Caminhando entre os mortos 2
16 Capítulo 16 - Mal entendido a caminho
Notas iniciais
Pov – Alice
Uma semana nesse lugar e não paramos de trabalhar dia e noite, nunca vi uma gente tão determinada a destruir minha vida amorosa, como se pode pensar em qualquer coisa que não seja dormir depois de ficar o dia todo trabalhando?
Felizmente hoje temos a primeira reunião do conselho definitivo e o resto do dia será livre.
Aceno para Daryl quando ele passa por mim carregando mais cimento para os muros. Largo meu trabalho e corro até ele, Daryl para quando me aproximo, coloca os sacos que carregava no chão.
─Que foi?
─Acha que eles acreditam e nos dão folga se disser que amanhã é seu aniversário de novo?
─Não, definitivamente eles não vão acreditar.
─Foi o que pensei. – Ele me pega pela cintura, me encosto nele, ganho um beijo nos lábios, não um longo e apaixonado beijo, só um roçar de lábios leve, melhor que nada. – Te amo.
─Também, mas agora tenho que ir, terminamos o lado norte antes da reunião.
─Grande merda, ainda vai faltar o sul, leste, oeste, centro-sul, polo norte, a porra toda! – Daryl ri de mim, me aperta o nariz.
─Está com saudade do jogo de pôquer?
─Não amor, estou com saudade de sentir meus braços e pernas e de sexo, é claro.
─Nisso sempre podemos dar um jeito! – Ele diz baixo, olhando em volta para ver se ninguém escuta.
─Estou pagando para ver Dixon.
Ele pisca, ergue seus sacos de cimento e caminha para longe, Bruce vem logo em seguida, também parecia carregar coisas, eu o olho um pouco decepcionada, não teve qualquer progresso com a Beth, não se falaram mais desde o dia que a ajudou com a arrumação da casa nova.
Mas ninguém mais parou de trabalhar desde aquele dia, ele sorri, para na minha frente.
─Novidades? – Pergunto, ele nega.
─Nada de novo, tudo como sempre, a não ser July, a garotinha é uma graça, temos conversado muito.
─Eu sei, mandei ela contar todas as conversas de vocês para a Beth.
─Sabe Alice, eu não sei se vale a pena continuar com isso.
─Beth vale a pena.
─Mas ela não me quer.
─Porque você é uma lesma, não ia levar a garota para ver o piano?
─E quem consegue fazer qualquer coisa depois que seu grupo chegou?
─Esse povo não incentiva o romance, mas eu sim, depois da reunião do conselho vamos cuidar disso.
Bruce afirma e volta a caminhar. Sigo de volta para meu trabalho junto com Maggie, nos reunimos para comer, tem sido duas refeições por dia, mas estamos no limite, precisamos sair em busca de alimentos, a horta ainda demora umas semanas para ser capaz de nos alimentar como na prisão.
Daryl se senta ao meu lado, me encosto em seu ombro completamente cansada, fazia tempo que não me sentia tão esgotada, na verdade só me senti assim morta quando fiquei doente.
─A doença chegou aqui? – Fico curiosa em perguntar, estávamos comendo e penso se não peguei aquela droga mais uma vez.
─Demos sorte, nenhum de nós ficou doente, mas vimos zumbis com os olhos sangrando, e um homem chegou aqui uns minutos antes de morrer, falou um pouco sobre ela.
Stacy nos conta, sinto um certo alivio, acho que o tal surto acabou, essa fadiga deve ser mesmo só muito trabalho.
─Sou enfermeira, cheguei a preparar uma das casas para colocar os doentes, mas ninguém pegou, felizmente.
─De qualquer modo duas semanas depois sofremos o ataque de uma horda, derrubaram o portão, foi o último, mas nos tirou quase todos.
Bruce responde meio triste, sinto pena, olho para Beth e vejo seu olhar dolorido, ela já se sente atingida por sua dor, isso é bom, quando Daryl sofre eu também sofro.
