Caminho Incerto
18 16 - Acordou
Voltámos para perto da família do Diogo e ninguém nos disse nada, porém percebo um olhar diferente na cara do Sr. Rui, não era de raiva, era mais de zangado como se o Diogo tivesse feito alguma coisa e que ele não gostou. Assim que percebe o olhar que o pai lhe dá ele afasta-se de mim, o "meu amor". É tão bom chama-lo de "Meu Amor", mesmo que o tenhamos que esconder do mundo inteiro, ainda assim é maravilhoso ter alguém como ele ao meu lado.
Tudo o que lhe disse é verdade, eu nunca senti nada do que estou a sentir com o Richi, acho mesmo que nunca o amei, o que senti pelo meu Ex nada tem a ver com o que sinto pelo Diogo. Hoje eu penso, ou melhor tenho a certeza, que Amor, aquele sentimento que nos enche, que nos faz sentir aquelas borboletas na barriga, que nos faz flutuar apenas por um olhar, um carinho, um toque; que nos faz fazer loucuras, que nos faz "matar" pela pessoa que amamos...esse sentimento eu só senti no dia em que conheci o Diogo, ou no dia em que senti os seus lábios. Por isso resolvo dizer alguma coisa, pois a última coisa que quero é arranjar problemas para o Diogo.
— Desculpem, precisei de ir à casa de banho e como não tinha ideia de onde era pedi ao Diogo que me indicasse onde era.
— Tudo bem, estávamos preocupados, demoraram um pouco não?- diz o pai do Diogo com um olhar de dúvida.
— É que isto aqui é tão bonito que pedi ao Diogo que me mostrasse mais. Desculpem não queria preocupar ninguém.
— Tudo bem, eles voltaram sãos e salvos e sem nenhum ferimento grave, por isso vamos continuar este piquenique que na verdade se transformou num almoço de noivado.- disse a Dona Dulce abraçando o Sr. Rui.
E assim se passou o dia, numa animação pegada: os pais do "meu amor", O Sr. Alexandre e a Dona Teresa, o Dr. Martim e a Mara passaram o resto do dia organizando tudo o que tinha a ver com o casamento: o jantar de noivado, onde seria o casamento, como seria a decoração, entre outros pormenores; o Diogo falava com o André, mas sempre com um olhar em mim que me enlouquecia; o Tiago, o Tomás (que era irmão gémeo do Tiago) e a Rute andavam os três numa luta de Titãs: enquanto o Tiago chateava a Rute o Tomás tentava protege-la dos ataques do irmão (acho que o Tomás gosta da Rute, e que o Tiago gosta de a picar...bem e a Rute bem não sei bem o que ela sente, mas vou descobrir) e eu...bem eu fui com a Mia até ao parque infantil que era bem perto do local onde estávamos.
De vez em quando o meu olhar cruzava-se com o do Diogo, tentávamos disfarçar ao máximo, porém era tão difícil, a minha vontade era voar para os seus braços, beijá-lo e nunca mais o largar. Infelizmente não podíamos, ele era maior de idade e eu menor, se alguém soubesse de alguma coisa ele podia ser preso e passar por pedófilo o que seria uma injustiça pois ele nunca faria nada que eu também não quisesse. No final da tarde, despedimo-nos e cada casal foi para casa com os respectivos filhos, o que fez com que Mia armasse um berreiro pois queria porque queria que eu fosse com ela. Depois de lhe prometer que iria falar com o meu avô para que ela pudesse ir lá a casa para brincar com a Clara e a Sofia ela acalmou e foi com os pais.
Quando chegámos a casa dos Ramos (apelido da família da Rute e do "Meu Amor", sim não me canso de o dizer) estávamos todos muito cansados, a Dona Dulce sugeriu que fizéssemos uma sessão de cinema com pipocas e muitos refrigerantes e é lógico que todos concordámos. O Martim sugeriu encomendar algumas pizzas para o jantar e nessa altura foi um Deus nos acuda com todos a gritar que pizza queriam, até que o Martim se vira e diz alto e bom som "Como hoje o dia é meu e da Mara, nós escolhemos.".
