Caminhando entre os mortos 2

21 Capítulo 21 - Tudo ao contrário, como sempre.


Notas iniciais
Oi gente!!! Eu pretendia postar hoje a fic nova, mas como sei que andam super curiosos sobre essa então postei aqui. Amanhã posto Hell e a nova.

Pov – Beth

─Abre o jogo Beth. O que sabe sobre Alice que não sei? – Maggie me pergunta logo depois do café.

─É só uma desconfiança, mas acho que Alice pode estar grávida.

─Ai meu Deus do céu! O que o Daryl está achando disso?

─Ele não sabe, nem ela, eu que desconfiei.

─Que loucura, ela vai ficar doida.

─Ela não, ele. Pobre homem! – Rimos as duas. – Mas não diz nada ainda, não tem como a gente saber e só vamos preocupar os dois.

─Será?

─Pensa Maggie, ela reclamou mil vezes de cansaço. Agora veja, é a Alice, ela nunca está cansada, tem aquela energia toda, além disso ela ficou com saudade de comer esquilo. Saudade? Me pareceu mais um daqueles desejos de grávida.

─E tem a fome, nunca vi a Alice comer tanto, o tempo todo ela pergunta sobre comida.

─Verdade.

─Pior que vamos sair em missão hoje, não sei como vai ser isso.

─Fica de olho nela, não deixa ela se esforçar muito, se dissermos para ela não ir vai levantar suspeita.

Afirmo e então Maggie segue para o portão onde o grupo começa a se reunir organizando a saída.

Volto para dentro de casa, não gosto nada de ficar, mas com tantas crianças acho que precisamos manter a segurança. Uma leve batida na porta me desperta e largo as armas que já juntava para ficar no portão.

─Oi. – Bruce estava de pé e me sorri. – Vim me despedir, vou com o grupo.

Abro e fecho a boca, fico triste só de pensar que ele vai estar lá fora e eu aqui, sem notícias, pela primeira vez entendo Maggie e Alice sempre tão dispostas a enfrentar as ruas, o não saber é mesmo intolerável.

─Se cuida lá fora.

─Se cuida aqui dentro, se precisar se esconder, fugir... Nossa, isso é confuso.

Sei o que ele quer dizer, já me perdi de todos uma vez e sempre pode acontecer, suspiro, Bruce dá um passo para perto de mim e não me movo, não quero e não vou resistir, se for a última vez que seja uma despedida a altura do que sinto.

─Vou me manter segura, prometo, não sou tão incapaz como posso parecer.

─Acredite em mim, não duvido nem um pouco da sua capacidade de se defender. – Sua mão se ergue e mais uma vez toca meu rosto, de novo me lembro das cicatrizes, toco sua mão tentando impedir o contato. – É linda Beth Greene, e esses são os sinais de sua força, me dizem que posso ficar tranquilo, você vai sobreviver.

─Vou. – Afirmo, essa é uma decisão que tomei há muito tempo, eu sempre vou sobreviver.

Ele se aproxima mais, a mão ainda no meu rosto a outra descansando em minha cintura, meu coração aos saltos, as borboletas se debatendo em meu estômago em busca de matar a ansiedade que sua proximidade me traz.

Fecho os olhos esperando por seus lábios e eles vez suaves sobre os meus, sinto a macies do toque, abro a boca para receber sua língua, me entrego sem dúvidas a sensação que invade meu corpo.

Minhas mãos descansam em seu peito, jamais me senti assim, plenamente feliz, não me lembro de nenhuma das coisas que um dia colocaram em dúvida meus sentimentos.

Quando nos afastamos me sinto abandonada, me obrigo a abrir os olhos, encaro os olhos negros de Bruce e eles brilham por mim, me emociona, quando sorri enche meu coração de esperança e dessa vez eu me estico para sentir seus lábios mais uma vez, trocamos outro longo beijo.

Depois nos afastamos, sinto meu sangue pulsando e aquilo é absurdamente diferente e emocionante, nunca me senti assim em nenhum momento da vida.

─Não tem pressa de nada Beth, eu gosto de você, de ter você em meus braços, mas sei esperar, não vou pensar que porque me beijou agora significa que vai acontecer de novo.

─Mas vai. – Deixo escapar e no fim gosto de dizer e gosto de como ele sorri em resposta. – Gosto de você perto de mim Bruce, meu passado...

─É passado, não importa mais.

─Eu sei. Tome cuidado lá fora e quando voltar quero contar tudo, mas não quero que se sinta mais com medo de se aproximar, não vou te reprimir.

