Caminho Incerto

14 12 - Magui e Guga


Durante o caminho fui-lhe contando o que se tinha passado com a Magui e com o Guga, bem pelo menos o pouco que eu sabia, porque a verdade é que a Magui não me disse muita coisa. Eu nunca a tinha visto tão desesperada. Porém, uma coisa eu tinha a certeza: a Magui não era de chorar por ninguém. É claro que ela devia saber, mais do que ninguém, que picar a onça (sendo que a onça era o Richi) não era de forma nenhuma uma boa ideia, mas o Guga também sabe bem como é o Ricardo, bolas ele conhece-o bem, aliás bem demais e melhor do que qualquer uma de nós.

O Gustavo,ou Guga para a família e amigos mais chegados, como eu (se bem que nós somos mais irmãos do coração) era filho de uma amiga de infância da minha mãe. A tia Luísa e a minha mãe cresceram juntas, quase como irmãs, e acabaram mesmo por tirar o mesmo curso: medicina, se bem que em especialidades diferentes uma tirou pediatria e a outra ginecologia. Casaram-se as duas com advogados, aliás a minha a mãe conheceu o meu pai através do Tio Vasco. O primeiro casal a casar foi a Tia Luísa e o Tio Vasco e um ano depois os meus pais.

Um pouco depois do meu irmão Pedro nascer, elas decidiram criar a sua própria clínica, pois com filhos e uma casa para gerir tornava-se muito difícil continuar a ter os horários do hospital, com turnos malucos. Assim a pequena clínica que começou apenas com elas as duas, numa lojinha com apenas dois consultórios, hoje é uma das mais reconhecidas clínicas em Lisboa. Eu e o Guga fomos gerados mais ou menos pela mesma altura, se bem que ele é um pouco mais velho que eu (apenas um mês e uns dias, o que na cabeça dele equivale a dez anos, como sempre exagerado) por isso costumamos dizer que somos irmãos de gestação/coração. E depois de nós ainda nasceram as minhas três irmãs e mais as três pestes da Tia Luísa:duas meninas gémeas a Laura e a Lara, e um menino, o Vicente; e que são como se fossem meus primos.

À medida que fomos crescendo eu e o Guga continuamos sempre unidos, até que um dia entraram nas nossas vidas o Ricardo e a Margarida. Houve ciúmes, zangas, horas sem nos falarmos; tudo porque não soubemos lidar com o facto de mais alguém se intrometer entre a nossa amizade especial, mas, no final, nunca conseguíamos estar mais que 24 horas sem nos falarmos, era uma missão completamente impossível para nós. Sim 24 horas, este era o nosso recorde pessoal de silêncio e indiferença.

Contudo, com paciência, sabedoria e tempo, muito tempo, fomos aprendendo a conviver os quatro, se bem que eu não suportava o Ricardo e ele por sua vez não suportava a Magui. Acho que o que o povo diz "Quem desdenha quer comprar" é verdade, tanta quezília entre mim e o Richi que acabámos por começar a namorar, pois acabamos sempre por gostar do que detestamos.

A Magui, ou de seu nome completo Maria Margarida Mendes, mudou-se para a nossa escola na primária. Era uma menina risonha, mas ao mesmo tempo reservada...o que na verdade nada tem a ver com a verdadeira Magui que acabamos por descobrir passado o momento de "vergonha" da mesma. Com os anos eu e a Magui tornamos-nos inseparáveis, melhores amigas de e para sempre. Contávamos tudo uma à outra: segredos, desilusões, conquistas, derrotas, tudo, mesmo tudo. Na escola éramos as palhaças de serviço, mas, nunca abusávamos da sorte e todas as partidas que fazíamos eram quase sempre inofensivas. Normalmente o que nos livrava dos castigos dos professores era o facto de ambas sermos boas alunas, ou talvez porque muitas das vezes éramos tão boas actrizes, que até nos fazíamos de vítimas.

