Caminhando entre os mortos 2
23 Capítulo 23 - Surto
Notas iniciais
Pov – Alice
─Xingar? Acha que é isso que quero? Se lembra do que fez só hoje? Não vamos muito longe, vamos focar em hoje.
─Daryl eu salvei minha vida, não seja malvado. – Ele não para de andar de um lado para outro, me deixa tensa e ao mesmo tempo me diverte.
─Salvou? Você tinha uma arma na cabeça! – Ele grita apontando a própria cabeça com a mão como se fosse uma arma. – Eu sei, um tiro não faria a menor diferença, afinal o que existe aí dentro além de vento?
─Eu sou brilhante, e não tive culpa nenhuma.
─Quando penso em tudo que pode aprontar, nos perigos a nossa volta, nas ideias estúpidas que essa sua mente insana vai criar!
─Você está ridículo andando de um lado para outro gritando feito um idiota.
Acho bom avisar, só por camaradagem mesmo, porque Daryl não se importa de ser ridículo e continua a gritar feito um maluco.
─Acha que eu não sei disso?
─Então deixa de chilique!
─Garota infernal!
─Daryl...
─Vou trancar você aqui, é isso que vou fazer, não vai mais sair lá fora, nem na varanda, vou... Vou te amarrar na cama, é isso que vou fazer.
─Está sendo mal comigo. – As coisas começam a me chatear, não sou idiota, amo meu bebê e não vou fazer nada que possa machuca-lo, mas ele não me escuta.
─Amo você sua idiota, maluca. Estou cuidando de você!
─Gritando desse jeito? Sendo mal e sem um pingo de carinho.
─Não começa! – Ele alerta, suspiro, prendo um pouco a respiração porque começo a sentir vontade de chorar. – Vou pagar os garotos para passar o dia aqui, sentada numa mesa de pôquer, quem sabe assim você consegue não se meter em encrenca.
─Eu não me meto em encrenca, a encrenca que se mete comigo! – Digo de braços cruzados sentada na cama prendendo o choro que o imbecil troglodita nem nota.
─Luta épica com zumbi, refém setecentas vezes, a lista só começa.
─Para de falar assim comigo! – As lagrimas me dominam. – Amo meu bebê e não vou fazer nada errado seu troglodita lunático!
A crise de choro vem com tudo, lagrimas e soluços que ele parece começar a perceber. Daryl para de andar de um lado para outro, encara meu rosto e me olha firme.
─Isso é real ou é um de seus dramas?
─Os dois! – Aviso, e ele me sorri, seu rosto suaviza.
Sem resistir ele caminha para mim, volta para cama e me abraça.
─Me acha mesmo essa idiota que faz mal ao próprio filho por pura imprudência?
─Não! – Ele responde mentindo claramente quando me aperta em seus braços, nós dois sabemos que ele está mentindo, nenhum dos dois se importa com isso.
─Ainda me ama loucamente ou já passou um pouco
─Não vai passar nunca sua ridícula, isso não tem nada a ver com você e esse seu jeito infernal de me provocar.
─Adoro que sempre me elogia. — Ele ri mesmo com minha cara de choro, seca as minhas lagrimas, me beija.
─As coisas bateram em cheio do nada, desculpe Alice, foi um surto eu sei, mas pensei na segurança, nos cuidados que vamos ter de agora em diante e me apavorei.
─Porque é ridículo! – Faço bico, ele me beija, mas continuo de bico, agora ele bem vai ver como posso ser manhosa, assim vai aprender a não duvidar de mim.
─E você idiota! O que acha que pensei quando te imaginei com aquela barriga enorme andando de moto pela vila? Sinto falta de ar só de pensar. – Ele se exalta mais uma vez.
Barriga? Ele disse barriga? Minha barriga vai crescer é isso que ele está dizendo, penso em minha irmã, nas duas vezes que ficou gravida, na barriga, nos meus sobrinhos se movendo dentro dela, no parto.
Salto da cama, agora sou eu quem caminha de um lado para outro.
─O que foi?
─Barriga Daryl Dixon, ele vai crescer aqui dentro! – Grito, os passos de um lado para outro. – Porra, porra! Cacete! Cacete!
─Calma Alice.
─Calma Alice? Devia ter pedido calma para esses seus espermatozoides apressados!
─Alice! – Ele fica tímido, agora fica tímido, agora é tarde.
─O que? Acredita em cegonhas agora?
─Quer parar com isso?
Continuo a andar de um lado para outro. Bebês entram, mas depois saem, toco a barriga, não acredito nisso.
─Assistiu Alien? Aquela coisa dentro da Sigourney Weaver. Abrindo a barriga dela daquele jeito?
─Não fala assim do bebê Alice.
─Ele vai sair!
─Espero que sim, quer que viva ai para sempre? – Ele ri de mim.
─Ri bastante palhaço! Ele vai ter que sair um dia. E já viu o tamanho de um bebê? Porra acabou a brincadeira.
─Se acalma, vai ficar tudo bem.
─Eu atrapalhei o seu chilique? Não. Então me deixa porra! Que ideia estúpida, que ideia infeliz! Desculpe bebê, mas a gente vai ter que falar sobre isso.
