Caminhando entre os mortos 2
6 Capitulo 6 - Preparativos
Notas iniciais
Pov – Alice
─Noah não é? Seu nome é Noah? – Pergunto ao garoto sentado ao meu lado no caminhão com olhos apavorados.
─Sim!
─Obrigado por nos ajudar Noah, mesmo, Beth e Carol são muito importantes para nós, e não vamos nos esquecer disso!
Daryl está concentrado em dirigir a toda velocidade, sei o quanto está tenso, eu também estou, mas procuro não pensar no que vem pela frente, nos riscos que corremos.
─Beth me salvou, ela foi bem durona lá dentro, enfrentou os zumbis, matou todos que pode e me abriu passagem, se arriscou por mim e devo minha vida a ela, claro que vou ajudar.
─Minha amiga é durona! – Sorrio orgulhosa, ela vai vencer isso, sei que sim, somos como irmãs e um dia vamos rir dessa aventura. – O Grady tem mesmo recursos para ajudar Carol?
─Sim, se ela tiver chance de viver e trabalhar para eles depois, eles vão salva-la, é assim que agem, te salvam, dão comida e abrigo e você vira um escravo deles, mas Dawn acha que isso é pelo bem maior, que um dia tudo vai acabar bem.
─Vamos matar essa mulher! – Daryl avisa e os olhos do Noah se arregalam um pouco mais.
─Ela permite coisas... as enfermeiras, as moças bonitas... Bom os policiais se aproveitam delas.
Meu coração bate forte, Daryl aperta firme o volante, sei que está como eu preocupado, e culpado também, levamos Carol nessa aventura sem dar chance de escolha e agora ela está ferida e talvez, torço os dedos, afastando o pensamento, Carol andava estranha, obscura, muito longe da Carol de antes e temo por ela, temo que desista, isso seria uma dor sem fim para mim.
─Beth.... – Quero perguntar, mas não sai, ele entende, nega com a cabeça.
─Não, vocês sabem como ela é durona, um deles andou tentando, mas ela matou o cara, foi quando fugimos – Eu e Daryl nos olhamos um instante, Beth é durona, mas não desse jeito, sua força sempre foi emocional, eu acho, agora já não tenho mais certeza, mas se fez só posso me orgulhar ainda mais, é o que eu faria, ou tentaria ao menos.
─Então ela matou um dos policiais e foi pega? – Daryl pergunta ainda dirigindo, a noite começando a cair – Eles podem ter...
─Matado Beth? – Noah completa – Não, ela deve ter apanhado, isso sim, é só olhar para mim e ver como eles fazem, mas matar não.
Voltamos a ficar em silencio, paramos o carro perto da igreja, já temos um transporte melhor que o ônibus, caminhamos os três, Daryl na frente, eu e Noah mais atrás e então Michonne surge, se assusta quando não vê Carol, estranha mais ainda ver Noah.
Decidimos reunir o grupo e contar tudo de uma vez, Maggie vai ficar feliz em saber que finalmente achamos Beth, não vejo o ônibus.
─Cadê o ônibus Mich? – pergunto quando ela abria a porta.
─Falamos lá dentro – Não gosto da resposta, entramos, Carl corre para meus braços, eu o aperto é bom vê-lo bem.
─Que medo que tive! – Ele me diz e sorrimos nos afastando.
Todos encaram Noah, todos não, cadê o resto? Maggie, Glenn, e o ruivo e seus amigos? Cadê o Bob?
─O resto... Onde estão os outros? – Daryl aperta minha mão quando o grupo troca um longo olhar e o padre some para a sacristia.
─Gareth nos encontrou, ele sequestrou Bob... – Rick começa, nesse ponto vejo a dor de Sasha e sei como termina, ela se afasta, não pode nem mesmo ouvir mais sobre isso, o relato de Rick vai ficando cada vez mais chocante, mal suporto o peso do meu corpo, Daryl me segura, Bob era como um pedaço do meu passado, ele se despediu, sabia o que estava acontecendo e se despediu, me pediu para ser forte e me esforço, mas dói e só consigo chorar abraçada a Daryl. – Vencemos, acabamos com eles todos aqui mesmo.
Ainda tem as marcas de sangue no chão, eu olho para elas, é só isso mesmo, morte e mais morte, monstros de todos os tipos.
─E os outros?
─Glenn e Maggie cumpriram a promessa que fizeram ao Abraham em troca de ajuda e seguiram para DC na frente.
Minha mente trabalha apressada, o que Rick está dizendo? Que Maggie e Glenn nos deixaram? Que partiram enquanto estávamos desaparecidos, depois da morte de Bob e deixando o grupo fraco e com um bebê? É isso?
