Caminhando entre os mortos 2

22 Capítulo 22 - Descoberta


Notas iniciais
Oi gente, tudo bem, eu tinha postado ontem, mas não entrou, a Gabi que me avisou, já estava #chatiada achando que não me amavam mais. Espero que agora dê certo.

Pov – Beth

Não posso nem descrever o alivio que sento quando os carros chegam, mas sempre da medo de faltar alguém, o primeiro a descer é Daryl pela cara de irritado só posso concluir que Alice aprontou absolutamente tudo.

Caminho apressada e vejo o ar pálido de Bruce quando desce, ele manca um pouco e me aproximo.

─O que aconteceu? – Apoio seu braço, ele sorri apontando a perna, a calça jeans suja de sangue, meu coração acelera. – Deus o que foi isso?

─Calma, foi apenas um tiro de raspão, nada além disso, basta um curativo.

─Vou cuidar disso. – Olho para Alice descendo, ainda mais pálida que Bruce, Daryl a ajudava, ela sorri.

─Já estou sabendo do beijo, quero detalhes! – Ela brinca, logo Maggie se junta a ela e pela preocupação de minha irmã já sei que foi uma grande confusão.

─O que aconteceu? – Rick pergunta se juntando ao grupo.

─Um zumbi traiçoeiro se escondeu atrás de uma árvore e tentou me pegar, depois um maluco quis estreitar laços comigo e na confusão acertou o Bruce, mas o Daryl pegou ele, não foi amor?

─Foi.

─E depois voltamos para casa. – Daryl olha para ela ainda bravo.

─Pulou a parte que desmaiou.

─Desmaiou? – Troco um olhar com Maggie, ela suspira.

─Não desmaiei nada eu perdi os sentidos uns instantes, só isso.

─Que é a mesma coisa. – Bruce pronuncia e me lembro da perna ferida.

─Vem Bruce, vou cuidar disso, vá para casa Alice, deite e descanse.

Daryl sorri vitorioso, ela me faz careta e caminho apoiando Bruce em direção a minha casa, ele se senta no sofá, July entra correndo seu olhar assustado me dá pena.

─O que aconteceu? – Ela se senta ao lado de Bruce, beija sua bochecha enquanto com uma tesoura corto a calça na altura do joelho, o tiro foi um pouco a baixo e noto a ferida não muito grande.

─Foi um tiro de raspão Beth, eu mesmo faço um...

─July vai na enfermaria e pega uma caixa de primeiros socorros, sabe qual é?

─Sei Beth, já me mostrou trezentas vezes! – July devia mesmo ser adotada por Alice, duas malucas de mente brilhante.

Fico sozinha com Bruce, ele está sentado no sofá, eu no chão, olhando sua perna, ergo o olhar para encarar seu rosto e ele sorria para mim.

─Está linda. – Abro um sorriso que nem lembrava ser capaz de produzir, ele se curva, com a ponta dos dedos ergue mais meu queixo em busca de meus lábios, me dá um beijo leve, depois se afasta, fico corada, tento desviar o olhar, como poderia? O homem é perfeito.

─Alice está gravida? – Ele me pergunta me tirando do meu momento hipnótico, pisco, dou de ombros sem saber como responder. – Não vou dizer a ninguém, mas o desmaio e o olhar que trocou com sua irmã.

─Achamos que sim, mas Alice e Daryl nem desconfiam, e como não temos certeza estamos no aguardo. Se não for nada...

─Stacy tem muita experiência, porque não levam Alice para ela?

─Não sei Bruce, aqueles dois e um bebê.

─Seu medo não vai mudar nada e preciso concordar que a garota é um chamariz de problemas. Acho que ela precisa ficar aqui dentro, imagine os riscos que correu hoje?

─Você tem razão, fomos imprudentes deixando ela ir, eu e Maggie sabemos que Alice é confusão em forma humana. Vou cuidar disso ainda hoje.

─Aqui Beth. – July volta correndo, com ela Carl e Pam.

Abro a caixa e começo a limpeza.

─Daryl estava agora mesmo querendo matar o Abe, sabe o que aconteceu Bruce?

─Olha Carl não conheço muito o Abraham, e nem mesmo o Daryl, mas se Abraham falasse com a Beth como falou com a Alice eu teria estourado aquele idiota.

