Notas iniciais
Oi, meus amores! Tudo bem? Espero que sim! E espero que aproveitem bem esse capítulo! *pisca* Nossos sinceros agradecimentos para TODOS que estão lendo e comentando, obrigada pelo incentivo e feedback incrível: LuOrtensi, Leyv Winds, Mapa, Lola, Zenya, LunaBiju, LadyYuro, Salvatore Romanov, tessadeschamps, cut, Lucy, Bomer, Pattysouza, Yuna, Miyu, Ruth Echelon, j2rugila, Mariana Lótus, Sayori, MilaScorpius, Vêh Kant, UchihaMarina, DanyRock Chan, paozinhois, DCC, Ti Rorschach, Safira Rosa, Kaline Bogard, Lullabies, Wildest Dreams, imouto kawaii, Christine Ávila, DudaSeibel! Boa leitura!

Damien arregalou os olhos e quase deixou o médico cair no chão quando ele disse aquilo. Quase. Ele abriu e fechou a boca diversas vezes, sem saber o que dizer em um primeiro momento. Estava surpreso demais por Taylor confidenciar aquilo com tal naturalidade, encarando-o com aqueles olhos amendoados sinceros e apreensivos.

— O gaydar do Sam é realmente in-fa-lí-vel. – Damien disse, rindo, enquanto o largava no chão. Com o coração a mil, admitiu: – Eu não sei o que eu sou, Taylor... É verdade que eu gosto de peitões, mas... Talvez eu seja um hétero curioso no momento. – Confessou em um tom mais sério.

Taylor se afastou alguns passos, suspirando e passando a mão pelo rosto.

— Já tive vários tipos de relacionamento na vida. Uma vez, me apaixonei por um cara hétero e quebrei a cara. Ele também estava curioso... E-Eu... Meio que fiz uma regra de nunca mais me envolver com caras assim. Quando a... Curiosidade passa, quem fica lá com cara de idiota é quem nunca gostou de peitões. – Mordeu o lábio, mantendo-se de costas para o ruivo. – Eu tinha achado que você e Sam tinham alguma coisa... Tentei me afastar. Mas agora... Agora você está me deixando completamente confuso! – Se virou para ele, sua expressão completamente perdida.

— Você achou o quê?! – Damien exclamou em um tom mais alto do que deveria e só depois se lembrou das crianças dormindo na sala. Ele passou a mão pelos cabelos, nervoso, e começou a dar voltas pelo quarto. – E eu e o Sam! Eu e o Sam!!! De onde você tirou essa ideia? O que me atraiu em você foi que você é justamente o oposto do jeito espalhafato dele. – Falou nervoso. – Ok, eu entendo que você esteja confuso e com medo. Como você acha que eu me sinto? Eu nunca me senti assim por ninguém. Nunca beijei outro homem e de repente... Bam! – Bateu um punho fechado na outra mão que estava aberta. – Me sinto como se tivesse sido atropelado por um caminhão com esse monte de coisas que eu sinto.

— Bem, você deu um carro pra ele! E supostamente alguém ouviu vocês se declararem lá no restaurante! – Taylor falou agitado, mas depois suspirou. – Mas não importa, Sam já me esclareceu que é apenas amizade e, céus, eu nem sei se isso importa também. Olha... E-Eu não sei se dá para continuar assim. Não quero repetir o que já aconteceu antes, é doloroso demais. Talvez você só esteja carente... Morou sozinho muito tempo, aí um cara começa a morar junto com você e te fazer café... Ah, eu não sei! Eu vou escovar os dentes! – Taylor escapuliu para o banheiro. Estava tão nervoso que mal conseguia respirar. Por um lado estava vibrante que Damien sentia atração e estava interessado, por outro estava morto de medo e afogado em sentimentos conflituosos.

Já o ruivo bufou, irritado, quando Taylor fugiu para o banheiro. Pensando bem, não era a primeira vez que o médico fugia quando estavam no meio de alguma coisa. Damien continuou andando de um lado para o outro, tentando colocar os pensamentos em ordem, mas quando Taylor saiu do banheiro a única coisa que o ruivo conseguiu fazer foi atravessar o quarto, puxar o médico pela cintura e colar a boca na dele antes que ele tivesse tempo para ter qualquer outra reação.