─Bom saber. – Ele me envolve em seus braços, me beija mais uma vez, adoro ficar em seus braços. – Ainda tenho uns minutos enquanto eles decidem onde e como. – Sorrio e ficamos ali, trocando beijos, carinhos, não é ainda nada sexual, só um carinho que faz meu coração bater aquecido.

─Tem esse rostinho de anjo e talvez ache que é isso que me atrai, mas não é, gosto de sua decisão, coragem. Sabe o que quer.

─Nem sempre, quando te conheci fiquei muito confusa.

─Isso já é alguma coisa, achei que uma mulher como você nunca me daria qualquer chance. – Ele me beija mais uma vez.

─Esse era o plano, mas não consegui resistir.

─Que bom. – Bruce suspira, sei que tem que ir e não quero, beijo seus lábios mais uma vez, faço um carinho em seu rosto. – Preciso ir, fica bem, se cuida, não deixa a July por ai, ela adora me seguir por ai, mas quando não estou não sei onde ela pode se enfiar.

─Atrás do Carl e da Pam, mas não se preocupe, fico de olho.

Sem alternativa nos afastamos e depois de um selinho na porta ele vai ao encontro do grupo no portão, suspiro e pego minha pistola, um rifle que mantenho comigo, minha velha faca de cabo preto e vou para meu posto.

─Beijaram? – July surge com Carl e Pam assim que abro a porta.

─Que acham de cuidar da vida de vocês? Quero que fiquem todos na casa da Stacy até voltarmos.

Entre caretas e resmungos eles me obedecem, ainda chego no portão a tempo de ver o grupo partindo.

Alice e Daryl, Bruce, Maggie, Glenn, Abe e Rosita, o restante ficaria para manter o lugar em segurança.

Vou para meu posto de trabalho em frente ao portão junto com Mich, aceno e fecho quando os dois carros somem.

─Acho que alguém está apaixonada! – Michonne brinca.

─Então talvez tenha mais de uma pessoa se sentindo assim. – Ela arregala os olhos e me faz sorrir.

─Eu... Isso é... – Michonne revira os olhos e volta sua atenção para o portão, pela fresta podemos ver o movimento das folhas na margem da pista, não sei definir se algum pequeno animal ou zumbis, mas nos dois casos eles estão sempre indo e vindo e estamos sempre preparados.

─Espero que corra tudo bem lá fora.

Soa como uma prece, é um pouco isso, boa parte de minha família está lá fora agora, além deles Bruce, tão pouco tempo, e ele agora é tão importante para mim.

Pov – Daryl

Bruce dirigia enquanto eu ia a seu lado, no banco de trás Alice cantarolava despreocupada, a cara dela fazer isso, Bruce dirige atento a tudo, tem um ar sério que me passa confiança.

─Beijou ela Bruce? – Alice decide abandonar a cantoria. Ele engasga sem saber o que dizer, fica claro que beijou só por me olhar um tanto preocupado. – Beijou! – Alice aplaude. — Não vejo a hora de conversar com ela.

Bruce continua firme na direção, finge não ouvir, me olha mais uma vez, acho que se preocupa com minha reação, não tenho e nem quero ter nada com isso. É claro que a felicidade de Beth é importante para mim, mas definitivamente não tenho nada com isso.

─Bruce isso é assunto seu. – Aviso sem prolongar o assunto.

─É Bruce, o Daryl não vai ficar bravo se pedir a mão da Beth em casamento.

Nós dois olhamos para ela ao mesmo tempo, Bruce até se esquece um segundo da direção.

─O que? Vai ficar de namorinho? Isso é coisa do passado, eu já casei logo com o Daryl, peguei ele para mim bem rápido antes que outra pegasse.

─Eu ainda... é cedo Alice, não estou brincando com os sentimentos da Beth, mas não quero assustá-la.

─Outro lentinho, esses homens do apocalipse são muito devagar, você o Rick, temos que fazer tudo!

Entramos em uma cidade e agradeço porque nunca sei até onde Alice pode ir e com certeza ela pode ir muito longe.

Bruce estaciona numa rua larga, com meio fio cheio de arvores que agora estavam descuidadas e com a grama crescida. O chão como sempre estava tomado por lixo e vez por outra, restos de pessoas, zumbis caídos aqui e ali.

─Nunca estive aqui, não achava seguro vir sozinha e deixar as mulheres lá.

─Vamos dar umas voltas por aí. – Digo ajudando Alice a descer, fecho a porta do carro. – Alice já sabe.

─Eu sei amor! – Ela faz aquela cara de tédio. – Não ficar longe, não me engalfinhar com zumbis, não terminar como refém e blá, blá, blá.

Bruce me olha com expressão de terror.

─Sim. Ela já fez tudo isso.

─Só me critica! – Alice resmunga me puxando em direção ao grupo.

