Caminhando entre os mortos 2

24 Capitulo 24 - Gravidez


Notas iniciais
Oi gente! Mais um capitulo. era para ter postado antes, mas tive um dia cheio de visitas. Amanhã respondo todos os cometários, desculpe não ter respondido, mas estava querendo escrever o capitulo.

Pov – Beth

Bato na porta um tanto confusa, não é como se estivéssemos namorando, não sei o que ele pensa se me vir ali, batendo em sua porta quando o dia mal amanheceu.

Percebo pelo caminhar que está mancando, a porta se abre e sei que estou vermelho feito um tomate, não devia ter vindo, que coisa ridícula.

─Beth? – Ele me olha surpreso, não ajuda em nada a me sentir menos ridícula.

─Fiquei preocupada. – Estendo a caneca com chá quente. – Trouxe uma xicara de chá para você e vim trocar seu curativo.

─Entre. – Ele pega a xicara de minha mão e me dá espaço.

Bruce manca até a poltrona que tem no quarto, nunca tinha estado aqui antes, é apenas um quarto com banheiro, sorrio completamente sem graça.

─Senta.

─Posso fazer isso Beth. – Ele diz obedecendo, me sento no chão e puxo a barra da calça. – Se lembra que sou veterinário?

─Sim. Acontece que está num lugar difícil, eu faço isso, pode confiar.

Ele fica calado, com destreza troco seu curativo, não demora mais do que cinco minutos, depois fico de pé.

─Está indo bem, logo não vai ter mais do que uma pequena marca. Melhor eu ir.

Bruce ri, me deixa mais sem graça ainda. Não sei que foi que vim fazer aqui e nem o que provoca seu riso.

─O que está achando tão divertido?

─Você, toda sem graça, linda e corada, decidida a partir sem ao menos um beijo, fico pensando se te puxar agora e beijar você o que vai fazer?

─Vai ter que descobrir. – Eu disse em voz alta? Fico mais corada ainda.

Ele me puxa para seus braços, não esperava apesar da brincadeira, e fico assustada, ele me beija e apenas correspondo, um longo beijo.

Nós ficamos ali uns minutos entregues, ele não avança nenhum sinal, não toca em nenhuma parte minha que não seja as costas.

─Vamos, tenho muito trabalho hoje.

─Como assim trabalho? Está machucado.

─É um arranhão, nada demais, amanhã isso vai estar ótimo.

─Certo, mas cuidado, não faz muito esforço! – Bruce sorri, me põe de pé e caminha para a porta segurando minha mão. – Não acho bom a gente aqui sozinhos muito tempo.

─Que bobo, eu confio em você.

─Pelo menos alguém confia! – Ele brinca quando descemos as escadas do alojamento, depois ganhamos a rua e sua mão continua entrelaçada a minha, depois paramos na esquina, ele me olha sorrindo, me beija de leve os lábios.

─Te vejo no almoço.

─Espero você.

Fico olhando enquanto ele caminha em direção ao trabalho onde os homens se reuniam para tomar decisões, Sasha e Rosita estavam com eles, Maggie logo estaria, elas nunca aceitavam trabalhos diferenciados, eu não me importava muito com as distinções entre sexos, Alice era maluca e só fazia o que queria.

Sigo para casa com um sorriso dançando nos lábios que me fazia sentir certa vergonha, mas não conseguia me livrar dele então apenas deixava que brilhasse em meu rosto.

July já tinha ido se juntar aos garotos antes mesmo de eu sair em busca de Bruce, ela e Carl eram muito amigos agora e Pam tinha entrado para a gang.

Alice era a chefe deles, mas nesse momento devia estar em casa com Daryl, como será que eles vão reagir, será que já sabem? Isso vai ser mesmo uma grande loucura.

Subo os degraus da minha varanda completamente distraída, meu coração quase para quando noto um vulto sentado no chão ao lado da porta.

─Que susto Alice! – Ela sorri.

─Porra! Onde foi tão cedo? – Reclama se colocando de pé.

─Fui ver o Bruce! – Ela sorri de modo largo, solta um gemido engraçado. ─Não me irrita!

─Cheguei. O que está acontecendo? – Maggie sobe as escadas correndo. – O Carl disse que era para eu vir rápido.

