Caminhando entre os mortos 2

3 Capítulo 3 - Calmaria


Notas iniciais
Olá pessoas, espero que estejam bem, aqui comoprometido, o próximo na quarta que vem.

Pov – Daryl

Não confio nada nesse padre, está muito limpo, muito inteiro e muito vivo para tamanha covardia, não sei se podemos confiar nele, mas a igreja parece nossa melhor opção no momento, precisamos parar um minuto para pensar o que vem depois, para onde vamos.

Eu realmente não tenho ideia de como posso convencer Alice a seguir para DC se o grupo resolver mesmo ir, não depois de saber que Beth pode estar viva, Maggie parece menos preocupada com isso do que ela, não sei se isso é apenas uma defesa ou se o tempo e a morte do pai não a deixou apenas desiludida, cansada, mas minha maluca nunca cansa, ela acredita sempre.

Nada faz Alice parar, nada nem mesmo canibais tiram dela sua força de vontade, seu desejo por vida e amor, ela acredita e está sempre me fazendo acreditar e tenho medo de um dia algo ser tão grande que ela desmonte, se quebre, é preciso um meio termo, mas Alice não conhece meias medidas, com ela é sempre tudo ou nada.

─Se comporta lá dentro em! – Ela me sussurra quando nos aproximamos mais da porta, reviro os olhos, nunca soube que se importava tanto com essa coisa de religião, mas ela está mesmo preocupada em salvar nossas almas, Alice definitivamente não vive no mesmo mundo que o restante da humanidade.

─Duvido ficar sem falar palavrão e arrumar encrenca!

─Merda! Essa porra de boca suja é mesmo um cacete! – Ela diz me fazendo sorrir – Pronto, gastei todos, agora vou me comportar.

─Eu amo você sua maluca boca suja, Deus deve amar também, para de se preocupar com isso.

Rick abre a porta, ela decidi ficar lá fora e vou entrando para descobrir onde estamos pisando, que lugar é esse e se ele não está mesmo nos colocando numa emboscada.

Se for, os bandidos estão lá fora, porque é lá que está Alice e é sempre onde ela está que se encontra o problema.

A igreja está limpa, não é grande, mas vai nos servir, saímos ao encontro dos outros do lado de fora.

─Está limpa! – Rick avisa.

─Eu ficaria surpreso se encontrassem alguém, passei meses ai sozinho sem sair.

─Obrigada Padre! – Alice sorri para ele, no fim ela anda gostando dele.

─Encontramos um ônibus, podemos conserta-lo em alguns dias. O padre não o quer e podemos usá-lo.

Abraham diz se aproximando de Rick, o cara só tem essa maldita viagem em mente e não sei se acredito muito nessa história de salvar a humanidade.

Michonne reclama, uma pequena discussão começa, decido que podemos nos unir para encontrar comida antes de pensar sobre qualquer coisa além dessa floresta.

─O ônibus não vai a lugar nenhum, vamos achar feijões! – Aviso a ele e puxo Alice pela mão, os dois parecem ter uma pequena rusga, ele é mal humorado e Alice não resiste a uma boa piada.

─Minha família não era católica! – Ela avisa quando entramos – Nem sei o que se faz quando mora numa igreja.

─Não faz nada, é um lugar como outro qualquer, isso é só um abrigo Alice, paredes e teto, somente quatro paredes e um teto.

─Ótimo! – Ela me diz aliviada.

─Alice não quero você provocando esse Abraham, ele não é o tipo paciente e detesto pensar em começar uma confusão, temos que ficar unidos.

─Amor, ele tem cara de desenho animado não tem? – Olho para ela sem acreditar – Ele tem Daryl, e nem falei com ele ainda, ele que se intromete nas minhas conversas e eu não vou para Washington, não sem a Beth, essa viagem é definitiva, e não vou fazer isso antes de tentar.

─Sabe que é como procurar uma agulha num palheiro não? Além disso vamos esperar as coisas se definirem, certo? Nada de ficar batendo nessa tecla, principalmente na frente da Maggie, ela não quer falar disso, acho que já notou isso.

