Caminhando entre os mortos 2
31 Capítulo 31 - Admirando
Notas iniciais
Pov – Carl
─Acha que é cedo para irmos um pouco na Alice? – Pam me pergunta enquanto estamos mais uma vez escondidos na rua de traz, depois de fugirmos pela janela descobrimos um ótimo lugar para namorar, principalmente agora que a falha no portão foi consertada.
─Acho, ela acabou de ir para casa, amanhã a gente vai ver a Ally.
─De Alien. – Pam completa rindo. – O Daryl pediu por essa.
─Com certeza, mas é a Alice, ela daria um jeito, mesmo que o nome fosse outro.
Paramos de rir, nos olhamos, gosto de ter meus braços envolvendo a cintura de Pam, gosto desses momentos que ficamos abraçados e bem perto um do outro, que olhamos olho no olho, mas acho que estamos os dois cansados de nos esconder.
─Como foi com a sua mãe? – Há dias estamos pensando em confessar nosso namoro, é estranho que em meses ninguém nos descobriu, claro que contamos com a ajuda de July e Alice, mesmo assim é confuso.
Bruce nos pegou mês passado, mas July o fez jurar segredo e como ele quer agradar a nova filha ele concordou.
─Nem entrei muito no assunto, perguntei o que ela acha de você.
─E?
─O de sempre, acha você um ótimo menino, muito preparado e trabalhador, mas foi logo dizendo que era para eu não inventar história, que não é um mundo para isso, que somos jovens.
─E o que respondeu?
─Que isso era coisa da cabeça dela, que somos só amigos. Ela acha que você e July estão de namoro.
─Que ótimo! – Digo de modo irônico.
─Eu sabia que ela pensaria isso, July está sempre ajudando a gente, coloco ela em tudo, então ela acha que você está com ela, disse que deviam falar com a Beth e o Bruce, e para piorar disse que ela mesma está pensando nisso.
─Isso só complica mais as coisas.
─Muito e agora ela pode fazer isso a qualquer momento, disse que só estava esperando o bebê da Alice nascer, que só tinha cabeça para isso.
─Merda! – Reclamo depois de um suspiro.
─E com seu pai?
─A gente não tem muito dialogo, as coisas andam estranhas entre a gente.
─Eu sei. É por causa da Michonne?
─Um pouco, gosto muito dela, se temos que esconder as coisas eles não precisam e acho que isso é coisa dele, não gosto de saber que ele faz isso com ela.
Pam me envolve mais o pescoço, aproveito para beija-la, nunca passa disso, respeito ela e nossa pouca idade, não sou nenhum garoto idiota, sei que tudo tem seu tempo e que ainda não chegou o nosso, além de não saber muito o que fazer além de beija-la e abraça-la.
Mas nem acho que precise de mais do que isso, já me sinto bem feliz com os beijos, adoro seus lábios e acho que ela também gosta, nossos beijos são poucos porque nunca conseguimos muito tempo sozinhos, mas aproveitamos cada segundo.
Beijo Pam mais uma vez, está anoitecendo e sei que temos que voltar antes que as pessoas nos procurem.
─Carl! – A voz áspera do meu pai chega aos meus ouvidos como um estrondo.
No minuto seguinte eu e Pam estamos a quilômetros um do outro, corados e sem reação, eu sabia que aconteceria um dia, mas tinha que ser justo ele?
─Pai.
─O que significa isso? – Ele deve estar brincando, não sabe o que é um beijo? Me controlo, o medo da lugar a uma leve irritação, não é para tanto, aquele tom chocado parece um exagero. Tenho quinze anos, era de se esperar que fizesse coisas assim.
─Pai. – Que maldição, não consigo dizer nada além disso.
─Acho que já chegamos a um acordo sobre eu ser seu pai, podemos passar para as explicações? Sua mãe sabe disso Pamela?
Nome completo, problemas a vista, ela nega muito assustada, respiro fundo, guardo a irritação para outro momento, é hora de livrar a cara de Pam de um constrangimento maior.
─Podemos deixar a Pam fora disso e conversar em casa pai? Apenas eu e você?
─Podemos. Por enquanto. – Seu tom é de ameaça e se dirige diretamente a ela. – Vá para casa Pamela, e você vem comigo. Agora.
Ele determina quando abria a boca para dizer que o encontrava num minuto, aceno para Pam, ela responde com mãos tremulas e fico com mais raiva ainda dele por provocar medo nela, por não me deixar acalma-la antes.