E pronto a discussão acabou naquele momento, mas outra viria a seguir pois todos queriam escolher o filme, mas aí foi a mãe da Rute a falar e disse que seria eu a escolher, confesso que fiquei com um pouco de vergonha em ser eu a escolher, mas já que eles insistiram eu optei por um que amo e não canso de ver com as minhas irmãs "A Bela e o Monstro" a versão humana do filme.
Sentámos-nos todos: os mais velhos no sofá e os mais novos no chão mesmo. Não sei se o Diogo fez de propósito mas acabei por ficar no meio dele e da Rute o que rendeu algumas caricias inocentes e por vezes umas trocas de olhares sem que ninguém desse conta. Quando o filme acabou resolvemos jantar, uma vez que as Pizzas entretanto já tinham chegado e logo depois, nós os mais jovens fomos ver outro filme: Velocidade Furiosa 8, enquanto o casal mais velho se foi deitar deixando a Mara e o Martim a tomar conta dos mais jovens. Eu conhecia o filme de nome e lembro-me de ver o primeiro deles, e fiquei fã. Depois chegou a vez de nos despedirmos do Martim e fomos os três restantes dormir. Se eu vos dizer que não sonhei com o meu príncipe estou a mentir, porque é lógico que sonhei...
O dia seguinte foi de estudo, eu a dar explicações à Rute de Matemática e Biologia e ela a tentar, sim a tentar, explicar-me a matéria de Filosofia o que foi uma tarefa difícil senão completamente impossível. Não havia nada a fazer, eu não percebo porque raio nós temos que saber toda aquelas coisas: onde começou, que Tales de Mileto foi o primeiro filosofo, estudar Sócrates, Platão ou mesmo Aristóteles e suas teorias sobre o espaço, o tempo, a mudança e o movimento. Ou que existem 5 disciplinas distintas na Filosofia (Religião, Ética, Política, Estética e Metafisica), e tantas outras coisas que para o nosso dia-a-dia nunca iramos precisar.
E assim foi passando a manhã e a tarde. Até que estava na hora de me despedir e ir para casa, e como me custou deixar todos eles, há meses que não me sentia assim tão feliz. Mas o que me custou mais foi deixar o Diogo, resolvemos durante a tarde que falaríamos através do Whatsapp (sim já tínhamos trocado números de telemóvel) e que não nos íamos despedir. E assim foi quando deu a hora ele simplesmente não saiu do quarto. O Senhor Rui levou-me a casa onde o meu avô e a minha avó me esperavam.
— Boa Tarde Sr. Fernandes, Boa Tarde Senhora. Aqui está a Madalena como combinado, foi um prazer tê-la lá em casa é uma menina maravilhosa.
— Obrigada Sr. Ramos. Vamos entrando Madalena, estávamos à tua espera para falar convosco.
— Connosco? Connosco quem? O que é que aconteceu?
— Vamos entrar querida, vamos...obrigado por tudo.- e assim despedi-me do Sr. Rui e entrei com a minha avó. Na sala estava a família toda, a minha tia tinha cara de quem estivera a chorar e eu comecei a tremer.
— Parem de rodeios e digam logo...o que é que aconteceu com o Pai?- digo assim que vejo o meu avô a sentar-se entre a Sofia e a Clara. Só podia ter acontecido alguma coisa, a minha avó estava nervosa, a minha tia tinha lágrimas nos olhos...e eu tremia por dentro desejando estar nos braços de quem me podia proteger e não estava ali.
— Avô. O papá acordou?- pergunta a Sofia já com uma lágrima no olho.
— Podias ser um pouco menos bruta a falar...- diz o Pedro fuzilando-me com o olhar.