─Já amor! Já notei, você só fica mandando em mim!

O padre começa a contar sobre como sobreviveu todo esse tempo, sobre ter comida estocada e os lugares que já foi.

─Estou dizendo que Deus está do lado dele, tinha comida, portas grossas, sei lá, acho que ele é tipo protegido.

Alice me faz sentar com ela, se encosta em mim, sorri para Judy no colo de Carl, depois olha em volta.

─A Carol está toda fugindo da gente, acho que ela anda tão estranha, o que será que está nos escondendo?

─Não sei, talvez nada, talvez tenha a ver com o que aconteceu na prisão, com o que ela fez com Karen e David.

─Não gosto nada de lembrar disso, amo a Carol, aceito o que aconteceu, apenas isso, não entendo, não faria e não gosto, mas aceito porque eu gosto dela, mas acho que não é só isso, no fundo acho que ela não tem qualquer arrependimento, acho que faria de novo agora mesmo se fosse preciso.

─Alice... – Eu me movo para olhar para ela – O que aconteceu em Terminus, os canibais, Joe antes disso, sabe que por mais que queira o mundo ele não é mais o mesmo, não podemos esquecer que as pessoas, elas fazem coisas, e nos obrigam a fazer coisas, precisa estar pronta.

Alice me olha firme, é forte, de um modo inabalável, me beija de leve, depois sorri de um modo triste.

─Eu posso matar por essas pessoas – Ela me mostra o ambiente, as pessoas olhando a igreja, conversando – Posso fazer isso por você, posso morrer por essas pessoas também, não duvide disso, mas nunca vou fazer isso sem meu coração se partir, sem sentir pena e ai está a diferença, eu posso fazer, só não posso fingir que não me importo.

─Certo, é o bastante para mim!

─Quero que vá sozinho com a Carol fazer a busca por esses feijões de que falou.

─Porque?

─Carol talvez se abra se estiver sozinha com você, pode ser bom para ela.

Não gosto disso, olho para Alice pensativo, tudo bem dar uma volta por ai com a Carol, mas deixar Alice sozinha é problema.

─Meu amor, se eu sair por aquela porta com a Carol, você vai fazer merda! – Ela ri, se senta no meu colo e me beija, não gosto de estar na frente de todo mundo assim, mas há muito desisti de convencer Alice a se comportar de qualquer ouro modo.

─Me chamou de meu amor e adoro quando faz isso, mas isso é o que chamo de apelar, o que pode acontecer comigo aqui, na casa de Deus e do padre?

─Sei lá, promete não se meter em encrenca.

─Não, sabe que não posso prometer isso, a encrenca sente meu cheiro.

Beijo Alice, então ela pula do meu colo como se lembrasse de algo, me arranha o braço no movimente, é sempre toda estabanada e me lembro de nossas manhãs na prisão, de ser atropelado por ela e sua energia matinal.

─Estava no seu colo! Isso deve ser pecado, nem me avisa! – Ela ri da minha cara de dor, beija meu braço, depois meus lábios – Vai amor, vai achar a Carol, eu fico aqui.

─Está certo rainha das fadas! – Ela faz careta.

─Codinome ridículo, aquele idiota nem sabe brincar, me deu um nome todo de menina!

─Idiota!

─E não vem me provocar com esse apelido que me faço de difícil.

Suspiro, não faz muita diferença no momento, nem sei se um dia vamos ter um momento juntos de novo.

Ela nota meu olhar, sorri esperançosa, pisca cheia de ideias, me arranca um sorriso e decido sair logo dali antes que Alice me arraste para a sacristia.

Carol está do lado de fora, junto uns galões e me aproximo dela.

─Me ajuda? – Ela sorri pega dois e aponto com o olhar a direção do rio.

─Alice não vai junto?

─Não, deve estar armando algum jogo de pôquer ou coisa assim com o Carl, talvez aposte os santos da igreja ou qualquer coisa do gênero.