─Eu que pedi para ele te chamar. – Alice diz ficando de pé, depois entramos juntas. – Estou precisando de garotas.

Acho que ela já sabe, Alice se atira no sofá, cruza as pernas e nos encara, faz uns minutos de suspense.

─Fala logo. Brigou com o Daryl? ─ Pergunto.

─Teve uma noite incrível? ─ Maggie decide ajudar na adivinhação.

─Os dois, tive muitas brigas com o Daryl que terminaram em noites incríveis e espermatozoides velocistas. Vou ter um bebê.

─Sabemos disso! – Digo abrindo meu melhor sorriso de parabéns, assim ela não fica preocupada, Maggie também sorria, nós duas vamos para seu lado, damos um abraço triplo, quando nos afastamos Alice tinha os olhos arejados.

─Nem me contaram nada. Descobri por que o Daryl é todo preocupado.

─Estávamos cuidando de você, tivemos medo de ter um ataque.

─Eu tive, o Daryl também teve. Como vai ser isso?

─Nada demais Alice, é uma mulher saudável, estamos num lugar seguro, precisa ter calma.

─Hoje estamos num lugar seguro Beth. Pode me garantir que vai ser assim daqui oito meses? E depois, imagine a estrada com dois bebês?

─Judy está crescendo, conseguiu, não é mais um bebê, demos jeito com ela, podemos fazer de novo, mas não vai ser preciso.

Maggie me ajuda a animar Alice, sei que se estivesse no lugar dela eu estaria apavorada.

─Se eu morrer no parto como a mãe da Judy vocês cuidam do meu bebê? – Seus olhos marejam.

─Cala a boca Alice! – Maggie reclama enquanto eu aperto sua mão.

─Não posso falar essas coisas com o Daryl, porque eu sei que ele está apavorado e pensa tudo isso, mas não vai me dizer. Daryl me ama muito.

─E você se gaba demais! – Maggie brinca e Alice chora e ri ao mesmo tempo.

─Eu posso! – Ela ri animada. Tudo passa muito rápido para ela. – Daryl não quer me deixar escolher o nome do meu bebê.

─Imaginamos porquê! – Brinco e ela me mostra a língua. – Você é maluca, nada de nomes esquisitos para nosso sobrinho.

─Chatas. Acham que é normal ficar meio chorona? E cheia de fome?

─Sim, tudo isso é normal, e estamos aqui para o que for preciso.

─E sentir saudade do Daryl toda hora? – Não resisto a abraçar minha melhor amiga, que vai fazer a vida de Daryl um inferno com todas as maluquices que vai aprontar. – Estávamos juntos até agora, ele foi trabalhar e já quero buscar ele.

─Porque está carente.

─Deve ser, hoje eu caí da cama e ele quase teve um treco, deu até pena, passou rápido, mas deu.

─Malvada! Maggie brinca.

─Acho que vou lá fazer uma cara de coitada e ver se levo ele para casa, não quer me deixar fazer nada, vai ter que ficar me agradando.

─Contou para seus garotos?

─Ainda não, agora senhora Beth, vai ter que me deixar ganhar no pôquer.

─Nem vem Alice. Pôquer é coisa séria, isso está acima de gravidez! – Aviso série e Maggie nos olha chocada.

─Cara isso é ridículo! – Ela diz rindo de nossas caras sérias.

─Deixa de ser velha Maggie, parece nossa avó as vezes.

─Eu? – Maggie reclama de Alice.

─Estou gravida Maggie, as gravidas sempre tem razão, não pode me contrariar.

─São os loucos que não podem ser contrariados! – Maggie se defende.

─O que dá no mesmo no caso da Alice! – Eu brinco e ela ri.

─Vamos mudar de assunto, como vai com o Bruce.

─Aos poucos, ainda teve um pedido, uma formalização, mas estamos caminhando.

─Que safado! – Alice diz chocada.

─Concordo com a Alice! – Maggie diz rindo.

─Concorda porque sou louca ou porque estou grávida?

─Concordo por que está certa! – Maggie garante. – Mas vamos ver como ele age nos próximos dias.

─Por favor cuidem da vida de vocês, nada de ir pressionar o homem.

Fico mesmo séria e depois suspiro, elas se olham, claro que Alice não vai segurar a língua grande dela, me recuso a acreditar nisso, duas intrometidas que me acham incapaz de cuidar de mim.

