Caminhando entre os mortos 2

27 Capítulo 27 - Crescimento


Notas iniciais
Oi gente! Espero que gostem!

Pov – Beth

O carro trepida quando passa por sobre o cascalho, todos estão silenciosos e atentos, fixo meus olhos no vidro e observo a paisagem.

Foi difícil convencer minha família que estou pronta para as ruas, mas aqui estou e não posso decepcionar nenhum deles, preciso ter foco, prestar atenção a todos os pequenos detalhes e voltar inteira.

─No que está pensando? – Bruce toca minha coxa e depois volta a mão para o volante.

─Eu vou ficar atenta Bruce, não vão se arrepender de ter confiado em mim.

─Sei disso, claro que isso não quer dizer que me sinto confortável.

Reviro os olhos, Bruce foi quem mais lutou para me convencer, acho que ao meu lado só tive Michonne, nem Alice gostou da ideia, resmungou e fez todo tipo de pressão psicológica, mas conheço seus truques.

Passo minha mão por seus cabelos. Bruce sorri sem tirar os olhos da estrada. No banco de trás Sasha, Michonne e Abraham seguem silenciosos.

Passamos cinco horas na estrada sem parar, estamos longe o bastante de casa, poucos zumbis atravessam nosso caminho, mas tem sempre um pela estrada, ou meia dúzia deles, talvez mais, o carro atropela um deles e agora temos restos de zumbi pelo vidro.

A paisagem muda de cor, tudo fica um pouco vermelho sangue, lembra nossa vida.

─Vamos parar aqui? A cidade está logo a frente, podemos seguir a pé.

─Acho bom! – Michonne concorda com Bruce e ele estaciona no acostamento.

Descemos todos, o tempo todo atentos a estrada, Fico numa ponta e Sasha na outra enquanto o restante do grupo joga alguns galhos de árvores sobre o carro para camufla-lo um pouco.

─Não podemos perder o carro, temos muita estrada pela frente.

Caminhamos lado a lado por meia hora, a paisagem vai se transformando aos poucos e logo ganha ares de cidade com pequenas ruas e algum comércio, a princípio tudo parece bem, nada de zumbis ou pessoas, é como as cidades fantasmas dos filmes de faroeste, só o que se ouve são nossos passos.

Parece estranho caçar pessoas, muitas vezes sinto como se elas não existissem mais. Bruce ergue sua pistola quando um som diferente nos chama atenção, paramos olhando em direção ao som. Um gato sai de dentro de uma lata de lixo, corre para longe e soltamos o ar todos ao mesmo tempo.

Continuamos nosso caminho, as ruas vazias vão me deixando oprimida, um zumbi vira a esquina.

─Deixa comigo! – Abraham avisa apressando o passo de encontro a ele, acerta seu cérebro, depois retorna ao grupo, mais umas horas de caminhada pela cidade, mais zumbis e nenhum sinal de vida humana.

─Vamos achar um lugar para passar a noite, está escurecendo rápido.

─Entramos naquela loja ali, ainda está inteira, e tem uma saída lateral.

─Acho melhor, dá uma boa visão. – Mich concorda e seguimos em fila.

Bruce toma o cuidado de passar a minha frente, eu respiro fundo, quando me dou conta sou a última, ninguém nem mesmo tenta disfarçar que sou apenas alguém para se cuidar, quase como mais um peso.

Queria me sentir adulta e dona de minhas escolhas, mas só consigo me sentir uma menina mimada que bate o pé e consegue suas vontades a força.

O lugar está limpo, ao menos para mim, pulo dois corpos caídos um de cada lado da pequena loja de brinquedos, ela parece em bom estado, ninguém estava ou está interessado em brinquedos.

O grupo faz uma vistoria mais detalhada, Sasha se põe na janela de vigia, Bruce arrasta algumas estantes para a porta com a ajuda de Abe e eu apenas caminho por entre as prateleiras olhando as coisas sem pensar em nada.

Pego algumas peças infantis, penso em Judy e no bebê que cresce na barriga de Alice, coloco os brinquedos na mochila que carrego e depois me sento a espera do dia amanhecer, Bruce se senta ao meu lado, passa o braço em volta de mim.

─Desculpe Beth, não consigo evitar, muito rápido você se tornou a coisa mais importante para mim.

─Sei disso, desculpe, mas não posso evitar me sentir ridícula vindo nessa missão, não sirvo para nada.