Damien colocou uma das mãos na nuca do médico, agarrando junto os dreads enquanto o outro braço estava enrolado em volta da cintura dele. Com os olhos fechados, ele tentava descobrir o que estava sentindo, se era diferente ou não beijar outro homem, se era ou não carência, se era ou não atração. Claro, não havia os seios fartos entre eles, mas o ruivo percebeu que isso não fazia falta. Que era delicioso sentir o corpo de Taylor tão colado ao seu.

Taylor se segurou ao ruivo e gemeu. Não conseguiu resistir, era simplesmente impossível. Seu corpo quase entrou em colapso assim que Damien o agarrou tão firme. Suas mãos afundaram nos cabelos macios e laranja-acobreados dele, enquanto seus lábios eram devorados daquela maneira louca. Ele não havia conseguido tirar toda a loucura do ruivo como afirmara para Charlie, no final das contas. Taylor ficou na ponta dos pés para colar mais seu corpo contra o do maior, cuja altura superava a sua em quase vinte centímetros. Não sabia se iria se arrepender daquilo depois, mas não conseguia se importar com isso no momento.

Quando se afastaram minimamente, com as respirações ofegantes e os olhos ainda fechados, Taylor sussurrou:

— Eu não devia me impressionar... Já imaginava que você beijasse muito bem. – Seus lábios latejavam e o gosto do beijo ainda imperava em sua boca.

Damien nem conseguiu ficar convencido com aquele elogio. Ele estava mais preocupado em abraçar Taylor e afundar o rosto no pescoço dele.

— Eu não sei o que é isso que eu estou sentindo, mas não é carência, nem é apenas curiosidade... Desde que eu comecei a conviver com você algo mudou em mim. – Damien sussurrou enquanto o abraçava mais apertado. – E a sua boca tem gosto de café. Não vou conseguir parar de te beijar nunca. – Brincou. – Eu sei que é pedir muito por tudo que você já passou com caras héteros e bi curiosos, mas se você puder pensar em me dar uma chance... – Falou enquanto se afastava para fitá-lo.

Taylor abriu e fechou a boca, hesitante. Seu coração batia tão descontrolado que ele com certeza estava em meio a um episódio de arritmia. E era tão bom estar nos braços do ruivo daquela forma...

— Padrinho...? Tio Taylor? – Os dois se afastaram abruptamente ao escutarem a voz de Oliver.

O menino esfregava os olhos, mas ao mesmo tempo parecia assustado. Ele correu para dentro do quarto e se abraçou ao ruivo.

— Eu tive um pesadelo. – Murmurou. – Mas não contem pro Phil! E-Eu... Estou com medo. Vocês não vão ir dormir?

Damien lançou um olhar ansioso para Taylor como quem diz: “Amanhã continuamos essa conversa”.

— Vamos lá, Ollie, vamos dormir. – Disse enquanto passava o braço em volta do ombro do afilhado para guiá-lo até a sala.

Taylor os seguiu mais atrás, mordiscando o lábio inferior. Ele não falou mais nada, porém agora ao menos teria uma boa noite de sono e algum tempo para colocar as ideias em dia. Ele se deitou novamente ao lado de Charlie e sorriu de leve quando a menina se encolheu contra seu corpo.

Mesmo com a mente tão cheia, estava exausto e não tardou a dormir.

XxxX

Taylor se assustou na manhã de domingo.

Era quase dez horas passada quando ele acordou. A sala estava escurecida, pois o dia lá fora continuava feio e nublado, com uma leve pancada de chuva. Taylor se espreguiçou e bocejou, depois olhou ao redor e viu que todos permaneciam adormecidos. Seu olhar recaiu sobre Damien, que dormia tranquilamente entre os gêmeos. A lembrança do beijo da noite anterior o atingiu em cheio e ele sentiu as bochechas pinicarem.

Decidiu que precisava de um banho antes de iniciar o dia. Foi um banho rápido enquanto escovava os dentes e lembrava que o ruivo havia achado seu beijo com gosto de café. Ele riu disso com a escova ainda na boca. Bem, Damien havia mesmo se viciado em seu café... O médico suspirou ficando confuso de novo e, depois de arrumado, foi direto para a cozinha.

Iria preparar um café bem quentinho e depois decidir se faria uns lanches, ou já começaria a preparar algo para o almoço. Qualquer coisa, poderiam pedir uma pizza também. Carl e Dakota realmente ficariam malucos por terem mimado tanto as crianças durante o final de semana, mas esse era o preço se eles queriam passar finais de semana namorando enquanto ele e Damien cuidavam das crianças.

