Caindo em Tentação

15 CAPITULO 15 – NOITE BOA, DIA RUIM


Depois que Dudu saiu do banheiro, tomei uma ducha rápida e coloquei a banheira para esvaziar. Tirei meu biquíni e pendurei no box. Vesti minha camisola azul que eu tinha deixado no banheiro e saí.

Dudu ficou me olhando com aquela mesma cara de safado. Eu ignorei e fui me deitar na minha cama.

- Tá doida? – resmungou ele.

- Hã? – não tinha entendido.

- Pode vir deitar aqui – ele pausou – AGORA!

- Tá se achando hein?! – me levantei e fui me deitar com ele.

- Enquanto você estiver no meu quarto, vai ficar comigo aqui. – ele me abraçou. – Porque depois que você for pro seu quarto, não vamos mais poder dormir juntos.

- Aaah. – fiquei triste.

- Ou podemos? – ele perguntou animado.

- Como assim? – não entendi de novo.

- Posso fugir para o seu quarto à noite. – ele pausou. – Ou você foge pra cá.

- Claro. – respondi ironicamente. – Já pensou se nossos pais descobrem.

- Ah, a gente dá um jeito. – ele me abraçou mais forte e me deu um beijo no rosto. – Boa noite.

- Boa noite, Dudu. – fechei meus olhos.

Acordei na sexta-feira bem animada. Depois de ter perdido dois dias de aula, eu finalmente iria para o colégio. Não que eu gostasse de estudar, só gostava de ir à aula.

Eu e Dudu nos arrumamos rapidinho e descemos juntos para o café da manhã. Como Anne e Emilio passaram a noite fazendo plantão, estavam dormindo ainda. Eles acabaram contratando um motorista para nos levar ao colégio todo dia.

- Bom dia crianças. – cumprimentou Joana. – Quero que conheçam meu marido. – e apontou para um homem de cabelos grisalhos, que é bem bonito por sinal.

- Bom dia. – ele disse sorridente. – Prazer em conhecê-los. Sou Carlos, o novo motorista de vocês.

- Oi Carlos. – dissemos todos juntos.

Comemos e ele nos levou para o colégio. Mal cheguei e o Matheus já veio até mim.

- Amor. – e me deu um selinho. – Que bom que você veio na aula hoje, já estava com saudades.

- Eu também. – menti. Eu nem estava com saudades dele.

Quando olhei para o lado, Dudu já tinha sumido. Matheus segurou minha mão e me levou até nossa sala.

A aula passou rápido. Uma aula de literatura e a outra de química. Eu adoro essas duas matérias. Na hora do intervalo, Matheus veio até mim.

- Hoje quero que você assista nosso jogo lá na quadra. – e me puxou até a quadra.

Yara e Yasmin me seguiram até lá e se sentaram comigo. Yasmin não parava de falar do Emílio.

- Ai amiga, estou mais apaixonada ainda. – os olhos dela brilhavam.

- Menina, e o Dudu ontem hein?! – falou Yara. – Até agora não entendi porque ele me beijou.

- Nem eu. – falamos eu e Yasmin ao mesmo tempo.

Eu preferia nem lembrar daquela cena. Só faltava Yara começar a gostar do Dudu. Eu ia ficar louca, fato. Eu precisava saber disso.

- Yara – ela me olhou e eu continuei – Você tá gostando dele?

- Duda – Yasmin se meteu na conversa – Eu e Yara conversamos ontem depois que saímos da sua casa...

- Isso não responde a minha pergunta. – a interrompi.

- Posso continuar? – eu balancei a cabeça que sim e ela continuou – Nós chegamos a conclusão de que está claro e evidente que você e o Dudu se amam.

- Hã? – como elas sabem disso? – Claro que nós nos amamos, nós somos irmãos.

- Duda, a gente não nasceu ontem. – respondeu Yara. – Eu percebi como você ficou depois que ele me beijou. Garanto que foi só pra te fazer ciúmes.

- Você ainda não respondeu a minha pergunta. – voltei ao outro assunto.

- Não amiga. – Yara sorriu. – Eu sou apaixonada pelo Hector.

- JURA? – gritei empolgada.

- Claro. – ela apontou pra ele. – Olha que lindo ele.

- Prefiro o Emilio. – disse Yasmin suspirando.

- Eu prefiro o Du...Matheus. – e sorri sem graça.

- Finjo que acredito. – brincou Yasmin.

Depois disso eu não falei mais nada. Apenas me calei e assisti os minutos finais do jogo dos meninos. Emilio fez um gol e apontou para Yasmin fazendo um coração com as mãos. Ela parecia que ia desmaiar de emoção. Matheus fez um gol e apontou para mim fazendo um coração. E adivinha o que o Dudu fez? Um gol e apontou para a Yara.

