Calling Down.
5 Understanding
Notas iniciais
Mais nas notas finais.
Perdoem-me qualquer erro.
Boa leitura. ♥
A chuva não dava sinais de que iria parar, mas não se importava. Havia chegado molhado até os ossos em casa, recebido por um Takanori preocupado, mas sequer se importou em se explicar e rapidamente subiu a grande escadaria. Mal entrou na grande suíte e foi logo para o banheiro, onde deixou a banheira enchendo.
Agora estava lá, sob a água quente. Seus soluços eram constantes e ele não sabia, mas Ruki estava atrás da porta e o ouvia chorar, e chorava silenciosamente junto com ele. Era possível sentir a dor que emanava do corpo maior, fazendo uma pontada tomar conta do coração de Takanori. As lágrimas manchando o rosto perfeito, deixando um rastro que não era apenas superficial. Aquilo deixava marcas cada vez mais profundas no coração de Kouyou.
Uruha era um homem forte, sempre fora. Um homem que sobrevivia do amor que sentia. O pior era desejar a morte e saber que ela não iria chegar, não enquanto aquilo não houvesse um fim. Quantas vezes ele pensou em desistir, desistir do livro, de Shibata... Mas era só pensar no rosto que o fez viver durante tantos e tantos anos que sua força voltava. Podia dizer que era como uma fênix, que surgia das cinzas de seu coração.
A dor que sentia era tão forte que fazia seu peito doer; estar perto de Yuu exigia de si um autocontrole muito grande, e durante muitas vezes quase pôs tudo a perder. Não sabia na verdade o que sentir, pois metade de si estava radiante por estar tão próximo da pessoa que mais amava. Já a outra metade estava arrasada por estar tão perto e tão longe ao mesmo tempo.
Porém, além de tudo aquilo que havia passado na presença do outro, pode sentir que o moreno estava atraído por si, que sentia que havia algo entre eles que não conseguia decifrar.
E em meio a todos aqueles soluços e lágrimas, Kouyou sorriu.
~xXx~
Sabia que não havia o que podia fazer, apenas devia esperar loiro se acalmar. Ele havia chegado totalmente encharcado, e com os olhos vermelhos. Provavelmente havia chorado por todo caminho de volta. Não precisava pensar muito para entender que havia se encontrado com Shiroyama.
Assim que ouviu a porta do banheiro do quarto do loiro ser fechada com certa força, foi calmamente até lá, e assim que chegou em frente a madeira que separava o dormitório do quarto de banho, pode ouvir os soluços doloridos, e não reprimiu suas próprias lágrimas.
Após um longo tempo ajoelhado, esperando o choro silencioso cessar, levantou-se e fora para a biblioteca, um lugar que apesar de sombrio, para si era um pouco acolhedor. Talvez pelo fato de que, quando ainda vivia, quando queria fugir de todos seus medos, seu refugio era ali, em meio àqueles livros.
A mão não tão grande deslizava de livro em livro que estavam nas prateleiras. As lágrimas ainda escorriam tímidas por seu rosto, mas não precisava escondê-las. Não agora.
Seu maior medo era encontrar Shibata, encarar seu pesadelo de frente e não ter forças para lutar, mas naquele momento, seu medo era encontrar-se com Akira.Não sabia se iria conseguir manter-se de pé, iria querer apoiar-se no outro. Suas pernas fraquejariam, e seu coração com certeza aceleraria em uma velocidade absurda. Era forte por aguentar tudo até ali, mas fraquejaria como um soldado ferido quando estivesse diante do outro. Talvez não tivesse tanto autocontrole como Kouyou.
Kouyou... O loiro estava lhe ajudando tanto. Sabia que provavelmente parecia uma criança assustada, mas dentro de si havia um leão raivoso.
A verdade era de que conhecia Uruha há muito tempo, há anos. Acompanhou com tristeza toda a dor do mais alto.
Morava com o loiro por todo o tempo.
Apenas saía quando estava na hora de permanecer ao lado de Reita, até que a morte fosse lhe visitar mais uma vez. Permanecia ao lado do amado até o último suspiro que ele desse, e da ultima vez em que viu isso acontecer, antes do suspiro pode ouvir claramente seu nome ser sibilado debilmente. Um arrepio passou por sua espinha naquele momento, mas foi como se uma fogueira tivesse ascendido.
