Caixa Postal

3 Capítulo 3: Afastada


Notas iniciais
Hope u like it! ♥

Quando acordei de manhã, estava sem muita vontade de levantar, mas logo o fiz quando lembrei da visita. Corri pelo corredor apressada e peguei minha toalha no varal que ficava na varanda.


Eu ainda estava na casa de meu pai, já que ele vai ficar mais ou menos um mês aqui nesta cidade. Na verdade não é uma casa, é um apartamento. E estávamos no vigésimo primeiro andar.


Quando fui pegar a toalha parei para ficar admirando aquela paizagem. Como cheguei aqui ontem a noite, eu não havia visto esse lugar de dia. Tinham muitos outros prédios, mas o nosso era realmente alto. O céu estava um pouco nublado, mas muito iluminado, era muito bonito. Fiquei ali um tempo, apoiando os cotovelos no muro que me separava de uma queda mortal, e o rosto nas minhas mãos. Era tudo tão mágico...


Na minha mente, eu podia imaginar pequenas fadinhas brilhantes e coloridas, minúsculas mesmo, deixando um rastro pontilhado e bagunçado, brilhante como elas, girando pelo ar, brincando, dançando... Eu também podia imaginar que de cada núvem, em cima delas, havia um guardião, mantendo a nuvem firme e forte, e quando a chuva cair, eles vão dar um longo salto, até um lugar onde pudesse criar e manter outra nuvem... Eu podia me imaginar como em Alladin, num tapete voador, saindo dali, com o vento no rosto...


Depois de algum tempo viajendo mentalmente, com a brisa levando meus cabelos bagunçados para longe do meu rosto, senti uma mão em meu ombro. Virei-me e pude ver o rosto recém-acordado do meu pai.


– Juju? – Chamou me olhando com os olhos cansados. Ele não costumava me tocar, muito menos ficar tão perto de mim. Na verdade, nossos horários nunca batiam e eu acho que ele se sentia mal por eu ser a filha única e ele nunca poder me dar atenção. Mas eu já havia me acostumado. Antigamente eu chorava durante noites e mais noites, sentindo-me sozinha, mas acabei me adaptando e hoje não faço questão de ter alguem por perto.


– Bom dia Pai. – Sorri para ele.


– Vai para a visita hoje? – Ele perguntou e logo bocejou. Era realmente estranho ver ele...


– Sim. – Eu informei. – Vou me arrumar agorinha. – Disse e saí da varanda, deixando-o sozinho lá. Já estava me dando agonia ficar ali falando com ele. Sei que é meu pai, mas não gosto muito de ficar perto dele. Eu o amo mais que tudo na minha vida, é claro, mas quando temos esses diálogos "compridos", eu me sinto mal, sinto vontade de chorar.


Entrei logo no banheiro com a toalha no ombro e fitei o espelho. Eu havia deixado as roupas e acessórios ali em cima do balcão do banheiro e então logo começei a me despir para ir para o banho.


Entrei no boxe e ajustei a temperatura da água, logo entrei debaixo do chuveiro e fechei os olhos. Eu estava sentindo um frio na barriga, quase como uma vontade de vomitar. Era uma sensação engraçada.


Saí do banho, me enxugei e enrolei a toalha na cabeça, prendendo o cabelo.


Fitei o espelho e começei a tentar apagar as sardas com um pó da cor da minha pele, mas eu não consegui, então lavei o rosto me rendendo àquelas marcas de nascença. Na verdade, eu até gostava das minhas sardas, mas elas me lembravam minha mãe. Meu pai não tem sardas, e nem ninguem da familia dele. Não conheço ninguem da familia da minha mãe, e quando minha avó me vê ela faz uma careta de desgosto. Ela nunca me aceitou.


Eu decidi que não iria passar maquiagem, só um gloss incolor e uma sombra brilhante, só pra dar vida aos meus olhos.



Quando cheogu a hora de me vestir, passei um certo tempo encarando aquele vestido azul, depois eu o coloquei na frente do meu corpo, olhando para o espelho. Fiz uma careta e decidi que não podia ser ele.


Enrolei-me numa toalha e voltei para o meu quarto, trancando a porta em seguida e abrindo o guarda-roupas. Revirei ele por completo, mas nada ali me agradava. Abri a porta onde haviam vestidos.


É... certamente perfeito.


Notas finais
Quem gostou?