Caminhando entre os mortos 2
25 Capítulo 25 - Um novo amor, uma velha encrenca
Notas iniciais
Pov – Carl
─O que está fazendo sentada aí olhando para esse portão? – Pergunto a Alice e seu olhar tenso.
─O que acha que eu estou fazendo aqui sozinha sentada?
─Esperando o Daryl? – Ela afirma e sorrio. – Meio que faz cinco minutos que ele saiu, acho que vai demorar.
─Não me importo, assim que o portão abrir quero vê-lo.
─Ele não vai correr nenhum risco desnecessário, sabe disso.
─Todo o tempo estamos em risco Carl.
─Que acha de uma mão de pôquer? – Sei que isso sempre anima Alice.
─Só quando ele chegar, até lá eu vou apenas esperar por ele, e caprichar na cara de coitada quando ele chegar assim nunca mais ele sai sem mim.
─Isso é bem sua cara, meu pai está aqui, ele sabe disso, não vai deixar de ir lá fora.
─O Daryl acha que além dele só seu pai é capaz de cuidar de mim, só porque tenho medo dele. – Rio com gosto, ela sempre tem medo do meu pai e nunca vou entender como pode temer Rick e brincar com Daryl como se ele fosse um gatinho. – Já viu que seu pai é todo líder do grupo? Vai que ele briga?
─Ele briga sempre Alice, mas você não se importa.
─Porque o Daryl me protege. – Ela me dá um empurrãozinho no ombro. – Me conta ai as novidades, July ou Pam?
─Já vem você de novo com isso. – Meu olhar desvia do dela e sei que isso é péssima ideia, Alice me conhece melhor que qualquer pessoa.
─Beijar na boca é tão bom, devia tentar.
─Alice! – Ralho com ela que sorri e até que é bom vê-la sorrindo, Alice é só alegria e quando fica triste as coisas ficam fora do lugar no apocalipse.
─Arrisco dizer que July é como sua melhor amiga, mas Pam... – Sorrio porque claro que ela acertou. – Olhos brilhantes em! – Ela ri de mim. – Ficou corado! Vamos pergunte.
─Porra Alice, eu fico pensando se tomar um fora, como vai ser? Não tem para onde correr, me tranco em casa para sempre.
─Nunca tem Carl? Não pode fugir do que sente, mesmo que se afaste da pessoa.
─Como o Daryl te conquistou? – Ela suspira pensativa.
─Acho que nossa história não é muito padrão. A gente não tem costume de dizer coisas românticas, ser chamada de idiota, chata e maluca me conquistou, mas duvido que Pam continue falando com você se fizer isso.
─É talvez ela me odeie.
─Daryl me conquistou de muitos modos, quando eu cheguei estava abatida e você sabe, tinha perdido tudo e achava que ninguém nunca mais se preocuparia comigo e então eu pedi a ele uma lanterna.
─Se apaixonou por ele por causa dessa lanterna que não larga nunca?
─Não largo a lanterna porque me apaixonei por ele, e a lanterna é um símbolo. Quando eu não tinha nada ele me estendeu a mão, depois foi cuidando de mim, implicando, e sei lá, essas coisas são difíceis de compreender, elas acontecem.
─Eu acho que não sou correspondido.
─Acho que é. Quem não se sentiria apaixonada por esses lindos olhos azuis? E esse seu jeitinho carinhoso?
─E o que faço?
─Devia falar com ela, quem sabe não ficam um pouco sozinhos?
─A Stacy não tira os olhos da Pam.
─Claro, é mãe, acho que as mães fazem isso. Acho que eu vou fazer quando meu bebê nascer, cuidar para nunca ninguém machucar seus sentimentos.
─Você vai mesmo fazer isso.
─Voltando ao seu assunto, convide ela para uma volta e chame a July para mim, diga que quero companhia para esperar o Daryl.
─Isso é só para eu ficar sozinho com a Pam? – Ela afirma e acho boa ideia. ─Será que beijo ela?
─Se achar oportunidade, sim.
─O que faço com a língua? Nunca beijei. – Só tem mesmo Alice para eu perguntar algo assim.
─Na hora vai saber, mas o que importa é ser gentil e ir com calma.
Suspiro, não ajuda muito, mas ela tem razão, isso não deve ser coisa de técnica, então sem escolha eu deixo Alice.
Pam estava com July na casa de Beth, entro um tanto sem saber o que fazer, eu sempre fico normal perto delas, mas hoje minhas intensões são outras e por isso não consigo olhar direito para Pamela.
─Onde estava Carl? – Pam me pergunta e parece meio brava.
