Caminhando entre os mortos 2
4 Capitulo 4 - Slabdown
Notas iniciais
Pov – Beth
Vou recobrando a consciência um tanto confusa, enquanto vou saindo da escuridão, um mundo de coisas se misturam em minha mente, a queda da prisão, a busca pelas crianças, a fuga sozinha pela mata, correr e correr, horas e horas, uma casa onde passei a noite, zumbis e mais zumbis, um novo grupo.
Eugene, Rosita e Abe, a ideia fixa deles de ir para Washington, mais zumbis, eu me defendendo dos mortos e a escuridão, abro meus olhos, no começo é só claridade, pisco algumas vezes me acostumando com a luz, escuto o tic tac de um relógio por perto, sinto o ar limpo, as paredes claras, me ergo, tenho soro preso a meu braço, é um ambiente hospitalar, estou limpa, uso roupas de hospital, isso só pode ser um sonho.
O mundo acabou, não existe mais hospital, deixo a cama, me sinto fisicamente bem, só uma leve dor de cabeça, tenho gesso no braço, não me lembro de ter me machucado, caminho até a janela e olho a paisagem.
Atlanta? Como vim parar em Atlanta, num hospital, onde estão todos? Começo a ficar tensa, não sei o que é esse lugar, mas não se pode confiar cem por cento, não tem outra maneira de viver se não entre as duas linhas, no meio termo.
No meio de uma pequena crise de pânico caminho para a porta arrastando o soro, está trancada, bato pedindo socorro, escuto passos e me afasto, retiro a agulha do braço, não é grande coisa, mas bem pode cegar alguém.
A porta se abre, um médico e uma policial entram e me sinto num mundo a parte, um médico? Uma policial?
─Largue isso agora mesmo.
Ela exige e obedeço, o médico os apresenta, doutor Steven e policial Dawn, ou qualquer coisa assim, estou confusa demais para me preocupar com detalhes.
─Como está se sentindo? – O médico pergunta.
─Onde estou?
─Grady memorial hospital, em Atlanta.
─Como cheguei aqui? – Preciso entender o que aconteceu antes de decidir o que fazer.
─Meus homens a encontraram na beira de uma estrada.
─Fraturou o pulso e teve um ferimento superficial na cabeça. Lembra seu nome?
─Beth! – Aviso, eu me lembro de tudo até sentir a batida na cabeça e cair na escuridão, talvez eu não tenha apagado do nada, eles podem ter me acertado, mas e os outros? – As pessoas comigo?
─Você estava sozinha, se não fosse meus homens estaria morta agora. Você nos deve.
O tom é claro, as coisas ficam óbvias para mim, eu os encaro me decidindo, ainda não estou bem o bastante para enfrentar isso, preciso ser esperta, não é hora de um confronto.
─O doutor vai te examinar se estiver bem e em condições pode começar a trabalhar, vai ser assistente dele e com o tempo e trabalho pagar o que nos deve.
Dawn nos deixa, o médico sorri, me sinto confiante perto dele, é um rosto simpático que me traz boas lembranças, talvez porque diante de um médico eu me sinta um pouco perto do meu pai, a imagem dele de joelhos me vem à mente e a afasto depressa, ainda não posso me render a dor, é hora de sobreviver.
Tenho um corte no rosto que não sei como aconteceu, assim como não sei de onde vem o pulso fraturado, mas tudo isso é pouco, estou viva e vou continuar assim.
Prendo os cabelos quando o doutor Steven me garante que já estou bem e então saio com ele para um tour pelos quartos, ele vai me explicando o trabalho, meu pai era um veterinário, depois por muito tempo foi o médico da prisão, agulhas e sangue são parte do meu cotidiano, não me causam medo e é um terreno conhecido para mim.
Chegamos a um quarto, um homem está deitado preso a aparelhos, o doutor me conta sua história, faz uma rápida verificação e sem qualquer constrangimento ou preocupação com ética ele desliga os aparelhos.
─Só isso? – Pergunto um tanto perplexa.
─Se o paciente não responde rápido desligamos, não podemos desperdiçar recursos.
