu sei...- e mostrei o telemóvel ao Afonso...- é o da Mada...
— E que andas tu a "cuscar" no telemóvel da Madalena?- pergunta a Ana.
— Eu não estou a "cuscar" nada. Só que os amigos dela estavam no Whatsapp a falar e...
— E tu estavas a ver se descobrias algum segredo...e descobriste? Conta...
— Não, Ana. Eu estava a ler o que eles iam escrevendo, nem lhes respondi. Deu para me distrair um pouco com as parvoíces que eles iam escrevendo.
— E não ficaste a saber nenhum segredo...bolas...tinha sido muito mais produtivo.
— Não acredito...a Madalena está não se sabe onde e tu só te preocupas com eventuais segredos...podias pelo menos fingir que te preocupas...ela é tua prima.
— Desculpa! Ela é que foge, preocupa toda a gente e eu é que levo por tabela por querer distrair-me um pouco.
— Ela é minha irmã, tua prima podias pelo menos tentar mostrar alguma preocupação, ficava-te bem...
— Preocupada com a Madalena? Ela por acaso preocupou-se com alguém quando fugiu? Teve alguma preocupação quando fez o que fez em Lisboa?
— Não te admito que fales desse assunto, nenhum de nós sabe o que realmente aconteceu naquela noite...só os meus pais...
— Não sabem ou não lhe querem contar? Porque é que todos a defendem? Porque é que a fazem de vítima? As vitimas aqui foram os tios...os teu pais...ou esqueceste-te onde foste hoje? Será que percebeste que nunca mais vais ver a tua mãe por causa da Madalena...
— Ana, cala-te...já estás a ir longe demais...- diz Afonso com um olhar reprovador para com a irmã
— Ah! Tu também Afonso...vais defende-la? Disse e volto a dizê-lo a vítima nesta história não foi ela...foram os tios...eles é que...
— Basta, eu não percebo porque é que tu odeias tanto a Madalena mas tu não a podes julgar. Ninguém...ninguém sabe o que aconteceu naquela noite. Sim eu sei que nunca mais vou ver a minha mãe, e que o meu pai pode não acordar e que o podemos perder também...
— Meninos parem, o que é que se passa aqui? Chega de gritos e de confusões por hoje não acham!? Afonso e Ana deixem o vosso primo, por favor.
— Nós não estávamos a fazer nada de mal. Estávamos a conversar só isso. — disse Ana com um olhar de quem não estava a fazer nada.
— Sim Ana, claro estávamos só a conversar...e nem me acusaste de ser cusco? Nem falaste do que não sabes nem deves falar? Nem disseste que a Madalena tinha culpa pela morte dos meus pais.
— Madalena! — a minha tia olhou para a Madalena com uma cara de zangada e de desiludida...- Não acredito que...
— Eu disse aquilo que nesta casa ninguém tem coragem de dizer...a Madalena não é a vítima nesta história, ela é a culpada...
— Chega Ana....chega meninos...por favor...- a minha avó gritou, nunca a tinha ouvido gritar, ficámos os três a olhar para ela, tinha lágrimas nos olhos era lógico que tinha ouvido toda a nossa discussão. A última coisa que queria era fazê-la sofrer mais do que ela já sofrera.
— Desculpa avó...desculpa Pedro...mas só disse o que ninguém tem coragem de dizer em alto e bom som...- graças a Deus o Afonso mandou a Ana calar-se porque eu estava pronto para me atirar a ela de novo.
— Por favor meninos.- diz a minha avó com lágrimas nos olhos...- Ana, não é verdade o que acabaste de dizer, não que isso tenha alguma coisa a ver contigo. O acidentente dos teus tios não foi culpa da Madalena.
— Não directamente, mas se ela...
— Chega Ana, vai para o quarto...- agora é a minha tia que grita com a Ana...- A tua prima está desaparecida, a tua avó está preocupada, eu estou preocupada...e tu só dizes o que não deves...
— Só por dizer o que ninguém tem coragem mandam-me para o quarto de castigo, tudo bem...um dia vão dar-me razão...- Ana sai rumo ao seu quarto, enquanto eu caminho até à minha avó e a abraço.
— Desculpa avó...desculpa...- aproximei-me dela e abracei-a e ela o fez de volta. De repente ouve-se o som da chave na fechadura...abrem a porta: é o meu avô.
Ele, o meu tio e o Padre Ricardo entram com um ar...nem sei se abatido, se frustrado. E difícil decifrar o meu avô, a sério às vezes não sei o que se passa na cabeça dele. A minha mãe dizia que o meu pai e eu somos iguais a ele, nunca achei que fosse igual ao meu avô, agora o meu pai! Ele sim é igual, ambos colocam aquela cara indecifrável e ninguém consegue perceber o que eles estão verdadeiramente a pensar, era como se colocassem um escudo entre os seus sentimentos e o mundo ao seu redor.
— Por amor de Deus, Carlos diz alguma coisa? Onde está a Madalena?
— Não sei...achas que se eu soubesse ela já não estava aqui a levar um bom castigo...
