Caminhando entre os mortos 2
15 Capitulo 15 - Recomeço
Notas iniciais
Pov – Alice
Sabia que Daryl ficaria completamente sem direção quando as pessoas começassem a lhe desejar felicidades, não pensei que ele ganharia mais presentes que as flechas, mas gostei de ver como todos gostam dele e como ele ficou lindo e constrangido.
─Pediu que me dessem presentes? – Ele me envolve a cintura, me encosto nele enquanto olhamos o lago a nossa frente, as aguas plácidas e um tanto acobreadas, nego.
─Tudo que fiz foi espalhar que hoje era seu aniversário.
─Obrigado Alice, fiquei confuso, mas... eu...
─Pode dizer que gostou amor, não tem nada errado nisso.
─Gostei.
Ele admite por fim, beija meu pescoço, suspiro, é tudo tão bom que nem parece verdade, chega sinto medo de algo surgir para nos tirar isso mais uma vez.
─Que foi?
─Só me deu um medo bobo de tudo dar errado mais uma vez, nunca nem na prisão fui tão feliz.
Daryl me vira para ele, tem um sorriso suave dançando em seus lábios.
─Vai dar certo dessa vez.
─Vamos explorar esse lugar? ─ Ele me pega pela mão, beija meus dedos presos aos dele e começamos a caminhar.
É mesmo um bom lugar, algumas boas casas ainda estão vazias e tenho fé que vamos ocupa-las todas com boas pessoas que estão por ai.
─Quero ir lá naquele galpão onde encontrou as flechas, Rick diz que tem muita coisa lá.
─Eu te levo, é bem legal, tem um arco de índio sabe? Com flechas compridas, pensei em dar a você de presente, mas você iria achar meio gay.
─Estava demorando.
─Vem ver então, duvido que usasse! – Entramos, seguimos direto para o tal arco, como eu disse ele resmunga qualquer coisa deixando claro que eu tinha razão. – Eu disse! – Rio de Daryl ele detesta é claro, o arco e ser motivo do meu riso.
─Idiota! – Daryl olha em volta, tem armas, munição, cimento, tijolos, muitas ferramentas que não sei para que servem. – Podemos construir muito com tudo isso.
─Acho que sim, não entendo nada dessas coisas.
─Isso aqui serve para forjar o aço. – Ele me mostra uma mesa de madeira ou algo assim.
─Jerry era o cara das ideias! – Bruce diz entrando, paramos para olha-lo. – Um tipo de sabe tudo cheio de ideias, fizemos muitos planos, mas ele morreu.
─Sou boa em planos! – Aviso e Daryl me olha torto. – Sou sim amor, minha mente é brilhante, não ligue para opinião dele Bruce!
─Cala a boca Alice, o que sabe sobre forjar o aço?
─Nada! – Dou de ombros ─ Mas essas madeirar devem servir para vocês fazerem uma boa mesa de pôquer, quem sabe uma de bilhar também.
─É o que digo! – Daryl me puxa para ele meio querendo me impedir de abrir a boca. ─Eugene deve servir para isso, vamos traze-lo aqui e tenho certeza que ele pode pensar em muitas coisas.
─Ah! É mesmo amor, Eugene mentiroso é nosso sabe tudo, a começar por mentir. – Bruce nos olha sem entender muito. – Eu explico...
─Outra hora Alice! – Daryl me corta. – Vamos aproveitar nossa folga.
─Feliz aniversário Daryl! – Bruce diz quando saiamos, ele acena completamente sem graça, fica fofo.
─Nem me deixou fazer fofoca! – Reclamo quando nos afastamos do galpão.
─Deixa o Eugene em paz Alice. – Daryl me pede enquanto caminhávamos pela rua lateral. Quem pode resistir a cara de idiota do Eugene?
─Nem posso me divertir, você parece um velho, sem um pingo de bom humor.
─Vai começar?
─Você que começou.
Estávamos distraídos quando passamos por Carl, July e Pam. Daryl para, olha de mim para eles, seu ar sério os assusta, as cartas nas mãos de July se espalham.
─Foi a Alice que mandou ensinarmos a Pamela! – Carl boca grande e covarde Grimes me entrega sem precisar de qualquer esforço.
─Belo amigo! Seu traíra! – Daryl revira os olhos. – O que? A menina ia ficar olhando a gente se divertir? Não acha injusto?
─Não tem vergonha de ensinar garotos a jogar e mentir?
─Como pode ver eles não aprenderam a mentir! – Reclamo olhando para Carl que dá de ombros se desculpando, July e Pam recolhiam as cartas espalhadas.
─Não arrume confusão com a mãe da menina Alice, apenas isso que te peço.
─Para de brigar comigo, é seu aniversário!
