Caminhando entre os mortos 2

26 capitulo 26 - Cuidados e decisões


Notas iniciais
Oieee Mais um capitulo, espero que gostem. Sobre o tempo da fic, eu tinha dito que seria curta, talvez seja, mas não sei ainda, não consigo me despedir da Alice, simples assim, então vou escrevendo kkkkkkkkk

Pov – Daryl

Ela convida o perigo, se uma coisa vai dar errado então com certeza será com Alice, não importa onde, não importa como, sempre algo acontece com ela, sempre com ela, apenas para me deixar mortificado, com medo, sem forças para deixa-la um momento que seja.

Enquanto a carrego para casa ela chora, não sei porque, mas chora desconsolado e desconfio que está apenas fugindo de uma bronca.

─Se precisar de alguma coisa chama! – Beth me pede na soleira da porta. – Fica bem Alice! – Ela diz antes que entre com ela e feche a porta.

Levo Alice direto para o quarto, coloco ela no chão, começo a desabotoar suas roupas sujas de sangue.

─Para de chorar Alice, o que está doendo?

─Meu coração, estraguei minha lanterna. – Ela balança a lanterna suja de sangue, só então vejo que ainda segura aquilo.

─Me dá isso! – Tiro de sua mão, jogo no chão e consigo que chore mais. – Não estragou, deixa de ser louca, me ajuda, precisa se acalmar.

─Não estou nervosa, estou chorando! – Ela me avisa como se não pudesse notar.

Tiro suas roupas e a ajudo a se deitar, ela ainda chora, mas agora simplesmente não sei porque, passo a mão pelos cabelos, me deito com ela.

─Pode gritar comigo mais tarde?

─Posso, para de chorar para entender o que se passa, como posso ajudar se está chorando? Não pode ser por causa de uma lanterna.

─Estou chorando para não brigar comigo. E posso sim chorar por uma lanterna, choro pelo que quiser.

─Mal educada, chorar não muda, se quiser brigar brigo mesmo chorando e lanterna não é motivo coisa nenhuma.

─É um troglodita que grita com gravidas que choram e a lanterna é um símbolo, posso chorar por ela quando eu quiser.

─Eu não estou gritando com você – Grito com ela. – Já tem um anel no dedo, me fez usar um também, esse sim é um símbolo, aquilo é só uma lanterna!

─Está gritando sim, seu lunático! – Ela soluça, me arranca um sorriso. – Nem quer usar o anel, é um egoísta, e não fala da minha lanterna, ela vai ouvir e ficar magoada.

─Se parar de chorar faço cafuné. – Mudo a tática.

─É um lunático, egoísta, troglodita que apela! – Alice soluça mais uma vez. – Faz cafuné que paro de chorar.

─Para de chorar que eu faço.

─Tudo do seu jeito! – Ela respira fundo, uma, duas, três vezes para só então se acalmar. ─Pronto mandão Dixon, já parei de chorar!

Alice se deita em meu peito, afago seus cabelos e logo ela se acalma.

─Está tudo bem, não estou bravo, apenas culpado.

─Matou a mulher? – Ela pergunta sem me olhar.

─Claro que não.

─Então não tem culpa dela ter morrido.

─Eu os trouxe, sabia que ela não estava bem, mas não ia tocar na mulher para saber se tinha febre, achei que era apenas cansaço.

─Só me faltava sair por ai tocando em mulheres.

─Tem ciúme?

─Não tenho ciúme, tenho um machado, é bem diferente! – Acabo rindo, ela respira fundo mais uma vez, agora calma. – Ficou com medo do meu machado? – Ela ergue a cabeça para me olhar.

─Muito. – Minto com a cara mais séria que consigo.

─Ótimo! O Carl beijou na boca hoje.

─O que?

─O Carl beijou na boca hoje, que difícil, ser bonitão assim é um problema, a pessoa fica assim meio lenta!

─Porque você é bem feia não é?

─Sou a exceção. Minha mente é brilhante e ainda nasci linda, mas isso nunca acontece.

─Quem ele beijou?

─A Pam, que pergunta, quem acha que ele beijaria?

─Sei lá! A July?

─Nossa Daryl, como me conquistou em? Não entende nada de amor mesmo, a July é como irmã dele.

─Desculpe não me envolver na vida amorosa dos adolescentes.

─Desculpado. Eu me envolvo, mas é por uma boa causa, tenho que orientar todos eles.