─Vem aqui Alice.
─Me deixa Daryl! – Continuo meu andar, daqui a pouco vou parecer uma pata gorda andando, me lembro de rir loucamente da minha irmã. – Está se divertindo? – Olho para o teto.
─Com quem está falado agora?
─Eu estou falando com a minha irmã, aposto que ela está rindo de mim agora.
─Alice.
─E quando ele começar a se mexer, sabia que fazem isso? Porra! Eles se movem dentro da gente, pequenos diabólicos.
Daryl se levanta, vem até mim, me abraça, encosto em seu peito.
─Vem deitar vem, tudo vai ficar bem. – Ele me beija. – Aposto que quer um cafuné.
Ai a coisa muda de figura, claro que quero, quando não quero, abro meu melhor sorriso, ele me leva no colo para cama, me arruma em seu peito, ficamos em silencio.
Será que vai ser menina ou menino? Com quem vai se parecer? Sorrio com a ideia de ter um bebê em meus braços, penso em Daryl, em tudo que ele viveu, nunca teve uma família, carinho, cuidado, a mãe dele não ligava a mínima para ele.
Depois desse meu pequeno ataque deve estar com a cabeça cheia de coisas, achando que não quero meu bebê, que ele vai sofrer tudo que ele sofreu, sou mesmo uma cabeça de vento como ele diz.
Me movo para poder olhar para ele, Daryl para o cafuné e me encara, sinto uma pequena angustia no fundo do seu olhar.
─Amo meu bebê. – Procuro ser bem firme. – Amo meu bebê mais do que amo você. Se me dissesse para escolher, escolheria ele sem pestanejar. Entende isso? Acredita nisso?
─É o que mais quero Alice, que ame essa criança mais do que tudo e todos.
─Eu amo. Mas temos que pensar em nomes. Tenho muitas ideias.
Daryl sorri, é um sorriso novo, não conhecia e meu coração dispara feito um louco, me arrasto até ele e beijo Daryl longamente. Depois me recosto mais uma vez em seu peito.
─Pode voltar a fazer cafuné. – Ele obedece prontamente. Viu bebê quantas vantagens? ─É o apocalipse amor, temos que escolher um bom nome.
─Sim.
─Alien é bom, serve para menino e menina.
─Idiota!
─Não gostou? E apocalipse? Eu gosto.
─Ridícula!
─É sério, ele pode ter qualquer nome e vai arrumar um nome comum feito a Judith?
─É o mínimo que espero.
─Nem pensar. Que tal rainha Elizabeth?
─Está proibida de escolher o nome do meu filho! Nem vem dar uma de louca! Eu vou escolher.
─Cala a boca que o filho é meu também. Vamos misturar nossos nomes? Darlice? Aryl?
─Não! Já disse. A pobre criança não tem sorte mesmo.
─Malvado. Já parou de fazer cafuné e tudo, é muito egoísta.
Ele volta a mexer em meus cabelos. Suspiro, estou feliz, com medo, mas muito feliz, Beth e Maggie vão adorar.
─Aquelas duas vacas Greenes já sabiam! – Me movo para olhar para ele mais uma vez.
─Acha?
─Outro dia, não sei quando, talvez ontem, esse negócio de tempo não é muito importante, estávamos arrastando uma mesa e elas não me deixaram pegar peso.
─Pode ser. Que bom que elas cuidaram de você.
─Você é meio burro né? Nem percebeu nada!
─E você? Cara de pau.
─Amor, vai cuidar de mim?
─Sempre faço isso.
─Vai se divertir um monte e eu não.
─Onde vou me divertir? Parece louca.
─Se morrer lá fora eu te mato! Vou morrer de preocupação, não gosto disso.
─Acha que vou adorar sair lá fora sabendo que está aqui se metendo em todo tipo de confusão?
─Já falamos sobre isso, sou inocente!
─Eu sei disso. Um anjo!
─Já sei. Me leva junto e fica cuidando de mim, eu te obedeço e respeito as regras, quer que eu cite a lista, decorei, vai amor, deixa?
─Nunca! Jamais, nem pense nisso, nunca!
─Repetitivo, estou dizendo, um chato.
─Quando respeitou as regras? Quando foi que os zumbis respeitaram?
─Isso é problema deles, sabe como são egoístas.
Ele me beija mais uma vez, os beijos de Daryl sempre me deixam tonta.
─Amor acha que podemos fazer sexo selvagem? – Agora noto a alegria estampada na cara de idiota se esvaindo.
─Acha que não? Nunca pensei sobre isso, nunca pensei sobre filhos. Alice essa vida que estamos tendo aqui nunca me passou pela cabeça.
─Já venho amor! – Me levanto apressada, nem pensar ficar sem saber sobre isso, homem burro esse que eu arrumei, nem lembrou de perguntar.
─Onde vai Alice, me espera! – Ele resmunga se levantando.
─Vou na Stacy perguntar sobre sexo. Não sei porque nunca me interessei em perguntar isso para minha irmã.
─Não vai na Stacy a essa hora para perguntar algo assim.