Minha lógica não parece fazer sentido para ele que me arrasta para longe dos garotos, aceno, eles riem enquanto nos observam caminhando para longe.
─Porque a gente não vai para casa fazer sexo selvagem?
─Quer parar de dizer essas coisas em voz alta.
─OK, não vamos fazer sexo só conversar! – Ele tampa minha boca, me puxa para si, acaba rindo.
Entramos em casa, gosto do lugar, é grande, agradável e arejado, o que estraga são os mil enfeitinhos.
─E agora? – Eu pergunto quando me atiro no sofá. – Caramba é bom ter um sofá.
Daryl se senta comigo, me encosto nele, ele me afasta os cabelos, me olha com os olhos azuis lindos e suaves, adoro como está feliz hoje.
─Quando é seu aniversário? – Me pergunta.
─Quando você decidir que é.
─Gosto disso! – Ele me beija. – Por que decidiu fazer isso?
─Seu aniversário está marcado desde a cabana, quando me disse aquelas coisas sobre seu passado, jurei que teríamos um lugar e um aniversário, eu te amo e quero que o passado fique para trás que seja feliz.
─Também te amo, é minha maluquinha.
─Sou! Se casou comigo e tudo, quer casar na igreja?
─Não inventa Alice! – Ele se apavora.
─Acho que o padre Gabi vai achar necessário amor, quer viver em pecado?
─Quero, em pecado é muito melhor, vamos voltar para o assunto aniversário.
─Vai me fazer uma festa surpresa?
─Não.
─Troglodita! –Reclamos, ele me aperta junto a ele.
─Gostei dos presentes, fiquei meio sem saber o que dizer, mas teve um que gostei mais.
─As flechas, claro! – Digo cheia de certeza, ele nega, me sinto quase ofendida, me afasto. – Nossa, é sério? Nem podia mentir? Me esforcei tanto e preferiu os presentes das irmãs Greene?
─Não disse isso. – Ele ri de mim o grande idiota, me puxa, mas o empurro.
─Sai, me magoou.
─Não vai nem querer saber o que mais gostei? – Daryl tenta me convencer, ignoro sua presença, ele se ergue me pega no colo. – Menininha mimada essa!
─Você que é um homem sem coração, e já quer me levar para cama, não passo do seu objeto de prazer.
Ele ri, acabo rindo também quando caímos juntos na cama.
─O melhor presente foi o jeito que me acordou sua maluca dramática.
─Eu sei acordar você com classe!
─Acho que todo dia devia ser meu aniversário! – Ele diz pegando meu pé para tirar a bota – Melhor eu fazer isso, não quero acabar morto.
─Gostou dessa ideia de aniversário não é?
─Muito! – Ele me beija, enlaço Daryl, então uma ideia muito boa me surge, eu o empurro um pouco.
─Amor! Tive uma ideia! Cassete! Minha mente é mesmo brilhante. E se de agora em diante as pessoas fizessem aniversário duas vezes por ano?
─É sério isso? As coisas estavam começando a ficar divertidas e quer falar sobre isso?
─Sei falar e me divertir, pode continuar, o pescoço é um bom lugar para isso.
─Boa ideia, mas esquece essa coisa de dois aniversários.
─Vou propor isso na reunião do conselho! – Ele revira os olhos, toma meus lábios encerrando o assunto e não tenho culpa de ser fraca demais, quem pode resistir a ele?
Nos reunimos com o grupo para comer, Daryl está tímido de novo, recebe mais um ou dois cumprimentos de aniversário, Eugene é convidado a ir ao galpão ver o que pode ser feito com tantas coisas.
Bruce se senta comigo quando Daryl e Rick começam a conversar sobre qualquer coisa do trabalho um pouco distante de mim.
─Você parece bem divertida, todos gostam muito de você pelo que pude notar.
─Eu sou um pouco incrível Bruce, com o tempo vai ver. – Ele sorri, seus olhos seguem para Beth comendo ao lado de Maggie. – Ela também é.
Ele me olha espantado, desvia os olhos meio tímido, é bonitão e tímido, Beth vai se dar bem.
─Joga pôquer? – Pergunto para ter certeza se o cara servia para Beth.
─Um pouco, não é meu forte.
─Bom. Tem medo de baratas?
─Ahm? Não. Claro que não.
─Ninguém é perfeito! – Reclamo. – Beth é a garota mais incrível do mundo, quais são suas intenções?
─Eu... Na verdade são boas, só queria... Você é muito direta.
─Obrigada, eu te ajudo se prometer não magoar minha amiga.
─Ela ainda nem falou comigo, pode ser que a gente nem se entenda.