─Com a Alice, ela está sentada na porta esperando o Daryl voltar, achei que devia ficar um pouco com ela.
─Será que ela não quer uma partida de pôquer?
─Chamei Pam, ela não quis.
─faz uma semana que descobriu que vai ter um bebê e só quer o Daryl, está chata! – Pam reclama e July concorda.
─Ela te chamou July.
─Eu?
─Sim. – Troco um olhar com ela, July é bem esperta.
─Eu vou lá ficar com ela então.
─Vamos todos! – Pam dá uns passos com a intensão de seguir July, sem alternativa seguro seu braço.
─Espera... Acho que ela quer só a July, nós dois podíamos quem sabe dar uma volta?
─Isso! – July diz quando nos deixava. – Vejo vocês dois mais tarde.
Fico sozinho com Pam, ela sorri meio tímida e depois olha em volta sem saber o que fazer, assim como eu.
─Vamos andar um pouco? – Convido mais uma vez e ela afirma, saímos da casa, acho mais seguro, se Beth nos pega ali seria uma confusão, pior ainda se Stacy nos visse, vamos nos afastando das pessoas, entramos na pequena ruazinha lateral, é bom caminhar em segurança, mesmo que seja uma falsa segurança de meia dúzia de ruas fechadas por muros e cercas.
─O chapéu esconde seu rosto um pouco.
─Me acostumei com ele, ela do meu pai, uso faz tempo. – Toco o chapéu, paramos diante um do outro, acabo tirando ele da cabeça, nos olhamos e ela sorri mais uma vez.
Pam é uma garota bonita, mas não é isso que mais gosto nela, gosto de como ela parece inteligente, madura, de conversar com ela.
─Tem os olhos mais bonitos que já vi, devia deixar eles mais a mostra.
─Gosto mais dos seus Pam, parecem esconder coisas. – Digo a ela que se surpreende um pouco. – Sempre fico imaginando o que eles pensam sobre tudo.
─Minha mãe diz que tenho olhos curiosos.
─Lindo e vivos. – Dou um passo em sua direção. – Gosto de ficar perto de você, desde que cheguei aqui fico sempre esperando o tempo que vamos poder passar juntos.
─Eu também Carl.
─Acha que sua mãe deixaria nós dois começarmos um namoro? – Pam ri e fico confuso. – O que foi?
─Pensei que devia me perguntar antes se eu quero um namoro, não acha?
─Quer?
─O que? – Ela provoca, quer que diga todas as palavras e isso é tão constrangedor que não acho nada divertido, espero que o resto seja melhor que isso.
─Quer namorar comigo Pam?
─Sim! – Ela me diz.
Acho que é a hora de tentar o beijo, meu coração dispara muito mais por medo que qualquer outra coisa. Então ela sorri e me encho de coragem.
Dou uns passos em sua direção, minha mão toca seu braço, ela me olha um instante e depois fecha os olhos, faço o mesmo e então toco seus lábios com os meus.
São macios, gosto do toque, não me afasto e então ela abre um pouco os lábios, parece um convite e sem resistir movo minha língua, sinto o toque da sua língua na minha, nos aproximamos mais e eu a abraço, o beijo fica longo e adoro a sensação de ter Pam em meus braços.
Nos afastamos meio tímidos, os olhos dela brilham e a acho ainda mais bonita.
─Carl não vamos contar nada ainda, tenho medo da minha mãe não gostar, espere uns dias.
─Certo, apenas Alice e July.
─Ótimo. Acho que temos que voltar, minha mãe vai sentir nossa falta.
─Posso te beijar mais uma vez antes de irmos?
─Acho boa ideia.
Ela passa os braços por meus ombros e então voltamos a nos beijar, agora que não estamos mais tão tímidos é ainda melhor.
─Vem Carl, não é boa ideia ficarmos muito sozinhos.
Seguro sua mão e caminhamos um tempo assim, de mãos dadas, vez por outra trocando olhares, nos juntamos a Alice e July, as duas trocam um olhar quando nos veem, agora de mãos separadas.
─O que rolou? – Alice questiona.
─Beijaram? ─ July brinca nos deixando com os rostos vermelhos e trocando olhares.
─Foi bom? ─ Dessa vez é Alice que questiona. – Soube o que fazer com a língua?
─Será que podem cuidar da vida de vocês? Que intrometidas.
─Pam eu vou ter um bebê, não briga comigo, e preciso saber de tudo, estou aqui sofrendo com meu marido lá fora e nem querem me alegrar contando as novidades.