─Está bem Alice?
─Ótima amor, mas me diz, o padre não vai mesmo sair daquela igreja nunca mais?
─Gabriel decidiu cuidar da reforma pessoalmente, então acho que no momento ele só pensa nisso.
Depois de comer as pessoas se dispersam, ficamos apenas nós, membros no novo conselho de Richmond.
─A gente devia dar um nome a esse lugar, um bem legal, seria bom.
─Esse conselho vai seguir assim, por essas bobagens, eu realmente pensei que era sério.
─Sabe cara de desenho, você é muito chato, mas além de chato, você é bem dispensável, então se não quer ficar saia.
Não tenho paciência para Abe, dessa vez Daryl não me freia, pelo contrário, sorri quando Abraham fica meio sem graça e se cala.
─Stacy o quanto tem de medicamentos por aqui, acha que pode montar um posto médico?
─Eu te mostrei o que tínhamos Rick, é um tanto precário, mas ainda é melhor que nada.
─Podemos ver o que encontramos por ai, vamos reunir o máximo de coisas úteis, quando este lugar estiver pronto não vamos ter que ir muito lá fora. – Rick determina.
─Tem um hospital na cidade vizinha, nunca tive gente o bastante para ir até lá, mas acho que com vocês isso é possível. – Bruce comunica, abre um mapa, mostra a região e um grupo de busca é formado.
─Saímos, pegamos o que precisamos e voltamos, dá para ir ao hospital e os mercados da região, se é que ainda se encontra algo útil. – Daryl diz animado, me olha.
─Vou e pronto, nem vem.
─Eu sei, não começa.
─Não faz esse olhar então.
Mil coisas são decididas, rondas, segurança, construções futuras, escalas de trabalho, Rick sempre no comando e gosto mais disso, ele sabe o que fazer quando as coisas ficam ruins.
A reunião entra naquela parte chata, sinto falta das mesas de aço do refeitório, ela bom encostar a testa nelas e refrescar as ideias. Decido fazer um teste, encosto a testa na mesa de madeira, é frio a principio, mas como boa condutora de calor um minuto depois já estávamos na mesma temperatura.
O ambiente fica silencioso e ergo a cabeça, todos me olhavam, sorrio.
─Já acabou? – Rick nega, faço careta percebendo que eles estavam apenas me observando. – Vamos gente, temos muito que decidir ainda.
Eles continuam, Daryl me olha bravo, dou de ombros, Bruce sorria, sorrio de volta e Beth me cutuca sentada ao meu lado.
─Quer parar de ficar me atirando para cima dele.
─Não fiz isso, está parecendo uma velha como o Daryl. – Estamos sussurrando.
─Está sim, só porque disse que o cara tinha uma bela bunda não quer dizer...
─O que disse Beth, não ouvi. – Falo em voz alta, Beth fica corada e sem reação quando o grupo todo a encara esperando por suas palavras.
─Eu disse.. Eu estava dizendo aqui para a Alice... – Sou fuzilada com o olhar. – Que vocês todos tem grandes ideia, muito boas mesmo.
─Isso foi muito ruim.
─Achou? Espere para ver o que vou fazer com você quando a reunião encerrar. – Ela sibila, me encosto em Daryl.
A reunião chega ao fim, finalmente. Rick e Michonne chamam Daryl, parece que acabou, mas sei que vão ficar ali mais um tempo.
─Alice o que você fez foi uma sacanagem! – Beth resmunga. – Fiquei com cara de idiota na frente de todo mundo.
Ela se esforçava para parecer séria, mas do nada começa a rir, rimos como duas tolas, Bruce passa por nós.
─Bruce. – Eu o chamo, ganho um beliscão. – Que tal nos levar para ver o tal piano?
─Claro.
─Já volto amor! – Aviso Daryl quando caminhava para longe com Bruce e Beth me cercando.
A casa ficava na rua ao lado, Beth me obriga a andar entre ela e Bruce. A casa estava vazia, mas bem diante dela algo coberto por uma capa preta me chama atenção.