Não, esse homem não lembra em nada meu pai, o velho Herschel jamais desistiria eu já vi acontecer, ele pega uma faca e acerta a têmpora do homem, é só isso, acabou para aquele coitado.
─Venha, me ajude a retirar tudo isso, não podemos demorar aqui.
Cobrimos o corpo e saímos por um corredor empurrando a maca, Dawn conversa cum um de seus homens, o doutor para um instante para falar com ela, fico olhando aquele longo e impecavelmente limpo corredor, ao fundo um rapaz limpava o chão.
Um policial sai de um dos quartos, dou um passo em direção ao local, curiosa e decidida a entender o que se passa naquele local, uma mulher caminha para a porta, seus olhos são tristes e sinto pena, ela me encara e posso sentir sua raiva, a porta se fecha em minha frente e sinto um certo constrangimento, porque o homem acaba de sair dali? Uma ideia começa a pairar sobre minha mente, mas é terrível demais.
Dawn nos abre uma porta e seguimos com o corpo em direção ao poço do elevador, o doutor me explica como funciona, nada de enterrar, é apenas atirar os corpos lá e deixar que os zumbis que perambulam pelo térreo os devorem ainda quentes, eles usam tudo que está a volta, querem salvar vidas, mas não se envolverem com elas, isso me choca um pouco.
Depois de umas horas de trabalho sigo para o refeitório, vou levar a bandeja do doutor e pegar comida para mim, aqui tudo que se pega, usa ou necessita entra na sua conta, não sei como funciona a cobrança, mas decido viver com o mínimo possível, eu tenho em algum lugar uma família tentando sobreviver e vou encontra-los, e se não acontecer ainda assim prefiro passar o resto dos meus dias tentando.
Um policial está lá quando entro arrumo a bandeja, ele é nojento, o modo lascivo com que me olha, as coisas que insinua, quer um agradecimento e sei o que isso significa, a imagem do policial saindo do quarto da moça e o olhar dela me vem à mente, pego apenas a bandeja do médico, ele não vai conseguir o que quer, não comigo.
O doutor ouvia música, faz muito que não me vejo assim, despreocupada e capaz de ouvir por um tempo uma boa música, essa é das coisas que mais sinto falta desde que o mundo se foi.
A sala é o oposto do resto dos ambientes, é uma grande bagunça, o doutor reclama do tédio, acho que ele não esteve lá fora, não tem ideia do que se passa do lado de fora dos limpos corredores deste hospital.
─Você tem sorte, se você se sente seguro o bastante para sentir tédio você tem sorte.
Ele conversa um instante sobre música, é um homem agradável, mesmo que tenha me tirado um pouco as esperanças de encontrar um par para meu pai.
O doutor me pergunta sobre minha comida, me oferece um pouco da sua, porquinho da índia, provo me sentando com ele, preciso ter algumas certezas, saber quem é quem e se tenho alguém do meu lado, se existe alguém com quem eu possa contar.
O gosto da carne é comum, é só alimento, sabores perderam a importância e me lembro de Daryl e seus esquilos e corujas, se ele acha estranho um porquinho da índia precisa ver o que já comi nos dias ruins e foram muito dias assim.
Ele tem um belo quadro a seu lado, eu o observo, a beleza dos traços me encanta, o doutor nota.
─É um Caravaggio, não tem mais lugar para arte nesse mundo, arte não é sobre sobreviver. Trata-se de transcender, ser mais que animais. Elevar-se.
─Não podemos mais fazer isso?
─Não sei.
─Eu canto, eu ainda canto.
Ele me sorri, sim eu canto, eu ainda procuro beleza e amor, ainda crio sonhos e expectativas, ainda acredito e não poderia viver de outro modo, não aceito isso e sei que não sou a única, Alice é como eu, e ela está por ai armando uma mão de pôquer, rindo e buscando amor, é por isso que existimos, não apenas para respirar, não sou só estomago e caminhar, esses são os zumbis, eu sou mais do que isso, eu tenho um coração e ele bate, isso é o que importa ou não vale o esforço de continuar lutando.