Explodir numa gargalhada não é boa ideia, Alice me olha brava, depois volta a chorar.

─Nem me acha capaz de orienta-los, acha que serie uma péssima mãe, até ensinei ele a beijar.

─Desculpe Alice, é ótima orientadora de adolescentes.

─E mãe?

─A melhor mãe do mundo.

─Não está mentindo só para me agradar?

─De jeito nenhum.

─Ele pode se chamar Apocalipse?

─Não Alice! Meu Deus, que irritante.

─Tá! Já entendi! Que velho sem humor! Tomara que meu bebê puxe a mamãe e seja bem alegre.

─Imbecil você quer dizer. – Ela me morde, me afasto um pouco e acabamos por rir juntos. – Me conte. O que aconteceu na enfermaria?

─Entrei e estava vazia, andei por lá e quando me virei para sair porque Stacy não estava o zumbi me atacou, foi isso.

─Onde estava seu machado? – Ela aponta o chão do quarto. – O apocalipse não acabou Alice, não pode andar desarmada.

─Foi desatenção, apenas isso, não vou mais andar sem ele, achei que.... Sei lá o que achei, acho que apenas esqueci.

─Entendo. Sabe que não é mais apenas você? Que não sou onipresente?

─Sim. Eu me virei Daryl, pensei no meu bebê.

─Nosso.

─Pensei no nosso bebê, pensei em você. Não deu tempo de muita coisa, arrisquei até minha lanterna. Vai cuidar dela amor, atirou a pobre no chão.

─Se prometer dormir um pouco eu vou. Está com fome? Enjoo?

─Não, só cansada mesmo, você me fez chorar muito e chorar cansa.

─Eu fiz? Alice você não tem qualquer limite para sua cara de pau.

─Briga tanto comigo que já choro logo antes para evitar a bronca, me deixa dormir Daryl, nem me beijou de feliz que estou viva, não disse uma vez que me ama loucamente que sou uma delícia.

─Amo você maluca, se acontecer qualquer coisa com você eu nem sei... Não suporto pensar nisso.

Tomo seus lábios num longo beijo que confirma minhas palavras, mas logo me afasto, ela precisa de descanso no momento e quando começamos parar nunca está nos planos.

─Vou cuidar da lanterna, dorme um pouco, te acordo para jantar.

Ela faz bico, mas depois fecha os olhos aceitando as minhas ordens, resmunga, mas sempre faz o que quero.

Não demora para Alice pegar no sono, tem sido assim esses dias, gosto de todas as mudanças. Acompanho tudo de perto, atento a cada detalhe, eu a deixo na cama e pego a lanterna no chão, não está quebrada, agradeço com um suspiro de alivio. Ela me transformaria no monstro destruidor de símbolos se a porcaria tivesse quebrado.

Sigo para sala, limpo a lanterna e está de novo em perfeito estado. Uma batida na porta me desperta, sei que é Rick querendo saber de Alice.

─Entra! – A porta se abre, faço sinal e ele entra, nos sentamos no sofá.

─Como ela está?

─Bem. Como sempre, me deixando maluco.

─Ela sabe se defender, sempre se sai bem das encrencas, ela é forte.

─Muito, mas agora as coisas são diferentes, tem uma criança, quero ficar mais perto.

─Vai ficar, não precisa ir lá fora, sabe disso.

Afirmo apenas com um movimento de cabeça, me lembro da história de Carl, será que ele já sabe? Evito comentar, mas me sinto um traidor, de qualquer modo, cedo ou tarde ele descobre.

─Foi uma grande tolice não me informar sobre se tinha alguém mordido, podia ter sido pior, se uma das crianças entra lá antes de Alice...

Não termino a frase, a ideia me causa arrepios, Rick afirma com um movimento de cabeça.

─Conversei com eles, Peter parece ser um tipo de líder, eles estão nas ruas há um tempo, sabiam da mordida nas costas, mas acharam que se contassem não os receberíamos.

─Quem pode condena-los. Verificou o resto do grupo?

─Sim, estão bem, mais nenhum ferido. Vão ficar conosco, de qualquer modo deixei o grupo em alerta dia e noite e estão desarmados, mas acho que são boas pessoas, se desculparam pelo que aconteceu.

─Não sei se um pedido de desculpas é o bastante, se ela tinha uma mordida porque a deixaram sozinha para morrer?