— Foi por causa desse teu mau feitio que a Madalena sumiu...ela perdeu a mãe, o nosso filho está naquela cama de hospital e tu a única coisa que sabes fazer é gritar com ela...
— Agora a culpa dela ter fugido é minha? Ela anda impossível desde que veio de Lisboa.
— E tu já tentaste perceber o porquê de ela estar tão afastada de nós...tão imprevisível...
— Porque está mal habituada...a culpa disso é do nosso filho e da Maria...sim deram-lhe liberdade a mais. E foi nisto que deu...
— Não digas isso. A Madalena sempre foi responsável, nunca foi de se meter em problemas.
— Pois...e viu-se no que deu. Ou vais dizer que a culpa do que aconteceu em Lisboa foi obra do diabo...que lhe passou uma coisa na cabeça e resolveu fazer o que fez...
— Chega Carlos...o Pedro e a Maria tiveram um acidente de carro. A Madalena já estava no hospital, ela não teve culpa. "Ninguém" sabe o que se passou naquele dia...
— Se ela não se tivesse saído de casa sem dizer nada a ninguém não se tinha metido em confusões, eles não teriam tido o acidente e estavam aqui connosco: os dois. Ela é que devia ter morrido...
— Eu não acredito no que estás a dizer. Tens noção do que estás a dizer? Na barbaridade que acabaste de dizer?
— Vamos todos ter calma...- o Padre Ricardo tenta acalmar os dois...- estamos todos nervosos e a dizer o que não queremos.
— Se acontecer alguma coisa à nossa neta eu não te vou perdoar ouviste? Não te queixes se a perderes de vez com essa tua atitude. Vou-me deitar alguma notícia vão-me avisar.
— Eu vou contigo mamã, precisas de descansar um pouco. Meninos vão dormir também por favor.- diz a minha Tia Cátia.
Sinceramente nem sei o que pensar...o meu avô disse com todas as letras que culpava a Madalena pelo "acidente"...que preferia vê-la morta. Fui para o quarto com o Afonso, não conseguia dormir as palavras do meu avô não me saiam da cabeça: "Se ela não se tivesse metido em confusões, eles não teriam tido o acidente...e estavam aqui connosco os dois...ela é que devia ter morrido...", será que ele pensava mesmo aquilo ou foi apenas do calor do momento.
— Pedro estás bem? Queres falar?- mantive-me calado, tinha tanta coisa na cabeça...
Apesar de achar a Madalena um pouco rebelde entre outras coisas, o Afonso sabia que toda aquela conversa entre os nossos avós me tinha afectado. Ela era minha irmã e por mais asneiras e parvoíces que ela fizesse eu adorava-a...nunca, jamais eu desejaria a sua morte. Mas será que o que o avô disse era verdade? Será que a culpa foi mesmo da Madalena? Dei comigo a pensar em tudo o que aconteceu naquela noite:
"Nós nunca soubemos o que se passou, naquela noite as meninas estavam já a dormir, eu estava no meu quarto a acabar de fazer as malas para a nossa viagem, quando de repente a minha mãe me veio avisar que ela e o meu pai iam buscar a Madalena (supostamente ela estaria em casa da Magui...) e saiu sem me dizer mais nada. Passado umas horas os meus tios bateram à porta...e tudo mudou para sempre. Contudo nunca soubemos o que se tinha passado, nunca ninguém nos tinha contado: a minha mãe morreu, o meu pai está em coma e a Madalena tem uma Amnésia Psicogénica (o que quer dizer que ela simplesmente bloqueou tudo o que tem ver com o acidente...).
— Afonso...achas que a Madalena pode mesmo ter culpa no acidente? Achas que o avô tem razão?
— Não sei, a verdade é que ninguém sabe. Talvez sim...talvez não.
— Nunca pensei nisto, mas a verdade é que os meus pais saíram para ir buscar a Mada, que supostamente estava em casa da Magui, mas o local onde tiveram o acidente foi na ponta oposta da casa dela...será que o avô tem razão? Será que a Madalena teve alguma coisa a ver com o acidente?
O Afonso não me respondeu a verdade é que eu nunca tinha pensado em tudo isto. Precisava de saber...eu precisava de saber se o que eu estava a pensar era verdade, e se fosse o que é que eu ia fazer? Será que iria conseguir encarar a minha irmã depois de saber a verdade? Talvez fosse melhor não mexer em toda esta história...mas não conseguia deixar de pensar nisto...e assim adormeci.
No dia seguinte o ambiente era de cortar à faca...ninguém falava, os meus avós simplesmente se ignoravam um ao outro. Decidi ter uma conversa com o meu tio, talvez ele conseguisse explicar se o que o meu avô disse ontem tem algum fundo de verdade. Porém, ele também não me adiantou nada e desconversou dizendo que o meu avô estava nervoso com toda aquela situação (das duas uma: ou não sabe mesmo nada sobre isso, ou está me a esconder a verdade). Decidi falar com alguém que talvez me explicasse pelo menos uma parte da história...a Margarida. Fui para o meu quarto e fechei a porta, não queria que ninguém me interrompesse...marquei o número da Magui...
— Estou?...- ela não reconheceu o meu número.
