Caminhando entre os mortos 2

18 Capitulo 18 - Pazes


Notas iniciais
Oi gente! Mais um capitulo, desculpe meu atraso, tive uma semana complicada no trabalho, mas as coisas estão bem agora. Espero que gostem.

Pov – Alice

Soluço enquanto caminho para casa de Rick, não consigo acreditar que Daryl pensou tantas coisas ruins sobre mim, lagrimas não param de escorrer, aquilo é um martírio.

Não me dou ao trabalho de bater na porta, Rick que se vire com aquele irmão cabeça oca dele.

Abro sem aviso, me dou conta no mesmo segundo que não devia ter vindo, encontro a sala iluminada por algumas velas, tudo silencioso, Rick e Mich de pé diante um do outro, a mão dele na cintura dela, os dois se viram me olhando entre confusos e constrangidos, sou uma intrometida mesmo, soluço.

─Todo mundo vai fazer casal justo agora que meu casamento acabou? – Começo a chorar na frente de Rick e Michonne, nenhum dos dois sabe o que fazer comigo ali.

─O que aconteceu Alice? ─ Rick questiona preocupado.

─Vou morar aqui Rick. – A voz sai esganiçada e os assusta. – Vou dormir com a Judy.

─Judith dorme comigo Alice, não é boa ideia. – Mais lagrimas e soluços. – Então vou morar no seu sofá, quem manda ser irmão postiço do Daryl? Agora sou sua responsabilidade. Vai ter que me adotar.

Me deito no sofá, encolhida e sem conseguir parar de chorar, enfio a almofada no rosto, tem tanta poeira que me dá uma crise de tosse, junto vem uma sucessão de espirros sem fim, me sento e os dois riam de mim.

─Você é péssima dona de casa Mich, essa porra tem pó de três encarnações. – Mais tosse, espirros e choro, odeio chorar, a culpa é daquele troglodita, Mich surge com um copo de água. – Que merda, agora vou morrer engasgada.

Tomo uns goles de água, respiro fundo, mas Daryl é tudo que tenho e meu coração dói, amo aquele imbecil, me entrego ao choro.

─Que aconteceu Alice? Onde está o Daryl?

─Aquele troglodita está em casa, ele duvidou do meu amor. – Os dois trocam um olhar condescendente que me irrita – Já vão proteger ele, nunca ninguém fica do meu lado, só me fodo nesse apocalipse.

─Que tal contar o que aconteceu? – Rick pergunta.

─Jogo clandestino, foi isso, ele viu eu e o Bruce pulando a janela da Beth e ficou pensando um monte de bobagem. – Eles arregalam os olhos. ─ Mas os olhos lindos e azuis de caçador esperto, não viram aquele gatuno do seu filho pular também. – Mais lágrimas e mais olhares espantados.

─Parece que vou ter que criar uma cela aqui e quem sabe prender os meliantes.

─Se proibir o jogo vou votar em outro líder, nem vem Rick. O problema aqui é seu irmão adotivo, como ele pode duvidar do meu amor?

─Sobre o jogo falamos depois, não sei falar de dois temas ao mesmo tempo como você e Daryl.

─Por que é lento! – me lembro da mãe de Noah, devia ter ido até lá roubar um abraço, essa gente nem sabe consolar uma mulher abandonada. – Me abraça Mich? – Fico de pé e a abraço, ela me envolve. – Dez anos de casados e ele duvida de mim, do que eu sinto por ele, isso só pode ser falta de amor.

─Dez anos? – Rick pergunta quando me afasto de Mich, ele me faz sentar, está sorrindo, ninguém me leva a sério.

─O mundo acabou Rick, eu que escolho essas coisas, vou morar no seu sofá.

─Não posso deixar.

─Então vou ser uma sem teto! – Dobro meus joelhos, escondo o rosto e choro. – Já vão defender o Daryl, todo mundo gosta mais dele que de mim, até eu gosto mais dele que de mim.

─Mas não está parecendo. – Ergo meus olhos quando escuto as palavras de Rick, ele me olha firme. – Se lembra quando nos juntamos na estrada? Quando ele ofereceu o próprio sangue por nós?

─Sim. O pior negociador do universo inteiro!

─Eu sei que sim, Daryl fez isso por que ama você, ama toda nossa família, porque sempre acha que a vida dele vale menos que a nossa. Depois de oferecer a vida por minha família ele ainda achou que precisava se desculpar por ter andado com o Joe, isso quando estava sozinho, sem direção, apenas tentando sobreviver.

─Ele fez mesmo isso. – Soluço, odeio que Rick está me fazendo sentir culpada.

─Daryl ama você, mas está sempre achando que não é bom o bastante, é você que é mais confiante e corajosa que precisa proteger essa relação.

As lágrimas vêm com tudo, um mundo delas, não sei de onde vem tanto medo e dor, uma angustia me domina, os dois esperam a crise diminuir um pouco, puxo o ar com força, me concentro e me acalmo um pouco.