Ficamos os dois parados lado a lado, ele faz um movimento determinando que ela devia ir primeiro e ela obedece apressando o passo rumo a sua casa, seguimos uns metros atrás, no mais absoluto silencio.
Ele caminha na frente, passa por Michonne que estava sentada na varando com Judith, eles trocam um olhar e ela logo compreende que é uma conversa de pai e filho, quando me encara seus olhos são mais tranquilos, me pede para ser paciente apenas com o modo como me encara, reviro os olhos, ela não devia defende-lo.
Meu pai me espera na porta, depois que passo ele fecha a porta atrás de si, me olha ainda furioso e não sei porque tanta raiva.
─O que tem para me dizer? – Me questiona e dou de ombros, no momento não quero dizer coisa alguma. – Acha certo ficar beijando a garota escondido?
─Não sei pai. Me responde você. Isso é certo?
─Claro que não! – Ele responde ofendido. – Eu devia saber disso, sou seu pai, tinha que ter confiado em mim.
─Como você confiou em mim para contar que anda trocando beijos com a Michonne? Acha que eu não sei disso? Porque você pode beija-la escondido e eu não? – Ele não esperava por essa, seus olhos arregalam, ele me encara um longo momento mudo, acho que formulando um modo de sair por cima. Não tem como.
─Somos adultos.
─Mesmo? Então porque está se comportando como eu que sou um adolescente? Por que está tratando a Mich desse modo? Acha que ela não merece que assuma seu relacionamento com ela?
─O que entende disso? É só um garoto.
─Entendo que ela serve para cuidar dos seus filhos, serve para trocarem beijos e se encontrarem de madrugada quando acham que estou dormindo, mas não serve para ser sua mulher diante da comunidade.
Jogo tudo que vinha remoendo na cara dele, sinto sua fúria chegando, ele engole em seco, me encara e seus olhos cintilam de raiva.
─Não é assunto seu, minhas decisões não te dizem respeito, tudo que eu faço é pensando no bem de todos.
─Menos no meu, ou da Mich, acha que ela gosta de esconder isso?
─Não vire o jogo Carl, isso é sobre você se encontrar escondido com uma garota.
─Stacy não quer que Pam namore.
─Então decidiram se esconder? Era isso que estavam fazendo ontem quando o muro cedeu?
─Exato. – Eu admito, não quero mesmo mais esconder nada.
─Achou que podia esconder isso por muito tempo?
─Pai, escondo isso há meses, descobriu apenas porque estamos cansados disso.
Ele se espanta, baixa a cabeça, coloca as mãos na cintura, afirma de modo amargurado.
─Sei mesmo pouco de você. Além da Alice quem mais sabe?
─Porque acha que ela sabe?
─Não precisa protege-la Carl, eu sei que ela sempre soube, aposto que ajudou e nem estou culpando Alice de nada, ela é maluca, mas no fundo aposto que cuidou para que não fossem longe demais.
─Ela ajudou. Eu queria...
─Devia tem me contado, sou seu pai, temos passado muitas coisas, vencemos essa droga, chegamos aqui, trouxemos Judy, eu e você, tem dividido comigo os cuidados com sua irmã, enxergo isso Carl.
─Eu queria contar, mas porque eu deveria confiar em você se não confiou em mim, sabe que eu vejo, que eu sei, sempre soube, mas preferiu fingir.
─Não é sobre você, não é sobre Michonne.
─É sobre ela sim, sobre você não gostar dela o bastante para mandar tudo para o inferno, sobre ela gostar de você o suficiente para aceitar isso.
─Judith ia gostar de ter uma mãe, parece que é só uma palavra, mas não é, quer dizer muito, tem horas que só uma mãe pode ajudar.
─E você? É o que queria? Que ela fosse sua mãe?
─Ela já é, não tornamos oficial ainda, mas ela é.
─Michonne sabe? Sobre você e Pam?
─Não, eu podia ter contado, não gosto e não preciso esconder nada dela, fiz isso por você, não contem para ela apenas para não obriga-la a esconder isso de você, para não estragar as coisas para vocês.
Meu pai fica silencioso, a raiva vai embora, ele se acalma, me sinto aliviado, disse tudo que queria, não tem mais nenhum segredo entre nós. Agora é com ele.
─Tudo bem, vou falar com Mich, acabar com esse segredo.
