Caminho Incerto

17 15 - Piquenique e Passeio


Começamos o nosso passeio intitulado pela doida da Rute: "Como nunca nos perdermos na Cidade de Coimbra". O Ambiente era agradável, no banco de trás íamos os três: eu, a Rute e o Diogo e se bem que tentei ir numa das pontas com a Rute ao meu lado, a Dona Dulce assim que entrámos logo disse que o melhor lugar para ver tudo seria o do meio. Assim tive que me sentar entre a Rute e "ele". O que fez o meu coração bater mais forte, acho mesmo que todos conseguiam ouvir o seu tic-tac, não consigo deixar de sentir os seus lábios em mim, de me lembrar do que senti: a voar como se tivesse levantado voo como uma pena...leve, muito leve e feliz, como há meses não me sentia.

Começámos por passar pela Igreja de Santo António, onde o Diogo me encontrou, é diferente de muitas das que vemos pelo vestíbulo que dá acesso à mesma por um pórtico em ogiva. E realmente é bonita, naquele dia com tudo o que se estava a passar acho que nem dei pela beleza que ela transmitia.

Depois descemos um pouco e passamos pelas traseiras da nossa Escola — Escola Secundária Infanta D. Maria e pelo Estádio da Cidade de Coimbra, sede da Associação Académica de Coimbra.Percebi que todos na família são adeptos fervorosos do Académica. Como não podia deixar de ser perguntaram-me o meu Clube e respondi com grande orgulho que sou Sportinguista desde que nasci. Ok, sei que não ganhamos um campeonato há anos de novo, mas como diz o meu Avô Manuel "Uma vez nascido Sportinguista, morremos Sportinguista." bem e eu vivo este lema.

Depois foi a vez de fazermos uma pequena paragem no Penedo da Saudade, que para além de um miradouro, daqui podemos ter uma vista magnifica sobre a cidade velha, como eles lhe chamaram, é também um local onde se podem encontrar inúmeras pedras de vários feitios e formatos, onde os estudantes da Universidade deixam o seu agradecimento à cidade que muitas vezes o acolheu.

O pai da Rute logo disse que combinaríamos um outro fim de semana e que faríamos uma visita guiada pelo outro lado do Rio Mondego. Aqui ao me debruçar sobre a cidade, pensei que talvez a minha vida aqui fosse melhorar, troquei um olhar com o meu herói e sorri, é acho que a minha vida vai mudar e desta vez para melhor...pelo menos é isso que eu espero. Não demorámos muito e voltámos para o carro e seguimos caminho ao Campus Universitário, e foi aqui que ouvi pela primeira vez a voz dele. Assim que parámos junto ao Paço das Escolas, que é o conjunto arquitectónico que alberga o núcleo histórico da Universidade ele começou a descrever tudo com detalhe e com um sorriso na cara que me encantou.

No Paço das Escolas a primeira coisa que vemos é a Porta Férrea, foi concebida como um arco triunfal de dupla face (seguindo a tradição da porta-forte militar), e apresenta as principais figuras da instituição da Universidade, que está na origem da sua fundação, e , que a instalou definitivamente em Coimbra, encimados pela figura da Sapiência. Nos portais encontramos ainda representações das antigas faculdades – Teologia, Medicina, Leis e Cânones.

Ao passar por ela logo se vê a imponente Torre Universitária, o relógio da Torre tinha papel fulcral no quotidiano universitário, estando associado aos sinais sonoros emitidos pelos sinos, quatro no total, dos quais o mais conhecido ocupa a face voltada para o rio, sendo vulgarmente denominado cabra. Hoje em dia já se pode ir até lá acima e ver a vista magnifica que tem sobre a cidade. A Via Latina, que não é mais do que a longa varanda, ritmada por elegante colunata neoclássica, localizada na fachada principal do antigo Paço Real, dominando o Pátio das Escolas. A sua escadaria permanece ainda hoje o local central para estudantes e antigos alunos, sendo aqui que são realizadas, por exemplo, as fotos de curso por ocasião da colocação das Fitas na pasta académica.