Carol ri e seguimos em silencio um bom tempo, ainda me sinto tranquilo ao seu lado, ainda somos próximos como antes, mas tem um véu sobre nós, sobre ela e como se sente, Alice está certa, as vezes acho que ela não quer ficar, ou não pode.

Enchemos os galões de água, ela parece tranquila.

─Tudo bem entre vocês? – Carol me pergunta quando nos erguemos para voltar.

─Tudo.

─Ela aprontou muito?

─O que acha? Alice se meteu em todas as encrencas que pode, nos perdemos por um tempo.

─E você enlouqueceu completamente.

─Sim, mas nos achamos, eu nem sei o que seria se perdesse Alice, aqueles dois dias foram como a morte.

─Sei que sim.

─E você, como foi?

─Não quero contar Daryl, não quero mesmo falar sobre nada disso.

─Certo.

Ela me olha, sorri de lado, depois volta sua atenção ao caminho a nossa frente.

─Diga a Alice que foi em vão.

─O que? – Pergunto sem entender o que ela está dizendo.

─A tentativa de me fazer falar, eu estou bem, tenho que estar não é?

Dou de ombros, todo mundo tem que estar bem, não temos mesmo escolha sobre isso, sobre qualquer outra coisa.

─Podemos recomeçar, todos juntos, podemos recomeçar. Você sozinha nos salvou.

─Sorte, era para estarmos todos mortos.

Tem um carro parado na estrada, decidimos caminhar até lá, ela quer checar e por mim tudo bem, é sempre bom termos uma alternativa. O carro não funciona, ela abre o porta-malas.

─Estamos vivos! – Digo a ela, Carol me encara – Seja lá o que aconteceu já aconteceu. Vamos recomeçar.

─Eu quero.

─Você pode! – Ela afirma sem qualquer convicção, depois desvia o olhar e testa uma bateria no porta-malas, quer deixar ali para uma emergência, aceito.

─Ela te fez mais forte! – Carol me diz quando caminhávamos de volta, afirmo apenas com um movimento de cabeça – Alice é meio louca e desbocada, cheia de vida e se os visse separados jamais acreditaria que vocês dois teriam alguma chance, mas o fato é que vocês se equilibram, se completam.

─Alice me faz acreditar e com o que nos restou de mundo esse é o único jeito que tenho de continuar, eu preciso acreditar, quero um lugar para ela, um mundo onde caiba tanta alegria e vontade de viver.

─Espero que consiga.

─Você vai estar nesse mundo Carol, tem que estar, Alice e eu precisamos de você por perto.

Ela me olha emocionada, afirma, mais uma vez sem convicção, em algum momento vai desabar, tem muito preso ali, de Sophia a tudo que passou até aqui.

Pov – Alice

─Vou com você Rick! – Aviso quando ele se preparava para sair com o padre, Sasha e Bob, Michonne vai também e quero ir, Rick me olha sem muito ânimo.

─O Daryl não vai gostar nada disso Alice.

─Problema dele, o padre disse uma dúzia, melhor eu ir, todo mundo sabe que eu sou completamente capaz, eu vou e pronto, você me protege Rick, não tem escolha.

Ele suspira, sabe que não vai me convencer a não ir e então partimos, não gosto de ser sustentada, nunca gostei e Daryl sabe disso, ele sabe que não gosto de ver outros se arriscando por mim, além disso estamos falando de uma dúzia de zumbis, podemos dar conta.

O padre é muito covarde, sua covardia está no modo como fala, olha e até no seu andar incerto, acho de algum modo triste, ainda bem que não sou assim.

─Sabe Mich, você é meio sem graça sem sua espada.

─Obrigada Alice! – Ela me sorri e me lembro que não foi muito fácil para ela se misturar a nós, quando cheguei ela era completamente fechada.

─Que acha dessa viagem para DC? – Pergunto quando escuto Bob tentando convencer Rick a ir.