Dawn chama o doutor para atender um novo paciente, eu os sigo atendendo suas ordens, o homem está grave, Steven parece relutante em salva-lo, Dawn quer que ele faça de qualquer maneira, os dois discutem, eu o ajudo com o que ele pede, depois ele explica algumas questões clinicas para ela que o olha cheia de ódio, então sem que espere recebo um feroz tapa no rosto que me faz girar o rosto e abre o corte, fico perplexa demais para qualquer reação.
O doutor da novos pontos no local, vai ficar uma grande cicatriz, não me importo com isso, ele diz que ela é assim quase o tempo todo, tenta me tranquilizar, não acho que possa, as coisas a cada momento fazendo mais sentido para mim.
Troco a blusa porque Dawn exige limpeza no ambiente, encontro um pirulito no bolso, um agradável presente que decido guardar para um momento feliz, se algum dia tiver um, coloco sob o colchão e volto ao trabalho.
Uma nova confusão começa, a mulher que ouvi por ai que estava desaparecida surge com uma mordida, é levada para uma sala, sinto pena, me lembra meu pai mais uma vez, a luta para salva-lo, a desistência momentânea de Maggie e a minha completa esperança, não gosto de ficar revisitando o passado.
Joan não quer ser salva e isso me apavora, do que ela quer se afastar dessa maneira, o que pode ser tão ruim que ela prefira a morte, ela fala sobre Gormam o policial que me salvou e vem fazendo insinuações perigosas.
Ela recusa anestesia, Dawn exige que o doutor ampute o braço mesmo assim e sou obrigada a ajudar, aquilo é devastador, ver o médico serrando o braço com um fio de metal enquanto ela se debate aos gritos e me obrigam a participar daquilo.
Levo as roupas sujas para pequena lavanderia, Noah está lá, ele se apresenta, parece um rapaz bom, não está em melhor situação que eu e sinto imediatamente empatia por ele.
Noah me conta sua história, como foi parar ali e o que acha do lugar e Dawn, diz que piora a cada dia e que vai fugir, que seu pai foi deixado para trás por que era forte.
─De onde você é?
─Richimond, Virgínia. Tínhamos paredes fortes lá, acham que sou fraco, mas não sabem nada sobre mim, do que sou, do que você é.
Talvez ele não saiba, mas me enche de esperança e coragem, sim eu sobrevivi, mereço estar viva, posso continuar a lutar, posso sobreviver, posso fazer isso e vou.
Volto para meu trabalho esperançosa, Dawn me procura com uma bandeja, me oferece uma trégua, fala sobre os esforços para manter o lugar, as esperanças de um resgate e cada um fazendo sua parte e se comprometendo, ela não pode mesmo achar que alguém virá, não é possível que ainda sonhe com isso depois de todo esse tempo.
Mas isso é um jogo, um jogo para ser jogado com inteligência e não força, não se trata de derruba-la e correr, eu aceito a oferta, pego o garfo e provo a comida, deixo que pense que me convenceu, sei que não importa o quanto eu trabalhe nunca vou ter pago o bastante e darei outro jeito de sair dali.
Enquanto cantarolo uma canção limpo o quarto de Joan que está adormecida, ela acorda, tento sair mas ela não deixa.
Pergunto o que sabe, ela não é clara o bastante, mas não precisa, entendo o que quer dizer, entendo os abusos de Gormam, entendo a vista grossa de Dawn, tudo fica claro como cristal para mim.
Estou em meu quarto, me lembro do pirulito e quando vou procura-lo ele não está mais lá, Gormam entra no quarto, caminha com o pirulito na boca, faz insinuações, se aproxima, quer que prove, me oprime, diminui, mostra sua força forçando o pirulito em minha boca, me enchendo de nojo e repulsa, então o doutor entra me salvando da humilhação, me sinto envergonhada ali, me sinto vazia, um lixo, um objeto, não vou ser como Joan, não vou ser como a mulher que fechou a porta na minha cara, não vou aceitar.