─Não Rick eles não podem... – Meu coração dói, tudo misturado na minha cabeça, as coisas todas acontecendo ao mesmo tempo, nada faz sentido, quero a prisão de volta, quero os dias tranquilos e esperançosos, não sei viver assim, não consigo viver com medo.
─E agora vocês, o que aconteceu? Onde está Carol?
─Fomos atrás dela lá fora, aquele carro que achamos estava arrumado, então vimos um carro a toda velocidade, com a cruz branca, não podíamos perder a chance de segui-lo, era o único jeito de encontrar Beth e fomos, ela está num hospital, Grady, não sei se conhece – Rick afirma – É como uma prisioneira lá, ajudou ele a fugir – Todos encaram Noah ─ Andamos por Atlanta, encontramos com ele, então Carol foi atropelada pelos policiais do lugar, eles a levaram, Noah garante que tem recursos, mas vim buscar vocês, temos que resgatar as duas, ele diz que precisamos de armas e homens, não esperava que o resto do grupo tivesse partido, mas...
─Nós vamos! – Rick diz decidido – Claro que vamos, vamos deixar a igreja segura e vamos, podemos dar um jeito, armar um plano – Ele encara Noah que a essa altura está apavorado, viveu um ano no hospital, não sabe realmente o que as pessoas se tornaram aqui fora, do que são capazes e tudo que ouviu o apavora – Conhece o lugar, pode dizer quantos são, como trabalham, onde se encontram?
─Posso, e posso ajudar no que for preciso, é como eu disse, Beth salvou minha vida, devo isso a ela.
O dia começava a amanhecer e não perdemos tempo, começamos a organizar as coisas, reforçar janelas, portas, fazer armadilhas na entrada da igreja, a manhã já ia alta, me sento um pouco com Carl nas escadas da porta, só um minuto de descanso antes de continuar.
─Foi bom que não estava aqui, não teria suportado, foi feio e triste. – Ele me conta abatido.
─Acho que sim, e Maggie...
─Ela não sabia sobre a Beth, não iria se soubesse – Carl diz olhando para o horizonte.
─Não, mas deixou Judy e isso... Não sei como aceitar isso.
─Deixe que Beth decida.
─Detesto quando você fica todo adulto! – Resmungo dando um empurrão em seu ombro – Não sabe o que aprontamos em Atlanta, aquele seu pudim de chocolate não tem mais efeito sobre mim, fiz algo muito melhor.
─O que? – Carl sorri, sorrio de volta, gosto de poder sorrir de novo, essa sou eu, preciso disso para ser feliz, Noah está arrumando umas coisas perto de nós, nos olha com certa curiosidade, não sabe o que é uma família construída sobre escombros e sangue.
─Tinha um carro pendurado na ponte, ficamos cercados de zumbis e adivinha?
─Sem essa! – Ele diz rindo.
─Juro! Bang Jump sem corda, montanha russo do apocalipse, caímos de lá de cima, Carol e Daryl estavam apavorados! Foi completamente insano, eu faria de novo!
─É uma louca! Mas está certa, fiquei com inveja!
─Sabia, foi a primeira coisa que pensei, na verdade a segunda, a primeira foi que odeio chuva de zumbi.
─Choveu zumbi de novo?
Noah está agora apavorado, posso ver pelo seu olhar, rimos os dois.
─Os zumbis que estavam grudados no carro caíram depois da gente, foi aquela porra de meleca de zumbi fodendo tudo, mas daí ficamos bem.
─Legal.
─Cacete e tinha um acampamento de zumbis, presos em sacos de dormir e barracas, e o palhaço ai roubou a besta do Daryl, como alguém pode achar que vai roubar a besta do Daryl e viver?
Noah arregala ainda mais os olhos, Carl ri dele.
─Calma, está tudo bem, ele não vai te fazer nada.
Ficamos em silencio um pouco, olhando o horizonte, depois sorrimos mais uma vez.
─Sinto falta do pôquer! – Carl me diz com a voz embargada.
─Vamos ter tudo de volta – Penso em Bob – Ou quase.
Voltamos ao trabalho, depois tudo fica pronto e partimos, Sasha está se desmanchando em dor e me dá pena de assistir, eu morreria, quero morrer só de pensar em estar em seu lugar, Mich fica para proteger Judy e Carl, o padre me decepciona um pouco, acho que ele é bem estranho.