No Paço ainda temos algumas salas que segundo o Diogo são de cortar a respiração. A primeira que visitámos foi a Sala Grande dos Actos ou a Sala dos Capelos que é onde se realizam as mais importantes cerimónias da vida académica como a defesa da tese de doutoramento. Temos depois a Sala de Exame Privado onde todos os anos decorre a cerimónia de Abertura Solene das Aulas e finalmente entramos na Sala das Armas (ou dos Archeiros) que alberga as armas (alabardas) da extinta Guarda Real Académica, utilizadas nas cerimónias académicas solenes pelos Archeiros por ocasião dos Doutoramentos solenes e Honoris causa, Investidura do Reitor, Abertura Solene das Aulas. A Sala Amarela, contígua à dos Archeiros, tem as paredes forradas de seda amarela (uma alusão à Faculdade de Medicina), apresentando retratos de reitores desta Universidade (século XIX).

Quando chegamos a uma porta, ele para e apenas respira fundo e deixa-me entrar primeiro. Mas, antes sem ninguém reparar sussurra-me "Nem toda a riqueza desta sala, se iguala à tua beleza." , e eu simplesmente tremi ao ouvir estas palavras. Mas assim que entrei, percebi o que ele me queria dizer...era lindo. As estantes estão revestidas integralmente forradas a folha de ouro e decoradas com motivos chineses. O Diogo aproxima-se e explica-me que o edifício tem três pisos, localizando-se o espaço nobre da biblioteca, constituído por três salas comunicantes no nível superior, com acesso directo pelo Pátio das Escolas através de um portal nobre de estilo barroco, ladeado de colunas e encimado por um magnífico escudo real. O piso inferior albergou em tempos, a Prisão Académica.

No fim da visita à Universidade estava na hora do almoço, e ficamos a saber que a irmã da Rute e um amigo iriam se juntar a nós. No carro, o Diogo que até chegarmos à Universidade se tinha mantido em silêncio, olhou para mim e começou a fazer-me perguntas sobre o futuro.

— Então, depois de ver a Universidade, qual é o curso que vais seguir já sabes?

— Bem, desde pequena que quero seguir Medicina como a minha mãe. Mas, agora não sei mais. É complicado. E tu estás a tirar o quê?

— Medicina.- olhamos os dois olhos nos olhos e damos um sorriso cúmplice.- Essa tua amiga louca aí foi para a área de Ciências e nem sabe o que vai seguir.

— Ei! Eu sei o que vou ser sim. Eu quero ir para Biologia, ou qualquer coisa que tenha a ver com Filosofia...

— Eu não disse completamente doida. Se querias Filosofia devias ter ido para Letras e não Ciências.

— Mas ela ainda pode mudar de ideias, assim como eu...talvez vá para a área de ensino, não sei.

— Se o teu sonho era Medicina desde pequena não deixes que coisas menos boas te afastem do que queres. Luta pelos sonhos, porque só tu podes conquista-los.

— Talvez, sempre sonhei em ser igual à minha mãe. Antes de nascermos ela trabalhava no Hospital e amava, sempre me disse que foram os melhores anos da sua vida, a adrenalina que sentia, a felicidade que sentia cada vez que salvava uma mulher...

— Ela era o quê? Qual era a especialidade dela?

— Ginecologia/Obstetricia. Mas depois de nascermos ela desistiu de tudo aquilo, nós éramos mais importantes que a carreira. Então abriu um pequeno consultório com uma amiga, a Tia Luísa, e hoje é uma das maiores Clínicas em Lisboa.

— Espera, tu és filha da Dra. Maria Sá Fernandes?- pergunta o pai da Rute.

— Sim. Conheciam a minha mãe? — estou confusa, mas a Clínica era conhecida, por isso era normal conhecerem a minha mãe no mínimo pelo nome.

— A Mara foi para Medicina por causa dela. Quando ela estava no 10º Ano teve um dia lá na escola tipo "Dia da Carreira", houve vários seminários e a tua mãe veio a Coimbra para fazer um deles. Ela simplesmente começou a idolatrar a tua mãe e olha que ela era ainda uma jovem médica no início de carreira, mas a Mara ficou fascinada por Medicina.