Escondo um sorriso, as crianças riem e fazem piadas me deixando sem graça.

─Vão caçar o que fazer garotos. – Bruce me socorre.

─Já querem ficar sozinhos, aposto que vão beijar, vem gente! – July se levanta.

─Vai mini Alice, não sumam. – Aviso quando os três caminham para a porta. July me sorri acenando, Pam e Carl saem na frente, ela os aponta pelas costas, faz um coração com a mão, depois corre atrás dos dois rindo.

─Que pequena doidinha! – Bruce brinca quando eu fechava o curativo com uma atadura.

─Completamente, temos que ficar de olho nela, se chamar problemas como a Alice estamos perdidos.

─Temos? Gosto de ser incluído.

─Gosta?

─Acha que pode me deixar fazer parte da vida das duas?

Me levanto depois de guardar as coisas, dentro de mim um mundo de questões, me sento ao seu lado.

─Bruce... Eu.... O que está me pedindo é grande e importante, não sei se quer mesmo isso, não sei onde isso pode levar, se estou pronta, eu fiz coisas... Passei por coisas que me deixaram confusa.

─O que quero dizer é, estou aqui Beth, vou continuar, pode dividir o peso do que passou comigo, ter em mim um apoio e construir algo novo, ou pode me mandar embora de uma vez e continuar se escondendo atrás das dores do passado.

Suspiro, mordo o lábio pensativa.

─Tentei me matar quando era mais nova, na verdade quando o apocalipse começou, nem faz tanto tempo assim, mas emocionalmente eu mudei tanto que parece que foi em outra vida.

─Tudo bem. Cada um viu tudo aquilo de uma maneira. Faria de novo?

─Nunca! – Ele sorri. – Depois disso passei a ser super protegida e só quando a prisão caiu é que me vi sozinha e aprendi a me defender, fui parar num hospital, Grady, um lugar horrível, lutei para me livrar e passei muitas humilhações, agressões, depois eu acho que... Não sei, tem um pouco de culpa, porque uma pessoa querida morreu no meu resgate, um pouco de medo de me sentir de novo daquele jeito.

─Posso ser bem paciente, e posso entender que se sente assim. Vamos pensar no que podemos construir juntos e ir aos poucos, não quero me mudar para cá e ser seu marido, não ainda.

─Pode esperar? Ir aos poucos para que eu não me sinta acuada?

─Sempre foi assim que quis fazer, desde que te vi.

─Está bem Bruce, não vou fugir, prometo.

Meu coração palpita quando ele abre um largo sorriso, sua mão segura a minha, ele beija meus dedos, depois me puxa para perto dele, nos beijamos, ficamos ali, trocando carinhos leves, beijos delicados, me sinto segura, sem qualquer medo de estar sozinha com ele.

─Não está com fome? Posso buscar qualquer coisa para comer.

─De jeito nenhum. Vou para casa me deitar e você vai resolver o problema da sua amiga.

─Talvez pudesse ficar aqui, se precisar de ajuda eu posso ajudar.

─Disse que ia com calma, melhor eu ficar na minha casa, assim não gera expectativa.

Ajudo ele a ficar de pé, Bruce manca um pouco, sigo com ele até a porta, ganho um longo beijo e me sinto como se o mundo não tivesse acabado. Depois fico um pouco ali, revendo tudo que aconteceu e não consigo parar de sorrir.

Mas tenho algo a fazer, abro a porta e dou de cara com Maggie.

─Estava indo atrás de você. – Aviso quando ela subia os degraus.

─Vi o Bruce partindo. Acho que temos que abrir o jogo com a Alice.

─Acho que o melhor é mandar o Daryl leva-la para ver a Stacy, avisamos a Stacy e eles decidem isso.

─Está certo, falamos com a Stacy e no jantar damos umas indiretas para o Daryl.

─Eu e o Bruce estamos começando algo. – Maggie me abraça, nos sentamos e começamos a conversar, minha irmã tem muita sensatez. É meio maluca como Alice, mas me entende.

Pov – Daryl

Bruce segue com Beth, o grupo começa a descarregar o carro, eu devia levar Alice para casa, mas não antes de dar um último aviso a Abraham.

Quando caminho para ele, Glenn e Rick me acompanham, ele estufa o peito todo machão, o tipo babaca que acha que pode destratar mulheres. Um idiota que quero longe de mim e de Alice.