Daryl vai dirigindo, vou a seu lado, Rick conosco e o resto atrás, o olhar de Rick me assusta, imagino o que passaram na igreja, descobrir que aqueles homens devoraram a perna de Bob, assistir sua morte lenta, se despedir de parte da família e matar os canibais do modo brutal como foi descrito, sempre acho que Rick está prestes a explodir, fazer uma bobagem, sinto medo.
Chegamos a um galpão próximo do hospital, nos reunimos, depois do plano traçado é hora de colocar tudo em pratica.
─Alice...
─Já sei Daryl, não faz merda, fica perto de mim e não termina como refém, essa porra toda.
─Amo você Alice, se fosse você no lugar da Carol, eu... eu não sei eu não poderia suportar, se algo acontecer enquanto tentamos resgata-las se te perder.
─Não vai, a gente já perdeu muito, é hora de ganhar um pouco, então vai dar certo e vou ficar focada, nem fiz piada ainda.
─E isso está me assustando – Ele me abraça, me encosto em seu peito, suspiro, não posso negar o quanto estou triste com o cenário atual, ele me beija e então nos preparamos para colocar o plano em pratica.
─Boa sorte Noah! – Sou a única a dizer quando o menino se afasta em busca de problemas, o garoto vai servir de isca.
Ele acena e segue seu caminho, ficamos armados a espera de sua volta, vai correr e trazer os policiais onde estamos, o plano do Rick era mais perigoso, mas esse também pode dar errado.
─O que vai dizer Rick, quando os caras chegarem? – Rick me olha sem entender – Queria dizer a frase de efeito dessa vez, eu devia ser a chefe um pouco, e o Ty e a Sasha nem tem codinomes, corremos tanto que não pensei nisso, que merda.
─Cala a boca Alice! – Daryl resmunga entre dentes, me calo, não adiante, quanto mais nervosa, mais tolices passam por minha cabeça.
Assistimos eles dominarem, desarmarem e prenderem Noah, depois Rick chama a atenção deles com um péssimo assobio.
─Nem sabe assobiar, faço isso melhor.
Resmungo e Daryl desvia os olhos um segundo para me advertir, dou de ombros quando o Rick, como sempre, faz as honras e domina os policiais, um homem e uma mulher.
Os caras estão de joelhos e já amarrados com aquelas coisinhas próprias para isso.
─Esse negócio de algema é tão antiquado né? Essas cordinhas são muito melhores.
Então quando as coisas caminhavam vem o primeiro problema, um carro em alta velocidade, Daryl me atira ao chão quando os tiros começam, os policiais entram no carro, todos atiramos no carro que para mais a frente, os caras descem correndo e temos que persegui-los.
─Que porra é essa? – Os zumbis pelo chão são de longe os mais nojentos que já vi, a merda da Napalm que bombardearam Atlanta os deixou assim, estão todo apocalipse ali, meio derretidos, queimados e se arrastando – Odeio meleca de zumbi, que nojo! – Digo correndo entre eles, Ty e Sasha já recolhiam os caras quando me dou conta que Daryl não está, Rick voltava e eu o sigo.
Daryl lutava com um homem, estava em desvantagem, o homem tentava enforca-lo enquanto um zumbi se precipitava para alcançar seu rosto, não grito para não desconcentra-lo, vejo sua mão tatear e passar pela boca do zumbi, eu podia matar Daryl Dixon e suas ideias estúpidas, então ele enfia a mão nos olhos daquela coisa e a usa para acertar a cabeça do policial, finalmente Rick os tem na mira, acerto o zumbi mais perto de Daryl e o cara se ergue rendido.
─Rick, Rick, três é melhor que dois – Daryl diz se erguendo sujo de um barro preto e com aquela cara de idiota sortudo dos infernos.
─Porra Daryl Dixon! – Me aproximo alucinada – Você acha que porque sou jovem não posso morrer do coração? Que ideia estupida foi essa?
A cabeça nojenta está no chão a seu lado, ele danificou seu cérebro com a porra dos dedos, mas piso mesmo assim naquela coisa, esmago apenas por vingança, aquele ser ousou sonhar e me tirar Daryl.
─Alice eu estava tentando...
─Odeio zumbi bombardeado, muito, mais do que barata!
─Eu não sei porque ainda compara tudo com barata, e estava lutando, que queria que fizesse?
─Baratas eram as coisas mais nojentas que conhecia e podia ter inventado outro jeito de se defender, viu que enfiou a mão na boca daquela coisa?
─Tem essa maldita lista de coisas que odeia mais que baratas e sempre usa isso nos momentos mais difíceis do apocalipse, me diga que merda de jeito podia ter usado?