— Não tinha ideia...eu sempre gostei mais de pediatria como a Tia Luísa...já o Pedro quer algo mais ligado à área da cirurgia.

Assim terminámos esta pequena conversa sobre o futuro e seguimos rumo ao local onde iríamos fazer o nosso piquenique, o Parque de Merendas da Casa do Pessoal dos HUC (Hospital Universitário de Coimbra). Fiquei impressionada era um local lindo e adequado para todas as idades, tinha: Parque Infantil, Campo de Jogos, Parque de Merendas e os Jardins eram maravilhosos, respirava-se ar puro.

Encontrámos-nos com os tais amigos dos pais da Rute: o pai Alexandre, a mãe Teresa, o André que pelos vistos já me conhecia, o Tiago que era dois anos mais velho que eu e a Rute e a coisa mais gira deste mundo a Amélia, ou Mia, tinha 6 anos e era para além de linda, uma doçura. Fui apresentada e começámos a preparar tudo, até que a irmã da Rute e o Dr. Martim chegaram, e acho que existe alguma coisa entre os dois.

— Olha se não é a minha doente preferida...- disse o Dr. Martim...- Como é que estás?

— Estou bem. -disse-lhe e cumprimentei a irmã da Rute.

— Mara, nem sabes o que descobrimos, a Madalena é filha da tua ídola de criança...

— Pai, vais ter que ser mais explícito porque eu fui fã de muita gente durante a minha infância e adolescência...

— O nome Sá Fernandes diz-te alguma coisa?- vejo a Mara ficar a olhar do pai para mim, como se não estivesse a acreditar.

— Estás a brinca pai. — e continuou a olhar do pai para mim...- Este mundo é mesmo pequeno, quem diria que ainda ia conhecer a filha da grande responsável por me ter tornado médica.

— Já soube pelo teu pai que conheceste a minha mãe...

— Conheci...Madalena a tua mãe foi a razão pela qual eu sou o que sou. Eu sempre sonhei ser médica, mas nunca soube bem qual a especialidade que queria. Quando ouvi a tua mãe naquele seminário, foi como se de repente tudo se encaixasse na cabeça. A partir desse dia tudo o que fazia era para ser uma médica tão boa como ela. Consegui arranjar o e-mail dela e ela tornou-se um tipo de mentora para mim, mesmo que de longe.

— É um mundo bem pequeno mesmo...- diz o Diogo com um semblante triste e frio. Não consegui perceber o que ele quis dizer com aquilo, fiquei apenas com aquela sua expressão na minha mente, porque será que ele ficou tão triste? Os olhos dele passaram de um cinza claros para um cinza escuro.

O almoço foi decorrendo maravilhosamente bem, apesar de eu não ter gostado muito dos olhares que o tal de Tiago me dava, sei lá era estranho fazia-me lembrar alguma coisa, um sentimento ruim. Contudo, sempre que ele o fazia percebi que o André lhe mandava um olhar de morte e ele olhava para outro lado, onde estava a doida da minha amiga Rute que dispensava aquele olhar com simples frases sarcásticas e secas. Desconfio que ali já houve alguma coisa, não sei o quê, mas a forma como eles se olham e se picam...vou ter que tirar essa história a limpo.

O Diogo ficou quase na outra ponta da mesa, percebi que falava muito com a Mara, de vez em quando olhávamos um para o outro para logo desviar o mesmo. Era como se estivéssemos a jogar do gato e do rato e se bem que era irritante, ao mesmo tempo tornava-se excitante. Quando já estávamos numa de apenas aproveitar a paz daquele lugar, a Mara e o Miguel anunciam que estavam noivos, o que fez todos ficarem de boca aberta e pelo que percebi o namoro já vinha de tempos mas nunca tinha sido oficializado, por isso saltaram imediatamente para o anúncio do casamento.

— Eu não acredito que nem me foi pedido oficialmente a autorização para namorar a minha filha?

— Pai, por favor estamos no séc. XXI e não no séc. XIX.- disse a Mara rindo-se da cara que o pai fazia...- E depois conheces o Martim desde que entrei na escola não havia necessidade de pedidos de autorização.

