Caminhando entre os mortos 2

30 Capitulo 30 - Primeiro encontro


Notas iniciais
Oi gente! Estou toda escritora hoje kkkkkkkkkk Postei hell de madrugada e agora aqui. Aodro quando tenho um fim de semana assim quase todo livre. Espero que gostem.

Pov – Daryl

Stacy a enrola em uma toalha branca assim que o cordão umbilical é cortado, limpa um pouco seu rostinho e então se aproxima com nossa menininha nos braços.

Afrouxo um pouco o aperto que dava na mão de Alice, tinha sido ela a me apertar a mão durante todo o parto. Mas quando eu a vi saindo de dentro de Alice e chorando a plenos pulmões linda, inteira e viva, meus dedos travaram em volta dos de Alice.

Alice me olha com o rosto molhado, um pouco por suas lágrimas, outro por seu suor, me dobro para beijar seus lábios e então Stacy entrega nossa pequenina nos braços da mãe.

Eu achei que Alice tinha me ensinado tudo sobre o amor, mas aquele pequeno ser tem todo poder sobre mim. O choro encerra quando se vê nos braços acolhedores da mãe.

Alice está muda, o que torna aquele momento ainda mais raro, com a mão ávida abre a toalha, investiga nossa pequena, faço o mesmo. Nosso primeiro encontro.

Pés, mãos, dedos, todos eles ali, lindos, perfeitos. Nosso milagre, nossa vida que se dividiu e depois se juntou naquele pequeno espetáculo. É a perfeição condensada em um sopro de vida.

─Olha amor! Que linda, perfeitinha, uma menininha perfeitinha. – Alice soluça, seus olhos desgrudam um pouco da filha para me encararem, brilham como joias preciosas, são joias preciosas para mim, ela toca meu rosto, me puxa para um beijo, retribuo o carinho. – Obrigada! – Seco suas lagrimas, tenho muito a dizer, mas as palavras estão travadas.

─Amo você Alice, agora mais do que em qualquer outro momento. É minha vida, você e nosso bebê.

Beijo a testa da minha filha, toco seus dedinhos, ela parece cansada, os olhos ainda fechados, nunca mais vamos desgrudar dela, sorrio.

─Oi monstrinha! – Alice acaricia o pequeno rostinho. A boquinha se abre num resmungo, rimos os dois, completamente tontos com aquela pequena obra de arte. – Que linda, nada de língua verde amor, nem olhos esbugalhados, escamas.

─Cala a boca Alice.

─Ei pequena Alien, olha como o papai fala com a mamãe, eu avisei que era melhor ficar lá dentro.

─Para de chamar ela dessas coisas. – Alice nunca vai me deixar ter um momento de paz e plenitude? – Ela é a coisa mais linda que já vi.

─Um alienzinho bem perfeitinho mesmo. – Alice ri.

─Mas agora a alienzinha precisa ser limpa, depois vai alimentar.

Beth não ajuda, já vai chamando a minha filha como Alice, preciso ser rápido e arrumar logo um nome para minha pequenina.

─Ela vai sugar meu seio não é? – Alice questiona e Stacy afirma. ─Vai ser bem divertido, o que eu faço agora? Posso levantar e ir para casa?

As três mulheres riem, até eu fico um pouco confuso, ir para casa era boa ideia, Alice nem viu o berço no quarto ainda. Era para ser uma surpresa, mas a surpresa foi encontra-la no meio de uma guerra com zumbis. A recordação me tira do sério, ainda nem tive meu ataque.

─Nada de sair daqui Alice, descansa um pouco, amamenta seu bebê, dorme umas horas, depois o Daryl te leva. – A médica comunica.

─Que droga. – Ela me olha. – Então aproveita e vai terminar o berço amor.

─Já terminei Alice.

─Nossa nem me contou!

─Eu pretendia fazer uma surpresa Alice, mas claro que você tinha que ser mais rápida, o que foi aquilo? Dois zumbis e um garoto em cima de você, em cima da sua barriga! – Pronto o ataque chegou, ela da um longo suspiro enfadonho, não se assusta, nem se irrita, apenas boceja e me encara despreocupada.

─Primeiro se não for pedir muito grita baixinho, segundo eu estava salvando vidas, sou um tipo de heroína pós-moderna apocalíptica, e por último mais não menos importante, quando eu cheguei lá, a merda já estava feita, agora não tenho culpa se sou uma delicia e os zumbis ficam frenéticos com a minha simples aparição.