- Ele gosta de te causar ciúmes né Duda?! – comentou Yara.

- Co-como? – perguntei.

- O Dudu poxa. — resmungou ela.

- Eu acho que vocês estão viajando. – me levantei da arquibancada. – Vou ao banheiro antes que acabe o intervalo.

- Tudo bem. – sorriu Yasmin. – Vamos ver o jogo até o final.

Fui até o banheiro que tem na quadra mesmo, estava com preguiça de ir até o outro banheiro. O que eu não esperava, era encontrar Mary e as seguidoras dela lá.

- Vejo que você está bem melhor, Maria Eduarda. – falou Mary, a arrogante.

- Pois é, Marina Bragança. – sorri forçado. – Nunca estive tão bem.

- Acho que ainda não te apresentei minhas amigas. – ela apontou para a primeira, uma menina de cabelos vermelhos, liso até os ombros, com os olhos verdes. – Essa é a Beatriz.

Muito prazer, Beatriz. – falei com nojo.

- Não me interrompa, por favor. – Ô menina nojenta viu?! – Essa aqui é a Paola. – e apontou para a outra menina, uma loira com o cabelo enrolado nas postas, com o comprimento até a cintura e olhos castanhos.

- Muito prazer, Paola. – falei com educação. – Vocês duas são muito bonitas. – e realmente eram.

- Idiota. – Paola revirou os olhos. – Sabe quem eu sou, Maria Eduarda?

- Paola. – e revirei os olhos, imitando ela.

- ARGH. – gritou ela. – Eu sou a ex namorada do Matheus. E eu acho bom você terminar com ele logo, antes que as coisas fiquem piores pra você.

- Pior do que está, é impossível. – bufei.

- Você que pensa. – falou Beatriz.

E as três me empurraram para dentro de um box do banheiro e me trancaram lá.

- SUAS VACAS. – gritei. – NÃO PENSEM QUE ISSO VAI FICAR ASSIM.

As três saíram rindo. Merda, merda, merda. Será que vai ser sempre assim? Vou voltar para o colégio publico se continuar desse jeito.

O intervalo acabou e ninguém mais entrou no banheiro. Eu gritava, gritava, mas ninguém me escutava.

Subi no vaso sanitário e tentei sair pela parte de cima, mas como meu braço estava engessado, eu não consegui. Então me sentei e fiquei lá. Alguma hora alguém ia sentir minha falta e ia começar a me procurar né? Tomara que sim — tentei pensar positivo.

- DUDU NARRANDO -

Depois que acabou o intervalo, fui para minha sala. Eu fiz questão de provocar a Duda, marcando um gol e dedicando pra Yara. Ela ficou tão irritada que foi pro banheiro.

Logo bateu o sinal e eu subi correndo para a sala. Tive mais três aulas e logo o sinal mais esperado do dia tocou.

- GRAÇAS A DEUS. – gritei. – Até segunda colégio chato.

Desci as escadas correndo, queria ir embora logo. Mas alguém me segurou pelo braço.

- Dudu, precisamos conversar. – era Yara.

Ah, merda. O que será que ela quer?

- Fala. – disse meio grosso.

- A Duda sumiu. – ela abaixou a cabeça.

- COMO? – gritei.

- Não sei. Estava na quadra com ela, depois ela foi pro banheiro e logo bateu o sino, e ela não voltou pra sala de aula. – escorreu uma lágrima dos olhos dela e eu a enxuguei.

- Calma. Nós vamos encontrá-la. – e saí correndo.

Voltei para a quadra e comecei a gritar.

- DUDA, DUDA, DUDA – e nada dela responder – DUDA, CADÊ VOCÊ?

- AQUI! – escutei um grito. Corri até a direção do banheiro.

- AQUI ONDE? – gritei novamente.

- DENTRO DO BANHEIRO. – ela respondeu.

Entrei no banheiro e vi uma única porta trancada. Quando eu a abri, lá estava Duda, sentada no vaso sanitário, com a cabeça encostada na parede.

- Tá tudo bem? – eu a abracei.

- Acho que sim. – ela parecia fraca. – Só tô com um pouco de falta de ar e dor de cabeça.

- Você vai ficar bem logo. – eu a peguei no colo e a levei até a saída do colégio.

Nem eu sabia que eu era tão forte assim.

- Não preciso nem perguntar quem fez isso com você né? – eu já sabia que era a Mary.

- Dessa vez não foi a Mary. – ela foi diminuindo o tom de voz. – Foi a Paola. Ela fez isso por causa do Matheus. – e desmaiou nos meus braços.

Quando cheguei à frente da escola, todos olhavam para mim. Eu estava bufando de raiva. Espera só essa Paola aparecer na minha frente. Emilio me viu e veio correndo até mim.