─Isso é o que acho que é? – Pergunto feliz.
─Uma moto! – Bruce responde, abraço Beth contente.
─Vão ver o piano, isso é muito melhor! – Fico ali, eles entram juntos na casa e descubro a moto, não era apenas uma moto, era uma Harley Davidson, modelo 2008, absolutamente linda a minha espera.
Entro correndo na casa, Beth tocava qualquer coisa enquanto Bruce observava com cara de idiota apaixonado, aceno remexendo potes e gavetas, não vou fazer ligação direta, se tem uma moto na garagem tem uma chave em algum lugar.
─Achei! Continuem! – Balanço a chave, corro para fora, texto e ela funciona perfeitamente, o motor ronca, Daryl vai amar isso, depois de odiar e me chamar de idiota e um caminhão de outras coisas.
Acelero para longe, dou uma volta pela vila, quando surjo na entrada onde todo mundo morava e onde Daryl, Rick e Mich conversavam as pessoas me olhavam.
─Não me deixou ficar com a July, posso ficar com a moto? – Estudo em detalhes o rosto frágil de menina carente, ele me olha sério.
─Não.
─Sim.
─Não e pronto.
─Sim, sim e sim e pronto e pronto, mil vezes até o infinito e ganhei. – A risada de Mich e Rick suavizam sua expressão. – Uma FXCW Rocker, a gente merece ter uma amor e vou cuidar dela e nunca guiar sem você deixar e todas aquelas coisas que me faz prometer.
─E que nunca cumpre?
─Minha memória é fraca Daryl.
─Não é um gênio de mente brilhante? Além disso não conhecemos nada por aqui para andarmos de moto.
─A parte brilhante é a parte das boas ideias amor, a memória é uma subdivisão, pergunta para o Eugene, e vamos conhecer esse lugar aos poucos, a moto pode ficar só na nossa garagem, é legal ter garagem amor, mas a pobre sofre sem nada lá dentro, é muita solidão.
─Alice se aprontar alguma, se passar desses portões...
─Nunca! – Ele me olha indeciso. – Vou pôr na nossa garagem, se decidir que ela não é nossa jogamos fora.
─Acha que acredito nisso?
─Eu tenho que terminar uma coisa Daryl, vou deixar a moto lá e resolver, obrigada por estragar minha felicidade.
Acelero para nossa casa, umas casas a baixo, agora ele se arrepende e deixa, sempre funciona.
Deixo a moto e vou ao encontro de Beth, pretendia entrar, mas da porta vejo um clima leve entre eles, Bruce sentado numa cadeira ao lado do piano, Beth cantarolando enquanto tocava, acho que ela não vai ficar brava se eu deixá-los sozinhos.
Nem me notaram, dou meia volta e sigo para casa, minhas pernas doloridas, passo pela igreja e decido dar um oi ao padre Gabe, entro silenciosa, o altar estava brilhando de tão limpo, escuto os sons dos meus passos, minha mente se volta para a igreja do padre Gabe, o tempo em que ainda tínhamos Carol e Bob, mas não tínhamos Beth, nunca está completo.
─Veio ao encontro de Deus Alice?
─Não marquei encontro com ele não padre, só estava passando aqui na frente e vim dizer um oi.
Ele sorri, carrega a bíblia na mão, observo tudo a minha volta.
─Quieto não é? – Comento, ele afirma. – Meio chato as vezes, não é não?
─Paz Alice, não chatice.
─Está ficando bom. Devia obrigar o Daryl a casar comigo aqui.
─Obrigar?
─Acha que de outro jeito ele ficaria ali de pé me esperando caminhar até ele na frente de todo mundo?
─Quer casar aqui?
─Quero. – Seria interessante, algo diferente.
─Porque?
─Porque seria divertido? – Ele me olha e pela expressão já vi que dei a resposta errada. – Então porquê?
─Para selar essa união diante de Deus, para ter sua aprovação, sua benção.