─Foi apenas um descuido, Ana estava com ela, acabou saindo para avisar que a irmã estava no fim.

─E nesse meio tempo Alice entrou lá. Claro.

─Sasha quer ir em busca de pessoas, depois que chegaram com o grupo ela acha que pode fazer isso, Rosita e Abraham pensam em ir com ela.

─A Sasha? Achei que Michonne iria querer isso.

Rick desvia o olhar, escondo um sorriso, não sei se Alice está certa, talvez esteja mesmo acontecendo algo entre eles.

─Beth tem ficado mais distante da Judy, acho que a Mich está assumindo um pouco isso e... Bom, ela não falou sobre partir.

─Nem quer que ela vá. – Ele ergue uma sobrancelha, somos amigos e muito parecidos, mas o que mais temos em comum é essa dificuldade em falar de nós mesmo.

─Eu não sei se estou pronto para esse tipo de recomeço.

─Nunca vai estar se não tentar e eu sei que não sou a melhor pessoa para falar sobre isso, não fosse Alice eu estaria enfiado naquele buraco que vivia antes dela.

─Viver sob o mesmo teto influencia um pouco as coisas.

─Você a convidou.

─E não estou reclamando.

─Eu sei, mas acho que devia era falar com Maggie, Alice, elas serão melhores conselheiras.

─Sua mulher é uma alcoviteira. É isso que ela é, sei que anda de conluio com o Carl.

─Sim, ela está empenhada em unir vocês.

─Vou embora, deixei a Judy com a Beth e o Bruce, mas não quero atrapalhar os dois.

─Ele gosta dela, já notei isso, mas devia tornar as coisas mais oficiais não acha não?

─Michonne já me deu uma bronca por isso, reclamei e ela disse que não é da minha conta, então não falo mais nada. Mas isso não quer dizer que você e o Glenn não possam falar.

Rimos, Beth é meio como uma irmã mais nova para todos nós, talvez tenhamos a protegido e mimado demais, mas a garota merece.

Assim que Rick parte volto para o quarto, Alice ainda dormia e tem aquele rosto angelical tão doce que me lembra uma dessas princesas de contos de fadas infantis, mas claro que a impressão desaparece no minuto que acorda, por que então é como um furacão, cheia de vida e coragem, me deito com ela, no mesmo momento ela me procura na cama, se enrola em mim.

Minhas mãos vão para seus cabelos, tinha tanta resistência sobre cafuné e agora é tão automático.

Ela acorda, ergue o olhar e me sorri.

─Sonhei com a gente lá fora caçando, achei que estávamos lá.

─Acho que vai demorar um pouco.

─Não me importo amor, não mesmo, amo meu filho, quero o melhor para ele ou ela, quero fazer tudo direito.

─E vai, é muito responsável.

Alice explode em mais uma de suas gargalhadas, acabo rindo sem nem mesmo entender porque.

─Amor eu sei que me ama, mas também sei que não sou nem um pouco responsável.

─Não é mesmo, admito, mas me promete que vai ser?

─Prometo! Já pensou sobre o parto?

─Pensamos quando chegar a hora, uma coisa de cada vez. E acho que uma pistola é mais apropriado que o machado.

─Odeio arma de fogo Daryl.

─Mas daqui uns meses carregar um machado será incomodo, amanhã pego uma boa pistola para você.

─Sim senhor. Agora que tal começar a me beijar?

─Pode ser um bom jeito de terminar o dia.

─E começar a noite.

Pov – Beth

─Maggie, você e a Alice precisam parar com essa pressão, estamos indo aos poucos.

─Estão há dois meses se conhecendo, nem um pedido, nem uma situação mais intima, esse Bruce está é nos enrolando.

Acabo por rir, quando Maggie e Beth colocam uma coisa na cabeça ninguém as faz mudar.

─Ele sabe que tenho alguns traumas, está sendo gentil, prefiro assim.

A porta se abre e Alice entra com um largo sorriso, se senta na poltrona ao lado do sofá.

─Minha calça está apertada, acreditam que já tenho barriga? – Ela acaricia a pequena protuberância, me emociona. – Stacy acha que são quatro meses, disse que pareço bem.

─Ótimo, e está bem corada.

─Estou, conheceu as pessoas novas? – Ela me questiona.

─Sim. Sasha me apresentou todos, a comunidade cresce a cada dia.

─E Daryl fica mais maluco, agora tenho que andar com a pistola até quando estou em casa com os garotos.