Ele e Damien... Taylor realmente sentiu como se fossem mesmo um casal ao pensar assim.

— Ah, maldito ruivo lindo, sexy e fofo. – Murmurou exasperado colocando uma mão sobre o rosto e outra apoiada no balcão enquanto esperava a água para o café esquentar.

Damien ouviu os sons vindos da cozinha. Abriu um olho e viu que as crianças continuavam dormindo profundamente. Ele sentou, esfregou o rosto e só depois de um tempo olhando para o nada encontrou forças para levantar. Foi até o banheiro, escovou os dentes e encarou sua imagem refletida no espelho. Ele havia beijado Taylor na noite anterior. Havia beijado e havia gostado. Não. Gostar é pouco. O ruivo nem conseguia definir. Ele só sabia que se não fosse pelas crianças ele teria prensado Taylor no colchão e feito muito mais do que apenas beijar.

Bem, é melhor que as crianças estivessem por aqui mesmo. Não sei se eu estou pronto para isso. E Taylor também... Precisamos nos acostumar primeiro e entender tudo isso”, ele pensou enquanto guardava a escova no lugar.

Quando entrou, viu que Taylor estava apoiado no balcão parecendo estar com o pensamento bem longe. Chegou por trás e o abraçou.

— Bom dia. – Sussurrou antes de dar um beijo na lateral do pescoço dele. Eles podiam ter o tempo para se acostumar, mas isso não queria dizer que Damien iria manter seus lábios ou suas mãos longe. – Sonhou comigo? – Perguntou em um tom meio convencido meio de brincadeira.

— Aaah! – Taylor exclamou assustado e arrepiado e colocou rapidamente a mão sobre o local onde o ruivo o havia beijado. Ele se virou com o coração aos pulos. – Não me mate de susto dessa maneira! – Colocou a mão no peito e expirou fundo, tentando se recuperar. Depois olhou para o maior. – E não, eu não sonhei com você, dormi feito uma pedra. – Se apoiou ao balcão e cruzou os braços, encarando-o com uma sobrancelha erguida. – Então você ainda é um hétero curioso hoje?

Damien colocou a mão sobre o próprio peito e fez uma expressão de ofensa. Mas manteve Taylor bem prensado contra o balcão usando o próprio corpo para impedi-lo de escapar.

— Como assim não sonhou comigo depois daquele beijo? – Perguntou fingindo aborrecimento. – Talvez eu devesse repetir para me deixar bem fixo na sua cabeça... – Murmurou enquanto sua boca estava a poucos centímetros da dele. – Acho que hoje eu sou 99,9% gay... Preciso de mais beijo pra chegar aos 100%. – Provocou.

Taylor experimentou as típicas fisgadas na boca do estômago com a proximidade e a fala provocativa do ruivo. Suas mãos acabaram sobre o tórax dele, podendo assim sentir a dureza dos músculos peitorais. Inspirando fundo, Taylor quase fechou os olhos ao sentir os lábios de Damien roçarem levemente aos seus, mas de último momento inclinou a cabeça para trás, tentando se controlar.

— As crianças estão na sala. – Murmurou com a voz com uma leve alteração de timbre pela excitação que percorria seu corpo.

— Espero que isso não seja uma desculpa para não me beijar. – Damien resmungou fingindo despreocupação, mas por dentro estava morrendo de insegurança.

— Não seja idiota. – Taylor venceu o espaço entre os dois e deixou seus lábios pressionarem contra os do ruivo. Não tentou aprofundar o beijo, tinha medo de onde aquilo acabaria, em plena cozinha, se toda aquela tensão entre os dois fosse liberada, e ele também estava pouco confiante e bastante descrente quanto àquela situação. Era... bom demais para ser verdade.

Damien gemeu e pressionou a língua contra os lábios fechados de Taylor, mas o médico resistiu e o ruivo acabou tendo que se contentar só com o beijo de boca fechada.

— Tudo bem. – Ele murmurou assim que se afastou um pouco. – Olha como eu estou só por estar perto de você. – Sussurrou, um pouco envergonhado, enquanto guiava uma das mãos do médico até a sua ereção. – Eu preciso me afastar agora senão as crianças vão nos pegar em uma situação muito comprometedora. Mas depois que elas forem embora... – Falou com um ar de promessa.