─Está errada, se encontrarmos pessoas será muito importante, quem duvidaria de você? Está em suas mãos convence-los, olhe para os outros, para mim.

─O que tem isso?

─Somos ogros, com cara de poucos amigos, já você parece um anjo, quem duvidaria de sua força?

─Posso enganar muito bem, já fiz isso.

─O que só mostra mais sua força e importância.

─Está bem, vamos ver como as coisas funcionam. – Me encosto em seu peito e ficamos ali, todos silenciosos a espera da luz do dia mais uma vez.

No meio da madrugada ouvimos um zumbi arranhar a porta, ele deve ter sentido nossa presença, logo o número aumenta, nos preparamos para deixar a loja quando ainda nem estava claro, quanto mais zumbis mais barulho e logo o lugar acabaria cercado.

Silenciosos saímos pela janela lateral, caminhamos de volta para o carro, temos que desviar em algumas ruas, correr algumas vezes e mesmo derrubar zumbis, mas com Michonne entre nós o trabalho era sempre menor.

Sua espada era sempre muito eficaz.

Passamos dois dias andando de cidade em cidade, nada de humanos, apenas um gato, um cão raivoso no segundo dia e zumbis de todos os tipos em todos os lugares. Era hora de retornar, levaríamos mais um dia para voltar e nossa ideia era apenas três dias.

Deixamos a última cidade do começo da tarde, agora a água tinha acabado, a comida também e o combustível era contado até em casa, nenhum desvio seria permitido.

Antes de alcançarmos a saída da cidade onde nosso carro estava mais uma vez camuflado um pequeno grupo de zumbis surge saídos da floresta que beirava a estrada.

─Vamos voltar e sair pelo lado direito, duas ruas para frente vi um desvio. – Bruce é sempre cauteloso.

─Qual é Bruce, damos conta! – Abe resmunga puxando sua faca e seguindo para os mortos.

─Abe! – Mich reclama, mas ele ignora, tem aquele temperamento difícil que irrita um pouco, parece sempre pronto para problemas. – Merda!

Ela segue logo atrás dele, Sasha aponta a metralhadora com silenciador, derruba dois deles antes mesmo de nos aproximarmos, meu coração batia descompassado, Bruce me olha pedindo cuidado.

As coisas se complicam quando mais deles parecem surgir vindos dos dois lados da estrada, ficamos mais frenéticos, nos separando para nos proteger.

─Vamos sair daqui! – Bruce grita. – Corram, nos encontramos no carro.

Abro caminho empurrando corpos, chutando e acertando cérebros, escuto um grito, me viro a tempo de ver Abe ficar cercado, um zumbi morde seu braço quando todos corremos de volta.

─Sai daqui Beth! – Bruce consegue se preocupar mais comigo que com ele mesmo, ou Abe que recebe outra mordida, desta vez no abdômen, tento chegar até eles que já derrubavam boa parte dos zumbis e agora Bruce segurava Abe enquanto Sasha e Mich tentavam impedir mais alguns de se aproximar.

─Aqui! Aqui! – Grito para os zumbis, me lembro do brinquedo na mochila, sei que ele é barulhento, pego apressada, aperto muitas vezes. – Aqui!

─Beth não! – Como um exército bem treinado eles se voltam ao mesmo tempo, caminham em minha direção. – Sai daqui! Sai daqui!

─Vão! Encontro vocês!

Sem alternativa Bruce arrasta Abe para longe, começo a correr o mais rápido que posso, o ar sumindo de meus pulmões, viro uma rua e alguns deles desaparecem, mas outros surgem, o dia começava a chegar ao fim, no meio da escuridão seria mais difícil achar uma maneira de encontrar o grupo.

Entro numa pequena rua, é quase como um beco, parece limpo e me encosto na parede buscando ar, uma mão tampa minha boca, solto um grito que fica abafado, chuto o ar tentando me livrar, a faca balançando de um lado para outro em busca de uma maneira de ferir quem me prendia.

─Calma moça! – A voz é masculina, mas duas mulheres surgem na minha frente, me acalmo e a mão se afasta, um homem sai de trás de mim. Logo cinco pessoas me observavam.

Todos estavam sujos, magros e muito abatidos, de armas só podia ver algumas facas.

─Quer ajuda? – O homem mais velho pergunta.

─Estou bem, só descansando um pouco. – Olho em volta, o tempo passando rápido, Bruce vai ficar desesperado. – Preciso ir, onde estão? Vocês têm um lugar para ficar?