Nos reunimos decidindo por que caminho seguir, Alice não consegue ficar parada, caminha uns metrôs para longe. Me curvo para armar a besta, apenas um segundo que meus olhos despregam dela e então a confusão acontece.

─Merda! – Escuto seu grito, quando ergo meu olhar um zumbi avançava sobre ela vindo de trás de uma arvore que ela tinha acabado de se encostar. – Me larga monte de estrume! – Ela o prendia pela garganta afastando-o.

Corro feito um alucinado, tudo tão rápido, um segundo e meu mundo se fecha naquele pesadelo que tanto conheço, ela o mantinha distante, as mãos daquela coisa prendendo seus braços, Glenn e Maggie correm comigo, salto sobre o infeliz com a faca pronta, finco em sua cabeça do topo ao queixo ele cai no mesmo instante rendido ao meu instante de fúria.

─Não fiz nada amor! – Ela me diz com aquele olharzinho inocente que no momento me irrita.

─Como você consegue? – Grito, ela revira os olhos, não importa o quanto eu grite ou xingue, ela sempre se coloca como inocente e me rendo.

─Ele que veio, eu estava quieta.

─Sério? Claro que foi ele, só faltava mesmo você ter se atirado a ele! – Grito de novo, o resto do grupo apenas assistindo.

─Pode falar baixo amor, quer companhia? – Ela diz baixinho e tranquila. Irritantemente tranquila.

─Vamos! – Eu a puxo pela mão, seguimos em direção a primeira grande loja.

A porta de vidro está encostada, Abe empurra, com o movimento um velho sino toca. Entramos e um zumbi sai de trás do balcão, Abe o acerta, ele cai e outro surge, acerto uma flecha e está limpo.

Saímos recolhendo como sempre tudo que presta, o lugar não é dos piores.

─Cigarro amor! – Alice está atrás do balcão e me balança um maço de cigarro.

─Você não fuma Alice, não me irrita. – Ela faz de propósito, só pode ser isso.

─Chato!

Deixamos a loja e entramos na seguinte, dessa vez apenas eu e Alice, Glenn, Maggie, Abe e Rosita vão para a farmácia dois lojas a frente, claro que não antes de ouvirem uma piada de Alice que constrange Glenn e arranca risos de Maggie.

─Não perde a chance. – Reclamo. Bruce fica na porta vigiando nosso perímetro.

A loja está vazia, conseguimos algumas coisas, nada muito importante, mas as velas e o querosene que sempre é útil.

─Baterias! – Alice me olha balançando a lanterna. – Aí meu Deus que emoção!

─Trouxe essa lanterna Alice! – Ela sorri colocando as baterias que encontrou no saco, devolve o saco nas costas e vem até mim, me beija de leve. – Me deu uma saudade, faz tanto tempo que parece outra vida.

─Sim. Melhor irmos. – Ela sorri, eu caminho para a porta passando em sua frente, ela me segue.

─Esqueci do machado. – Ela volta enquanto vou abrindo a porta. – Daryl.

Só o tom de voz já me assusta, quando me viro Alice está presa por um braço forte, uma pistola encostada em sua têmpora.

─Quietinho ou mato a garota. – O rosto está acinzentado, uma longa barba e longos cabelos dão a figura um ar selvagem, fico pálido.

─Não tive culpa amor, o cara veio sorrateiro, não foi moço?

─Cala a boca! – O homem diz bravo. – Vai caminhando para fora, vamos logo depois de você, sem gracinhas.

─Ele não faz gracinha, é super sério.

─Shiu! – Ele aperta mais seu pescoço, meu sangue ferve. – Anda!

─Vai amor.

Sem alternativa saio para a calçada, pela minha cara o grupo sabe que algo deu errado, todas as armas se erguem e então me viro para ver Alice servindo de escudo para o homem.

─Ninguém se mexe ou ela morre! – Ele grita.

─Como é seu nome moço? – Alice pergunta.

─Que diferença faz?

─Muita moço, o senhor está me agarrando, era bom a gente se conhecer melhor.

─Cala a boca Alice! – Eu e Maggie dizemos juntos, me sinto morrer um pouco só de assistir aquilo, vou matar esse infeliz, vou fazer isso na primeira distração dele, Alice vai providenciar isso, ela não tem limites nem mesmo num momento como esse.

─Isso Alice boquinha fechada! – O homem a aperta. – Larguem as armas.

Ninguém se move, não vamos nos render assim.

─Pronto moço já sabe meu nome, agora me deixe saber o seu, é daqui? Ou estava por ai?

─Sou do inferno, e se eles não soltarem as armas é para lá que vou voltar e você vem comigo.

─Que merda! Até quando o Rick não está as frases boas ficam com outros.