─Acho que estamos juntos, que temos mais do que esperei e vou onde quiserem ir.

─Michonne, eu estive pensando, e se perdermos pessoas pelo caminho, quer dizer, eu ainda quero salvar a humanidade, mas tenho medo do preço a pagar.

Michonne me encara, ela também tem eu posso sentir, temos Judy, e Carl, eles precisam de nossa proteção, e tem a Beth desaparecida, desaparecida não é morta, são coisas diferentes e se posso lidar com uma morte não estou certa se posso fazer o mesmo com uma pessoa desaparecida.

─É aqui! – O padre diz quando chegamos ao que antes era um lugar para proteger e ajudar pessoas carentes, Rick entra na frente, o lugar fede, não que seja muito diferente dos outros lugares, mas este está de matar, me dá nojo, ouvimos sons de agua e o velho gemido costumeiro, zumbi é um troço previsível.

─Que porra é essa? Desculpe Padre! – Tem um buraco no piso, em baixo um grupo de zumbis, caminhava num lago de água, o teto tem alguns buracos.

─Meses de chuva! – Michonne comunica.

─Agora acabou, já vimos de tudo, cacete! Olha isso? Mas que merda, não bastava chuva de zumbi agora isso? Peixe zumbi? Já viu chuva de zumbi padre?

Olho para ele, mas ele está apavorado demais para me responder, a comida é claro tinha que estar lá, nadando com os zumbis, a agua misturada a eles e ao tempo parada fede e está lodosa, escuta, os zumbis em contato constante com a agua tem a pele meio derretida, são deformados pelo tempo e pela ação da água.

─Vamos usar as estantes para isola-los e fazemos devagar.

─A gente vai entrar ai? Isso é uma privada gigante! – Eu reclamo, devia ter obedecido o Daryl e ficado na igreja – É sério gente, eu tenho marido, ele vai pedir o divórcio quando sentir meu cheiro.

─Vamos! – Sou ignorada, essa gente não se expressa e ainda não incentiva meus comentários relevantes –Você vem também padre! – Rick exige.

─É como eu disse, não posso ser útil!

─Já disse, você vem! – Rick exige, eu que não brincaria muito com o padre e aquela longa amizade dele com Deus, mas Rick sabe o que faz.

─Padre, não esqueça de avisar meu marido que a igreja é contra o divórcio!

Aviso antes de saltar para dentro, sim aquilo é nojento e frio, odeio o frio, odeio mais que zumbis, mais do que baratas até.

─Cuidado, fiquem atentos! – Vamos juntando as estantes quando os zumbis decidem se aproximar.

─Devíamos ter trazido minhocas! – Eu uso minha faca para acertar a cabeça de um zumbi que tenta me alcançar pela prateleira, sai mais agua de sangue – Porra que louco isso! Estão vasando agua!

Vamos acertando um a um, atentos, é cada um mais feio que o outro e sinto pena de Daryl não estar lá para ver aquilo e ficar fedendo para sempre também.

─Para que minhocas? – Mich me pergunta acertando mais um, o número aumenta um pouco.

─Pescar zumbis, seria mais fácil não acha?

─Idiota! – Mich diz e faço careta, com ou sem Daryl sempre sou a idiota, que droga.

Por alguma razão o padre se desespera, se debate tentando fugir para longe, tenta uma escada apodrecida e cai na água.

─Temos que resgatar o Gabriel, vamos derrubar a estante nesse da frente! – Rick decide e obedecemos, vamos matando os zumbis que se aproximam enquanto Rick segue em direção ao padre.

─Puta que pariu! O cara tem um metro de língua! – Eu digo quando um zumbi caminha em minha direção com a cara mais nojenta de todos os tempos, vamos derrubando todos e então as coisas terminam, mas do nada Bob afunda, se debate sob a água, emerge trazendo com sigo um zumbi que não é mais do que uma carcaça, Sasha vai em seu socorro e finalmente acabou.