─Não é segredo pai, a comunidade toda sabe, as pessoas apenas fingem não saber. Ninguém se importa realmente.
─Resolvo minha vida com a Mich e você amanhã mesmo vai procurar Stacy e resolver a sua.
─Pai. – Suplico, mas ele está firme em sua decisão. – E se ela disser não?
─Vai respeitar isso Carl, vai ganhar a confiança dela ficando longe da Pam e enquanto isso vai pedir a sua amiga Alice que torne a vida de Stacy um inferno até faze-la mudar de ideia. – Meu pai ri, ele tem razão, Alice faz o que quer e as pessoas nunca ficam com raiva, ela pode convencer Stacy. – Mas não vou aceitar mais esse namoro escondido.
─Tudo bem. – Tiro o chapéu, passo a mão pelo cabelo, ele faz o mesmo, sorri e sinto certo orgulho, baixo a cabeça um tanto envergonhado.
─Gosta mesmo dela? – Ele me pergunta e afirmo. – Ela é mesmo linda e muito inteligente, teve sorte.
─Você também pai.
─Gosto mesmo da Michonne, não é como se não gostasse, estava pensando na comunidade, e principalmente em você, estava preocupado de isso nos afastar, de afastar você dela, sei o quanto gosta dela.
─Tudo certo pai, se acerta com a Mich e me acerto com a Stacy.
─Ótimo, não esconda mais coisas de mim. Vamos confiar um no outro. Precisamos ser uma família Carl.
─É o que quero. Vou para o meu quarto.
Era o que pretendia, mas ele me segura, me abraça e se no começo é estranho depois acabo me rendendo, gosto, é meu pai, o velho pai de quando eu era pequeno, o cara que fez de tudo para ficar vivo e me encontrar, que me ensinou tudo que sei e que me salvou a vida uma centena de vezes.
─Amo você pai. – Ele me abraça mais.
─Também te amo filho.
É bom de dizer, é bom de ouvir, sorrio quando me afasto dele e depois subo correndo as escadas em direção ao meu quarto, me atiro na cama pensando em toda nossa conversa, depois começo a ensaiar meu discurso para Stacy, vai ser difícil, mas ela vai acabar entendendo.
Pov – Alice
─Ela já está umas três horas dormindo né amor? Meio chato isso.
─Acabou de nascer Alice, está cansada. – Daryl sorri, os dois sentados na cama, grudados no berço encarando nosso milagre ha três horas, olho para janela, já é noite e me sinto mesmo cansada.
─Preciso de um banho, pode buscar a Beth?
─Posso te ajudar Alice, não precisa da Beth. – Ele me olha torto, tão terrivelmente apaixonado, sorrio.
─Eu sei disso Daryl, é para ela ficar olhando para a carinha linda da Ally.
─Tem razão, ela não pode ficar mesmo aqui sozinha.
Daryl me beija de leve, toca o rosto de nossa menininha, sorri, fica de pé e tropeça no pé da cama, tudo porque não consegue desgrudar os olhos dela, prendo o riso.
Ele volta tão rápido que me assusta, Beth vem esbaforida.
─Fui arrastada! – Ela me conta rindo enquanto tenta controlar a respiração. – O que faço?
─Senta e fica olhando para nosso bebê.
─Um bom trabalho esse. – Ela ri.
Daryl me ergue nos braços, me carrega até o chuveiro, de todas as mudanças agua encanada é minha preferida, ainda não é quente, mas quem se importa, logo vai ser e adoro sentir a água fria caindo por meu corpo.
─Isso é tão bom. – Eu suspiro quando termino de lavar os cabelos com Daryl de pé ao meu lado de prontidão. – Se não estivéssemos de castigo bem que te puxava para água.
─E não seria a primeira vez, vem chega de água. – Ele me esperava com uma toalha nas mãos, faço careta, desligo o chuveiro e ele me enrola na toalha, me seca cuidadoso e sou obrigada a aceitar os cuidados que não são nada ruins.
Visto uma camisola confortável, tinha separado há dias porque o decote ajudaria na hora de amamentar.
─Ficou perfeita para amamentar nossa monstrinha. – Toco meus seios. –AH! Eles vão embora quando ela parar de mamar. Vai sentir falta dos meus peitões?
─Cala a boca Alice. – Adoro que ele nunca muda isso, sorrio da cara desconcentrada dele quando me ergue nos braços. – Vem, chega de bagunça, vamos para cama.