─Larguem as malditas armas. – Eu me rendo, não posso arriscar a vida de Alice, largo a besta no chão, abro os braços em rendição.

─Não faz isso Daryl! – Alice reclama. Como posso me recusar? É ela ali, é tudo que tenho, a pistola está na cintura, qualquer movimento e eu o pego.

─Façam como o espertinho ali que quer manter a moça viva, larguem as armas agora! – O homem começa a se irritar.

─Baixem as armas. – Olho para o grupo, tensos eles me obedecem, Abraham titubeia. – Agora! – Meu tom não deixa duvidas que qualquer tolice dele eu mesmo o mato. Glenn abaixa a arma de Abraham.

─Solto um pouco meu pescoço moço, só para eu poder respirar um pouco, se eu morrer sem ar não vai poder me matar, daí qual a graça?

Alice não consegue evitar, quantas vezes mais vou vê-la assim, em risco, meu corpo todo treme, sinto raiva, um ódio me domina.

─Calada. Você é idiota?

─Um pouco. – Ela responde, ele a aperta mais ela torce o corpo um pouco, nossos olhos se encontram. – Amo você.

Ela me diz e meu coração se aperta, então ela toca a cintura sente a faca, os olhos brilham, tudo fica mais tenso, nego com os olhos, imploro, mas sei que ela vai me ignorar, Alice só faz o que quer.

─Moço, acho que a gente devia se separar um pouco, conversar, porque não abaixa a arma? Eu sou bem legal.

─Vão para os carros e deixem esse lugar, ela fica comigo.

Nunca, isso é fato, tudo está tenso e para piorar zumbis começam a aparecer, vindos de lugares diferentes, distantes ainda, mas a caminho.

─Moço, a gente vai ser devorado, é só para constar, esse negócio de zumbi é uma merda eles comem mesmo, não tem perdão, o senhor parece mais saboroso, olha ali meia dúzia vindo bem pertinho de nós dois.

Não tinha nada perto deles, mas é claro que por puro instinto ele olha na direção que Alice aponta, a arma por reflexo se afasta da cabeça de Alice e antes que qualquer um fizesse qualquer coisa ela crava a faca em sua perna e o empurra.

A arma dispara quando o homem se equilibrava entre a dor da perna e o empurrão, acerta por puro asar a perna de Bruce que pende, antes que o infeliz pudesse mais uma vez se aproximar de Alice eu o acerto no meio da testa.

Corro para Alice, chego a ela antes que o corpo do infeliz chegasse ao chão, ela se apoia em mim, nunca senti tanta alegria em toda minha vida.

─Não grita comigo, estou meio tonta.

Abraço Alice, a aperto em meus braços, só quero ter certeza que está viva. Glenn e Maggie ajudavam Bruce prendendo um lenço em sua perna.

─Que estúpida você é! – Abraham diz e nem acredito no que estou ouvindo. – Podia ter matado um de nós. Não saio mais com essa idiota que brinca com o perigo.

Solto Alice. Era a última coisa que queria fazer no momento porque ela está pálida e confusa, mas ninguém grita com a minha mulher, pego minha besta caída no chão, caminho firme para ele, fecho a mão, ele estufa o peito, acerto um soco em seu rosto, ele ergue o braço para me acertar, uso o cabo da besta para acerta-lo mais uma vez.

─Daryl! – Glenn grita, Abraham tenta vir para cima de mim, mas agora somos separados por todos.

─Nunca mais se atreva a falar o nome dela, nunca mais chegue perto de Alice ou mato você.

─Calma Daryl. – Maggie está na minha frente, é apenas isso que me impede de matar aquele infeliz.

─Daryl. – Escuto a voz esganiçada de Alice e apenas isso me faz me afastar, quando me viro assisto ela cair lentamente.

─Alice! – Corremos todos, apenas Rosita fica para socorrer o imbecil.

Alice estava mole, os olhos fechados, Maggie massageia seus pulsos enquanto a ergo em meus braços, ela volta uns segundos depois.

─Está bem? – Ela me olha, afirma um pouco confusa. – Vamos para casa. Vai ficar tudo bem.

─Só me meto em encrenca. Estou bem, mas não me põe não chão não que estou gostando desse negócio de ser carregada, devia me beijar já que estamos aqui.

Minha mulher, linda e maluca, fez todas as coisas que pedi para não fazer, sabia que seria assim, sempre é.

─Acho que Alice ignorou todos os seus avisos. – Bruce me diz quando a coloco no banco de traz do carro.

─Cala a boca Bruce, não lembra ele.

Notas finais
Comentem!!! Demorei para responder porque queria postar, mas vou responder tudo agora, amo vocês!!! Beijos