─A gente entendeu, não vamos dizer nada! – Maggie promete, mas Alice fica apenas de pé.

─Vou lá fazer cara de coitada para o Daryl ir para casa ficar comigo um pouquinho. Acho que eu me apaixonei por ele de novo, toda hora isso acontece.

Ela como é completamente anormal, apenas caminha para porta, troco um olhar com Maggie, vai nos dar um grande trabalho. É isso que a troca de olhar significa.

Pov – Daryl

Um bebê, não consigo me acostumar com isso, fico entre muito feliz por formar uma família e apavorado com tudo que isso significa. Um pedaço de nós dois, uma coisinha pequena e dependente, meu filho.

O sangue Dixon se perpetuando, achei que eu seria o último Dixon, mas vem outro, um que vai ter a sorte de ser amado e o azar de nascer no fim do mundo, quando tudo acabou, o que posso oferecer a ele além da mãe mais maluca e adorável da face da terra?

Meu sangue, meu suor, todo o meu esforço, tudo de bom que Alice plantou dentro de mim e agora ele vai colher, é isso que vou oferecer a ele.

Rick me dá um tapa no ombro quando me junto a ele no galpão onde estão os instrumentos de trabalho que toda manhã nós dois distribuímos para o grupo.

─Tudo bem? – Me pergunta quando apenas me encosto num pilar de madeira em silencio, encaro o chão.

─Vou ter um filho! – Um minuto de silencio, ergo a cabeça e Rick sorria.

─Vamos fazer dar certo! – Ele me aperta o ombro. – É meu irmão se lembra? Vamos fazer dar certo.

─Vamos. – Afirmo sem muita convicção.

Ele é meu irmão, meu melhor amigo, a pessoa com quem me sinto mais pronto para me abrir depois de Alice, mas sua história com Lori e o nascimento de Judy não me deixa muito a vontade para falar sobre meus medos.

─Não vai se repetir, entende isso? Alice é mais jovem, está mais segura e vamos providenciar tudo que for preciso.

─Eu sei, não quero ficar lembrando disso Rick, mas acontece que eu simplesmente não vou suportar passar pelo que passou.

─Daryl eu conheço você, sei o quanto Alice é importante para você, sei que ela é tudo que te importa, você não vai perde-la.

─Se eu ficar um pouco mais com ela, se sair menos...

─Eu cuido do que for preciso, um cuida do outro, é isso que fazemos.

─Sim. É isso que fazemos.

─Como ela está?

─Maluca como sempre, me enlouquecendo como de costume, caindo da cama logo que abre os olhos, falando sem parar, implicando com duendes imaginários, me fazendo cair em todas as suas tramas, é a Alice de sempre.

─E por isso a ama tanto, ela te tirou do inferno, aproveite isso, Alice é muito importante para todos nós Daryl, ela é responsável por todos os sorrisos do grupo desde que chegou.

─Você está certo. – Eu respiro fundo. – Vou trabalhar.

Nos movemos para o trabalho, os muros estavam quase que cem por cento prontos, a horta crescendo, as três ruas limpas de corpos, a redondeza com alguma segurança.

Mas isso não era nem o começo, nossos planos iam muito além de paredes e comida.

─E quero que fale com Abraham, ele tem que ficar longe da Alice, mato ele se ousar...

─Calma Daryl, sinto que ele não é má pessoa, nos ajudou a chegar aqui, vai acabar se acostumando com o modo como lidamos com as coisas, foi sempre ele no comando, agora será todos nós.

─Eu sei disso, entendo isso, adoraria dizer que posso controlar minha mulher, mas sabe que não posso, então controle o homem.

─Feito! – Distribuímos os materiais e começo a trabalhar, estava distraído e então algo me vem à mente.

Alice estava louca por esquilos, o tempo todo e reclamei feito um idiota, peguei apenas um e de muito má vontade.

─Droga! – Paro meu trabalho, não acredito que já falhei no primeiro momento, passo a mão pelo cabelo, pego a besta, pretendia sair para caçar quando eu a vejo caminhar para mim.

Tem aquele olhar de pobre coitada que o mundo abandonou, sabe que consegue qualquer coisa de mim assim e simplesmente usa todas as vezes que a interessa.