─Pode ser, se for um babaca ela não vai querer você, converse com ela sobre as coisas daqui e sobre música, Beth ama música?
─Que tipo?
─Sei lá. Descubra, quer que faça todo trabalho? Assim ela vai se apaixonar por mim e sou comprometida.
Bruce ri, me levanto, dou um tapinha leve em seu ombro ele acena, me junto a Rick e Daryl, a cara do meu marido lindo não estava das melhores, mas eu o envolvo pela cintura, Rick sorri e ele relaxa.
─Então aproveite o resto do dia, eu resolvo isso, amanhã formamos o conselho. – Rick diz com um ar mais tranquilo. – Vai fazer parte do conselho Alice, como antes?
─Vou, vocês nunca me escutam, mas eu vou assim mesmo.
Voltamos para casa, Daryl segura minha mão, mas a mente parece meio distante, talvez fazer aniversário traga também algumas lembranças tristes.
─O que achou dos moradores de Richmond? – Me pergunta quando fechava a porta atrás de si a tarde só começando.
─Acho que são todos legais.
─Bruce deve ter se esforçado muito para manter esse lugar sozinho.
─Isso mostra que ele é legal e forte não acha? – Espero que o admirem, se não gostarem dele como vou junta-lo com Beth?
─Sei. O que estavam conversando?
─Só contando coisas do dia a dia, não falei do Eugene mentiroso, não falei da nossa vida sexual, juro, não precisa se envergonhar.
─Só faltava mesmo falar de sexo com um cara que mal conhece.
─Vem, vamos arrumar nossa casa amor. – Decido mudar de assunto antes que acabe me entregando e ele tente empatar a vida amorosa de Beth.
─Não era folga hoje? – Daryl gosta de coisas do lar tanto quanto eu.
─Falei para morarmos no alojamento, ou com a Beth, não quis, eu que não vou ficar de empregada. Da trabalho construir um novo mundo.
─O que quer afinal? – Pergunta quando abro a porta do guarda-roupas.
─Que me ajude a tirar tudo daqui de dentro, não gosto de viver com as roupas de gente morta.
─E o que faço com elas?
─Doa, vende para um brechó, sei lá Daryl Dixon, só tira dai.
─E você?
─Fico em pé na cama de olho para o caso de aparecer uma barata.
─Idiota! Nem pensar que vou ficar trabalhando para você, não sou sem empregado. Quer arrumado, arruma.
Ele se joga na cama, me deito a seu lado, Daryl me puxa para ele, me encosto em seu peito.
─Só porque é seu aniversário vou deixar passar essa, mas é um troglodita, não tenho culpa de ter medo de barata.
─Você é muito malandra isso sim, quantas casas invadimos e nunca teve medo de abrir armários?
─Daryl você não entende nada de baratas mesmo! – Ele ri, me faz cafuné sem se dar conta. – Baratas só aparecem na casa da gente, não na casa dos outros, essa é nossa casa agora, com certeza elas virão, são ardilosas.
─Quando sair vou achar uns inseticidas velhos para você.
─Porque me ama muito e não quer que sinta medo?
─Porque não vou ficar arrumando essas porcarias para você.
─Porra, você é um príncipe!
─E você uma lady!
─Ok, chega de conversa, melhor namorar.
Ele me beija, correspondo, amanhã a vida volta ao normal, hoje é um dia nosso e só quero aproveitar todo tempo livre.
Pov – Beth
─Sei que gosta muito da Alice, July e quando te convidei para morar aqui, quer dizer, não foi um convite, eu meio que forcei um pouco, mas foi porque achei que juntas podíamos passar por isso.
July sorri, sentada em nossa sala, olha em volta, depois me encara.
─Gosto muito da Alice e do Daryl, eles são muito lindos juntos, mas acho que não tem muito espaço para mais nada ali, e agora que a gente tem como recomeçar, acho que eles estão querendo aproveitar um pouco.
─Acho que sim.
─Eu estava pensando em pedir a você para ficarmos morando juntas, uma dá força para a outra, sei que não vou substituir as pessoas que perdeu, nem você pode substituir minha mãe, mas podemos sim seguirmos juntos.
─Ótimo, essa é nossa casa agora, para arrumarmos do jeito que quisermos, gostou do seu quarto? – July franze o nariz, sorrio. – Então mãos a obra, vamos ver o que podemos fazer.
Começamos a recolher objetos que ela não gosta, arrastar móveis aqui e ali, decidimos virar a cama, mas a madeira era bem pesada.
─Que tal ver se o Glenn ou o Daryl estão ai fora? – Peço a ela que afirma.
Fico mexendo nas caixas que separamos, roupas e objetos que seriam inúteis, mas nunca se sabe quem ainda pode chegar e o que pode querer.