Beth não segura o riso, Stacy também não, apenas a doutora se mantêm séria, mas isso porque está banhando minha filha e fazendo sua primeira higiene que eu podia estar assistindo, mas estou no meio de uma discussão ridícula com a rainha das desculpas esfarrapadas.

─Eu sei, ficou sem palavras, sou ótima em debates, venci!

─Não Alice, não venceu, eu apenas desisti, eu... eu... Vou ver minha filha tomar seu primeiro banho.

─E eu? Não vou ver isso? – Ela reclama quando me afasto. – Ela fica nove meses me chutando de dentro para fora, repito de dentro para fora e perco os momentos importantes?

Ok, ela consegue, faz aquela voz manhosa e ainda me domina mais do que qualquer pessoa, dou meia volta e me aproximo de Alice. Afasto seus cabelos, os olhos estão marejados.

─Que pena que o mundo acabou, seria um oscar atrás do outro, ganharia milhões com a indústria do cinema.

Me sento na beira da cama, ela se senta e me abraça, encosta a cabeça em meu peito.

─Quero ir para casa ver o bercinho da monstr.... do bebê. – Alice conserta.

─Daqui a pouco. Não precisa chorar, nem estou vendo o banho também.

─Você é muito companheiro Daryl, eu veria se fosse o contrário. – Rio, ela faria mesmo isso. – Mas você é bem perfeito.

─Obrigado, agora deita de novo que a bebê vem vindo. – Ela se aperta mais a mim.

─Posso escolher o nome? Ela tem uma carinha de ....

─Não. Nem pensar, eu que escolho. – Alice se aproveita de cada chance que tem para me chantagear. Ela se deita de novo, sorri, seca as lagrimas.

─Aqui está. – Nossa filha vem nos braços de Beth que está toda sorridente, todo mundo ali já pegou meu bebê nos braços menos eu. – Assim que ela mamar você pega Daryl. – Beth sente meu drama ao colocar a pequena nos braços de Alice.

─E agora? – Alice pergunta. Stacy se aproxima, ajeita a criança, da dicas e então lá está nossa filha mamando vorazmente. ─Uou! Ela está mesmo sugando! Isso é incrível, estou alimentando minha filha.

É um sorriso tão cheio de amor que me preenche por inteiro.

─Tem ideia do quanto é linda? – Pergunto sorrindo.

─Tenho. – Ela diz simplesmente então se volta para nossa filha, fica ali, observando a pequena mamar.

─Então é isso? Amamentar, dar banho, trocar fraldas e só? – Eu pergunto.

─Basicamente, vou acompanhar o desenvolvimento dela, vai dormir muitas horas nos primeiros dias, depois cada vez mais vai ficando acordada, mas deve mamar de duas em duas horas, três em três, dependendo da força do leite, mas ela vai avisar vocês.

─Ótimo, então se ela chorar eu ponho no peito?

─Sim, mas claro que se ela comeu há quinze minutos e está chorando pode ser outra coisa. Você continua cuidando da sua alimentação como estávamos fazendo, leite, legumes e carne.

─E eu não tenho que ficar de cama nem nada dessas coisas não é? Porque o Daryl vai querer que eu fique deitada até ela fazer quinze anos, ele resolve tudo me mandando deitar.

─Ridícula! – Eu resmungo e ganho uma careta infantil.

─Tudo normal, apenas o sexo que vão evitar, seu corpo precisa se refazer, quarenta dias é suficiente.

Eu e Alice nos encaramos, nenhum dos dois disfarça o peso que aquelas palavras tem sobre nós.

─Quarenta dias? Por que tudo isso? Porque tem que ser um número par? Não pode ser trinta e cinco, vinte e três. Tem que ser quarenta?

─Sim Alice, tem que ser quarenta.

─Monstrinha isso não é um bom jeito de começar uma relação, acho que a gente vai ter que rever isso ai.

─Não é culpa dela Alice. – Beth ri da amiga. – Vou lá na sua casa arrumar tudo para vocês, descansem.

─Vai, põe tudo rosinha, vai ser a alienzinha mais cor de rosa do planeta.

A pequena abre os olhos, o tempo parece parar, tudo fica em suspenso quando encaramos aqueles lindos olhos azuis, claros e vivos como os de Alice.

─Oi filha! Sou eu a mamãe! – As lagrimas de Alice voltam, acho que eu também podia chorar se não fosse me sentir completamente ridículo. – Esse é o papai.

Beijo a testa da minha menina, então Alice se ajeita, me encara, mais uma vez chorosa.

─É sua vez amor, vou dormir um pouquinho e você cuida dela.