─O esquilo foi o bastante? – Pergunto assim que paramos um diante do outro, ela me olha confusa.

─Ahm?

─O esquilo. Queria comer esquilo, só te dei um, foi o bastante? Quer mais? Posso ir caçar agora e...

─Caçar esquilo Daryl? Que ideia? Temos coelhos, ovos, galinhas, porque eu iria querer comer esquilo? Que nojo.

─Perdeu a memória? Estava maluca me pedindo esquilos e agora...

─Isso foi a mil anos.

─Isso foi ontem! – Digo sério, essa mulher é doida.

─Então! – Ela dá um passo até mim, me abraça pela cintura, encosta a cabeça em meu peito. – Daryl estou muito sozinha.

─Contou para suas amigas?

─Sim, e agora elas estão todas ocupadas, os garotos também e fiquei sozinha e me deu tanta saudade de você.

Ela ergue o olhar, me encara toda linda, sorri.

─Preciso trabalhar um pouco Alice, quem sabe fica aqui por perto e depois vamos juntos almoçar?

─Tudo bem. – A cara de coitada me faz sorrir, beijo seus lábios e ela se senta nos degraus de uma porta perto do muro enquanto eu continuo meu trabalho.

O assunto esquilo esquecido porque ela sempre faz isso, esqueço tudo que apronta, toda vez que olho para ela está me encarando, acena, sorri, e se mantem ali, dez intermináveis minutos, sinto só de olhar para ela, depois se levanta, vem até mim.

─Não quero que saia sem mim.

─Não estou indo a lugar nenhum Alice.

─Nunca eu digo, eu não posso ficar aqui sem saber, você sabe como é. Não gosto de não saber.

─Rick! – Ele me olha. Faço sinal avisando que volto depois, Rick acena e pego a mão de Alice. – Vamos para casa Alice.

Caminhamos abraçados, ela seca uma lagrima, dessa vez sei que não é drama, sei disso porque antes mesmo de beija-la pela primeira vez ela já me dizia isso.

Brigou e fez de tudo para sair comigo nas missões, por que para ela não saber era pior que enfrentar zumbis e perigos.

─Vai deixar eu ir?

Ela entra na frente, sigo atrás dela.

─Não. Falei com o Rick, tem muitas coisas aqui para serem feitas e vou sair o mínimo possível, mas se precisar você fica e nem mesmo esse seu olhar dramático de pobre coitada pode mudar isso, então nem tente, só vai me fazer ficar com o coração apertado.

─Promete sair pouco?

─Prometo.

─E voltar rápido?

─Prometo.

─E me deixar ir junto?

─Pro... Alice, já disse que não.

─Entendi! Não me acuse de tentar, achei que podia colar.

─Maluca! – Beijo Alice que se senta em meu colo.

─Vai ficar o dia todo aqui comigo só me amando loucamente?

─Vou, mas só hoje, não posso passar todos esses meses aqui, enrolado na cama.

Ela me beija, se encosta em mim, suspira. Minhas mãos vão para seus cabelos, ela ronrona feito um gatinho, se arruma mais.

─Sabia que fiquei com saudade mesmo? Acho que eu estou amando muito você hoje.

─Que bom, amo muito você todos os dias.

─Porque sou perfeita, isso é normal.

─Uma perfeita idiota!

─Escutou isso filho? É assim que o papai me trata, vamos treinar, diz aí troglodita!

─Para! Não vai ensinar ele a dizer isso!

─Claro que vou, e se for menino eu decidi que ele vai chamar...

─Não decidiu nada, já disse que eu vou escolher o nome dele.

─Ou dela, sabe que pode ser uma menina não sabe?

Sim, já tinha pensado nisso, uma pequena Alice, linda como a mãe, alegre como ela, correndo por essas ruas de pés descalços, os cabelos dourados soltos e bagunçados, o rostinho corado, eu iria gostar disso.

─Será linda e muito feliz.

─Não está com cara de hora do almoço?

Rio de Alice, ela faz careta, no fundo gosto de toda essa coisa de gravidez, do que significa, das coisas que mudam nela, o corpo, os hábitos, as emoções, sei que não saio dessa inteiro, mesmo assim estou mais feliz que preocupado.

Notas finais
Beijos! Capitulo fofo né? Vamos ter mais alguns assim. Comentem.