─Já somos quase trinta pessoas Alice, algo sempre pode dar errado.

─Sempre. Bom só vim contar da calça apertada, vou lá com as crianças, é bom ter o que fazer.

Agora Alice cuida de cinco crianças e mais nossos garotos, claro que quando está entre eles fica tão misturada que ninguém, sabe quem cuida de quem, mas se distrai e isso já é grande coisa.

Maggie acompanha Alice e fico sozinha, decido dar uma volta pelas ruas.

Nem chego a varanda, assim que abro a porta dou de cara com Bruce e um buque de flores, aquilo é inusitado demais no meio de um apocalipse.

─Estavam tão lindas, achei que combinavam com você. Não resisti.

─Obrigada Bruce.

Indico a porta e ele entra, sigo logo depois dele, deixo as flores sobre a mesa, caminho para ele que me aguardava sorrindo.

Bruce me puxa pela cintura, me beija de leve, eu o abraço, trocamos mais um beijo, dessa vez mais demorado, depois o puxo pela mão e nos sentamos.

─O que vai fazer agora? – Pergunto e ele me abraça.

─Ficar um pouco com você, conversar e matar um pouco a saudade.

─Que bom.

─Beth... Vai haver uma missão, um grupo vai em busca de pessoas, alguns instrumentos medico, coisas importantes para o grupo, deve durar uns dias...

─E se ofereceu para ir?

─Daryl vai ficar, não pode deixar Alice. Eu me ofereci. – Eu me aconchego mais a ele. – Mas não queria ir sem antes acertar as coisas entre nós.

─Do que está falando? – O tema me preocupa, será que Bruce se cansou de me esperar?

─De compromisso, gosto mesmo de você Beth, de cada coisa em você, eu sei que não devia pedir isso agora, justo quando saio numa missão difícil e corro o risco de não voltar...

─Não diz isso! – Eu me aperto a ele.

─É um risco, vou me cuidar, mas pode acontecer, só quero... só quero mesmo saber que quando voltar....

─Vai voltar! – Eu o interrompo mais uma vez.

─Certo. Quando voltar, quero ter você comigo.

─Me tem com você Bruce, sabe muito bem disso.

─Gosto dos seus beijos, do carinho que trocamos, as pessoas sabem de nós, mas quero mais do que isso, para mim está claro que o que quero é você na minha vida, quero um compromisso. – Olho para ele, os olhos brilhantes. – Não devia ser tão egoísta, pedir isso quando estou de saída numa missão perigosa, mas...

─Quero isso Bruce, não é egoísmo, eu quero e estou certa sobre isso, eu te esperaria mesmo sem um compromisso.

─Posso dizer que é minha namorada? Não me acha atrevido?

─Acho você perfeito!

Ele me puxa para seus braços e nos beijamos longamente, me sinto mais livre que nunca, as coisas esquentam um pouco quando mesmo sem perceber colo meu corpo ao dele, os beijos se aprofundam.

─Ainda não. – Ele me afasta com delicadeza, fico um tanto confusa, talvez decepcionada. – Se continuarmos não vou parar Beth e...

─Me sinto pronta. – Respondo com o rosto afogueado, ansiosa, ao mesmo tempo tímida. Um sorriso grande se abre no rosto forte de Bruce, ele toca minhas marcas, beija cada uma delas.

─Parece um anjo, o meu anjo. Se começar jamais poderei sair nessa missão e depois... Não Beth, ainda não, quando eu voltar.

Aceito me sentindo envergonhada por insistir naquilo, me sinto talvez um pouco oferecida.

─Está tudo bem Beth. – Bruce me beija de modo leve. – Quero muito, mais do que pode sonhar, e gosto de saber que me deseja, será bom levar isso comigo, vai me fazer forte para voltar para você.

─Promete? – Meus olhos marejados, não quero nem pensar na hipótese de perde-lo, ficamos abraçados.

─Prometo anjo.

─Espere. – Me afasto dele. – Vou com vocês.

─Beth...

Me ponho de pé, firme, sou adulta, forte, venci o apocalipse e meu medo, me tornei capaz, não preciso e não quero me esconder atrás desses muros, se posso ir com ele porque vou ficar aqui choramingando feito uma viúva?

─Está decidido, eu vou nessa missão.

Notas finais
Gostaram? Comentem!!! Pessoas lindas!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! BEIJOS.