— Magui...é o Pedro. Preciso de falar contigo...bem é mais fazer te uma pergunta?
— Ei!! Calma aí, onde está a Mada? Estou farta de lhe ligar e mandar mensagens e ela não me responde...o que raio é que se passa?
— É complicado de te explicar neste momento...mas posso fazer-te a pergunta ou não?
— Podes...mas só não sei se te vou responder...pelo menos enquanto não me disseres o que se passa com a Mada.
— Tudo bem, eu conto...mas primeiro podes responder a minha pergunta por favor?
— Com um por favor e tudo...deve ser grave, diz já me estás a deixar preocupada.
— No dia do acidente a Mada saiu de casa supostamente porque ia para tua casa...Magui, ela foi mesmo para tua casa?
— O quê? Estás a gozar certo? Achas mesmo que te vou dizer alguma coisa?
— Por favor Magui, eu preciso de saber, preciso de perceber...a Mada fugiu...desde ontem que não sabemos nada dela...o meu avô disse umas cenas...eu preciso de saber, ela esteve em tua casa nesse dia?
— Pedro...eu...- e depois de algum silêncio...- tudo bem...não, ela não esteve comigo. O que eu sei é que supostamente ela iria sair com o Ricardo antes de viajar.
— Com o Ricardo? Mas porque é que ela não disse que estava com ele? Porque é que ela mentiu?
— Não sei. Juro que não sei, eu nunca lhe perguntei nada sobre esse dia. Sempre achei que ela um dia falaria do que aconteceu...mas até hoje eu sei tanto como tu...Pedro achas que lhe aconteceu alguma coisa, achas que ela se lembrou e...
— Não sei...quando tiver novidades dela eu aviso. Obrigada Magui.
— Espera...vocês não iam começar a escola hoje? Talvez...talvez ela estivesse nervosa e...
— Talvez. Mas não era motivo para fugir. Mando-te mensagem mais tarde...- Eu precisava de tirar esta história a limpo...eu precisava de saber...e se tudo o que o avô disse for verdade, e se a culpa do acidente for mesmo da Madalena? O que é que eu faço?
Ahhh! Estou a dar em doido com isto, quem me dera que ela nunca tivesse desaparecido, quem me dera que o avô nunca tivesse tido nada do que disse. Ouço a voz da Luísa...não posso estar neste estado...tenho que me acalmar (conto até dez...1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10...)...abro a porta.
— Pedro, o que é que se passa com o avô e com a avó? E porque é que está cá a polícia? Aconteceu alguma coisa à Madalena?
— A polícia está cá? — Ela acena com a cabeça...- Não deve ser nada, ontem o avô foi com o tio e com o Padre Ricardo à polícia para pedir ajuda para procurar a Mada, anda vamos podem ter notícias.
— Não dá, eles foram todos para o escritório: o avô, a avó, o Tio e o Padre Ricardo. Os avós estão zangados um com o outro?
— São coisas deles Lu...nós estamos todos stressados com o desaparecimento da Mada é só isso, não te preocupes.
— Não me estás a mentir pois não? Porque se estiveres sou eu que me vou zangar contigo...
— Não...não te estou a mentir. Vamos, eu quero ver se percebo se eles já têm notícias.
A Lu era demais, só mesmo ela para me fazer rir numa altura destas...o pior é que eu estava a mentir-lhe sim. Mas eu não lhe podia dizer nada...não podia dizer que tudo o que tinha acontecido tinha sido culpa da...não nem eu consigo dizê-lo...não posso sequer estar a pensar nessa possibilidade...não...não posso simplesmente não pode ser verdade. Onde será que ela está? Como estará? Ah, Madalena porque é que fugiste...
Não sinto nada...não sinto as mãos, os braços, as pernas, os pés...não sinto o meu corpo. Será que apenas vive a minha alma? Será que morri? Tento abrir os olhos...não consigo, não tenho força, não consigo mexer nem um músculo. Acho que morri mesmo e apenas a minha alma anda por aqui...
Começo a pensar onde poderei estar, o dia de ontem vem me à cabeça...o Pedro a acordar-me, a cena do vestido, o telefonema da Magui (como tenho saudades daquela miúda...), a missa, o Pedro a tirar-me o telemóvel, a homilia do Padre Ricardo...eu a fugir. Fugi...vim parar num jardim, estava perdida sem ideia onde estava e sem telemóvel, nem dinheiro.
Ouço alguém aproximar-se, tento abrir de novo os olhos mas por muito que me esforce eles não abrem, sinto-me sem força e sinceramente sem vontade de os abrir. Sinto-me como se fosse uma onda que vai e vem, que vem até à margem para ser recebida mas que depressa volta atrás para o profundo e imenso mar...alguém tenta falar comigo, eu ouço longe a sua voz...bem longe como se estivesse do outro lado do mundo...
— Ei...estás bem? Estás a ouvir-me? Consegues abrir os olhos?
Não consigo...simplesmente não tenho forças. Percebo que alguém me pega ao colo, que corre...sinto-me bem como se estivesse protegida, de novo me sinto uma onda que vai e vem...será que me deixo ir de vez?
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