Paro a centímetros dele, os olhos fixos nele.

─Não me importo com quem você é, não ligo a mínima para o que a sua mulher pensa de ser tratada como lixo, mas não vai gritar ou maltratar nenhuma das mulheres desse grupo, não apenas Alice, qualquer uma delas, se tentar eu mato você, ouviu, mato, não machuco, não ofendo, eu mato você, enfio uma flecha nessa sua testa.

─Tente! – Ele me desafia.

─Essas são as regras nesse grupo Abraham. – Rick diz ao meu lado, Glenn também se posiciona, Rosita encara Abe deixando claro que não gosta de sua postura, ele fica calado, com um movimento de cabeça se afasta em direção ao alojamento onde vive com Rosita. – Deixe isso passar Daryl, Abe não vai mais se comportar desse modo, também não vou aceitar isso.

─Ótimo, vou levar Alice para casa. A maluca fez tudo que não podia.

─O que não chega a ser novidade.

Rick brinca me dando um tapinha no ombro, meu olhar encontra com o dela, está linda como nunca esteve antes, toda raiva de Abe vai embora, todo medo que passei mais cedo é deixado de lado, só aquele olhar brilhante me importa.

─Acabou? – Ela me pergunta com sorriso maior que o sol. – Adoro ser casada com um machão.

─Ridícula! Vem, precisa deitar. – Caminhamos de mãos dadas para casa logo em frente.

─Não começa com isso Daryl, estou bem, não foi nada demais.

─Nada! – Ela sempre me deixa no mínimo indignado.

─Se engalfinhou com um zumbi, acabou de refém mais uma vez, tentou enlouquecer o homem o que claro foi bem fácil para você devo admitir, fez a última coisa que devia fazer quando se tem um revolver na cabeça que é esfaquear seu agressor.

─Já acabou? Quase morri hoje, tenha ao menos um pouco de pena de mim.

─Eu tenho pena é de mim! – Reclamo quando ela se deita no sofá e apoia a cabeça no meu colo.

─Faz cafuné?

─Não! – Ela me mostra a língua.

─Amor eu não tive culpa de nada hoje, como eu ia saber que tinha um zumbi a espreita atrás da árvore? – Ela logo apela para aquela cara de garota magoada.

─Como pode não conferir? Sempre tem um zumbi a espreita Alice, sempre.

─Já entendi, sempre me fodo. E o cara foi bem espertinho, ele sabia que estávamos lá, esperou um momento perfeito para aparecer.

─E grudar em você, e claro que tinha que ficar falando sem parar e me apavorando o tempo todo.

─Estava iludindo ele, sou boa nisso, minha mente brilhante trabalhou bem rápido, achei o momento ideal e acabei com o palhaço.

─Você?

─Sim, acertei uma facada na perna do infeliz e ele está morto.

─Então foi sua facada e não minha pistola quem fez o serviço?

─Claro! Quer ganhar todos os créditos? Eu fui minha própria heroína, admita.

─Cala a boca Alice. – Ela fecha os olhos, para de falar se fingindo de ofendida. – Como está se sentindo?

─Normal e com preguiça.

─O que acha que deu em você para desmaiar?

─Não desmaiei, perdi os sentidos. Acho que foi porque você estava socando o Abe e fiquei nervosa, se ele te acertasse eu ia acabar com aquela cara de desenho animado que ele tem.

─Quero que fique longe dele, quero que prometa, nem sei o que faço se aquele infeliz disser qualquer coisa ofensiva para você.

─Porque me ama muito?

─Porque não dorme Alice?

─Chato, então faz cafuné.

─Mulher insuportável! – Começo a fazer o bendito cafuné só para ela poder dormir, a ingrata apenas fecha os olhos e adormece, sorrio, acho que nunca vi Alice dormir tão rápido, ela finge que não se importa, mas sei do trauma que passou.

Mesmo depois de Alice ter adormecido continuo o carinho, no fundo gosto, não me reconheço com Alice, o modo como ela me deixa leve e tranquilo, com vontade de viver, de rir e ser feliz, e agora que encontramos esse lugar, com muros ao invés de grades, com um grupo de pessoas bem mais fortes e preparadas, sei que temos uma boa chance.