— A á-água pro café está fervendo. – Falou um pouco atrapalhado e se afastou do mais novo antes que também acabasse se esquecendo das crianças. Começou a preparar o café, enquanto mordiscava furiosamente o lábio inferior. Suas mãos tremiam um pouco e ele ficou com medo de acabar derramando água fervente em si mesmo. – O que você acha que podemos preparar de almoço para o trio elétrico?

— Os pais deles deveriam era vir buscá-los, isso sim. Já deu pra eles fazerem mais três crianças. – Damien falou enquanto se largava em uma cadeira, se curvava e ficava meio deitado com a bochecha encostada na mesa. – Argh! Eu espero que eles estejam fazendo controle de natalidade. Eu não aguento mais três desses! Como a gente iria fazer? Eles teriam dois padrinhos? Eu e você? – Começou a divagar sobre os filhos que Carl nem tinha ainda. – Phil, Ollie e Charlote não iam gostar nada de você ser padrinho dos irmãos mais novos e deles não. Aí você vira padrinho honorário, então.

Taylor riu do monólogo delirante do ruivo.

— Acho que Carl e Dakota que decidiriam isso, né? Eles me conhecem há pouco mais de três meses. Não sei se iriam me escolher para padrinho. Não que eu ache que eles pretendam ter mais filhos, de qualquer forma. Muito menos agora. – Taylor ponderou, imaginando que qualquer um enlouqueceria com mais do que três crianças agitadas como aquelas em casa. Mal percebia que o ruivo já falava como se houvessem se tornado um casal. – E eu acho que eles só devem aparecer de noite. – Deixou o bule de café aberto para esfriar um pouco antes de servir. – Eu estou com um pouco de preguiça de cozinhar, aí pensei em pedirmos pizza.

— Eles vão adorar isso... E depois o Carl nos mata, mas tudo bem. Pedimos pizza. Quem mandou ele largar as crianças aqui? – Damien riu ao imaginar a cara do amigo quando os pirralhinhos dissessem que o que haviam almoçado. – Café! – Ele levantou, animado, ao sentir o cheiro.

Taylor recém havia servido uma xícara para ajudar a dissipar o calor, mas não conseguiu impedir o ruivo de pegar e virar um bom gole.

— Damien! A água está pelando ainda! – Exclamou arregalando os olhos, preocupado.

O ruivo engoliu o café e começou a abanar a boca, tentando aliviar a língua queimada. Phil ia entrando na cozinha naquele momento e começou a rir quando viu o padrinho correr até a geladeira para tomar água feito um desesperado que havia se perdido no deserto.

— O meu pai vive dizendo que o padrinho é pior que nós três juntos! – Phil disse e ganhou um peteleco na cabeça dado por Damien.

— A primeira coisa que você diz quando chega em um lugar é “bom dia!” – O repreendeu.

— Bom dia. – Phil disse um pouco emburrado pelo peteleco. – E o padrinho é três vezes pior do que nós três juntos! – Afirmou, implicante, e ganhou outro peteleco.

Taylor apenas deu graças a Deus por ele e Damien não estarem perto demais ou aos beijos quando o menino apareceu.

— Está com fome, Phil? O que quer comer? E seus irmãos não acordaram ainda? – Perguntou o médico, servindo a si próprio de um pouco de café.

— Tô. Eu quero um copo de leite e biscoito recheado. – O menino disse após um bocejo. – A boboca da Charlote ‘tava assistindo televisão quando eu saí da sala. Alguma coisa com tiros e um cara sangrando.

Damien cuspiu o café ao lembrar que deixava a televisão programada para ligar no canal do seriado, que reprisava no domingo, e saiu correndo da cozinha para tirar a menina da frente da televisão.

Taylor serviu Phil de biscoitos e leite, orgulhoso pelo menino preferir leite puro, e depois levou dois copos para Charlie e Oliver na sala. Chegou a tempo de ver que o seriado que Charlie havia começado a assistir era o seu favorito “A Man’s Death”. O tema era investigação criminal, porém também havia muito drama envolvido, tanto no impacto do trabalho do detetive em sua vida pessoal, quanto nas questões familiares e amorosas entre parentes e amigos do protagonista. Era profundo, reflexivo e cheio de suspenses e emoções, na opinião do médico.

— Eu sou louco por esse seriado. Nunca fui muito de assistir seriados, mas esse... Simplesmente não há comparação. Não é à toa que já na segunda temporada a legião de fãs seja gigantesca pelo mundo inteiro. – Taylor comentou, deixando transparecer sua admiração. Ele entregou o copo para Charlie, beijando-lhe o topo da cabeça. – Bom dia, florzinha. – E depois colocou o copo próximo de um Oliver ainda em processo de acordar.