— Rui, nisso a Mara tem razão. Eles sempre nos disseram desde pequenos que um dia se iriam casar. Parabéns Filha.- a Dona Dulce dá um abraço à Mara, e eu não consigo evitar que as lágrimas me caiam, é inevitável lembra-me que eu nunca irei viver isto na minha vida, nunca irei receber um abraço da minha mãe no dia em que anunciar o meu noivado. E foi nesta altura em que todos estavam a cumprimentar os mais novos noivos que o Diogo se aproximou de mim.

— Vamos passear um pouco, enquanto o meu pai "mata" ali a destrambelhada da minha outra irmã.

— Parece que só tens irmãs doidas e destrambelhadas, tens mais alguma, sei lá talvez uma desequilibrada?- e começámos a afastar-nos do local onde almoçamos e a passear por aquele lugar mágico.

— Tenho um irmão, mas esse é mesmo maluco...porque é que estavas a chorar?...- ele para e fica a olhar para mim...- não precisa de dizer...só não gosto de te ver assim a chorar...

— Não foi nada demais, estava só a pensar que nunca irei receber aquele abraço que a tua irmã acabou de ter da tua mãe, eu...- e as lágrimas caiem de novo...

— Ei! Não chores, já te disse que não gosto te de ver chorar...vamos sentar-nos um pouco...- e depois de um tempo em silêncio...- Então e tu, para além de teres um irmão mais velho, tens mais irmãos?

— Como é que sabes que eu tenho um irmão?

— Porque no dia que a tua família soube onde estavas o teu irmão estava na Universidade. Fui eu que lhe dei boleia até ao hospital, quer dizer tecnicamente foi o André porque o carro era dele.

— E foi nesse dia que me foste ver? — ele acena com a cabeça, não quero começar de novo com a conversa do beijo, por isso decido responder à pergunta dele...- Bem para além do Chato do Pedro, tenho mais três irmãs: a Luísa que tem 12 anos, a Sofia que tem 6 e a Clara que tem 3 anos.

— Deve ser duro para elas ficar sem os pais, não que não seja para ti...mas elas são tão novas.

— É, foi difícil sim. A Luísa perdeu o sorriso durante dias, a Sofia deixou de falar e a Clara só chamava pela minha mãe.

—E tu? -perguntou-me passando a sua mão pela lágrima que escorreu da minha face de novo, e bastou isso para todo o meu ser estremecer.

— Eu...sei lá. Foram tantas coisas a acontecer ao mesmo tempo: o facto de ter acordado no hospital e nem me lembrar o que se passou para lá estar, saber do acidente dos meus pais, que deixou o meu pai em coma e matou a minha mãe, mudar-me para Coimbra, deixar tudo em Lisboa: família, escola, amigos...

Já nem evitava que as lágrimas caíssem dos meus olhos, e de repente sinto um abraço. Não é um abraço qualquer, é aquele que nos protege, que nos segura, que nos sustem perante tudo o que possamos atravessar pelo caminho. Levanto os meus olhos e encontro aqueles olhos cinzas que me encantaram desde que os vi pela primeira vez, baixo o meu olhar porque não consigo resistir em sentir aquela vontade enorme de o beijar. É quando sinto os seus dedos a puxar o meu queixo para cima.

— Nós não devíamos estar a fazer isto, mas tudo isto me faz sentir que tudo o que sinto no coração é o certo...

—Talvez porque seja o certo. Porque é que a nossa idade tem que ser um impedimento seja do que for?

— Talvez....porque eu possa ser preso...

— Se não contarmos a ninguém, se mantivermos tudo isto que sentimos apenas entre nós...

— Madalena, eu não te quero magoar. E eu sinto que já sofreste demasiado.- eu não posso dizer-lhe tudo o que se passou entre nós, não posso...ela vai sofrer demais.

— Porque é que pensas que me podes magoar?

— Porque eu sei que um dia tudo isto pode virar-se contra nós.

— Pois eu não acho, o amor se for verdadeiro nunca pode magoar. Sabes se negares tudo isto que sentimos, aí sim vais-me magoar. Porque eu...já gosto muito de ti.