Alice ressona, depois se vira e permaneço ali, velando seu sono, a noite cai e sei que ela precisa acordar, comer, sair desse sofá, mas ela tem o rosto tão tranquilo, fico sem coragem de acorda-la.

─Oi! – Ela me sorri despertando, se senta, espreguiça.

─Dormi muito?

─Umas duas horas.

─Que fome, será que é hora do jantar?

─Vamos descobrir. – Me ponho de pé, puxo Alice pela mão e ela se ergue, seu olhar desfoca um instante enquanto ela aperta meu braço buscando equilíbrio.

─Que tontura! – Eu a seguro. Agora começo a me preocupar. – Acho que levantei rápido demais. Será que estou morrendo?

─Acho que tem algo errado com você e vamos falar com a Stacy agora mesmo.

─Nem vem Daryl, não vou falar nada com a Stacy, já quer que fique tomando comprimidos e essas coisas, já pensou se ela resolve me dar injeção?

─Deixa de ser ridícula, parece criança.

Arrasto Alice para a porta, ela vem atrás de mim batendo os pés como a menininha mimada que é ás vezes.

O grupo estava reunido comendo na varanda como de costume, agora tínhamos mesas e lugares para todos, mas nem sempre as pessoas sentavam e se reuniam em rodinhas aqui e ali.

Stacy estava conversando com Beth e Maggie quando nos aproximamos.

─Stacy. – Ela me olha e sorri.

─Vamos comer primeiro amor. – Alice pega uma fatia de pão, um prato e vai se servir de sopa.

─Será que podemos conversar com você depois do jantar? – Pergunto e depois de trocar um enigmático olhar com as irmãs Greene ela sorri.

─Claro. – Alice se junta a nós com sua sopa fumegante, se senta, eu as deixo um momento para me servir, depois me reúno a ela, a luta de Alice para comer sem conseguir esperar a comida esfriar me diverte.

─Calma Alice a sopa não vai fugir.

─Cuida da sua vida! – Ela me responde. ─ Estou morta de fome e quase morri hoje.

─Para de falar isso!

─Até porque vive assim, quase morrendo. – Maggie brinca, ela abana a comida, assopra e simplesmente nos ignora, não que Alice seja normal, mas ela tem estado bem estranha.

Quando termina a sopa e se erguia para limpar o prato Beth fica de pé.

─Cuido da louça de vocês, vão com a Stacy. – Ela arranca o prato da minha mão e obedecemos, Alice segue meia quadra resmungando que não vai tomar comprimidos que pode morrer, virar um zumbi e atacar alguém ao lado, rimos eu e Stacy conheço essa história como ninguém.

─Se eu morrer e casar de novo venho puxar seu pé.

─Pode por favor calar essa boca enorme?

O ambulatório está vazio e escuro, Stacy acende algumas velas enquanto nos sentamos em duas cadeiras, de modo profissional, Stacy se senta atrás da mesa.

─O que está acontecendo Alice? – Ela pergunta.

─É isso que quero saber.

─Alice desmaiou hoje, teve uma tontura a pouco, quero saber se não é alguma doença. Fora que andou reclamando de cansaço e dor no corpo.

─Vamos lá desde quando se sente assim Alice?

─É só preguiça Stacy, eu não tenho nada, não vou tomar remédio nenhum.

─Eu decido.

─Faz uns dias. – Alice responde de má vontade.

─Então os sintomas são, dor no corpo, preguiça...

─Fiquei tonta e tive uma rápida perda dos sentidos, não foi um desmaio.

─É a mesma coisa Alice! – Stacy responde rindo. – Quando foi sua última menstruação? — O que isso tem a ver com Alice estar doente? Fico calado porque não entendo nada disso nem me sinto a vontade na frente de Stacy, não sobre isso, Alice me olha buscando uma resposta, quero correr daquela sala, dou de ombros.

─Sei lá, não lembro, foi... foi... Aí meu Deus, na prisão, não pensei em nada disso depois que deixamos nossa casa, foi uma loucura e... – Alice fica um tanto confusa, me olha espantada e ainda não sei do que se trata.

─Meses. Dois não é?

─Quase isso Stacy.

─Acho que não tem dúvida, você está gravida Alice.

Paro de respirar por um momento, aquilo processando em minha cabeça, Gravida, Alice está esperando um bebê.