Os dois discutem, trocam ameaças e o policial nos deixa.
Ele disse que eu pertencia a ele, não é verdade, sou livre, sempre fui, meu pai me ensinou isso. Quando ficamos sozinhos eu o questiono, porque ele aceita ficar naquele lugar quando pode simplesmente ir embora?
Ele me leva ao térreo, me mostra por grades um grupo de zumbis, é por isso que fica, porque é covarde demais para ir mais longe, porque não é ele quem sofre os abusos e assim como Dawn ele finge não vê-los, porque isso é apenas mais fácil.
Depois subimos ao terraço e enquanto ele me conta a história do lugar fico assistindo a grande metrópole morta, ouvi histórias sobre sua queda, sobre o tempo em que as pessoas ainda acreditavam e quando olho para aquele cenário sinto pena, mas isso não diminui minha força interior, não tenho medo de morrer, tenho medo de me render, de não tentar.
Não importa o quanto ele me diga que aqui é menos ruim que lá fora, que aqui, respiramos, quero mais que isso, aviso que vou entrar, não quero mais estar perto dele e sua apatia.
Ele me manda medicar o paciente, aceito e obedeço, fica claro que não posso confiar nele, que ele não quer enxergar, mas é igual a ela, pode se sentir superior, mas não é, os dois são igualmente covardes, e são fracos, são fracos porque não enxergam a verdade e essa é a grande fraqueza humana.
Medico o paciente e então Noah surge na sala, conversamos um instante e o paciente começa a ter uma convulsão, ficamos ali, sem a menor ideia do que fazer e no fim o homem morre diante de nós dois que apenas assistimos.
Dawn fica furiosa, Noah assume a culpa, é levado para sua sala e eu o escuto sendo espancado, o médico não me deixa ir ajuda-lo, não me deixa explicar o que aconteceu e então ali, naquele momento eu compreendo absolutamente tudo.
Ele me usou para matar o paciente, nem mesmo teve coragem de fazer isso pessoalmente, vou sair daqui, e vou fazer isso o mais rápido que posso.
Dawn me procura em um quarto, se defende falando sobre o bem maior, nunca acreditei nessa merda, aprendi na prisão que o bem maior e a vida de cada pessoa e o quanto lutamos por ela, mas Dawn não vê isso, não vê nada, olha para mim e vê fraqueza, me joga na cara todas as verdades que eu mesma já enfrentei e superei, sou forte, eu sou forte, não sou a menina que tentou suicídio, não sou mais a garota indefesa que era protegida pelo grupo, que aceitava que outros se arriscassem por ela, essa menina morreu, eu fiquei sozinha e lutei, eu venho lutando, eu estou aqui, estou de pé, ela não pode me fazer sentir inferior por que a força que tenho está dentro de mim e nada nem ninguém pode me tomar, porque é tudo que me resta e me faz corajosa.
Procuro Noah, combinamos tudo, vamos juntos pelo poço do elevador, eu só preciso conseguir a chave reserva.
Entro na sala de Dawn num momento oportuno, começo a buscar a chave, em meio a isso encontro os documentos do paciente que matei involuntariamente, ele era médico, o Doutor sabia disso, matou o homem para não perder seu lugar de médico, um covarde, um grande fraco que não merecia estar nesse mundo.
Então vejo sangue, e para minha surpresa é o corpo de Joan, ela no fim deu cabo da própria vida, preferiu isso a viver naquele lugar, mas eu não, eu já fiz uma vez, era apenas uma menina assustada, mas já tentei o caminho mais fácil, depois entendi um mundo de coisas que me fizeram forte e corajosa e não vou sucumbir.
Encontro a chave, Gormam entra na sala no momento que seguro a chave, as coisas complicam, não vou ceder a ele, mas não vou perder essa chance, mais uma vez é hora de ser inteligente, deixo que acredite que está me seduzindo, que estou cedendo e que sou fraca como ele acha que sou, ele toca meu corpo, se impõe sobre mim, me enoja mas disfarço, vejo o corpo de Joan começar a dar sinais e quando os lábios nojentos daquele lixo humano se dirigem ao meu pescoço eu devolvo a ele todos os pirulitos que pensou em me forçar lábios a dentro, arrebento o vidro em sua cabeça, aproveito que está atordoado e o atiro ao chão em direção ao zumbi de Joan que salta sobre seu pescoço, no fim tivemos nossa vingança, eu e ela, onde quer que ela esteja está grata pela ironia.