─Certo. – Vou pegar minha filha nos braços. Me aprumo, é quase uma cerimônia para mim, eu a arrumo bem firme em meus braços antes de me erguer com ela no colo, tão linda, quietinha e perfeita, fico ali, olhando para ela esquecido do mundo, imóvel e perdido de amor mais uma vez. – Obrigado por isso Alice.

─Não me agradeça amor. – Ela me sorri, é Alice, sempre tem algo a caminho. – Pague trocando fraldas.

Eu sabia, afirmo, posso fazer mais do que isso, posso passar o resto dos meus dias me dedicando aquele pedacinho de Alice que se puxar um pouquinho que seja a mamãe, vai me deixar completamente maluco.

─Ally. – Digo em voz alta. – Esse vai ser o nome dela.

─Ally. – Alice repete. – Ally de Alien?

─Não Alice, Ally de Ally mesmo, porque ela se parece com você, porque é um nome delicado, simples e porque...

─Eu gostei amor, chega de motivos. Ally é lindo, e sempre vou poder apresenta-la como Ally de Alien.

─Se fizer isso... – Encaro Alice.

─Olha que ela vai acordar. – Alice me alerta, me calo. – Te amo, mas preciso mesmo de um pouco de descanso, essa menina me dá muito trabalho, ser mãe é mesmo muito difícil, vou precisar de muito carinho e atenção. Sei lá quanto de cafuné será o bastante para me acalmar.

Não respondo porque ela é rápida em fechar os olhos e se arrumar para dormir.

Uns minutos depois me vejo sozinho com Ally em meus braços, apenas nós dois e Alice que dormia profundamente. Caminho pelo quarto, ela abre os olhos um instante, parece apenas querer ter certeza de que estou aqui, que não está sozinha.

─Estou aqui meu amor, sempre vou estar, não tenha medo.

Meus passos são leves, ela volta a dormir, e apenas me sento em uma cadeira, talvez nunca mais pare de olhar para ela.

─Vai ter que me ensinar meu amor. A mamãe me ensinou um monte de coisas, mas o resto é com você, essa coisa de amar é complicado para mim, vou me esforçar, prometo.

Arrumo Ally em meus braços e com a mão que fica livre toco seu rosto, beijo mais uma vez seus cabelos finos e ralos, claros como os de Alice.

─Não aprendi quando era criança, devia ter aprendido, mas não aconteceu, então a mamãe chegou e bom, você vai ver, ela é maluca, mas vai te deixar doida por ela, e esse jeitinho maluco dela foi me ensinando umas coizinhas sobre o amor, então por isso está aqui. Porque a mamãe me ensinou, mas ainda falta muito, talvez eu não demonstre muito, mas então pode me cutucar, mamãe chora, ela é boa nisso, mas é o jeito que ela arrumou de me fazer correr para dar um pouco de carinho.

Meu pequeno milagre continua ali, silenciosa, ressonando tranquila, aproveito esse momento para dizer tudo que queria quando ela estava na barriga da mãe e eu não conseguia.

─Ela usa um negócio de cafuné também, ela não gosta tanto daquilo quanto diz que gosta, mas ela sabe que isso me ajuda. Acho que vai ter que arrumar seus métodos, ou quem sabe eu apenas aprendo a fazer isso sozinho?

Era mesmo isso que eu precisa aprender, estar com ela ali me leva por uns momentos para minha infância, que grande porcaria foi aquilo, não consigo imaginar minha mãe ou meu pai tão encantados por um momento como esse, olhando para minha filha tão pequena e indefesa sinto que estar vivo é como um tipo de milagre.

Não me lembro de um abraço apertado, de um carinho desinteressado, de qualquer tipo de preocupação, nenhuma lágrima de emoção por mim.

Acho que a primeira vez que recebi carinho honesto foi de Alice. Pulo da infância para a cela da prisão, para a lanterna que estendi a Alice e sua mão me puxando para ela.

De chegar em minha cela e encontra-la deitada na minha cama porque não podia ficar longe, do medo que ela tinha de não saber de mim.

Das primeiras noites que apenas dormíamos enrolados, só porque não podíamos ficar longe.

─Toda essa história nos levou até você pequena. – Acaricio de novo seu rosto, beijo mais uma vez seus cabelos. – Não é um mundo perfeito sabe, é na verdade um mundo de merda. Vai aprender a falar isso antes de papai e mamãe, acredite e isso será só o começo, sua mãe tem uma boca suja e vai gastar horas do seu dia ensinando essas bobagens a você. – Sorrio com a ideia. Ally vai apavorar as outras mães de nossa vila, será má influência com certeza e isso vai puxar ao papai. – Voltando ao mundo, ele é mesmo ruim, com monstros de vários tipos, mas precisa saber que eu e sua mãe somos mesmo muito fortes, e que tem uns tios e tias poderosos, nenhum mal pode te alcançar pequena, nunca vai precisar ter medo. Eu prometo.