— Bolas Madalena.- afasto-me dela, não posso ceder, não posso mas quero.- Foi apenas um beijo.

— Não foi apenas um beijo para mim. Mas se é assim que pensas, então talvez tenhas razão e será melhor voltarmos para junto dos teus pais.- Viro costas e caminho em direcção ao local onde almoçámos, mas sinto quando ele me abraça de costas e me aperta em seus braços. Eu podia ficar nos seus braços para sempre, simplesmente porque me sinto segura e protegida, como se nada me pudesse alcançar.

— Não foi só um beijo para mim, nunca é só um beijo contigo Rainha...- ele vira-me e de novo me perco naqueles lábios doces e leves apesar de ser intenso e vigoroso. E vamos nos perdendo neste sentimento que emana dentro de nós. Não há pressa, não há culpa, nem ressentimentos apenas nos deixamos levar. Estamos numa bolha só nossa, sem possibilidade de ninguém mais entrar. — Eu vou dar em doido.

— Que tal endoidecermos os dois juntos? Sozinho é muito triste...- e dou um sorriso meio torto.

— Madalena, eu não acredito que ainda estás a brincar com toda esta situação. Isto é grave, se formos para a frente com isto temos que ter muito cuidado...eu posso ser preso.

— Eu não estou a brincar. Eu sei bem o que sinto, apenas estou a tentar amenizar o ambiente. Diogo, eu sou assim, quando estou nervosa, triste, angustiada ou mesmo feliz eu brinco. Sei que talvez, às vezes, seja confuso entender-me e acredita vai ser...mas a única certeza que tenho neste momento é que eu não quero ficar sem isto que estamos a sentir, seja isto tudo que temos o que for. Não sei se é atracção, se é paixão ou se o que sentimos é algo mais profundo...

— Amor.- diz ele interrompendo o discurso que estou a fazer.

— Sim, Amor. Eu nunca senti isto que estou a sentir, eu já namorei durante dois anos...- os seus olhos transformam-se e percebo que está com ciúmes...e nem ele sabe que nunca fiz nada com o Richi...-...mas nunca em dois anos eu senti o que sinto neste momento. Sei que vai ser difícil, muito difícil mesmo. Vamos ter que nos ver às escondidas, e com tempo contado para que ninguém desconfie, vamos ter que alimentar o nosso amor longe um do outro. Mas Diogo, eu sinto aqui...- e aponto para o meu coração...- que tudo isto é verdadeiro, é real e eu quero vivê-lo. Por favor vive comigo?

— Não seria eu que deveria pedir-te em namoro? Afinal eu é que sou o homem...

— Estamos em pleno século XXI, por isso acostuma-te. Mas não me respondeste à minha pergunta...- ele olha para mim, com uns olhos de menino perdido que me apaixona ainda mais. Estou ansiosa, com medo do que ele possa responder, se ele disser que não, sei que vou sofrer, contudo, pelo menos tentei.

— Que se lixe...eu vivo contigo esta loucura toda, porque tu és e sempre serás a dona do meu coração, desde que te vi pela primeira vez nunca consegui tirar-te da minha cabeça e principalmente do coração.

E entregámos nos ao que sentíamos, finalmente deixámos todos os nossos medos, todas as nossas dúvidas para trás. Seriamos felizes pelo tempo que fosse, mas iríamos aproveitar todos os dias, horas, minutos, segundos para nos amarmos. Porque afinal o que é o amor senão o sentimento mais bonito do mundo, que nos leva a proteger a pessoa talvez mais importante da nossa vida.

Amar quer dizer que nos importamos mais com a felicidade da outra pessoa do que com a nossa própria. Não importa o quão dolorosas sejam as escolhas que tivermos que enfrentar. Amar é doar-nos mutuamente, contudo é preciso doar o direito de receber amor. Amar é fazer todos os dias o dia para declarar o nosso amor. Esquecer, definitivamente, todas as dúvidas e todos os conflitos, para poder fazer hoje e todos os dias o dia do amor. Amar é olhar para quem amamos e dizer com palavras, com os olhos e com o coração: "Eu te amo".