Já me engalfinhei com um zumbi debaixo da agua e sei como é eletrizante, então depois de um minuto de alivio, começamos a fazer o que viemos fazer, recolher suprimentos, é uma boa quantidade e fico feliz e aliviada por poder sair daquela agua podre.

Aproveito para dar uma olhada nos cabides, encontro uma calça jeas e uma camiseta, decido levar para um banho, saímos empurrando tudo em um carrinho.

─Eu estou fedendo? – Pergunto a Sasha, ela dá de ombros, Daryl vai rir de mim eternamente, depois de me matar é claro – Podem ir na frente, eu vou me lavar no rio e trocar de roupa.

─Não mesmo Alice! – Rick avisa – Nem pensar que vai ficar sozinha.

─Rick você é um homem mal e solteiro, mas eu não e não vou ficar fedendo a privada, o Bob vai comigo, chegamos em cinco minutos, por favor!

Rick olha para Bob, ele afirma e deixamos o grupo entrando um pouco na floresta, Bob parece um pouco triste, talvez a adrenalina de minutos atrás.

─Já lutei com um zumbi sob a água Bob, sei como é.

Ele afirma, então fica de novo em silencio e o respeito, Bob fica de vigia enquanto entro rapidamente no rio e me lavo, visto as roupas limpas e secas.

─Pode olhar Bob! – ele se volta, tem algo em seu olhar, algo que o afeta muito e não sei explicar.

─Quer me contar? – Pergunto e ele nega – Tudo bem, mas sempre vai me ter por perto sabe disso não é Bob?

─Prometa que vai ser sempre assim? – Ele me pede quando começamos a caminhar para a igreja – Viva!

─Prometo!

─Que nunca vai perder esse seu lado humano não importa o quanto perca, o quanto te tirem?

─Tenho tentado Bob.

─Você é mais do que acha que é Alice, você é o centro desse grupo, não pela força física, mas pelo amor e pelo modo como deixa as pessoas tranquilas, sua leveza nos faz seguir em frente e o grupo precisa disso, se cair então acabou para todos.

─Nunca vou cair Bob, nunca!

─Eu estou feliz, todo grupo que estive, as pessoas sempre morriam e eu ficava e isso era para mim como um castigo, mas agora eu sei que é diferente, eu não vou perder mais e isso é bom.

─Isso mesmo, vamos viver todos! – Ele me sorri e está melancólico.

─Quando as coisas ficarem difíceis, quando faltar fé, não pense no que perdeu, pense no que ainda pode construir.

Meus olhos se enchem de lagrimas, olho para Bob, a porcaria do apocalipse fez isso conosco.

─Chorando?

─É o que o apocalipse nos fez não é? Toda conversa é sempre como uma despedida, e no fim é isso que é, estamos sempre nos despedindo e isso me maltrata, é tanto que procuro brincar, sabe eu estou sempre provocando o Daryl, o deixando bravo, ou feliz, mudando o tom da conversa para uma brincadeira porque não aguento me despedir dele, não quero ter que me despedir de mais ninguém Bob e você é como um pedaço do meu passado, da minha velha família e a esperança das coisas voltando ao normal, tem um pouco de todos ele em você, Ethan, Chase, minha família.

─Vai conseguir Alice, se tem alguém que vai conseguir é você!

Eu sorrio, seco um pouco as lágrimas, chega de momentos tristes, respiro fundo.

─O Daryl deve estar nesse minuto pensando num jeito lento de me matar.

─Ele ama você.

Então quando nos aproximamos da igreja eu o vejo caminhando em nossa direção com a cara mais fechada do mundo e sua besta nas costas.

─Fica vendo como ele demonstra esse amor em palavras doces e declarações.

─Você é uma idiota que tem merda na cabeça! – Daryl esbraveja.

─Não disse! – Bob nos deixa e paro na frente de Daryl e seu olhar assassino – Primeiro, me cheira.

─O que? Não me provoca Alice, me enganou, se meteu em confusão de novo, falei para ficar aqui e foi atrás de encrenca.