─Alice você é tão cara de pau que me dá medo às vezes. – Brinco com ela que dá um tapa no meu chapéu. – Foi tudo bem, a gente quer guardar segredo um tempo porque a Stacy é muito brava.
─Então soube o que fazer com a Língua? – Ela diz rindo e acabamos todo por rir.
─Sim, ele soube exatamente o que fazer com a língua! – Pam responde por mim e depois paramos de nos olhar, um com vergonha do outro.
O desconforto não dura muito, logo Alice e July mudam o assunto e tudo passa, menos a tensão de Alice, sinto até um pouco de pena, ela morde o lábio e encara o portão dia e noite.
Começa uma movimentação no portão, Alice fica de pé e por dentro rezo para Daryl estar entre o grupo, nem sei o que seria se ele não voltasse.
As coisas ficam tensas, Sasha é a primeira a entrar, depois dela vem Daryl, ele trás com ele um pequeno grupo, quatro pessoas, detesto aquilo, gente estranha é sempre um problema, em seguida o resto se aproxima.
Meu pai segue ao encontro deles, Daryl larga tudo e segue correndo para Alice, mas eu me concentro em entender o que se passa, me junto ao meu pai.
─Encontramos com essas pessoas. Estavam perdidos e famintos.
Glenn explica, são dois homens e duas mulheres, as duas mulheres parecem irmãs, um dos homens é bem mais velho, lembra um pouco Hershel.
─Fez as perguntas? – Meu pai pergunta e Glenn afirma, os quatro pareciam muito abatidos, meio como nós quando chegamos aqui, uma das mulheres era apoiada pela outra, parecia doente.
─Fiz, eles precisam de ajuda, nós também precisamos, Daryl concordou em traze-los. – Glenn olha em volta, mas Daryl não estava mais.
─Revistaram? – Meu pai insiste. Quais as chances de Daryl trazer desconhecidos para perto de Alice sem revista-los antes? Glenn afirma, meu pai olha para os quatro. – Podem ficar, mas será nos nossos termos, ou podemos dar comida, água e podem partir.
O grupo está cansado demais para retrucar, e meu pai decide acolhe-los.
Ele me olha sabendo que isso me incomoda, enquanto as pessoas caminham para dentro com o grupo ele me encara firme.
─Precisamos de pessoas, eu sei, mas sempre dá algo errado, não gosto.
─Vamos ficar de olho, todos nós. – Ele toca meu ombro. – Inclusive você.
Pov – Alice
─Ficou bem? – Daryl me pergunta quando me afasto dele depois de um longo abraço e um beijo longo.
─Não, morri de saudade e medo, não vai mais por favor!
─Estou aqui Alice, correu tudo bem.
Caminhamos para dentro de casa, sinto dor nas costas de tanto que fiquei sentada a espera dele. Sigo direto para o quarto, me deito e ele faz o mesmo.
─Essas pessoas que achou, como foi?
─Estavam em perigo, acabamos ajudando eles e trouxemos.
─Sentiu minha falta lá fora? – Eu pergunto quando ele me envolve em seus braços.
─O tempo todo Alice, sabe que só pensei em você aqui.
─Porque me ama muito?
─Porque só faz merda e fiquei pensando que merda devia estar fazendo.
─Fiquei o tempo todo sentada te esperando, foi chato e me deu dor nas costas, devia me amar loucamente só por isso.
─Amo você Alice, muito, sabe disso.
─Vai amar nosso bebê?
Daryl me afasta um momento, o olhar é firme, ele me acaricia o rosto, me dá um beijo leve.
─Eu já amo Alice, não sei o sexo, a aparência, mas amo, assim como você, não quero que tenha nenhuma dúvida disso.
─Ioda! – Digo a ele que me olha com rugas na testa. – Mestre Ioda, do filme, se lembra, os garotos gostaram é um bom nome.
─Cala a boca, já disse que não vai escolher o nome, só arruma esses nomes estúpidos!
─Minha vida é uma chatice, o que posso fazer? Fico pensando em nomes, achei uns nomes de desenhos, outros de filmes, tem nomes de celebridades.
─Mesmo assim, esquece, não vai escolher.
─Seu nome é Daryl, seu irmão se chamava Merle, quer dizer, sua mãe não era assim a melhor pessoa para escolher nomes e está ai, inteiro.
─E quer que desconte no meu filho deixando você escolher?
Acabo rindo, ele me beija, depois me olha.
─Eu te amo, está diferente, todo dia percebo isso.
Faço bico, ganho um beijo, depois outro e quando me dou conta estamos perdidos um no outro, esqueço da dor nas costas, só quero sentir Daryl, meu coração fora do ritmo e o calor do seu toque.