Quando chegámos a casa da Rute, tentámos correr para o quarto dela para podermos resolver o "Caso Magu" como a minha nova amiga o chamou. Ela estava mais ansiosa que eu, até parecia que os conhecia desde sempre tal como eu, que fazia parte do nosso grupo maravilha. Mas depressa a mãe dela nos travou para nos cumprimentar e pedir que não fizéssemos muito barulho pois a irmã da Rute tinha acabado de chegar do hospital.

— Tudo bem mãe...eu prometo que não fazemos muito barulho...

— Rute Sofia Ramos! Se tu acordas a tua irmã...eu nem sei o que te faço. Sabes bem que ela chega do hospital cansada e precisa de descansar.

— Mãe...já te pedir não sei quantas vezes: é só Rute. E eu prometo, ninguém vai acordar a Mara. Vamos falar com o Guga?- perguntou a Rute, que logo me puxa para o seu quarto. Assim que entro no quarto e antes de falar para o Guga, não aguento mais eu tenho que saber se a médica que me atendeu no hospital é de facto familiar da Rute.

— Posso perguntar-te só uma coisa?- e como ela assentiu eu fiz-lhe a pergunta que me andava a atormentar à muito tempo...- Aquela rapariga que te vai buscar à escola de vez em quando, quem é?

— É a Mara, a minha irmã. Bem na verdade ela é só minha meia-irmã: ela é só filha do meu pai. Mas para mim ela é minha irmã, posso não ter o mesmo sangue nas veias mas somos irmãs de verdade. Ela está a dormir aqui mesmo ao lado e daqui a pouco vai acordar muito mal disposta.

— Porquê mal disposta?

— Daqui a pouco já vais perceber...- e dá um sorriso de quem vai aprontar.

— Tu não a vais acordar? A tua mãe dá cabo de ti, eu vi o olhar dela...

— Mas vai ser engraçado ver a cara da Mara a acordar...tu vais ver. E depois ninguém se vai zangar, eles não conseguem evitar e no fim, apesar de zangados, é uma gargalhada pegada nesta casa. E agora podemos falar ao Guga?

— Espera antes tenho outra pergunta, tu sabes que foi a tua irmã que me tratou no hospital certo?

— Sim, claro que sei. E também sei que o príncipe a cavalo que te salvou foi o meu irmão. Ele encontrou-te junto à capela, trouxe-te até cá a casa, e esteve no hospital até saber que estavas bem.

— Foi o teu irmão que me salvou? Era ele que estava comigo...que me...- Meu Deus, foi ele, ele beijou-me. Só pode ter sido ele.

— Sim. Nunca vi o meu irmão tão angustiado, a sério até parecia que te conhecia, sei lá parecia que eras da família.

— Nem sei o que pensar, mas acho que vou ter que lhe agradecer. Bem vamos ligar ao Senhor Guga "Rute Sofia"...- não consegui evitar de a picar um pouco, e ver a ruta tentar fazer cara de zangada é muito divertido...

Peguei no telemóvel e marquei o número: tocou, tocou, tocou e tocou. Ai! Se ele não me atende nem sei o que lhe faço. Continuou a tocar, não acredito que aquele anormal não vai atender o telemóvel, mas se ele pensa que isto fica assim. Não fica não, resolvi desligar e telefonar à mãe dele, sim eu tenho o número da Tia Luísa; sempre tivemos o telefone das mães um do outro, porque se uma não podia atender a outra passava o recado. Estou com uma raiva daquele menino que nem sei, uma coisa era ele não atender a Magui, se bem que ela não tinha feito nada de mal porque afinal tudo tenha sido armação daquele animal do Richi...agora não me atender a mim...

— Estou...quem fala? — diz a mãe do Guga.

— Tia Luisa, é a Mada.

— Olá minha princesa como estás? Está tudo bem?

— Sim, agora está tudo bem. Quer dizer ,bem nunca mais vai ficar mas...

— Eu soube o que aconteceu, a tua tia ficou desesperada. Princesa sei que sentes saudades, mas lembra-te que a tua mãe queria que vocês fossem felizes.