─Ir para cama era muito bom. – Suspiro, ele ri e quando entramos no quarto Beth cantava uma canção suave para Ally, ficamos os dois escutando até que ela termine, ela nos olha sorrindo, depois fica de pé.
─Boa noite. Me chamem quando precisarem.
─Obrigada Beth. – Daryl diz me colocando na cama.
─E o casamento Beth, quando vai parar de enrolar? – Pergunto e ela me olha feliz, será o primeiro casamento da comunidade e estamos todos ansiosos.
─Estive falando com o Bruce, semana que vem, no próximo sábado. O que acha Daryl?
─Será perfeito.
─O que o Daryl tem com isso? –Pergunto confusa.
─Nada. – Beth se apressa. – Mas são padrinhos, então estava questionando se ele acha que você vai estar bem até o próximo sábado.
─Vou estar ótima, mas agora a Cloe terá que rever as medidas do meu vestido de madrinha.
─Sim, ela vai fazer isso. – Beth sorri.
─Acho tanta gente para padrinhos, Eu e Daryl, Glenn e Maggie, e Rick e Mich, aquele altar vai ter mais pessoas que nas cadeiras.
─É chic Alice. – Ela sorri mais uma vez, troca um olhar com Daryl, acena e deixa o quarto. – Eu bato a porta, boa noite.
Me arrumo de novo no mesmo lugar, encostada em meia dúzia de travesseiros e com os olhos fixos no meu bebê.
─Ainda dormindo.
─Como um anjinho, acho que terá os cabelos claros como os seus. Os olhos, olha o nariz, igual o seu.
─Sorte a dela não é amor, vai ser bem linda se puxar a mamãe, embora o pai e bem gostoso.
─Boba.
─Olha amor, ela está fazendo bico, acho que vai chorar, deve ser fome. – Ela se move, resmunga, o bico aumenta. – Olha esse bico. – É tão linda.
─Esse bico me lembra você.
─Mas o meu é falso, é só para fazer um drama. Será que o dela também? Que orgulho, já sabe fazer charme, pega ela amor.
Daryl é cuidadoso, quando me entrega nosso bebê ela tinha um chorinho roco e encantador, baixo e manhoso.
─Com fome pequena Alien.
─Alice! – Daryl reclama quando colocava minha pequena para mamar, ignoro, ele esquece e logo estávamos os dois babando enquanto ela mamava.
─Dói um pouco, mas é bom, tão linda.
Sinto vontade de chorar, um misto de amor e medo, tanto medo que nunca pensei sentir, seco uma lagrima antes que pingue em meu monstrinho.
─Que foi Alice? Dói tanto assim?
─Não, é apenas... Sei lá, me deu tanto medo, ela é tão frágil, especial, tantas coisas podem acontecer.
─Ela está segura, sempre vai estar, estamos aqui, vamos cuidar dela, protege-la, Ally nunca vai passar um segundo sozinha.
─Não vai sufoca-la Daryl, ela precisa de espaço, vida, quero que seja forte como nós dois, corajosa, quero que aprenda a lutar, quero que enfrente os mortos lá fora, que enfrente os vivos aqui dentro, que seja destemida como você.
─Ela será, vamos cuidar disso.
─E falar sobre tudo com ela.
─Nisso vamos com calma, prefiro a história da cegonha até uns dezoito anos.
Ele não tem limite para o ridículo, tenho uma crise de riso, nem mesmo seu olhar torto me faz parar.
─Fica quieta Alice, a menina está mamando!
─Fica você, acha que ela vai acreditar nisso? Que ninguém vai contar?
─Enfio uma flecha no primeiro que jogar papo na minha filha.
─Depois a gente fala sobre isso, temos tempo.
Ele aceita, ela continua ali, mamando quietinha, linda, ele beija os cabelos dela, acho que nunca vi seus olhos brilhando tanto, me emociona. Sorrio e choro ao mesmo tempo.
─Que coisa amor, não consigo parar de chorar e rir. – Essas coisas de hormônios não se organizam nunca.
─Te amo Alice, de qualquer jeito, cada dia mais, hoje eu te amo como nunca! Foi tão corajosa, linda, sabia que seria tudo bem, mas nunca pensei que seria tão forte, esperava por algum drama.
─Não quis brincar com a chegada da minha monstrinha.
─Para de chamar minha filha assim.