─Gosta de mulheres gordas ou magras? – Pergunto um tempo depois enquanto descansava em seus braços.
─Gosto de você.
─Gosta de mim gorda ou magra?
─Alice, eu sei o que está tentando saber, sua aparência não importa, sei que seu corpo vai mudar, vamos viver isso sem dramas, não muda nada como te amo, e gorda não é bem a palavra, gravida se encaixa melhor. – Ele é tão perfeito, sinto vontade de chorar, meus olhos marejam. – E vamos ser honestos, não tem como piorar?
Ele ri do meu espanto, ganha um tapa e acabo rindo também, gosto disso, de como ele me faz rir, de como pode brincar com tudo e ainda ser romântico.
─Troglodita.
─Idiota! Ioda? Que absurdo!
─Chato, possessivo, tudo é seu, eu sou sua o filho é seu, nunca decido nada, tudo do jeito Daryl, sempre do jeito Daryl, nunca do jeito Alice.
─Não começa a apelar! – Ele me beija e me aconchego mais a ele, a tarde chegando ao fim.
Meu estômago resmunga, não é fome, só um enjoo chato, um tipo de queimação.
─Amor acho que vou lá na enfermaria perguntar a Stacy o que é bom para enjoo.
─De novo isso?
─É, isso é seu filho, ele que está fazendo isso comigo, o pequeno monstrinho e nem posso chama-lo de Alien?
─Alice se fizer isso... – Ele me olha. – É sua cara começar a chama-lo assim.
─Não vou! – Reclamo. – Mas devia. – Rio de sua cara amarrada. Tento me levantar, ele me segura.
─Não senhora, espere, eu me levanto e depois você se levanta.
─Eu não vou cair.
─Onde estava ontem quando acordei?
─No chão! –Respondo de muito má vontade, ele se ergue e me ajuda a ficar de pé, me visto, calço os sapatos que ele mesmo encontra. – Os duendes não respeitam nem você, já reparou?
─Vai logo ver a Stacy, eu vou falar com o Rick.
Saímos de mãos dadas, me lembro do tempo que segurar minha mão parecia a morte para ele.
Eles ficam na porta da enfermaria conversando enquanto entro em busca de Stacy, a enfermaria parece vazia.
─Stacy? Stacy! – Ando pela primeira sala e nada dela, abro a porta do quarto que preparamos para os doentes, está vazio quando entro, suspiro, ela deve estar em casa.
Me viro para voltar para porta, antes de ver eu escuto, o gruído me deixa em alerta, dou um passo para trás um segundo antes daquela coisa me alcançar, procuro qualquer coisa para me defender, estou sem armas.
Seguro o pescoço da coisa, seus braços tentando me alcançar, junto forças para empurra-lo, ele dá uns passos para trás, mas logo volta, tento achar algo para acerta-lo, mas preciso mais uma vez segurar aquele corpo que tenta me pegar, os cabelos compridos da zumbi cobrem seu rosto, acabamos por cair, ela por cima, enquanto tento me livrar dela e caçar um objeto para me defender me lembro da lanterna presa a cintura, puxo com dificuldade enquanto a mantenho o mais longe possível, acerto a lanterna em seu crânio, estou cansada demais para ter resultado e repito o movimento, meus braços doendo pelo esforço, só na terceira vez o metal afunda seu cérebro.
O Sangue jorra por sobre mim e sinto ainda mais enjoo, saio de baixo do corpo, minhas roupas ensanguentadas, me sinto esgotada, pego minha lanterna caída ao lado do corpo e caminho para fora daquele lugar.
Daryl e Rick conversavam, os dois me olham de pé na varanda, descabelada e suja de sangue, os dois correm em minha direção, sei tudo que vou ouvir, mas no momento só quero um abraço.
─A mulher... a que chegou, ela era um zumbi.
─Está mordida? Ferida! – Daryl tremia, os olhos escuros, o rosto pálido, sinto sua preocupação, nego com a cabeça sem forças para falar muito, a lanterna firme na minha mão.
─Daryl vê se minha lanterna está inteira? Aquela vaca me atacou e tive que usar minha lanterna.
─Esquece isso Alice. – Rick já tinha nos deixado, estava dentro da enfermaria vasculhando tudo, um grupo de pessoas corria em nossa direção preocupados, minhas pernas fraquejam, Daryl percebe por que me ergue em seus braços. – Vem, vou te levar para casa.
─Passou. Ao menos isso.
─O que?
─A porra do enjoo passou, pelo menos isso.
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