— Eu sei...mas custa, tenho saudades deles. E não me lembrar do que aconteceu naquela noite, ainda me consome e angustia mais.

— Princesa já pensaste em voltar a uma psicóloga, talvez te ajude. Eu já te disse, que podes voltar ou não a lembrar-te, mas viveres com essa culpa não te faz bem.

— Eu sei tia. Vou falar com o avô, talvez me faça bem desabafar.

— Já sabes que tens um lugar na clínica à tua espera. Ainda vais tirar medicina?

— Não sei, neste momento não sei de nada. Tia, eu estava a tentar ligar ao Guga mas ele não atende passa-se alguma coisa? Ele está pior?

— Ah! Já soubeste, foi a Magui que te contou. Ele está bem, mas é tão casmurro como o pai.

— Pois, eu conheço bem a peça. Posso falar com ele?

— Claro que sim, eu vou te passar. Beijos minha princesa.

— Adeus Tia. E obrigado por tudo.- a chamada fica em silencio, ouço o Guga a reclamar...

— O que queres?— Uau...este não é o Guga que eu conheço. Ele nunca me falou assim, nem quando estávamos furiosos.

— Primeiro quero saber se estás mesmo bem? Depois, quantas vezes já te disse que não te quero a andar na porcaria daquela mota quando não estás no teu juízo perfeito?— ele sabe perfeitamente que eu detesto que ele ande de mota quando está chateado, bem eu detesto que ele ande de mota no geral, e por esta altura também já gritava com ele...- Guga eu já perdi muita coisa este ano não achas que chega? Querias o quê acabar de vez comigo?

— Madalena, não dramatizes. Eu não morri...— eu interrompo-o de forma tão irritada que acho que se a irmã da Rute não acordar só pode estar mesmo a morrer de cansaço.

— GUSTAVO, EU NÃO ACREDITO QUE OUVI O QUE ACABASTE DE FALAR. TU TENS NOÇÃO DO QUE ACABOU DE SAIR DESSA BOCA...EU...

— Desculpa, mas podes falar mais baixo eu não estou surdo. Perdoa-me, não foi por mal...— eu já chorava mais uma vez as lágrimas corriam-me pela cara...- Mada, perdoa-me por favor.

— Bolas, Guga. Eu não aguento sofrer mais, não aguento perder mais ninguém...

— Calma, eu estou bem. Não foi assim tão mau, só parti a perna e duas costelas...

— Estás a armar-te em palhaço é? O que disseste não teve piada Guga, eu não posso te perder a ti também. Porque é que não me atendeste o telemóvel?

— Mada, tu nunca me irás perder, e eu estou bem, a sério. Em relação ao telemóvel eu tirei o som, eu não quero falar com ela.

— Sabes que ela está de rastos não sabes?- o Guga ia começar a falar mas eu não o deixei...- Bolas tu sabes bem como é o Richi, ele era teu amigo muito antes de ser meu namorado. Sabes bem que é vingativo...

— Eu vi Mada, ninguém me contou ok? Queres que eu faça o quê?

— Guga, ele fez de propósito. A Magui teve uma zanga com ele porque me defendeu, bem e fez algo que para o Richi lhe deve ter doído no seu ego...

— O que é que ela lhe fez?

— Bem ela deu-lhe um pontapé naquele sitio e sabes melhor que eu que o Richi não é de se ficar.

— Essa é a Magui que conhecemos. Mada, mas eu não sei, mesmo que isso seja verdade todos os que estavam no ginásio viram.

— E desde quando é que o Gustavo Freitas de Sousa se importa com o que os outros dizem? Não sejas parvo a Magui adora-te, ela ama-te. Gu por favor não faças isto, nem tu nem ela merecem...

— Eu não sei, bolas tu sabes que eu não vou conseguir estar longe dela muito tempo. Mas, só de pensar que aquilo possa ser verdade.