─Claro que faço as comparações nos momentos difíceis, onde mais seria? E sei lá que jeito podia ter usado, não rolar no chão com o infeliz, idiota e careca ai já seria uma boa ideia, eu é que entendo de lutas épicas!
─Cala a boca Alice, devíamos deixar você dez minutos com aquela Dawn, tenho certeza que ela devolveria os reféns, e nos daria até o hospital de brinde, só para se livrar de você!
─Você me ama Daryl, não briga comigo, posso morrer a qualquer momento!
─Que talento para dizer bobagens.
Seguimos para o galpão, os policiais presos e seguros.
─Sabe amor, eu gosto de você meio sujo, tipo o cara mal, é sexy, afasta a concorrência também, mas hoje você passou dos limites.
Ele vem em minha direção, queria ter forças para fugir, mas é Daryl Dixon e ele passa o braço podre sobre meu ombro, faço cara de nojo, ganho um beijo, ele se limpa um pouco, lava as mãos.
Os policiais tentam nos confundir, a mulher diz que pegamos o grupo errado que Dawn sabe que eles têm planos de dominar o hospital, o cara manda que se cale e fico pensando que estão todos mentindo, mas Rick vai interrogar o cara.
─Amor eu devia interrogar os caras, posso usar meu charme, funcionou com os canibais.
─Se atreva! – Sou ameaçada.
─Você é ingrato Daryl Dixon, graças a minha beleza tinham uma faca, sou praticamente uma heroína!
─É praticamente uma maluca isso sim.
─Que saco, não fiz nada legal, vocês sempre se divertem.
─Que coisa divertida viu hoje? – Ele pergunta impaciente.
─Macetar o cara com a cabeça de zumbi foi divertido, admite!
─Cala a boca Alice! – Ele me puxa pela mão, nos afastamos um pouco do grupo para arrumar as armas, comer alguma coisa, e nos preparar para partir para o hospital.
─Obrigada Noah, você foi bem lá fora, não foi amor?
─Fez o que tinha que fazer, era o mínimo depois de deixar Beth para trás! – Daryl o fuzila com o olhar, é o garoto fez isso, mas não sabemos em que circunstâncias.
─Deixe que Beth decida isso! – Uso a frase de Carl, penso nele e em sua segurança, rezo para que fiquem bem.
─Achei o padre sinistro hoje, acho que ele ficou meio doido, deve estar achando que Deus o abandonou.
─Já não era sem tempo, o covarde deixou as pessoas morrerem a sua volta e não fez nada.
Estamos prontos, vejo Sasha se afastar com um dos policiais, eu devia saber seu nome, mas não prestei atenção quando ele disse, estava reparando no rádio que levavam no ombro.
─A gente devia ter walkie talkie, não sei por que não temos isso.
─O que Alice?
─Que homem lento, já viu aqueles radinhos dos policiais que eles têm nos ombros, para chamar reforços nos filmes, meu sonho é fazer isso.
─Você não é normal, definitivamente, devia ter te obrigado a ficar na igreja, tive pena da Mich, seria um trabalhão cuidar de você, mas devia ter feito isso.
─Só me critica! Minha ideia é ótima, devíamos ter walkie tolkies para nos falarmos quando estivéssemos longe um do outro, e podíamos usar nossos codinomes e dizer cambio final, vamos conseguir uns quando resolvermos tudo?
Ele me olha, podia admitir que minha ideia é perfeita, seu olhar diz isso, ele sabe que devíamos ter uns desses.
─Eu sei que sou brilhante amor! – Beijo Daryl, a policial nos olha, eu a encaro, sim é gostoso, mas é meu, digo isso com o olhar e ela baixa a cabeça.
─Prontos? – Rick nos pergunta, afirmo, um pouco tensa, é a hora da verdade, encaro Rick, não gosto do modo pragmático como ele vem agindo, mas não duvido que é capaz de qualquer coisa por nossa família.
─Rick, nós vamos traze-las de volta não é? As duas, Beth e Carol?
─Pode apostar Alice, vamos fazer isso.
─Então vamos de uma vez, aproveitar a luz do dia. – Daryl diz olhando os policiais no chão.
─Esperem a Sasha, ela saiu por ali com o policial.
Logo sinto que algo está errado, só pelo olhar que Rick e Daryl trocam, meu coração se aperta um pouco, me dá medo do que pode acontecer, parecia um bom plano, agora não tenho mais certeza, não tenho mais nenhuma certeza, só o que sei é que faremos o que for preciso, é nossa família, é assim que agimos.
Fale com o autor