O ego de Damien subiu um bocado com os elogios que o médico fez ao seu seriado. Ele nunca foi muito de se importar com os elogios (ou críticas) que faziam ao que ele escrevia porque era algo que ele fazia por prazer e não buscando fama ou dinheiro. Tanto era que sua editora tentou por várias vezes convencê-lo a aparecer em público para dar entrevistas e ele sempre recusou. Entretanto, o elogio de Taylor o encheu de animação e o deixou um pouquinho convencido. O ruivo quis dizer que o seriado era dele, mas achou que ele não acreditaria que o “desocupado dorminhoco mulherengo e maníaco por academia” da cidade era o criador e escritor de “A Man’s Death”.

— Mas mesmo sendo bom, a Charlie não pode assistir porque ela é muito pequena pra isso. – O ruivo mudou de canal e colocou em um desenho.

— Por que eu não posso assistir? – a menina perguntou emburrada.

— Porque é pra adultos.

— Por que é pra adultos?

— Porque tem cenas que crianças pequenas não vão entender.

— Eu não sou pequena. – Ela fez bico, mas logo esqueceu o assunto quando fixou os olhos na TV com o desenho roubando toda a sua atenção.

— Ainda está chovendo. – Damien comentou para Taylor. – Vamos ter que mantê-los dentro de casa. Vou montar o vídeo game e isso vai manter os gêmeos ocupados... Já a Charlie. Alguma ideia?

— Hm... Desenhar? – Taylor sugeriu, sentando-se no sofá.

Phil retornava para a sala e, de barriga cheia, se deitou ao lado do irmão e pareceu querer voltar a dormir. O barulhinho de chuva proporcionava um ar aconchegante para isso. Porém Phil na verdade apenas queria incomodar o irmão e começou a fazer cócegas nele para acordá-lo.

— Sai, Phil! — Oliver resmungou e tentou chutá-lo.

— Acorda! Vamos jogar vídeo game! Não ouviu o padrinho!? – Phil retrucou o cutucando.

— Para com isso! – Oliver se irritou e, em poucos segundos, os dois iniciaram uma briga com socos e pontapés e acabaram derramando o copo de leite que Taylor havia trazido.

As orelhas de Damien ficaram vermelhas quando ele viu o tapete encharcado de leite. A vontade do ruivo foi de ir até aqueles dois pestinhas e puxá-los pelas orelhas, mas ele era adepto de que bater para educar não adiantava.

— Phillip e Oliver! – Damien usou o tom sério ao chamá-los. – Vocês vão me ajudar a limpar a sala e a cozinha! Só depois vamos jogar. Vamos, vamos. Andem logo! Nada de moleza.

Os meninos levantaram e começaram a ir se arrastando para a cozinha, um empurrando o outro com murmúrios de “a culpa é sua!”.

— Viu? Eu tenho um pouco de autoridade. – Damien estufou o peito e, na mesma hora, eles ouviram o som de pratos quebrando lá na cozinha. O ruivo grunhiu. Ele começou a se afastar, mas voltou e, aproveitando que Charlie estava absolutamente concentrada na televisão, deu um selinho nos lábios de Taylor. – Pra sonhar acordado comigo – Disse, e saiu correndo em direção da cozinha.

Taylor ficou ali parado com cara de pateta. Aquele ruivo... Como diabos ele não acabaria se apaixonando por aquele idiota? Ok, só o estava xingando porque no momento estava se sentindo que nem um idiota, sem reação, com a boca seca e aquela dorzinha gostosa de ansiedade no peito.

— Charlie, quer desenhar com o tio Taylor?! – Ele foi buscar papéis e canetas antes mesmo da menina responder. Também precisava ocupar e mente com alguma coisa.

Damien passou o resto da manhã limpando a cozinha e a sala com os gêmeos. Eles reclamaram, fizeram corpo mole, mas o ruivo foi irredutível e só aceitou ir jogar vídeo game quando as coisas estavam mais ou menos no lugar. Acabou que quando eles terminaram foi bem quando o cara da pizza chegou e aí acabou que a cozinha ficou uma zona outra vez, mas nem o próprio Damien tinha mais paciência pra dar um jeito naquilo e depois do almoço eles foram jogar.