─Estou culpada Rick. Ele é tão perfeito comigo e quando falha uma vez eu faço isso. – Agora um nó se forma na minha garganta, meu coração acelera e quero correr para casa. – Vou voltar para casa, mas não vou desculpar ele logo de cara, tenho que ficar brava um pouco, se não ele vai me achar louca.

─Ele já acha Alice. – Michonne me diz e olho torto para ela.

─Ficou calada até agora, só abre a boca para me desmoralizar.

Com um acesso de riso ela se senta ao eu lado, Michonne seca minhas lágrimas, algo inútil, porque mais delas correm.

─Sabe o que ele está fazendo agora? – Rick me pergunta.

─Com cara de idiota! – Aviso, secando os olhos e ficando de pé. – Vou embora, nem me deixa morar no seu sofá, quando a Michonne te expulsar de casa vai morar na sarjeta! – Os dois riem, não foi engraçado, não era para ser. – Atrapalhei o beijo?

─Alice porque não resolve a sua vida e para de colocar coisas na cabeça do Carl? – Michonne me critica.

─Eu sei bem quem quer colocar o que aonde.

Saio sem esperar resposta, estraguei o romance do Rick e quase estrago o meu, sou mesmo muito burra.

Entro em casa e a primeira coisa que vejo é Daryl sentado, os cotovelos apoiados nos joelhos, as mãos na cabeça, o ar derrotado que faz meu coração doer.

─Não vou mais me divorciar, sobraram poucos homens e não vou casar com nenhum zumbi comedor de cérebros. – Ele me olha confuso, mudo e lindo, o homem perfeito que eu amo e quero na minha vida não importa quanto tempo eu tenha. – E se dormir de novo nesse sofá vai acordar boiando no lago, você e seu sofá! – Caminho para o quarto sem esperar por resposta, até porque acho que ele não tinha nenhuma.

Deito secando as lágrimas, olho para o teto, porque fui brigar com ele? Ele se aproxima, para na porta e fica me olhando, é como um menino perdido, como posso ser tão cega? Estava claro que esse Dixon cabeça oca iria achar bobagem.

─Posso tocar o sino amanhã? – Nem me importo mais com a briga, só de olhar para ele tudo passa.

─O que está fazendo Alice? – A voz está triste.

─Sabia que não deixaria eu tocar o sino, para que um sino que a gente não pode tocar amor?

─Estou falando de nós dois Alice, não de sino nenhum.

─Vai dormir em pé? – Pergunto e ele caminha para cama, se deita ainda me olhando, ficamos de frente um para o outro. – Amo você se lembra? Nunca me passou pela cabeça deixar você. Nunca vou amar ninguém como amo você.

─Às vezes penso que um dia pode surgir alguém melhor.

─Melhor que você? – Como pode haver alguém melhor que ele? – Não consegue entender que não existe pessoa melhor? Acha que um dia pode achar uma mulher mais delicia que eu?

Daryl sorri, um sorriso largo, relaxado, faz meu coração bater fora do ritmo.

─Eu sei que me ama loucamente e não quer me perder nunca e que me acha uma delicia e...

─Menos Alice.

─Olha ai, quase te deixei Daryl, é que o Rick me botou na rua, precisa me agradar e pedir desculpas, me beijar e deixar eu tocar o sino.

─Alice, não se atreva a fazer isso. – Ele me olha preocupado, nunca faria isso.

─A gente está de bem?

─Podemos ao menos conversar melhor, pode me ouvir?

─Posso, mas se for muito bravo comigo eu vou chorar, estou a maior chorona, você me magoou muito hoje.

─Fez o mesmo comigo quando me deixou por fora de seus planos.

─Aposto que jogar areia na minha ideia de juntar Beth e Bruce, dizer um monte de coisas, quis proteger um amor, só isso, estou sendo condenada por ser muito romântica.

─Você apela demais. Não quero nunca mais sentir o medo que senti.

─Teve medo de me perder? – Daryl me olha abatido. ─Não faz essa cara que fico de coração partido.

─Pensou em me deixar, isso jamais passou pela minha cabeça.

─Não ia te deixar nada, estava mesmo era louca para ir me buscar e me arrastar pelos cabelos feito o troglodita que é.

─Quis fazer isso.

─Mas não fez. –Não posso negar que isso me deixa triste.

─Por que nunca vai me ver ir contra o que te faz feliz, se me deixar era o que queria então eu apenas tinha que aceitar.

─Se me deixar caço você até no inferno e te obrigo a ficar comigo, não estou nem ai. – Aviso logo para ele saber. – Pode chegar mais perto um pouco?

─Só quero ter você nos meus braços Alice, mas também quero que entenda como eu sou.

─Dez anos de casados Daryl, sei quem você é, não precisa me dizer, queimamos o passado, se lembra? Combinamos que merecia ser feliz.

─Me esqueço as vezes.

─O tempo todo. – Meu coração se aperta, não quero que ele sofra.