Pego sua arma, deixo o lugar com a chave no bolso, é hora de deixar o inferno e enfrentar a vida, hora de caçar minha família, ou um outro lugar, não importa, apenas vamos embora.
Depois de enganar Dawn com alguma sutileza eu e Noah seguimos para o poço do elevador, sou forte, sou filha de Herschel Grenne, vivi com os melhores homens e mulheres, lutadores corajosos que não vou decepcionar me acovardando.
Presa a um lençol eu desço, depois é a vez de Noah, ele manca, tem dificuldades, mas como eu, é corajoso, no meio do caminho um zumbi tenta pega-lo por uma fresta e ele despenca sobre os restos humanos.
Já fizemos mais barulho do que devíamos, o som de sua queda deve ter acendido a fome dos mortos, mas agora não tem volta e pulo em seu encontro, pego a lanterna, entrego a ele e pego a arma.
Fui treinada pelos melhores, o primeiro deles foi Shane lá na fazenda, mesmo a contragosto meu pai permitiu, depois convivi com Daryl, Rick, e tantos outros, atirei muitas vezes e sei o que é preciso.
Os zumbis caminham em meio a escuridão, um deles pega o braço de Noah eu o ajudo e então ele vai iluminando enquanto vou disparando, não erro nenhuma vez e não tinha dúvidas sobre isso, sei quem eu sou, sei há muito tempo, saímos para a luz do dia que por um segundo ofusca minha visão, mas então tudo fica claro e eu os vejo, são muitos, mas são só os mortos, eu não os temo mais.
Avanço com Noah logo atrás de mim, ele está machucado, a culpa é minha, apanhou em meu lugar, mas me ajudou a sair e vou ajuda-lo, avanço em direção aos zumbis.
Piso na cabeça de uma delas, esmago aquela coisa como vi muitos dos meus fazerem e sei que também posso, vou atirando e limpando o caminho para Noah, posso ir depois dele, posso ficar para trás, posso ser devorada, não importa, a única coisa que não posso é parar de tentar.
Eu o vejo passar quando fico cercada pelos mortos, chutando e atirando, usando tudo que aprendi com o tempo, sendo mais forte do que qualquer um possa acreditar, mas então sou pega por um policial, ele me deita no chão e vejo com um sorriso vitorioso Noah sumir para o centro de Atlanta, valeu a pena, ele vai encontrar sua mãe, estou feliz, eu fiz isso, eu venci, venci toda essa gente, sou forte.
Me levam para Dawn, estamos diante do corpo do policial nojento, ela tenta me coagir, mas não pode mais, eu a enfrento, somos iguais agora mesmo que isso a perturbe ela não pode mudar a verdade, se enganou ao meu respeito.
─Não vem ninguém Dawn, ninguém, acabou, e você deixou isso acontecer por nada! – A verdade a perturba e só o que pode fazer e descontar em mim, usa sua força física, e me acerta algumas vezes.
O doutor me costura mais uma vez, tenho novos ferimentos agora, mas me sinto orgulhosa e forte, ele diz que me recupero rápido, pode ser que sim, mas não vou esperar.
Jogo na cara dele o que me fez fazer, ele admite sua covardia e sinto nojo daquele homem, ele é igual a todo o resto, um covarde e fraco homem que prefere continuar respirando a tentar viver.
Olha para o Caravaggio, usa a metáfora de Pedro e sua traição a Jesus para explicar o inexplicável, então ele deixa a sala, pego a tesoura sobre a mesa, não vou desistir, nada me vai fazer parar agora, ninguém pode me impedir de tentar e se tudo que eles têm é o doutor Steven então talvez eu tire isso deles.
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