Enquanto eles jogavam, Taylor levou Charlie para tirar um cochilo no quarto. Quando eles voltaram do cochilo, com a cara amassada, foram alvo das risadas dos gêmeos que diziam que os dois pareciam dois zumbis do filme que eles assistiram ontem. Charlie não gostou da comparação e começou a chorar.

— Hei, hei, hei! – Taylor a pegou no colo. – Se a gente está parecendo dois zumbis, sabe o que a gente pode fazer com esses gêmeos implicantes? – Perguntou à menina que, curiosa, acabou tentando abafar o choro enquanto o olhava curiosa.

— O quê? – Perguntou manhosa.

— A gente pode morder! – Taylor exclamou animado e soltou uma risada maquiavélica. Ele largou Charlie no chão e fez pose de zumbi, erguendo as mãos em garras.

A menina riu e o imitou. Os gêmeos, quando perceberam os dois se aproximando com aquelas caras de mortos-vivos, se levantaram e se afastaram.

— Hei, sai pra lá! – Phil exclamou.

— Não tem graça! – Oliver completou, mas como Taylor e Charlie não pararam, pelo contrário, até aceleraram os passos, logo os quatro já brincavam de pega-pega pela sala, aos gritos, provocações e risadas, terminando de bagunçar o que mais cedo haviam arrumado.

Damien continuou jogando como se aquela zorra ao seu redor não estivesse acontecendo. Ele iria zerar aquela porcaria de jogo e não tinha quem o impedisse... Até que Taylor puxou a tomada do vídeo game e o ruivo acabou perdendo todo o progresso do jogo.

— Ahhhhh! Quando eu te pegar você vai ver! – Ele gritou enquanto levantava e corria atrás do médico.

Foi naquela bagunça que Carl e Dakota encontraram os filhos. Os três correram até os pais quando os viram entrando e saltaram em cima deles.

— Pai, a gente almoçou pizza...!

— Jantamos bolachas de chocolate com marshmellow...!

— Assistimos filme de terror até tarde...!

— Fomos no parque brincar com o Mark...!

As crianças falavam de uma vez só, bombardeando os pais com informações, e os olhos de Carl e de Dakota foram dobrando de tamanho à medida que os meninos falavam.

— Damien! – Carl exclamou.

— Quê? – O ruivo disse indiferente. – A culpa é dele! – E apontou para Taylor... Tal como os gêmeos haviam feito na briga besta dos dois mais cedo, em que um cutucava o outro culpando-o pelo castigo.

Taylor revirou os olhos.

— Elas tiraram o final de semana de folga também. – O médico ergueu as mãos na altura dos ombros, como quem se redime da culpa. – Nós só fizemos nosso papel de tios legais e divertidos. – Brincou.

Dakota pegou Charlie no colo quando a menina começou a chorar carente da mãe.

— Ai, filha, não precisa começar a manha só porque a mamãe apareceu! – Ela falou e deu um beijo na testa da menina.

— Tios legais e divertidos... Já estou até vendo esses meninos querendo pizza no café da manhã! – Carl exclamou desgostoso. – Mas tudo bem. Mesmo com vocês estragando as crianças, nós agradecemos por terem cuidado delas.

— Que estragando o quê! – Damien bufou. – Tios mimam. Pais criam. É a lei da vida.

Carl balançou a cabeça e achou melhor nem retrucar. Eles juntaram todas as coisas das crianças, jogaram tudo dentro do carro e foram embora. Damien e Taylor ficaram olhando o carro sumir na esquina.

— Terminou! Nem acredito. ‘Tô acabado. Nunca mais que eu deixo o Carl largar esses três aqui um final de semana inteiro! – Damien fez drama, mas no fundo ele adorou toda a bagunça e adoraria repetir um dia. Mas não tão cedo.

Taylor não esperou nem mais um segundo. Segurou a mão do ruivo e o puxou para dentro. Assim que a porta fechou, o empurrou contra ela, ficou na ponta dos pés e, grudando o corpo contra o dele, o beijou com toda a vontade acumulada desde a manhã. Segurando o rosto do mais alto, se afastou apenas para murmurar:

— Droga, você realmente está fazendo eu quebrar as minhas próprias regras.

Damien arregalou os olhos, em choque, com aquele ataque fulminante. Ele não estava esperando. Na verdade, pensou que fosse ter que esperar até de noite para escapulir para o quarto de Taylor e seduzi-lo. Nunca pensou que fosse ser atacado daquele jeito. Assim que o susto passou, o ruivo usou a força para inverter as posições e prensou Taylor contra a parede enquanto sua língua deslizava dentro da boca dele e suas mãos já iam para baixo da blusa de algodão que o médico usava. Damien arranhou a barriga dele de leve sem saber se deveria subir mais ou se já estava cruzando a linha do primeiro amasso. Ele não tinha ideia do que fazer.