Eles se olham decidindo o que podiam dizer, se podiam confiar em mim.

─Está sozinha?

─Não quero fazer mal a vocês, apenas saber se estão bem, se precisam de ajuda.

─Como pode ajudar?

─Onde estão os outros? – Pergunto tentando saber se são apenas aquelas pessoas ou se mais deles ainda se escondem em algum lugar.

─Como sabe que tem mais gente? Andou nos seguindo? – Que gente despreparada, um zumbi começa a se aproximar, é hora de mostrar minha força, caminho para o zumbi fingindo coragem e despreocupação, chuto o corpo que cai desengonçado, piso em seu pescoço e cravo a faca em seu cérebro, depois me volto para eles muito séria.

─Quantos são e do que precisam? – Eu digo firme, eles se entreolham.

─Somos nove pessoas, entre elas duas crianças, elas estão em uma casa segura aqui perto.

─Estamos na estrada chegamos nessa cidade há dois dias.

─Olha eu não tenho muito tempo, preciso encontrar meu grupo, temos um lugar, podem vir comigo se quiserem, mas precisa ser agora.

─Para onde? Como podemos confiar?

─A questão é. Não podem, mas tudo é um risco, apostem ou fiquem, eu tenho que ir. – Não espero por uma resposta, penso em Abe, nos seus ferimentos terminais, penso no desespero de Bruce, não vão me esperar por muito mais tempo, se arriscarem vir atrás de mim podemos nos perder de vez.

Confio na prudência de Michonne e Sasha, elas vão segurar Bruce, aperto firme a faca na mão, cinco passos depois escuto a voz do homem que parecia ser o líder, foi ele quem tampou minha boca e o único a falar comigo.

─Espere! – Me volto. – Temos um carro e a casa fica a dois minutos daqui, é sua vez de confiar.

Ele estava certo, era minha vez de confiar é aceito isso, sou assim, confio, acredito, nem o Grady e tudo que passei lá me levaram a esperança.

─Vamos.

Acho que nenhum deles esperava por isso, depois de um segundo de confusão eles me apontam o caminho, corro com eles na frente, são fortes sinto que podem ser boas adições, estão vivos e isso já é sinal de força e sensatez.

Alguém entra na casa de esquina com arames na porta para avisar da chegada de zumbis, ao mesmo tempo o líder que nem me dei ao trabalho de saber o nome ligava um velho furgão, o restante do grupo sai carregando uma menina de pouco mais de cinco anos e um garotinho de colo, entramos todos e dou as coordenadas.

O carro arranca e simplesmente confio, não duvido nem por um segundo, o carro logo ganha velocidade e segue o caminho que indiquei, a noite chega junto conosco na beira da estrada, Bruce caminhava pela estrada de um lado para outro, vejo Abe estendido na estrada.

Sasha, Mich e Bruce apontam suas armas, os três na frente de Abe.

─Parem, não se preocupem eu desço primeiro e as armas serão baixadas.

Desço, Bruce me vê e amo assistir seu alivio, corro para seus braços, ele me aperta, meu coração aos pulos.

─Como está o Abe? – Pergunto assim que olho para onde ele estava deitado.

─Se foi Beth, não havia nada a ser feito, aceitamos tudo isso, quem são essas pessoas?

─Eu os encontrei, eles têm crianças, baixem as armas.

─Fez as perguntas? – Michonne questiona.

─Acho essas perguntas de vocês uma grande tolice, então façam vocês se quiserem e tomem como verdade as respostas se quiserem, eu mentiria sobre tudo se estivesse no lugar deles. – Olho para o carro e faço um sinal convidando todos, eles descem e me aproximo do corpo de Abe, sinto pena.

Penso em Rosita, ela vai ficar devastada, podia ter vindo junto e estar com ele em seu último momento, mas de novo fomos arrogantes achando que nada podia nos pegar.

Ele tem uma perfuração na têmpora, acabou para mais um de nós, sempre acaba e só quero aproveitar a chance que tenho de ainda estar viva.

─Vamos enterra-lo antes de partir.

Determino. Faço por Rosita, por todos que um dia tivemos que deixar para trás, eles me olham preocupados.

Michonne que entrevistava o grupo se vira para me olhar, era noite, mas me mantenho firme, sigo para o porta-malas do carro e abro decidida, retiro uma pá, Bruce caminha até mim.

─Beth, eu te entendo, mas onde...