─E o que mais? – Pergunto meio tonto. Stacy sorri.

─Não é o bastante?

─Você não é nem um pouco romântica Stacy, isso lá é jeito de nos dar uma notícia dessas? Nada de flores, um jantar romântico? Diz assim a seco?

─Descanse, coma bem, nada de exercícios. – Stacy responde rindo das maluquices de Alice.

─Tenho que tomar remédio?

─Não. – Ela garante sorrindo. – Vão para casa, conversem, está tudo bem, não é o fim, temos alguma segurança, recursos, não se apavorem.

Afirmamos, depois pego a mão de Alice, meio zonzos com a notícia deixamos Stacy. Em silencio seguimos para casa, Alice vai direto para o quarto, atira os sapatos para longe, se joga na cama.

Me deixa triste ver seu olhar perdido, sua angustia, ela não quer um filho? Não quer porque é meu, ou porque é o fim do mundo? Encosto na porta, ela me olha.

─Não quer? – Me forço a perguntar.

─Quero. Quero mais do que tudo, mas estou com medo porque acho que pode ficar bravo comigo de verdade. Você quer? – Ela seca rápido uma lagrima. Toca a barriga e me surpreende pensar que temos um bebê crescendo ali.

Caminho para cama, me deito a seu lado, tão linda, maluca e minha, claro que quero, quero como nunca quis nada.

─Quero Alice, quero tudo, com você eu quero tudo, amo você e esse bebê. – Ela sorri se iluminando, é de novo minha Alice cheia de vida e planos. Se aproxima, eu a envolvo e ela me beija. Me assusta pensar em todos os riscos, nas saídas, na moto, em todas as infinitas loucuras de Alice e só posso me sentir na beira de um abismo.

É um bom momento para fazer cafuné, ser bem romântico e arrancar de Alice algumas promessas.

─Sabe que te amo loucamente e te acho uma delícia? – Ela sorri manhosa enquanto acaricio seus cabelos, beijos seus lábios, a ponta do nariz. – Sou louco por seus beijos, seu corpo e te acho toda linda.

─Adoro te ver assim todo me amando loucamente, mas não precisa, não vou mais andar de moto, nem sair em missões.

─Não? – Assim sem brigar, choramingar, só isso? Fico surpreso.

─Não. Vou proteger meu bebê de tudo, vou até te deixar mandar em mim um pouco, mas quando ele nascer vai trocar fraldas de noite.

─E promete não afoga-lo no primeiro banho?

─Prometo.

─E sabe que me deixa tonto de amor. – Ela ri, me beija mais uma vez. – Acho que não deve se envolver no trabalho.

─Também acho. Ele vai precisar de alguém para brincar e sou muito boa nisso.

─Está boazinha demais, está me dando medo.

─E você ai me amando loucamente e me achando uma delícia? Acha que não me da medo?

─Boba! – Mordo seu lábio, beijo Alice mais uma vez, ela fica me olhando calada.

─Já pensou nos mil desejos que posso realizar sem ser chamada de maluca. Vou adorar todas aquelas vontades loucas que as mulheres gravidas tem no meio da noite. – Ela sorri, toca a barriga. – Nossa bebê, vamos nos divertir muito.

─Se pensa que vou ficar feito um idiota atendendo seus pedidos malucos está enganada, não sou seu empregado.

─E um troglodita! Seu filho nem vai dizer papai, vai dizer troglodita.

─E você uma idiota, ele vai correr de você, quando eu tiver que sair ele vai dizer “Me leva papai, não me deixa aqui com essa maluca, prometo ser bonzinho”.

Alice tem um acesso de riso, me faz feliz só de olhar para ela.

Minha mente viaja para o passado, penso em tudo que passamos desde que a prisão caiu, a queda da ponte, Alice metida em todas as encrencas do mundo, de refém, lutando com zumbis. Sinto raiva e pavor, me ponho de pé.

─Que foi? – Ela me pergunta.

─Viu o que passou hoje? – Pergunto andando de um lado para outro.

─Vai começar a ter ataque?

─Ataque? Nem comecei, você tem um grande vácuo na cabeça.

─Que repetitivo, nem sabe inventar xingamento novo. Que tédio.

Notas finais
O ataque de pânico de Daryl continua no próximo kkkkkkkk Beijos