─Vem Bruce! – Escuto a voz de July, me ergo meio sem graça quando compreendo que ela o chamou, os dois riem de qualquer coisa, ajeito um pouco os cabelos, estou parecendo uma louca, toda descabelada pelo esforço, eles entram.
─Oi! July me pediu ajuda, do que precisa? – Os olhos dele são penetrantes, sua voz é firme e ele parece sempre bem sério.
─July não devia ter te importunado, eu pretendia...
─Sem problema, estava livre, é essa cama July? – Ele me interrompe, depois me ignora um pouco, July afirma sorridente. – Onde quer a cama. Gatinha? – Todo carinhoso com ela que sorri para ele encantada.
─Ali, encostada na parede, eu prefiro no canto, me sinto mais segura.
─Vamos lá. – Bruce não precisa de muito esforço para empurrar a cama, acontece que quando ele abaixa me lembro de Alice, de mim reparando em seu traseiro, meu rosto queima.
Bruce se ergue sem aviso, me olha e fico completamente constrangida, sei que meu rosto está ardendo, tenho vontade de matar Alice, porque ela foi inventar essa história?
─Está bom assim? – Bruce pergunta, July sorri, afirma e ele me encara.
─Obrigada Bruce, eu... nós podíamos ter dado um jeito.
─Não tem de que. Essas coisas são para dispensar? – Ele aponta a pequena pilha em um canto, afirmo. – Podemos pegar um cesto no galpão, deixamos uma das casas como deposito, tem de tudo lá, podem levar isso também.
─Obrigada.
─Vamos lá July, pegamos o cesto e eu ajudo vocês.
No fim Bruce passa mais de duas horas nos ajudando a carregar coisas de um lado para outro, July sempre sorrindo, os dois se dão bem, conversam sobre as coisas que gostam de fazer, não queria prestar atenção, mas não consigo evitar.
─Queria aprender a tocar violão. – July conta.
─Nunca achei um por ai, teria gostado de encontrar um, meu pai tocava, me ensinou uns acordes. – Bruce conta, olho para ele, nossos olhos se encontram e música definitivamente me cativa. – Temos um piano em uma das casas, mas ninguém para toca-lo.
─Eu toco, canto, meu pai gostava, era um jeito de espantar a dor nos dias mais difíceis.
Aquele era um assunto realmente bom.
─Tenho que voltar ao trabalho, quando sobrar um tempo te levo lá. – Bruce diz quando erguia o último cesto. – Depois falamos.
Que cara idiota! Agora que o assunto ficou bom ele me deixa falando sozinha? July sorria.
─O que? – Pergunto a ela que da de ombros.
─Faz uns dois minutos que ele saiu e continua olhando como se ele estivesse aqui.
─Bobagem, não quero me envolver com ninguém July.
─Humhum!
─É noite, vem jantar garota.
Puxo July pela mão, deixamos a casa, o grupo se reunia na varanda de Cloe, Noah se senta comigo, eu tinha Judy em meus braços, abrir mão de cuidar dela tinha sido uma escolha difícil.
─Minha mãe quer agradecer o que fez por mim Beth, mas não sabe como.
─Diga a ela que um obrigada é o bastante.
─Está certo, gostou daqui?
─Muito Noah, se lembra quando falamos sobre esse lugar lá naquela sala enquanto cuidava das roupas?
─Quem diria que chegaríamos aqui! – Ele sorri.
─Que meu anjinho estaria em meus braços, minha família comigo, obrigada por esse lugar, por nos trazer aqui.
─Acho que foram vocês que me salvaram e me trouxeram até aqui.
Judy batia os bracinhos contente, beijo seu rosto, começo a alimenta-la, ela mastigava a papinha muito envolvida, Rick se aproxima.
─Não tem jeito, ela sempre parece mais tranquila a seu lado.
─Também fico mais tranquila ao lado dela.
Alice e Daryl se sentam conosco, sinto vontade de falar com Alice sobre Bruce, mas não acho boa ideia, não ainda, e muito menos perto dos outros, Judy termina de comer, vai para o colo de Rick, me sirvo, e sento com Alice e Maggie, então ele chega.
Noto sua presença no minuto que ele surge nos degraus da varanda, os cabelos molhados, Jeans, e camisa, me movo para ficar de costas, quero evita-lo a qualquer custo, não estou pronta ainda, mas a verdade é que nunca me senti tão atraída por alguém como me sinto por ele.
─Acho que tem espaço para o amor Beth. – Maggie me diz e olho feio para Alice.
─Não disse nada! – ela se defende e Maggie ri. – Se entregou sozinha.
─Primeiro vamos nos reerguer, depois se tiver espaço para isso no novo mundo, quem sabe?
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