─Então aceite que algumas vezes vou achar que não te mereço.

─Isso é um pouco verdade, eu sou bem perfeita.

─E modesta.

─Você salvou minha vida tantas vezes, de tantos modos, é tão especial, eu não sei viver sem você, cuida de mim, me protege. Sem você eu teria morrido de tristeza quando perdi minha família.

Começo a chorar, há muito não chorava por eles, mas sinto saudade, meu coração não para de se apertar e toda sinto angustia, não sei o que está acontecendo comigo.

─Não chora. – Daryl me puxa para seus braços, me envolve e só consegue me fazer chorar mais. – Desculpe te fazer sofrer, me machuca quando isso acontece.

─A culpa é minha, não sei porque fiquei tão brava, devia ter te chamado de troglodita e pronto, mas não consegui.

─Chegamos a pouco nesse lugar, temos trabalhado dia e noite, sentimos o esgotamento, além disso, depois de tudo que vivemos, a segurança nos abalou.

─Pode me achar uma delicia só um pouquinho? Dizer que me ama muito? Que sou perfeita, e que minha mente é brilhante?

─Já disse tudo.

─Não me elogia, briga comigo, me faz chorar, e ainda me chama de vadia...

─Nunca pensei isso, não fala assim, não era sobre sua conduta.

─Daryl você não vai me beijar nunca mais? Se não vai me avisa que já começo um jogo de sedução aqui.

─Um jogo de sedução é? Acho que não vou te beijar não.

Me ponho de pé na cama, acho que o movimento rápido me deixa tonta, Daryl nota porque me segura pela mão e me deito de novo.

─Que foi?

─Me fez sofrer muito, fiquei tonta. – Vou culpar ele para sempre.

─Boba, amo esse seu jeito maluco de viver. – Ele afasta meus cabelos, cobre meus lábios com os seus num beijo longo e doce que me faz derreter de amor por ele, depois me olha longamente, sei tudo que se passa em seu coração.

─Pode nunca me deixar?

─Posso, não se preocupe.

─Pode me buscar pelos cabelos e me pôr na cama e fazer sexo selvagem comigo toda vez que eu fizer uma tolice dessas?

─Acredite, é exatamente isso que vou fazer.

─Então acho que vou embora agora, porque você meio que não está fazendo sexo selvagem comigo no momento e eu estou um pouco interessada se não percebeu.

O mundo todo some, só existe nós dois, e aquele momento.

─Meu minuto perfeito. – Ele sussurra só para me enlouquecer e é assim que me sinto, meu corpo incendeia e me entrego, deixo o jogo de sedução para outro dia e aproveito o meu minuto perfeito.

Seus lábios descem por meu pescoço, as mãos buscam meus botões, suspiro ajudando Daryl a me despir, sinto pressa, mas ele me tortura sento lento, cada toque dele é suave, completo, as mãos deslizam por meu corpo, lentas, a boca segue a mão, as roupas vão desaparecendo.

Com um sorriso divertido tira minhas botas, depois eu o puxo para mim, as roupas somem de uma só vez, Daryl para de me tocar, seus olhos brilham e me aquecem.

─É linda! – Ele diz quando seus dedos descem por meu corpo, passam pelos seios, a mão deslizando tão lentamente que me sinto incapaz de resistir mais, eu o puxo para mim, beijo Daryl e ele invade meu corpo, agora sim as coisas fazem sentido.

─Amo você.

Quando os movimentos ficam rápidos seus olhos encontram os meus e passamos o tempo todo assim, nos olhando sentindo o mundo sumir e então caímos num mundo novo, mais uma vez, sempre é perfeito, sempre é novo.

Demoro para me refazer, ele acaricia meu rosto, me beija a ponta do nariz, a testa, os lábios.

─Maluca.

─Estraguei o romance do Rick.

─Que romance? – Ele pergunta surpreso.

─Com a Mich, eu e o Carl tínhamos uns planos e cheguei lá bem na hora.

─Quantos casais está juntando Alice?

─Alguns, me deixa Daryl.

─Faz como quiser, nunca me ouve mesmo.

─E o sino, posso ir lá ver?

─Amanhã, só ver, tem que prometer que não vai fazer nada.

─Juro!

─Dez anos?

─É e nem uma flor me deu, não sabe me agradar, só duvidar de mim e me magoar.

─Porque dez? – Daryl sorri ainda me fazendo carinho.

─Dez é bastante, mas podia ser mais, quer que seja quinze?

─Para de ser maluca! – Daryl me beija, depois rola para meu lado, me puxa com ele e me aconchego.

─Estou com sono.

Aviso e ele me abraça, arrumo meus cabelos, fecho os olhos, foi um dia bem cheio.

─Perdi no jogo de novo. – Escuto seu riso, mas não consigo abrir os olhos para olhar, gosto tanto de olhar, mas estou tão cansada.

Notas finais
Foi menor por que o próximo será grande, espero que tenham gostado. Beijos