─Quer por favor ver se estou cheirando a privada antes de me matar!

Ele respira fundo, se aproxima de mim, aspira em meu pescoço e acho que foi uma péssima ideia, todo meu corpo reage ao dele, passo meus braços por seu pescoço e colo meu corpo ao dele, Daryl esquece a fúria e me beija, um longo e ardente beijo que faz meu coração saltar, mas então nos separamos.

─Não vai acreditar, os zumbis da loja estavam virando peixe, é tipo uma mutação.

─Eu não quero saber no que se meteu, prefiro não pensar nisso, e me diz porque estava chorando? – Daryl me pergunta me abraçando, me beija de leve.

─Bob estava triste, disse umas coisas e me contagiou, foi isso, mas já estou bem.

─Vem, vamos entrar e comer, não consegui nada com a Carol, mas você está certa, ela está por um fio.

─Vamos ajuda-la, mas deixa eu contar, foi uma ótima aventura!

─Conta Alice – Ele diz rendido.

─Estou fedendo?

─Não, mas o Rick e o resto está.

Rimos os dois quando subíamos os degraus da igreja. Me misturo as pessoas, ajudo a separar a comida, arrumar uma mesa, estão todos felizes, não consigo muito ficar como eles, claro que agradeço a sorte de estarmos juntos e vivos, mas tem Bob e seu olhar melancólico, Carol e a nuvem sobre seu coração e não tem Beth, vez por outra penso como está, no tipo de gente que a encontrou e o que minha amiga de pôquer, risos e sonhos está passando.

Anoitece quando começamos a nos servir, sentamos espalhados pela igreja, Judy no colo de Rick, ela está tranquila, brincando, parece não ter se dado conta dos perigos por que passou, de tudo que perdeu.

Antão Abraham propõe um brinde aos sobreviventes e começa um discurso sobre as razões de irmos para DC, Daryl me adverte com o olhar, Eugene fala um pouco também, o grupo fica animado, esperançoso, e então Rick concorda, decide que vai para Washington, faço um movimento negativo com a cabeça para Daryl.

─Vou conversar com o Rick depois! – Me avisa, aceito, sei que ele nunca vai fazer nada para me obrigar a seguir Rick quando não estou pronta para deixar a Geórgia.

Procuro com o olhar por Carol, ela não está, é noite e penso o que deu nela para sair por ai sozinha.

─Vem amor, vamos achar a Carol.

Ele se ergue e deixamos a igreja, a noite está escura, silenciosa e assustadora como sempre esteve, isso não é novidade.

─Achamos um carro mais cedo, tenho certeza que é lá que Carol está.

─Ela vai nos abandonar Daryl, e acho que não tem nada que possamos fazer.

Ele concorda e nos aproximamos, ela matava um zumbi.

─O que está fazendo? – Daryl questiona, Carol nos encara.

─Não sei! – Então ouvimos barulho de motores, um carro passa veloz quando nos encolhemos.

Carro preto com uma cruz branca, me lembro de ouvir que foi um desses que levou Beth, olho para Daryl suplicante, que outra chance podemos ter?

Ele compreende, usa a besta para arrebentar os faróis do carro e corre para o volante.

─O que está fazendo? – Carol pergunta confusa.

─Eles levaram a Beth, vamos entrem! – Carol e eu corremos para dentro do carro, Daryl dá a partida.

Estou feliz, tensa e esperançosa, vou juntar toda minha família, se mesmo depois de tudo nos reunimos então ela virá, vamos depois disso para onde quiserem, não me importo, mas antes vou reunir toda minha família.

Notas finais
Então gente, não tenho a menor ideia de como será o próximo, mas possivelmente vou fazer um POV da Beth, não sei vocês, mas eu realmente gosto da personagem, gosto da história que a cerca e quero entrar naquele hospital, até porque acho que isso vai se misturar e muito com o que vem para Alice, então é isso, nos vemos na quarta! Beijos