Taylor gemeu baixinho e colocou as mãos nas nádegas do ruivo, apertando-as. Havia ficado com vontade danada de fazer isso desde que ele desfilara nu em seu quarto após invadir sua cama no meio da noite, há algumas semanas. Ele notou a hesitação do ruivo ao subir as mãos e isso o levou, no entanto, a interromper novamente o beijo.

— Está com medo de colocar a mão e perceber que não há peitos ali? – Perguntou irônico, mas por dentro inseguro com a resposta do mais novo.

As mãos de Taylor apertando as suas nádegas deixaram Damien ainda mais excitado. Ele queria que o médico apertasse na frente também.

— Não é isso... – O ruivo sussurrou se sentindo tímido e isso era totalmente novo para ele, já que Damien nunca foi lá muito de ficar sem jeito em momentos como aquele. – É que... Bem... Eu sou praticamente virgem nesse campo. Com as mulheres eu costumava ir um pouco devagar no começo. Mas com você é diferente e não sei bem o que fazer e se posso ou não colocar as mãos.

Damien implorou para não ter dito nenhuma bobagem. Mas Taylor também tinha que entender que aquilo tudo era novo para ele e que não poderia deixar de comparar um pouco naquele momento.

Taylor mordeu o lábio.

— Você fica uma gracinha tímido. – Comentou e acabou soltando uma risada, porém uma risada que não tinha nada de deboche. Era apenas satisfação. Ele colocou a mão na bochecha do ruivo, sentindo a barba curta roçar em sua palma, e depois aproximou os lábios da orelha do ruivo. – Tudo bem... Eu vou ensinar você. – Sussurrou.

Ele sorriu brilhantemente e puxou o ruivo com ele para o sofá. Empurrou Damien, fazendo-o cair sentado contra o estofado, e depois subiu no colo dele.

— Não tenho paciência para devagar. – Afirmou num tom mais baixo, inclinando-se sobre ele.

Damien segurou a cintura de Taylor enquanto entreabria os lábios e deixava que ele o beijasse como bem quisesse. O ruivo ficava feliz que o médico não quisesse ir devagar ou que tivesse aberto uma exceção à regra que fez. Damien só queria ter se preparado melhor para tudo. Estava acontecendo tão rápido. Eles admitiram que se sentiam atraídos, se beijaram e agora estavam se pegando no sofá. Quer dizer, Taylor estava praticamente o devorando no sofá porque Damien continuava emperrado. O ruivo desejou ter tido a ideia de ler alguns pornôs gays para entender melhor como o sexo entre dois homens funcionava. Lógico que seguia a premissa básica, mas não deveria ser igual.

Ok, mas ele não iam fazer sexo. Ou iam? Damien ficou tenso com a possibilidade. Não que ele não quisesse, mas como ele disse ele era virgem naquele campo.

— Você vai querer ficar por cima? – Perguntou nervoso quando seus lábios se desencontraram, e o mais velho desceu os lábios para o seu pescoço.

Taylor se afastou um pouco e mirou o ruivo nos olhos.

— Você prefere que eu fique por cima? – Perguntou.

— Ah... Bem... Não sei. – O ruivo disse, confuso, enquanto deslizava as mãos até as coxas de Taylor e começava a apertá-las de leve. – Eu pensei na gente juntos uma vez. – Confessou. – Enquanto eu tomava banho. Eu fiquei por cima... Na verdade, você ficou prensado na parede enquanto eu... Eu... É... Você sabe. Enfim. Mas agora eu estou com medo de te machucar. Eu estou sendo péssimo, não estou? – Falou demonstrando um pouco da sua insegurança. – Acho que eu devia ter perguntado Sam como é. Ou melhor. Não! Imagina a cara dele! – Damien fez uma careta enquanto balançava a cabeça de leve.

Taylor riu do jeito atrapalhado do ruivo.