─Deus já abençoou padre, nada é mais bonito que nossa união, ele sabe do nosso amor, eu acho, tem essa coisa de fim do mundo e ele pode estar um pouco ocupado consertando essa mer.. essa Porr... Melhor eu ir padre, não vamos irritar o homem.
─Venha quando quiser Alice, ele nunca se irrita com você, é pura demais para isso.
─Está certo, se está dizendo. – Caminho para a saída. – Pense no meu caso padre, quem sabe se ameaçar o Daryl com o paraíso ele não aceite?
─Não posso fazer isso Alice.
─Padre o senhor é meio inútil.
Não tem mais ninguém nas ruas, apenas um pequeno grupo ao longe terminando qualquer coisa nos muros, vou para casa.
Me deito para esperar Daryl, apago cinco minutos depois, acordo um tanto confusa, é noite ainda, procuro Daryl na cama, estou sozinha, será que ainda está trabalhando? Me levanto, quando chego a sala ele dormia no sofá.
Será que estava tão cansado que nem pode chegar até a cama, não vou dormir sem ele, volto ao quarto, pego a coberta e me encolho em seus braços no sofá.
─Ai. – Ele resmunga abrindo os olhos quando eu o esmago um pouco.
─Vim dormir com você. – Digo sorrindo, ele toca meus cabelos, parece tão triste, não é cansaço aquilo, será que é por conta da moto? Beijo Daryl, sinto falta dele, de estar em seus braços, ele corresponde, depois me aconchego, fecho os olhos e volto a dormir.
Abro os olhos e estou sozinha no sofá, me sento com dor no corpo, me espreguiço e os músculos voltam para o lugar. Ando pela casa e estou sozinha, acho que Daryl teve pena de mim e me deixou dormir até mais tarde.
Depois de me arrumar corro ao encontro de Beth, quero cada detalhe sórdido, claro que antes preciso dar um beijo em Daryl, sigo para os muros, ele estava sobre um deles, aumentar a altura era a ideia, nosso objetivo era criar uma fortaleza.
─Porque não me acordou? – Grito para que ele me escute.
─Estava com pressa! – Ele responde, aceito, estão todos tão empolgados.
─Vou ver a Beth e trabalhar um pouco.
─Faça isso. – ele diz e acho sua voz um tanto fria, mas estamos em público e deixo passar mais essa.
Me junto a Beth e Maggie, estávamos preparando uma das casas para ser nossa sede central, lá ficaria a enfermaria, a sala de reuniões, o lugar onde armas e munição seriam guardadas.
─Não aconteceu nada! – Ela me diz assim que me junto a elas no trabalho de arrastar uma geladeira que serviria de armário para remédios. – Conversamos, toquei um pouco de piano, apenas isso.
─Nem um beijo?
─Não Alice. E sim, pensei sobre isso, acho que até tive vontade, ele não é apenas bonito, é um homem adulto, maduro, me senti atraída, mas não quero, é como eu disse, perdi um pouco a fé nos homens e além disso... – Ela se cala, agora sim a verdade estava a caminho, soltamos a geladeira eu e Maggie, olhamos para ela.
─Somos nós Beth, se não pode dividir com a gente não pode dividir com mais ninguém.
─Aqueles homens no hospital, as mãos, os olhos, tudo tão sujo, acho que não quero mais nenhum homem me olhando assim, além disso, olha o meu rosto?
─Tão lindo e delicado quanto sempre! – Reclamo.
─Sejam honestas por favor, as cicatrizes são horríveis.
─Isso não o deteve! – Maggie diz séria – Ele não se importou.
─Será? E se for só porque seu interesse não vá além da alcova?
─Eu disse que devia morar comigo e o Glenn, sozinha fica com a cabeça cheia de coisas. – Maggie reclama, ganha um ar de desdém junto com um sorriso amargo.