Ela adormece e Stacy falou que aconteceria, retiro ela do seio, ela fica em meus braços mais um tempo.
─Acho que temos que trocar a fralda amor, pega lá as coisas.
Logo ele está com tudo sobre a cama, eu a coloco ali, entre nós dois, desabotoo o macacãozinho e logo a coragem me deixa.
─É tão pequenina e delicada, toda molinha. – Mordo o lábio, olho para ele, tão assustado quanto eu. – Vamos lá, treinei com a Judith outro dia.
─Com a bravinha? Mas ela não usa mais fraldas.
─Eu sei amor, mas era o mais perto de um bebê que eu e Beth tínhamos, ela odiou, acho que nossa amizade anda abalada até hoje, não conta para o Rick.
─Anormal! – Ele resmunga e tomo coragem de começar a troca, abro a fralda e aquilo é um tanto nojento.
─Sabia que a Alien ia ter qualquer coisa verde, olha essa meleca, o que é isso! Pelo amor de Deus, que coisinha mais nojenta.
─Não é para tanto.
─Vai negar que essa coisa é... Isso... Cacete filha, entendo a Sigourney, completamente!
Daryl ri enquanto limpo a pequena monstrinha.
─Anda amor, me dá outra fralda, antes que ela vaze mais dessa meleca.
Coloco a fralda nova, arrumo a roupinha, não foi tão difícil, ela é tão quietinha. Daryl a arruma em seus braços, fica com ela um longo momento, não devíamos ficar tanto tempo com ela nos braços, mas como resistir?
─Dormiu de novo! – Ele sussurra. – Se deixarmos ela entre nós?
─Stacy me disse para não fazermos isso. Disse que podemos dormir por cima dela e.... Não quero falar.
Ele me olha assustado, sinto um arrepio pelo corpo e com cuidado ele a devolve no berço, depois nos encostamos, estou com sono, mas não quero tirar os olhos dela.
Me encosto em Daryl, coço o nariz e com o movimento noto a falta da Aliança.
─Amor, acho que já desinchei, vou tentar por a aliança de volta.
─Não desinchou nada, deixa isso para outro dia. – Ele se apressa.
─Está certo. – Concordo me movendo par abrir a gaveta ao lado da cama. – Vou tentar assim mesmo.
Abro a gaveta quando ele pretendia dizer qualquer coisa, eu a tirei há dois meses, ela estava prendendo a corrente sanguínea, a gaveta está vazia, remexo assustada, fecho e abro mais uma vez, vasculho.
─Sumiu, estava aqui ontem, eu olho todos os dias, só hoje que não olhei.
─Deve estar em outro lugar Alice, outro dia procuramos.
Não acredito que ele está falando isso, e calmo desse jeito.
─Outro dia? Não liga a mínima para alianças não é?
─Você é muito ridícula mesmo, a minha está aqui! Sempre esteve! – Ele mostra a mão o insensível.
─Vai me criticar? Meu dedo inchou, o seu não seu troglodita, e agora? Não tenho mais aliança, estou nua!
─Alice... – Ele para de falar quando vê minhas lagrimas, está tão tranquilo que até parece que sabe o que aconteceu com ela.
─Era o símbolo do nosso amor.
─Não era a lanterna? – Ele pergunta com cara de confuso idiota.
─Cala a boca, o símbolo é meu, eu que decido.
─Vem, precisa é dormir um pouco, vou fazer cafuné, teve um bebê, merece.
Ele me ajuda a deitar, me envolve em seus braços. Suspiro secando as lagrimas.
─Sabe que estou sentindo falta dela dentro de mim, estranho que ela passava o dia me chutando e agora só fica quietinha.
─Você não parava quieta, por isso ela se agitava tanto.
─Só me critica! Me ama um pouco amor, sofri muito, olha que cabeçuda ela é.
Ele ri de mim, me beija, depois mergulha os dedos em meus cabelos, fecho os olhos. O cansaço me dominando finalmente.
─Fica acordado esperando ela fazer aquele bico lindo. Me acorda quando ela chorar.
─Pode deixar.
─Quero minha aliança, amanhã vamos virar esse quarto.
─Não pense mais nisso. O que importa é que amo você.
A mão volta para a barriga, é estranho ela não estar mais ali, era tão seguro, estávamos tão perto, Ally era tão minha, agora está no mundo, respirando sozinha, eram bons tempos.
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