─Terra não nos falta! – Aviso e ele me encara sem coragem de se negar, um dos homens do outro grupo caminha com uma pá na mão.

─Sou Frank, eu ajudo.

Bruce e Frank seguem para o acostamento, outros fazem a segurança enquanto eles cavam o mais rápido que podem, tiro uma coberta que levávamos no carro e cubro o corpo do ruivo com cara de desenho animado como Alice costumava chama-lo.

Depois do simbólico funeral pegamos a estrada, perdemos e ganhamos, é sempre assim, mas estamos voltando. Bruce beija minha mão.

─Sabia que você faria toda a diferença, sempre corajosa, sempre inteligente. Amo você Beth Greene.

Meu coração para de bater por um momento, depois volta com força total.

─Também te amo.

Pov – Daryl

A madeira está bem talhada como quis que ficasse, adoro o tempo que passo aqui confeccionando sozinho o berço que um dia será do meu filho, acho que sempre sonhei com isso.

Lixo a madeira mais uma vez, assopro para afastar a poeira, passo os dedos para sentir a textura, é meu pequeno que vai estar ali, precisa estar perfeito.

Às vezes me esqueço da vida ali, enquanto talho com minhas próprias mãos a cama do meu filho, claro que tem berços prontos em uma ou duas casas de nossa fortaleza, mas decidi que ele ou ela não carregariam o peso de dormir na cama de uma criança morta.

Sempre penso que outros pais um dia sonharam como eu e que tiveram de assistir seus sonhos desmoronarem no meio do fim do mundo, não quero olhar para o lugar mais sagrado de uma criança e pensar nessas coisas, não quero que Alice pense.

Continuo meu trabalho, tenho tido calma no trabalho, ainda falta bastante tempo e posso ser cuidadoso.

Ergo a cabeça quando escuto passos, Glenn cruza os braços se encostando na porta, dá um sorriso franco e devolvo com um meio sorriso.

─Desculpe Daryl, mas sempre fico impressionado com você assim.

─Eu também.

─E descobrimos um novo talento afinal, é um bom marceneiro.

─Acho que sempre quis fazer algo assim.

─E tem as motos também, você conserta tudo.

─Para um entregador de pizza não está tão mal também. – Glenn afirma, se aproxima tocando na madeira talhada já bem desenhada.

─Como chegamos tão longe?

─Ficamos juntos. – Respondo com toda certeza.

─É ficamos juntos, isso foi mesmo o jeito certo de fazer as coisas.

─Foi.

─Sasha está partindo mais uma vez, dessa vez o Frank e o John vão com ela e Rosita.

─As vezes acho que chega, temos cinquenta pessoas, não sei quanto mais podemos juntar antes de ficar difícil alimentar todos.

─Eu sei. Rick acha o mesmo.

─Alice já foi se despedir? – Pergunto soltando a lixa e limpando a mão. – Vou atrás dela, toda vez que alguém parte ela chora.

─Quem diria que teríamos uma Alice toda sensível.

─Cada dia mais maluca, pula das lágrimas para o riso num segundo, ainda me deixa completamente louco.

Seguimos os dois em direção ao portão, ainda parece faltar quatro meses, pelas contas de Stacy e com a ajuda de Janine, só posso agradecer Beth por ter nos trazido uma médica de verdade.

Logo avisto Alice acenando para o grupo que partia e o portão se fechando, ela se vira e como previ estava chorando.

─Amor! – Ela me abraça, beijos seus cabelos.

─Vem maluquinha, vamos para casa.

─Estou triste Daryl, acho que mereço cafuné.

Sorrio, claro que vou fazer, mas antes tenho por obrigação me fazer de difícil.

─Todo dia isso? Estou cansado Alice.

─E eu estou chorando, minhas amigas partiram para os perigos lá fora, mereço atenção.

─Amanhã quem sabe, se for boa menina.

Entramos, ela caminha para o quarto, sobe na cama com facilidade, a barriga linda ainda não é problema para ela, nem sei se um dia será, ela se arruma nos travesseiros.

─Ah! Lembrei! Eu estou grávida, mereço cafuné.

Como se fica sério depois disso? Acabo por rir e ela me mostra a língua.

─Agora se lembra disso?

─Sim. – Ela toca a barriga amo vê-la fazer isso. – Meu bebê acaba de dizer que o troglodita do pai dele devia me fazer um cafuné.