─Eu sou dona da minha vida, eu enfrentei aquela mulher, apanhei dela, ela me deixou marcada para sempre, mas não me dobrei como os outros. Matei um homem enquanto seus dedos sujos percorriam meu corpo, aquele nojento ia me estuprar, eu o matei, assisti seu rosto ser devorado e não tive pena. Ele abusou de mim e me coagiu de muitas maneiras. Explodi muitas cabeças de zumbis para tirar o Noah daquele lugar, apanhei feito um homem por ter conseguido, não me rendi, continuei de pé, matei outro homem, sim minha irmã, eu o empurrei no poço do elevador, era só mais um estuprador. Sou uma mulher adulta, não vou morar com você, vou seguir a minha vida.
Um barulho de louça quebrada nos tira o foco, nos viramos as três e Bruce estava ali, completamente atônito e constrangido.
─O vaso caiu, vim... Vim apenas saber se precisavam de mim, eu... Volto depois.
Bruce desaparece olhamos para Beth, estava abatida, não em prantos como eu ficaria se tivesse vivido o que ela viveu, se qualquer homem que não fosse meu Daryl pensasse em tocar em mim.
─Viram? Fugiu assustado, acho que isso resolve a questão, ele não volta mais aqui.
Ninguém contesta, não era hora para aquilo, voltamos ao trabalho, no meio da tarde, a mãe do Noah nos traz comida.
─Estão todos tão ocupados que decidimos levar a comida ao em vez de espera-los virem.
─Obrigada mãe do Noah eu estava muito faminta.
Largo tudo e me sento para comer, as meninas me seguem, conversamos bobagens e depois voltamos ao trabalho, de todas as pessoas de Richmond a mãe do Noah é minha pessoa preferida, gosto do seu jeito mãe, de como ela está sempre sorrindo e sendo gentil com todos.
Assim que anoitece volto para casa, está tudo bem bagunçado, me atiro no sofá para esperar Daryl, fecho os olhos um instante e quando os abro é dia, estou na cama e Daryl já saiu.
Me sento olhando em volta, está tudo fora do lugar, sou mesmo uma péssima dona de casa, quando entro na casa dos outros vejo a arrumação, tanto tempo sem ter um lugar para chamar de casa que agora que temos todos cuidam bem das suas.
Menos eu, me levanto com vontade de chorar, não gosto de chorar, chorar não é boa ideia para mim, quando começo um mundo de coisas me dominam e não consigo mais parar.
Daryl está me deixando, é isso, não dormiu na sala porque estava cansado, dormiu na sala porque não queria ficar perto de mim. Só quero voltar para cama e chorar, eu disse que me deixaria em um mês.
Nem deu tempo, começo a recolher tudo. Quem sabe se achar que posso mudar ele me veja como a mulher que sonhou, Daryl nunca teve uma casa, uma família, eu estraguei isso para ele não me dei conta.
Passo a manhã toda fazendo aquilo, coisa chata e sem emoção, na hora do almoço, Carl invade a casa sem bater.
─Porque está ai chorando?
─Daryl não me ama mais e vai me deixar.
─Ahm? Ele disse isso? – A cara de espanto do garoto quase me dá esperança.
─Não.
─Então para de falar bobagem e vem, temos uma missão.
─Qual? – Me animo um pouco.
─Vamos passar pelos fundos, pular a janela da Beth e jogar pôquer, está tudo planejado, Bruce, vai pela janela também, Beth, July e Pam pela porta da frente para não levantar suspeita, decidimos que vamos ter uma tarde de folga hoje.
─Gostei, eu vou, espera eu achar meus sapatos, duendes são uma raça mesquinha.
─O que disse?
─Achei, para de falar um pouco Carl, vamos de uma vez, e quero saber direitinho como vai seu plano de juntar seu pai e Mich.
─Ela descobriu, mandou você cuidar da sua vida.
─Você tem uma boca garoto.
Deixamos a casa pelos fundos, passamos pelo muro em construção sem levantar suspeita e entramos na casa de Beth, quem sabe esqueço um pouco meu fim de vida trágico?
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