— Cala-te Pedro. Ainda não percebeste que aconteceu alguma coisa? A avó está a tremer, a tia está com os olhos vermelhos de chorar...e o avô está nervoso eu conheço-o. Por favor, podes falar de uma vez...o que aconteceu com o Pai? — perguntei mais uma vez já sem conseguir segurar as lágrimas.
— O vosso pai, ele...ele acordou. Ele voltou para nós meninas.- grita a minha avó sem se aguentar mais, e enquanto todos gritavam, riam e choravam de alegria eu mantinha-me petrificada. — Madalena, o teu pai está bem, ele voltou para nós...
Eu simplesmente olho para todos, não digo nada, sinto-me num outro mundo...só consigo andar até à porta e sair para a rua. Sinto a brisa que começa a aparecer, e as lágrimas a começarem a escorrer. Podia correr sem rumo, podia, mas eu aprendi a lição e em vez de fugir escondo-me ali perto e ligo para a única pessoa que me pode ajudar, que me pode fazer sentir segura.
"- Madalena, já chegaste? Nós não combinámos que era apenas por mensagens..."
"- Preciso de ti...- não consegui dizer mais nada porque caí num choro profundo."
"- Madalena? Amor? Onde estás? Eu vou ter contigo...onde estás?"
"- Perto da minha casa. Atrás de uns contentores..."
"- Fica aí, não saias daí...em cinco minutos estou aí..."
"- Diogo...eu não consigo...eu não vou aguentar..."
"- Eu estou a sair de casa...tem calma..."
Ele desliga, e eu encolho-me ainda mais. Ouço o meu avô, o meu Tio, todos a chamarem por mim, mas eu não consigo encará-los, eu não consigo dizer-lhes que eu não quero ver o meu pai...que eu tenho medo. Medo de o perder.
Ao fim de um tempo deixo de ouvir as vozes que me chamam, provavelmente voltaram para casa e mais uma vez acham que fugi. Ouço alguém a aproximar-se e quando olho para cima vejo que é o Diogo. Apenas o abraço, como se ali o mundo não me fosse cair em cima, como me parecia que iria acontecer. Ele não diz nada, apenas se mantém ali, naquele abraço tentando acalmar a minha crise de ansiedade. E eu deixei-me estar, chorei até não conseguir ter mais lágrimas.
— Ei! Estás mais calma? — eu não falo, apenas digo que sim com a cabeça...- Queres contar-me o que se passou?
— O meu Pai...- e tomo de novo ar, porque as lágrimas estão na ponta dos olhos, prontas para cair de novo...- ele...ele acordou.
— E tu estás a chorar...Madalena ele acordou, ele voltou para vocês...- eu interrompo-o...
— E eu vou perde-lo...- o Diogo faz uma cara de quem não está a perceber...- Diogo a culpa de eles terem tido o acidente pode ser minha. Eu não me lembro de muito, mas sei que nós íamos fazer uma viagem de férias, e eu acordei num hospital sem me conseguir mexer da cintura para baixo, descubro que os meus pais tiveram um acidente enquanto eu estava inconsciente...
— Madalena, tu não tiveste culpa. Erraste talvez...mas a culpa não foi tua...
— Diogo, eu...tenho medo que ele me culpe. Eu sei, eu sinto que todos ali naquela casa de alguma forma me culpam pelo que aconteceu. Bolas até eu me culpo e nem me lembro do que se passou. Como é que eu vou encarar o meu pai? O que é que eu lhe vou dizer? "Pai, desculpa por tudo, mas eu não tenho culpa, até porque nem me lembro de nada...". Ele vai surtar, se já não surtou, ao saber que a minha mãe morreu.
— Eu não te quero assim. Ouve o que eu te vou dizer...- ele coloca as suas mãos cada uma num bochecha e olha bem fundo nos meus olhos...- Tu não tiveste culpa do que te aconteceu...e muito menos tiveste culpa do acidente dos teus pais.
— Como é que sabes Diogo, tu nem estavas lá...