— Você não precisa ficar tão tenso. Não vai me machucar... Eu iria te mostrar como fazer. – Ergueu o queixo dele e lhe deu um selinho. – Mas a gente não precisa transar hoje. Podemos só dar uns amassos e curtir um ao outro um pouco, certo? Assim você se acostuma à falta de peitões e fica mais relaxado. – Riu de novo, acariciando o pescoço do ruivo. Acabou suspirando. – Você realmente mexe comigo, ruivo. – Abraçou-o e o beijou no pescoço, próximo da nuca.

Damien relaxou e passou os braços em volta da cintura de Taylor, apertando-o com força.

— Você também mexe comigo. Não vou dizer que foi desde o primeiro dia... Mas de alguma forma seu sorriso me conquistou. – Ele sussurrou. – Eu ainda acho que estou sonhando. Fiquei com tanto medo de dar qualquer passo, você me rejeitar e querer sair de casa.

Agora seria um bom momento para contar que ele andou subornando os caras da obra para que eles atrasassem a entrega, mas Damien preferiu protelar essa revelação.

— Bem, eu certamente reparei nos seus braços no primeiro dia, mas não passou disso... Só mais tarde que eu fui reparar nisso aqui também... – A voz de Taylor tornou-se mais maliciosa e ele escorregou a mão para a ereção do ruivo, tocando-a enquanto seus lábios provocavam a orelha do mais novo. Ele riu de maneira solta. – Quero que me conte a verdade sobre a noite que invadiu minha cama nu. – Sussurrou, apertando o pênis dele com um pouquinho mais de força.

Damien gemeu enquanto ele cerrava os olhos e jogava a cabeça para trás. Ele precisava se livrar da calça. Urgentemente! Ele ouviu Taylor perguntar qualquer coisa sobre a noite que ele entrou nu na cama dele, mas estava mais ocupado em sentir os lábios do médico em sua orelha e a mão dele massageando de leve a sua ereção.

— Eu... Eu vinha me sentindo diferente em relação a você. Nós tínhamos passado o dia juntos e... E... – Ele perdeu a linha de raciocínio quando Taylor abriu o botão da sua calça. – Eu estava em conflito por estar me sentindo atraído por você. Pensei que fosse falta de sexo e saí, mas nem a tamanho big G me atraiu então voltei para casa, mas não consegui dormir porque só pensava em você aí acabei indo deitar lá na sua cama, mas o plano era sair cedo antes que você acordasse... Taylor... – O ruivo gemeu quando sentiu uma mordida de leve em sua orelha e a mão do mais velho roçando diretamente em seu pênis.

— Você não conseguiu transar com uma peituda por minha causa? – Taylor perguntou num sussurro contra a orelha do ruivo, seu polegar massageando a glande que já estava molhada pelo pré-gozo. – Ah droga... Isso realmente me deixa louco para colocar em prática o que você imaginou entre a gente no banheiro. – Falou angustiado, gemendo baixinho contra o ouvido do ruivo.

Damien gemeu mais alto e fez sua boca encontrar a dele mais uma vez, em um beijo angustiado, cheio de desejo e paixão. As cabeças giravam rápido enquanto seus corpos pareciam cada vez mais quentes. O ruivo sentia que iria explodir a qualquer momento nas mãos de Taylor. Aquilo era loucura. Ele nunca imaginou que pudesse ser tão intenso e na prática ainda não haviam feito nada demais.

— Taylor, eu... – Damien começou a dizer, mas a campainha tocou naquele momento e fez o ruivo grunhir e gemer de frustração. – Não me diga que o Carl que voltou para deixar aqueles três aqui a semana inteira!!! – Exclamou desesperado.

Taylor riu, por mais que a ideia lhe desse arrepios, e, ainda que fosse quase doloroso, se levantou.

— Certo, eu tenho até a porta para me livrar dessa ereção, e você para fechar as calças. – Suspirou e se aprumou, respirando fundo e pensando em coisas broxantes, como cirurgias abdominais e, as mulheres que o perdoassem, todas as vaginas que já havia visto em exames ginecológicos. – Vou ver quem é.

Ele caminhou até a entrada da casa quase como se pisasse em nuvens. Havia um sorriso em seu rosto quando abriu a porta, mas ele desapareceu gradativamente conforme suas retinas registravam quem estava ali à sua frente.

— T-Timothy... – Murmurou sem acreditar.

Notas finais
E aí, quem lembra quem é o Timothy? UASHAUSJIUA E o que virá desse reencontro? Como ficará nosso casal recém acertado? Tudo isso e muito mais no próximo capítulo de "Café, Ciúmes e as tretas do amor"... Não, pera. Até próximo sábado, gente! Beijos!