─Para de falar isso! – O bebê ainda vai acabar me chamando assim. Abraço Alice que se aconchega em meus braços.

─Então faz cafuné e depois podemos fazer sexo selvagem, quando eu parar de chorar é claro.

─Cala a boca Alice! – Que mulher maluca.

─Nossa! Que malvado! Eu querendo um carinho e recebo o que em troca, ingratidão e mais ingratidão.

Minha mão vai para seus cabelos, ela se enrola mais em mim, a mão descansa no ventre, há semanas ela pegou essa mania, além é claro de falar com a barriga como se tivesse o bebê nos braços, eu assisto sem participar muito disso, esses exageros ainda me assustam um pouco.

Tudo parecia tranquilo, ela relaxava em meus braços de olhos fechados quando do nada se senta num sobressalto.

─Mexeu! – Ela quase grita, me assusta com sua cara de espanto. – Olha isso! De novo! – Ela puxa minha mão para sua barriga. – Pelo amor de Deus como não vamos chama-lo de Alien? É igual.

─Não fala isso Alice! – A barriga está como sempre esteve, não percebo nenhuma diferença, aquilo deve ser coisa da cabeça dela.

─Se mexe ai bebê, mas vai com calma.

Então eu sinto um movimento, puxo a mão muito rápido, ela me olha.

─Viu idiota.

Minha mão volta para sua barriga redonda e bem desenhada.

─Isso é ele se movendo dentro de você?

─Sim. Que porra mais esquisita! Que medo!

─É bonito. – Me emociono, acaricio meu bebê, Alice se move, toca a barriga. – Fica quieta Alice! Deixa ele se mover.

─É porque não está na sua barriga, que louco! – Ela sorri, é meio maluquinha, mas está feliz, me beija de leve e o bebê volta a se mover. – Mas isso é alguma festa. Que tanto se move?

─Adorei ver isso.

─Viu bebê? Papai te ama e adora saber que se move, agora que tal me dar um tempinho, estou querendo fazer sexo selv... – Tampo sua boca.

─Não fica falando essas coisas com o bebê Alice, vai traumatizar ele antes de nascer.

Ela empurra minha mão, se contorce de tanto rir de mim, me deixa um pouco irritado com sua risada, mas adoro tudo nela, inclusive isso.

─Como se fala com ele então? Mostra ai papai sabe tudo.

─Eu? – Fico sem saber o que dizer, não consigo muito fazer isso, mas ela sorri, faz cara de mulher delicada que nunca me deixa dizer não. – Precisa dizer a ele que o ama, que está ansiosa a sua espera, essas coisas.

─Ansiosa porra nenhuma, por mim meu bebê morava ai dentro, já pensou por onde ele vai sair?

─Você não tem uma merda de um parafuso preso nessa cabeça oca.

─Eu sei, mas aqui estou. Uma mãe de família que nem marido oficial tem, devia casar comigo, o padre Gabi disse que era o certo.

─Ele não disse nada disso, só que me fazer passar vergonha na frente de todos.

Ela se ofende, dessa vez não é brincadeira. Sinto as lágrimas vindo e tudo ia tão bem, nunca aprendo, Alice me deixa sempre confuso.

─Casar comigo é uma vergonha? Muito obrigada Daryl, boa noite! – Ela se afasta de mim. – E se quiser dormir no seu sofá preferido fique a vontade.

─Ei, não tenho vergonha de você. – Puxo ela de volta, ela não oferece resistência, já sei que é só manha para me fazer de bobo mais uma vez, o pior é que sempre dá certo. – Amo você, é toda linda. – Ela não me olha, faz bico e encara o teto. – Acho você toda linda. Te amo loucamente.

─E apela que é uma beleza. – Ela evita o riso.

─Porque te amo? Isso é apelar? Acho você uma delícia.

─Mas não quer casar comigo.

─Casei com você lá na prisão, me lembro como se fosse hoje, fiz um pedido oficial, me obrigou a repeti-lo na frente de todos, te dei uma aliança e ainda uso uma.

─Tá, chega de briga, o bebê já dormiu, é hora do sex... – Calo Alice com um beijo, um longo beijo, aprendi a muito tempo que esse é o único jeito de não ouvir suas insanidades, além disso é o melhor jeito.

Notas finais
Gostaram? A fic começa a caminhar para o fim, vocês sabem né? Mas ainda vamos ter muitos momentos fofos e malucos. É muito dificil deixar Alice, não sei se consigo.