Então, voltava para a enorme casa a qual Uruha habitava. Porém, durante todos aqueles anos o loiro nunca havia lhe visto, mas sabia que ele podia sentir algo estranho, principalmente quando estava na biblioteca. Há quase um século acompanhou o encontro e Kouyou com Aoi. Viu quando o moreno estava na biblioteca momentos antes do mais alto chegar, via como ele falava consigo mesmo, dizendo coisas como “O que está fazendo aqui, Shiroyama?”. Acompanhou o diálogo dos dois, e sorriu triste por saber como acabaria. Com uma tragédia romântica.
Sabia que naquele momento Kouyou podia sentir a sua presença por entre as estantes, mas ele não se importava; nunca se importou.
Aprendera durante todos aqueles anos a ter um carinho especial por Takashima. Um sentimento estranho de felicidade ao ver o loiro sorrir e ter vontade de abraça-lo quando o via desabar. Estava ao seu lado em todas as suas quedas. Uruha era uma pessoa que queria ter sempre ao seu lado, como um irmão mais velho, um melhor amigo.
Quando estava sentado no velho chafariz, pensando e remoendo tudo que havia acontecido momentos antes em que Akira havia lhe visto, Kouyou lhe viu. O maior foi até ele e sentiu-se feliz por finalmente poder ter sido reconhecido de verdade. Naquele momento sentia que devia explicações, e foi o que fez.
Depois de toda explicação que deu, depois de se sentir mais uma vez desesperado em relação a Akira, sentiu um abraçado quente e acolhedor, um abraço de quem realmente quer amparar, e sentiu-se feliz. Feliz por poder estar perto e abraçar a pessoa a quem tanto admirava, a quem tanto queria acalmar nos momentos turbulentos, a pessoa a quem sentia todo um sentimento fraternal. Kouyou tornou-se mais do que um irmão.
Teria e queria contar aquilo para Takashima, porém sabia que haveria um momento certo para isso.
Ouviu a porta da biblioteca ser aberta, e por ela passou um Uruha vestido informalmente, com uma blusa de mangas compridas branca e uma calça de moletom preta com listras cinzas nas laterais. Era raro vê-lo vestido daquela forma, porém era aconchegante. Os olhos ainda vermelhos denunciavam o quanto havia chorado, e agora fitavam Takanori que estava parado – sem perceber – em frente à grande janela, agora completamente cheia de gostas de chuva.
Abriu os braços, sorrindo fraco e logo Takanori entendeu o recado, quase se jogando nos braços do outro. Ambos precisavam de um abraço, mais do que isso, precisavam saber que um estaria ali para amparar o outro. Talvez quem olhasse de fora achasse que tinham algo, talvez maliciasse, mas era completamente o contrário.
Permaneceram daquele jeito até que os corações se acalmassem, junto com a chuva.
~xXx~
A manhã havia chegado tranquila e estranhamente ensolarada. Porém, apesar do sol ainda permanecia o frio, por causa da estação. Pessoas andavam com seus cachecóis no pescoço e luvas nas mãos. Algumas pessoas passavam apressadas e outras tranquilamente com copos de café ou chocolate quente; prontas para mais um dia de inverno.
Ruki caminhava calmamente entre todas aquelas pessoas que não podiam lhe ver. Usava um moletom preto, por baixo deste uma blusa de lã branca de gola alta, uma calça jeans azul-escuro e coturnos. Seus pés sem rumo o levavam para mais longe de toda aquela gente, e quando notou estava em frente a uma construção abandonada. Resolvera entrar, sem saber por quê.
Era uma construção que estava abandonada há um bom tempo, porém estava quase pronta. As paredes ainda não pintadas eram cinza, e o chão tinha apenas uma parte coberta com piso. Lá era bastante úmido, ainda mais que havia chovido bastante no dia anterior e não havia forro ou chapa, apenas o telhado precário. Caminhou um pouco mais e chegou a um cômodo um tanto peculiar, era para ser uma suíte, então dava para ver a entrada para o banheiro e espaço bem grande para o quarto, mas o que mesmo lhe chamou atenção foram as penas pretas espalhadas pelo local, e gostas de sangue secas em alguns pontos da parede.
Levou um susto quando ouviu passos se aproximarem, e quando se virou sentiu cada músculo do seu corpo se tencionar e seu coração parar de bater. Sua respiração havia sessado.
– Achei você!
Notas finais
Quero agradecer aos reviews que recebi, porém tenho leitores ~fantasmas~ e quero que vocês apareçam, poxa. Assim fico desmotivada a continuar postando. ):
Enfim, obrigada mais uma vez às recomendações. ♥333
P.S.: Se eu demorar a postar, é culpa da universidade, e não minha, sim?
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