— Eu estava.- olho para ele...e fico confusa, como assim ele estava lá? Como é que era possivel?- Fui eu que te levei para o hospital em Lisboa. Eu estava de férias em Lisboa, sou primo da Gabi, que foi tua colega lá em Lisboa.
— Tu...porque é que nunca me contaste? Porque é que...
— Porque nunca pensei em te encontrar de novo minha "Rainha da Noite"...- e olhou para mim com um sorriso que me derreteu...
— És tu...mas tu deixaste de me mandar mensagens? Porquê? Porque é que...
— Porque eu fiquei a saber que eras menor...e tive medo, medo de me apaixonar mais do que já estava. Depois naquele dia quando te levei para o hospital tu estavas desacordada e eu voltei para Coimbra. Nunca nos meus sonhos eu pensei que pudesse voltar a ver-te.
— E agora? Eu estou aqui, o que vai acontecer?
— Ó meu amor, agora eu nunca mais te vou deixar ir embora. Eu amo-te Madalena, eu amo-te "Minha Rainha da Noite".
— E eu amo-te a ti meu Príncipe.- e assim acabamos por nos deixar levar, abraçamos-nos como se não houvesse mais nada ao nosso redor, até que ele se afastou.
— Tens que voltar...- eu fiz que não com a cabeças...- Rainha, eles devem estar preocupados. Diz-lhes tudo o que me disseste a mim, conta-lhes o que sentes, os teus medos, tudo.- eu voltei a negar...- Faz isso por mim, por favor.
E assim acabei por concordar, mas como é que eu conseguiria alguma vez deixar de concordar ou fazer alguma coisa que ele me dissesse, eu faria tudo por ele eu amo demais o "Meu Amor" o "Meu Príncipe". Ele levou-me até ao portão, e despedimo-nos com um leve beijo, dizendo que nos falaríamos mais tarde. Entrei e parei à porta, conseguia ouvir os gritos do meu avô e o choro da minha avó, arranjei coragem e abri a porta. Todos pararam, olharam para mim uns com raiva, outros com preocupação, outros surpresos...virei-me de costas para fechar a porta, aqueles olhares estavam a fazer com que as lágrimas mais uma vez caíssem.
— Madalena. O que raio é que tens nessa cabeça? Eu dei-te uma oportunidade, eu tentei fazer o que a tua avó me pediu, mas tu...- e nessa altura eu virei-me cheia de lágrimas, já não conseguia evitar mais, eu já não queria evitar.
— Desculpa. Desculpa...- e deixei-me cair de joelhos no chão, chorei...chorei muito e alto. Mais parecia um bebé a chorar.
— Madalena. Nena, fala comigo. Desculpa, desculpa o avô.- sinto o meu avô a abraçar-me e retribuo. O Diogo tem razão eu tenho que tirar tudo o que está cá dentro para fora, preciso que a minha família perceba o que eu estou a sentir. Talvez, talvez só assim eles me percebam.
— Eu tenho medo avô.- começo por dizer...- Eu tenho medo que o pai me culpe, como todos vocês o fazem. E eu não vou aguentar, eu não vou aguentar sentir que ele me odeia por tudo o que se passou. Não do pai...
— Nena, ninguém te culpa de nada. Nem o teu pai...- eu olho para ele como se não acreditasse.- Ele pediu para te ver, foste a primeira pela qual ele chamou...bem depois da tua mãe.
— Ele já sabe da mãe...- as lágrimas continuavam a cair, mas eu estava mais calma.
— Sim querida, ele já sabe. Eu acho que antes de perguntar ele já sentia que a tinha perdido. Depois perguntou por ti.
— Eu não sei se consigo...não sei...
— Vamos fazer uma coisa, vamos todos dormir. Amanhã vemos como te sentes, eu não te vou forçar a nada. Mas, Nena ele é teu pai e vai sempre amar-te...sempre.
