Caius

4 IV.Desilusão


Notas iniciais
Espero que gostem....

– Ah…obrigada… (sorri gentilmente). – Caius tenta levantar-se mas não consegue e cai de costas sentando-se, a rapariga tenta segurá-lo mas também não consegue e acaba com um joelho no chão, as mãos ao lado dos ombros dele e a cara quase colada à dele. Quando se apercebe…

–É melhor sairmos daqui… — Levanta-se imediatamente, com a cara completamente corada, deixando Caius perceber que ela tinha ficado incomodada: a situação tinha sido bastante constrangedora, pelo menos para ela, quase que o beijava, a ele, logo a ele. O primeiro beijo dela ia ser com ele, o rapaz que, sem saber porquê, ela passava os dias a tentar perceber. O rapaz que a atraía de um modo estranho, que a deixava desconsertada, e sem saber o que fazer, ela que sabia sempre o que fazer.

–Vamos, então… — O andar dela, o modo como se mexia, não condizia com a rapariga que tinha batido num grupo de rapazes há momentos atrás, parecia… atrapalhada. Resolveu segui-la, não era boa ideia continuar ali. Ajustou os auscultadores. Quando se apercebeu estava a sorrir ao observá-la…

Pararam num parque infantil, já algo longe do beco…Ela tinha continuado a andar metros à sua frente, ele apenas a seguia.

– Acho que aqui já está bom. – Pela primeira vez olhou-o subtilmente, sem focá-lo diretamente… — Posso fazer-te uma pergunta?

– É o mínimo, depois do que fizeste por mim.

Ela não estava preparada para uma resposta assim, para uma pessoa qualquer pode parecer uma resposta vulgar, mas para ela não, tinha criado uma personalidade para ele que não combinada com o que estava a descobrir. Ele era gentil, delicado… contrariamente à antipatia e arrogância que ela lhe tinha atribuído até este dia, e que todos atribuíam inconscientemente.

Quando conseguiu finalmente recompor-se, voltando ao tom de pele ligeiramente moreno que tinha sido assolado novamente por um vermelho papoila, disfarçando os olhos fixos e arregalados, voltou à carga:

– O que é que se passou naquele beco?

Caius virou-se de costas deixando assim a cara protegida:

– Nada que tu não tenhas visto. Apenas uns imbecis a tentarem roubar.

– Se estavam só a tentar roubar, porquê tanta dificuldade em dar-lhes os auscultadores?- Ela sabia que o comum das pessoas também não daria os valores tão facilmente, mas também sabia que ele não era o tipo de pessoa que ligava a uns simples auscultadores. Ao primeiro sinal de problemas ele entregá-los-ia facilmente mas não o fez.

O silêncio instalou-se por breves instantes. Caius não queria, ou melhor, não podia responder-lhe, por um simples motivo: não queria mentir-lhe. Não a ela que tinha sido a única que não o tinha olhado de lado, a única que tinha a coragem de olhá-lo de frente, a única que se tinha arriscado por ele. Mentir? Não.

– Está a ficar tarde, é melhor ir para casa. Obrigada por tudo. – Depois de a ter olhado por poucos momentos para se despedir, virou-se pronto a caminhar, ir embora dali para não ter que mentir. Preferia fugir… só não esperava que ela… lhe agarra-se o braço.

– Por favor…- Ela olhava-o triste…como se espera-se mais, muito mais dele…

Embora não suportasse aquele olhar, ele simplesmente não podia, não pelo menos para já, enquanto não a conhecesse melhor e soubesse com o que contar, se podia confiar. Já tinha baixado a guarda antes e tinha corrido muito mal para o seu lado.

–Desculpa…- Soltou-se gentilmente do seu braço, tendo sem querer encontrado os seus olhos uma última vez sem querer. Deceção e desilusão eram as únicas coisas que se viam. O seu braço caiu pesado, indo de encontro ao corpo, a cabeça fez o mesmo movimento, deixando que o cabelo caísse para a frente da cara…tapando…

Notas finais
Por favor, deixem comentário, sim? ;)