- O que aconteceu mano? – ele perguntou preocupado.

- Depois eu te explico. Pega ela aqui que meu braço já tá doendo.

Emilio pegou a Duda no colo e a deitou no banco de trás do carro. Eu me sentei e coloquei a cabeça dela no meu colo.

- Vamos pro hospital, Carlos. – falou Emilio. – Rápido.

- Não precisa. – resmungou Duda, abrindo os olhos.

- DUDA! – gritamos Emilio e eu ao mesmo tempo.

- Quero ir pra casa. – resmungou de novo.

- Estamos indo. – eu disse acariciando o rosto dela.

Ela fechou os olhos novamente e ficou assim até chegar em casa. Carlos a pegou no carro e a levou até meu quarto. Ele a deitou na minha cama e eu me deitei ao lado dela.

- Dudu? – ela me chamou baixinho.

- Tô aqui meu amor. – eu a abracei.

- Eu te amo. – ela disse ainda com os olhos fechados.

- Eu também. – e beijei o rosto dela.

- Você não cumpriu sua promessa. – resmungou ela.

- Qual? – perguntei.

- De me proteger e não sair de perto de mim. – reclamou.

- Ah Duda. Sabe como é né?! – suspirei. – O Matheus fica me provocando.

- Dudu, o Matheus é meu namorado. – ela fez uma pausa. – Ele não faz nada pra te provocar.

- É. – revirei os olhos. – Você tem razão. – dei outro beijo no rosto dela e falei – Vou almoçar e depois eu trago algo aqui pra você comer.

Fui até a cozinha para almoçar e Emilio já estava lá com os nossos pais. Pela cara deles, Emilio já deve ter contado o que aconteceu.

- Eu não fiz nada de errado. – falei antes que alguém me julgasse mal.

- Ninguém tá te acusando de nada, Eduardo. – meu pai parecia bravo.

- Só queremos que você conte o que aconteceu. – minha mãe já parecia mais tranquila.

- Fala logo. – reclamou Emílio.

- Calma gente, eu vou falar. – fiz uma pausa. – Minha aula acabou e quando eu fui descer as escadas, a Yara, amiga da Duda, me segurou e disse que a Duda tinha sumido... – fui interrompido.

- E? – perguntaram meus pais juntos.

- E eu fui atrás dela e a encontrei trancada no banheiro da quadra. – falei.

- COMO ASSIM? – gritou Emilio. – QUEM FEZ ISSO COM ELA?

- A Paola. – resmunguei.

- Quem é Paola, filho? – perguntou minha mãe.

- É ex namorada do Matheus, que agora é namorado da Duda. – falei com nojo.

- Peppelinha, vamos agora mesmo atrás dessa Paola. – meu pai a puxou pelo braço. – Precisamos tomar uma providência. Aonde já se viu trancar nossa filha no banheiro.

- PAI! – gritei. – Acho melhor não.

- Por que filho? – perguntou minha mãe.

- Conhecendo bem a Paola – fiz uma pausa -, ela é capaz de fazer coisas piores com a Duda.

- Se nós falarmos com os pais dela, eles vão tomar alguma atitude. E eu duvido que ela vá fazer algo contra a Duda novamente. – minha mãe disse confiante.

- Queria ter essa confiança toda. – abaixei a cabeça.

- Relaxa mano – disse Emilio me dando um soco no ombro -, vai ficar tudo bem.

- Bom, vamos almoçar – disse minha mãe -, depois do almoço nós vamos atrás dessa Paola.

Almoçamos em silêncio. Depois eu peguei um pouco de batata frita, arroz, um bife, tomate e um copo de suco de uva – coisas que eu sei que a Duda gosta -, coloquei em uma bandeja e subi pro quarto. Quando cheguei lá ela ainda estava com os olhos fechados.

- Duda? – sussurrei ao ouvido dela.

Ela apenas sorriu, nem ao menos abriu os olhos.

- Duda – resmunguei -, abre os olhos.

- Deixa eu sonhar Dudu. – ela continuava sorrindo.

- Agora eu vi. – revirei os olhos. – Minha irmã é doida.

- Eu tô sonhando com você me trazendo uma bandeja com batata frita. – ela continuava sorrindo.

- Acertou. – balancei ela. – Agora abre o olho porque você não tá sonhando.

Então ela abriu os olhos e sorriu de novo.

- Por que você tá tão feliz? – perguntei confuso.

- Porque você tá aqui comigo. – Uau, essa foi tocante.

- Hum. – fiquei sem graça. – Trouxe comida pra você. Trate de comer TUDO.

- Ok pai. — ela se sentou e eu coloquei a bandeja no colo dela.

Como ela tinha dificuldades para comer com a mão esquerda, eu fiz aviãozinho.