— Mas não é, achas que a Magui te ia trair logo com aquele ogre do Richi. Por favor a menina odeia aquele miúdo muito mais que eu. Agora vais pegar no teu rico telemóvel e mandar uma msg e pedir que ela vá aí e fazes as pazes com ela.

— Depois do que eu lhe disse não sei se será assim tão fácil...

— Guga, se tu lhe pedires para cair num poço por ti podes ter a certeza que ela o faz. Bem eu também o faria, mas nós somos irmãos do coração por isso agora liga-lhe senão quem vai aí para te partir o resto das costelas sou eu.

— Como é que nós conseguimos sobreviver sem ti aqui? Adoro-te Ma. Eu vou ligar-lhe, obrigado. E o Richi vai pagar ai vai...

— Faz as pazes com a Magui e deixa o Richi em paz, para ele ver-vos juntos vai doer-lhe mais do que um bom murro.

— Nisso tens razão, aquele tem o Ego maior que o pescoço de uma girafa. Beijos Ma e obrigado.

— Estou longe mas continuamos juntos. Beijos Gu. E dá muitos beijinhos aos meus primos lindos.

Quando desliguei a chamada tinha uma Rute a olhar para mim com uma cara estranha. Nem sei como explicar, era como se lhe tivesse pintado na cara uma mistura: de espanto, confusão, admiração, dúvida. Era divertidamente estranha a cara com que ela me olhava. Esperei um tempo para ela falar, contudo, como ela não o fez eu tirei-nos daquele misterioso silêncio.

— Porque é que me estás a olhar assim? Tenho alguma coisa na cara?

— Nada, é que percebi uma coisa: tu és uma pessoa incrível. A forma como falaste com o Guga, defendeste a Magui. Foi emocionante, foi...nem tenho palavras. Eu estou muito feliz por seres minha amiga.

— Sabes que és meio parva, certo? O Guga é quase como se fosse meu irmão. As nossas mães foram amigas desde sempre e a Magui é minha amiga desde pequena. Eu só defendi quem eu amo.

— Hummm....então isso leva-me a outro assunto. Tu ainda gostas do Richi? Sei lá ainda sentes alguma coisa por ele?

— Não sei. Quando saí de Lisboa ainda estávamos juntos mas as coisas estavam estranhas. E passado uns dias de estar em Coimbra eu soube pela Magui que ele estava com a irritante da Érica.

— Mas ainda sentes alguma coisa?

— Nós estivemos juntos dois anos, e acho que não se esquece uma pessoa destas assim de um dia para o outro. Não te digo que ainda o amo, acho que isso não, mas acho que ainda ficou alguma coisa, sei la um carinho.

— Posso perguntar-te porque é que as coisas estavam estranhas?

— Poder podes, mas eu não te vou dizer. Até porque neste momento já nem interessa.

Depois desta conversa, decidimos ver um filme até nos virem chamar para o jantar, vimos o "La la land" e como era um musical a Dona Rute decidiu pôr o som em altos berros, e claro acordou a irmã, foi nessa altura que eu percebi a cena "do acordar mal disposta".

— Rute...eu precisso de dormir...

— Ah Mara! Aas musical que é musical tem que se ouvir assim e de preferência cantar ao mesmo tempo bem alto.

— Eu não quero saber baixa isso já. Eu preciso e quero dormir.

— Rute Sofia dos Santos Ramos! Eu avisei-te, já para a cozinha vais me ajudar a fazer o jantar e pôr a mesa sozinha.

— Ah mãe, não é justo. Só estávamos a ver um filme, não tenho culpa de ser um musical e eu amar cantar.

— Se quiseres posso acrescentar lavar e secar a louça depois do jantar?- diz a mãe da Rute olhando para ela com um olhar algo sarcástico.

— Não. Eu vou mãezinha...e desculpa Mara, eu prometo que não volto a fazer o mesmo, prometo...

— Como se eu acreditasse nisso Dona Rute. Mas bem já que me conseguiste acordar e eu sei que já não vou conseguir adormecer, conta lá como foram as notas?