Ela abre mais uma vez os olhos, azuis, tão azuis, claros como os da mãe, tem os cílios longos, a boca bem feita, o nariz intrometido como o de Alice. É a cópia da mãe.

─Oi! – Escuto a voz de Maggie e me viro já sorrindo. – Não aguentei esperar.

Ela pega a pequena dos meus braços. Aproveito para olhar Alice que dormia tranquila, ainda um pouco pálida, mas seu sono parecia tranquila.

─É linda não é?

─Linda Daryl. E a Alice, como está? A Beth disse que correu tudo bem.

─Foi o jeito Alice de ter um filho, foi tudo bem. Estava cansada, mas está bem.

─Beth diz que está tudo pronto lá, e a doutora vem vindo dar permissão para Alice ir para casa, estou aqui para levar a... Já escolheram um nome?

─Ally.

─De Alien como a Alice queria?

─Não. – A risada de Alice nos faz olhar para ela, meu segundo de raiva vai embora quando encaro aquele rosto iluminado. – Viu o que conseguiu maluca?

─Acabei de ter filho Daryl, preciso de carinho. Não briga comigo.

─E precisa de casa também. – Stacy e a doutora entram juntas. – Como está se sentindo?

─Ótima, posso ir? – Alice se senta, os pés para fora da maca prestes a se por de pé. Eu a seguro na cama.

─Eu levo você, parece maluca, acabou de ter um bebê!

─Escute ele Alice, não temos muitos recursos, vamos evitar qualquer complicação, amanhã volta a caminhar e aos poucos a vida volta ao normal, vai estar toda dolorida, cansada, fique na cama que é melhor.

Ela me estende os braços.

─Quem vai levar meu bebê?

─Eu, a July queria carregar, a Pam e o Carl também, tem uma pequena trupe de adolescentes lá fora cheios de vontade de ver a menina, e umas crianças também e quase todo mundo que vive aqui.

Maggie avisa rindo. Eu sabia que seria assim, isso não tem nada a ver comigo, tem a ver com Alice, sua beleza interior, o modo como conquista tudo e todos.

─Essa gente me ama, eu podia me eleger líder do grupo se o Rick não fosse um ditador com cargo vitalício.

─Acho que cheguei num ótimo momento! – Rick diz sorrindo quando pretendia erguer Alice, ele caminha até ela, beija sua testa, aperta minha mão e encara minha filha. – Linda! Parece a Alice.

─Então é mesmo linda! – Alice brinca.

─Como se chama? Já deram um nome?

─Ally, de Alien! – Alice diz já rindo do meu olhar matador.

─Ally, lindo nome. – Ele segura a mão da pequena que abre os olhos mais uma vez. – Já tem uma amiguinha Ally, um dia vão mandar em tudo por aqui. Quando esse velho ditador vitalício perder as forças.

─E eu que faço drama! – Alice brinca, eu a ergo nos braços, seguimos para casa, Maggie tenta nos acompanhar, mas para um momento ou outro para mostrar Ally, coloco Alice na cama, mas claro que ela se ergue porque quer ver o berço.

As pernas fraquejam e ela se apoia em mim.

─Alice! Cuidado.

─Só uma olhadinha amor, você teve tanto trabalho. – Ajudo Alice a chegar até o berço quando Maggie entrava, ela arruma Ally no travesseiro, eu a cubro, com um aceno Maggie vai embora.

─Gostou? – Me viro para olhar para Alice, ela chorava.

─Olha o que me deu amor? Eu só queria uma lanterna para não ter tanto medo do escuro, mas então você me deu toda luz que existia no mundo.

Aquilo me emociona, gosto de ser importante para ela, gosto de quando ela mesmo sem querer me mostra isso, mas ainda me deixa sem muita reação.

─Vem maluquinha! – Eu a ergo nos braços. – Você fica bem esquisita falando coisas delicadas.

─Troglodita! – Ela se arruma quando a ajudo com os travesseiros. – Puxa o berço amor, assim a gente fica olhando a carinha dela dormindo. A gente nem pode fazer sexo mesmo.

Parece que será assim agora, eu e Alice o tempo todo de olhos pregados em nossa menininha.

Notas finais
Ansiosa pelos comentários. Gostaram do nome? Ideia da Gabi. Beijos!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!