Fomos todos deitar-nos, a minha avó esteve comigo até eu conseguir adormecer. Foi difícil pegar nos sono, fiquei um bom bocado a pensar se iria ou não ao hospital para o ver. O medo da rejeição ainda estava dentro de mim, contudo, saber que ele me tinha chamado fez-me ter uma réstia de esperança que talvez ele me perdoasse.
E nessa noite sonhei pela primeira vez com a minha mãe, coincidência? Não, eu acredito que aqueles que amamos e que já partiram nos observam lá de cima (seja o lá em cima onde for: no Céu, nas nuvens, no horizonte...) e que nos guardam, protegem e de vez em quando sem quase nos apercebemos nos aparecem.
"Estou sentada no baloiço, aquele que tínhamos na nossa casa em Lisboa, que o meu pai montou para as meninas. De súbito olho para o lado e vejo-a, é ela a minha mãe.
— Mãe. Meu Deus mãe, és mesmo tu. Porquê? Porque é que foste, nós precisamos de ti, eu preciso de ti.
— Shiuuu!! Eu vou estar sempre aqui contigo minha princesa. Posso não estar fisicamente mas sempre que precisares eu vou estar contigo e com os teus irmãos.
— Mãe, eu não sei o que fazer estou com medo. E se o pai me odiar por tudo, eu sei que fiz algo errado, apesar de não me lembrar, mas...
— Madalena, o teu pai não te odeia amor. Tu és e sempre serás a sua Princesa, por muito que aprontes, por muito que erres...nós seremos sempre os teus pais e estaremos sempre junto de ti para te corrigir...
— Tu não estás.- e uma lágrima cai-me.
— Eu estou aqui. Pode ser em sonhos mas eu estou aqui contigo. Filha, ouve o que aconteceu comigo e com o pai foi um acidente, tu não tiveste culpa. Por favor deixa de te martirizar por isso. E eu vou ter uma conversa de pé de orelha com o teu pai, não te preocupes. Vai vê-lo, prometes?
— Sim, por ti. Por favor não te vás embora. Fica comigo, por favor.
— Não posso Princesa. Mas aquele rapaz...- fico a olhar para ela, e agora será que me vai proibir? Será que...- Ele ainda te vai fazer muito feliz minha querida, mas vão passar também por muitos problemas. Lembra-te sempre que o amor só se descobre uma vez."
Abri os olhos, o dia já tinha clareado olho para a cama das meninas e elas já se tinham levantado, deviam estar desejosas por ir ver o pai. Alguém abre a porta e vejo os meus avós, os dois. Sentam-se cada um de um lado da cama. Parece que vou para o tribunal ou qualquer coisa assim, mas eles estão ambos calmos.
— Bom Dia. Então mais calma.- pergunta-me a minha avó dando-me um beijinho e eu aceno com a cabeça que sim.
— Bom Dia Nena, já decidiste se vais...- eu interrompo o meu avô.
— Vou.- ambos olham para mim, como se de repente eu tivesse tido a coisa mais absurda do mundo.- Eu acho...que sonhei com a mãe.- continuam a olhar para mim e consigo perceber que a minha avó deixa cair uma lágrima...- Ela pediu-me para ir ver o pai, para falar com ele.
— Fico feliz Nena, e o teu pai vai adorar ver-vos aos cinco...- interrompo de novo o meu avô.
— Eu quero entrar em último, não quero ninguém lá dentro. Vai ser uma conversa apenas entre mim e o pai.
E assim fica combinado, acabo por me levantar e vestir, vou tomar o pequeno-almoço com todos. A Sofi e a Clara não param quietas, nem caladas enquanto que a Luísa está demasiado calada, mas talvez seja apenas ansiedade. O Pedro, bem é impossível perceber o que ele sente, não dá quando ele coloca aquela máscara de insensibilidade nem vale a pena tentar. E assim se depois de arrumarmos a cozinha, fomos todos para o hospital. Se estou com medo? Petrificada. Se estou nervosa? Sim, e muito, mas vou fazê-lo eu prometi à minha mãe apesar de ter sido em sonhos...eu promete e vou cumprir.
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