— Tu és pior que o pai, bolas...

— Porque para o pai se tu tirasses um 10 era o máximo...tu és a princesa dele e tudo o que faças para ele vai ser sempre uma maravilha. Por isso cabe-me a mim como tua irmã mais velha...

— E chata, muito chata...- diz Rute interrompendo a irmã...

— Como eu ia a dizer, cabe-me a mim como tua irmã mais velha fazer com que te esforces sempre.

— Ok, ok. Acaba lá com esse discurso. Notas: 20 a Filosofia, 18 a Português, 14 a Matemática e 14 a Português. Contente?

— Mais ou menos, tens que subir a Biologia e a Matemática. Mas não foi mau, quando é que recebes os que faltam?

— Mais ou menos, foi muito bom. E não sei quando vou receber os outros, não estou na cabeça dos professores para saber.

— Engraçadinha. E sim tens que subir a Matemática e a Biologia, eu posso ajudar-te se quiseres?

— Não, muito obrigado. Se precisar de ajuda peço aqui à croma...-diz abraçando-me...- Ela teve 19 a Matemática e 18 a Biologia, e só teve duas semanas para se pôr a par da matéria toda que demos em dois meses.

— A sério Madalena, os teus avós devem estar muito felizes por ti.- diz a mãe da Rute.

— Espera Madalena, tu és a miúda do hospital. — a irmã da Rute olha para mãe delas e trocam um olhar estranho, não percebi bem mas deixo para lá.

— É sou, mas a Rute está a exagerar, eu sempre consegui apanhar a matéria à primeira e nunca tive que estudar muito. Se bem que desta vez tive que me enterrar nos livros. E podemos fazer uma troca de favores Rute, eu ajudo-te na Matemática e na Biologia se tu me ajudares na Filosofia, nem sei para que é que existe uma disciplina destas.

— Porque nos ajuda a aprofundar os nossos maiores segredos e perceber que afinal nada é segredo...

E com esta saída da Rute iniciámos uma conversa sobre a importância da Filosofia na vida do dia-a-dia, no meio de muitas gargalhadas como não podia deixar de ser. Eu sentia-me bem, sentia-me em família de novo, era bom estar assim...como eu tinha saudades da MINHA FAMÍLIA.

Quando acabámos de jantar fomos as duas para a sala com o pai da Rute, ficamos apenas na conversa, falámos sobre futebol, música, política, religião...enfim nem sei dizer do que não falámos. De tanto me rir, senti a garganta seca, peço licença para ir beber um copo de cozinha e encaminho-me para a cozinha onde estão a mãe e a irmã de Rute a falar sobre algo que me deixa ainda mais intrigada sobre aquele que me salvou.

"- Mãe temos que avisá-lo, se ele chega e a vê, eu nem sei..."

"- Eu sei, quando a vi entrar com a Rute e com o teu pai...fiquei a tremer. Mas eu não podia impedir a tua irmã de a trazer. A Rute nunca em 14 anos trouxe alguém para casa, nunca a vi tão feliz por finalmente ter uma amiga."

"- Eu sei, ela está mesmo feliz. Sabes onde está o Diogo...- Diogo, o meu Príncipe chama-se Diogo. Para com isso Madalena, ele não é nada Teu"

"- Ele foi sair com o André, deve chegar tarde. Antes de me deitar mando-lhe mensagem para ele ir falar comigo antes de se deitar."

"- Ok. Eu vou deitar-me, amanhã tenho que acordar cedo. Boa Noite mãe."

"- Boa Noite filha!"

Corro de volta para a sala, não quero que ela percebam que ouvi a conversa. Porque é que ele não pode saber que eu cá estou, será que é por causa do beijo? Será que ele se arrependeu? Tenho que falar com ele, preciso de lhe dizer que eu me lembro dele, lembro-me do beijo, lembro-me das palavras dele "Minha Rainha, Minha Anja.", eu quero mais, eu quero muito mais que um beijo...