─Pode apostar que vou. Quer ficar sem tocar meu corpo delicia?
Ele se cala, me arranca risos.
─Vai ficar ai?
─Nunca que vou bater na porta da mulher com você, de jeito nenhum.
─Já venho então.
Ele me segue até a porta, fica me olhando caminhar na noite escura, felizmente tenho minha lanterna linda que guia meu caminho.
Bato na porta e espero, bato mais uma vez, esperar é chato. Escuto passos.
─Finalmente! – Digo quando Stacy surge na porta com cara de sono.
─Cadê o Daryl? O que aconteceu? Está se sentindo mal?
─Eu que faço as perguntas aqui. – Ela ergue a sobrancelha. – Posso ter vida sexual? Diga que sim por favor!
─Pode! – Solto o ar mais tranquila.
─Que alivio, imagina ter que dizer não para aquele homem perfeito que tenho em casa? – Stacy ri, as pessoas riem de mim, não tenho a menor credibilidade nesse grupo. – Tchau.
Caminho de volta, quem sabe como mãe as pessoas passem a me levar mais a sério?
Daryl vem ao meu encontro, o ar sério, seguro sua mão até em casa, ele vai apagando as velas até chegarmos no quarto.
─Vai dizer ou não? – Faço cara de coitada, ele merece um sustinho. – Podemos esperar, são uns meses apenas.
Sorrio, tiro os sapatos, eles voam para longe, Daryl se senta na cama engolindo em seco quando sem desviar os olhos dele começo a desabotoar a blusa. Passo a língua nos lábios de modo sensual.
─Alice isso não ajuda.
─Disse que tudo bem esperar! – Atiro a blusa para ele. Os seios ficam livres, então começo a desabotoar o jeans, desço o zíper lentamente. – Está calor hoje, não acha?
─Acho... acho que... Acho que devíamos dormir. – Ele se ergue sem saber o que fazer. – Eu vou... – Empurro Daryl de volta para a cama. – É sério Alice, essa brincadeira...
─Amor, eu estou apenas tirando a roupa, quantas vezes me viu fazer isso? – A calça cai e sobra apenas a calcinha.
─Chega! – Ele diz assustado, começo a rir. Nunca consigo aguentar muito tempo, tento andar até ele, tropeço na calça ainda presa na canela.
─Cacete! – Ele me segura.
─Idiota! – Daryl me põe sentada na cama, rimos os dois enquanto ele termina de tirar minha calça. Me arrasto para o centro da cama e ele vem junto. – Linda! E malvada.
─Chega de conversa Dixon, é hora de ação. – Ele toma meus lábios, nada mais importa, pertenço a Daryl, ele é meu e adoro quando seu corpo pesa sobre o meu, quando estamos assim, tudo é permitido, pleno e perfeito. – Está muito vestido, não sei se reparou, mas está destoando do ambiente.
─Ela disse mesmo que sim?
─Disse!
─Te amo garota infernal.
─Melhor me mostrar isso.
Durmo em seus braços, agarrada a ele como nunca fiz antes, estou sempre me apaixonando por ele de novo e de novo, pela manhã quando abro os olhos ele dormia tranquilo, o rosto perfeito parecia suave.
Vou ser uma boa mãe, por mim e por ele, para Daryl saber que seu filho terá melhor sorte que ele, vamos juntos terminar de consertar o passado.
Penso em Maggie e Beth, as duas devem estar ávidas por notícias, Beth ainda tem que me contar essa história de beijo. Daryl dorme tranquilo e decido deixa-lo descansar. Vou ver as irmãs Greene.
Passo por cima dele, no momento que passava minha perna por cima da dele, Daryl se move, toda vez ele faz isso, me enrosco nele, o chão me convida mais uma vez e ele pula de susto quando me estabaco.
─Não acredito que está ai! – Ele quase grita. Passa as mãos pelos cabelos nervoso, salta da cama quando me levantava. Dessa vez nada de rir de mim e me chamar de idiota. – Machucou? Está bem? Senta um pouco! Não pode mais fazer isso! Porque diabos não sai pelo seu lado da cama como todos os seres humanos pensantes da face da terra?
─Porque não tem graça! Porque nem tem mais tantos seres humanos pensantes na face da terra.
─Porque está no meio termo entre um zumbi e um humano!
─Agora apelou Daryl Dixon! – Me levanto, melhor começar eu a apelar antes que ele comece a gritar comigo para sempre e estou cheia de pressa. – Adora me magoar, pobre mulher grávida sensível e achincalhada!
─Meu Deus do céu Alice! Você não tem dignidade? Para de ser dramática e apelativa!
─Posso ir contar para Beth que vou ter um bebê e depois continua a gritar comigo? – Ele me puxa para ele, me beija carinhoso, afasta meus cabelos do rosto.
─Eu sabia que andava mais bonita que nunca, mas não sabia porquê. Amo você e tudo vai dar certo. Desculpe gritar com você, vou tentar evitar isso, prometo me controlar.
─Nem vem ficar o tempo todo bonzinho comigo que vamos ficar bem chatos. ─ Beijo Daryl, depois me abaixo para caçar meus sapatos. ─Malditos duendes.
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